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58 Capítulo 17 - Fase II - Sangrando um pouco mais.


Notas iniciais
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Olha eu aqui! Nem demorou muito, né?
Muito obrigada pela compreensão e suporte. Vocês são incriveis!
Boa leitura!

Capítulo 17 – Fase II – Sangrando um pouco mais.

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Não se escolhe a quem se entrega o seu coração; Não se escolhe a quem amar... É o amor quem nos escolhe. Destino. Puro e simples. Nós que complicamos tudo.

Bella Cullen

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Eu recostei minha cabeça contra o encosto do confortável banco traseiro do táxi, que deveria me levar para casa, e fechei meus olhos, tentando afastar qualquer pensamento.

Tudo o queria era que minha mente ficasse em branco por alguns minutos, que eu não fosse capaz de nada e ninguém.

Eu me sentia cansada. Emocionalmente exausta. E havia chegado ao ponto em que não existia mais nada que eu pudesse fazer. De agora em diante, só me restava esperar e torcer para que minhas decisões – que nem de longe foram fáceis de tomar, resultassem em algo bom, me trouxessem paz e fosse capaz de me devolver o que eu não consegui viver sem: Edward.

Eu não saberia dizer se ele tinha ou não assistido a minha entrevista, mas independente da resposta, em algum momento ele saberia. Tudo o que eu esperança era que, de alguma forma, isso pudesse ajudá-lo a conseguir a guarda definitiva de Ben. Então, talvez, ainda houvesse esperança para nós.

...

Antes que eu deixasse o táxi, fui capaz de ver meu irmão parado próximo a entrada do meu prédio. Obviamente, katy, julgou eu precisaria de alguém ao meu lado hoje... Não posso dizer que seu julgamento estava errado, ela apenas havia enviado a pessoa errada.

Embora, eu soubesse que não poderia evitar Jasper para sempre e que, em algum momento, teria que encará-lo, eu não estava pronta para isso agora.

Eu não queria e, provavelmente, nem mesmo seria capaz de manter um conversa séria, carregada de amargura e memórias que só me atormentavam.

Eu só queria esquecer. Fingir, por alguns segundos, que nada aconteceu.

Eu continuei a olhar para Jasper, agradecida por ele não ter me visto, enquanto o táxi voltava a se mover. Silenciosamente, pedi perdão a ele, por sempre deixar a sua vida mais difícil.

...

Eu me sentei nos degraus que levavam a casa de James, me questionando se era uma boa ideia ter vindo até aqui. Estávamos mais próximos do que nunca, mas não era exatamente uma amizade, embora precise admitir que ele estivesse se esforçando bastante para ocupar esse cargo.

James era divertido, simples de lidar e o melhor de tudo, não fazia perguntas. Não insistia em assuntos que eu não queria falar e sempre encontrava uma forma de me arrancar um sorriso, mesmo que fosse falso e sem nenhum significado.

Era fácil gastar um tempo com ele. E, melhor do que passar todos os meus muitos minutos livres fazendo novos cortes... E depois os escondendo.

Eu nunca pensei que chegaria a isso... Eu havia descido o mais fundo possível, mas um pouco e eu, certamente, não conseguiria me reerguer mais uma vez.

O que me esperava de agora em diante? Qual seria meu próximo passo?

Olhei para rua escura e vazia e cheguei a conclusão de que no existia nenhum outro lugar para ir. Ao menos aqui eu poderia saquear algumas cervejas da sempre abastecida geladeira de James e, talvez, eu conseguisse convencê-lo a me deixar experimentar o que ele chamava de “fuga da realidade” – era exatamente o que eu precisava.

Embora, ele nunca tenha usado na minha frente, depois de ver os dois produtores em sua sala, na noite em que deixei a casa de Alice e Jasper, eu pude reconhecer o que antes eu imaginava ser cansaço ou uma ressaca.

