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36 Capítulo 26 - Adeus
Notas iniciais
“Because of you
I never stray too far from the sidewalk
Because of you
I learned to play on the safe side so I don't get hurt
Because of you
I find it hard to trust not only me, but everyone around me
Because of you I am afraid”
Kelly Clarkson — Because of you
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Bella Cullen
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Eu não sei bem como cheguei ao único hotel existente na pequena cidade de Forks. Lembro-me vagamente de ter passado pelo processo de solicitar um quarto, me registrar e ser direcionada até o mesmo, não sem antes ser reconhecida pela dona do local, que segundo suas palavras, me conhecia desde que eu nasci. Eu não consigo me recordar de seu nome, na verdade, eu não conseguiria me recordar de muita coisa naquele momento.
Joguei-me na cama, sem nem ao menos, me dar ao trabalho de retirar os sapatos ou trocar de roupas, eu me sentia exausta demais para isso.
Estranhamente não existiam mais lágrimas escorrendo por meu rosto. Tudo o que permanecia era uma sufocante sensação de torpor. Além, é claro, de uma inquietante e nova sensação de vazio, mas ao mesmo tempo eu me sentia liberta.
A reação de Renée certamente não era a que eu esperava, não que eu esperasse ser recebida com grandes demonstrações de amor e carinho. Talvez eu esperasse algo desse tipo de Charlie, mas não dela... Mas, de alguma forma que eu não saberia explicar, essa reação me fez enxergar o que sempre esteve diante dos meus olhos: Eu não tinha uma família e não existia nada que eu pudesse fazer sobre isso, não existia nada que eu quisesse fazer sobre isso, não mais. Com exceção de Jasper, eu não tinha mais ninguém que compartilhasse o mesmo DNA a quem eu pudesse chamar de família.
E eu percebi que isso não faria diferença. Já não importava.
É claro que eu tenho Edward e sua família, e agora mais que nunca, me sinto grata por isso. E repensando meus últimos passos percebi que eu mesma os estava afastando, eu estava me distanciando do que era mais importante em minha vida.
Acomodei-me melhor na cama e repeti para mim mesma inúmeras vezes: Eu não vou ser como vocês!
...
Eu passei toda a noite em claro, remoendo todos os momentos passados ao lado dos meus pais, a procura de algo, de alguma memória, que me fizesse desejar continuar a lutar pelo amor deles, qualquer coisa que justificasse a minha vinda a Forks. E não encontrei.
Fui capaz de recordar com exatidão todos os momentos em que Jasper foi obrigado a assumir a figura paterna em minha vida. Todas as vezes que me defendeu, de todas as vezes que me acompanhou ao médico ou simplesmente me levou a alguma festa de aniversário por eu ser nova demais para ir sozinha, de como me ajudava pacientemente com as lições de casa, de me deixar dormir em sua cama quando eu tinha pesadelos e de me levar ao parque toda vez que Charlie e Renée começavam uma nova discussão.
Também me lembrei de começar a tentar preencher o vazio materno que meu irmão escondia, assim que compreendi que apesar de morarmos com nossos pais eram apenas nós dois. Sempre seria apenas nós dois.
E Deus, como sou grata por ter tido Jasper ao meu lado!
Durante toda a noite eu só sentia meu amor e admiração por meu irmão se multiplicar.
Eu devia tudo o que havia me tornado a Jasper.
Eu me orgulhava de ser solidaria, generosa e boa amiga e me congratulava por não ser mesquinha e intolerante e passando minha vida a limpo, percebi que aprendi tudo isso ao lado de meu irmão. Nas inúmeras vezes em que ele dividiu seus pertences comigo ou nos incontáveis fins de semanas em que ele deixava de fazer “coisas de menino”, como ele dizia, para me fazer companhia – e isso continuou mesmo após o inicio de seu relacionamento com Alice, ou quando ele me dizia pacientemente que eu deveria cultivar minhas amizades e dar a elas o meu melhor. E foi o que eu fiz, eu segui cada um dos passos do meu irmão e qualquer um poderia pensar que eu simplesmente não tinha outra pessoa em que me espelhar e era mais fácil ser a sombra de Jasper, mas a verdade é que eu me orgulhava de tê-lo como irmão, me orgulhava do menino doce que cuidava de mim quando ainda precisava de cuidados, me orgulhava do adolescente forte que enfrentava até mesmo nossos pais e principalmente, me orgulhava, cada dia mais, do homem integro e honrado que ele havia se tornado, quando teria sido muito mais fácil e cômodo para ele se tornar amargo diante da realidade em que vivíamos.
Ainda me lembrava com clareza de quando ao ter minha primeira e única discussão com Alice – por algo que não me lembro mais, Jasper se sentou pacientemente na minha cama e me ouviu repetir inúmeras vezes o quanto estava magoada e que nunca mais gostaria de voltar a falar com ela. Depois de me deixar dizer tudo o que queria e nem mesmo chegava perto da verdade, ele simplesmente me olhou nos olhos e me disse que eu também estava errada e que o melhor a fazer seria pedir desculpas, porque ele sabia que o que eu desejava, na verdade, era fazer as pazes. É claro que ele estava certo! E no dia seguinte, ele segurou minha mão enquanto eu esperava do lado de fora da casa de Alice até que ela apareceu ao lado de sua mãe para ir à escola. Nós éramos tão novas e tolas, não existiam preocupações de verdade e ainda assim éramos tão dramáticas. Eu me lembro de dizer com minha voz infantil que não queria que ficássemos brigadas porque ela era minha única amiga e eu a amava muito. Após termos feitos as pazes, Jasper nos levou até a escola e disse que estava orgulhoso de nós duas. E mais tarde, naquele mesmo dia, ele deu uma linda flor cor de rosa para cada uma de nós. Talvez tenha sido nesse exato dia que ele tenha conquistado minha melhor amiga, mesmo sem ter a intenção.
