Stars Collide
1 Introdução
Notas iniciais
Essa é um pouco - muito - diferente de Jar of Hearts, especialmente no quesito personagens. Mas espero que gostem deles!
Quem acompanhou JoH agora no final, sabe que estou passando pelo período negro da faculdade e, pra ser bem sincera, eu só tenho um capítulo dessa fic pronto. Mas me julguem, eu queria dividir com vocês!
Então aqui vai, espero que gostem e que não me matem. :)
INTRODUÇÃO
“Estas alegrias violentas, têm fins violentos;
Falecendo no triunfo, como fogo e pólvora;
Que num beijo se consomem.”
William Shakespeare
Lyanna Stark terminou de apertar os laços do vestido e respirou profundamente. Não podia acreditar no que acabara de fazer. Não podia acreditar em como desonrara sua família. Em como não se sentia nem um pouco culpada por isso. Passou as mãos pelos cabelos ondulados, afastando-os do ombro e dando uma olhadela para trás, observando enquanto o príncipe terminava de atar suas próprias roupas.
Há menos de oito horas ele havia a coroado rainha do amor e da beleza – gesto que enfurecera não somente seu pai, irmão e noivo, mas também a esposa dele. Por alguma razão que ela não sabia explicar, os olhos amendoados da princesa dornesa estavam cravados bem fundo em sua mente. O brilho de mágoa e tristeza que eles emanavam, a maneira com que ela respirou profundamente – como se isso lhe doesse – e como deixou seu lugar no púlpito real rapidamente.
Era errado. Era tão errado. Mas ali estava ela, completa e perdidamente apaixonada por aquele galante cavaleiro de olhar triste e sorriso quebrado. Apaixonada pelo príncipe que não a repreendera quando ela e Benjen afugentaram os escudeiros que incomodavam Howland Reed. O príncipe que cantara de uma maneira tão bela que a fizera chorar. E nem de longe ela era uma menina chorona.
Como se estivesse hipnotizada, a garota se virou e caminhou, poucos passos até que chegasse nele. Estendeu a mão e tocou seus longos cabelos prateados. Os olhos púrpura a encararam, aquele mesmo brilho triste de sempre ali presente. Ela sorriu. Ele era tão diferente de Robert, deuses, a diferença era gritante.
Seu noivo tinha uma composição de ombros largos e músculos grossos, cabelos negros e espessos e olhos de um azul celeste que não pareciam reais. Porém, perto dela, Robert parecia uma criança assustada e corada, que mal conseguia pronunciar as palavras de maneira coerente e a olhavam com uma admiração quase divina. Era como se ela fosse algo intocável, aos olhos dele.
Já o príncipe não. Tinha a constituição magra dos Targaryen, mas ela havia sentido como ele era forte e musculoso. Os cabelos longos e prateados adornavam a pele levemente bronzeada, os olhos lilases sempre com aquele brilho de tristeza e a boca sempre recurvada em um sorriso, como se estivesse colado nele. E isso não queria dizer, necessariamente, que ele era feliz.
Deuses, ele era casado, Lyanna. Casado. Tinha uma filha de três anos, uma garotinha que todos diziam ser amável, e um menino recém nascido. Como pudera fazer aquilo? Como pudera ir tão longe, quando ambos tinham tanto a perder?
Tentou imaginar o que o pai faria se descobrisse aquilo. Lord Rickard era honrado demais para rechaçá-la, mas com certeza não a olharia com o mesmo amor de sempre. E Brandon... Deuses, Brandon enlouqueceria. Jamais acreditaria que a irmã, a pequena e desajuizada Lya, havia consentindo com tal coisa. Podia apostar que ele enfrentaria o príncipe, e que perderia a vida por isso. O rei não parecia uma pessoa inclinada a aceitar que desafiassem sua família, ainda mais alguém tão selvagem quando seu irmão.