Eu acho que sempre fui antiquada demais, careta mesmo... Nunca tive nenhum interesse em grande festas, drogas ou todas essas coisas que são facilmente encontradas no meu meio profissional.

Mas em minhas atuais circunstancias, que mal haveria em experimentar? Não poderia ser pior do que a minha caixinha de madeira, escondida em fundo falso no meu banheiro.

Ouvi o toque do meu celular e pensei em ignorar, como estava fazendo desde o momento em que deixei o estúdio mas, em algum momento, eu precisaria dar sinal de vida – embora, por dentro, eu me sentisse mais morta do que viva e fazer isso pelo telefone seria muito mais fácil do que pessoalmente, quando aqueles que me conheciam bem saberiam só de me olhar que eu estaria mentindo.

Não foi, de fato, nenhuma surpresa a quantidade de ligações perdidas. Assim como a maioria delas ser de Jasper e Alice, além de Rose e Esme e até mesmo um número desconhecido. Mas, foi impactante ver que existia uma ligação de Edward.

Eu ponderei por alguns segundos, tentando decidir se esperava que ele me ligasse de volta ou tentava, eu mesma, alguma comunicação.

Eu queria, com todas as minhas forças, ligar... Ouvir a sua voz. Mas, eu não encontrei coragem para isso.

Ainda sentindo meu coração aos saltos, eu me ocupei enviando uma mensagem a todos que haviam me ligado, dizendo apenas que eu estava bem, que não era necessário se preocupar e que eu ligaria em breve.

Não existia nenhuma verdade em minhas palavras, mas eles não precisavam saber disso.

Por fim, tentei encontrar algo que pudesse escrever a Edward, mas me pareceu difícil mentir para ele, mesmo através de um SMS e ainda mais difícil, dizer a verdade.

Eu tentei a única ligação que ainda existia entre nós: a preocupação mutua por Ben.

Você ligou. Há algo errado com Ben? – Foi tudo que consegui escrever.

Fechei meus olhos, mordi meu lábio inferior e, antes que perdesse a pouca coragem que tinha, apertei “send”.

Só alguns segundos se passaram até que o visor do meu celular voltasse a se acender.

Ele está com saudade. E queria falar com a mamãe...

Meus olhos se encheram de lágrimas e eu me perguntei se ele estava fazendo isso de propósito ou apenas havia digitado a mensagem pensando em outra pessoa.

O Edward que eu conhecia e amava não seria capaz de ferir, propositalmente, alguém assim... Com jogos de palavras.

Uma de minhas lágrimas caiu sobre o visor, agora apagado, mas eu permaneci sem me mover e continuei assim até que uma nova mensagem chegasse.

Se você puder... Quando você puder, ligue. Ele está esperando.

Um misto de raiva e decepção se uniu a minha tristeza.

Suas mensagens para Victoria estão sendo entregue a pessoa errada. Estou me obrigando a acreditar que é só um engano ou você aprendeu a ser cruel com ela?

Merda! – Sibilei, me arrependendo do envio da estúpida mensagem.

Por que eu tinha que continuar a mostrar a ele e a todos, a todo momento, o quanto tudo isso me afetava? Por que eu não conseguia seguir em frente, como ele? Por que tudo o que ele fazia me magoava tanto?

A resposta para tudo isso era o amor que eu sentia por ele, desde o primeiro momento em que o vi... Estava claro, até mesmo para mim, que meus sentimentos, há muito, deixaram de ser saudáveis e bonitos.

Eu estava viciada em Edward e ele havia me colocado em abstinência. Eu Precisava de uma dose, por menor que seja.

As mensagens são para você, Bella. Me desculpe, se eu não deixei isso claro. Eu nunca seria cruel, propositalmente, com você.

Tudo o que consegui pensar ao ler sua mensagem foi: então, me deixe voltar para casa.

