Spring NY

18 Well, I just had to laugh


Notas iniciais
Música-tema: A Day In The Life - The Beatles

Well, I just had to laugh

Há pouco mais de uma semana a temperatura tinha baixado a ponto de a chuva rapidamente virar neve, como de costume no fim de dezembro. O chão envolto de uma fina camada deslizante, palhetas recém-instaladas no para-brisa dos veículos particulares, jovens exibindo a nova jaqueta da coleção outono-inverno de qualquer marca presente no outdoor do metrô.

A cortina verde-musgo do quarto estava entreaberta e o dia escuro, envolto em cinzentas e carregadas nuvens. Havia pouco tráfego e apesar de não atingida pelo ambiente frio e úmido, Elsa Arendell não conseguiu reunir forças para levantar da cama. Enquanto seus olhos estavam presos no teto alto, tinha suas mãos cruzadas sob a barriga e pensamentos distantes.

As poucas vezes que visitara o país de origem da sua família tinham se dado em pleno feriado de festas de fim-de-ano, quando a empresa para a qual Agnarr prestava serviços lhe concebia um curto recesso. Entre dezembro e janeiro, porém, a Noruega afundava em longas noites de inverno e o sol nunca subia para além do horizonte. Elsa recordava-se de acordar e sempre ser noite. Seus avós contavam que o contrário também era recorrente e sempre entre maio e julho o sol permanecia 24h sob suas cabeças. Elsa nunca teve a oportunidade, porém.

Sorriu com a lembrança, sentindo seu estomago aquecido. Gostava da neve sempre lilás da Noruega. A neve nova-iorquina era diferente: o céu norte-americano era carregado não só pela estação, mas de fuligem negra das fábricas e automóveis. O amontoado da neve-negra costumava ficar acumulado junto ao meio-fio depois do contato com pneus de borracha e esgoto livre. E ainda assim Iduna parecia amar aquele lugar acima de tudo. Elsa deixou de sorrir.

Suspirou e fechou os olhos, buscando limpar a mente dos problemas e do sorriso da própria mãe. Sabia que passavam das nove horas e que logo Esmeralda ligaria para falar da reunião das dez.

Elsa não queria sentir nada, apesar de saber estar perdida em caos.

Prendendo o ar nos pulmões, levantou num único movimento suave. Quando seus pés alcançaram o chão, sentiu-se tonta.

Era segunda-feira, 31 de dezembro. Não queria viver aquele dia.

Enquanto terminava de se arrumar, acendeu um cigarro e deixou-se traga-lo da forma mais lenta possível. Esmeralda, Anna e ela tinham conversado e Elsa prometera para ambas que buscaria ajuda profissional. Que faria 2002 ser um ano diferente. Às vezes animava-se com a ideia e em outras – a maioria, para ser franca consigo – a achava estúpida. Antes de sair de casa vestiu luvas brancas de tecido fino. Quando questionada, dizia ser devido o frio – mesmo com o aquecedor ligado. E na verdade, internamente, sentia vergonha das pequenas e finas cicatrizes que formavam-se no nó dos dedos.

Chegou à Komplett às 10h11 e à reunião às 10h17.

Há uma semana havia decidido voltar a trabalhar presencialmente. 80% dos representantes estavam viajando. A reunião havia sido marcada para apresentar o balanceamento geral do ano de 2001 e sobre o sofrido índice de recuperação após a crise das pontocom que perdurou do ano de 1995 até 2000. A Komplett, como uma grande nacional da área de tecnologia, ainda sofria com os investimentos feitos apressadamente no setor da nova internet. Somente Hans Thomas, John Smith e Elsa compareceram.

John continuava com o sorriso sedutor e os fios loiros, apesar de estar mais bronzeado que o comum. O cheiro da base-líquida que Hans usava para esconder as sardas tomou conta da sala. Elsa sabia que tinha que dar uma resposta definitiva para seu pai e também para Hans. Ainda cogitava a possibilidade de casar-se para se livrar de várias complicações futuras, mas vê-lo, ao vivo e em cores, fazia seus estomago se apertar com um sentimento antigo de repulsa e, por que não dizer, quase fúria.

