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73 Capítulo 10 - Fase III - Let's talk - Parte II
Notas iniciais
Capítulo 10 — Fase III — Let’s talk – Parte II
Edward Cullen
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Doía ver a forma como tudo o que eu tinha dito e mostrado a Bella tinha atingido-a. Doía vê-la tão perdida em pensamentos ou com os olhos repletos de lágrimas. E, acima de tudo, doía saber que ela não me permitiria ser o seu suporte agora.
Para alguns pode parecer que meu fardo, no que diz respeito à estabilidade emocional de minha esposa, era grande e pesado demais. Mas, para mim, nunca foi nada além de gratificante. Saber que com um toque ou um sussurro eu poderia fazê-la ficar bem era... Indescritível, porque mostrava o quão inabalável era o nosso amor. Obviamente, eu não queria vê-la em nenhuma das suas antigas crises de pânico. No fundo, gostava e me sentia orgulhoso dessa Bella forte e mais independente. Mas eu sentia falta, em demasia, de consolá-la em um momento de tristeza, de poder envolvê-la em um abraço e permitir que minha camisa ficasse encharcada pelo seu choro... Só Deus sabe que eu permaneceria a vida inteira a mantendo segura e em paz se fosse necessário.
No entanto, no momento, tudo o que eu pude fazer foi observar a forma como ela se sentou na areia fofa dos fundos da sua casa, bebericando de uma taça de vinho, tentando processar tudo o que eu tinha lhe feito enxergar.
Infelizmente, nossa conversa, em meu quarto, foi interrompida por um Ben molhado e faminto. Obviamente, Bella aproveitou a oportunidade para voltar a fugir de mim. E eu estava tentando lhe dar tempo para digerir tudo, mas não tempo suficiente para perdê-la definitivamente.
Nossa estadia, minha e de Ben, em Traverse City chegaria ao fim no dia seguinte e essa noite era todo o tempo que eu tinha para tentar convencê-la de que o nosso amor ainda era forte o suficiente e que valia a pena vivê-lo sem restrições.
É claro que eu podia entender o seu receio. Saber a minha versão dos fatos, certamente, não mudava a forma como as minhas atitudes a tinha feito sofrer. Infelizmente, eu não podia voltar no tempo e tomar decisões diferentes ou apagar as consequências dos meus atos. Mas eu tinha aprendido a minha lição. Nunca mais a subestimaria, nunca mais a manteria no escuro, nunca mais correria o risco de perdê-la... Se eu tivesse uma nova oportunidade.
E eu faria qualquer coisa por essa nova oportunidade.
– Você se lembra da primeira vez que eu a vi? – Eu sussurrei do meu lugar as suas costas. Eu a vi estremecer, talvez pela surpresa da minha presença ou talvez por não desejar me ter por perto.
– Como eu poderia esquecer? – Eu desejei poder ver os seus olhos, então contornei a sua forma pequena e me ajoelhei a sua frente.
– Não fazia ideia do porquê, mas tudo o que eu queria era te abraçar e fazer com que você ficasse bem... E na primeira vez que eu a vi sorrir, eu desejei ser capaz de trazer aquele sorriso de volta uma e outra vez. E na primeira vez que nos beijamos, eu desejei ter os seus lábios nos meus para sempre. Nada disso mudou. Eu ainda quero te envolver em meus braços, ainda quero cuidar de você, ainda quero desfrutar dos seus mais lindos sorrisos e quero ter meus lábios nos seus, agora e sempre. Se algo mudou durante esses anos, foi apenas a intensidade do que sinto. Eu a amo mais do que amei no principio e, provavelmente, a amarei cada vez mais.
– Eu... Eu só... – Ela levou seus dedos até o meu rosto em uma caricia suave. – Eu não consigo. Eu sinto como se um pedaço do que somos tivesse sido quebrado e por mais que eu tentei juntar os cacos e colá-los, eu não consigo mantê-los juntos. A rachadura permanece, pronta para voltar a separar os cacos assim que a oportunidade surgir.
– Você não pode. – Eu concordei. – Eu não posso. Sozinhos nós nunca conseguiremos. Mas juntos...Juntos, talvez, sejamos capazes. Eu sei. Você sabe. Vale a pena tentar. Por tudo o que já vivemos e por tudo que ainda podemos viver. Nós só funcionamos bem juntos. Nós nascemos para ficar junto... Não jogue isso fora por conta dos meus erros. Eu quebrei a sua confiança, Baby. Eu sei. Mas tudo o que estou pedindo é uma chance de tentar consertá-la.
– Eu gostaria que não fosse assim. Gostaria que você não me afetasse tanto. Gostaria de não...
– Gostaria de não me amar. – Eu completei com tristeza e compreensão. – Eu posso entender o que sente. De minha parte, apenas gostaria de nunca tê-la feito se arrepender de me entregar seu coração. Porque eu sei, Bella, eu vejo nos seus olhos, sinto no seu toque. Seu coração é meu, como meu coração é seu.
