Spectrum

8 Capítulo 7 – A esperança vinda de uma... Pedra?


Notas iniciais
Bem, tecnicamente já é domingo mas... Enfim.
Ficar betando o capítulo no meio da madrugada com a irmã dá nisso q
Conversa séria nas notas finais u_u
Boa leitura!



(Ruki’s POV)



– Estou sendo meio bobo, não estou Ruki? – Reita fechou os olhos, relaxando na cadeira.



– É, está sim... – Me aproximei e fiz menção de afastar duas mechas de cabelo que teimavam em cair por seu rosto. Mais uma vez não consegui movê-las, mesmo tentando. – Isso é frustrante. – Falei baixinho.



Ainda estávamos na metade da tarde e Reita ainda demoraria a sair então, como há tempos não fazia, o deixei “sozinho” naquele edifício e me pus a andar sem rumo.



Andando pelas ruas, olhei para o céu sem nuvens de Tóquio, estávamos no fim da primavera e a temperatura provavelmente estava agradável como eu lembrava. Olhava as pessoas passando por mim sem ao menos me notar... Nunca. Casais de namorados, colegiais, senhores e senhoras de idade, empresários engravatados e músicos com um violão nas costas. Eu sentia falta daquilo tudo.



Sempre vivi reclamando da correria que era minha vida. Trabalhando em uma editora como design gráfico... Eu adorava aquilo que fazia, mesmo que muitas vezes não pudesse nem respirar nos finais de semana. Nunca imaginei que sentiria “saudades” do meu chefe, dos meus amigos, da capacidade de fazer vários arranjos para páginas diferentes com intuitos diferentes. Sempre diziam que não importava a situação em que me colocavam ou os leitores que teria que alcançar, eu sempre fazia as coisas muito bem feitas.



Modéstia a parte, eu era um bom designer gráfico.



Quando dei por mim, estava parado na frente do prédio da editora que trabalhei um dia, bem menor do que o edifício da Yamato, mas era igualmente bonito. Coincidência ou não, dois dos meus colegas de trabalho estavam saindo pela porta giratória. Me animei, não os via desde o enterro! Tratei de acompanhar seus passos e a conversa que aqueles dois morenos compartilhavam enquanto iam em direção a uma pequena fonte no meio do parque que ficava na quadra ao lado. Sentaram-se como sempre fazíamos quando tínhamos algum tempo livre.



–Koji! Hitoshi! – Sorri abertamente, ficando em suas frentes. Eles eram os dois amigos mais próximos que eu tinha naquele lugar.



– ... Pois é, nem dá pra acreditar! – Koji riu enquanto falava. – Mas eu realmente encontrei aquela que é perfeita pra mim.



– Você? Desde quando você tem namorada, Koji? – Indaguei assustado, ele sempre foi conhecido por aquele que conseguia várias garotas em uma noite só!



– Impressionante! – Hitoshi, o mais alto, respondeu. – Mas não acha meio arriscado se casar com alguém que conheceu há um mês?



– UM MÊS!?!? – Arregalei os olhos. Quem faz aquilo? – Está mais doido desde que “fui embora”, Koji?



– Mas eu sei que ela é a pessoa certa pra mim, qual o problema então? – O moreno mais baixo voltou a falar. – Sabe, eu acho que quando você encontra a pessoa certa, você tem mesmo que amarrá-la de qualquer jeito possível.



– E pensar que é você que está falando isso... – Hitoshi riu. – Mas veja bem, o Ruki, por exemplo, formava um belo casal com o Reita... De um jeito estranho... Mas formava.



– E pensar que você é sentimental, Hitoshi... – Balancei a cabeça em negação, sorrindo.



– Ah, mas você realmente acha que o Reita queria alguma coisa com o Ruki? – A frase de Koji chamou minha atenção.



– Como é? – Estreitei os olhos, aproximando-me um pouco mais.



– Ah Koji, não seja tão cruel. – Hitoshi tentou suavizar as palavras do mais baixo. – Eles se amavam sim cara...



– Ah, por favor. O Ruki que me perdoe, que ele não fale mal de mim lá em cima, mas o Reita só se aproveitava de toda a estabilidade que tinha com ele. – Falou pegando seu inseparável maço de cigarros. Eu até desejaria um se não estivesse tão possesso.



– Estabilidade?! – Eu e Hitoshi perguntamos ao mesmo tempo.



– Claro! Pense bem, o cara já vai chegar aos 28 esse ano se não me falha a memória, do que adiantava largar alguém que sempre estava ali pra cozinhar, dividir as contas e no final da semana sexo sem falta? – Argumentou dando uma tragada no cigarro em seus dedos. – Eu não largaria né, mas acho que não era amor. Sabe por quê?



– Ah, entendi... Como se estivesse acomodado... Será? – Hitoshi pareceu pensativo. – Mas por que você pensa isso?



Já estava me arrependendo de vir escutar a conversa dos dois.



