Notas iniciais
capítulo curtinho, mas pra encaminhar as coisas.

- Tente sorrir — Natalie balbuciava enquanto terminava os retoques da maquiagem no rosto do melhor amigo no banco de trás da SUV dele — E ser simpático, porque vai ter gente importante lá — o carro deu um pulo — Droga, Tom, dá pra dirigir direito? Vou borrar tudo!

- Não tenho culpa dessa estrada ser uma merda. — urrou. O ar lá estava tão pesado que parecia que ia esmagá-los uma hora ou outra.

- Relaxem, é só uma festa. — Bill Kaulitz disse, abrindo os olhos por um momento e levando um tapa no ombro da loira à sua frente.

- Não se mexe. — Natalie rosnou e o carro deu mais uma freada brusca — Tom! Dá aqui esse volante!

- De jeito nenhum! — ele berrou — Já disse que a culpa não é minha.

- Me lembrem de sugerir para seus respectivos psiquiatras que aumentem suas doses de Rivotril. — Bill resmungou, sacudindo a cabeça para livrar-se das mãos da maquiadora — Sai, você já passou umas cinco camadas de lápis aí.

- Ótimo. — Natalie fez uma cara amarrada — Boa sorte arrumando a si mesmo pelo resto da vida.

- Teatral.

- Não sou.

- É.

- Não.

- É.

- Talvez um pouco.

- Chegamos! — Tom finalmente estacionou em uma vaga próxima à entrada do salão. Havia uma aglomeração de pessoas e certa confusão na porta.

- Espera — Bill estendeu uma das mãos, fazendo um sinal para que não saíssem do carro ainda — O que vamos dizer quanto ao paradeiro de Georg e Gustav?

- A verdade, ué. — Tom deu de ombros.

- Não podemos dizer que eles foram passar férias no Caribe e não se dignaram a vir! — bateu o pé.

- Bill, dá um tempo — Natalie bufou — Deixe-os com suas sungas floridas patéticas e vamos aproveitar essa festa.

Ela e Tom apressaram-se em sair do carro, mas Bill foi mais lento. Assim que sua amiga lançou-lhe um olhar repreensivo, ele sussurrou baixinho:

- É sério isso das sungas floridas?

- Espero que isso tudo seja apenas a falta de sono. — ela suspirou e puxou-o até a porta do salão.

-x-

- Brie — deu uma cotovelada nas costelas da amiga — Te arrasto pelos cabelos pra um beco escuro e te sento a porrada se você não for mais simpática.

Addison Walker era a melhor amiga de Brianna Collins. As duas deviam ter pouco mais de um metro e meio de altura e estavam condenadas eternamente a parecerem crianças, apesar de seus 21 anos, devido às suas feições infantis. Uma delas parecia a felicidade em forma de pessoa e, a outra, nem tanto. Talvez fosse realmente terrível ter todos a bajulando o dia todo.

Brianna tentava sorrir para todos enquanto bebericava sua taça de espumante. Aquela mostra dos melhores carros do ano a deixava profundamente irritada. Não porque o carro que ela ajudara a desenhar era um estacionado no meio do salão e ela recebia elogios ininterruptamente, é claro, mas suas crises de mau humor repentino não eram mais do que normais.

Encostou-se na parede, respirando fundo e dando uma boa olhada nos convidados. Não eram pessoas muito especiais, em sua visão. Apenas alguns fotógrafos privilegiados que podiam entrar e fazer seu trabalho, homens uns trinta anos mais velhos que ela e mulheres em vestidos duvidosos.

Fechou os olhos por um instante mas logo ouviu uma voz perto demais para não fazê-la levar um susto.

- Está tudo bem? — um rapaz de dreads lançou-lhe um sorriso charmoso e estendeu-lhe a mão — Sou Tom Kaulitz e esse... — virou-se, olhando de um lado pro outro e logo encontrando outro homem que puxou pelo braço — É meu irmão, Bill. — sorriu novamente e pegou a taça de champanhe que seu irmão lhe entregou.

- Brianna Collins. — ela sorriu, cumprimentando também o outro rapaz — Mas como eu não os conheceria, certo? Dois dos maiores divulgadores da Audi.

- Ah, para. — Tom brincou com o piercing em seu lábio, parando de encarar a garota à sua frente assim que seus olhos focalizaram outra pessoa — Desculpa perguntar, mas quem é aquela?

- Addison — ela estalou a língua — Uma amiga minha. Sinto em dizer, mas ela é um porre.

- Vou lá cumprimentá-la. — arqueou uma sobrancelha e saiu gingando em direção à loira.

Brianna deu de ombros e bebeu mais um gole de seu espumante, dirigindo seu olhar àquela que chamam de Bill Kaulitz. Semicerrou os olhos enquanto tentava contar mentalmente a quantidade de metal que ele tinha enfiado na pele do rosto. Desistiu.

- Parabéns pelo carro. — ele encostou-se na parede ao seu lado — Merece estar aqui.

- Não o fiz sozinha — suspirou — Mas obrigada, é mesmo um ótimo carro.

- Como você consegue? — virou-se para encarar seu rosto, mas ela continuou contemplando o nada com a expressão vazia — Nem terminou a faculdade ainda. Nasceu sabendo engenharia?

- Do mesmo jeito que você nasceu sabendo cantar. — Brianna arqueou uma sobrancelha e deu um meio sorriso.

- É diferente.

- É tudo talento.

Bill olhou-a como uma criança fascinada por um doce — não sei se me refiro à parte de comer, mas por enquanto vamos pensar que é apenas fascinação mesmo. Não é um exemplo que expresse o que ele sentia exatamente, mas quase isso.

- Você não veio acompanhado? — ela suspirou, jogando a cabeça para o lado em um dos seus melhores movimentos.

- Trouxe uma amiga junto mas ela deve ter ido confraternizar — ele deu de ombros — E isso não é exatamente o que sei fazer de melhor em festas desse tipo, então...

- Mas está confraternizando comigo. — uma expressão de quem o analisava tomou conta de seu rosto. Bill franziu o cenho, e disse:

- Sinta-se especial.

- Pode deixar — arqueou uma sobrancelha e sorriu. Assim, de repente, uma ideia surgiu — Ei, me empresta seu celular?

Ele piscou, demorando alguns segundos para assimilar o pedido. Por fim, tirou o aparelho do bolso e entregou-lhe.

- Obrigada. — e salvou seu número lá.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.