– Quando você me beijou... – Sua voz falhou. – Eu senti meu coração parar, por um segundo tudo foi como antes, mas então tudo o que me veio à mente foi a sua imagem junto a Victoria. Como eu posso tentar mais uma vez se toda vez que você se aproxima, se toda vez que você me toca eu o vejo com outra mulher? Eu sei, agora eu sei porque você fez o que fez. E eu me sinto péssima por tê-lo feito acreditar que precisar chegar a esse ponto por mim, mas saber que sua intenção era me proteger não apaga essa maldita imagem da minha cabeça, não arranca essa maldita dor do meu peito.
– Me deixe tentar, Bella. Tentar arrancar tudo isso de você. Tentar reconstruir tudo o que eu quebrei. Tentar reconquistar tudo o que perdemos.
Ela afastou sua mão do meu rosto e lutou para ficar de pé.
– Não há nada que eu deseje mais do que isso... Mas eu, simplesmente, não consigo.
Eu a vi correr para dentro de casa, largando a taça de vinho pelo caminho.
Talvez eu devesse ter dado a ela mais tempo. Talvez eu devesse aceitar a sua decisão. Talvez eu devesse digerir o gosto amargo da perda... Mas tudo o que fiz foi correr atrás dela, motivado pelo desespero, pela dor, pelo medo.
Ela pretendia se trancar no quarto e, possivelmente, chorar a noite toda, mas eu frustrei os planos ao impedi-la de fechar a porta.
– Por favor, Edward...
Eu a prendi contra uma parede, minhas mãos em volta do seu rosto.
– Eu preciso de você, tanto quanto preciso de ar. – Ela tentou mover o seu rosto para longe do meu. – Olhe para mim, Bella. Olhe para mim! O que você vê? Você vê o mesmo homem de antes? Porque eu não sou mais aquele homem. Eu estou perdido, completamente, perdido sem você. E a única forma de encontrar o meu caminho de volta para casa e com você me guiando.
– Eu sinto muito...
– Não! O que eu preciso que você sinta é amor. O mesmo amor que te trouxe para mim. O que eu preciso é do seu olhar apaixonado sobre mim, é do seu toque... é do seu perdão.
– Não faça isso, Edward. Eu... eu ainda te amo, mas...
Eu não a deixei terminar. O “mas” não importava, não quando existia o amor, o mais poderoso sentimento do mundo.
Eu colei meus lábios nos dela. E praticamente ouvi o coro dos anjos quando ela suspirou e correspondeu aos meus beijos.
Eu não queria soltá-la, não queria que o beijo acabasse... por isso nos obriguei a permanecermos colados até que o ar faltasse.
Seu rosto estava corado, pela pequena falta de ar, e marcado pelas lágrimas.
– Isso, Bella. Seus lábios... Deus! Eu preciso deles.
– Edward, eu...
– Uma tentativa, Bella. Uma tentativa é tudo o que eu estou pedindo.
– Uma tentativa. – Ela repetiu e, para minha alegre surpresa, me puxou para mais um beijo.
Dessa vez suas mãos passearam por meu cabelo, por meu rosto, se prenderam em meus pescoço, arranharam os meus braços.
– O seu toque... Eu preciso dele também. – Sussurrei contra os seus lábios.
Ela me deu um sorriso hesitante.
– Uma tentativa. – Ela repetiu. – E eu vou tentar com todo o meu coração.
Como, absolutamente, tudo que ela fazia.
Eu caí de joelhos a sua frente, abracei as suas pernas e chorei de felicidade por essa nova chance.
Delicadamente, ela se abaixou e secou as minhas lágrimas.
– Eu não posso garantir que vai funcionar... Eu não posso garantir que vou ser capaz de esquecer... Eu não posso garantir que não vamos nos machucar novamente.
– A única forma de me machucar é perdendo você.
– Se vamos fazer isso, você tem que me prometer que nunca mais vai esconder nada de mim.
– Eu prometo! Nunca mais.
– E... Podemos ir devagar? Eu não estou pronta para voltar... Para casa. Ou para um novo casamento.
Eu sorri para ela.
– Nós não precisamos de um novo casamento. Você ainda é minha esposa. Isso nunca mudou.
– Mas...
– Eu nunca assinei, Bella. Não existiu divorcio. Você ainda é, e se Deus quiser sempre será, a Sra. Cullen. Mas se você não quer voltar para casa... Não importa, não se você me deixar fazer parte da sua vida, não se eu e Ben fizermos parte da sua vida.
–Vocês são os meus rapazes, meus amores. Não existe nada mais na minha vida.
E para comprovar a sua declaração, ela voltou a me beijar. Um beijo mais ardente e necessitado do que o anterior.
– Agora, por favor, mate essa saudade sufocante que eu tenho sentido de você.
Ela não precisou pedir duas vezes.
...
Eu não sei, exatamente, como descrever a sensação de poder dormir com a mulher que eu amo em meus braços, sentindo o calor do seu corpo – suado e nu por nossos esforços em matar a saudade -, apreciando o leve peso de sua cabeça sobre meu peito. Parecia um sonho... e por medo de que tudo, de fato, não passasse de um sonho bom, eu lutei contra o cansaço até que meus olhos cederam e se fecharam.