“Muito bom-dia, Elsa, Hans” John começou, segurando uma pasta bege “Estou feliz de tê-la conosco novamente, Elsa” Sorriu.

“Igualmente, John” Elsa sorriu de volta, agradecida.

Hans nada disse, mantendo os olhos finos em John.

O rapaz loiro tornou a falar, apresentando gráficos de todos os meses do ano. Os erros e os acertos, os produtos mais vendidos, os com menos lucros, os custos de produção e manutenção. Eram dados que, de forma geral, Elsa já tinha um vasto conhecimento. Hans discordou dos dados que diziam que o aparelho-celular com maior número de vendas havia sido um dos modelos de baixo-custo da empresa, alegando que grande parte tinha sido destinado à doações exacerbadas com a assinatura de Esmeralda. Elsa explicou que não haviam sido doações e sim vendas em grandes pacotes com altos descontos em cima da produção e com baixo lucro, porém, ainda lucro.

Perto do meio-dia, resolveram almoçar juntos no restaurante da esquina. Elsa estava de relativo bom-humor conforme o apresentado por John, apesar dos presságios da CNN e NYT para 2002. Esmeralda recusou o convite para almoçar e Elsa sabia bem que era devido à presença desconfortável de Hans.

Elsa sentou ao lado de John e de frente para Hans. O homem loiro pediu ovos com presunto frito, Hans pediu salada e água e Elsa apenas um café longo. A neve do lado de fora parecia se intensificar. No noticiário, o repórter informava acerca da negociação diplomática entre a Índia e Paquistão a fim de amenizar as ameaças de ataques com mísseis nucleares. Logo em seguida, o mesmo noticiário falava sobre a promessa musical para o ano de 2002, chamada Avril Lavigne, que vinha até então ganhando uma legião de fãs. Elsa achou graça da mistura inusitada de temas escolhidos pelo redator.

“Então Elsa” Hans sorriu, passando a mão nos fios ruivos “Quais os planos para a virada de ano? Estou com ingressos sobrando para um cruzeiro”.

A mulher sentiu vontade de revirar os olhos, mas certamente seria rude. Se endireitou no banco de couro amarelo e pensou no próprio almoço de natal. Havia decidido ficar sozinha e surpreendeu-se quando recebeu duas ligações de sócios da Komplett e mensagens tímidas de alguns funcionários do baixo escalão da empresa, agradecendo a folga e o bônus de fim-de-ano. Elsa sentiu-se bem naquele dia e nem tão sozinha. Almoçou comida congelada e voltou a ler um livro que há muito estava parada em sua escrivaninha.

“Já tenho planos, mas agradeço o convite” Sorriu sem vontade. Bebeu um tanto de café “Espero que encontre alguém logo, já é quase hora”.

Hans balançou a cabeça negativamente “Ninguém tão linda quanto você”.

John engasgou com o presunto frito e o trio ficou em silêncio até o fim da refeição. Os barulhos dos talheres, na porta abrindo e fechando, do trânsito intenso do lado de fora, os táxis amarelos, a multidão na calçada. Elsa assistia o noticiário, pouco interessada, quando seu celular vibrou.

— hey hey els. que hrs hoje?
recebida, 12h54min.

— Perto de 22h estarei aí.
enviada, 12h54min.

— estou ansiosa, sinto saudades. até então!!
recebida, 12h56min.

“Eh, e esse sorriso?” Hans levantou uma das sobrancelhas, cruzando os braços de forma presunçosa “O café está tão bom assim?”.

Elsa pigarreou e acenou para o garçom fechar a comanda.

Ali mesmo John se despediu e apanhou um táxi, deixando Hans e Elsa sozinhos. Voltaram para a sede em silêncio e da mesma forma foi quando entraram no elevador de volta à sala de reuniões. A mulher estava desconfiada. Hans estava calmo e tranquilo – e ainda assim irritante. No corredor, porém, Hans provou que não fazia nada de forma não-planejada.

Segurou o pulso de Elsa, que caminhava logo a frente e a encostou na parede. Manteve o aperto firme enquanto colocava seu corpo em frente ao da mulher. Hans era relativamente mais alto e Elsa, após passar o sobressalto, foi tomada de uma profunda irritação.

