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41 Capítulo 2 -Parte II - Maldita fonte confiável
Notas iniciais
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Antecipadamente, eu peço desculpas pelos muitos erros gramáticais, mas o capítulo não foi betado.
Boa leitura!
Capítulo 2 – parte II – Maldita fonte confiável
Bella Cullen
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Eu estava apertando o pequeno frasco de remédios em minhas mãos, com tanta força, que eu tinha a impressão que ele se partiria em minúsculos pedaços a qualquer momento.
Eu assistia o balançar incessante das minhas mãos, enquanto o tilintar dos comprimidos preenchia o ambiente. Nesse momento, eu não poderia dizer, com clareza, o que se passava por minha mente, era apenas uma sucessão interminável de: “Não abra o frasco, não abra o frasco!” apenas porque eu sabia que o único comprimindo, que eu deveria ingerir a cada manhã, não seria suficiente.
- Bella? – A voz de Edward soou abafada pela porta fechada. – Você está bem?
Eu não sabia, com certeza, há quanto tempo estava trancada no banheiro do nosso quarto, mas essa a 3° vez em que ele vinha bater a porta e eu poderia jurar, pelo seu tom de voz e as batidas incessantes, que se eu não saísse logo, nós teríamos uma porta arrombada.
- Só um minuto... – Gritei me colocando de pé.
De qualquer forma, permanecer trancada o dia inteiro não me ajudaria em nada. Eu tinha um problema para solucionar e para isso, precisava estar, ao menos aparentemente, calma.
Provavelmente eu estava cometendo um erro, mas quando Edward voltou a bater à porta, eu simplesmente abri o frasco de remédios em minhas mãos e rapidamente engoli 2 pílulas.
Minha garganta ainda ardia quando abri a porta e encontrei Edward. Ele ficou, por alguns minutos, apenas me olhando.
- Kate está aqui. – Ele disse por fim.
Eu assenti, porque ainda não tinha sido capaz de pensar em nada para dizer, nem a ele e nem a Kate.
- Papai? – A voz de Bem estourou a bola estranha em que estávamos presos e só então percebi que ele estava ao lado de Edward, sua mãozinha puxando a do pai, impacientemente. – Tô com fome!
Eu pude ver nitidamente, quando a feição de Edward se transformou, de preocupação a repreensão. Eu sabia, sem sombras de dúvidas, que internamente ele estava se culpando por não ter cuidado das necessidades do filho. De certa forma, me senti culpada. Nós tínhamos uma criança em casa e em vez de alimentá-la, eu estava me permitindo afundar diante de uma noticia que se eu for bem sincera comigo mesma, sempre soube que chegaria, cedo ou tarde.
- Me desculpe, meu anjo! – Pedi me abaixando a sua frente. Ele afastou, mas me deu um minúsculo sorriso. – Eu vou cuidar disso. O que você acha de panquecas?
Vejamos, eu poderia me concentrar em alimentá-lo e então, retardar a conversar nada agradável que deveria ter com Kate e Edward... Não era uma mã idéia.
- É gostoso? – Bem perguntou.
Eu precisei de um segundo para entender o que ele questionou.
- Você nunca comeu panquecas? – Eu não sei por que, mas eu estava realmente chocada. Qual criança nunca comeu panquecas? Até mesmo eu, quando criança, costumava me fartar de panquecas, obviamente elas eram preparadas por Jasper e não por minha mãe... E aí estava a minha resposta. Definitivamente, eu não era capaz de imaginar Victoria preparando o café da manhã do filho.
Um aperto começou a se formar no meu coração. De certa forma, Ben tinha muito da minha infância, com a grande diferença de não ter um irmão mais velho que faça tudo para te proteger.
Olhei em seus olhos azuis e lhe dei um sorriso triste enquanto ele fazia um gesto negativo com a cabeça.
- Ok! Vamos mudar isso. – Me coloquei de pé e estendi minha mão na direção dele. Obviamente, ele apenas ficou me olhando, antes de voltar a puxar a mão de Edward.