...
Eu só percebi que havia amanhecido quando todo o quarto foi preenchido pela luz solar que adentrava o cômodo pequeno através da janela.
Eu me obriguei a levantar e me encaminhar ao banheiro com a finalidade de tomar um demorado e relaxante banho.
Ainda durante o banho cheguei à conclusão de que eu seria sim capaz de aceitar Ben como um filho, caso ele fosse realmente filho de Edward. É claro que eu ainda sentia a dor pela perda do nosso filho e provavelmente sempre sentiria. Ben não ocuparia esse lugar, assim como os outros filhos que algum dia teremos não o farão, mas eu os amaria tanto quanto amaria o que não teve a oportunidade de nascer.
Eu me recordei da primeira vez que o vi e da necessidade quase eminente, que senti, de protegê-lo. Isso não tinha mudado. Eu ainda não estava certa de que seria capaz de ser uma boa madrasta ou se seria capaz de ensinar-lhe a ter caráter e a ser um homem justo em sua vida adulta, mas sabia que ao lado de Edward eu seria capaz de tentar.
Eu não voltaria mais a Forks e não procuraria novamente pelos meus pais. Obviamente, eu ainda me certificaria de que eles tenham tudo que seja necessário para viverem bem, não porque eu esperava ou desejava que isso nos aproximasse, mas porque Jasper havia me ensinado a ter caráter, e graças a isso, eu era capaz de me sentir, até mesmo, grata pelo pouco que me deram.
Era estranho, mas eu sentia uma espécie de paz interior enquanto me vestia e penteava os cabelos.
Eu já tinha todas as minhas coisas, que não eram muitas, organizadas, quando me sentei na berrada da cama e decidi que enviaria uma mensagem a Edward. Eu ainda não tinha terminado de digitar o que desejava dizer quando ouvi batidas na porta.
Deixei o celular sobre a cama e caminhei até a porta do quarto tentando descobrir mentalmente quem poderia ser. Eu não esperava por ninguém, afinal as únicas pessoas que se preocupariam em me procurar não faziam idéia de onde eu estava nesse momento. Por um segundo cheguei a cogitar a possibilidade de que talvez fosse Renée, mas rapidamente descartei essa hipótese ao lembrar de sua reação a minha presença, ontem à noite.
Nunca, nem em meus mais angustiantes sonhos, ou talvez eu devesse chamar de pesadelos, imaginei dar de cara com a pessoa que estava do outro lado da porta.
...
Possivelmente, eu me encontrava mais morbidamente pálida que o habitual e minhas mãos tremiam visivelmente. Eu nem mesmo sei como conseguia me manter de pé diante daquela aparição.
Eu não sei quanto tempo passei parada a porta encarando aqueles olhos que freqüentavam meus pesadelos todas as noites. Poderia ter se passado apenas alguns segundos ou até mesmo horas, eu não saberia quantificar.
Jacob permaneceu quieto durante todo aquele tempo, como uma verdadeira aparição, como se esperasse qualquer resposta minha, que não sei dizer exatamente quanto tempo demorou a vir. Com a voz baixa, quase sem forças, lhe perguntei o que queria ali.
- Será... – Ele começou parecendo meio hesitante. – Será que eu posso entrar, Bells?
Eu permaneci em silencio, apenas sentindo todo o meu corpo se arrepiar e então começar a tremer. Talvez tenha sido por isso que ele apenas adentrou o quarto e logo em seguida se voltou em minha direção, que ainda permanecia parada no mesmo lugar.
Minha mente gritava para que eu o mandasse em embora, ou pelo menos, para que eu saísse dali o mais rápido possível, mas era como se meu corpo estivesse congelado e minha voz presa a minha garganta de tal forma que eu não consiga nem mesmo sussurrar para que ele não se aproximasse.
Só despertei do transe que havia se apossado de mim quando senti sua mão tocar a minha. Instintivamente me afastei, aproximando-me da parede mais próxima. Ele desviou seu olhar do meu e balançou sua cabeça negativamente, para logo em seguida fechar a porta do quarto.
- Não precisa ter medo de mim... — Ele disse aparentemente calmo, mas notava que apertava as mãos para conter a tensão que provavelmente sentia. — Eu não vim até aqui para machucá-la, novamente.
Não conseguia ter uma reação explosiva. Queria gritar, correr, tacar algo nele, mas simplesmente não conseguia. Era como se todo meu corpo estivesse em choque pela proximidade.
- Eu vi você em L.A. ... Estava tão linda vestida de cigana.... Queria ter falado contigo lá mesmo, mas você foi atropelada e depois... – Ele fechou os olhos e franziu a testa em uma clara expressão de dor. -... Eu vi o seu marido.
