Spring, Summer, Fall, Winter... and Spring
3 Capítulo 03
[ Sete meses depois; Novembro ]
Ele correu.
Ele correu o máximo que suas pernas permitiam, esticando a mão e torcendo para que fosse suficiente. Um pouco mais... só um pouco mais... A bola tocou o interior de sua luva, coincidindo com o tropeção em algum buraco. Yamamoto rolou no gramado, sujando boa parte de seu uniforme com terra e parando pouco antes de bater as costas na parede de concreto que cercava o campo. A mesma mão ergueu-se e o grito da torcida ecoou por todo o local, confirmando a vitória que ele sabia que aconteceria assim que sentiu a bola em sua luva.
As pessoas ficaram em pé nas arquibancadas e ele aproximou-se dos demais jogadores, sorrindo orgulhoso ao vê-los com lágrimas nos olhos. O primeiro jogo da minha última temporada no time... vitória! A sensação divertida que se formava na boca de seu estômago acontecia sempre que ele entrava em campo, mas naquele dia havia algo mais. Em menos de quatro meses ele teria de se despedir de seus colegas, já que não seria mais um estudante do ensino médio. Por três anos o título de Capitão era carregado com honra e parte dele estava um pouco triste por não poder viver aquela vida por muito tempo.
Os dois times se cumprimentaram e os jogadores do colégio Namimori seguiram para o vestiário. O clima era de pura euforia e os rapazes começaram a se despir na entrada, jogando os uniformes sujos por todos os lados. O moreno agradecia aos cumprimentos, sentindo-se corar. Suas roupas foram retiradas com a mesma pressa que a dos colegas e ele escolheu um dos chuveiros de uma das extremidades, fechando os olhos e deixando que a água morna tocasse seu corpo. Eu os vi na arquibancada... Tsuna, Reborn, Kyoko, Chrome, Ryohei e Gokudera.
As mãos tocaram seu rosto, esfregando-o e afastando aquele tom avermelhado. Os sons de vozes e risadas eram ouvidos em toda parte, porém, o Guardião da Chuva estava disperso demais para participar. Na semana anterior, Tsuna sugeriu que fossem em um restaurante fast-food para comemorar a vitória do time ou animá-lo no caso de uma derrota. Ele não era muito adepto a esse tipo de comida, no entanto, achou a ideia excelente, como uma maneira de sair um pouco da rotina. Kyoko e Chrome também foram convidadas e a primeira prometeu que chamaria o irmão, visto que Ryohei havia se formado e agora se dedicava ao jogo de máfia integralmente.
Gokudera nunca opinou ou demonstrou o menor interesse. Sua resposta foi um mero menear de cabeça, dizendo que faria o que Tsuna achasse melhor e que não se importaria de comer cachorro quente na rua se isso significasse agradar o seu Juudaime. Nada mudou. Ele continua me criticando quando faço algo que desagrade e não perdoa quando me atraso e, com isso, faço Tsuna esperar... É como se aquela conversa no terraço nunca houvesse acontecido.
Mas aconteceu, pelo menos para ele.
As palavras ditas naquele final de tarde jamais deixaram sua mente e coração. Nunca, em seus dezessete anos, Yamamoto fora tão honesto com alguém, e isso incluía o próprio pai. Em sua confissão foram depositados seus mais sinceros sentimentos, seus desejos mais íntimos e a impossível esperança de transformar um "eu" em "nós". Contudo, como esperado, não houve consenso e, ainda que a outra parte houvesse passado dos limites ao rejeitá-lo, ele jamais odiaria realmente o rapaz de cabelos prateados, não quando ele se deu ao trabalho de ir visitá-lo na manhã seguinte, antes do colégio.
