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74 Capítulo 11 - Fase III - Lapidar


Notas iniciais
Olá,
tardo, mas não falho.
Sinto muito pelo longo tempo de espera, mas tenho feito o meu melhor para dar conta de tudo.
Espero que gostem. Boa leitura!

Capítulo 11 – Fase III – Lapidar

“O fim só existe para quem não percebe o recomeço.”

Bella Cullen

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Eu não estava nervosa ou temerosa quando os meus pés tocaram o solo do aeroporto de Los Angeles, mas ainda existia aquele friozinho na barriga proveniente de uma grande expectativa. Eu estava, ao mesmo tempo, voltando para a minha antiga vida e começando uma nova.


E embora eu, realmente, quisesse que tudo desse certo, eu, ainda, não sabia se seria isso o que aconteceria. Tudo o que eu sabia é que precisaríamos – Edward e eu – nos focar no que, de fato, importava: o amor que sentimos um pelo outro. Só assim para deixar o passado em seu devido lugar e reconquistar a confiança.


Teríamos um longo caminho pela frente, mas eu estava disposta a percorrê-lo, desde que sua mão estivesse segurando na minha durante todo o trajeto.


Era imprescindível que não houve mais segredos – grandes ou pequenos –, mentiras – com boa intenção ou não -, e, claro, que não subestimássemos mais o outro.


Eu estava confiante e disposta a fazer com que funcionasse. Por mim, por Edward e, principalmente, por Ben. Ele merecia uma família. Uma família como deve ser, com pessoas que se amam, se protegem e que fazem o possível e o impossível para ver aquele sorriso bonito no rostinho infantil que significa tudo para os seus pais.


Não existia duvidas, pelo menos não para mim, que Benício Cullen era o maior responsável, mesmo que indiretamente, por nossa reconciliação e que ele, sempre seria, a nossa ancora, no bom sentido. Aquele que manteria nossos pés nos chão e que nos faria sentar, conversar e tentar resolver qualquer problema.


O desejo de proteger, amar, cuidar de Ben aliado ao amor que sentimos um pelo outro era a receita para que conseguíssemos salvar o nosso casamento. E eu a estava preparando com a maior dose de atenção e amor possível.


No entanto, eu ainda não estava preparada para recomeçarmos de onde paramos. Eu queria, e deveria, ir com calma. Oficialmente, ainda, éramos casados – como Edward me deixou saber em nosso último encontro – mas algumas coisas tinha quebrado entre nós e eu queria consertá-las antes que dividíssemos o mesmo teto. Porque no momento em que eu voltasse a viver em nossa casa eu nem mesmo gostaria de cogitar a possibilidade de ter que voltar a deixá-la.


Obviamente, eu não esperava que Edward achasse essa uma boa ideia. Mas esperava que ele entendesse. No entanto, no momento em que eu me vi sendo recepcionado apenas por Jasper, Alice e Ben, eu me questionei se a conversa prévia que havíamos tido antes que eu embarcasse fosse o motivo para a sua ausência.


Eu tentei reprimir, mas senti uma pontada de desapontamento.


– Mamãe! – Eu me concentrei na voz doce de Ben e me abaixei para abraçá-lo.


Só alguns dias tinham se passado desde que eu o vi, mas eu tinha sentido tanto a sua falta. Eu sempre sentiria. Ele era uma parte de mim agora e não vê-lo, todos os dias, sempre me deixaria nostálgica.


– Meu amor, eu senti tanta a sua falta.


Eu o peguei no colo e o mantive preso em um abraço apertado por tanto tempo quanto ele permitiu.


Eu senti um beijo molhado na minha bochecha e seus bracinhos ao redor do meu pescoço. Era a melhor sensação.


– Será que eu também posso dar as boas vindas? — Eu sorri, um sorriso verdadeiro, para o meu irmão e o puxei para um abraço compartilhado.


– Eu também senti sua falta, Jazz. Mas eu ainda não estou pronta para soltar esse pequeno travesso.


Meu irmão depositou um beijo em minha testa.


– Minha irmãzinha não é mais a menininha que eu costumava levar para passear. – Ele manteve Ben e eu colados a si. – E eu não poderia estar mais orgulhoso da mulher e mãe que ela se tornou.


Eu senti os meus olhos marejarem.


