Stake My Heart

4 Capítulo 4


“Oi, Kayliah.” – Ele disse, com um sorriso convencido no rosto.

“Oi, Frank.” – Eu respondi no mesmo tom.

“Então, onde você quer ir para almoçar?” – Ele respondeu ainda com aquele tom. Ele estava me levando a almoçar?

“Quem disse que eu vou almoçar com você? Se calhar eu só estou aqui para fazer ciúmes para a Mandy.” – Eu respondi confiante. Ele me olhou com um ar de ‘sou-o-rei-do-mundo’. Ele conseguia ver por entre os meus pensamentos, ele sabia que eu queria a sua companhia. Ele sabia que ele era atractivo, ele sabia que eu pensava isso dele.

“Se você não me disser, vou te levar a um sitio qualquer.” – Ele disse, abrindo a porta do seu carro do lado do passageiro. Suspirei, frustrada pela minha curiosidade para com ele. Nem todos os garotos eram assim tão persistentes comigo. O seu sorriso cresceu assim que eu relutantemente entrei no carro. Ele parecia um garoto excitado no seu primeiro dia de aulas. Rolei os meus olhos e tentei esconder o meu sorriso. “Então, Kayliah, onde você quer ir no nosso primeiro encontro?” – Ele perguntou, olhando para mim. Encontro? Wow, abranda tudo. Isto não ia ser um encontro.

“Não é um encontro, eu apenas considero você achado e uma desculpa para me livrar daquele demónio auto-intitulado Mandy.” – Eu o repreendi com os olhos.

“Oh, você sabe que me quer, eu não censuro você por isso. Eu sou demasiado lindo.” – Ele disse e sorriu. Ele era tão convencido que até me enojava. Mas, com uma cara dequelas, eu não o culpava.

“E com essa deixa você acabou de perder os seus privilégios de almoço comigo.” – Eu disse, tentando apressadamente sair do carro. Ele trancou as portas e começou a andar em reverso antes mesmo de eu conseguir agarrar na tranca da porta.

“Continue sonhando.” – Ele disse com uma risadinha.

“Hey, isso é um sequestro! Eu podia chamar a policia agora!” – Eu disse, apesar de saber que não havia muito o que fazer naquela momento. Deixei-me escorregar no acento e bufei, cruzando os braços. Ele me olhou.

“Você fica uma gracinha quando está furiosa.” – Ele riu. Eu lhe lancei um olhar zangado e mudei o anglo do meu corpo, olhando somente para a janela.

“Você pode pelo menos me dizer onde pensa depositar o meu corpo?” – Eu disse amargamente, olhando de relance para ele por cima do meu ombro. Os seus olhos mostravam felicidade e cintilavam à luz do sol.

“Eu estava pensando num cantinho à beira mar. De quanto tempo é essa sua pausa de almoço?” – Ele respondeu e perguntou e depois me olhou.

“Cerca de uma hora.” – Eu respondi. Ele não falou mais nada durante o tempo todo que gente esteve dentro daquele carro. Ele abriu a porta do carro para mim, como um cavalheiro faria. Esse garoto era tão confuso. Tão difícil de decifrar. Num minuto ele é um porco idiota, no outro é um completo cavalheiro. Saí do carro e senti a brisa do oceano na minha face, era gelado mas ao mesmo tempo muito refrescante. A praia era a minha parte favorita dessa cidade. Normalmente vinha até aqui à noite, quando precisava de pensar. Frank acabou com o silêncio que eu havia criado.

“Eu sei que não há assim muito por onde escolher mas, o que você gostaria?” – Ele disse, colocando as mãos nos bolsos das calças. Por alguma razão muito estranha, sempre que eu estava perto dele, a minha necessidade de sangue era mais forte.

“Uh, errr, algodão doce parece-me bem.” – Eu disse, atropelando as palavras. Por que é que eu fiquei tão nervosa perto dele, de repente? Ele assentiu e pegou minha mão, me conduzindo até à banca de algodão doce. O seu toque fazia minha mão tremer e meu estômago andar à volta. Merda, por favor, não me diga que eu estou caindo por esse garoto… Eu fiquei ali, deixando ele me guiar. Ele olhou para o algodão doce e depois para mim.

“Azul ou rosa?” – Ele disse, esperando minha resposta. Os meus olhos se concentraram nos seus lábios.

“Uhm, rosa.” – Eu respondi, sem nem mesmo pensar. Demorou apenas alguns minutos até ele perceber que continuava segurando minha mão. Eu tirei minha mão da dele, rapidamente, não querendo que ele ficasse com ideias. Isto não era um encontro. Ele olhou para a sua mão, desapontado, mas se distraiu a pagar ao senhor. Encontramos um banco no cais para nos sentarmos. Eu marquei uma distância significativa dele, para me certificar que não passávamos a barreira de só amigos. De maneira alguma eu iria deixá-lo ganhar tão facilmente.

“Então, me fale de você.” – Ele disse, olhando para mim.

“O que há para saber?” – Eu respondi com uma pergunta.

“Eu não sei, família, passatempos, medos, qualquer coisa. Eu quero saber tudo.” – Ele disse, sorrindo para mim. Uma pontada de tristeza atingiu meu estômago. Eu já estava ficando muito prendida a ele.

“A minha mão morreu quando eu tinha 15 anos, para falar a verdade eu não tenho nenhum passatempo e eu não tenho medo de nada excepto de alturas.” – Eu disse, desviando os meus olhos dos seus para o oceano, para não ver a sua reacção.

“Oh meu Deus, me desculpa. Isso deve ter sido pesado.” – Ele disse, colocando sua mão sobre a minha.

“Sim…” – Era tudo o que eu conseguia pensar em responder. Depois de uma longa pausa, eu falei. “Você acredita em vampiros, fantasma ou em algo desse género?” – Eu acabei perguntando.

“Por acaso, sim. Pode parecer brega ou sei lá, mas eu realmente acredito que existem vampiros por aí. Tem muitas lendas e história que realmente fazem sentido. Fantasmas, por outro lado, eu nunca vi nenhum.” – Ele respondeu. Olhei para o meu relógio. Tinha 10 minutos para voltar para o trabalho. “Por que perguntou?” – Ele perguntou, vergando sua cabeça para o lado.

“Porque perguntei. Eu tenho mesmo que voltar para o trabalho agora.” – Eu disse, surpresa pelo tom de desapontamento na minha voz. Eu não queria ir.

Quando paramos em frente da Starbucks, ele abriu a porta para mim de novo.

“Hey, Kayliah.” – Ele chamou, correndo atrás de mim.

“Sim, Frank?“ – Eu perguntei, me virando na sua direcção. Ele tinha um olhar sedutor plantado no seu resto.

“Posso ter seu número, agora?” – Ele perguntou.

“Continua sendo não.” – Eu disse, correndo para dentro da Starbucks antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa. Mandy estava esperando por mim, atrás do balcão, e ela não parecia nada contente. Mas nesse momento, eu não me importava. Passei ao seu lado sem nem dizer uma palavra. O meu estômago continuava cheio de borboletas. Maldito garoto!