O que aconteceu depois daquela breve conversa foi apenas a repetição dos últimos anos. Os primeiros dias foram estranhos, cheios de silêncios peculiares e olhares de soslaio. O moreno acostumou-se a ser observado, provavelmente também analisado. Os dias trouxeram semanas e as semanas os meses e estações do ano. A agradável, e particularmente morna, primavera deu lugar ao quente verão, que foi passado entre treinos, almoços no terraço e muitos sorvetes. O outono iniciou-se abafado, entretanto, não demorou a que a paisagem mudasse de tom e com ela a temperatura. A jaqueta tornou-se parte do uniforme e novembro finalmente começou.
O chuveiro foi desligado e ele passou a toalha branca pela cintura enquanto caminhava na direção dos armários. Sua troca de roupas seria um conjunto esportivo vermelho, que foi vestido sem pressa. Alguns colegas se aproximaram, convidando-o para uma comemoração que envolveria karaokê e garotas, mas ele recusou polidamente, afirmando que tinha outro compromisso e que iria em uma próxima oportunidade. A mochila foi passada pelo peitoral e o Guardião da Chuva despediu-se em voz alta daqueles que ainda estavam no banho. A temperatura do lado de fora contrastava totalmente com o interior úmido e aquecido do vestiário, fazendo-o encolher os ombros e desejar que o restaurante tivesse aquecedor.
Os amigos estavam na calçada da entrada do colégio, conversando entre si. Kyoko acenou ao vê-lo se aproximar e os elogios continuaram, deixando-o totalmente sem graça. Tsuna deu dois tapas leves em seu ombro, sorrindo de orelha a orelha e dizendo estar muito orgulhoso do amigo. Gokudera entreabriu os lábios, lançando olhos ferinos em sua direção, que o fizeram rir. Chrome o congratulou em voz baixa e desviou os olhos ao notar que recebia atenção. Ryohei foi sem dúvidas o mais entusiasmado, abraçando-o forte e avisando que naquele dia ele merecia comer AO EXTREMO.
O restaurante não era longe e o caminho foi feito entre conversas e pequenas rixas tolas entre ele e o Guardião da Tempestade, que não se conformava por ver as congratulações de Tsuna por algo "tão idiota quanto baseball". Yamamoto sabia que era inútil tentar convencê-lo sobre os pontos positivos do esporte, então decidiu apenas aproveitar a companhia e esquecer os detalhes que não fossem importantes. Meus sentimentos por ele não mudaram, mas sei melhor do que ninguém o momento certo para tirar meu time de campo. Gokudera jamais poderá retornar meu afeto e, entre tê-lo em minha vida como um amigo e simplesmente não tê-lo, escolheria a primeira opção sem um segundo pensamento.
Algumas vezes, deitado em sua cama e encarando o teto de seu quarto, ele não conseguia evitar pensar na vida que poderia ter tido. Os olhares cúmplices nas aulas, os beijos compartilhados em algum banheiro durante a troca de professores, os jantares no restaurante de seu pai e os finais de semana no apartamento... aqueles pequenos vislumbres de uma vida ideal deixavam seu peito apertado, sentindo saudades do que nunca aconteceu. Esses momentos geralmente terminavam com um amargo sorriso, principalmente quando ele se recordava das palavras que ouvira no terraço e o quão impossível aquele amor parecia ser.
O local estava movimentado, mas havia mesas suficientes para recebê-los. As garotas tinham o pedido na ponta da língua, enquanto Tsuna parecia indeciso entre dois lanches, pedindo a ajuda de seu Braço Direito para escolher. O rapaz de cabelos prateados, por sua vez, estava disposto a comer o que o amigo optasse então ambos escolheram o lanche que acompanhava dois hambúrgueres. O moreno foi o último a fazer o pedido, preferindo o sanduíche de frango e que parecia o mais saudável entre as opções.
Ele também foi o último a se sentar, engolindo seco ao notar que haviam deixado o lugar em frente ao Guardião da Tempestade vazio. Ele havia se acostumado à velha amizade, todavia, em certos momentos, como aquele, era difícil esconder suas emoções. A conversa na mesa era o campeonato nacional de baseball e Tsuna parecia orgulhoso em mencionar várias vezes que ouviu quando um representante de uma famosa universidade de Tokyo mencionou que Yamamoto seria perfeito para integrar o time.
