Spring NY
6 I want to be forever young
Parte II – Summer
I want to be forever young
O solstício de verão era notícia nas rádios e programas televisivos.
Conforme o hemisfério norte lhes dizia, era um dia exclusivo para os cidadãos se despedirem das ocasionais chuvas de fim de tarde, oriundas da florida primavera.
O verão nova-iorquino corria sob a imponência do sol forte e umidade acima do padrão. Diversas atividades ao ar livre tomavam conta da cidade, buscando o coração de cada um. O Shakespeare in the Park ou o Summerstage, ambos no Central Park, alertam a população que existe algo além do concreto. Coney Island ficava lotada de turistas sujos de protetor solar.
A Starbucks continuava lotada.
Elsa deixou os olhos correrem a janela recém-limpa.
Não apreciava tanto o verão quanto os estudantes de intercâmbio. Três meses de um calor sufocante que gerariam contas de luz mais caras, por conta do ar-condicionado ligado o expediente inteiro. Certa vez havia se pego pensando sobre estabelecer novas regras em relação ao uniforme durante o verão; talvez roupas mais confortáveis e adequadas à temperatura ambiente. Seu pai, contundo, debochou da proposta. Um provável começo de uma discussão sem primeiro ou segundo lugar.
Um passo para trás.
Olhos colados no carpete.
Conforme o verão avançava as tardes ficavam mais longas. A temperatura começou a subir uma semana antes do previsto, apesar da fama das quatro estações definidas de Nova Iorque. As ruas mantinham-se movimentadas, lotadas de viajantes que desejavam desbravar cada pedaço daquelas ruas sujas de fuligem e poeira.
Elsa bocejou quando especulou a papelada ainda pela metade.
Desabotoou a primeira casa da camisa que lhe apertava o pescoço, passando estrategicamente os olhos nos papéis de gramatura duvidosa.
Carimbo. Assina. 21 de junho de 2001. Passa.
O horário reservado para o almoço já havia sido esquecido e Elsa pôde sentir seu estomago reclamar novamente. O reprimiu com dois goles de água.
Seu aparelho celular vibrou em cima da mesa, atraindo o olhar da loira. De forma cotidiana Elsa o ignoraria. Na última semana, porém, cada SMS era lido com um sorriso involuntário que a própria loira já havia reparado.
— hey els! vou sair com alguns amigos hoje. vamos?
recebida, 15h23.
Elsa deixou sua coluna dolorida bater contra o encosto de couro, sentindo-a latejar. Com a caneta preta entre os dentes, deixou seus dedos escorregarem pelo teclado QWETY do aparelho, pensando de forma cuidadosa no que escrever.
A verdade é que não há porque não ir. Estive pensando em ver Anna essa semana, mas foi tudo tão corrido que acabei deixando de lado. Se bem que você nunca foi uma pessoa tão sociável Elsa. Poderia acabar estragando a noite dela com os amigos. Se bem que... Preciso sair um pouco. Argh, por que tudo é tão difícil? É só mandar uma mensagem com três letras, Elsa. Acho que ainda vou enlouquecer presa ness-
Seu pensamento foi cortado por um toque polifônico.
“Elsa Arendell”.
“Elsa” houve um pequeno suspense “esqueceu que tem um pai?”.
A loira que havia segurado a respiração a soltou devagar. Descansou os olhos reparando na quina da tela do computador.
“Boa tarde, pai. Como o senhor está?”.
“Bem. Ouça Elsa, estou em NY e farei um jantar. Esteja aqui às 18h”.
Por motivo algum a loira foi transportada para a noite que conhecera Anna. Uma noite chuvosa e isolada, onde Elsa aproveitava as gotas pesadas para acalmar sua enxaqueca. Entrou no Eight Legend de sobretudo preto e quase exigiu um conhaque à atendente. Em sua mente, aquilo tudo parecia patético, mas não foi isso que Anna lhe deixou transpassar. Elsa se sentiu uma verdadeira adulta, dona da própria vida, ao conversar com a garota ruiva.
Hoje, vê-se que não era bem assim.
“Claro” exprimiu com um sorriso que faltava razão.
Aceite sua realidade, Elsa.
“Até”, mas não soube quem disse primeiro. Ambos pareciam ansiosos para que a ligação caísse ou que surgisse um túnel.