Rapidamente, segui em direção a cozinha, quando senti que meus olhos começaram a arder. Não era um bom momento para reações emocionais.
Esse seria um longo dia.
Kate estava acomodada em nossa sala de estar e desejei ter uma espécie de rota de fuga ou algo assim.
- Hey, Kate! – Forcei um sorriso. – Você pode me dar mais alguns minutos? Tenho uma criança faminta para alimentar.
Eu poderia, educadamente, esperar pela sua resposta ou convidá-la para me acompanhar até a cozinha, mas então eu não estaria fugindo, como sempre faço.
- Eu vou comer panquecas! – Ainda fui capaz de ouvir Ben gritar animado, apesar de já estar na segurança da minha imensa cozinha.
Minhas mãos ainda tremiam e eu estava começando a me sentir um pouco letárgica, o que transformou a tarefa de preparar um simples café da manhã em algo bem mais complicado do que normalmente seria.
Quando eu finalmente tinha tudo pronto, todo o bom humor de Ben já tinha evaporado. Ainda assim, lhe servi panquecas com uma dose generosa de calda de chocolate, acompanhadas de suco de laranja.
Edward estava começando a ficar impaciente, então ele deixou que Ben comesse sentado no chão da sala, assistindo a um desenho qualquer, enquanto os adultos presentes começaram a sussurrar.
- Eu não quero ler isso... – Devolvi a revista que Kate nos trouxe. – é muito ruim?
Essa era uma pergunta idiota se você levar em consideração que a capa trazia estampada uma foto em que você poderia ver Jacob e eu, ainda no tempo da escola, com a infame legenda: “Trágica historia de amor”.
Eu não tinha a menor idéia de como essa foto se tornou publica, mas essa era a menor das minhas preocupações, no momento.
- Eles falam do suicídio... – Kate respondeu calmamente. – Poderia ser pior?
Sim, poderia. Muito pior.
Estremeci com o pensamento.
- Eles dizem qual foi o motivo? – Edward questionou folheando a maldita revista.
- Segundo a fonte deles, Bella presenciou o suicídio do meio irmão na casa dos pais... Aparentemente Jacob nutria algum sentimento romântico por você e não conseguiu lidar muito bem com a descoberta do seu casamento... O que fica subentendido é bem sórdido: algo como vocês terem namorado e ele nunca ter se recuperado do fim do relacionamento. É uma noticia realmente bombástica e pode acabar com a sua imagem.
Eu não saberia dizer se estava aliviada por não haver nenhuma menção ao que de fato levou Jacob a cometer suicídio ou se me sentia ultrajada pelas insinuações.
- É um verdadeiro milagre que toda a historia não tenha vazado. Seja lá quem for essa maldita fonte confiável, ela realmente sabe de algumas coisas. – Edward fechou a revista com raiva.
- Eu acho que já passou da hora de vocês me dizerem o que está acontecendo. – Kate firmou seu olhar em minha direção. – Eu preciso saber o que estou tentando abafar.
Sendo bem justa, Kate tinha razão. Eu já deveria ter contado tudo a ela porque sempre existiu a possibilidade de que eu tivesse que enfrentar o fato de tudo vir à tona, mas sempre foi tão difícil falar sobre isso. Mesmo agora com as sessões de terapia, eu ainda não me sentia a vontade em relatar àquelas horas terríveis. Eu tinha aprendido a manter meus fantasmas sobre controle, mas isso não significa que eles deixaram de existir.
Busquei o olhar de Edward e silenciosamente pedi que ele viesse, mais uma vez, em meu socorro. Ele assentiu levemente.
Antes que eu pudesse encontrar uma forma de não ter que ouvir Edward relatando os piores momentos da minha vida, Ben apareceu ao nosso lado.
- Eu quero mais! – Ele estendeu o prato, agora vazio, em minha direção.
- Oh meu Deus! – Um sorriso sincero apareceu em meu rosto e meus ombros pareceram um pouco mais leves. – Olhe só para você... Tem calda em todo lugar.
