Stars Collide
3 II - Daemon
Notas iniciais
Queria agradecer a quem comentou, de verdade, vocês são a razão por eu ter voltado aqui *--*
E, ao pessoal que favorito, MUITO OBRIGADA. De verdade. Mas, eu realmente não morde, gente! Deixem seus comentários, me deixem saber o que estão achando da história - especialmente porque eu tenho um pé atrás com ela, por tratar de personagens tão pouco usados e OC's. Me deixem saber se vale realmente a pena. Se não eu vou desanimar aqui também D:
Anyway. Espero que estejam gostando e que continuem acompanhando. Boa leitura! ♥
II
DAEMON
“Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.”
William Shakespeare
Sentado na areia úmida, Daemon observou enquanto o príncipe caminhava de um lado para o outro, atirando pedras nas ondas que quebravam próximas a eles e murmurando qualquer coisa, abafada pelo som do mar. Os cavalos estavam para trás e aquele trecho da praia estava vazio, a não ser pelas pequenas embarcações pesqueiras no horizonte.
Seu instinto e bom senso diziam que eles deveriam sair dali, ir embora – de verdade. Talvez devessem partir logo para Porto Real, afinal de contas, estavam correndo um grande risco pelas terras da tempestade. Lembrava vividamente das palavras de seu tio, proferidas quando ele ainda era uma criança. Não há qualquer amor perdido entre os dragões e os veados, dissera. Era perigoso estarem ali, sem qualquer proteção, e Daemon sabia disso não apenas porque sor Arthur Dayne não mentia, mas também porque podia ver os olhares que recebiam enquanto passavam pelas estalagens. A ofensa infligida aos senhores daquelas terras parecia ter sido grave, pensava.
Mas Aegon não se importava com isso, não de verdade. Aparentemente, ele estava com o coração partido, e qualquer lugar em Porto Real era próximo demais as suas emoções para que ele pudesse suportar. O garoto queria poder revirar os olhos e tentar botar qualquer juízo dentro da cabeça do amigo, mas sabia que nada daquilo adiantaria.
Se nem mesmo Rhaenys havia conseguido fazê-lo seguir viagem para Dorne, ninguém mais conseguiria. Rhaenys tinha a grande capacidade de dobrar o irmão a sua vontade e, dos dois, era a que mais tinha juízo e senso lógico.
O que não quer dizer muita coisa, tentou não pensar nos olhares e nas palavras que trocavam, no sentimento inegável que nutria pela princesa. Todo e qualquer juízo, bom senso e responsabilidade que ambos possuíam desaparecia quando se encontravam, para depois voltar acompanhado da culpa. Era tudo tão errado e ao mesmo tempo tão certo, que uma parte sua apreciava aquela fuga de Aegon, por representar uma fuga para si mesmo
“Aegon, deveríamos voltar.” falou por fim, vendo o príncipe parado, de costas para ele. Aegon não se moveu e Daemon suspirou, cansado. “Você precisa parar com isso. Está ficando insano... E perigoso.”
“Porque você não parar de querer dizer como eu me sinto e sobre o que eu deveria sentir?” ele soltou, a ira camuflada em sua voz. O mais novo quase podia ver a expressão irritada do príncipe.
“Porque isso está ficando ofensivo, não percebe? Partimos na direção oposta, quando deveríamos estar no casamento dela. É uma grave desfeita a Dorne.” Tentou argumentar com a lógica, muito embora soubesse que fora o coração – e o orgulho – ferido, que os levara até ali.
“A senhora minha mãe sabe contornar tio Doran...”
Irritado, Daemon levantou-se bruscamente e as palavras saíram mais ríspidas do que gostaria. Quando estavam sozinhos, era fácil esquecer que Aegon era um príncipe, e não uma espécie de irmão mais velho e teimoso. “Sim, mas você é um príncipe! Quando for rei, ela não estará aqui para esse tipo de coisa.”
Ele não respondeu e também não se moveu. O silêncio reinou. Cada minuto a mais que passavam longe da Fortaleza Vermelha e sem uma proteção adequada, acarretava no aumento da ansiedade e preocupação da Daemon. Queria voltar para casa de uma vez. Talvez, com sorte, nem dariam pela falta dos dois.