Eu nem mesmo tentei secar as minhas lágrimas. Estava triste, chateada... Tudo com uma intensidade tão grande que eu me sentia beirando a insanidade e tudo, sem exceção, direcionando diretamente a ele.

Quando, exatamente, foi que ele deixou de ser o meu anjo da guarda e passou a ser aquele que, pouco a pouco, me destruía?

Eu poderia ter respondido que ele foi bastante cruel ao me deixar ir embora ou ao me enviar o pedido de divorcio, mas como a viciada que eu era, me prendi ao fato de que estávamos tendo uma espécie de conversa. O que era muito mais do que tínhamos feito desde a última vez em que nos vimos. Você enviou “mamãe” – Enviei de volta parecendo uma criança mimada, fazendo birra por ter seu doce predileto negado. De fato, não existiam tantas diferenças assim entre eu e a hipotética criança a qual me comparava. Me doce predileto havia sido negado e eu estava tentando consegui-lo de volta, com meu próprio sangue... Literalmente. Como resposta uma foto de nós dois juntos apareceu na tela e a sua voz melodiosa preencheu a minha audição. Eu apreciei a imagem e cada palavra da canção que ele compôs e havia cantado para mim no dia do nosso casamento:

“I don't want this moment
To ever end
Where everything's nothing
Without you
I'll wait here forever just to
To see your smile
'Cause it's true
I'm nothing without you”


Com as minhas mãos trêmulas, aceitei a ligação.

- Oi... – Sussurrei incerta e ao mesmo tempo excitada com a ideia de estarmos nos falando, depois de todo esse tempo.

- Tô com saudade! – A voz doce e manhosa de Ben chegou aos meus ouvidos, me arrancando um tímido sorriso e instalando um misto de decepção e alivio em meu coração.

Os minutos ao telefone com Ben eram os únicos em que eu ainda me sentia inteira... Em que eu conseguia sorrir de verdade. Mas, nesse momento, eu tinha esperanças de ouvir outra voz.

Eu me recusei a me entregar a decepção por não ouvir a voz de Edward. Existia um pequeno anjo do outro lado do telefone que sempre conseguia o milagre de me trazer um sopro de vida.

- Eu também estou com saudade, meu amor! – Respondi. – Eu sinto muito a sua falta. – Garanti porque era nada menos do que verdade.

- Quando você vai voltar? – Ele sussurrou e eu senti um aperto maior em meu peito por reconhecer a tristeza em sua volta.

Eu não sabia o que responder. Odiava o fato de ter que mentir para ele e odiava ainda mais não ser capaz de estar ao seu lado agora.

- Papai disse que você ia me ver na escola... – Ele continuou, me surpreendendo. — Você vai?

- Ele disse? – Não fui capaz de conter a centelha de esperança que surgiu em mim. – É claro que eu vou! Se o Papai disser que está tudo bem...

- Papai! – Ele gritou animado. – Mamãe vai!

Eu ainda podia ouvir seus gritos e Edward tentando diminuir sua euforia, mas tinha prendido minha respiração, tentando encontrar uma explicação racional para o que eu tinha acabado de ouvir.

- Ben? – Tentei chamá-lo. – Ben, o que você disse?

Obviamente, ele não me respondeu, continuava a dar gritinhos animados, ocupado demais com a sua felicidade para estar ciente do turbilhão de sentimentos que despertava em mim.

A voz de Edward se tornou um pouco mais alta e nítida, embora eu ainda não conseguisse compreender o que ele dizia, fazendo meu coração falhar uma batida, para logo em seguida começar a bater freneticamente.

Não existiam duvidas do quanto ele ainda me afetava e sempre afetaria e se todas s minhas ultimas ações não conseguisse nos unir novamente, o amor que eu sentia por ele me mataria... Lenta e dolorosamente.

- Ele está eufórico demais para se manter parado agora... – Edward me disse, pelo telefone, e eu pude sentir minhas lágrimas ganhando mais intensidade. – Eu acho que mais alguns minutos e ele vai se acalmar o suficiente para voltar a falar com você. Você se importa em gastar esses minutos falando comigo?