Eu me inclinei em sua direção e ele rapidamente se afastou, parecendo um pouco assustado.
- Desculpe! – Murmurou tristemente.
- Qual o problema, filho? – Edward se curvou em sua direção e o pegou no colo. Delicadamente, peguei o prato de suas mãos.
- Tô sujo! – Ele se remexeu nos braços de Edward, a voz soando tristonha e ele quase escondeu o rosto no pescoço do pai, mas interrompeu o movimento um segundo antes. – Foi sem querer.
- Você vai precisar de um banho... – Interferi, sentindo urgência em vê-lo sorrindo novamente. – Mas só depois de devorar mais algumas panquecas, okay?
- Você não vai brigar comigo?
Eu quase podia sentir meu coração se partindo toda vez que ele demonstrava sentir alguma espécie de medo ao meu redor. E além do mais, eu achei um pouco difícil encontrar a disposição para repreendê-lo, por qualquer coisa, quando ele estava tão encantadoramente coberto de calda de chocolate.
Eu consegui convencê-lo a me acompanhar e só quando ele já se deliciava com um pouco mais de panquecas, foi que eu voltei a me juntar a Kate e Edward.
- Oh Bella!! – Kate envolveu seus braços ao meu redor. – Eu sinto muito!
Sua reação a minha historia não era exatamente inesperada, mas ainda assim me pegou de surpresa. Essa era a forma como todos regiam. Pena. Sou obrigada a admitir que tenho uma certa dificuldade em lidar com isso. Ainda assim, retribui o abraço de minha agente.
Sendo confortada, era ainda mais difícil não pensar em tudo o que aconteceu e em como estava próximo o dia em que todo mundo saberia disso. Por mais que eu quisesse aparentar tranqüilidade, por dentro, eu estava apavorada.
- Eu não quero ter que falar sobre isso... – Choraminguei no seu ouvido. – Principalmente em entrevistas.
- Eu vou fazer o possível para evitar isso. — Ela prometeu antes de me soltar.
Chegamos à conclusão de que, ao menos por enquanto, o melhor seria deixar as coisas como estavam. Não falar sobre o assunto, era a nossa estratégia.
Eu sabia que, se não contornássemos a situação, em algum momento eu teria que me pronunciar sobre isso, mas eu simplesmente não conseguia me enxergar dizendo ao mundo todo por tudo o que eu passei, tendo que entrar em detalhes...
Só me restava torcer para que Kate conseguisse descobrir quem era a fonte daquela revista sensacionalista e como poderíamos calá-la.
...
- Ele realmente precisa de um banho... – Disse apontando Ben e me recostando em Edward, me sentindo cansada demais para permanecer em pé sozinha.
- Você está bem? – Os braços fortes de Edward me prenderam contra o seu corpo e um suspiro escapou por meus lábios.
- Não dormi muito bem. – Menti porque não queria deixá-lo preocupado.
Edward me fez sentar e se acomodou ao meu lado. Me enrosquei ao seu redor porque sentia falta de tê-lo tão perto e porque, na realidade, minha necessidade de tê-lo comigo quando algo saia errado não havia desaparecido, nem mesmo atenuado.
Dr. Denali, meu psiquiatra, costuma dizer que eu preciso encontrar outras formas de enfrentar os meus problemas sem me apoiar tanto em Edward, que isso não é bom para nenhum de nós dois. Eu tenho tentando, com todas as minhas forças, mas é tão difícil. Terrivelmente difícil me manter forte sozinha, quando tudo o que mais preciso é dele, quando, com só um toque, ele é capaz de me fazer sentir bem.
- Eu sinto muito... – Disse baixinho. – Por mais uma vez te trazer problemas. – Deitei minha cabeça em seu ombro, tentada a esconder meu rosto no vão de seu pescoço como Ben costuma fazer. – Por precisar tanto de você, por me apoiar tanto em você... – Meus olhos estavam ardentes e os cerrei, forçando as lágrimas de volta.
Sua mão foi até o meu cabelo, me acariciando, mas nenhuma palavra foi pronunciada.