A forma como ele pronunciou a palavra “marido” quase como se fosse uma sentença de morte, não me passou despercebida, mas eu estava tão atônica pelo o que ele tinha acabado de me dizer que só percebi sua aproximação quando ele estava há dois ou três passos de distancia.
Instintivamente dei um passo para trás até que todo meu corpo ficasse colado na parede oposta a ele. — Eu não falaria com você lá... Como também prefiro não falar agora... — minha voz saiu trêmula e incrivelmente baixa, mostrando todo meu verdadeiro pânico.
- Mas eu preciso que você me ouça... – Ele insistiu. – Antes de tudo, quero pedir desculpas por aquilo que aconteceu antes de você ir embora...
- Não há nada a falar! – Obriguei minha voz a sair. – Não há desculpas...
- Eu sei, Bells, mas...
- Não me chame assim. – Pedi em um sussurro enquanto tentava me afastar mais, fazendo com que meu corpo deslizasse pela parede até alcançar a porta.
- Por favor, Bella... Só escute o que eu tenho a dizer...Eu... Eu vim para pedir desculpas...
- Desculpas? — Por um instante foi como se todo o pânico fosse convertido em fúria... Por todos os dias que tive medo de me aproximar de Edward, por todos os surtos de pânico... Por ele ter me transformado em alguém que tem medo de contato com os outros... — Acha que um pedido de desculpas vai apagar todo o mal que você e seus amigos me fizeram? Você acabou comigo Jacob! Não só fisicamente, mas acabou com meus sonhos...
Ri, mas um riso totalmente descontrolado, e naquele momento era como se flashes de toda a dor voltassem com força total para alimentar a minha fúria, como uma verdadeira armadura de proteção contra qualquer coisa que ele viesse a fazer.
- Você já chegou a pensar no que foi aquilo tudo pra mim? Não foi só ter perdido minha virgindade com alguém que eu não amava, mas você fez com que eu tivesse medo... Verdadeiro pânico de me aproximar das pessoas... E fez com que me sentisse suja; tão suja que nem o banho mais fervente poderia tirar a sujeira do meu corpo, porque eu sabia que o dia em que quisesse me entregar verdadeiramente a alguém, eu já estaria suja... Mas acho que você nem imagina o que seja isso, não é? Nem ao menos imagina o que é acordar de madrugada imersa num pesadelo em que seus amigos me seguravam pra você me destruir... Ou pior, os dois me usando como fizeram...
Podia notar que a cada palavra minha, Jacob parecia ficar mais pálido e tenso, mas eu simplesmente não poderia recuar, não aquela hora. Era minha única oportunidade de falar o que sempre escondi de todos... Até mesmo de Edward. Era à hora de exorcizar todos aqueles fantasmas que me rodeavam antes de voltar para a minha vida
- Eles... Fizeram o quê? — Jacob disse trêmulo, recuando até sentar na ponta da cama, colocando as mãos na cabeça, escondendo o rosto.
- Eles terminaram o serviço que você começou... Destruíram-me de todas as formas... As mais degradantes possíveis enquanto me diziam que eu seria a "putinha particular" de vocês e me deixaram lá, naquele lugar no meio do nada.
- Eu... eu... eu não sabia... — Ele gaguejou debilmente.
- E que diferença isso pode fazer? — Rebati sentindo o peso dos acontecimentos sobre os meus ombros. — Você me deixou lá para que eles fizessem o que quisessem comigo...
Jacob afundou ainda mais a cabeça em suas mãos e murmurou um pedido de desculpas atrás do outro.
- Eu...Tudo o que eu queria... — Ele disse com a voz abafada pelas mãos. — Tudo o que eu queria era você! Tê-la para mim, Bella!
- Para me dividir com os seus amigos? Para me usar da pior forma que vocês fossem capazes de pensar?
- Não! — Ele sussurrou. — Para amá-la. Droga, Bella, eu sempre te amei... Tudo o que eu sempre quis foi ter você... Naquele dia, eu... Eu perdi o controle. Eu nunca senti tanto ciúmes em toda a minha vida. Eu não conseguia entender, como você me evitava, se negava a estar comigo quando eu mostrava para quem quissse ver que faria qualquer coisa por você e, no entanto, estava com aquele... Com aquele atorzinho e...
- Eu nunca estive com ele! — me vi gritando.
-Eu sei... Eu sei... — Jacob voltou a falar. — Hoje eu sei.
-Eu tentei dizer inúmeras vezes que nós nunca... Eu sempre disse que o via apenas como um amigo, um irmão.
- Mas, eu... Eu achei que com o tempo, que vendo o que eu sentia por você, que vendo o que eu poderia te oferecer...
- O amor não se compra, Jacob! — Interrompi, com minha voz agora tão baixa quanto a sua. — Você tinha o meu amor, só que era um amor fraternal... Era só o que eu podia te oferecer. Você me tomou muito mais que isso aquela noite...
- Eu... Eu não fazia idéia disso naquele momento... — Ele levantou o rosto e podia notar seus olhos extremamente vermelhos, cheio de lágrimas contidas. Era como se só naquele momento entendesse a dimensão real do que havia feito. — Me diz, o que você faria se Edward simplesmente te ignorasse totalmente, independente de todo o amor que você dedica a ele? Aceitaria quieta? Não iria lutar?
- Eu nunca o machucaria, eu nunca o magoaria... Porque Jacob, eu o amo! E por ele eu seria capaz de ser infeliz por toda a minha vida, apenas para que ele fosse feliz.