“O que pensa que está fazendo, Thomas?”.

O semblante de Hans alternou rapidamente, seus olhos brilhavam em uma onda de impetuosidade e sagacidade. Ele chegou mais perto, sorrindo e sussurrando no ouvindo de Elsa.

“Sei que anda saindo com uma mulher, sapatão” Hans riu “Seu pai adoraria descobrir isso, não é, Elsa? Inferno, eu tentei, realmente tentei de várias maneiras te conquistar. Das formas mais justas e românticas e hoje entendo porque me passava pra trás: porque é uma maldita lésbica. Mas deixa eu te contar uma coisa, doçura, você ainda é o único meio de chegar à presidência da Komplett. Infelizmente já soube que seu pai de fato passou todas as ações para o seu nome, Elsa, então... Você vai ter que se decidir. Doar as ações para mim seria sábio, mas outros desconfiariam. É melhor pensar no que quer fazer a partir de agora, antes que algo de ruim aconteça, certo?”.

Ele a soltou de forma suave e voltou a caminha, assoviado.

Elsa ficou na mesma posição por um bom tempo, sentindo-se estúpida. Pensou em Anna. Quão longe Hans estava disposto a ir para ficar com a presidência da Komplett? E quão longe Elsa estava disposta a ir para detê-lo? Sua cabeça começou a rodar. Como ele tinha descoberto?

Elsa sequer voltou para se despedir de Esmeralda. Queria ligar para Anna, mas sabia que não deveria se alarmar, ou não encontrar uma saída. Tinha que descobrir como parar Hans e acabar com tudo aquilo. Não se importava se Agnarr descobrisse – há muito tinha deixado de se importar com sua opinião. Porém, Hans era assumidamente um homem perturbado e era melhor prevenir. Talvez devesse procurar a polícia ou um advogado.

Entrou na BMW e ali ficou, com as portas travadas, assistindo o trânsito e ir e vir, as pessoas ir e vir. A neve já não caía como pela manhã. A Lamborghini Diablo de Hans parada duas vagas depois da sua. Com custo, Elsa pegou o aparelho-celular do bolso e digitou:

— Boa tarde, pai. Temos que conversar.
Enviada, 15h22min.

Não sabia o que iria fazer, mas pareceu certo. Com o pé no freio, girou a chave e escutou o motor ligar; afundou o pé na embreagem, colocou na primeira marcha e abaixou o freio mecânico de garagem, saindo devagar da vaga, mas logo estava acima da velocidade permitida para a via. Não sabia para onde ia, até avistar um pub aberto. Eram raros àquela hora do dia. Sabia que não deveria, mas não tinha o que fazer ou para onde ir até chegar 22h, conforme combinado.

Com a gola do casaco alta, Elsa entrou no pub de decoração inglesa. Para sua surpresa e também alívio, não era a única. Haviam dois homens sentados no bar e jovens comendo e bebendo nas mesas. Elsa sentou-se na mesa mais afastada que encontrou, no fim do bar e pediu gin com gengibre. Para seu paladar, gin era uma bebida relativamente doce e não tão pesada. Pegou um bloco de notas e começou a desenhar círculos enquanto pensava em meios legais e possíveis de se livrar de Hans e suas invasivas constantes.

Um copo de vermute.

Deveria entregar tudo, quem sabe. Contar para Esmeralda e para Anna que tinha desistido da Komplett e que iria ficar bem com o dinheiro na poupança. Esmeralda, porém, provavelmente testemunharia a seu favor. Procurar um advogado, porém, requeria tempo, dinheiro e paciência. Lhe faltava paciência.

Um Manhattan.

Elsa sabia estar pegando pesado. Sua cabeça já estava leve, mas já não se sentia a maior incapaz da face do planeta Terra. Sentiu-se confortável para tirar as luvas e observar as diversas e finas cicatrizes no punho. Observou e lembrou dos gritos de Anna do outro lado da porta. Os murros que garota ruiva desferia contra a porta e os pedidos de ‘por favor’. Saber ser a razão de todo aquele desespero no coração da garota lhe desmembrou por dentro. A culpa de fato foi tamanha, que na ocasião, Elsa quis morrer. Sentiu-se acuada e maldita. Além de uma constante preocupação para Esmeralda e Anna, Elsa estava repetindo tudo de novo. Não conseguia permitir a entrada de ninguém, a opinião, o avanço de ninguém sob sua vida. Sabia o que deveria ser feito.