- Eu não posso perder você, Edward. Eu não posso. – Eu odiei o desespero na minha voz. Eu queria ser forte, se eu fosse nós nem teríamos chegado a esse momento. Ele não estaria, pouco a pouco, desistindo de mim.
- Você não vai. – Ele sussurrou de volta.
Com muito custo, sufoquei um soluço.
- Eu sinto a sua falta. – Confessei. Mas no momento em que as palavras deixaram meus lábios, eu me arrependi. Eu não queria ter essa conversa. Muito menos aqui e agora, com Ben a 1 passo de distância.
- Eu estou aqui... Eu continuo aqui. – Edward respondeu, seus dedos envolvendo os fios de meu cabelo.
- Não como antes... – Não era uma critica, não era uma reclamação. Era apenas como eu sentia que as coisas estavam entre nós. – Eu... Eu estou constantemente esperando o momento em que você vai, finalmente, se cansar e então... Desistir de mim. Ir embora. Me deixar aqui sozinha.
A mão de Edward desceu até o meu rosto, me forçando a olhá-lo. Tinha tantas emoções no seu olhar que eu nem mesmo conseguia nomeá-las. Eu desejei, com todo meu ser, escorregar para o seu colo e o abraçar o mais forte possível, mas eu não podia. Não tendo seu filho como espectador de tudo o que fazíamos.
- Eu não vou a lugar nenhum. – Ele disse com firmeza. – “Eu serei o seu esposo. Eu te entenderei e farei o meu melhor para cuidar de você” é a nossa versão para “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença...” lembra?
Vê-lo recitar os votos do nosso casamento, quase me trouxe a borda. Eu o amava tanto. Nada do que eu tinha passado poderia se comparar a dor que eu sentiria se algum dia, eu o perdesse.
- Eu estou tentando... Com todas as minhas forças. – Disse olhando em seus olhos, para que ele visse a verdade das minhas palavras. – Eu quero ser melhor para você. Para fazê-lo feliz.
- Meu amor... – Um sorriso brotou em seu rosto. – Você não se vê muito bem. Não consegue enxergar o quão melhor você já está? Você tem feito tão bem... A forma como tem lidado com tudo... E hoje? Eu pensei que a veria desmoronar novamente.
- Eu acho que a terapia tem ajudado... – Disse porque era obvio que estava mesmo ajudando, apesar de fazer questão de deixar de lado os detalhes. Edward não precisava saber que eu ainda desmoronava, mas minhas crises estavam, exclusivamente, ocorrendo dentro de um consultório, com um psiquiatra pronto para me trazer de volta quando os fantasmas me assombravam. – Eu deveria ter tentando isso antes... Não deveria ter jogado todo o peso das minhas lembranças em você. É injusto! Eu sinto...
- Não peça desculpas. – Ele me interrompeu, docemente. – Eu ainda estaria ao seu lado, mesmo que nada tivesse mudado, mesmo que nenhuma melhora tivesse ocorrido. Porque eu, simplesmente, não consigo viver sem você. Porque eu preciso tanto cuidar de você quanto você precisa ser amparada.
Por um segundo eu esqueci que não estávamos sozinhos e me inclinei até que meu rosto estava a poucos centímetros do dele. Eu estava estranhamente insegura, então, congelei meus movimentos e firmei meu olhar em seus lábios, implorando internamente para que ele me beijasse.
Quando seus lábios encontraram os meus e eu senti a mesma descarga elétrica de sempre, eu soube que nós ainda estávamos conectados, que ninguém, além de nós mesmo, poderia nos separar. E eu estava decidida a não permitir que isso acontecesse.
Foi um beijo doce, calmo, que poderia ter se transformado em uma disputa de línguas, mas que foi interrompido pelo grito animado de Ben:
- Bob Esponja!
