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63 Capítulo 23- Fase II- A new life is comming for me


Notas iniciais
Olá,
Demorou, mas chegou. Eu sinto muito pelo atraso, mas a vida real tem clamado por atenção.
Boa leitura!

Capítulo 23- Fase II — A new life is comming for me.

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“Quando você tenta o seu melhor, mas não tem sucesso.

Quando você consegue o que quer, mas não o que precisa.

Quando você se sente cansado, mas não consegue dormir.

Quando as lágrimas começam a rolar pelo seu rosto.

Quando você perde algo que não pode substituir.

Quando você ama alguém, mas é desperdiçado.

Pode ser pior?

Bem no alto ou bem lá embaixo.

Quando você está muito apaixonado para esquecer.

Mas se você nunca tentar,você nunca saberá

O quanto você vale.”

Fix you — Coldplay

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Carlisle Cullen

O transito livre do fim de noite ajudou bastante para que o trajeto até o apart-hotel em que Bella morava atualmente fosse percorrido de forma silenciosa e tranquila, me permitindo refletir sobre a atual situação deles. Sabia que eles ainda teriam muito o que superar para poder voltarem a ser de fato um casal, e que aquela menina precisaria ser forte o bastante para compreender as decisões de Edward... principalmente aquilo que ele não teve coragem de compartilhar comigo e sua mãe.

Apesar de ter certeza de sua boa intenção, era inegável o quanto ele havia atingido-a, e o quanto ela havia ficado ferida pelas decisões que ele tomou, e que só o tempo poderia minimizar tudo aquilo... Para os dois.

Eu só podia esperar que não fosse tarde demais e que o amor evidente que um sentia pelo outro fosse suficientemente forte para amenizar todo o sofrimento causado.

Por sorte, o porteiro não se encontrava, o que me poupou de perguntas àquela hora da noite. Subi pelo elevador, sentindo um leve arrepio de tensão, como se me preparando para o que veria a seguir.

Fui tomado pela mesma apreensão que fez com que Edward me mandasse até aqui, quando toquei a campainha pela terceira vez seguida, sem resposta.

Insisti na campainha, mas não parecia ser o suficiente... Meu corpo todo parecia tomado por uma tensão intensa enquanto esperava impacientemente que a porta se abrisse, mas de alguma forma, sabia que Bella não me receberia.

Assim, resolvi forçar a porta, empurrando com força com meus ombros, até finalmente ceder. O local parecia escuro, e se não fosse por um som que pareciam ser gemidos e soluços baixos, acreditaria que o local estava vazio, porem, mais que os soluços, o inconfundível cheiro de sangue no ar me chamou atenção.

- Bella? — Eu chamei, mas não esperei por resposta e segui pelo apartamento a sua procura.

O que me aguardava no quarto era simplesmente perturbador. Via o corpo quase inerte de Bella na cama, e seu sangue deixava o lençol alvo completamente vermelho... Leves soluços faziam seu corpo estremecer, enquanto seus olhos pareciam grudados à tela da TV. Era absurdo demais o que a tela mostrava, e só podia rezar para que fosse uma montagem.

Por um momento, eu me vi paralisado pela visão do meu filho de forma tão intima com uma mulher... Não pelo fato de eles estarem fazendo sexo, mas porque o Edward que eu via no vídeo não se parecia em nada com o que eu conhecia: o homem que eu imaginava ter sabido ensinar como respeitar e tratar uma mulher; o homem que não escondia de ninguém o amor que sentia pela esposa... Simplesmente, não conseguia entender como tudo poderia ter virado de cabeça para baixo assim.

Eram perguntas que precisaria de tempo para serem respondidas. Neste momento, a prioridade era garantir que nada de pior acontecesse a Bella. Tomei seu corpo inerte nos braços, checando seus fracos sinais vitais, enquanto tentava fazer um torniquete no corte mais profundo em seu pulso.