Um eterno looping: ao mesmo tempo que tinha medo de perde-las, devida sua condição, tinha medo de tentar reverter a situação e também perde-las. Era confuso. Quais eram as chances de ambas desistirem de si, porque ela tinha medo que desistissem dela? Parecia que absolutamente qualquer caminho tomado teria um desfecho ruim. Anna entenderia e ficaria ao seu lado, caso o tal médico psiquiátrica receitasse medicamentos de tarja preta e eles tivessem seu efeito colateral? Suspirou e terminou seu Manhattan. Acendeu um KENT.

Sentia-se estragada por dentro.

Não pediu outra bebida, determinada a aproveitar um dos últimos cigarros da carteira. O pub provavelmente não era ministrado por um inglês legítimo e se era, era voltado necessariamente para o público norte-americano. As músicas tocadas se limitavam às bandas inglesas famosas, como Smiths, Rolling Stones, Radiohead, Sex Pistols e Queen, conforme o telão no alto do bar. A juventude inglesa em seu auge. Elsa até reconhecia algumas, mas não todas. Era o caso da atual, que tinha apreciado o ritmo e a trágica história. Sua mãe provavelmente a reconheceria e cantaria com um sorriso bobo no rosto.

“I read the News today, oh boy, about a lucky man who made the grad. And though the news was rather sad, well I just had to laugh”.
Eu li as notícias hoje, oh, garoto, sobre um homem sortudo que ganhou na loteria. E embora as notícias fossem bem tristes, eu não pude deixar de rir.

Elsa podia voltar no tempo.

Podia ver sua mãe, sentada do outro lado da mesa, fumando seu próprio KENT. Ela sorria, mas não via Elsa. Ela cantava baixinho. E como naquele trágico ano de 1983, ela estaria, logo após descobrir que possuía câncer? O que teria feito, quais eram as expectativas? Decidira passar mais tempo com sua única filha, seus amigos, seu marido, seus pais? Tinha decidido desistir do possível tratamento e ir surfar em alguma onda californiana? Assaltar um banco, experimentar todas as bebidas que existiam, entrar em uma briga, desenhar, escrever, tricotar? Pensava ser uma forma poética ou descolada de morrer? Sabia que ir morrer? O que seu sorriso dizia?

[It’s driving me mad, It’s driving me mad, Elsa].

“He blew his mind out in a car. He didn’t notice that the lights had changed. A crowd of people stood and stared, they’d seen his face before. Nobody was really sure if he was from the House of Lords”.
Ele arrebentou a cabeça em um carro. Não tinha percebido o semáforo mudando. Uma multidão parou e ficou encarando. Já tinham visto seu rosto antes, mas ninguém tinha certeza se ele era do congresso.

Elsa riu, antes de se deixar chorar. Sentiu-se amarga ao pensar que já tinha ultrapassado a própria idade da mãe, que morrera aos 29 anos. Realmente quebrou, uma vez mais. Fumava desejando a própria morte ou por que queria ser tão incrível quanto Iduna? Odiava o gosto, a fumaça, a queimação. Ninguém viu e se viu, fingiu que não. Era melhor assim. Não aceitava ser consolada nem por Anna, quem dirá por um homem num bar.

[It’s driving me mad, It’s driving me mad, Elsa].

As lágrimas quentes e culposas desciam até abandonar seu rosto e manchar a mesa de madeira escura. O que Iduna faria em sua situação? Sentia sua cicatriz no quadril, a do punho e a de dentro do peito, todas abertas, uma repentina falta de ar. Não podia morrer agora, Anna não perdoaria. O que Iduna Faria, o que a mamãe faria? Sua mão se apertou.

[It's driving me mad, it's driving me mad, Iduna].

“Me ajude, mãe”.