"Você? Em Tokyo?" Ryohei mastigou o que tinha na boca e bateu-lhe com força nos ombros. "Mas que orgulho, Yamamoto!"
Kyoko parecia animada com a ideia, afirmando que seria bom ter companhia. A jovem moça tinha planos de estudar na universidade K e saber que veria um rosto amigo animou seu dia.
"Vocês realmente acham que um idiota que só tem baseball na cabeça conseguirá ir para Tokyo?" Gokudera brincava com uma batata frita nos lábios como se fosse um de seus cigarros. Os anéis brilhavam quando ele gesticulava. "Esse ai nem passou nos testes do colégio, quem dirá uma prova para universidade."
"Hm... nós teremos testes em algumas semanas..." O Décimo murmurou baixo e encolheu seus ombros.
A realidade pareceu pairar sobre a mesa como uma nuvem e o humor tornou-se menos brilhante e mais negro. Tsuna desviou os olhos, provavelmente pensando que ele mesmo jamais entraria em universidade alguma com suas notas. De todos aqui o único que tem chance real de entrar, além de Kyoko, é Gokudera, mas ele não parece entusiasmado com a ideia. Raramente eles conversavam sobre o futuro, porém, o Guardião da Chuva desconfiava que o amigo iria para onde Tsuna fosse, portanto...
Kyoko foi a responsável por levantar os ânimos, tentando soar encorajadora e fazendo o Décimo sorrir largamente com a pequena esperança de melhorar suas notas. O rapaz de cabelos prateados não perdeu tempo, juntando-se a garota e afirmando que se o Juudaime tentasse certamente entraria na melhor universidade do Japão.
Yamamoto bebia seu suco de laranja, observando a cena e sorrindo. Ele sabia que aquelas dias calmos e tranquilos não durariam para sempre. Com o fim do ensino médio, talvez a brincadeira de máfia não fosse o bastante para mantê-los unidos e a vida inevitavelmente os separaria. Se não houvesse um laço realmente forte, cada um deles acabaria seguindo um caminho diferente até tornarem-se estranhos.
No entanto, não era de sua personalidade deixar-se desanimar por "talvezes", então ele daria o seu melhor para, primeiro, formar-se no colégio e depois pensaria no melhor caminho a seguir. Universidade, máfia, o restaurante... havia direções diferentes diante de seus olhos, mas por hora ele não tinha ideia de qual delas seria a correta, aquela que o faria realmente feliz.
x
A ideia foi sugerida no meio do almoço, em uma quarta-feira.
Tsuna ajoelhou-se, colocando as mãos sobre os joelhos e encarando os amigos com olhos sérios e decididos. O Guardião da Tempestade tinha o canudo do suco de caixinha entre seus lábios e Yamamoto estava prestes a morder seu pão de yakissoba, mas parou o ato, erguendo os olhos e esperando o que viria em seguida.
"E-Eu proponho que estudemos juntos... os três, p-para os testes!"
Estava frio naquele começo de tarde, o esperado do mês de novembro. A brisa batia contra as grades, e aquele foi o único som ouvido, até o Braço Direito sugar o canudinho e pousar a caixinha no chão. A mão direita deu um tapa em sua própria perna e ele parecia extremamente renovado.
"Eu acho uma excelente ideia que estudemos juntos, Juudaime! Eu e você!"
"Eh?" O moreno virou a cabeça para o lado. Ele tinha certeza de que ouvira os três.
"E-Eu me referi a tr—"
"Nós dois Juudaime seremos os primeiros da classe, eu prometo!"
"G-Gokudera-kun..." Tsuna tentava argumentar, mas era impossível.
"E quanto a mim, Gokudera?" O Guardião da Chuva apontou para si.