Não havia tempo para aguardar a chegada de uma ambulância; alem do que, seria um escândalo a mais para a imprensa se banquetear, e sem pensar duas vezes, tomei-a no colo, carregando-a para fora.

Só me restava rezar para chegar ao hospital a tempo de salvá-la.

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Bella Cullen

Eu gostaria de manter meus olhos abertos, mas era uma tarefa praticamente impossível. Era como se o esforço de abrir minhas pálpebras fosse hercúleo demais para mim; tão difícil quanto tentar esquecer as dores que me assolavam ou o fato de que meus com meus olhos fechados, tudo parecia rodar a minha volta.

Deus! Eu sentia como se um caminhão tivesse passado sobre mim.

Um gemido baixo acabou escapando por meus lábios quando eu tentei me mover. Desisti no segundo seguinte.

Podia ouvir o barulho constante das máquinas que me monitoravam, indicando que estava em um hospital, e provavelmente com o alerta, uma das enfermeiras apareceu com um sorriso simpático.

- Shhiu... Tem de ficar quietinha, precisa descansar!

Por um segundo, pensei em perguntar o que tinha acontecido, mas, então, as lembranças me atingiram como um tsunami, provocando um novo gemido, dessa vez pela dor que massacrava meu coração.

Voltei a cerrar os olhos e embora o mundo continuasse a girar ao meu redor, eu pude ver, nitidamente, a imagem de Edward e Victoria juntos na tela da minha TV.

Em minha mente, revivi cada segundo, incluindo o momento em que minha dor foi tamanha que eu me decidi pela combinação dos meus remédios controlados e os cortes que, anteriormente, me traziam algum alivio.

Eu mal podia acreditar que tinha chegado a isso... Nunca foi a minha intenção.

Eu não queria chorar, mas foi impossível não lutar contra a dor que percorria o meu corpo e me encolher enquanto as lágrimas escorriam.

- Sua família está aqui, Sra. Cullen... – Ouvir a enfermeira me chamar pelo nome que já não me pertencia só potencializou tudo o que eu sentia. — Estão todos muito preocupados com a senhora... – Ela murmurou num tom mais baixo, como se compreendesse o quão miserável me sentia, — Vou avisar ao seu médico que acordou. Apenas relaxe um pouquinho...

Relaxar? Esse era um pedido impossível de ser cumprido. Como seria possível relaxar com a confusão que havia se tornado a minha mente?

Assim que o médico chegou, verificou meus sinais vitais e aparentemente, não havia nenhuma sequela física a minha grande burrada, mas por segurança, teria de ficar algum tempo hospitalizada.

Suponho que garantir que eu não voltaria a cometer o mesmo erro não seria o suficiente para convencê-lo, então me mantive tão quieta quanto possível.

- Num psicólogo virar vê-la em breve... — Ele me disse gentilmente.

- Não acho que seja necessário, Doutor. — Murmurei, no tom mais firme que conseguia.

- É política do hospital, senhora... É necessário passar por algumas consultas com o psicólogo do hospital depois do... Ocorrido.

Foi delicado da parte dele não mencionar a palavra “suicídio”.

- Cabe a mim, também, lhe perguntar se... – Ele continuou, alheio aos meus pensamentos, que naquele momento ameaçavam me levar de volta ao meu apartamento, de frente para àquele vídeo. -... Existe alguém proibido de realizar visitas? Neste momento, não seria bom nada que lhe emocionasse ao extremo.

As palavras foram murmuradas em num tom cuidadoso, buscando prestar atenção em todas as minhas reações... Principalmente ao que não demonstrava em palavras, buscando manter o máximo de tranquilidade para minha recuperação.