– Eu vi Reita na sexta feira, naquele bar que o pessoal estava comentando outro dia, o “Swallow”... Acho que era esse o nome. – Pensou um pouco. – Sim, acho que era esse. Estava indo buscar meu irmão que tinha pedido uma carona, entrei um pouco pra conhecer o lugar, muito bom por sinal, qual não foi minha surpresa ao ver Reita virando todas com um loiro alto que mais parecia um modelo? Sabe que eu não sou de ficar elogiando caras, mas ele era realmente bonito, tenho que admitir.



– Sério? Mas, oras... Pode ser apenas um amigo. –O outro ponderou. – Mesmo que ele ainda esteja se recuperando de tudo o que aconteceu, ele tem o direito de sair um pouco e se divertir.



– Eles me pareceram próximos demais se quer saber. – Koji voltou a falar. – Não o culpo, ele que gosta desse tipo de coisa provavelmente estava muito bem acompanhado. Duvido que aquele baixinho o satisfizesse de verdade...



– Koji... – Hitoshi tentou repreender.



– Eu falo mesmo, Toshi-san! – Falou levantando a voz e apagando o cigarro no mármore da fonte. – Ficou preso por tantos anos com aquele projeto de homem, duvido que não tenha sido chantageado de alguma forma, aquele baixinho era mais escandaloso e manipulador do que uma mulher. Agora ele vai poder viver livremente! – E então abaixou o tom e me aproximei para escutar melhor. – Não duvido que ele tenha ficado é aliviado por Ruki ter morrido.



Aquilo foi o que bastou.



Senti uma raiva absurda, ele era um dos meus melhores amigos! Como ele podia falar aquelas coisas?! Traindo a amizade que eu tinha com ele, e toda a confiança que eu havia depositado. Não só falando mal e me desrespeitando, mas também a Reita, falando como se todo o sofrimento que ele passou fosse apenas falsidade. Aquilo foi o cúmulo. Todos os meus “nervos” tencionaram, meus olhos arderam e travei o maxilar, meus punhos fechando por reflexo.



– Desgraçado... – Falei por entre os dentes.



Não consegui nem pensar e antes que Hitoshi pudesse dar sua resposta, me aproximei ainda mais de Koji e dei o melhor soco que podia dar na vida... Ou melhor, na morte.



A diferença é que eu imaginei que meu punho fosse apenas atravessar o maxilar daquele infeliz.



Qual não foi minha surpresa em conseguir realmente atingi-lo e, inclusive, sentir aquele osso quase se deslocando tamanha força que acumulei?



O corpo de Koji pendeu para o lado, mas acabou caindo para dentro da fonte fazendo com que a água jorrasse e seu corpo afundasse. Hitoshi demorou alguns instantes pra perceber o que estava acontecendo, até que por fim resolveu se levantar e ajudar o “amigo” que havia caído na água.



Koji estava completamente encharcado, sua roupa blusa cinza colando em seu corpo e a calça jeans pesando devido o acúmulo de água, o cabelo preto caía em seus olhos, tampando sua visão. Levantou-se afobado tirando os cabelos do rosto e olhando de um lado para o outro assustado. Ele – literalmente – não sabia o que havia lhe atingido.



– QUEM FOI O DESGRAÇADO?!?!?! – Gritou, chamando a atenção de todos que passavam por ali.



– Foi esse desgraçado. – Fiquei bem na sua frente. Provavelmente não conseguiria fazer aquilo de novo, nem sabia como tinha feito, mas queria. – E você é um completo estúpido, Koji. Sinto pena de você e da pobre mulher que vai ter que te aguentar como marido pelos próximos anos, tomara que ela perceba a idiotice que está fazendo e desista.



– Calma Koji... – Hitoshi nem sabia ao certo o que dizer, estava confuso já que... Bem... Seu amigo havia sido socado por algo invisível. – Vamos embora daqui! Está esfriando e eu não estou gostando disso.



– Pare de besteiras, Toshi! – O idiota voltou a tagarelar. – Eu vou pegar o desgraçado que fez isso! Você não o viu?



– Nem VOCÊ o viu! – Hitoshi estava apavorado, provavelmente suando frio. – Pode ter sido um fantasma! Pode ter sido o Ruki! Eu disse pra você não falar mal dele! Você desrespeitou um morto!



– Não seja idiot... – Interrompeu a fala na metade.



Já não estava entendendo mais nada.



– O qu– Comecei a falar, mas vi uma mão atravessando o estomago de Koji. – Que merda é essa?



Dei dois passos pra trás.



– Tem razão, vamos embora Toshi! – O mais baixo segurou no braço do outro e saíram correndo de volta ao prédio.



Quando me virei para ver o que tinha sido aquilo dei de cara com aquele que eu estava procurando há muitos dias.



– Você! – Levei o indicador bem próximo ao seu nariz, acusando-o. – Eu te procurei um tempão!



– Parece que descobriu alguns truques, não é, baixinho? – E lá estavam aquelas covinhas aparecendo. – Ou aquilo foi apenas sorte?



– Eu não faço ideia do que fiz. – Abaixei a cabeça deixando a confusão, por não entender o que havia feito, e a tristeza por ter perdido um grande amigo me tomar.



– Não fique assim, pequeno... – Pousou uma mão em meu ombro. – As pessoas são assim mesmo, algumas não são tão gentis quanto pensamos. Sei como é.