Eu o olhei, um tanto envergonha. O que não era mesmo necessário, já que ele estava ocupado demais dançando e cantando ao som da música tema do filme. Eu poderia dizer que estava surpresa com a sua animação, mas a verdade é que eu estava contente em vê-lo assim e quando ele fez um biquinho porque a música tinha acabado rápido demais, eu prometi, internamente, que até o final do dia teríamos o DVD do filme.
...
Como eu pretendia cumprir a minha promessa, eu aproveitei que Edward assumiu a missão de deixar Ben limpo novamente, para uma rápida ida até algumas lojas. Eu pretendia conseguir, além do que parecia ser o filme predileto de Ben, alguns brinquedos e roupas e quem sabe um pote de sorvete.
Eu deveria saber que não era uma boa idéia.
Assim que entrei em uma grande loja de departamentos, eu tive vontade de me encolher ou voltar correndo para casa. Eu não estava preocupada em me esconder quando sai de casa, então não era muito difícil que algumas pessoas me reconhecessem, mas era absurdamente incomodo ter que lidar com os olhares reprovadores e os cochichos.
Eu abaixei a minha cabeça, odiando o fato desses rumores idiotas se espalharem tão rápido e tentei recolher tudo o que queria o quanto antes. Por fim, eu me dirigi ao caixa com apenas o DVD, uma pelúcia e um pijama do Bob Esponja porque eu simplesmente não agüentava mais ver as pessoas apontarem para mim e sussurrem.
Eu decidi que uma ida a qualquer outra loja estava fora de cogitação, no momento. Mas, não posso negar que isso só me fazia sentir pior. Saber que muitas pessoas estariam em algum momento, comentando sobre mim e me julgando por algo que eu nem mesmo fiz, tornava tudo pior. Eu queria gritar para quem quisesse ouvir que as coisas não era como apareciam naquela revista, que toda a historia era bem mais complicada de ser explicada, que Jacob não era a vítima que fizeram parecer, que eu não era como estavam me descrevendo.
Cheguei em casa sentindo um nó se formar na minha garganta e desejando que eu pudesse apenas desmoronar. Em vez disso, eu pedi o nosso almoço pelo telefone e imaginei que uma ducha seria de grande ajuda, especialmente pelo fato de me sentir suja, impregnada de milhares de minúsculas partículas de comentários e olhares odiosos e eu, definitivamente, não queria levar nada disso para próximo de Edward e Ben.
...
Ben estava elétrico após o almoço. Eu não sabia de onde ele tirava toda a energia que gastava, mas sabia que Edward estava exausto de segui-lo por todo o canto e como ele se recusava a ficar sozinho comigo, não existia muito que eu pudesse fazer. Até que eu me lembrei que tinha algo para distraí-lo.
- Ben? – Chamei após ele ter, finalmente, concedido a Edward uma pausa. – Eu tenho algo para você...
Ele me olhou por alguns segundos.
- Tipo um presente?
- Exatamente como um presente.
Eu acho que “presente” era a palavra chave, porque ele aceitou, sem impor nenhuma resistência, me dar a sua mão, enquanto subíamos as escadas em direção ao meu quarto. É claro que Edward ainda estava por perto, mas eu tinha esperanças que com o tempo Ben aceitasse passar algum tempo comigo, só comigo.
Eu alcancei a sacola que tinha deixado no canto do quarto e após Edward sentá-lo no meio da nossa cama, eu lhe entreguei os embrulhos.
Foi, simplesmente, gratificante ver os seus olhos brilharem ao ver o que eu tinha lhe dado.
- Bob Esponja! – Ele gritou animado, agarrando a pelúcia. – Olha papai.
- É lindo, filho!
- Obrigado, Bella! – Fui pega de surpresa quando ele pulou sobre mim e me deu uma abraço apertado.
- De nada, querido! – E aí estavam as lágrimas que eu andei segurando a manhã inteira.
- Você tá chorando? – Ele perguntou, docemente, antes de estalar um beijo na minha bochecha.
- Eu estou feliz. – Respondi, lhe devolvendo o beijo. – Você gostou?
Ele assentiu, entusiasmado.