- Hmmm... Eu não quero receber visitas... Principalmente dos Cullen ou meus familiares... — Obviamente, era um pedido difícil para mim, mas era vital que me mantivesse isolada deles. Sabia que dificilmente eles acreditariam que não era meu objetivo tentar me matar... E pior, dificilmente poderia contar o que havia visto sem reabrir a caixa de Pandora que há muito custo estava tentando manter só para mim. Era melhor manter aquelas imagens como um pesadelo... Só um sonho ruim que havia me tomado uma noite qualquer, não como o fato que vi repetidas vezes naquele maldito vídeo.

O médico manteve seu olhar sobre mim por um tempo, me avaliando.

- Você tem certeza? – Ele, finalmente, disse.

Eu apenas assenti com um movimento de cabeça e sem me importar com o fato que parecia mal educada, me movi de forma que não precisasse mais manter uma conversa e passei a brigar comigo mesma, tentando impedir que tudo viesse a tona, mais uma vez.

...

Eu ouvi a porta do quarto ser aberta e desejei ser capaz de desaparecer. Mais uma consulta com um psicólogo era mais do que eu poderia aguentar no momento.

Era tudo tão... inútil. Ele, simplesmente, não acreditava quando eu dizia que nunca foi minha real intenção tentar o suicídio. Eu podia ver isso na forma como ele me olhava. E eu não estava disposta a falar sobre o que tinha acontecido naquela noite. Ou seja, não chegaríamos a lugar nenhum.

Eu gostaria de poder ir embora... Não de volta ao lugar onde um dia eu chamei de casa, muito menos ao apartamento onde todos os meus sonhos foram destruídos de vez. Apenas me obrigar a seguir em frente... Se possível.

Provavelmente precisaria mudar para algum outro lugar... Qualquer lugar onde não me conhecessem, pelo menos não pessoalmente, e não parecessem absurdamente interessados em minha história... Quem sabe voltar a estudar, ler, escrever... Queria simplesmente recomeçar longe daquilo tudo.

Eu sabia que sair de circulação por um tempo era o que precisava, que seria o melhor para mim... E embora soubesse que seria muito difícil sem a ajuda de alguém que me amasse estava decidida a isso. Apenas, uma coisa, ou melhor, uma pessoa me preocupava: Ben. Eu sabia que em seu coraçãozinho ele me amava como se fosse, de fato, sua mãe e não queria que ele se sentisse abandonado por mim. Mas, a verdade é que não existia muito que eu pudesse fazer. Talvez eu ainda pudesse manter contato... Ligar algumas vezes, me assegurar que ele soubesse que, independente de qualquer coisa, eu sempre o amaria.

O que era uma verdade. Mesmo que nunca mais voltasse a vê-lo, ele sempre seria meu menino... O filho que sempre sonhei em ter e provavelmente nunca teria. Mesmo por pouco tempo, ser a mãe dele foi algo maravilhoso e inesquecível para mim.

- Você está sonhando acordada? — Uma voz me tirou de meus devaneios. — Ou apenas ignorando a minha presença?

Eu me obriguei a me voltar em direção a voz que eu já tinha reconhecido.

- Um pouco dos dois... — Respondi olhando para James. — Não você, em especial, mas qualquer um que interrompesse meus pensamentos.

- Você sempre fez o tipo que pensa demais... – Ele tentou me fazer sorrir.

Não adiantou.

- O que você está fazendo aqui? – Questionei. – Eu proibi visitas.

- Você parece bem, Bella. Fico contente com isso... – Ele ignorou a minha pergunta.

Me decidi por ignorá-la também, não fazia a menor diferença, agora que ele já estava aqui.

Sorri de leve, para o seu elogio, mesmo que fosse um sorriso que obviamente não chegava aos meus olhos.

-Bem é uma palavra forte e que não se enquadra aqui, não quando todos acham que você acabou de tentar se matar.

- Bom, eu acredito no que você me disser...

- Então, você será o único.

- O que eu posso fazer? Tenho o dom de ser único... – Dessa vez ele conseguiu me fazer sorrir com um pouco mais de vontade. – Você quer conversar?

