Starcrossed
7 I'll be yours until the sun no longer shines.
Capitulo 7
O que Donna viu ali foi uma cena que, provavelmente, nenhuma mãe gostaria de presenciar: Seus dois filhos nus na cama, dormindo abraçados. Não sabia o que pensar, não sabia como agir. Estava realmente aflita. O que era aquilo? O que estava acontecendo ali? Por quê com seus meninos?
Seu coração batia em ritmo descompassado e sua mão escondia sua boca aberta. Os olhos arregalados, quase saltando para fora, denunciavam sua expressão horrorizada.
- N-Não pode ser... – murmurou, sem a intenção de que algum dos filhos ouvisse. Precisava sair dali o mais rápido possível e chamar o marido, mas suas pernas a traíram. Era como se ela tivesse travado ali, não podendo se mover, por mais que quisesse.
- O quê? – Gerard perguntou quase inconscientemente, no intervalo entre o sonho e a consciência, ainda sem abrir os olhos e sem saber o que estava acontecendo ali. E então, levantou um pouco a cabeça, abrindo os olhos lentamente e se assustando com a mãe parada em frente à porta aberta. Uma sensação de medo e desespero o tomou.
Donna limpou rapidamente as lágrimas que escorriam por sua face e logo a expressão assustada deu lugar a uma expressão ameaçadora. Ela encarou o filho mais velho por alguns longos segundos antes de deixar o quarto.
- O que... O que aconteceu? – o mais novo finalmente abriu os olhos ao sentir Gerard levantar bruscamente da cama, erguendo a cabeça para que pudesse olhá-lo. Não entendia o porquê do desespero de Gerard, afinal, não fazia idéia do que havia acontecido, e em nenhum momento, lhe passou pela cabeça de que pudesse ter sido tão grave.
- Nós temos que ir. – o mais velho pegou sua samba-canção que jazia no chão e a vestiu o maias depressa que pode, observando Mikey fazer o mesmo.
- Ir aonde? Do que você está falando? – Mikey passou as mãos pelo rosto, começando a ficar assustado com a pressa do outro. Precisava questionar, precisava saber as respostas, apesar de já ter alguma vaga idéia do que estava se passando ali. Ainda sem saber o porquê de estarem saindo às pressas, o fez sem hesitar, pois confiava plenamente no irmão.
- Mamãe nos viu. – Gerard disse, simplesmente. E foi nessa hora que o mundo do outro caiu. Mikey ficou estático, gelado, como se o sangue não circulasse mais por seu corpo. Gerard passou as mãos pelos cabelos e em seguida pelo rosto ao ver a expressão do outro, andando até ele e segurando em seus ombros. – Escute, apenas confie em mim, sim? – Mikey assentiu quase que involuntariamente.
Desceram a escada silenciosamente e, antes que chegassem ao último degrau, Gerard avistou as chaves do carro do pai em uma pequena mesa de vidro que ficava ao lado do sofá. Ambos com muito medo. Mikey e Gerard agora estavam conhecendo a verdadeira sensação do medo. As pernas bambas, tornando difícil o ato de andar. A respiração acelerada e os olhos arregalados, os fazendo prestarem atenção em tudo ao seu redor, pois qualquer barulhinho, por mínimo que fosse, parecia ser ameaçador. O Way mais velho se escondeu atrás de uma coluna de concreto branca e olhou discretamente para a sala de jantar, onde sua mãe estava em pé atrás da cadeira que Donald estava sentado, com a cabeça baixa e as mãos escondendo seu rosto.
Os irmãos precisavam sair dali com urgência. Seus pais nunca entenderiam e Donald seria até capaz de matá-los por isso. O homem sentia raiva. Muita raiva. Era como se esse sentimento o houvesse dominado, ofuscando todos os outros, e tudo o que ele podia sentir, era a fúria.