Mas seria muita ingenuidade pensar assim. Sua presença poderia passar despercebida, mas não a de Aegon. E se sentia cada vez mais culpado por ser uma consciência tão ruim e quebrar as promessas que havia feito a mãe. Ele estava fracassando ridiculamente e se perguntava se, algum dia, um dos cavaleiros na Guarda Real havia se sentido daquela maneira a respeito do soberano que deveriam proteger. Porque no momento, Daemon queria estapear o príncipe e arrastá-lo até Dorne, fazer a coisa certa.
“Ela se casou com outro, sabendo como eu me sentia.” A voz do mais velho cortou as ondas e o silêncio que caira sobre ele.
Parte dele queria ser simpático e compreensivo, entendia o sentimento. Mas outra parte sabia exatamente o que era aquilo, e estava cansado.
“E como você se sente, Aegon? O que sente por ela?” falou, soltando as mãos ao lado do corpo.
“Ela é linda e inteligente, ela podia ser rainha...” ele insistiu, finalmente virando-se para o amigo, encarando com os olhos chamejantes de ira, a expressão que estava em seu rosto pelas ultimas semanas.
“Exato. Rainha consorte.” Ele fez questão de frisar. As vezes se perguntava se ele e Aegon haviam conhecido a mesma Arianne Martell. “Ela jamais abandonaria governar Dorne, para ser uma rainha em Porto Real...”
“Eu a amava.” A voz de Aegon se elevou, cortando-o.
“Não.” Daemon respondeu, simplesmente, tão irado quanto. Se ia agir como um idiota, ouviria o que não queria. “Isso é ego ferido porque ela escolheu outro ao invés de você. Porque você não está acostumado a ter negado o que quer.”
“Ah... E você tem o monopólio sobre o amor, certo?” o tom acido e amargurado na voz do príncipe fez o mais novo se encolher um pouco, tentando não se acovardar. “Você e seu trágico amor pela princesa...”
Aegon parou de falar quando viu Daemon lhe dar as costas, frustrado. De uma maneira ou de outra, nas últimas semanas, pareciam que estavam sempre espetando um o outro. Procurando maneiras de fazer o outro sofrer mais, como se aquilo fosse servir de algum consolo.
O bastardo suspirou e abanou a mão. “Eu desisto, faça o que quiser.” E começou a caminhar para longe, deixando os pés afundarem na areia fofa e úmida enquanto procurava o caminho de volta para a estalagem.
Podia ouvir os passos do príncipe as suas costas e, quando ele falou, percebeu como estava próximo. “Desculpe, eu não quis dizer isso, eu..”
Daemon parou no ato, virando-se para ele. “Não, está certo. Eu não tenho monopólio nenhum. Mas isso não muda o fato de que precisamos voltar. O rei e a rainha não ficarão nada contentes com essa fuga. Existem conseqüências a serem enfrentadas... Pelos Sete, as vezes parece que não é você que será o próximo a governar os Sete Reinos.” Desabafou.
Aegon piscou por alguns instantes, soltando um suspiro. “Acho que você está certo.” Disse por fim. “Sou um idiota e sou grato por ter você para me lembrar disso. Vamos, vamos voltar para casa e enfrentar as conseqüências de minhas idiotices.”
Daemon soltou o ar que não sabia estar prendendo e acompanhou o príncipe de volta a pequena vila pesqueira na qual estavam hospedados aquela semana. Haviam corrido boa parte das Terras da Tempestade, sem saber ao certo para onde ir. Ele não era bom em se esconder ou fugir. Era um bastardo e, por essa condição, já estava marcado para a vida toda. Sabiam quem ele era, o que ele era e, por isso, a mãe havia o ensinado a não se esconder, a não dar motivos para as más línguas falarem dele. Não era como se não ouvisse as histórias, as fofocas e as especulações sobre seu nascimento. Mas ele preferira acreditar na mãe. Ashara nunca mentira para ele, nem mesmo para protegê-lo e, por isso, ele lhe era grato.