A mulher segurou o celular mais forte entre os dedos.
— Que horas?
enviada, 15h27.
— as... oito?
recebida, 15h29.
— Irei resolver algumas coisas. Respondo até às sete.
enviada, 15h30.
— okay! juro que eles são legais!!
recebida, 15h32.
Será que estou enganando Anna sobre quem sou?
Guardou o celular no bolso, voltando à atenção à sucessão de pedidos que não haviam alcançado o destinatário. Uma pasta lotada de justificativa da empresa transportadora.
Pouco antes de quatro e meia, Elsa ouviu uma batida na porta. Era Esmeralda com uma xícara de café expresso. A loira aceitou, esboçando agradecimento pelo mínimo de preocupação que sua eficiente secretária procurava demonstrar.
Esmeralda era uma mulher passional e espirituosa, de personalidade forte. Descendente de ciganos e viajantes, havia sido criada por seus avós, que a incentivaram a seguir o rumo que quisesse. Enquanto secretária executiva sabia lidar muito bem com os membros arrogantes e atirados da empresa; enquanto cigana, tinha bondade em espírito e adorava dançar. Era alta, de pele negra e volumosos cabelos escuros. Olhos tão verdes que era normal as pessoas perderem o fôlego ou a postura a encarando.
Esmeralda era espontânea.
“Srta. Arendell” ela se reencostou na parede “qualquer dia desses, seu estomago irá virar do avesso”.
“Sai almoçar um pouco depois de você, Esmeralda”, Elsa respondeu de forma automática.
“Oh! Lamento Srta. Arendell”, Esmeralda gesticulou como se estivesse espantada “Mas eu também não sai para almoçar”, piscou para Elsa, fechando a porta atrás de si e cortando a linha de visão da loira.
Elsa riu baixo. Apesar do muro de Berlim que a loira tentava construir ao redor de si, a fim de basear sua vida em puras e simples relações formais, Esmeralda não parecia ligar muito. A mulher parecia usar de atalhos, como se uma escada bastasse para ela ficar sentada em cima do concreto, rindo do esforço da outra. Era sua secretária desde que assumira a empresa há três anos ou mais. Às vezes até mesmo conselhos surgiam em conversas aleatórias.
O café desceu amargo, reproduzindo em Elsa um careta.
Cogitou gritar à outra, mas deu-se conta que tudo aquilo era proposital. Lamentou ter que levantar e ir até a sala seguinte, logo após a sua.
“No que posso ajudá-la, Srta. Arendell?” a mulher manifestou prazer no olhar quando observou Elsa a encarando, descrente.
“Elsa, Esmeralda. Já disse para me chamar de Elsa”, resmungou a loira, deixando a xícara de líquido preto e puro em cima da mesa.
“Sinto sua aura péssima, Elsa”, Esmeralda passou a encarar sua chefe, de forma séria “algo a tem alegrado, mas também a preocupa. Não quer conversar?”.
Mas como... Estou deixando transparecer tanto assim? Ora Elsa, santa paciência.
“Por que acha isso?” questionou a loira, levantando uma única sobrancelha.
“Só chuto verde”.
Elsa manifestou cansaço em forma de riso. Passou as mãos no pálido rosto e jogou sua franja para trás.
“Nada mais que o normal. Fiz amizade com uma universitária”, comentou Elsa, deixando-se vaguear “E eu a admiro muito, sabe? Não tem a melhor vida do mundo, mas faz parecer que sim”.
Esmeralda deixou escapar um sorriso malicioso que passou despercebido pela chefe.
“É bom ter alguém do tipo para conversar. Elas renovam a energia”, parafraseou a mulher. Seus olhos descansaram nos de Elsa, se atentando num sentimento desconhecido “Eles tem muita expectativa de um bom futuro. É normal essa expectativa conforme os anos”.
Elsa concordou, balançando positivamente a cabeça.
“Olhe a hora, Srta. Arendell. Melhor encerrar por hoje”.
Em casa, a loira escolheu um discreto vestido preto, se baseando no cumprimento um pouco acima dos joelhos e pequenas frestas nas costas. Algo que parecia ideal para jantar com seu pai e, se o destino permitisse encontrar Anna e seus amigos.
Quase uma hora até Long Island.