Da Bargen’s st eram cerca de 0,5 milhas até o Grand Army Plaza. Pouco mais de dez minutos de caminhada, a depende do ritmo. A entrada do parque-zoológico era uma alternativa do Brooklyn à descida da Time Square Ball: quase 15 minutos de queima de fogos quando o ano-novo chegava. Poucos costumavam optar pelo evento, então Anna achou ideal quando sugeriu à Elsa um piquenique noturno para observar os fogos na virada.

Elsa estacionou a BMW em frente ao prédio de Anna e suspirou fundo. Após sair do bar, dormiu no banco do motorista até quase 22h30. Acordou com a garganta seca, o rosto manchado e uma latente dor de cabeça. Estava atrasada. Passou rapidamente em uma farmácia, tomou duas aspirinas e comeu uma barrinha de cereais com bastante água. Limpou o rosto e ligou, avisando que chegaria atrasada. Desceu do carro e começou a subir as escadas do prédio. Ansiava ver sua namorada e ao mesmo tempo não. Sentia-se um fracasso como ser humano, sentia-se mal por absolutamente tudo.

Bateu à porta do ap. n25, lembrando de comentários maldosos de seu pai sobre apartamentos com número-e-letras serem de pobres maltrapilhos. Sentiu ânsia, a ponta dos dedos formigavam, seu estomago rodava. Hans provavelmente faria o mesmo tipo de comentário, senão pior.

“Já vai!” Anna gritou do outro lado da porta. Seus olhos voltaram a marejar e Elsa segurou firme. Entre os dedos, brincava com o pingente dourado. Anna abriu a porta, recepcionando Elsa com um sorriso largo e um abraço quente. Usava uma saia bege, casaco roxo e cachecol verde. Os tons ruivos do cabelo brilhavam. Eram quase 23h30min.

A garota ruiva fechou a porta quando Elsa entrou. Parecia feliz com a chegada da mulher mais velha. Ficou na ponta dos pés para entrelaçar o pescoço da mulher mais alta e a beijou lentamente. O beijo parecia carregado de um misto de saudade, carinho e volúpia. Não se viam desde a véspera de natal, quando Anna tinha decidido viajar para Flórida, visitar seus pais.

Elsa fechou os olhos e sentiu-se esgotada. Escorreu a língua entre os dentes da garota mais jovem, sentindo a firme massagem que Anna fazia em sua nuca, intensificando o contato de ambas. Anna guiava até o quarto, deitando Elsa sob a cama de casal e sentando sobre o quadril da mulher loira. Sorria quando segurou os braços de Elsa acima da cabeça loira.

A mulher loira ofegou quando Anna lhe mordiscou particularmente forte no pescoço, subindo até a orelha e diversificando o contato entre beijos e lambidas na articulação. Respirava devagar, causando arrepios em Elsa, que umedeceu os lábios e olhou de forma desejosa para Anna que logo compreendeu e a beijou novamente, desejosa. Quando Anna libertou os pulsos de Elsa, esta os manteve na mesma posição, entregue. As bocas se distanciaram e Anna sorriu sacana. Aos poucos Elsa perdia-se, adorando a sensação do peso que o corpo de Anna exercia sobre o seu. Seu centro já pedia atenção e talvez, fosse cedo demais.

A culpa bateu novamente.

Voltou sua atenção à Anna que saiu de cima de si e se colocou entre as pernas de Elsa, tencionando o corpo para frente e pressionando a intimidade da mulher levemente com o joelho. Elsa gemeu e os olhos verdes brilharam.

“Hmm, já está assim, Els?”.

A mulher mais velha sentiu-se envergonhada. Sabia que Anna atuava um personagem e que provavelmente, estavam na mesma situação.

“Você é meio arrogante, não é?” Suspirou.

“Hm...” Anna levantou as sobrancelhas e suas mãos passaram a desabotoar vagarosamente a camisa social azul de Elsa. Mantinha a massagem leve sob a calça de brim “Talvez?”.

Quando terminou o processo, Anna puxou os braços de Elsa e deslizou as alças do sutiã rendado pelos ombros e braços, expondo os seios arrepiados e os mamilos rígidos. Anna abaixou o próprio torço e usou a língua quente para circular um dos mamilos rosados. Elsa sentiu uma enorme onda de prazer correr sua espinha e se instalar no abdômen inferior. Agarrou a nuca de Anna e a empurrou em direção ao seu corpo, delirando com o contato da boca quente e macia. Sentia-se tomada, sua cabeça nublada e pensamentos distantes.

