Notas iniciais
Olá meninas ♥ Peço desculpa pela demora, ocasionais contratempos, mas hoje posto esse capítulo e mais no final da semana outro. Espero que possam compreender que estou tentando ser o mais breve que consigo. :) Boa leitura,

Christian não teve outra saida que não me levar no cemitério onde havia feito o enterro da minha mãe. Me controlei horrores para não desabar na sua frente em lágrimas, mas confesso que precisei de fazer um esforço de outro mundo para que isso não acontecesse. Só que assim que cheguei ao lugar onde haviam enterrado os restos mortais dela, eu simplesmente desabei de joelhos e me abracei ali à aquele pedaço de terra para pela última vez sentir a presença da minha mãe. Sentir o contato do seu calor inexistente. Christian ainda me tentou demover de sair do chão, mas não reagi a suas intenções e me mantive assim sólida como uma pedra, lavada em lágrimas como uma fonte interrompida e sem concerto.

Lágrimas correram por meu rosto sem controle, sentia que parte de mim havia morrido naquele maldito acidente. Sempre que sou levada pelos pensamentos só consigo recordar de toda a vez que havia insistido com ela em levá-la, toda a vez que lembro que por minha causa a minha mãe havia partido, uma parte de mim morria de novo e novo e novamente de novo. Acho que não tinha mais como apaziguar essa dor delicerante. Perdê-la era como um golpe duro demais para levantar e reagir.

— Mãe me perdoa! — sussurro olhando o nome cravado na pedra fria e passar os dedos trémulos sobre as letras bronze. — Perdoa a minha teimosia! Perdoa eu ter deixado isso acontecer com a gente e arrancarem dos meus braços logo agora que é mais precisa para mim. — uma lágrima granulada desce indecisa pelo canto do nariz umedecendo o solo frio. — Perdoa essa filha que a tirou do papai! Perdoa eu nem ter manifestado direito a minha alegria com esse rebento crescendo dentro de mim. — outra lágrima rola igualmente indecisa no outro lado do nariz.

— Anastacia, amor... — sinto o calor dos braços de Christian me abraçando e uns beijos sendo deferidos sobre os cabelos atenuando toda essa dor díficil de suportar. — Está me deixando de coração partido vê-la assim... — ele sussurra baixo, parece se esforçar tanto para não desabar em prantos. Mas alguém de nós tem de ser forte agora.

— Christian a minha mãe morreu por minha culpa! — viro para encará-lo e ele leva os seus dedos à minha face secando as lágrimas que por ela rolam copiosas.

— Não fala isso, por amor de deus, Ana! — ele rapidamente começa me apertando de novo em seus braços e não consigo mais controlar a dor forte dentro peito. — Estou aqui, sempre vou estar aqui por você, por nosso filho que cresce ai dentro! — enterro mais a nuca no seu peito me sentindo desolada procurando consolo, refúgio. — Ana eu sei que é dificil, mas a gente vai pegar o culpado...

Culpado? A minha mente só agora entra em conexões favoráveis me levando a caminhar para a realidade núa e crua. Liberto a nuca desse calor humano que transmite algum amparo e olho-o séria e desconfiada, ao mesmo que escandalizada com tal ato cruel e sem escrúpulos.

— O que foi que você falou? — pergunto embaraçando os cabelos que intrometem colando na minha face. — Culpado? Como assim, aquilo não foi um simples acidente?

Christian me ajuda a colocar de pé, constantemente de olho fixo no meu, a minha expressão se mantém imutável.

— Aquilo não teve nada de acidente, Anastacia! — ele confirma ao arremessar uma mecha atrás da minha orelha e o meu coração parece que acaba de receber um novo golpe tão forte e baixo que me faz até dificuldade em respirar. — Quem fez aquilo já ia na intenção de matar.

— Mas quem? — indago confusa e levo as mãos às têmporas tentando pensar com clareza, mas nada me vêm ao pensamento no momento. É como se estivesse privada de saber o que é óbvio. — Quem tinha intenção de criar tal maldade?

— Só tem duas pessoas capazes de fazer uma atrocidade dessas com a gente, amor.