A mansão era uma antiga propriedade de luxo. Comprada há pouco mais de dez anos, havia servido de morada para mais de oito gerações da família Lewis, que faliu após a Quebra da Bolsa de Valores de 1929. Hoje era uma das extensões de veraneio da família Arendell.
Estacionou a BMW 750-2000 logo em frente ao glorioso portal de acesso à mansão. O céu jazia escuro quando um dos empregados da casa ocupou-se em correr e atender Elsa.
Agnarr estava sentando na ponta da comprida mesa de madeira grossa. Vestia um de seus ternos mais caros, enquanto seu fino bigode estava devidamente penteado. As velas acesas, taças de vinho caro e comidas exóticas normalmente norteavam uma ocasião especial.
Não era exatamente o caso.
Agnarr gostava de luxo.
Perante a mesa ainda, estavam sentados o casal Harrison, logo ao lado dos Wright. Hans e seu irmão mais velho também estavam presentes.
Oh meu Deus, sou tão iludida! Pensando que íamos finalmente conversar. Mas claro que é uma reunião de negócios. Claro, claro. Por que mais ele viria à Nova York?
“Muito boa-noite”, Elsa expressou com dificuldade.
“Elsa, minha filha!” Agnarr levantou-se “Só estávamos a esperando. O táxi que a trouxe estava tão devagar assim?”.
Vamos lá...
Elsa observava os minutos se arrastarem. Tinha mordiscado algumas ervilhas do molho de pato assado. Bebericava do vinho seco. Os presentes na mesa conversavam de forma descontraída sobre o clima, animais de estimação e em como as empresas chinesas haviam dado certo.
“Hans nos contou sobre sua boba ideia de celulares populares, Elsa” seu pai lhe dirigiu a palavra. Apesar de claramente ter ouvido seu nome ser pronunciado, a loira não se atentou e manteve a cabeça baixa e o olhar envolto em neblina, como um robô em estado de suspensão.
“Ah sim, pai”, respondeu “Os dados dizem que vendem muito”.
“Elsa, minha querida filha, não somos uma concessionária!”, riu Agnarr, sendo acompanhado pelos demais.
“De fato a Komplett não é, pai” a mulher aspirou, deixando o garfo cair ao lado do prato “Até onde sei, é uma empresa de artigos eletrônicos. Não uma empresa de artigos de luxo voltada somente à classe alta”.
Agnarr lançou um olhar rígido à Elsa.
A loira queria talhar na mesa: você se a-p-o-s-e-n-t-o-u.
Deixe disso.
Maldita educação.
Agradecida Elsa presenciou o silêncio conquistar o lugar. O pendulo acima da lareira apagada afirmava ser quase oito horas.
“Então Elsa, como se desenrolou o encontro com o jovem Hans?”.
“Se me permite, senhor” Hans se pronunciou “Magnífico. Elsa é extremamente educada e uma pessoa muito gentil e, não sei se sabe, tem um ótimo paladar para vinhos finos! Espero ter a oportunidade de a levar outras vezes para jantar”.
“Maravilhoso!” Agnarr levantou uma taça “Um brinde ao jovem rapaz que tão logo dará continuação à geração Arendell”.
Vagamente o estomago de Elsa virou e ela não encostou em sua taça. Todos a encaravam.
Eu não acredito.
“Elsa teve bons genes a quem puxar, Agnarr” analisou Linda Wright “Será uma ótima progenitora”.
Há quem diga que possa piorar.
A loira apertou forte o próprio punho, sentindo vagamente suas unhas machucarem. Seu relógio marcava oito e um.
“Lamento a todos, mas tenho outro compromisso. Tenham uma excelente noite”.
“Elsa! Hans tem algo a te falar!”, gesticulou Agnarr.
A mulher questionou a si própria, se perguntando como havia ido parar uma cena de filme dramático medieval. Um pequeno tremor no calcanhar.
Hans tem algo a ter falar.
“Lamento, é um compromisso importante”.
Elsa deu de costas a todos, saindo com o queixo erguido e a boca seca. Tinha tanta a coisa a falar. Sentia seu coração em tropeços. Oh, tropeços de raiva. Sentia-se humilhada. Em seu carro bateu de forma violenta contra o volante. Soltou os fios loiros da trança que os envolvia e apertou a nuca, descansando a testa no volante. Fechou os olhos, tentando se acalmar.