Em uma situação normal, eu acharia graça na insegurança que imaginei ouvir em sua voz. Eu sempre estaria mais do que disposta a gastar vários minutos conversando com ele. E ele sabia disso.

- Ele me chamou de “mamãe”... – Comentei debilmente, desejando que eu pudesse ter visto o rostinho dele nesse momento.

Droga! Eu queria ouvir isso de novo, uma e outra vez... Sem fim.

- Ele a chama assim desde que vocês se viram pela última vez... Na casa dos meus pais.

- Eu posso vê-lo? – Perguntei incerta. – Se for algum problema, eu apenas posso apanhá-lo na escola ou levá-lo... Só alguns dias. Por favor!

Quão patético era eu implorando por algum tempo com o filho dele, querendo, de alguma forma, cuidar dele como se fosse meu filho?

- Não há problema algum, Bella. – Ele respondeu após um tempo. – Ia ser ótimo se você pudesse passar um tempo com ele. Eu tenho certeza que Ben vai adorar.

- Mas você disse... – Comecei, realmente confusa com seu súbito consentimento, quando antes ele tinha deixado claro que não estava contente com nossa aproximação.

- Eu estava errado! – Edward me disse antes que eu pudesse terminar. – Eu estava errado sobre muita coisa...

Eu estava ao ponto de questioná-lo, intencionando saber o que ele, de fato, estava querendo dizer, quando a voz de Ben nos interrompeu, pedindo atenção, ao mesmo tempo em que os faróis do carro de James me cegaram.

- Ben, filho, apenas um minuto... – Edward tentou persuadi-lo, sem muito sucesso.

Eu, por minha vez, abaixei a minha cabeça, achando bastante constrangedor que James estivesse a alguns passos de distancia enquanto eu tentava manter uma conversa com Edward.

- Está tudo bem... – Disse, com a intenção de conseguir mais alguns segundos de sua atenção. – Você pode, então, me enviar o endereço da escola e o horário da saída por SMS?

- Claro! Mas antes, Bella, eu... – Ele não chegou a terminar o que ia dizer porque Ben escolheu esse momento para começar a chorar.

- O que houve? – Perguntei, me esforçando para ignorar a presença de James que, agora, estava parado a minha frente.

- Ben! – Eu consegui ouvir Edward repreendê-lo. – Pare com isso!

- Me dá! – A voz manhosa do meu garoto predileto soou alta. – Por favor, Papai!

- Nada de sorvete antes de ir para a cama pela sua pirraça.

Eu quase ri. De certa forma, ouvir a troca dos dois me fazia sentir próxima a eles, quase como se eu ainda fizesse parte da família.

- Eu tô de castigo... – A voz estava nítida agora, apesar do inconfundível tom choroso. – Papai está de mal comigo.

- Eu tenho certeza que ele não está de mal com você, querido. – Garanti, odiando saber que ele estava chorando e eu não estava lá para consolá-lo. – Mas, você deveria ser bonzinho e pedir desculpas pela manha que fez.

- Eu só queria falar... Você nem deu boa noite.

- E quando foi que eu desliguei sem te dizer boa noite? Eu ainda ia estar aqui... Falando com você por quanto tempo você quiser.

- Tá bom! – Ele fungou baixinho. – É que eu não contei do meu presente.

- Você ganhou um presente? Isso é ótimo! Vamos lá, me conte tudo...

Eu senti, mais do que vi, quando James soltou um impropério baixinho e passou por mim, em direção à porta de entrada da sua casa e me obriguei a olhá-lo. Ele me deu um aceno de cabeça e desapareceu porta à dentro.

No mínimo, constrangedor.

- Eu tenho um celular! – Ben praticamente gritou, ganhando minha total atenção mais uma vez.

- Um celular? Quem te deu um celular? Para que você precisa de um celular?