Respirei fundo. De uma certa forma, entendi o que ele dizia, mas nunca faria algo como ele fez.
— Eu lutaria por ele, enquanto acreditasse que poderia o fazer feliz, mas nunca, em tempo algum, o magoaria. Quem ama, de verdade, quer o melhor para o outro, mesmo que isso signifique estar longe... Mesmo que pra isso, você tenha de assistir a felicidade de quem se ama com outra pessoa.
Obriguei meus olhos a se prenderem aos deles e disse o mais firme possível:
- Você não sabe o que é isso... Você acha que me ama, ou que me amou um dia, mas, se realmente me amasse seria o primeiro a entender que um amor não se compra com presentes ou com oportunidades... Você iria querer que eu fosse feliz, não que ficasse presa a você.
- Eu daria a minha vida por você! – Ele disse, finalmente permitindo que suas lágrimas caíssem.
- E, eu daria a minha por você, Jake! Como daria a minha vida pela de Jasper, de Alice ou de Rose... Você não entende!
Ele se manteve em silencio, me olhando com os olhos tão tristes como eu nunca tinha visto antes e por mais que eu me repreendesse internamente por isso, eu me via diante do Jake com quem por muito tempo compartilhei uma linda amizade.
- Eu amei você Jacob, de todo o coração... Mas amei como a um irmão... Como um amigo... Tanto que realmente tentei me apaixonar por você, para que você pudesse ter o que queria, mas a gente não escolhe a quem vai amar...
- Por que, Bella? Por que não pôde ser eu? Por que tinha que ser ele?
- Você nunca, em tempo algum, seria capaz de me amar um terço do quando ele me ama... Você jamais seria capaz de me tocar depois do que aconteceu aquela noite, como se eu fosse a mais pura e digna das mulheres, você jamais seria capaz de afastar os meus fantasmas apenas com a sua presença... – Recitei com os olhos cheios de lágrimas ao me lembrar que Edward era capaz de tudo isso e muito mais, apenas porque me amava. — Eu não quero a sua infelicidade, nunca quis! Eu desejo que você encontre o que Edward representa para mim em alguém e então você vai perceber que nunca, realmente, me amou.
Ficamos em silêncio por um tempo, até que me virei para a porta, abrindo-a para que Jacob saísse — Se você não tem mais nada a falar, acho melhor ir embora... Volto ainda hoje para minha casa.
Jacob levantou e caminhou até mim, parando na porta.
— Por favor... Tente ao menos diminuir um pouco do ódio que você tem contra mim...
- Eu não odeio você Jacob, de verdade... Mas prefiro que fique longe de mim. — Disse com um suspiro.
- Vá ver Charlie antes de ir embora... Ele está doente há algum tempo, não sabemos se ele em algum momento vai chegar a ter alta... E talvez seja bom para ele te ver... Assim como foi bom para mim... — Ele disse e nossas mãos se tocaram de leve antes dele passar pela porta, me deixando só, com meus pensamentos.
Assim que fechei a porta, corri para a cama abraçando minhas pernas numa tentativa vã de me consolar. Meu corpo e principalmente meu coração pediam por Edward, mas em minha mente, as palavras de Jacob ecoavam, aguçando minha vontade de terminar o que havia começado. Se ele esteve ali foi porque provavelmente Charlie já sabia de minha presença em Forks, e apesar de tudo, não poderia ir embora. Uma coisa que Jasper sempre disse é que independente das circunstâncias, deveria fazer a minha parte, e esse era um caso. Apesar de todos os erros de Charlie, deveria fazer a minha parte, deveria ver como ele estava e se precisava de algo. Não o deixaria desamparado como ele fez comigo, mas não poderia cobri-lo de afeto, porque simplesmente todo o amor que um dia poderia ter sentido por ele havia morrido há dois anos.
Não fui imediatamente ver Charlie, até porque pelo que havia entendido, ele estava internado no Hospital de Forks, e naquele momento a ultima coisa que queria era um confronto com Renée. Optei por esperar um pouco, até que me sentisse minimamente pronta para encontrá-lo. Esses poucos dias a mais naquele quarto de hotel fizeram com que todo o meu passado voltasse à tona. E de uma forma estranha, não lamentava mais tudo o que havia acontecido; mesmo as piores coisas... Se não fosse daquela forma, provavelmente ainda estaria aqui, talvez casada com Jacob, numa vida que não me agradava nem um pouco. Tudo de bom e de ruim acabaram me dando o impulso que precisava para ir à LA encontrar Jasper, e com isso encontrar Edward.
Criei coragem e dois dias depois de meu encontro com Jacob, rumei para o hospital. Não sabia onde ou o que havia acontecido com ele, mas com certeza, não se negariam a dar informações a sua filha.
Eu não sabia muito bem o que falaria para Charlie quando o encontrasse. Na verdade, estava cogitando a possibilidade de não dizer nada; bastava ir até o hospital, me certificar de como ele estava e então, finalmente, voltar para casa.
E para me certificar de que cumpriria com meus planos, providenciei para que a conta da pousada fosse fechada antes de partir.
O caminho até o hospital foi curto e eu mal tive tempo para pensar em nada além da saudade esmagadora que sentia de Edward. Lembrei-me de que não havia enviado a mensagem de texto avisando que estaria de volta, assim como não havia falado com ele desde nosso ultimo telefonema assim que desembarquei em Seattle... Bom, eu logo estaria de volta e poderia dizer-lhe tudo o que se passava em minha cabeça, pessoalmente.