Ele sabia o que falavam dos bastardos e não queria que pensassem o mesmo dele. Não era desleal ou um traidor, servia ao príncipe e a Casa Targaryen e serviria a eles até o fim, como fazia a mãe e o tio. Se os outros precisavam dar cem por cento de si, ele sabia que precisava fazer duas vezes mais apenas para ser considerado. Mas o fazia. Queria provar que era digno da confiança e do respeito que depositavam nele.
Entendia que era Aegon que deveria enfrentar as conseqüências quando voltassem a se encontrar com o rei e a rainha, mas uma parte dele não deixava de sussurrar como ele havia fracassado e desapontado aqueles que o criaram e o amavam como parte de sua própria família. Seu nascimento já era motivo de vergonha, já era desonroso. Como conseguiria provar que tinha honra, se compactuava com aquele tipo de coisa?
Uma parte sabia que era seu dever acompanhar o príncipe, protegê-lo. Mas outra sabia que era seu dever manter o foco dele. Não sabia mais qual dos dois lados deveria ouvir.
“Mas você deve prometer que cumpriremos os planos dessa noite.” Aegon tinha um sorriso pequeno nos lábios e Daemon sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Tinha esperanças de que partiriam logo e sentia que nada de bom poderia resultar do que o príncipe tinha em mente fazer.
“Pelos Sete, Aegon. Como acha que conseguiremos entrar naquele festim?” pediu, tentando chamar pela lógica.
“É um baile de máscaras. Ninguém saberá quem somos.” O mais velho deu de ombros.
“E como vamos entrar no castelo? Normalmente ele já é muito bem guarnecido, como acha que estará durante as festividades?”
“Podemos fingir estar entregando algo. Comida.”
Daemon rolou os olhos e continuou a andar, em silêncio, perguntando-se pela milésima vez porque havia concordado com tudo aquilo.
Aegon apressou-se para acompanhar o passo do amigo. “Não pode negar que é um plano inteligente.”
“Inteligentemente idiota. E você não estava sofrendo...” ele olhou por cima do ombro, dando um sorriso zombeteiro. “Alteza?”
Aegon fingiu não notar o sorriso e continuou até alcançá-lo. “É claro que estou sofrendo, e é seu dever ajudar-me a esquecer a dor. Como o bom amigo que deveria ser.” Lançou-lhe um olhar acusador. “E deve admitir que é, no mínimo, corajoso.”
O moreno soltou mais um suspiro, passando as mãos pelos cabelos tentando segurar a risada. “Os homens corajosos são, geralmente, os mais idiotas.”
“E ainda assim, aqui está você, seguindo meus comandos. Acho que isso diz um pouco da minha capacidade de inspirar as pessoas.”
Dessa vez o mais jovem não conseguiu conter a gargalhada, o que fez o príncipe rir também. “Claro, meu príncipe.” Ele fez uma reverencia desengonçada. “Inspira idiotice e impulsividade.”
“E coragem, não esqueça da coragem.” Falou, passando o braço pelos ombros do bastardo. “Quem sabe não conhece uma dama que possa arrancar minha querida irmã de seus pensamentos?” falou, ainda entre risos.
Daemon não respondeu, o sorriso morrendo em seus lábios aos poucos e denunciando ao amigo que, talvez, aquela não fosse ser a melhor maneira de incentivá-lo.
“... Mas, se isso não acontecer, seu lugar na Guarda Real estará lá. Os Dayne servem a Casa Targaryen muito bem e, se meu pai confia tanto em um, porque eu não confiaria?”
Daemon quis dizer que não confiaria, pois ele não era um Dayne. Era um bastardo. Era Daemon Sand. E, mesmo que todos que realmente importavam a ele, o tratassem como um Dayne, isso nunca mudaria sua posição. Brandon Stark havia desonrado sua mãe e, por conseqüência, gerado um bastardo. Daemon não era um Dayne. Daemon não era um Stark. Ele era apenas ele mesmo.
Mas ainda assim, ele sorriu para o príncipe e assentiu levemente com a cabeça.
Notas finais
ps: se houver qualquer erro de português, podem dar um toque, eu revisei, mas como estou doente minha atenção se dispersa muito fácil e eu queria postar logo :3
xoxo
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