-Não, sinceramente...- Suspirei levemente antes de continuar — A única coisa que quero é sair daqui o quanto antes e começar de novo o mais longe possível.

- E quão longe seria isso? — Ele se aproximou um pouco mais, e se acomodou em um pequeno espaço vago na minha maca.

A proximidade era estranha, especialmente após o ocorrido na última vez que nos vimos.

- James...

Ele levantou os braços, fingindo rendição.

- Eu estou aqui como seu amigo, Bella. Nada além disso.

Eu me mantive em silencio. Eu queria isso? Ter um amigo por perto? Ter James como um amigo? Não seria um erro?

Eu havia, propositalmente, afastado todos, então, talvez eu devesse afastá-lo também.

- Me deixe te ajudar, Bella. – James voltou a falar, como se, de alguma forma, fosse capaz de saber o que se passava por minha mente. – Você quer deixar a cidade, não é? Pois então, me deixe ajudar... Porque eu tenho certeza que a comitiva lá fora não vai ficar nenhum pouco feliz com essa decisão.

Eu o olhei interrogativamente.

- Não... Eu não falei com qualquer um deles. – Ele respondeu como se soubesse a questão que eu estava lutando para não deixar escapar. – Eu não quis piorar as coisas.

Eu assenti, sem saber realmente como me sentia. Eu era, apenas, uma grande confusão.

- Pode parecer ridículo, mas eu te entendo... Provavelmente mais que qualquer um deles lá fora...- Seu olhar era penetrante, como se pudesse ler minha alma... Como se realmente entendesse o que eu desejava, embora nem eu mesma soubesse ao certo. — Eu vou te ajudar...

...

E James de fato me ajudou.

Três dias depois de nossa conversa, quando o médico, finalmente, me deu alta, ele estava lá e foi graças à presença dele que eu consegui seguir com o que sabia ser o necessário.

Todos estavam lá fora, Edward e os nossos amigos, esperando pela minha saída, a enfermeira que me trouxe o café da manhã tinha me dito.

Uma parte de mim, a maior parte de mim, apenas queria correr até lá e se jogar nos braços dele e fazê-lo jurar que tudo o que eu tinha visto naquele vídeo não passava de uma maldita e doentia ilusão; vê-lo só mais uma vez... Era essa mesma parte que ansiava pelo abraço protetor do meu irmão, as palavras de incentivo das minhas melhores amigas, a alegria contagiante de Emmett. Mas, eu sabia que se permitisse olhá-los jamais seguiria em frente.

Os últimos acontecimentos me fizeram ver com clareza: meu amor por Edward era doentio demais e, se eu não tentasse desesperadamente me manter sobre controle, esse amor me mataria... Literalmente.

Diferentemente do que todos pensavam, eu não estava ansiosa por pôr fim a minha vida, tudo o que eu queria, realmente, era não sentir mais o aperto em meu coração, era não ter lembranças ruins que me atormentavam... Eu vivia em meio ao caos há tanto tempo que mal conseguia me lembrar da Bella que eu era quando mais nova.

Nada, nunca, foi muito fácil para mim, é bem verdade. Mas, antes da minha formatura, eu ainda sorria, sonhava... E agora? Agora eu não passava de uma casca vazia do que eu havia sido quando mais nova.

Eu ainda amava Edward... Sempre o amaria. Mas nosso tempo juntos tinha chegado ao fim e eu precisava aprender a lidar com isso... aceitar isso, por mim, por ele... Por todo mundo.

Eu não queria mais ser um peso, uma preocupação constante para ninguém... Eu queria que meus amigos fossem felizes, que Edward fosse feliz.

Talvez esse seja o grande ponto em amar alguém de verdade. Meu coração havia sido despedaçado, muito além de possibilidade de conserto, mas eu não desejava o mesmo para ele. Nunca desejaria.

Eu senti o toque gentil de James em meu queixo, me fazendo olhá-lo.