Caminhei devagar até o balcão de informações e não foi preciso nem mesmo que eu dissesse algo, já que a jovem atendente me reconheceu no momento em que nossos olhares se encontraram e prontamente me informou o quarto em que Charlie estaria.
Encontrei o quarto vazio e já me preparava para procurar por alguma enfermeira quando a porta foi aberta revelando dois enfermeiros que acompanhavam um Charlie quase irreconhecível, aos meus olhos.
Ele estava sentado em uma cadeira de rodas, visivelmente mais magro do que eu me lembrava, com acentuadas olheiras abaixo de seus olhos fundos. Dizer que meu pai estava debilitado seria puro eufemismo.
Nem de longe o homem a minha frente, sentado naquela cadeira de rodas, lembrava Charlie Swan, o xerife de Forks.
Seus olhos não demonstraram nenhuma surpresa por me encontrar em seu quarto, no hospital de Forks, depois de mais de três anos sem voltar para minha cidade Natal. Na verdade, eu diria que, apesar de seu estado atual, existia um certo brilho de vitoria em seu olhar.
- Eu sabia que em algum momento você apareceria... – Começou a dizer, após os enfermeiros o colocarem deitado sobre a maca. – Você é bastante previsível, Bella!
Apesar da voz rouca e fraca, assim como sua aparência moribunda, eu pude perceber que nada do que pudesse estar acontecendo havia modificando, nem um pouco que seja, a personalidade do homem a quem um dia eu chamei de pai.
Eu me mantive calada porque não havia nada que eu pudesse ou quisesse falar naquele momento. E, principalmente, porque ele estava certo. É claro que eu viria, jamais, depois de saber de seu estado de saúde, eu deixaria de vir, e é obvio que ele sabia disso... Eu realmente era previsível ao extremo.
Observei atentamente os procedimentos médicos realizados pelos enfermeiros, sem nem mesmo dirigir um olhar que durasse mais do que poucos segundos a Charlie. Eu podia sentir seu olhar preso a mim, mas o ignorei o máximo que pude.
- Eu soube que finalmente você conseguiu o tal projeto dos sonhos... – Ele começou após a saída dos enfermeiros.
Eu dirigi meu olhar ao dele, mas me mantive em silêncio.
- E que se casou... – Ele deu-me um sorriso debochado e recostou sua cabeça sobre o travesso, fechando os olhos. – Eu teria esperado por um convite para o grande dia, se não soubesse o quanto você e seu irmão se acham melhores do que todo o povo dessa cidade.
- Isso não é verdade! – Retruquei prontamente. – Você não sabe nada sobre nós... E como poderia? Nunca se deu ao trabalho de nos conhecer...
Ele voltou a abrir os olhos, e agora sim, existia uma ponta de surpresa neles.
- Parece que você está mudada... Quando eu imaginaria que a indefesa Isabella se rebelaria contra o próprio pai? Bom, dizem que um homem vê de tudo até o dia da sua morte... Deve ser verdade.
Eu o encarei por alguns minutos sem saber ao certo como respondê-lo, e muito mesmo sem saber como me sentia diante do quadro a minha frente.
- Não ouse me dirigir esse olhar de pena... Eu o dispenso!
- Não acho que você esteja em condições de dispensar alguma coisa... – Respondi mal humorada. – Mas, fique tranqüilo, eu não pretendo gastar minha piedade com você, você não a merece. Em compensação, acredito que posso oferecer algo que o interesse...
Eu não tinha a menor idéia de onde estava saindo todas as palavras que eu usava contra ele. Talvez estivesse sendo apenas uma forma de manter suas palavras acusatórias e que certamente me machucariam o mais longe possível de mim.
- Eu posso... Posso conversar com o seu médico e providenciar sua transferência para um hospital maior e com mais recursos. – Tentei soar o mais indiferente possível, mas a forma com que ele me olhava deixava bem claro que não tinha sido bem sucedida.
- Talvez você não tenha mudado tanto assim... Mas, eu também não estou interessado no seu dinheiro.
Uma risada, sem humor algum, escapou por meus lábios.
- Me perdoe, mas é um pouco difícil acreditar nisso... Afinal, era você quem costumava me pedir por dinheiro em troca de não revelar onde eu estava... O que no fim, foi o que você fez.
- Você deveria saber que era o que eu faria... Matava-me aos poucos ver como Jake estava... Muito mais do que esse maldito câncer tem feito.
Eu estaria pronta a retrucar mais uma vez, se não fosse à revelação de sua doença. Eu sabia que minha expressão mostrava isso, mas não era algo que eu conseguisse disfarçar no momento.
- Pare de me olhar com pena... Já disse que não quero isso! — Podia perceber o quão difícil era para Charlie falar... O que parecia ser um grande esforço para ele — O que eu quero, mais que qualquer gesto de piedade, é que você cuide de Jacob.
- Jacob! Sempre Jacob! — Disse irritada, caminhando pelo quarto — Você nunca se importou com seus filhos de verdade, não é? Jasper e eu poderíamos morrer tranquilamente, desde que seu querido Jacob estivesse bem!