E Robert.. O coração apertou no peito quando pensou nele. A fama que o seguia não era das melhores e Lyanna nunca fora uma pessoa muito apegada a canções. Sabia que amor nenhum mudaria a índole de um homem, mas a maneira com que ele a olhava... A maneira com que se esforçava para portar-se da melhor maneira possível perto dela, como se esforçava para ser delicado. Deuses, ele era um bom homem. Não havia dúvidas. Lhe daria filhos fortes e a manteria em segurança, ela seria a dona de um grande castelo e tinha quase certeza que faria o que quisesse da vida, Robert não parecia inclinado a lhe dizer muitos “não”. Sentia que poderia amá-lo um dia. Talvez não como nas canções da velha ama, mas com aquele amor confidente que a mãe olhara o pai, há tanto anos.
Então o que estava fazendo?
Deslizou a mão pelos cabelos do príncipe e depois acariciou a bochecha dele. Por um segundo seus olhos se fecharam, apreciando o momento e só voltaram a se abrir quando o príncipe moveu o rosto e beijou a palma de sua mão, deixando cócegas espalharem-se pelo corpo dela, fazendo-a sorrir mais uma vez.
“Partiremos ao amanhecer.” Ela falou de uma maneira doce, porém firme.
Lord Rickard não a queria perto do príncipe depois do torneio, e seu prometido parecia a ponto de entrar em ebulição, caso não a afastasse dali rápido o suficiente. Não lhe pareceu novidade nenhuma quando o pai anunciou que o casamento dela aconteceria em menos de duas luas. Naquele momento o medo e a desconfiança brilharam nos olhos de Lord Rickard.
“Não vá.” Ele pediu em um tom baixo, mas profundo.
Lyanna deixou que a mão caísse ao lado do corpo. “Isso é loucura, Rhaegar.”
“Não pode me deixar. O que acabamos de fazer...” Ele olhou para a capa negra caída aos pés da árvore coração, e depois pegou a mão de Lyanna, a que estivera em seu rosto, aproximando-a de seu coração. “És minha.” Ele falou determinado.
“Não sou. Você é casado. Isso é loucura. Meu pai nunca irá permitir.” Odiou-se por ver que uma parte sua queria desesperadamente ficar. Era uma Stark, onde estava sua honra, seu compromisso com o dever?
“Então fuja comigo. Depois que estivermos casados, não poderão desfazer isso.”
As palavras a pegaram desprevenida. Fugir. Parecia uma boa idéia. Mandaria um corvo quando estivesse longe o suficiente, avisando ao pai que estavam bem e logo retornaria... Mas, e se ele não quisesse mais saber dela? E se todos os Stark lhe dessem as costas? Afinal de contas, ela havia abandonado a família primeiro, então.
Tornou a olhar Rhaegar, e no lugar dos olhos púrpura, ela encontrou as orbes amendoadas e tristes da princesa. O que seria feito dela e dos filhos? Não conseguiria conviver com aquele olhar, não por muito tempo. Sentia-se suja e cruel quando via os olhos em sua mente.
Sentiu seus próprios olhos arderem quando puxou sua mão de volta, apertando-a contra seu corpo e sentindo o calor de Rhaegar desaparecer. “Não posso.” Murmurou, tentando não deixar a tristeza e a voz embargada transparecer. “Sinto muito, isso foi um erro. Não podemos.”
Deu-lhe as costas e correu para longe dali. Correu como se sua vida dependesse daquilo. Esfregou os olhos com as mãos tremulas e continuou a correr, parando apenas quando chegou em frente a porta dos aposentos que haviam sido destinados para ela. Abriu-a e entrou, trancando-se lá. Esbarrou as costas contra a porta de madeira e sentiu mais lágrimas escorrerem. Parecia que haviam-lhe acertado bem no centro do peito, cortando-lhe o fôlego. Aquilo doía, doía como os sete infernos. Uma vozinha no canto de sua mente sussurrou o coração partido é a pior de todas as doenças.
E de alguma maneira, ela sabia que aquilo era a mais pura verdade.
Notas finais
xoxo
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