Não tenho nada para falar com Hans! Oh meu deus, o máximo que eu tenho para falar pra ele é que seu gosto para vinhos é horrível.
Elsa buscou seu telefone no porta-luvas. Pensou em ligar para Anna, mas não tinha certeza que sua voz estaria estável o suficiente.
— Estou a caminho. Qual o endereço?
enviada, 20h06.
— king blues club.
recebida, 20h07.
A loira se martirizou, ligando o carro e saindo da propriedade. O trânsito inflamado em plena quinta-feira dificultaria o processo de chegar antes das dez. Durante o percurso pensava em Anna, a fim de se acalmar. Pensava nas SMS que recebia da garota ruiva. Pensava como o simples fato de Anna a tê-la convidada para um encontro casual com seus amigos e em como aquilo lhe aquecia o peito.
Pagou o estacionamento privado em uma rede de hotéis antes de entrar no King Blues, um famoso bar-restaurante com música ao vivo. A loira respirou fundo antes de perguntar pela mesa de Anna Miller.
Anna estava sentada numa mesa do andar de cima, ao lado do salão de dança, junto à um rapaz alto e loiro e uma garota de cabelos escuros, que Elsa reconheceu também ser atendente do Eight Legend. A garota esboçou um sorriso sincero quando se levantou para abraçar Elsa.
Oh, mas é claro que eles estão de jeans e flanela. Você vai sobreviver Elsa.
“Elsa, você está... Delirante!” Expos.
“Como?”.
“Quero dizer, hã...” Anna pareceu desconcertada “Deslumbrante! Oh, venha. Este é Kristoff e Amber”.
“Boa noite, sou Elsa”.
“Aah, já sabemos!” Disse Kristoff, batendo ambas as mãos “Anna não parava de falar de você”.
“Kristoff!” A garota ruiva repreendeu o amigo, enquanto Elsa abaixava a cabeça, tentando esconder seu embaraço.
Kristoff e Amber beliscavam uma porção de batata frita repleta de cheddar e bacon, além de dois grandes copos de chopp pela metade. A casa brincava com ritmos de jazz, blues e músicas de salão para os casais.
“Tão bom estar de férias! Sequer acredito” exclamou Kristoff com um ar quase infantil.
Oh sim, férias.
Elsa não tinha esse sentimento juvenil.
Saudade e nostalgia.
Os anos oitenta haviam ficado para trás com toda sua versatilidade e também insanidade. A cada esquina uma criança de doze anos com um maço de cigarros barato em mãos ou às margens de um riacho e trilhos de trem.
Eles costumavam deixar projéteis nos trilhos.
O barulho de estouro deixava Elsa apavorada.
Anna gesticulava com as mãos, sorrindo enquanto contava a história de um homem que entrou no restaurante acreditando ser uma livraria. Elsa observava as sardas pularem o rosto da garota quando ela passava a mão no rosto para tirar um fio ruivo do seu raio de visão. Kristoff batia com o punho contra a própria coxa e Amber chorava de tanto rir.
A loira tomou dois goles do espumante que havia pedido.
“... Então aos vinte e quatro!”.
Todos elevaram seus copos de cerveja.
A loira piscou, como se acordando. Encarou Anna reclamando sobre estar constrangida e que eles lhe deviam batata frita.
“É seu aniversário, Anna?”, Elsa questionou.
A garota voltou sua atenção para a mulher, ambas as sobrancelhas elevadas, as pintas tomando uma cor de cobre. Encarou os olhos da garota.
“Hã... É sim”.
“Por que não me disse? Teria comprado um presente” Elsa se levantou abrindo os braços. Anna imitou o gesto. O abraço foi breve e a loira pôde sentir o cheiro de fumaça nos grossos fios ruivos, provavelmente das carnes defumadas do restaurante “Feliz aniversário, Anna”.
“Sua presença me basta” A ruiva sussurrou, apoiando a cabeça no ombro da mulher mais alta.
“Nascer no solstício de verão” Elsa voltou a se sentar.
É bem a sua cara, Anna.
