Splice

1 Sleepless.


Notas iniciais
boa leitura!

Naquela manhã, Bill Kaulitz não acordou se sentindo muito bem. O laboratório branco e gelado parecia especialmente desagradável. Os cantos arredondados do único cômodo que parecia ter toda a mobília entulhada apesar do excesso de espaço pareciam brilhar com a claridade. Chegava a doer os olhos, mas ele não tinha certeza se era por conta do reflexo do sol, ou seus olhos eram apenas mais frágeis que o de uma pessoa normal.

Não que ele não se considerasse uma pessoa normal, apesar dos apesares.

– Bom dia! — uma moça de um metro e meio de altura chamada Kimberly McMitchell trazia uma tigela nos braços — Dormiu bem?

Bill deu de ombros.

– Não consigo dormir.

– Vamos dar um jeito nisso. — deu um sorriso artificial que até poderia ser verdadeiro se ela fosse uma boneca de plástico, mas não.

Não é que ela não fosse uma pessoa legal, mas era simplesmente muito ruim em mentir para fazer os outros se sentirem melhores.

– Toma. — entregou-lhe a tigela que continha uma mistura tão feia que parecia que sairiam cobras e lagartos de lá quando Bill começasse a comer.

– Isso é horrível.

– Morrer de fome também é. — resmungou.

Ele bufou e preferiu não argumentar contra. Tinha que engolir aquela meleca desde pequeno e sabia que aquilo provavelmente não mudaria no futuro previsível.

E no resto do futuro também não, mas é sempre bom manter as esperanças.

– Bom dia! — uma voz irritantemente animada adentrou a sala-quarto-cozinha-laboratório. Tom Kaulitz vinha sorrindo, mas assim que analisou a cara do irmão sua expressão mudou para algo meio apático — Cara, você está horrível.

– Obrigado.

– Mas hoje tem festa! — voltou àquela animação quase gay de antes — Natalie vai dar um jeito na sua cara, pode ficar tranquilo.

Maravilhoso o modo como até seu irmão gêmeo cometia sincericídios o tempo todo.

– Obrigado novamente.

– Credo — o mais velho fechou a cara -, vai morrer se tentar dar pelo menos um sorriso? Hoje você vai conhecer Brianna Collins, cara. A menina é tipo o gênio dos gênios. Sempre quis saber se ela é bonita daquele jeito pessoalmente, afinal, não se pode ser bom em tudo.

– Deve ser. — Bill deu de ombros sofrendo pra engolir aquele nojo em forma de papinha — Eu preciso comer mesmo isso? Tem gosto de morte súbita por envenenamento.

Suas reclamações não puderam estender-se por mais tempo porque mais uma pessoa fez o favor de interrompê-lo com sua chegada. Natalie Franz. A Maquiadora Melhor Amiga Responsável Pela Boa Aparência Do Bill Quando Ele Tem Insônia e Quando Não Tem. Ela carregava uma bolsa que parecia grunhir de agonia de tão cheia e jogou-a no chão, arfando, na primeira oportunidade.

– Gente, o que é que vocês estão fazendo aí? Já era pra estar todo mundo quase pronto pra fest... — e sua quase bronca foi interrompida — Espera. Bill, faz quantos anos que você não tira um cochilo?

Ele apenas lançou-lhe um olhar mortal e continuou mastigando a mistura desagradável apelidada de comida. Apesar dos comentários nada amistosos, não sentia a menor curiosidade de ver qual era o real estado do seu rosto antes da maquiagem. Deviam ser apenas umas olheiras, mas com ele, qualquer coisinha era motivo pra acharem algo errado e criar mais uma injeção pra corrigir seus problemas.

– Vocês me tratam que nem criança. — resmungou, por fim, entre uma colherada e outra.

– Estamos apenas preocupados com você — Tom deu de ombros enquanto espiava o que Kimberly fazia. Ela folheava uma agenda cheia de horários e palavras escritas à lápis, nada de muito interessante — E com a nossa imagem, é claro, porque vamos conhecer gente importante, inclusive...

– Já sei, já sei. — Bill suspirou, fazendo uma pausa para tossir ao engolir a comida errado — Aquela Brianna alguma coisa.

– Collins.

– Isso aí.

– Preciso me manifestar — Natalie ergueu a voz enquanto arrastava sua bolsa até a mesa -, e fazer uma súplica: Bill, por favor, não faça a menina se apaixonar.

– Não sei se consigo. — e o primeiro sorriso do dia apareceu em seu rosto — Sabe como é, está no DNA.

Notas finais
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