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69 Capítulo 06 - Fase III - Ciclo vicioso


Notas iniciais
Olá,
Esse capítulo é curtinho, mas precisava ser postado para dar andamento a fic.
Eu sinto muito pela demora na postagem, em todas as fics, mas eu ando bastante atrapalhada com a vida real.
Boa leitura!

Capítulo 06 — Fase III — Ciclo vicioso

“Lembra-se de tudo o que queríamos?

Agora todas as nossas memórias estão assombradas

Nós fomos feitos para sempre dizer adeus

(...)

Nós nunca fomos feitos para dar certo ou para morrer

(...)

E eu quero que você saiba

Que você não poderia ter me amado mais

Mas eu quero que você siga em frente

Olhar para você faz tudo mais difícil

Mas eu sei que você encontrará outra pessoa

Que não fará você querer chorar

Começou com um beijo perfeito

Então nós pudemos sentir o veneno entrando

A perfeição não poderia manter esse amor vivo

Você sabe que eu o amo tanto

Te amo o suficiente para deixá-lo ir”

_____________________________

Bella Cullen

Encerrar a ligação foi muito mais difícil do que eu imaginava. Embora eu não tenha feito muito para termos uma conversa real, ainda era bom ouvir a voz dele e ter um pouco do carinho que eu tinha me tornado tão dependente, mas, obviamente, não o deixei perceber que o seu quase monologo conseguiu me fazer um pouco feliz.

Eu precisava me manter longe dele, longe do vicio que ele representava. Era uma forma de me proteger, me proteger das reações intensas que sua presença causava, me proteger da louca vontade que eu sentia de ignorar todo o restante e me entregar mais uma vez.

Eu não o via há algum tempo e fui ingênua o suficiente para acreditar que tinha meu amor por ele sobre controle. Os poucos minutos que passamos ao telefone deixou claro que ele ainda tinha certo controle sobre meu coração, que eu ainda sentia terrivelmente a sua falta e que, mesmo com toda a dor que a sua traição me causou, eu o perdoaria mais cedo ou mais tarde, se não encontrasse uma forma de expulsá-lo, definitivamente, da minha vida.

Eu não era tão ingênua ao ponto de pensar que apenas a minha força de vontade bastaria, especialmente quando voltássemos a nos encontrar, o que aconteceria mais cedo ou mais tarde, especialmente porque eu não estava disposta a romper o estranho e intenso laço afetivo que me ligava a Ben. Sendo assim, só existia uma forma de não me permitir entregar meu coração a ele novamente: entregando-o a outra pessoa.

No entanto, saber o que se deve fazer não torna a ação mais fácil de ser executada, como eu vim a descobrir nos meses que se seguiram.

...

Nada e tudo tinha mudado ao mesmo tempo. Eu ainda me dava ao luxo de ignorar a minha vida real que esperava por mim em Los Angeles, mas, de uma forma que eu não saberia explicar, algo dentro de mim fez brotar uma garra que eu não sabia que ainda existia. Em algum momento eu precisaria voltar, se ainda pretendesse seguir a minha carreira e desfrutar da infância de Ben, mas eu sabia que voltaria renovada, como uma nova Bella.

Obviamente, eu não tinha esquecido ou superado totalmente – e, provavelmente, nunca esquecerei — todos os últimos acontecimentos, mas eu tinha aprendido a lidar com as consequências deles. Eu não mais fingia que tudo estava bem, na maioria das vezes, eu realmente me sentia perfeitamente bem. É claro que ainda existia uma pontada de tristeza, de indignação, de saudade... Mas eu, finalmente, tinha aceitado o fato de que me afundar cada vez mais não mudaria nada. Eu tinha, finalmente, percebido que o que aconteceu em Forks não tinha sido minha culpa. Eu ainda me sentia triste por Jacob e ainda – talvez sempre – o considerava tão vítima das loucuras de meu pai quanto eu e Jasper, mas isso não muda o fato de que a responsabilidade pelo o que aconteceu na noite da minha formatura era dele. Dele e de Sam e Embry.

Eu ainda sentia falta de Edward e todos os sonhos que nunca se realizariam porque não estamos mais juntos, mas tinha aceitado ao fato de que não valia a pena insistir em uma relação fadada ao fracasso. Nós dois nunca mais seriamos os mesmos porque eu não era – e na verdade nem desejava ser – capaz de perdoá-lo, mesmo que, racionalmente falando, ele não necessite do meu perdão. Eu ainda me lembrava claramente da imagem dele junto a Victoria naquele vídeo e ainda doía pensar que ele tinha seguido em frente tão facilmente quando eu ainda o considerava uma parte de mim, mas percebi que nosso tempo junto tinha tido mais pontos baixos do que altos. Quero dizer, eu sou grata pelo tempo que tivemos e é algo que sempre estará gravado em mim, mas se eu for, realmente, honesta comigo mesma, preciso admitir que sempre houve empecilho demais.

A começar pela minha total incapacidade de manter um relacionamento saudável no momento em que nos casamos – hoje eu vejo isso claramente -, ainda assim ele tentou,tentou porque, de fato, me amava e queria me ter ao seu lado. Em seguida, quando eu imaginei que poderia lidar com meus próprios fantasmas, foi a vez dele de se fechar, de me excluir de decisões importantes, de desistir... Ainda assim, eu tentei, tentei porque o amava mais que tudo e não conseguia ver uma possibilidade de vida para mim sem ele. É fato que poderíamos tentar uma terceira vez e depois uma quarta e continuar o ciclo vicioso que sempre nos apunhala quando menos esperamos, mas qual é o sentido de prolongar isso? Qual é o sentido de abrir seu coração, mais uma vez, sabendo que ele voltará a ser machucado? Qual é o sentido de aprisionar alguém que se ama quando se pode deixá-lo livre para buscar a sua própria, e merecida, felicidade?

