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70 Capítulo 07 – Fase III – Ciclo vicioso - Parte II


Notas iniciais
Ho ho ho
Feliz natal!!!

Capítulo 07 – Fase III – Ciclo vicioso — Parte II

“Um dia você aprende não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.”

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William Shakespeare

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Edward Cullen

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É engraçado ouvir as pessoas dizerem que o tempo cura tudo. Engraçado porque no meu caso o tempo não curou absolutamente nada, apenas criou uma espécie de película protetora. E essa película era tão frágil que qualquer descuido, por menor que fosse, era capaz de rompê-la. Geralmente, eu mesmo a rompia, sempre que agia masoquistamente e ligava para ela.


Talvez, eu já devesse ter desistido. Mas era mais forte do que eu. Eu não conseguia aceitar o fato de que tínhamos, realmente, chegado a linha final. Como aceitar que um amor tão forte acabou? Especialmente quando se tem a certeza de que os seus sentimentos e os da outra pessoa envolvida não desapareceram.


Eu ainda podia ouvir na voz dela, todas as vezes que nos falávamos – e mesmo com todo o esforço dela para se mostrar indiferente – que eu ainda a afetava. Talvez tanto quando ela me afetava.


A única coisa que me impedia de colocá-la contra a parede e fazê-la me ouvir era a culpa que eu sentia. Eu tinha criado essa situação. E não sabia como consertá-la. Não sem que Bella estivesse disposta a me ouvir. E ela não estava. Todas as vezes em que eu tentei falar sobre qualquer outra coisa que não fosse Ben ou futilidades, ela encontrava uma forma de me calar. Insistir, eu tinha percebido, só tornava as coisas piores. Apenas a faria me dizer que nosso casamento tinha acabado, por minha vontade, não a dela, é que era melhor mantê-lo assim. “Nós não existimos mais, Edward” – Ela costumava dizer e antes que eu conseguisse desmenti-la a ligação teria chegado ao fim. E os meus telefonemas seguintes seriam ignorados durante um tempo.

Eu confesso: em alguns momentos eu me sentia tão irritado. Por que ela não podia apenas ouvir o que eu tinha a dizer? Por que ela tinha que continuar a fugir? A fingir? A ignorar o fato de que nós dois pertencemos um ao outro?


Mas eu então eu me lembrava de tudo o que ela já teve que enfrentar e percebia que não podia culpá-la por fugir do que ela acreditava que a faria sofrer. Como eu poderia culpá-la por tentar se resguardar depois de todo o sofrimento com o qual ela já teve que lidar? Como eu poderia culpá-la por duvidar do meu amor depois de ter visto um vídeo em que eu estava fazendo sexo com outra mulher?


Sim. Eu podia entender o receio e a magoa. Mas, Deus, eu já não podia esperar mais.


Eu tinha me ocupado com o máximo de trabalho que eu poderia assumir sem voltar a descuidar do meu filho, mas nem o cansaço físico e mental era capaz de me fazer esquecê-la. Pelo contrário, a cada dia longe eu a queria mais e mais.


Mas agora, que eu tinha em mãos o que precisava para obrigá-la a ouvir as minhas explicações, eu não precisava esperar mais.


...


Se existia qualquer dúvida sobre deixar a impotência de lado e começar, efetivamente, a tentar recuperar o que me era vital, essa duvida desapareceu no momento em que eu vi uma nova foto dela. Era uma daquelas fotos que eu sabia que ela odiaria quando soubesse da existência, uma das muitas feitas por um paparazzo que tinha conseguido encontrá-la.


Ela estava sorrindo. E era um sorriso lindo, mas que quebrou o meu coração em milhares de pedaços.


Bem ao lado da mulher que eu amo, segurando a sua mão e retribuindo o seu sorriso, estava um homem que eu não conhecia, mas que a fitava com demasiada atenção. Exatamente, da forma como eu a olharia se pudesse estar ao seu lado.


Dizer que o ciúme corroeu o meu já despedaçado coração é desnecessário. Eu senti como se todo o ar dos meus pulmões tivesse sido expulso após um potente soco.


E o que tornava tudo pior é que eu, provavelmente, estava experimentando apenas um terço do que ela deve ter sentido ao ver aquele DVD.


Eu poderia dizer que estava provando do meu próprio veneno – embora eu nunca tenha desejado que aquela maldita noite viesse à tona — e não há dúvida de que era um veneno bastante corrosivo e seu efeito era dilacerar a minha alma.


E o único antídoto existente era recuperar aquilo que era meu por direito. Direito esse conquistado pela força do amor que compartilhamos.


Eu sinto muito, Bella. Mas eu já esperei demais, já lhe dei mais tempo do que deveria...


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Bella Cullen

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A hora de erguer a cabeça e voltar a encarar tudo o que eu tinha, propositalmente, deixado para trás estava chegando. Em uma semana, no máximo, eu deveria retornar a LA.


Kate tinha conseguido uma entrevista com um possível estúdio interessado no meu roteiro baseado no livro de Riley e se eu quisesse vê-lo nas telas dos cinemas, eu teria que comparecer.


Bom, eu sempre soube que não poderia permanecer em Traverse para sempre, mesmo que isso fosse o meu desejo. Mas, pelo menos, eu poderia aproveitar os últimos dias da melhor forma possível, da forma como eu venho sonhando desde que cheguei aqui: com o meu filho.