- Pra ligar pra você! Agora eu não preciso mais esperar a vovô Esme ligar... Mas, eu só posso ligar pra você ou pro Papai.

- E você sabe como fazer isso? – Perguntei descrente.

- Sei! – Eu ri do seu tom ofendido. – Eu tenho que apertar o botão verde.

Eu repremi um risada mais alta.

- Esse é o meu garoto inteligente! Se pai foi o responsável por isso?

- Vovô Esme me deu... Papai me ensinou a usar. Se eu te ligar aparece uma foto sua comigo e se eu ligar pro Papai aparece ele comigo no colo. É legal! Você quer ver?

- Claro que eu quero! Você pode me mostrar amanhã... O que acha?

- Oba! Eu vou contar pra minha professora...

- O que você vai contar a ela?

- Que você vai me buscar. Ninguém mais vai ser bobo comigo e você vai ser a mamãe mais bonita de todas.

- Oh Ben! – Eu nem mesmo tentei conter o soluço involuntário que escapou por meus lábios. — Obrigada, meu amor!

- Não chora! – Ele pediu, docemente. – Não fica triste, não. Eu te amo, Mamãe!

...

Como sempre acontecia, quando a ligação foi encerrada, eu senti o buraco em meu peito se expandir exponencialmente.

Era doloroso demais. Machucava demais.

E tentei limpar meu rosto com a palma da mão, mas era um movimento em vão, já que a cada vez que fechava meus olhos eu podia vê-los, claramente, em minha mente.

Eu daria a minha vida para estar com Edward e Ben agora.

- Eu odeio te ver chorar! – Senti uma mão pousar em meu ombro e logo em seguida, James estava sentado ao meu lado, na escada.

Ele sorriu para mim e com um movimento me mostrou as cervejas que tinha em mãos.

- Eu te vi hoje… Na TV. – Ele me ofereceu a garrafa de cerveja e eu a paguei, levando-a imediatamente a minha boca. – Você foi muito corajosa. Eu estou orgulhoso de você.

- Do que adianta? – Retruquei após terminar a cerveja que ele tinha me dado. – Você não tem algo mais forte que isso? – O sarcasmo em minha voz era evidente e eu não tentei esconde-lo – Vamos lá, eu sei que você tem mais que isso em casa.

- Eu sei o que você está me pedindo… Mas eu não vou te dar. Eu não vou ser aquele a te levar para o fundo do poço.

- Olhe para mim, eu já estou lá… E não tenho como voltar.

- Talvez você só precise olhar ao redor… Talvez sua felicidade não esteja onde você imagina que está… Talvez, exista alguém melhor para você.

Eu o olhei por um segundo e então lhe dei um sorriso triste.

- Minha felicidade está onde deixei meu coração.

- Esse é o ponto. Você deu seu coração à pessoa errada. – Ele apanhou a minha garrafa vazia e a colocou de lado, junto a sua. – Siga em frente!

- Fácil dizer... – Retruquei. – Não se escolhe a quem se entrega o seu coração; Não se escolhe a quem amar... É o amor quem nos escolhe. Destino. Puro e simples. Nós que complicamos tudo.

- Se é como você diz, não deveria existir amor não correspondido, separações ou desistências ao se deparar com o primeiro obstáculo. Se é destino, as duas pessoas deveriam se amar mutuamente.

- O que te faz acreditar que não é mutuo? – Perguntei irritada pela forma como ele tentava questionar o que nunca houve duvidas para mim.

Eu amava Edward. E ele me amava, eu acreditava nisso. Era tão claro quanto o céu em um belo dia de verão. As coisas poderiam estar um pouco complicadas agora, mas isso não transformava tudo o que vivemos ou sentimos em uma ilusão.

Todas as adversidades apenas confirmavam a certeza que sempre existiu: Eu não era nada sem Edward.

