Notas iniciais
Séculos depois, eu apareço. Eu sei, eu sei. Sou um monstro D: Mas quem disse que ia ser fácil né :~
Terminei o capítulo agora, não estou certa sobre o final, mas não quis demorar mais ainda. Espero que ainda me ~amem~ UAHSUAHSUASUAHS
Boa leitura!

III

EHLENA

“Não poucas vezes esbarramos com o nosso destino pelos caminhos que escolhemos para fugir dele.”

Jean de La Fontaine

Ehlena passou as mãos pelo tecido do vestido, sentindo a maciez acetinada, e suspirou, tentando controlar o sorriso bobo que corria seus lábios. Encarou seu reflexo no espelho e assentiu, aprovando a escolha que fizera. Havia negado todas as jóias ostentosas que sua septã queria que usasse e também havia negado penteados muito elaborados. O bom de ter uma mãe nortista era que Lyanna geralmente aprovava coisas mais sóbrias, discretas.

Os cabelos tinham apenas alguns fios presos por grampos de ouro e escorriam enrolados por seus ombros. O vestido era o mesmo com o qual havia dançado em volta do seu quarto há algumas noites: claro, simples e pouco chamativo. O que ela realmente gostava era do colar: finos fios dourados arrebatados por diamantes negros, que cobria seu colo. E a máscara, presente do irmão, que a transformava em um completo mistério.

Ela sorriu mais uma vez, colocando a peça em frente ao rosto. Ellys parou a suas costas e, com um sorriso amável no rosto, puxou as tiras de seda douradas, atando-as.

“As máscaras são lindas. Mas as vezes me pergunto porque usá-las.” A garota falou, virando-se para encarar a mais velha.

A septã sorriu, ajeitando o adereço. “Porque, criança, você pode ser quem quiser. Por uma noite, e uma única noite, você não será Ehlena Baratheon. Poderá ser a lua ou as estrelas, se quiser.” Ela tocou a ponta do nariz da garota, que sorriu abertamente.

Ehlena franziu o nariz e riu, segurando a mão da septã e apertando-a, falando como quem segredava algo. “E se eu quiser ser apenas uma garota?” perguntou, afastando-se um pouco e então falando mais alto, abrindo os braços e girando pelo quarto que lhe fora cedido. “Apenas uma garota que quer muito, muito dançar?”

“Se prometer não pisar no meu pé, eu posso dançar com você.” a voz do irmão se elevou, risonha, da entrada do quarto.

Elly apressou-a de encontro ao mais velho dos Baratheon, enquanto ficava recolhendo os adereços e vestidos que estavam espalhados pelo quarto. A morena se apressou em direção ao irmão, que estava completamente vestido de negro e com uma máscara que deixava apenas a bochecha esquerda, o nariz e a boca a mostra. Ela aceitou o braço que lhe foi oferecido e enlaçou o seu, os dois caminhando lentamente pelos corredores abertos de Tormentamaré enquanto o som da música subia as escadas e pilastras, enchendo os ouvidos da garota.

“E você, irmão, quem é?” ela perguntou, quando já estavam chegando as escadas.

Jon deu de ombro, como se só pensasse sobre aquilo agora. “Com certeza não sou o herdeiro de Ponta Tempestade.” Ele assentiu com a cabeça e um pequeno sorriso surgiu no rosto de Ehlena.

Voltando seu rosto para o lado oposto ao do irmão, ela pode ver a festa que se estendia no grande salão do castelo e, através do teto abobadado feito de vidro, ela podia ver as estrelas brilhando em uma das raras noites de céu limpo das terras da tempestade. No salão, tochas e candelabros de ferro retorcidos iluminavam o espaço, onde centenas de pessoas dançavam ao som da musica empolgante. As risadas podiam ser ouvidas das escadas, onde ela e o irmão se encontravam agora, e as mascaras chamativas eram combinadas com peças de vestuário mais exóticas ainda. Ela riu baixinho e se inclinou em direção a Jon.

“Quem você acha que eles são?” ela indicou todas as pessoas com o queixo e ouviu o irmão rir, colocando a mão sobre a sua.

“Apenas peões, eu diria.” Ele respondeu depois de alguns segundos, com um ar pensativo. “Decoração para inflar o ego de nosso tio.”

“Acha que também o somos?” ela perguntou, parando no patamar entre o próximo lance de escadas e o último, franzindo o cenho. “Apenas peões para inflar o ego dele?”

“Sempre fomos.” Jon riu, puxando-a pela mão para que terminassem de descer as escadas. “Na cabeça de tio Renly somos todos peões para engrandecer suas fantasias.” Ele deu de ombros e os dois terminaram de descer os degraus. “Mas quem se importa? Ellys já disse, hoje é uma fantasia. Pode ser quem quiser, fazer o que quiser.” Ele se afastou dela e inclinou-se, estendendo a mão. “Concede-me a honra desta dança, menina-que-só-quer-muito-dançar?”

Ehlena não conseguiu conter a risada ao segurar a mão do irmão e encaminharem-se para o centro do salão. A música havia acabado de trocar e os casais todos se alinharam. Ela deixou que a melodia inundasse seus sentidos e seguiu os passos sem realmente prestar atenção: ela os sabia de cor. Observou as diferentes pessoas por quem passava enquanto executava a dança e os olhos arderam com o brilho das roupas, as cores intensas, os perfumes. Encheu-se de empolgação com as máscaras tão diferentes, os sorriso tão largos e a excitação que subia de todos eles.