"O quê? Ninguém se importa com você, idiota!" O rapaz de cabelos prateados apertou os olhos.
"Eu preciso passar também! E não posso ir mal nos testes ou ficarei de fora do time..."
"Eu pareço me importar?" Gokudera deu de ombros, voltando-se para Tsuna. "Nee, Juudaime, vamos começar o quanto antes!"
"Gokudera~"
Yamamoto chacoalhou o amigo, tentando fazê-lo mudar de ideia. Ele recebeu em troca várias respostas atravessadas e não tardou a que Gokudera ameaçasse explodi-lo se continuasse com aquela atitude. A "discussão" durou até o final do almoço e, assim que se levantou, o Décimo riu e bateu a poeira do uniforme, colocando as mãos para trás e encarando os dois que ainda estavam sentados.
"Então está decidido! Estudaremos os três!"
"J-Judaime..."
O Guardião da Tempestade apressou-se, ficando em pé e tentando persuadi-lo a deixar o moreno de fora, contudo, Tsuna apenas ria e não demorou a que a ideia fosse aceita, embora a contragosto. O Guardião da Chuva era o responsável por jogar a sacola no lixo naquele dia, e ele a carregou entre os dedos, balançando-a animadamente pelo caminho. Seus olhos sempre se abaixavam ao passar pelo local exato onde ele havia se confessado, pois ainda era difícil lembrar-se daquele dia. O sorriso tremia em seus lábios e era fácil ouvir novamente aquele discurso. Eu gostaria de saber se Gokudera também sente essas coisas. Quando almoçamos no terraço, ele se lembra do que eu disse?
Ele esticou os braços, espreguiçando-se enquanto desciam as escadas em direção ao terceiro andar. De nada adiantaria ruminar o impossível e pensar muito nunca fora seu forte, além de não fazer parte de sua personalidade. Yamamoto havia se magoado e se machucado, chorado quando ninguém podia vê-lo e tido dias de pura tristeza em que nada parecia importar ou fazer sentido. Entretanto, ele sobreviveu. Seus sentimentos por aquela pessoa não eram superficiais e insignificantes para que a amizade terminasse por causa de uma rejeição. Estar diariamente na companhia de Gokudera, ouvir sua voz e o som de sua risada, o cheiro de nicotina e o shampoo de menta, significavam muito mais do que um coração partido.
As aulas do período da tarde ocuparam totalmente sua atenção, e ele não ousaria ir mal em um teste que pudesse afastá-lo do baseball. Tsuna também parecia concentrado, fazendo anotações e marcações em seus livros. O rapaz de cabelos prateados, por sua vez, era o menos preocupado, girando o lápis em seus dedos e encarando a lousa com uma bela expressão de tédio. O último sinal soou como o toque da salvação e, apesar de estarem atentos às notas, não havia som mais doce do que a liberdade.
O Décimo parecia animado com o prospecto de estudar com os amigos e aquele foi o assunto entre eles até chegarem aos armários. O moreno se divertia com aquele entusiasmo, sentindo sua própria animação aumentar. Seus dedos se esticaram, tocando os tênis que estavam guardados e surpreendendo-se ao ver que havia mais alguma coisa naquele pequenino espaço. O envelope passou por seu ombro, caindo por suas costas e tocando o chão antes que ele pudesse ter a chance de segurá-lo.
"Aqui..." Pálidos e delgados dedos decorados por anéis ergueram o pedaço de papel.
"Obrigado..."
O Guardião da Chuva não pôde evitar o constrangimento ao notar que fora justamente Gokudera a pegar o envelope, que estava lacrado por um adesivo em forma de coração. O Braço Direito nada disse, voltando a dar atenção aos próprios tênis e oferecendo ajuda a Tsuna. Ele realmente não se importa, e por que deveria? O envelope foi colocado dentro da mochila e ele trocou os sapatos, postando-se ao lado dos amigos. Eu não sou tão forte como achei que fosse.