Charlie assumiu um riso quase sardônico na face magra e ossuda antes de falar com todo o veneno que podia – É claro que me importo com meus filhos... Me importo com Jacob!
Eu me virei em sua direção e o olhei interrogativamente. Ele tinha acabado de dizer que se importava com os seus filhos, o que era uma terrível mentira, eu sabia muito bem disso. E também havia dito que se importava com Jacob, o que não era novidade nenhuma... O problema era que as duas declarações estavam na mesma frase e se eu fosse só um pouco mais suscetível as manipulações de Charlie Swan, teria acreditado que ele estava tentando me dizer algo.
- Não é novidade para ninguém que você se importa tanto com Jacob, quanto deveria se importar com um filho. – Me aproximei de sua maca e o encarei. – O que eu simplesmente não entendo é o porquê disso e principalmente o porquê de tratar a Jasper e eu, seus filhos, com tanta indiferença e até mesmo crueldade.
- Para falar a verdade, eu sempre tive um certo amor por você... É claro que você não vai acreditar nisso, mas essa é a verdade. É só por isso que aturei as mau-criações do seu irmão por tanto tempo...
- É impressionante como você mente com tanta facilidade!
- Talvez você nunca compreenda, mas eu não conseguia direcionar mais do senso de responsabilidade para Jasper... Toda vez que eu o olhava eu simplesmente via a conseqüência de um grande erro, que me custou muito caro.
- Oh céus! Como você pode dizer isso? Você definitivamente não merece o filho que tem!
- Eu nunca pensei que falaria sobre isso por alguém... Muito menos com você. – Ele continuou como se eu nada tivesse dito. — Mas, está claro que meu tempo aqui está se esgotando e eu realmente não me importo... exceto por Jake.
- É claro! Porque não faz a menor diferença o que a sua esposa ou seus filhos irão sentir... Não é mesmo?
- Não tente me fazer rir Isabella... – Ele devolveu com sarcasmo. – Nós dois sabemos muito bem que sua mãe pouco se importa se eu estarei vivo daqui há alguns minutos, talvez ela se importe com o fato de que finalmente terá que começar a se movimentar para conseguir sobreviver... E com relação a você e Jasper... Não ficaria surpreso se planejassem um festa... Afinal, eu sou o pior pai que vocês poderiam ter, não é?
- Não tente nós transformar nos vilões dessa historia...
- Não é essa a minha intenção... fique tranqüila! – Sua voz subitamente se tornou mais baixa e ele gastou bons minutos tossindo. – Me diga Bella... – Ele prosseguiu com a voz quase irreconhecível. – Por que voltou a Forks? Foi atrás de respostas que veio, não é? Eu posso dá-las a você.
Ele fez um sinal com a mão pedindo que eu me aproximasse, mas eu simplesmente não conseguia me mexer.
- Vamos lá Bella... – ele continuou com a voz tão baixa quanto um sussurro. – Você quer saber por que eu os ignorei por toda a vida? Por que tenho toda a essa predileção para com Jacob? Por que eu fiz tudo o que pude para fazer com vocês dois ficassem juntos?
- Você fez muito mais do que isso... Você... Você me deu as costas naquele maldito dia... Ignorou o que aconteceu comigo... De uma forma doentia, parecia até que você tinha ficado contente pelo o que aconteceu...
- Naquele dia eu pensei que finalmente você se cansaria de fugir e se colocaria no lugar que deveria ocupar... Ao lado de Jacob.
- Isso é doentio!
- Ele sempre a amou, faria qualquer coisa para estar com você, e eu faria qualquer coisa para dar a ele o que queria.
- Mesmo que fosse a sua filha...
- Exatamente Bella, mesmo que fosse a minha filha...
- Eu não sei por que me dei ao trabalho de vir até aqui... – Parei de frente a ele e o dirigi meu melhor olhar de desprezo. – Você tem razão... Eu acabo de descobrir que realmente não me importo com a sua saúde, com o que vai te acontecer... Eu acho que aprendi com você, papai!
Eu podia sentir o turbilhão de pensamentos se alojando em minha mente, mas eu não queria gastar um minuto sequer ouvindo as divagações sem sentidos de Charlie, vendo-o destorcer as suas atitudes.
Sem me importar com mais nada, que não fosse sair daquele quarto de hospital, daquela cidade o quanto antes, me dirigi até a porta.
- Sarah e Renée sempre foram grandes amigas... – Sua voz voltar a soar, mas não foi o que me fez estacar no meio do caminho, e sim o tom de desespero com que ele falava. – Talvez você tenha ouvido falar sobre isso...
É claro que eu já tinha ouvido falar sobre isso. Os dois casais de amigos. Billy e Charlie e minha mãe e Sarah, a quem eu não conheci, pois veio a falecer em meio ao trabalho de parto, no dia em que Jacob nasceu, alguns meses antes de mim.
- Elas eram inseparáveis... Desde de sempre. Eu não consigo me lembrar de ter visto, em algum momento, as duas separadas.
Eu ainda me mantinha de costas para ele e a vontade de ir embora ainda permanecia, mas existia algo na forma com que ele falava que não me deixava partir.
- Sarah era alguns poucos anos mais nova do que Renée e seus pais queriam um futuro brilhante para ela, não era segredo para ninguém que eles desejavam o casamento dela com Billy, mesmo que isso fosse contra a vontade dela...
Lentamente eu me virei em sua direção.