Porque sim, eu ainda o amo. Esse sentimento não é algo que eu possa simplesmente arrancar e guardar em uma caixa. Mas eu e ele... Hoje eu posso compreender, não fomos feitos para ter o “felizes para sempre”. Por quanto tempo eu ainda viver, eu lembrarei com saudade de cada olhar apaixonado, de cada sorriso compartilhado, de cada beijo doado, de cada declaração sussurrada, mas o momento de seguir em frente chegou. É hora de tentar ter um brilho no olhar, de verdade, novamente, de conquistar novos sorrisos, experimentar novos beijos... E embora eu, em meu intimo, ainda me considere dele, eu quero, assim como ele, seguir em frente e farei isso sem peso algum na consciência, sem culpa alguma a corroer o meu coração. Enquanto eu fui a Sra. Cullen eu o fui de todo o coração, mas isso tinha ficado no passado e agora era a hora de ser a Bella que eu sempre sonhei ser: realizada, independente, feliz. E eu posso ser tudo isso, e muito mais, mesmo que falte ele.

...

A oportunidade para dar o primeiro passo em frente surgiu quase dois meses depois do telefonema que, apesar de mínimo, me fez repensar tudo. Não tinha sido o único telefonema compartilhado entre nós, na verdade muitos tinham acontecido e muitos mais viriam. Nos falamos com cordialidade, nos tratamos bem, sempre mantendo a superficial fachada que pretende iludir a nós mesmo e sempre, após cada nova ligação, o desejo de estar de volta aos braços dele estava de volta, seguido da ânsia por governar o meu coração.

E foi em uma noite dessas que eu, finalmente, criei coragem e fiz o que imaginava que devia fazer, embora uma parte de mim se sentisse culpada por estar agindo de forma tão precipitada e envolvendo outra pessoa.

Três taças de vinho tinto depois de um jantar descontraído que mais parecia um piquenique na areia do imenso lago em frente a minha casa, eu me inclinei, desajeitadamente sobre Riley e o beijei.

Não houve borboletas no estomago ou corrente elétrica percorrendo o meu corpo. Foi estranho como uma nova experiência costuma ser, mas também foi emocionante como um primeiro beijo costuma ser. Ele estava surpreendido, é claro. E isso ficou tão claro na forma como ele hesitou corresponder ao beijo. Mas quando eu o senti abrir a sua boca para mim, foi como mergulhar em um mar translucido e calmo, um daqueles lugares em que você se sente em paz apenas por estar ali. E quando acabou, embora eu pudesse ver a confusão estampada em seu rosto, tudo o que fizemos foi sorrir um para o outro e tentar um novo beijo.

- Eu devia ter feito isso há muito tempo... – Disse me jogando na areia e fechando os olhos.

Não. Eu não estava apaixonada por Riley e nem ele por mim. E isso era bom. Tínhamos controle sobre nós mesmo e estávamos apenas fazendo aquilo que queríamos, sem precisar se preocupar com culpa ou traição. Éramos livres, amigos, nos ajudávamos mutuamente e porque não aprofundar isso?

- Você vai se arrepender... – Ele me disse suavemente. – Quando acordar amanhã e lembrar do que acabamos de fazer, você vai se arrepender.

Eu me virei até que pudesse vê-lo sob a luz do luar.

- Não. Eu não vou. – Garanti.

- Você ainda o ama.

- E você ainda ama a Bree.

- E sempre vou amar... – Ele confessou e essa era uma das coisas que eu mais gostava nele: sua sinceridade.

- E eu sempre vou amar Edward. – Eu não tinha porque negar algo que ele sabia tão bem quanto eu. – Mas isso não nos impede de seguir em frente, não é?

Ele me deu um sorriso gentil.

- Até quando?

- Até quando você quiser... – Respondi. – Por hoje, por uma semana, por um mês ou um ano. Que tal, apenas, viver um dia de cada vez?

- E quando acabar?

- Por que acabaria?

- Um dia você vai encontrar alguém para amar ou talvez reencontrar... E eu não serei esse alguém.

- E por que não? Eu o acho bastante amável... E bom, o mesmo pode acontecer com você.

- Porque você já me ama. Como um amigo.

Eu voltei a me deitar e a fitar as poucas estrelas no céu.

- É verdade. Mas não podemos ser amigos que se beijam? – Sugeri e fiquei grata pela escuridão da noite não deixá-lo ver o meu rubor.

Eu o senti se aproximar até que seu rosto estava bem acima do meu.

- Um dia de cada vez... – Ele repetiu o que eu tinha dito há pouco e, então, seus lábios, pela primeira vez, procuraram os meus.

Eu cerrei os olhos, prendi meus dedos em seu cabelo e me obriguei a mudar o rumo de meus pensamentos quando um outro nome e rosto explodiu em minha mente e dei boas vindas ao início de uma nova vida.

E no dia seguinte quando eu acordei... Eu não me arrependi. Na verdade, eu senti até uma espécie de orgulho de mim mesma. Orgulho esse que durou até o próximo telefonema...

CONTINUA...

Notas finais
Por favor, se você chegou até aqui, me deixe saber o que achou.
xoxo