Suas mãos apertaram a alça da mochila e Yamamoto tentou5 afastar aquela leve frustração que se instaurara em seu peito. Intimamente, ele esperava ver uma pontinha, mesmo que insignificante, de ciúme por parte do amigo. A realidade, porém, mostrava-se cada vez mais presente, avisando-o diariamente de que talvez ele estivesse buscando seu final feliz no lugar errado.
x
Ele correu
Ele correu tão rápido que por um momento achou que o café da manhã sairia por onde havia entrado. A mão direita arrastou a porta de madeira com mais força do que seria necessário e o ar entrou por seus pulmões, queimando-os por dentro. Os olhos castanhos foram direto para as últimas carteiras da fileira próxima à janela e um suave suspiro deixou seus lábios e foi acompanhado por um meio sorriso.
"Yamamoto..." A voz do professor o trouxe de volta à realidade. "Você planeja entrar ou passará o restante do dia na porta?"
Os sons das risadas encheram a sala de aula e somente naquele instante ele se deu conta de sua situação. O pedido de desculpas foi seguido por bochechas coradas e o moreno passou pelas carteiras, ouvindo piadinhas e brincadeiras. A mochila foi pousada sobre sua mesa e ele encarou os lugares vazios ao lado. Eles também estão atrasados... pelo menos sei que não ouvirei uma bronca por isso. Parte dele queria retirar o aparelho celular da mochila e avisar aos amigos que havia chegado, mas se o professor o visse certamente não o deixaria livrar-se do castigo com meros pedidos de desculpas. Eu corri até aqui e não tive tempo de avisar que me atrasaria.
Os amigos não chegaram para as aulas naquele dia e o Guardião da Chuva passou a manhã pensando no que poderia ter acontecido. Kyoko também aparentava preocupação, afirmando não saber de nada. Nas trocas de aulas, ele tentou mandar uma mensagem apenas para ter certeza de que nada havia acontecido, todavia, foi impossível. Primeiro, seus kouhais do time apareceram e depois algumas garotas quiseram saber o motivo daquele atraso, soltando risinhos ao vê-lo coçar a nuca. Eu não posso dizer que me atrasei porque não queria acordar do meu sonho com Gokudera...
A oportunidade para entrar em contato com os amigos surgiu somente no horário do almoço e foi um pouco triste subir ao terraço sem companhia. O pão de yakissoba descansava sobre suas pernas enquanto ele digitava a mensagem para Tsuna. O som de envio foi seguido por um suspiro e ele recostou-se melhor à grade que cercava o terraço, sentindo o fraco sol aquecê-lo. É triste sem Tsuna e Gokudera... Sem companhia, ele não conseguia pensar no que fazer com os vinte minutos restantes, então simplesmente acomodou-se melhor à grade, fechando os olhos e permitindo que seu corpo relaxasse. Um rápido cochilo... só alguns minutos...
O aparelho celular vibrou e os olhos castanhos abriram-se sonolentos e preguiçosos. Yamamoto encarou o visor, arregalando os olhos e endireitando-se rapidamente. O seu rápido cochilo havia se transformado em uma soneca de quase uma hora, que provavelmente teria tido duração maior se a resposta de Tsuna não houvesse chegado. "Algo aconteceu. Desculpe por não avisar. Eu e Gokudera estamos bem. Não se preocupe."
Ele leu e releu a mensagem, rindo ao lembrar-se que o Décimo não gostava de celulares e tinha certa dificuldade com o teclado. O conteúdo deixou-o levemente preocupado e assim que o aparelho voltou para o bolso da jaqueta o moreno já sabia que precisaria fazer uma rápida parada na casa do amigo. Eu enviei uma cópia da mensagem para Gokudera, mas Tsuna respondeu; isso quer dizer que eles estão juntos. Ele se espreguiçou e segurou a sacola de lixo enquanto cruzava o terraço. Mas primeiro eu preciso de uma boa desculpa para entrar no meio da aula... de novo.