Gerard passou a se mover lentamente até a porta e fez um movimento com a mão para que o outro o seguisse no mesmo ritmo. Dos dois, o que mais sentia medo era Mikey. Sabia que o pai tinha uma preferência pelo filho mais velho e isso podia lhe trazer conseqüências mais graves. Antes de saírem da casa, Gerard pegou as chaves do carro do pai e ao pisarem do lado de fora, sentiram um enorme frio envolver seus corpos. Ambos usavam apenas samba-canção e não era aconselhável sair de casa vestindo apenas isso. Mas com o frio, veio também o alívio, porque, pelo fato de já estarem do lado de fora, tinham alguma vantagem. Entraram rapidamente no carro e a porta do passageiro foi batida com mais força do que Mikey previa, fazendo um barulho alto que o obrigou a cerrar os olhos fortemente.
Do lado de dentro da casa, Donald ergueu a cabeça e Donna olhou para o lado. Haviam escutado o barulho da porta batendo, já sabendo que os filhos estavam fugindo. O homem levantou rapidamente, correndo para o lado de fora.
- Gerard! Michael! Voltem já aqui. – saiu da casa gritando tão alto que, provavelmente, seus gritos acordaram toda a vizinhança. Mas não se importava com aquilo. Não naquele momento.
Gerard ligou o carro e deu a partida, observando Donald pelo espelho retrovisor. O homem gritava no meio da rua com os braços levantados, fazendo sinal para que o filho desse meia-volta, mas isso não aconteceu. E se fosse feito o contrário, Mikey e ele seriam punidos e provavelmente os pais iam dar um jeito de fazer com que ambos nunca mais se vissem. Gerard não poderia permitir isso. Prometera ao irmão que eles nunca iriam se separar, e que não deixaria nada de ruim acontecer com ele.
- Gee, para onde estamos indo? – Mikey perguntou visivelmente preocupado, sentindo o vento extremamente gelado da noite, entrar pela janela do carro, lhe causando uma sensação desagradável.
- Não sei exatamente... – franziu o cenho, desviando o olhar rapidamente da direção para Michael. – Mas eu não vou deixar nada acontecer com você... Com nós dois. – alcançou a mão do mais novo, entrelaçando-a na sua, precisando separá-las apenas para passar a marcha. Ouvir aquilo era reconfortante para Mikey. Sabia que o irmão faria de tudo para não deixar que nada de ruim acontecesse.
Após alguns minutos dirigindo, avistaram uma pousada. Era bastante simples, tinha poucos quartos e a tintura era visivelmente antiga, pois estava toda descascada e encardida. Entretanto, qualquer lugar com um teto serviria para ficarem.
-Hey. – o mais velho estacionou o carro em frente a um dos quartos da pousada e segurou fracamente o queixo do outro, fazendo com que olhasse para ele. – Aconteça o que acontecer, nós vamos ficar juntos. – segurou a mão de Mikey o mais forte que pôde, levando-a até seus lábios, depositando um beijo demorado ali. Mikey assentiu, forçando um sorriso e sentindo a visão embargar. Só queria que aquilo tudo acabasse logo.
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Desceram do carro e o mais novo esperou do lado de fora da recepção enquanto o irmão pedia um quarto. Ele reparou que algumas pessoas que entravam no local fitavam-no de uma forma estranha e isso o fez se lembrar de que usava apenas uma samba-canção estampada do Pato Donald, o que lhe causou um enorme constrangimento... Não que aquilo importasse naquele momento.
Não tardou para que Gerard saísse da recepção com uma chave nas mãos, e ambos se encaminharam para o quarto número 304. Lá, o mais velho deitou na cama, encarando o teto, enquanto o outro andava de um lado para o outro, tão impaciente que já estava roendo as unhas.
- Como você pode estar tão calmo? Você não tem idéia de como isso pode arruinar nossas vidas. Ninguém sabe o que o papai é capaz de fazer. Ele pode até me matar. – Mikey disse sem intervalos, precisando parar de andar para poder recuperar o fôlego.
- Não diga asneiras. – Gerard suspirou, enquanto Mikey vinha deitar na cama e aninhar-se timidamente em seu corpo. Depositou um beijo no peito nu do mais velho, e este passou a fazer carícias nos cabelos de Mikey, enroscando os dedos por entre os fios sedosos.