A dedução das suas palavras me leva a um único caminho claro e cruel. Elena e Jack. As duas pessoas que mais nos odiavam no momento. Ou melhor a mim com certeza por ser a pedra e o muro do sucesso de seus planos.

— Jack está preso até onde sei e quanto a Elena, ela sumiu, certo?! — balanço a nuca negando aceitar que algum daqueles dois havia realmente feito isso comigo.

— Amor, Jack está em liberdade condicional! — diz ele praticamente me deixando de queixo caido com tal revelação. — Meu advogado avisou recentemente de que o juiz lhe havia concebido a liberdade por conta de um habeas corpus.

— O quê? — a minha voz fica falha ao saber que o meu ex-chefe, o nojento do Jack Hyde estava solto por ai algures rindo de minha infelicidade.

— Calma, ele não vai tocar me você, não vou deixar isso acontecer jamais! — ele me abraça de novo, mas dessa vez com força. — Vou proteger vocês dois com a minha vida! Eu prometo! — enterro a nuca no seu peito inalando o seu odor tão reconfortante.

— Quero justiça, Christian! Quero que eles paguem pelo que aconteceu! — peço começando a fungar de novo. — Justiça por minha mãe!

~*~

Logo que voltamos para o Escala, Christian saiu para fazer uma ligação no escritório e eu me mantive deitada na cama do seu quarto olhando o tecto, lembrando das últimas coisas que havia falado para a minha mãe. Lágrimas de novo começam a descer por meu rosto e apertando os dedos sobre o travesseiro eu pude abafar essa dor. Pressiono de tal forma os dedos que chego a ver os nós brancos agora que desço os olhos ao objeto fofo do meu lado e o levo até ao meu nariz para inalar aquele cheiro inebriante que me acalma profundamente. Contudo, quando penso que estou quase relaxando, um outro pensamento volta voando e a dor que sinto se transforma em raiva. Levanto de forma brusca da cama atiro com os travesseiros contra o vidro, começo rebatendo na cama com tanta raiva que os meus gritos abafados começam sendo elevados e a porta do quarto logo se abre, mostrando um Christian desesperado se atirando à cama para me acalmar como se eu fosse uma criança desamparada acordando de um pesadelo horrível.

— Amor o que está havendo? — questiona abraçando meu corpo contra o seu, apertando meus braços entre os seus. — Foi um pesadelo? — ele tenta obter respostas em meus olhos, mas os escondo. — Ana fale comigo! — suplica com uma voz embargada.

— Tenho raiva... — sussurro baixo num fio de voz quase que inaudível. — Tenho raiva daquela mulher, raiva do nojento do Jack... tanta raiva... — começo a me remexer entre os seus braçaos resistentes.

— Shiiii... — sopra contra os meus cabelos tentando me acalmar.

Era quase impossível acreditar no modo de como ele consegue ficar tão calmo. Por vezes me chega a dar uma raiva dele, parece que sou a única aqui que está ciente do que aconteceu. Estarei tão errada assim por sentir este furacão de sentimentos? Certamente que não, pois se no lugar da minha mãe estivesse Grace, ele jamais ficaria assim. Mas como foi a minha mãe, a dor não é a mesma.

— Você tem que se acalmar, por favor! — implora ele contra os meus cabelos, me balançando tranquilamente entre os seus braços enquanto canta uma baixa música.

O modo de como o seu sussurro cantado sai dos seus lábios me começa a embalar e os meus olhos facilmente cedem libertando a verdadeira vontade de dar uma trégua para o sono. O meu corpo começa ficando mole como gelatina e os poucos movimentos que faço começam cessando lentamente até se tornarem nulos. A minha respiração descompassada abranda começando a relaxar e só sinto que estou próxima de um apagão e isso acaba acontecendo, pois tudo fica escuro para mim.

~*~

Pov. Christian

Quando finalmente percebi que ela havia cededo à vontade subita de apagar, a consegui aconchegar melhor entre os lençóis e a cobri de forma a que ficasse confortável. Abandonei o quarto para lhe dar livre e espontanea vontade de dormir.