- Você vai ficar bem? – Ele perguntou e, com cuidado, secou as minhas lágrimas.

- Eu... Eu não sei. – Admiti.

- Então, me prometa que vai me chamar se acontecer alguma coisa, se...

- Eu não posso prometer isso, James. – Disse me colocando de pé e tentando encontrar alguma coragem. – Eu estou indo embora e não quero olhar para trás... Eu quero reaprender a andar com minhas próprias pernas.

Ele me olhou, por longos minutos, seus profundos olhos azuis me avaliando até que eu passei a me sentir desconfortável.

Lhe dei as costas e apanhei o casaco que ele havia me entregado quando chegou, junto com as roupas que eu usava agora, e o coloquei. Estava quente demais em LA, mas não queria olhares curiosos sobre os curativos sobre meus pulsos.

- Você trouxe tudo? – Disse, apenas para quebrar o silêncio.

- Tudo o que você me pediu... – Ele respondeu apontando para a minha mochila. – Algumas roupas, todos os seus documentos e cartões... O seu celular.

- As fotos? – Questionei.

James assentiu no momento em que eu me questionava se seria uma boa ideia manter fotos de quem eu estava me afastando, mas o fato é que eu precisava de qualquer coisa deles comigo. Eu não estava indo embora para cair de cabeça em uma nova ilusão, onde eu fingiria esquecer tudo que já vivi... A intenção era aprender a lidar com os acontecimentos e não me enganar.

Levei meus dedos até o cordão em meu pescoço e apertei o pingente que representava o meu menino... Mesmo que eu quisesse, eu jamais poderia esquecê-lo.

- E o vídeo?

- Está aí, Bella... Embora eu ache que o melhor seria quebrar esse DVD e esquecer que ele um dia existiu.

- Não, James... – Eu sussurrei. – Eu quero vê-lo de novo, todos os dias, até que consiga olhar para aquelas imagens sem sentir meu coração ser arrancado, até que eu... Supere isso.

- Isso é tortura... – Ele rebateu.

- Ouvi dizer que tratamento de choque funciona às vezes... – Tentei fazer piada de minha própria desgraça. – De qualquer forma, eu já tentei todas alternativas paliativas. O que pode ser mais drástico do que cortar os pulsos?

- Eu vou vê-la novamente, algum dia? – Ele resolveu que era o momento para as despedidas emocionais. Eu não as queria, mas não podia negar isso a ele, como estava negando as pessoas que estavam lá fora.

- Eu não sei... – Foi um impulso, mas eu não me arrependi de ter lhe abraçado quando vi que seus olhos começaram a ficar marejados. – Provavelmente, sim.

- Eu vou sentir a sua falta... – Ele retribuiu o abraço e beijou a minha testa.

- Você é um bom amigo, James. Obrigada! – Depositei um beijo em sua bochecha. – Prometa para mim que você vai ficar bem e encontrar alguém que o faça feliz.

Ele sorriu, um sorriso sem brilho algum.

- Vamos pular essa parte, okay? E partir para o momento em que você vai embora sem olhar para trás...

Embora ele tentasse mascarar, eu podia sentir a dor em sua voz.

- O que está pensando fazer? – Perguntei porque cheguei a conclusão de que conversar sobre sentimentos não era a melhor escolha de todas e porque eu precisava saber o que ele tinha em mente para permitir minha "fuga" daquilo tudo.

- Distraí-los um pouco. — Ele sorriu de leve e piscou para mim.

...

Eu não cheguei a ver ninguém. Antes de deixar o quarto, James havia me dito para seguir o caminho contrario ao dele, o que me levaria a uma outra saída. Foi o que eu fiz e quando, finalmente, cheguei à rua, coloquei os óculos escuros que estavam em minha mochila e usei o capuz do casaco para cobrir minha cabeça.

Foi difícil, mas eu não olhei para trás.

...