Tinha sido uma longa e difícil caminhada até aqui. Jasper sempre tinha estado ao meu lado, embora muitas vezes não concordasse com a forma como eu conduzia a minha jornada. Ouvi-lo dizer que se orgulhava de quem eu tinha me tornado, mesmo com todos os problemas que causei a ele e a todos que se importavam comigo, me fazia sentir orgulhosa de mim mesma.


Não. Eu ainda não era 100% quem eu queria e chegaria a ser, mas eu, finalmente, tinha encontrado a estrada correta a seguir e tinha aprendido a ditar meu próprio ritmo e limitações.


Minha vida até aqui tinha sido uma grande escola e eu tinha tirado de todas as lições impostas o melhor aprendizado possível e agora sabia como ordená-los para tornar tudo mais fácil.


– Nada de lágrimas. – Eu desviei o meu olhar emocionado até a minha melhor amiga. – E, por favor, abram espaço que eu também preciso de um abraço.


Relutantemente, eu entreguei Ben para Jasper e, praticamente, fui sufocada por Alice.


– Eu juro por Deus que se você sumir, mais uma vez, dessa forma, eu nunca mais falo com você.


– Eu sinto muito, Alice. – Retribui o seu abraço o melhor que pude. – Não vai acontecer novamente. – Prometi.


E não iria mesmo. Mesmo se todo o resto desse errado, eu lidaria com o que quer que fosse com a minha cabeça erguida, da melhor forma possível e sem magoar pessoas tão importante para mim.


– Eu estou feliz que vocês tenham vindo me buscar. É bom ver rostos conhecidos e que eu amo tanto logo ao chegar.


– Todos gostariam de ter vindo. – Minha amiga respondeu. – Mas isso causaria uma grande comoção, não acha? Nós queríamos evitar os paparazzi e uma exposição que sabemos que você não gosta.


– Eu agradeço.


– Infelizmente, não fomos muito felizes em nosso intento. – Jasper informou. – Você sabe, esse aeroporto sempre está cheio deles. Você, provavelmente, será bombardeada por flashes e perguntas inconvenientes assim que deixarmos o salão de desembarque. A intenção era esperá-la lá fora, mas os seguranças do aeroporto nos deixaram entrar e vão nos ajudar a sair.


Eu soltei um suspiro. Em algum momento aconteceria.


Eu estendi meus braços para que Ben viesse para o meu colo. Ele poderia andar, mas eu preferia mantê-lo o mais próximo de mim possível quando a confusão começasse.


– Eu posso levá-lo, Bella. – Jasper respondeu. – Vai ser um pouco complicado passar entre os fotógrafos com ele no colo.


– Obrigada, Jazz. Mas ele vai se assustar, e eu prefiro que eu possa acalmá-lo, mesmo que só com um toque.


– Você está pronta, então?


– Como nunca estarei. – Respondi o vendo apanhar as minhas malas.


Alice se ofereceu para ajudar com a minha bolsa, então, tudo o que tive que fazer foi proteger o meu filho da melhor forma que conseguisse.


– Quando eu disse todos... – Alice sussurrou para mim um pouco antes de sairmos do salão de desembarque. – Eu quis dizer: Edward. Eu precisei convencê-lo do contrário. Um reencontro público seria o prato cheio para os tabloides. Sinto muito! Vi que ficou desapontada por ele não estar aqui.


Eu apertei a mão da minha melhor amiga.


– Você sempre pensa em tudo. Obrigada!


Toda a confusão começou assim que o portão foi aberto. Jasper estava a minha frente, Alice as minhas costas e alguns segurança do aeroporto ao nosso redor, ainda assim eu me senti sendo empurrada de um lado para o outro e, em alguns momento, não conseguíamos nem mesmo andar.


Eu vi os flashes e ouvi os gritos, mas a única coisa que me importava era a forma como Ben se encolheu no meu colo e apertou seus braços no meu pescoço com tanta força que eu precisei lhe pedir para soltar um pouco.


Eu passei as minhas mãos em suas costas tentando acalmá-lo. Ele não disse nada, mas eu sabia que estava assustado. E ficou ainda mais quando um dos fotógrafos conseguiu passar pelos seguranças.


– Esse é o filho de Edward Cullen? – Ele gritou e disparou o seu maldito flash na minha cara.