- Assim como não foi surpresa para quase ninguém que ela não lutasse contra isso... Exceto para mim. Eu esperava mais de Sarah... – Ele me deu um sorriso, que pareceu ser sincero... Era a primeira vez, em toda a minha vida, em que eu o via sorrir dessa forma. – Ela me disse que faria o que os pais queriam... Eu nunca fiquei com tanta raiva em toda a minha vida!
- O que você...
- Você já vai entender... – Ele manteve seu olhar preso ao meu e continuou. – Naquela noite eu quis fazer com que ela saísse magoada... Estávamos os quatro juntos, e eu impulsivamente pedi a Renée que aceitasse a namorar comigo... Eu gostei de ver o olhar incrédulo de Sarah, queria que ela sentisse um pouquinho do que ela me fez sentir... Eu não sabia que Renée tinha algum interesse por mim, por tanto não esperava que ela aceitasse, mas ela aceitou... E aceitou fazer muito mais aquela noite. – Ele se calou por alguns segundos, ainda sustentando o meu olhar. – Eu acho que sua mãe é capaz de compreender o que você sentiu na sua última noite em Forks, apesar de ela, ao contrario de você, ter consentido.
Eu levei minha mãe à boca, calando uma expressão de horror a sua declaração.
- É claro que algum tempo depois eu me arrependi... Na verdade, acho que me cansei do que Renée tinha a me oferecer... Mas, era tarde demais. Sarah mal me olhava, dizia que não conseguia acreditar no que eu tinha feito... É claro que sua mãe tinha contado a ela! E claro que havia feito da pior forma possível — Ele fechou os olhos e passou as mãos magras pelo rosto — Renée disse que eu a havia forçado, como uma "prova de amor" — Charlie parecia perdido em memórias, como se todos aqueles sentimentos conflitantes tomassem novamente seu corpo — Nada vai apagar o olhar de verdadeiro nojo que Sarah dirigiu a mim algum tempo depois, quando Renée disse que havia ficado grávida... Nunca teria me casado com Renée se não fosse aquele olhar enojado e a memória de sua voz me dizendo que essa era a única coisa que a faria ter algum respeito por mim novamente.
Acabei sentando em uma das cadeiras que estavam próximas a cama, absorvendo sua história, e de certa forma podia compreender o que ele havia sentido. Acho que teria me sentido tão amargurada quanto ele se estivesse presa a uma pessoa que não amo, se tivesse me prendido a Jacob, por exemplo...
- Renée sabia muito bem como jogar para conseguir o que queria. Sabia perfeitamente que eu faria qualquer coisa que Sarah me pedisse, e ela era boa demais para desamparar uma amiga... — Por um momento, achei ter visto uma lágrima surgir nos olhos de Charlie — Mesmo me amando, ela me pediu para que casasse com Renée... E eu fiz por ela.
- Mesmo casado, mantive o firme propósito de não cometer o mesmo erro novamente... Sabia que seria a única chance de um dia ganhar novamente o respeito e confiança de Sarah. Ao longo do tempo passei a observar de longe o namoro dela com Billy — Ele suspirou e tentou se acomodar um pouco melhor na cama, tomando forças para continuar — Na festa de noivado... Ela estava linda... Usando um vestido amarelo que combinava perfeitamente com sua pele... Lembro-me perfeitamente de todos os detalhes daquela noite... A noite em que ela foi minha pela primeira e ultima vez... O casamento aconteceu cerca de um mês e meio depois da festa, e Jacob nasceu sete meses depois do casamento...
Comecei a fazer contas mentalmente, e a idéia que me veio à cabeça parecia terrível demais para ser verdade... Se as minhas contas estivessem certas, Jacob seria meu... Irmão?!
Era uma idéia no mínimo inconcebível... Afinal de contas, se Charlie amava tanto a mãe de Jacob assim e eles tinham um filho juntos, duvido que ele conseguisse se manter afastado e mesmo que ele tivesse se mantido a distancia, ele deveria ter sido o primeiro a tentar evitar qualquer aproximação entre Jacob e eu... Afinal nós teríamos o mesmo sangue...
- Vejo que fez as contas, não é? E antes que me pergunte, sim, Jacob é meu filho... Filho da única mulher que amei de verdade.
Eu estava tão presa ao peso daquela afirmação que não percebi o quanto a aquele declaração seria desastrosa até o momento em que a porta do quarto foi batido com toda a força e Jacob se colocou a minha frente parecendo totalmente transtornado.
— O que você disse? O que você quis dizer com “seu filho”?
Ele parecia ignorar totalmente a minha presença. Seus olhos estavam presos ao homem debilitado a nossa frente, a quem ele praticamente sacudia pelos ombros.
- Não! Não eu não posso ser seu filho!
Eu podia ver por sua expressão o quanto ele estava perdido, sendo atingido por uma enxurrada de pensamentos.
- Se eu fosse mesmo seu filho... Se fosse verdade você não deixaria que eu... Namorasse a minha...
- Eu faria qualquer coisa para que você não tivesse que sofrer por não ter quem ama, como eu sofri... – Charlie tinha os olhos cheios de lágrimas e pela primeira vez na vida eu o via chorar... Eu nunca pensei que chegaria o dia em que eu sentiria pena dele.
- Minha própria irmã! Meu Deus! Você deixou que eu tocasse a minha irmã!?