Não houve desculpa e o Guardião da Chuva ouviu um longo sermão quando, no fim da tarde, o professor responsável pela turma o chamou na sala dos professores. Por cerca de dez minutos ele conservou-se com as mãos para trás e o olhar fixo no homem de meia-idade sentado na confortável cadeira de escritório, vendo-o mexer os lábios, mas sem realmente prestar atenção. Ao final, ele desculpou-se e prometeu que estaria mais atento no dia seguinte.
Após deixar a sala dos professores Yamamoto avisou ao pai que se atrasaria para o jantar naquela noite, então não houve peso na consciência quando ele tomou o caminho que levava à casa de Tsuna. As ruas eram as mesmas até certo ponto e então divergiam e era preciso pegar à direita. A temperatura havia caído durante a tarde e ele chegou à residência do Décimo sentindo calor devido à caminhada, no entanto, sabendo que havia fumacinhas sendo formadas embaixo de seu nariz todas as vezes que respirava.
Yamamoto bateu duas vezes na porta e torceu mentalmente para que o motivo que o levou até ali não fosse nada sério. Se algum problema real tivesse surgido eu sei que Tsuna teria me avisado. Espero que Nana esteja bem. A própria jovem senhora foi responsável por abrir a porta, recebendo-o com surpresa e convidando-o a entrar.
"Tsu-kun está na no quarto com Gokudera-kun, entre, entre!"
"E-Está tudo bem?" Ele olhou ao redor e não viu nada diferente. Talvez Tsuna houvesse se equivocado?
"Eh?" Nana meneou a cabeça sem entender direito a pergunta.
O moreno riu, pedindo licença e retirando os tênis antes de entrar. Ele conhecia o caminho até o quarto de Tsuna e o percorreu sem problemas. A porta de madeira diante de seus olhos, contudo, fê-lo recuar antes que os nós de seus dedos anunciassem sua presença. Sons de passos foram ouvidos e a porta foi aberta com certo receio.
"Ah! Yamamoto!" Tsuna parecia genuinamente surpreso em vê-lo e suas palavras saíram sussurradas.
"H-Hey," ele coçou a nuca, "eu estava preocupado, então vim fazer uma visita..."
Tsuna colocou a cabeça para fora, olhando para os dois lados do corredor antes de puxá-lo para dentro do quarto. O Guardião da Chuva riu, tirando os olhos do amigo e procurando no cômodo o outro elemento. Oh... ele juntou as sobrancelhas, sem saber direito para onde deveria olhar. Gokudera realmente estava no quarto, sentado ao redor da mesinha de centro, braços cruzados e uma expressão incrivelmente séria e pesada. Ao canto, porém, havia duas malas grandes e três pequeninas.
"O que houve?" Yamamoto engoliu seco. Ele vai partir? M-Mas Gokudera disse que seus planos para a Itália ficariam para o próximo ano... "Você já está indo embora?"
"Embora?" O rapaz de cabelos prateados olhou-o com desdém. "Do que diabos você está falando?"
"Suas malas..." Ele sentiu-se desconcertado.
"Sobre isso..." O Décimo mostrou-se presente e sentou-se do outro lado da mesa. "Algo aconteceu..."
"Juudaime, você não precisa dizer nada para esse idiota." Gokudera parecia incomodado ao ver Yamamoto sentando-se entre eles.
"Eu quero saber, Gokudera." Os olhos castanhos foram para Tsuna.
Tsuna olhou de um amigo para o outro visivelmente desconfortável.
"Ele talvez possa nos ajudar, Gokudera, d-digo, te ajudar! Nós precisamos de toda a ajuda que pudermos encontrar." Ele esboçou um meio sorriso. "Houve um vazamento no prédio de Gokudera e o encanamento principal estourou. Alguns apartamentos do último andar foram inundados, incluindo o de Gokudera-kun. Ele não tem para onde ir."
Continua...
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