Quando voltei a abri-los o quarto estava tomado por raios de sol e o lugar, ao meu lado na cama, estava vazio. Se não fosse o delicioso e inebriante cheiro de Bella e o fato de que eu estava em seu quarto, eu me perguntaria se os últimos acontecimentos não tinham passado de ilusão.
Eu a encontrei na varanda, seus olhos vagando entre Ben, que corria por perto, e Riley.
Não posso negar que senti a costumeira pontada de ciúme. O sentimento me fez parar a alguns passos de distancia.
– Eu sinto muito... – A ouvi dizer baixinho. – Eu não deveria ter feito isso. Não com você.
– Você está arrependida? – Ele questionou.
Bella o olhou por um segundo e então afastou seu olhar.
– Estou arrependida por tê-lo magoado. Mas não pelo o que aconteceu.
Ele, surpreendentemente, sorriu para ela e a puxou para um abraço.
– Nós dois sempre soubemos que isso ia acontecer. – Ele comentou. – Você nunca foi nada além de honesta comigo.
– Eu queria que desse certo... Eu e você. De verdade. – Ouvi-la dizer isso cravou um punhal em meu peito. – Eu me sinto segura, tranquila, em paz com você.
– Mas você não sente borboletas no estomago, você não sente uma vontade louca de correr para mim quando me ver, você não se excita com os meus beijos e, jamais, nem por um momento, me desejou como um homem.
– Você fala como se fosse impossível que alguém o amasse.
– Não alguém, Bella. Você. E é impossível que você me ame dessa forma porque você ama outro homem.
Felizmente, ela não negou.
– Eu quero que você seja feliz. Gostaria de fazê-lo feliz.
– Você me fez muito feliz nos últimos meses, como eu não era há muito tempo. E pode continuar a fazer... Apenas como minha amiga.
– Você é o melhor amigo que alguém poderia desejar ter. Por você, eu gostaria de poder trazer Bree de volta.
Eu vi no momento em que Riley depositou um beijo na testa da minha mulher.
– Eu também gostaria que você pudesse.
Eu poderia ter feito a minha presença evidente, mas preferi deixá-los sozinhos. Riley tinha curado as feridas dela, algumas que eu mesmo provoquei, outras que eu não tinha sido capaz de cuidar. Agora ele era parte da vida dela. Eu precisaria aprender a lidar com isso e encontrar uma forma de demonstrar a minha gratidão por ele ter sido o que ela precisava, o que eu deveria ter sido.
...
– Você tem certeza que não quer ir conosco? – Eu perguntei, pela milésima vez, quando me preparava para partir.
Ben já estava acomodado em seu lugar, no assento do carro alugado. Ele tinha chorado, pedido para não ir. Foi difícil, para mim e Bella, vê-lo assim, mas foi bom poder garantir que logo tudo voltaria ao normal, assim como foi lindo a forma como Bella, pacientemente, o manteve no colo, sussurrando palavras gentis no seu ouvido e prometendo que o veria dentro de alguns dias.
– Eu ainda preciso resolver algumas coisas... Quero manter a casa para uma visita futura e me assegurar de que Riley, realmente, vai ficar bem. – Eu não posso dizer que gostei da sua honestidade, mas a conhecendo como a conhecia sabia que não poderia esperar nada diferente disso. – Eu estarei em LA em alguns dias.
– Nós podemos ficar... – Sugeri.
Ela sorriu para mim.
– Tanto quanto eu quero tê-lo por perto, nós precisamos disso... Nós vamos devagar, lembra?
Eu assenti.
– Eu vou ligar... o tempo todo.
Seu sorriso se tornou ainda maior.
– Manterei o celular ligado. – Garantiu. – Eu vou sentir saudade.
– Não tanto quanto eu. – Fiz um pequeno beicinho e ela me beijou.
– Cuide dele para mim. – Ela pediu apontando para Ben.
– Se cuide para mim. – Eu pedi, me recusando a soltá-la. – Eu te amo!
Antes que essa despedida ficasse ainda mais difícil, eu me obriguei a deixar meus braços caírem e me apressei a entrar no carro.
Eu adoraria ouvi-la dizer que sentia o mesmo, mas sabia que ainda estava cedo demais. Nós ainda teríamos uma longa estrada para percorrer até que voltássemos a ser o mesmo casal de antes.
Eu me recusei a lhe lançar um último olhar porque já estava sendo difícil demais ter que partir. Coloquei o carro em movimento e tentei alegrar o menino no banco de trás.
– Só mais uns dias, filho.
Ele não me deu muita atenção, mas nós dois nos movemos ao mesmo tempo quando ouvimos a voz feminina gritar do lado de fora.
– Eu também te amo! – Meus olhos se voltaram para ela e sem conseguir evitar um sorriso se formou em nossos rostos. – Eu amo! Amo vocês dois!
Foram as melhores e mais significativas palavras que eu já tinha ouvido em toda a minha vida.
Notas finais
xoxo
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