Na sala estava alguém me aguardando e quando percebi que era a minha mãe ela logo veio para me abraçar com a sua ternura amorosa. O meu pai estava presente também e parecia ter noticias para mim. A sua expressão era preocupante e isso era o suficiente para entender que o assunto que os trazia era sério demais para esperar.

— Então como ela está? — minha mãe atravessa sendo a primeira a abrir margem a conversa.

— Agora conseguiu dormir! — esclareço sem delongas. — Mas não está sendo nada fácil, a Ana está muito revoltada... — mas minha mãe interrompe.

— É normal filho, ela perdeu a mãe! Todos tempos direito a passar por essa fase de negação do óbvio, mas lentamente essa dor irá passar.
Baixo a nuca pensativo e preocupado, pois me deixa muito fodido ver a mulher que amo nesse estado depressivo e autodestrutivo, pois sei que a raiva é a melhor conselheira a uma morte prematura. E de modo algum posso perder Anastasia. Sou igoista demais para aceitar perder aquela pessoa que tanto fez para me acordar de uma realidade distante.

— Lembre que independemente do que estiver acontecendo, vocês dois tem a gente, a Anastacia não está sozinha, querido! — a minha mãe volta a lembrar da sua hospitalidade, do seu amor incondicional por minha noiva como se fosse uma filha para si. — Eu adoro ela como se fosse minha filha e sempre que precisar eu estarei aqui, apesar de não ser a mãe que ela deseja.

— Ela ama você, mãe! — digo rapidamente a deixando emotiva e de lágrimas retesando nos olhos.

— Vou ver como ela está, alguém precisa de dar consolo...

Assinto vendo ela partir rumo ao meu quarto e de novo a minha atenção recai no meu pai que parecia tenso demais para uma mera visita de cortesia e como eu já o conhecia de outras batalhas sei que todo o seu silêncio era só um modo de ter o melhor momento para conversar em particular.

— Podemos conversar em privado? — pergunta e olho por cima do ombro percebendo Gail cuidando de umas tarefas e assinto positivo mostrando o caminho do escritório.

Uma vez dentro, caminho calmamente até à janela e fico ali observando o exterior sempre de atenção do que acontece atrás de mim. Meu pai aproxima, pois vejo com vasta clareza seu reflexo no vidro polido.

— A pericia feita ao carro deu postivo para a tentativa de homicídio. — informa, mas não mostro qualquer reação a esse fato. — Mas não é apenas isso que tenho para contar! — o toque de intriga na sua voz, faz virar para encará-lo.

— Descubriu alguma coisa mais?

— Não suficiente, mas ao que consegui apurar com a segurança creio que possamos ter uma prova imparcial de quem possa ser o autor do crime.

— Provas imparciais não levam culpados à cadeia! — digo sem esperanças andando para a secretária onde está o meu macbook.

— E se eu falar que tenho imagens da vigilância? — ergo o olhar à sua revelação. — Pode não ser nada, mas pode ser tudo... e convenhamos que qualquer pessoa nessa hora é suspeita.

— Você acha que o autor do crime esteve na festa como se nada fosse e agiu?

— É uma hipótese que não tem como sair descartada! — vendo os pontos desse ângulo não tinha como não concordar. — Falei com Mia, ela é que cuidou de todas as contratações e me cedeu a lista de todos os nomes que serviram na festa.

— Mas isso vai ser como uma agulha no palheiro, pode ser qualquer um, pai!

— Não se fizermos uma seleção de entre todos e chegarmos ao único suspeito!

— Pai por acaso não anda vedo muito filme de Sherlock Holmes, não é? — ele rola os olhos para mim e passa a mão sobre os cabelos grisalhos.

— Não brinca com o seu pai, é muito sério o que estou falando! E ainda vai agradecer quando conseguir apanhar o criminoso!

— Acredito em você e nas suas deduções brilhantes, mas chega de ficção, ok? A realidade é bem mais complexa do que o senhor pensa!

Notas finais
Gostaram? Comente então, pois no final da semana terá outro capítulo para vocês. COMENTEM ♥ FAVORITEM ♥ ♥ RECOMENDEM ♥ ♥ ♥ Até ao próximo capítulo, Lucy.