- Para onde? – O taxista me perguntou, assim que eu me acomodei no banco traseiro de seu carro.

- Basta andar por aí... — Eu senti, mais do que vi, o olhar de desaprovação, então alcancei uma nota de U$100,00 dólares em minha carteira e o entreguei. – Antes de o taxímetro chegar a isso, eu te direi para onde ir.

Eu retirei os óculos e abaixei o capuz, antes de procurar pelo meu celular. Existia alguém com que eu precisava e devia falar.

...

- Mamãe? – A voz doce de Ben chegou aos meus ouvidos, após a ligação para o celular dele ser completada, e eu levei minhas mãos aos lábios tentando conter o choro.

- Oi, meu amor... – Eu disse baixinho. – Eu estou com muita saudade.

- Eu também... – Ele respondeu. – Vovó disse que você tá dodói... Por isso não tá aqui.

- É verdade, meu amor. – Não uma mentira em tudo. – Mamãe está doente e por isso vai precisar ficar um tempo longe...

- No hospital? – Sua vozinha soou triste. – Eu não posso ir te ver? Eu fiz um desenho bem bonito!

Um soluço escapou por meus lábios e eu tentei, com muito afinco, não desmoronar completamente.

- Meu anjo, a mamãe precisar ir para outro lugar... E é longe. Você tem que ficar aqui e ir para a escola, lembra?

- Eu não gosto da escola!

- Eu sei, meu amor. Mas, existem escolas bem legais... Eu tenho certeza que você vai adorar a sua nova escola e vai fazer muitos amigos lá.

- E o desenho? É pra você e...

- Eu tenho certeza que está lindo. – Garanti. – Por que você não guarda para mim?

- Eu vou fazer outros... – Ele disse baixinho e me cortou o coração quando ele começou a chorar. – Fica comigo, mamãe!

Minhas mãos tremeram quando eu respirei fundo para continuar.

- Eu sempre vou estar com você, meu amor. No seu coração, lembra? E você sempre vai estar no meu. – Fiz uma pausa, tentando me manter sobre controle. – Você lembra do que eu te disse quando viajei? Você sempre vai ser o meu menino predileto! E você pode me ligar, você é um menino grande agora e tem um celular, não é? O que acha de me ligar todos os dias antes de dormir para que eu possa te desejar boa noite?

- Eu posso?

- É claro que sim, baby!

- Vovó quer falar com você... – Ele fungou.

Eu não fui ingênua o suficiente para imaginar que não correria esse risco ao decidir manter contato com Ben, mas eu tentaria manter isso apenas entre nós, por quanto tempo fosse possível.

- Diga a vovó que eu estou bem, mas eu preciso desligar agora... – Me agarrei ao meu colar com o máximo de força possível. – Eu te amo, filho!

- Eu também te amo, mamãe! – Eu o ouvi dizer antes de encerrar a ligação e desligar o meu aparelho celular.

Naquele momento, não existia nada que eu desejasse mais do que correr até Ben e o abraçar, confortá-lo e garantir que em meu coração ele sempre seria meu filho. Mas que mãe eu poderia ser se estava constantemente fora de controle, a cada segundo me afundando cada vez mais?

Você precisa fazer isso... Por você, por ele... Por Edward. Por todos. ­ – Recitei em minha mente e me obriguei a inclinar o corpo e bater levemente, com os nódulos de meus dedos, no vidro que me separava do taxista.

- Para o aeroporto... – Eu disse quando ele me olhou através do retrovisor.

Eu estava deixando tudo para trás e indo em busca de uma nova vida... Eu só podia esperar que desse certo.

CONTINUA...

Notas finais
Espero que tenham gostado e conseguido entender, ao menos, um pouco do turbilhão de sentimentos que regem, no momento, a nossa heroína.
Muito obrigada por todos os comentários. Por favor, continuem a me dizer o que acharam.
Nos vemos em breve!
xoxo