James me ofereceu outro sorriso e levou seus dedos até o meu rosto, percorrendo as marcas das lágrimas derramadas há pouco.

O toque era singelo e carinhoso, mas me fez sentir pior. Eu não queria as caricias de James ou de qualquer outro homem. Minha pele não ansiava por nenhum outro toque.

Experimentar qualquer gentileza proveniente de qualquer outra pessoa que não fosse Edward, só evidenciava minha dependência e impotência, só me fazia sangrar ainda mais.

Minhas lágrimas voltaram e eu tentei me desviar do seu toque.

- Ele não está aqui, Bella. Eu sou o único a enxugar as suas lágrimas agora... Como pode ser mutuo?

Eu não sei se ele tinha consciente de que suas palavras me feriam profundamente.

- Se dê uma chance... – O toque gentil se tornou um aperto que não me permitia mover o rosto. – Você ainda pode ser muito feliz... Com a pessoa certa.

Como ele não podia ver que não existia possibilidade real de felicidade para mim, se não fosse ao lado do homem que eu amava e do menino que havia conquistado meu coração?

- Não faça isso! – Pedi quando o vi aproximar seu rosto do meu. – Você vai estragar tudo.

Ainda assim, ele colou seus lábios nos meus e eu precisei usar toda a minha força para empurrá-lo.

Agora, eu tinha, também, nojo de mim mesma, para adicionar a minha lista de sentimentos contraditórios e doentios.

- Droga! – Gritei, me colocando de pé. – Eu tentei ser sua amiga... Merda! Eu pensei que você podia ser um bom amigo.

- E eu sou, Bella. – Ele respondeu calmamente. — E posso ser mais... Me deixe tentar.

- Eu não vou cometer o mesmo erro duas vezes, James. Eu aprendi a lição!

-Sério? – Ele alterou o tom de voz e também se levantou, parando a minha frente.Seu corpo maior que o meu, o olhar profundo, mas ainda assim, ele não me amedrontou. – Porque vamos ser bem sinceros, Bella. Você está me usando. É um fato!

- Você enlouqueceu...

- Não! É a verdade. E quer saber? Eu estou bem com isso. Você está sozinha. Nenhuma família, nenhum amigo... Então, eu sirvo. Eu posso ser uma boa companhia e, por alguns minutos, eu posso te fazer esquecer os problemas... É apenas uma relação de interesse. Admita!

Eu balancei a minha cabeça em um gesto negativo.

- Você sabe que...

- Está tudo bem, sério! – Ele continuou. – Só me dê a oportunidade de mostrar que eu posso ser tão bom quanto ele.

- Eu nunca te usei. – Foi a vez da minha voz se alterar. – Eu nunca menti ou escondi como me sentia. E eu nunca te prometi nada além d minha amizade. Eu fui honesta! Ao contrario de você, eu não tinha segundas intenções...

-Eu estou tentando ganhar seu coração, Bella. E para isso, eu preciso usar as armas que tenho a minha disposição.

- Eu não posso dar a você, ou a qualquer outro, o que já não me pertence.

Eu não esperei por uma resposta. Eu já tinha visto essa situação antes, já tinha vivido isso. Não existia nada que pudesse ser dito, nada que pudesse consertar o que nunca deveria ter começado.

Eu apenas desci, apressadamente, os degraus restantes e corri sem olhar para trás até encontrar um táxi.

Agora, meu vazio e impessoal flat parecia o melhor lugar para se estar. E eu poderia correr até o banheiro, me jogar no chão gelado e provocar alguma dor física para mascarar a dor constante da saudade.

Notas finais
Por favor, me deixem saber o que acharam, okay?
O próximo, provavelmente, será Edward POV o que vai esclarecer muitas coisas... Então, sejam boazinhas e me incentivem. :D
Obrigada por todos os comentários e recomendações!
PS: Para quem ainda não faz parte, te espero no meu group no face: Fanfics by Tatiana Oliveira.
xoxo