É irrelevante dizer que passamos a tarde inteira e o inicio da noite vendo e revendo o filme que eu tinha dado a Ben e no final das contas, eu até mesmo tinha decorado a música, o que me fez gastar mais alguns minutos cantando e dançando com Ben.
- Ok pequeno travesso. – Edward o apertou contra a cama e começou a lhe fazer cócegas, arrancando dele uma grande risada. – Hora de ir para a cama.
- Só mais uma vez papai. – Pediu entre risadas.
- Por que nós não vamos cantando até o seu quarto? – Sugeri me unindo a Edward na doce tarefa de fazer cócegas no menininho jogado sobre a nossa cama. – E você pode usar o seu pijama novo.
- “Quem vive num abacaxi no fundo do mar?” – Comecei, correndo em direção ao quarto de Ben.
- “Bob Esponja Calça Quadrada!” – Ele respondeu correndo atrás de mim.
Eu precisei repetir a pequena música mais um par de vezes até que eu tinha um Bem vestido com seu novo pijama, dentes escovados e deitado em sua cama.
- Boa noite, filho! – Edward sussurrou, se inclinado para apagar o abajur.
Eu levei minha mão até a dele e neguei com um aceno de cabeça. Se ele tivesse algum pesadelo, como na noite passada, não gostaria que ele acordasse em um quarto escuro e sozinho.
Surpreendentemente, Ben se virou em minha direção.
- O mostro não vai me pegar?
- Não, querido! Sem monstro, lembra? – Fiz um carinho em seu rosto. – E você pode nos chamar se qualquer coisa te assustar.
Ele assentiu, mas seu rostinho chateado me balançou.
- E se ele dormir com a gente? – Sussurrei no ouvido de Edward.
- Ele tem o seu próprio quarto na casa de... Na casa dele. Está acostumado a dormir sozinho.
- Nós podemos, então, ficar até ele dormir...
E foi assim que acabamos, os três, espremidos em uma minúscula cama infantil, enquanto eu tentava contar uma historia para Ben.
Não foi uma tarefa fácil fazê-lo dormir, mas eu me sentia bem, sabendo que, em geral, tínhamos tido um bom dia e que Ben tinha até se divertido um pouco comigo.
- Ele gosta de você! – Edward comentou quando já estávamos deitados em nossa cama. – Ele sempre gostou, desde a primeira vez em que te viu.
- Algumas vezes ele parece ter medo de ficar comigo...
- Eu acho que Victoria está por trás disso. – Edward me puxou para mais perto e eu acomodei minha cabeça em seu peito. – Mas nada do que ela possa dizer a ele vai mudar o que ele vê em você. E você tem sido maravilhosa com ele.
- Ele me lembra um pouco da minha infância. A forma como ela o trata me lembra de como minha mãe tratava a mim e Jazz. Eu tenho medo que ele se sinta sozinho.
- Ele não está sozinho, tem a mim e a você. Ele vai ficar bem. Nós vamos cuidar para que ele fique bem.
...
Eu tentei dormir, mas o sono simplesmente não vinha. Então eu chequei Ben, que dormia profundamente e desci até a cozinha em busca de um copo d’água. Me sentei no sofá, sem me preocupar em acender a luz e passei a sonhar acordada.
Imaginei Ben crescendo ao nosso lado e em algum momento entre meus planos para o futuro eu o imaginei ao lado de uma linda menininha de cabelos acobreados. Foi quando eu percebi que, no fundo do meu coração, eu desejava ser mãe.
Me encolhi no sofá chegando a conclusão de que para isso se tornar real, eu precisaria fazer com que Edward voltasse a me tocar. Então, minha imaginação passou a me fazer vislumbrar inúmeras formas de fazê-lo me desejar. Uma lingerie sensual, trancá-lo em nosso espaço e dançar para ele, entrar sorrateiramente no banheiro enquanto ele estivesse no banho, sussurrar em seu ouvido o quanto eu o desejava...
Meu rosto, assim como todo o meu corpo, se tornou quente com o pensamento.