- É só uma questão de tempo para que eles nos encontrem aqui. – o de óculos murmurou tristemente. O desespero começando a ir embora, dando lugar a angústia e melancolia.
- Isso não vai terminar bem, vai? – Gerard disse após alguns minutos de silêncio, cerrando fracamente os olhos, sentindo exatamente o que o irmão estava sentindo no momento. Ambos os corações batendo em ritmo descompassado, ambos temendo piamente o que poderia acontecer; era como se houvessem se tornado um só.
- Não, não vai. – Mikey respondeu em tom extremamente baixo, quase inaudível. A voz embargada por conta do choro preso em sua garganta. Estava sentindo-se a pessoa mais suja do mundo inteiro. Como pudera meter o irmão naquilo? Como pudera deixar Gerard saber de seus sentimentos? Deveria tê-los guardado para si, talvez assim, um dia eles desapareceriam. O garoto sentia-se culpado por ter se envolvido com o próprio irmão, sangue de seu sangue.
- Gerard... – chamou choroso, prosseguindo em um tom diferente, mais firme. — É tudo minha culpa. Se eu não tivesse beijado você naquele dia, nada disso estaria acontecendo. – levantou a cabeça minimamente para olhar nos olhos do mais velho, curioso para ver sua expressão facial.
- Você só pode estar brincando. – o mais velho abriu os olhos e balançou a cabeça, parando de acariciar os cabelos de Mikey, tendo no rosto uma expressão quase que indignada. – Isso é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida e eu sei que você se sente da mesma forma... Michael, simplesmente aconteceu. Eu sei que é um proibido, mas foi inevitável. Eu me apaixonei por você. Não temos culpa, porque não podemos mandar nos nossos corações.
Mikey sorriu. Era ótimo ouvir aquilo de Gerard porque no fundo, sabia que tudo era verdade. Tão verdade quanto os seus sentimentos puros, livres de malícias. Não era apenas mais um romance sem compromisso. Não era algo passageiro e disso ambos tinham certeza.
Então, ele foi tomado por um impulso, e logo se viu rondando o quarto, à procura de algo que pudesse ser útil para o que tinha em mente. Abriu o armário que tinha em um dos cantos da parede, mas ele estava vazio. Em seguida, andou até uma cômoda de madeira e abriu uma das gavetas, achando vários tipos de brinquedos eróticos ali.
Sentiu as bochechas queimarem em brasa, torcendo para que o outro não percebesse o rubor em sua face. Abafou um risinho, pegando um lubrificante sabor de uva e o atirando em Gerard, que também riu ao ver a embalagem. Entretanto, um objeto em particular chamou a atenção de Michael. Pegou a algema prateada e reluzente, mudando sua expressão facial completamente. Agora estava sério, como se fosse alguém inatingível. Mikey mostrou o objeto para Gerard e o mesmo engoliu em seco.
- Gee... Nós precisamos ir para casa. – Mikey tinha aquele olhar cabisbaixo e perdido em um grande nada, visivelmente, tendo a mente invadida por pensamentos angustiantes.
- Você está louco? Eles estão lá. – disse a última frase em um tom de voz mais baixo, como se estivesse contando um segredo ao irmão. Franziu o cenho em sinal de confusão, não entendendo realmente o que Michael quisera dizer com aquilo.
- Provavelmente eles já saíram para nos procurar. Nós temos que ir, Gerard.
Gerard levantou-se lentamente e andou até a janela, abrindo-a. O céu estava lindo e bastante estrelado. Lembrou-se com ternura do dia em que ele e Michael escolheram suas estrelas. O mais novo andou até o irmão, enlaçando sua cintura e espalmando as mãos na sua barriga; a face levemente ruborizada e o queixo repousado no ombro do irmão.
- É... Nós precisamos ir. – Gerard disse em um suspiro, pousando as mãos em cima das do irmão.
Fim do capitulo.
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