Starcrossed
6 I'll be yours until the poets run out of rhyme.
Capítulo 6.
- Gee? — Mikey deu duas batidas leves na porta do quarto de Gerard. Sabia que não precisava bater. Nunca precisara, mas era um hábito que adquirira durante os anos. Sentiu o coração acelerar levemente, respirando fundo, tentando se controlar. Não sabia o motivo do nervosismo repentino.
- Olá. – Gerard arrastou a palavra quase que de uma forma manhosa ao abrir a porta e ver o irmão ali, levando consigo a sua beleza irradiante, digna de um deus.
- Desculpe. Hábito. – juntou as sobrancelhas e umedeceu os lábios, olhando para a TV em uma tentativa de descobrir que a que filme iriam assistir, mas tudo o que viu foi o aparelho televisor desligado, estranhando o fato. – E cadê o filme?
- Hm, eu mudei de idéia quanto a isso. – Gerard começou a se aproximar do outro com um olhar travesso e um sorriso bastante sedutor habitando o canto de seus lábios. – Nós não vamos mais assistir filme. Vamos fazer outra coisa. – Mordeu o lábio inferior.
- E o que você sugere? – Mikey não havia realmente percebido o tom malicioso que havia nas palavras de Gerard. Estava longe de perceber, na verdade. Por incrível que pareça, era bastante inocente, a ponto de sequer perceber qual era a verdadeira intenção do outro.
E foi exatamente isso que fez o mais velho parar e recuar. A inocência e o brilho no olhar de Mikey, a expressão desentendida, acriançada. Gerard permaneceu calado. Apenas fitou o garoto a sua frente, já sem o olhar sugestivo que há pouco habitava seu rosto, apenas ternura e amor. Não haviam conversado sobre aquilo, Gerard não fazia idéia se o irmão estava pronto para se entregar por completo, então, desistiu da idéia. Voltou a se aproximar, parando em frente a Mikey e sorrindo fracamente.
- Eu te amo muito, sabia, Michael? – levou lentamente a palma da mão até o rosto do mais novo, tocando-o tão suave e cuidadosamente, como se estivesse com medo de Mikey quebrar. Iniciou uma carícia na bochecha do irmão, este, cerrando os olhos e inclinando um pouco a cabeça para a mão de Gerard, deleitando-se com o toque macio. – Mais do que eu achava ser capaz amar alguém. – Gerard não se importou, de fato, em parecer piegas ou clichê, pois era o que sentia.
Mikey não disse nada. Nem precisou, pois Gerard sabia que ele estava sentindo o mesmo. Agora o mais novo podia entender o que eram as borboletas que brincavam em seu estômago toda vez que o irmão se aproximava, podia entender o porquê dos ciúmes que tinha das namoradas de Gerard... Estava apaixonado pelo irmão. Um sentimento tão puro, não inocente, mas visto pela sociedade como algo sujo, imundo, errado. Mas eles não conseguiam entender o porquê de as pessoas estarem sempre se derretendo com historinhas de amores impossíveis dos filmes, mas não entenderem ou aceitarem um amor verdadeiro como aquele.
Ao que Mikey abriu os olhos, seu olhar se prendeu no de Gerard. Ambos não conseguiam nem mesmo piscar, por mais que tentassem desviar os olhares conectados, não conseguiam, como se algo especial atraísse os olhares um do outro. Mikey sentiu as pernas bambearem a medida que os rostos se aproximavam involuntariamente. Logo as pontas de seus narizes se tocaram e Gerard sentiu um calafrio ser enviado à sua espinha ao sentir a respiração quente de Mikey chocar-se contra seu rosto, enquanto a sua, embaçava levemente os óculos do mais novo. Um beijo lento se iniciou. Oh, a melhor sensação que ambos já haviam experimentado em suas vidas. Gerard pôs as mãos nos quadris de Mikey, fazendo carícias e, vez e outra, apertando a região fortemente, deixando marcas ali. Enquanto isso, o mais novo desenhava círculos imaginários na nuca de Gerard, causando-lhe arrepios por todo o corpo.
As línguas brincavam tranqüilamente dentro de suas bocas, que pareciam cada vez mais espaçosas. As respirações começaram a acelerar e as mãos do mais velho já passeavam por dentro da camisa de Mikey, sentindo sua pele macia e quente. Lentamente – e sem separarem as bocas – andaram até a cama e Gerard empurrou o outro cuidadosamente, até que ele estivesse deitado nela. Logo as roupas já não formavam barreiras entre seus corpos.
Gerard e Mikey fizeram amor pela primeira vez. Não se viam apenas como irmãos, mas também como duas pessoas que se amavam de uma forma absurda e doía mais que o inferno quando pensavam no fato de que dois irmãos apaixonados um pelo outro não era aceito por ninguém. Mas naquele momento, todos os problemas que esse namoro poderia causar, foram esquecidos, pois eles se tornaram um só.
Gerard chegou ao auge e se derramou no irmão logo após sentir uma corrente elétrica atravessar todo o seu corpo. A de Mikey veio logo em seguida. Os corpos jaziam na cama, um de frente para o outro. Seus batimentos cardíacos acelerados voltavam ao normal lentamente, assim como suas respirações. Os irmãos mantiveram as mãos entrelaçadas o tempo inteiro, e assim permaneceram.
O mais velho sorriu bobamente. Nunca pensou que poderia amar alguém como amava Michael. Amava-o a ponto de dar sua vida por ele. Talvez fosse porque estavam ligados pelo sangue, não sabia ao certo.
Contornou os lábios bem desenhados de Mikey com a ponta do dedo e, aos poucos, foi sentindo as pálpebras pesarem. Sinal que o sono estava chegando. Michael sentiu o mesmo e virou-se para o outro lado, enquanto Gerard se aproximava para que dormissem em posição de conchinha.
- Gerard? – uma voz que não foi a de Mikey soou no local.
Mas infelizmente, o cansaço não permitiu que os irmãos ouvissem o chamado da mãe, que ao perceber que o quarto do caçula estava vazio – e a cama impecável – encaminhou-se para o quarto de Gerard.
- Filhos, vocês estão aí? – abriu a porta lentamente, não acreditando em seus olhos. O choque, a aflição, a raiva, o medo, a agonia, o tormento... Foram todos sentimentos que a invadiram de uma vez só, se misturando a ponto de fazê-la não saber realmente o que estava sentindo, a ponto de fazê-la esquecer até de respirar.
Fim do capitulo.
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