Diferente de sua tarde, a noite pareceu correr. Perto de meia noite Elsa já sabia que não poderia mais beber, por estar dirigindo. Enquanto tomava um grande copo de suco de laranja com soda, Anna se empurrou para o lado da loira. Amber havido ido ao banheiro e Kristoff ido atender uma ligação de seu companheiro de quarto.
“O que está achando?” perguntou a garota. Os olhos esperançosos.
“Estou ótima” respondeu Elsa “Acho que vocês gostam um pouco de Milk-shake”.
Havia sete taças vazias em cima da mesa.
“Oh, sim. É uma das coisas que eu mais gosto nessa vida”.
A banda em cima do palco pediu um tempo de pausa. Novamente a música de salão tomava conta do ambiente.
“Deveria ter me dito que era seu aniversário. Sinto-me mal chegar de mãos vazias, Anna. Mas venha, vamos dar um jeito nisso”.
Elsa puxou a garota até o espaço aberto em frente ao alto palco. Apenas dois ou três casais entretidos conversavam e aproveitavam o clima ameno. Alguns dançavam mais rápido e suavam bastante.
“Não sei dançar, Elsa”.
Anna parecia apavorada.
“Não tem nada demais” Disse a mulher mais velha, encostando-se a garota “Acerte sua coluna...” desceu a mão até a cintura de Anna “Coloque a mão esquerda sob meu ombro e olhe para mim. Está tudo bem”.
Essa mulher confiante era Elsa Arendell?
Estava enganando Anna?
Quem sou eu afinal?
“Elsa, e-eu... Vou acabar pisando em seu pé!” a ruiva gritou em meio a um sussurro nervoso.
“Anna, escute a música” Elsa sussurrou de forma melodiosa contra a orelha da garota “Ouça os instrumentos. Ouça seu sangue correr”.
Me ouça.
Elsa sentiu o tremor da garota sob seus braços. Segurou firme sua mão a fazendo girar e a puxando de costas para si, com o braço cruzado. A mulher mais alta atrás de si respirava devagar e serena, o que faz Anna fechar os olhos e procurar se acalmar.
“Perdoe-me estar tão distante” Elsa se confessou, beijando o topo da cabeleira ruiva antes de girá-la de volta a posição “E por me atrasar”.
A atração entre Anna e Elsa era algo de certa forma inquestionável. Um perigoso jogo de sedução por parte da loira e de talvez, uma falsa inocência por parte de Anna. Um jogo que elas não buscavam prestar atenção ao redor. Elsa se deteve. Enquanto sua mente vagava em meio à neblina que era os toques de Anna, ignorando todos ao redor, não era bem isso que acontecia. As pessoas olhavam, as pessoas comentavam, as pessoas reclamavam.
As pessoas matavam.
Encobrir, não sentir.
Beijou a testa da garota e a abraçou. Não deixaria que uma discussão de baixo calão com algum homofóbico qualquer estragasse a noite de Anna.
“Nunca vi Anna se mexer com tanto medo” Kristoff riu, enquanto ele e Amber batiam palmas.
A maldade do tempo.
Às três da manhã bateu quando o garçom trouxe a conta. Eles faziam as contas do quanto cada um pagaria além dos 10% do garçom simpático. Elsa se interpôs, afirmando que pagaria como presente de aniversário de Anna, mesmo sob protesto da garota.
Kristoff e Amber decidiram por um táxi.
“Wow!” Exclamou a ruiva ao avistar a BMW.
Elsa se sentiu um tanto quanto mal.
O percurso até o Brooklyn foi razoavelmente tranquilo. Anna perguntou se poderia ligar em sua rádio favorita de Classic Rock. Elsa conhecia a música.
Sitting in a sandpit, life is a short trip.
Brincando numa caixa de areia, a vida é uma viagem curta.
The music's played by the, madmen.
E a música é tocada por loucos.
Forever young, I want to be forever Young.
Pra sempre jovem, eu quero ser pra sempre jovem.
Um brinde ao jovem rapaz que tão logo dará continuação à geração Arendell.
Anna cantarolava baixinho, presa ao cinto de segurança do banco do passageiro. Não demorou muito para adormecer.
Elsa teve bons genes a quem puxar Agnarr, será uma ótima progenitora.
Elsa encarou Anna por um breve momento.
Talvez vocês se decepcionem.
19 de julho de 2017
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