Eu tentei passar por ele, mas não consegui.


– Vocês estão juntos novamente?


– Mamãe! – Ben gritou me apertando quando o empurra – empurra continuou.


– Tá tudo bem, filho. – Sussurrei em seu ouvido. – Já vai acabar.


– Nos deixe em paz, Idiota! – Alice agarrou uma das minhas mãos e me puxou para mais perto de um dos seguranças. O circulo ao nosso redor se formou mais uma vez e, dessa vez, se manteve até que conseguimos chegar ao carro.


Eu queria xingar os malditos paparazzi por assustar o meu filho assim, mas tudo o que fiz foi dar graças a Deus quando consegui me acomodar no banco traseiro do carro de Jasper.


– Você está bem? – Eu acomodei Ben sobre o meu colo e o fiz me olhar.


Seus olhinhos marejados me encararam de volta.


– Eles são malvados.


– Sim. Eles são. Mas já acabou. Mamãe nunca vai deixar que eles te machuquem, okay?


Ele assentiu e voltou a me abraçar.


Eu sabia que deveria colocá-la na cadeirinha, mas não fui capaz de tirá-lo do meu colo, não quando ele ainda estava chorando baixinho.


– Essa é a pior parte. – Comentei recostando a minha cabeça no banco. – Toda essa perseguição sem sentido.


– Males da profissão. – Meu irmão disse. – Mas, tente não pensar nisso. Pense que em alguns minutos você vai poder reencontrar todos que ama e aproveitar de um almoço de boas vindas.


– Essa parece uma boa recepção.


– É claro que é. – Alice se virou do seu lugar no banco carona para me olhar. – Fui eu que organizei. Será na casa de Rose e Emmett porque era o local com maior espaço disponível, já que a sua casa está fechada.


Eu percebi a alfinetada, mas a ignorei.


– Esme estará lá? – Questionei, quando o que, na verdade, eu queria saber era se seu filho estaria presente.


­- Todo mundo estará lá. – Jasper me lançou um olhar pelo retrovisor.


– Humm... Isso quer dizer que está tudo bem?


– Se por “tudo bem” você quer dizer se eu e Edward estamos bem, a resposta é: Suas vidas, suas decisões. A mim só basta aceitar. Mas no próximo vacilo dele, eu juro que quebro aquele rostinho de galã.


Eu sorri.


– Obrigada, Jazz!


...


Foi maravilhoso, mais do que isso, foi memorável, ser recebido, muito bem recebido por todas as pessoas que eu amava.


Desde Emmett me rodando no ar a todos os abraços apertados que recebi.


E claro, a aproximação um tanto hesitante daquele que eu mais tinha sentido falta, seguido de um sorriso tímido.


Eu, simplesmente, o puxei para mais perto e o beijei.


Minha reação foi, simplesmente, reflexo de todo sentimento que eu ainda, e sempre, nutriria por ele. Sua resposta foi tão empolgada quanto a minha.


Era mais do que bom sentir, mais uma vez, sentir o seu gosto e colocar a minha língua para dançar com a sua.


– Nós temos uma criança presente. Por favor, arranjem um quarto. – Obviamente, um comentário como esse só poderia ter sido proferido por Emmett.


Eu permiti que o beijo chegasse ao fim, mas ainda mantive o abraço.


Agora sim, eu me sentia de volta ao lar, mesmo que não estivéssemos em nossa casa. Mas chegaríamos lá, assim que estivéssemos prontos.


...


– Eu tenho um presente para você. – Edward me disse quando nos sentamos no bem cuidado jardim de Rosalie após o almoço.


Nossa família e amigos estavam dentro de casa, ocupados em mimar Ben, o que nos dada alguns minutos sozinhos.


Eu lancei um rápido olhar ao redor e quando constatei que não havia ninguém por perto, me coloquei sobre o colo dele.


– Você e Ben são todo o presente que eu preciso.


– Isso é ótimo. Quer dizer que você vai amar o que eu tenho para você.


Eu o vi e senti se remexer até que conseguiu alcançar algo no bolso de sua calça jeans. Eu poderia ter facilitado as coisas para ele e deixado seu colo, mas preferi permanecer onde e como estava.


Quando ele me mostrou uma pequena caixinha de veludo azul, eu revirei os olhos


– Quando você vai perder a mania de me dar presentes extravagantes?