Era o primeiro festim do tio em que comparecia, já que nos anteriores ficou reclusa em Ponta Tempestade com a mãe em sua gravidez e então com Jonah, pequeno demais para afastar-se dela. E antes disso, tinha sido jovem demais para presenciar os acontecimentos. Estava maravilhada, nunca havia visto nada igual em suas viagens ao Norte e muito menos em casa. Uma parte de sua mente perguntou-se se as festas da realeza eram mesmo daquela maneira e a outra parte respondeu que era obvio que sim.

Esticou o pescoço para trás e observou o céu pelo teto de vidro, as estrelas brilhando tão longe do alcance de seus dedos. Rodopiou e voltou a encarar a sua frente, observando o homem a sua frente lhe sorrir enquanto tomava sua mão para o próximo passo. Ela sorriu de volta, por pura educação, e perguntou-se como o céu em Porto Real seria, ou em qualquer outro lugar que não fosse tão tempestuoso como sua casa. Como as estrelas deveriam ser brilhantes e a lua uma companhia constante!

Ehlena fechou os olhos por um segundo, concentrando-se no giro que estava executando e nas risadas ao fundo, sorrindo involuntariamente. Tornou a abrir os olhos e segurou a mão de dois homens estranhos antes que a musica permitisse que desse as mãos com Jon novamente. Foi então que o viu.

Ele tinha um capuz sobre a cabeça — como alguns dos homens mais jovens na festa — seu rosto estava parcialmente coberto por uma máscara negra e camuflado pelas sombras do capuz. Ele parecia cauteloso, observando a todos a sua volta e, ao seu lado, um jovem de cabelos castanhos e máscara clara falava com ele. Bastou um segundo para que seus olhos se encontrassem e a garota logo sentiu as bochechas vermelhas. Estava o encarando sem qualquer pudor, mas não sabia como evitar, não queria evitar. E, ao que parecia, ele também não. O amigo parecia irritado, como se ele não estivesse mais prestando atenção no que dizia e por alguma razão isso colocou um sorriso no rosto da morena, que logo foi refletido no do garoto que observava.

Então, alguém passou a sua frente, quebrando o contato e Ehlena soltou a respiração que não sabia estar prendendo. Virou-se rapidamente, voltando a dança. Achava que tinha ficado horas o olhando, mas, pelo ritmo da música, foram poucos instantes. Voltou a ficar parada em frente a Jon e seguir os passos já decorados, dando uma breve olhadela por cima do ombro. Mas ele não estava mais lá.

Com um suspiro ela franziu o cenho, ainda procurando em volta do salão enquanto os últimos acordes da musica eram tocados. Olhou rosto por rosto de todos os homens no salão, mas não encontrou ninguém. Apertando os lábios em uma fina linha, tentou dar qualquer tipo de sorriso enquanto segurava as saias e fazia uma pequena reverencia ao fim da musica, agradecendo aos homens a sua volta pela dança.

Os olhos do irmão a observavam com cuidado. “Está tudo bem, Lena?”

Procurando a sua volta, ela demorou alguns segundos antes de voltar-se distraidamente para Jon. “Oh, sim. Bem. Acho que quero um pouco de ar. Por que não convida outra lady para dançar?” ela indicou um grupo de garotas mascaradas perto deles com o queixo e Jon deu uma rápida olhadela por cima dos ombros.

O sorriso do irmão alargou-se aos poucos quando ele acenou brevemente para as garotas, que riram e desviaram a atenção dele, envergonhadas. O mais velho Baratheon voltou a focar o rosto da irmã e a analisou, coçando o queixo. “Tem certeza que ficará bem? Saberá onde me encontrar depois?”

Ehlena deu um pequeno sorriso ao irmão e deixou a cabeça tombar para o lado. “Jon, é uma noite livre, lembra? Não precisa ficar cuidando de mim.” Ele abriu a boca, pronto para contestar, e a garota rolou os olhos, o interrompendo. “Sim, Jon, eu saberei como encontrá-lo. Ou você pode vir me encontrar quando achar que deve.” Ela se inclinou e deu um rápido beijo na bochecha do irmão. “Não vou demorar. Vá se divertir. É sua última noite como qualquer pessoa, menos o herdeiro de Ponta Tempestade.”

O sorriso no rosto da garota alargou-se antes dela dar as costas ao garoto e se afastar em direção a sala ao lado, onde outro conjunto tocava musicas alegres e várias pessoas rodopiavam no centro da sala. Seus olhos estudaram as saídas, procurando pela mais próxima, antes de recaírem sobre ele, parado próximo a uma grande janela em forma de arco, que permitia a entrada do luar.

Desviando os olhos e passando as mãos pelos cabelos, Ehlena deslocou-se lentamente pelo salão, olhando-o furtivamente quando podia se esconder atrás de algum dançarino. Seus olhos estavam obscurecidos pela sombra do capuz, mas quando mais ela se afastava dele, mais podia ver o rosto girar, acompanhando-a. Até que ele parou.

E então começou a caminhar em sua direção.

A morena respirou fundo e prendeu o fôlego, olhando-o enquanto ele se aproximava lentamente, com um sorriso preguiçoso correndo seus lábios. Parando a uma distancia respeitosa dela, o misterioso rapaz estendeu a mão em sua direção e olhos escuros, com um leve brilho de cor, a observaram.

“Poderia me conceder o prazer desta dança. Milady?”

Ela nem havia notado que a musica havia acabado de mudar e, quando tentou falar, parecia estar sem voz. Soltando o ar lentamente, Ehlena estendeu a mão e segurou a dele, assentindo rapidamente com a cabeça.

Notas finais
E então, se você chegou até aqui, porque não deixar um comentário né?
Vocês sabem como isso me deixa feliz *--*

xoxo