Eu não sabia como reagir a cena que se desenrolava a minha frente, mas sabia que sentia meu coração apertar ao ver o rosto contorcido de dor de Jacob... Não havíamos sido amigos por muitos anos, havíamos sido cúmplices como se fossemos irmãos, quando era exatamente isso que éramos... Meu Deus! Era uma historia sórdida demais para ser verdade.
- Jacob... – Tentei me aproximar, mas no momento em que ele ouviu minha voz, saiu do quarto em disparada.
- Eu nunca te pedi nada como vou pedir agora... — Charlie disse quase sem forças, me fazendo sair de meu próprio torpor, torpor que aquela verdade havia imposto a mim — Proteja-o Bella! Como eu não fiz... Com nenhum de vocês.
Peguei as chaves na bolsa e corri para o carro que havia alugado, seguindo Jacob pelas ruas estreitas de Forks, tentando alcançá-lo.
Não fazia nada daquilo pelo pedido de Charlie, longe disso, mas, por simplesmente não poder ignorar a dor que vi nos olhos de Jacob ao saber de tudo... Ele precisava de mim como ser humano... E principalmente como irmã. Eu não tinha esquecido nada do que ele e seus amigos tinham me feito, mas diante da revelação que ocorreu naquele quarto de hospital, eu não conseguia deixar de vê-lo com mais uma das vitimas dessa historia.
Eu tentei me concentrar ao máximo na estrada, já que Jacob me obrigava a dirigir a uma velocidade maior do que estava acostumada, e acho que foi por isso que não percebi o caminho que estávamos fazendo até que estávamos a menos de uma quadra de distancia.
- Merda! – Gritei batendo com meus pulsos no volante, o que quase me fez perder o controle do carro.
Parei o carro próximo a caminhonete de Jacob, enquanto o via seguir decido até a porta da casa dos meus pais.
- Jacob! – gritei saindo do carro. – Jacob vamos conversar...
Ele simplesmente parecia ignorar a minha presença enquanto continuava a bater na porta, cada vez com mais força.
- Droga Jacob! – gritei ainda parada ao lado do meu carro. – O que você quer aqui afinal?
Ele pareceu se cansar de chamar e começou a forçar a porta até que a abriu e rapidamente entrou na casa.
Minhas mãos tremiam enquanto eu olhava para a porta esperando que ele voltasse. Ainda o chamei algumas vezes, até que ouvi barulho de coisas sendo quebradas.
Uma parte de mim me mandava voltar para o carro e ir embora dali, mas uma outra parte insistia em entrar para falar com ele, para me certificar de que ele não faria nenhuma besteira, de que ele ficaria bem. Criando coragem, me afastei do carro e entrei a passos trôpegos na antiga sala de minha casa.
Eu podia ouvir a voz de Jacob ao longe chamando por Renée e por seu pai e involuntariamente um calafrio percorreu minha espinha... O que mais estava acontecendo por aqui que eu não sabia?
- Jacob! — Voltei a gritar. – Não tem ninguém aqui, Jacob! – Ele ainda continuar abrir e fechar portas e a chamar por Billy, enquanto eu permanecia parada a sala da casa onde cresci, olhando em volta me sentindo muito mais amedrontada do que quando era criança.
- Merda! – o grito de Jacob fez com que minha divagação se dissipasse. – Você sempre está aqui por que logo agora que eu preciso de você... – Ele não terminou de falar, ao invés disso um dos vasos de Renée voou de encontro à parede próxima a mim, me fazendo soltar um grito.
Ele pareceu finalmente perceber a minha presença e imediatamente se afastou de mim, o máximo que pode, chegando a quase se recostar na parede oposta.
Eu fiquei olhando-o por alguns minutos enquanto ele praticamente se abraçava e chorava como uma criança indefesa, sem saber o que fazer ou falar.
- Jake... Vamos... Vamos conversar?
- O que é que nós podemos conversar? O que é que você ou eu podemos falar que vai mudar isso? – Ele perguntou com fúria. — Você não entende, não é? Nós somos irmãos... E eu fiz aquilo tudo contigo... – Ele começou a andar de um lado para o outro, como uma fera enjaulada, repetindo incoerentemente: — Minha irmã... Meu deus... Minha própria irmã!
Num instante, foi como se ele tivesse encontrado um objeto há muito tempo procurado junto a parede e correu até o local, tirando a arma que Charlie usava em serviço do coldre, que estava pendurado em um gancho de parede como sempre ficava quando ele chegava do trabalho.
Involuntariamente eu dei um passo atrás, mas ele simplesmente parecia ter voltado a ignorar a minha presença.
— Jacob, pelo amor de Deus! Calma... Esquece... Esquece isso!
- Esquecer? Como? — Ele dizia mexendo na armar — É impossível esquecer... Nunca vou me perdoar... Eu nunca vou conseguir esquecer...
- Nós vamos arrumar um jeito... Nós podemos... Jake, vamos conversar e então vamos encontrar um jeito de passar por isso...
Eu vi no momento em que ele apontou a arma para um de suas têmporas e antes que eu pensasse no que estava fazendo, tentei atravessar a sala e alcançá-lo.
- Não, Jacob!
- Me perdoe Bella! — Eu estava só há um passo de distancia, mas não houve nada que eu pudesse fazer para impedi-lo de disparar a arma.
Notas finais
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PS: Reviews = Capítulo novo
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