Queria sentir-se assim para sempre.

Anna estava de quatro em cima de si e então Elsa aproveitou para começar a deslizar as mãos na coxa da garota, subindo lentamente sua saia. Queria senti-la também.

“Não, não” Anna abaixou, sussurrando em sua orelha “Por enquanto minha saia ficará exatamente onde está. Sua calça, porém...”.

Beijando o dorso de Elsa, Anna desceu pelos seios e pela barriga, esquecendo um rastro de salive quente no caminho. Abriu o botão da calça de brim e a abaixou até a altura dos joelhos, de forma intencional. Manteria as pernas de Elsa juntas. A mulher loira afundou a cabeça no colchão, ansiando o toque das mãos da mais jovem.

Realmente estava excitada, vibrante e intoxicada. Queria consumir-se no ato, sumir e deixar de ouvir o som do próprio grito de angústia. Almejava ser uma com Anna e que tudo aquilo curasse seu âmago.

Anna baixou e beijou com gula todo o centro úmido da mulher, deslizando a língua devagar entre os grandes lábios e o clitóris, ora beijando, ora chupando levemente. Parecia se deliciar com o ato, segurando firme os quadris da mulher mais velha, que gemia e rebolava sobre a boca da garota. Elsa tentava afastar suas pernas, a fim de mais contato, mas Anna não permitia, e aquilo só enlouquecia mais a mulher mais velha.

“Oh, Anna” Choramingou.

O velho olhar de raposa de Anna Miller brilhou e ela se antecipou em introduzir dois dedos no interior de Elsa, que abriu a boca num gemido mudo. Os músculos abaixo da cintura doíam de prazer e ela só queria mais daquilo. Anna começou a estimular o clitóris com a língua e seus dedos tomaram uma série de movimentos constantes. Elsa podia derreter a qualquer momento, sabia disso. Sentia-se preenchida, amada e desejada. Segurou firme os ombros de Anna, acompanhando o movimento com todos os outros músculos do corpo. Uma fina camada de suor sob ambas as peles, gemidos libertinos.

Alcançou o orgasmo em um lapso que a fez tremer e gemer uma última vez o nome da garota ruiva. Quando apertou o ombro de Anna, a garota parou lentamente e voltou-se para um abraço. Ficaram assim um par de minutos.

“Deveríamos levantar, Anna, ou vamos perder a virada”.

“Hm” Anna respondeu em um muxoxo, se alinhando mais ao dorso nu.

Ficaram em silêncio. Anna fazia círculos com os dedos no quadril da mulher. Elsa sentiu quando ela encostou na cicatriz e continuou a carícia.

“Feliz aniversário, Els” Anna beijou sua testa.

Faltavam um minuto para meia-noite, conforme informava o relógio da cabeceira. Elsa não esboçou reação de surpresa, sorrindo e escondendo o rosto na curva do pescoço de Anna, deixando-se chorar. Os fogos estouraram e iluminaram a janela do quarto repetidas vezes.

“Lamento, Anna” Murmurou “Realmente lamento”.

18 de março de 2020

Notas finais
Muito boa-tarde, jovens leitores Capítulo novo, como prometido em novembro! (kkksksks) Mas a verdade é que agora tô com muito tempo livre pra escrever, bebendo meu vinho e ligada no jornal. É provável que saia algo novo nos próximos dias, seja de NY ou Rasura. Um ponto importante sobre vocês e sobre mim também: na minha época, a galera só lia fanfic que tivesse sexo e sexo e sexo, em todos os capítulos. Eu não me considero uma boa escritora erótica e por isso é tão raro ter cenas de sexo nos meus capítulos (e isso me tirou muito leitor, na época). Hoje, vocês continuam aqui, comentando e sendo lindos, apesar de eu nunca escrever uma cena hot ksksksks obrigada por isso. No mais, estou aqui pra quem quiser conversar, ou se quiserem me recomendar algo para ler, assistir ou ouvir. Fiquem em casa, assistam o especial sandy & junior amanhã no altas horas, bebam água e lavem as mãos. bj bj