Eu mal podia acreditar que ele estava vindo para as férias de fim de ano ao meu lado. Esme e eu tínhamos combinado que ele poderia ficar por uma semana e então voltar para LA comigo para as festas. O acordo estava ótimo para mim, especialmente porque eu pretendia aproveitar o natal para recuperar o tempo perdido ao lado de meu irmão e os meus amigos.

Eu, provavelmente, estava mais animada – e nervosa — para isso do que a criança que deveria chegar a qualquer momento.


– Para que tanta apreensão? – Riley havia me questionado, enquanto eu arrumava a dispensa recém abastecida com todas as coisas que eu sabia que Ben gostava. – Você vai assustá-lo assim.


– Eu estou com tanta saudade. – Confessei com um sorriso. – Eu falei com ele todos os dias, alguns dias mais de uma vez, mas não é a mesma coisa que vê-lo e poder abraça-lo... Eu mal posso esperar para enchê-lo de beijos.


– Ele é um garoto de sorte por ter você.


– Não! – Rebati com convicção. – Eu é que tenho sorte por tê-lo. Ele me dá forças, todos os dias, para ser melhor... por ele.


Eu devo ter ficado horas falando sobre como o meu pequeno é encantador, até o momento em que Riley me disse que estava quase na hora. Ele deixou a minha casa, em direção a sua. Eu o apresentaria a Ben, mais tarde. E, claro, estava decretado que não demonstraríamos a evolução da nossa amizade para ele.


Sim. Ainda nos divertíamos juntos. Era uma espécie de amizade que beira o namoro. Nos beijávamos quando bem entendíamos, algumas vezes andávamos de mãos dadas... E estava sendo bom, mas eu simplesmente não conseguia ir além. Era como se existisse um botão para ativar as lembranças que eu tentava arquivar e esse botão era acionado, automaticamente, todas as vezes em que o beijo ganhava um pouco mais de vida.


Mas isso não me impedia de continuar tentado. Se Edward tinha conseguido, eu também conseguiria.


O soar de uma buzina me livrou dos pensamentos que eu não gostaria de ter e eu corri até a entrada principal.


A primeira coisa que eu vi foi um garotinho loiro e sorridente correndo em minha direção. Quando ele estava perto o suficiente, eu me abaixei e abri os braços para ele.


– Oi, meu amor! – Eu disse o prendendo em um abraço apertado. – Eu senti tanta a sua falta.


– Oi, mamãe! – Ele respondeu animado.


Eu o soltei, apenas o suficiente para olhar para o seu rostinho e abri um sorriso gigante ao constatar que ele estava mesmo comigo. Eu o enchi de beijo e sem que eu pudesse evitar, senti algumas lágrimas rolarem por meu rosto.


– Por que tá chorando, Mamãe? Tá triste?


– Não, meu amor! Eu estou muito feliz. Muito mesmo. Porque você está aqui comigo.


Ele usou as suas mãozinhas para secar as minhas lágrimas, em um gesto gentil e, absurdamente, similar ao que seu pai costumava fazer, em seguida depositou um beijo em cada um dos meus olhos. Eu quase voltei a chorar.


Ele era sem duvida a criança mais doce de todo o mundo. Meu pequeno pedaço de paraíso em forma de menino.


– Papai disse que você não pode chorar... – Ele me contou. – E sempre que chorar eu tenho que dar um beijinho.


– Meu pequeno cavalheiro! – Exclamei em tom de brincadeira. – Você aprendeu direitinho.


– Sempre tem que dar a mão, ajudar a sentar... quando eu estiver com uma menina.


Eu ri. Eu estava de frente para um mini Edward. Não existia dúvida de quem ele era filho. E, naquele momento, eu não podia estar mais feliz por isso.


Eu tinha perdido o homem que amava, mas tinha uma versão mirim dele para me ajudar a colar os pedaços do meu coração.


– E abrir a porta, lembra? – Eu senti o meu coração parar no momento em que eu ouvi essas palavras.


Como reflexo, eu apertei Ben um pouco mais em meus braços e tentei lembrar como se respirava.


Lentamente, muito mais lentamente do que o necessário, eu levantei a minha cabeça até que meus olhos pousaram no que eu desejei que fosse apenas uma alucinação.


Eu senti minhas mãos tremerem levemente ao encarar o par de olhos esmeraldinos e por pouco não desfaleci ao vê-lo estender a sua mão para mim, em um gesto tipicamente dele.


Eu me coloquei de pé sem a sua ajuda e dei um passo atrás.


– O que você está fazendo aqui, Edward?


Ele se aproximou, o suficiente para que eu pudesse sentir o seu cheiro inebriante, e agarrou a minha mão.


A familiar descarga elétrica percorreu o meu corpo e eu tive vontade de chorar. Todos esses meses longe, lutando contra mim mesma, e bastou que ele aparecesse na minha frente para que tudo, todos os avassaladores sentimentos, estivesse de volta.


Não era justo.


– Eu vim recuperar o tempo perdido. – Ele respondeu e antes que eu pudesse pensar em correr, ele já havia me puxado em sua direção e seus lábios se apossaram dos meus.


CONTINUA...



Notas finais
Por favor, seja gentil e me diga o que achou.
xoxo