Eu nem mesmo percebi o que estava fazendo, até que senti o leve aperto que estava dando em meus seios.
Balancei a cabeça tentando me livrar das minhas fantasias sexuais. Eu não estava disposta a brincar sozinha, mais uma vez. Não quando o meu marido estava a apenas alguns passos de distancia.
Um pequeno sorriso travesso se formou em meu rosto e eu corri escada acima.
Muito lentamente eu fechei a porta, me certificando de trancá-la e me dirigi a cama. Edward, agora, estava de bruços, com um dos braços fortemente preso ao meu travesseiro.
Permiti que meu olhar se demorasse em suas costas, tentando fortalecer a minha decisão.
- Não seja covarde! – Sussurrei.
Antes que desistisse, me livrei da camisola que vestia e escorrei para a cama. Minhas mãos deslizando pela pele de Edward.
Passei a distribuir beijos molhados em seu ombro, o que fez com que ele se remexesse. Permiti que minha boca subisse até seu ouvido e o beijei antes de ronronar:
- Eu te quero tanto, baby!
Eu continuei a beijá-lo e a acariciá-lo até que um Edward, ainda sonolento, soltou o travesseiro e permitiu que sua mão encontrasse meu corpo.
Seus dedos apenas roçaram, de leve, o meu busto, mas um gemido involuntário escapou por meus lábios.
- Bella? – Ele chamou, com a voz rouca. – O que você está fazendo?
Eu acho que era bastante obvio o que eu estava tentando fazer, principalmente se você levar em consideração que eu estava, nesse momento, tentando infiltrar a minha mão na boxer que ele usava.
- Eu preciso de você! – Respondi antes de desistir de tocá-lo e agarrar sua mão e levá-la até um dos meus seios. – Eu preciso tanto de você.
Eu fiquei ali, parada, com a respiração entrecortada, sentindo o peso da sua mão em meu seio, esperando ansiosamente o momento em que ele ia, finalmente, retribuir o meu ataque.
- Bella... – Ele começou hesitante.
- Por favor, Edward. – Choraminguei. – Eu estou com tanta saudade.
- Eu também. – Ele respondeu, trazendo seu rosto próximo ao meu.
- Você não me quer mais? – Questionei tão baixo que imaginei que não tinha passado de um pensamento.
Ele, delicadamente, se colocou por cima de mim, prensando seu corpo contra o meu, me fazendo senti-lo.
Foi impossível conter o meu sorriso quando senti que ele estava tão excitado quanto eu.
- Eu te desejo mais do que você pode imaginar.
- Você pode ter o que desejar. – Foi tudo o que consegui responder antes de Edward me calar com um beijo urgente.
Não foi lento. Não foi gentil.
Foi intenso. Forte. Repleto de gemidos obscenos. E ainda assim, foi esplendoroso.
Não importa o quão duro Edward investia contra mim, da sua boca sempre saia, ora em um sussurro, ora em um gemido, as três palavras que não conseguíamos parar de repetir.
- Eu te amo! – Foi a minha vez de dizer. Poderia soar contraditório, afinal, dessa vez, veio seguido de: — Mais forte! – Mas, para nós dois era apenas tudo o que precisávamos.
E quando ele me fez alcançar o céu, eu me agarrei, com força, a ele e implorei para que ele viesse comigo, porque tinha passado tanto tempo, que eu não suportava tê-lo longe, nem mesmo por um segundo, nem mesmo enquanto lutava para sobreviver as ondas tortuosas do orgasmo que ele me concedia.
Ouvi-lo gemer o meu nome enquanto se deliciava com sua libertação, soou, aos meus ouvidos, como “bem vinda de volta a casa” porque era exatamente assim que eu me sentia, de volta ao lugar ao que sempre pertenci.
Notas finais
Eu vou tentar postar mais um capítulo antes do natal, mas eu não vou dar um dia certo porque eu estou tentando organizar a vida.
Por favor, me deixem saber o que acharam do capítulo. Quanto mais voc~es comentam, mais me impulsionam a escrever.
xoxo
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