– Possivelmente nunca. – Ele respondeu com um sorriso e abriu a caixinha me permitindo admirar um bonito relicário dourado em formato de coração. – Para você nos ter sempre por perto, em seu coração.


Eu o abri e, imediatamente, me apaixonei pelo meu novo presente. Dentro havia uma linda imagem de nós três: Edward, Ben e eu, tendo como pano de fundo a praia de Traverse.


– É lindo!


– Não! O seu olhar agora é lindo. Tudo em você é lindo, todo o resto, diante de você, perde a beleza.


Eu senti as minhas bochechas esquentarem.


– Eu não tenho um presente para você.


– Você me deu o melhor presente quando me concedeu uma segunda chance.


Instintivamente, eu levei uma de minhas mãos até o delicado cordão que eu usava e procurei pela minha aliança. Ela sempre esteve ali e sempre, quando todo o resto parecia um fardo pesado demais para carregar, me trouxe esperança. Agora, ela me trazia mais do que só esperança. Ela me trazia um vislumbre do que poderíamos ter.


– Me ajude a colocar... – Pedi, me movendo em seu colo, para que ele pudesse prender o cordão em meu pescoço.


Ele, de bom grado, o fez. Mas não lhe passou despercebido a minha mão que ainda se prendia ao claddagh que sempre seria símbolo do nosso amor.


Com delicadeza, Edward apertou a minha mão e puxando o cordão para fora da blusa que eu usava, revelando a aliança que ele havia me dado. Os raios de sol brilharam com um pouco mais de intensidade ao tocar o brilhante.


Eu vi o seu sorriso diminuir um pouco.


– Quando você vai voltar a usá-la? – Não me passou despercebido a tristeza na sua voz ou o fato de que a sua aliança já estava de volta ao seu dedo anelar esquerdo.


– Quando eu tiver certeza que ela nunca mais vai sair do meu dedo.


– Como eu posso te fazer ver que é para sempre?


Eu toquei o seu rosto com carinho.


– Exatamente da forma como tem feito. Me mostrando seu amor, sendo paciente, construindo comigo uma fortaleza de confiança ao nosso redor.


Ele manteve o seu olhar sobre o anel, o acariciando.


– Eu estou aqui, Edward. E não estaria se não acreditasse que em algum momento esse anel vai voltar para o meu dedo para nunca mais sair. – Eu acariciei o seu queixo e levantei o seu rosto. – Agora, porquê você não me beija e nos faz esquecer de todo o resto? Só você e eu, lembra? Você, eu e nosso filho. Nada mais importa.


Ele se aproximou lentamente. Eu esperei. E quando nossos lábios se tocaram foi como voltar no tempo, para uma época em que eu o amava e era amada em segredo; para uma época em que trocávamos olhares apaixonados a cada segundo; para uma época em que compúnhamos canções um para o outro e depois a cantávamos juntos sem nunca dizer, embora fosse evidente, o que todas aquelas letras representavam; para uma época em que todo o medo, dor e culpa desaparecia quando ele me sorria e quando todo o mundo deixava de importar quando ele me tocava.


Em meu intimo, eu senti como se voltássemos no tempo, mesmo que só dentro de nós, para reinventar a nossa história, para nos dar uma nova chance, para sermos aquilo que fomos destinados a ser.


Só Bella e Edward.


Só duas pessoas amando sem reserva, fundindo dois pedaços de alma até que se tornasse um só, inteiro, compacto, sem começo, meio ou fim. Sem rachaduras. Tão perfeito quanto deveria ter sido desde o início.


Eu aprofundei o beijo e quando seus dedos apertaram a carne de minha cintura, eu percebi que, na verdade, o “voltar no tempo” nada mais era do o abrir, mais uma vez, de nossos corações, o lapidar de nossos sentimentos. Como um livro que precisar ser rescrito, quantas vezes forem necessárias, até que o final perfeito apareça.


O nosso livro, perfeito ou não, começou a ser reescrito naquele momento. Com um simples roçar de lábios que definia, demonstrava, evidenciava o quanto essa história merecia ser lapidada.


CONTINUA...

Notas finais
Por favor, se você chegou até aqui, seja gentil e me deixe saber o que achou.
xoxo