– Você ouviu a conversa? – Indaguei voltando a olhar o moreno na minha frente.



– Ouvi, desculpe por isso. – Coçou a nuca. – Eu te vi passar, ia falar com você... Mas você ‘tava seguindo aqueles dois então... Fiquei curioso.



– Tudo bem... Eram meus amigos, mas ao que parece só um deles era. – Me sentei no chão alaranjado do parque.



– Acontece. – O de covinhas sentou ao meu lado. – A maioria dos meus amigos me dava facadas pelas costas também.



– Descobriu isso escutando a conversa dos outros? – Indaguei levantando uma sobrancelha.



– Pior. – Sorriu tristemente. – Quando ainda estava vivo.



– Ah...



– Tudo bem, não precisa ficar assim. – Balançou as mãos no ar. – Isso faz muito tempo. – E lá estavam as covinhas de volta. – Por falar nisso... Seu nome é Ruki, certo? – Estendeu a mão na minha direção.



Segurei-a e sorri.



– Na realidade é Takanori, Matsumoto Takanori. – Balancei sua mão sorrindo. – Mas todos acabam por me chamar só de Ruki, então pode me chamar assim também.



– Uke Yutaka, mas me chame de Kai. – Falou, soltando por fim minha mão. – Muito prazer.



– Prazer. – Não acredito que estou fazendo amizade com um espírito. Bom, eu também sou um então...



– Então, Ruki. – Tirou-me de meus devaneios. – Do quê você morreu? – Perguntou tão normalmente quanto como se estivesse perguntando as horas.



– Fui atropelado por um bando de adolescentes. – Abracei minhas pernas. – E você?



– Leucemia. – Pegou uma pequena pedrinha na sua frente e a jogou na fonte.



Franzi o cenho.



– Que trágico. – E acabamos por gargalhar.



– É, baixinho... – Continuou rindo mais alto. – Já estamos mortos e ainda nem saímos desse lugar. – Abriu os braços e deu de ombros. – Não pode ser mais trágico do que isso.



Ri mais abertamente.



– Touché. – Encostei meu queixo em meus joelhos, olhando para a rua. – Mas você não parece alguém que morreu de leucemia. – Arqueei uma sobrancelha.



– E você não está com nenhum osso quebrado ou todo torto por ter sido atropelado. – Rebateu. – Acho que ficamos da forma com que nos sentimos confortáveis. Veja bem, eu não gostaria de estar com a aparência que estava antes de morrer e duvido que você gostaria de ter uma marca pneu no meio da cara! – Gargalhou.



– Touché novamente!



– E como andam as coisas com seu namorado? – Voltou a perguntar, me encarando.



– Humpf... Já até beijou o outro cara. – Estreitei o aperto em minhas pernas, mantendo o olhar fixo nos carros que passavam.



– Oh! Mas parece que você está encarando de uma forma melhor as coisas, não é? – Apontou. – Da última vez você estava chorando e gritando por um sorriso...



– Aquilo foi um choque pra mim. – Me defendi. – Mas eu pensei um pouco melhor e estou tentando aceitar toda essa novidade na vida dele.



– Não está sendo fácil, né? – Não era exatamente uma pergunta.



– Eu tento ser forte quando vejo os dois juntos... Mas é difícil. – Confessei. – Tenho que começar convencendo a mim mesmo, certo?



– Sim. – Fingiu suspirar. – Mas cuidado para não acumular tudo dentro de si e depois explodir como fez ainda pouco. – Completou rindo.



Aquilo me tirou o foco do assunto “Reita”.



– Não sabe como conseguiu fazer aquilo. – Deduziu.



– Não faço ideia. – Soltei minhas pernas e virei de frente para Kai. – Como você consegue? Parece ser tão normal...



– Mas é porque é. – Falou virando-se também. – Veja só, se você ficar fazendo esforço e pensando demais vai acabar falhando. Tem que agir como quando estava vivo. – Puxou uma flor que estava no canteiro próximo a nós, me ofereceu e eu tentei pegá-la, mas ela simplesmente atravessou meus dedos.



Frustrante.



– E aquilo que você fez com as mãos...



– Ah, aquilo é algo bem simples. – Sorriu gentilmente. – Sabe aqueles calafrios que a gente sentia sem ter por que ou aquele frio na barriga andando no meio da rua?



Assenti.



– Tudo isso eram os espíritos que nos atravessavam. Arrepios, calafrios sem motivo... Isso acontece quando atravessamos uma pessoa. Algo meio “O sexto sentido”, diga-se de passagem. – Explicou. – Não sou especialista, não tenho como te explicar cientificamente o porquê disso acontecer. Mas acontece.



– Entendo...



– Isso é algo natural, quer dizer, qualquer um de nós pode fazer. É até divertido ver as pessoas se assustando com os arrepios ou reclamando de frio quando ficamos por perto. – Olhou para as próprias mãos e depois para mim. – Agora, mover as coisas é algo que você precisa fazer um pouco mais de “esforço”, precisa pensar como pensava antes.



– Quer dizer que eu tenho que pensar como se eu estivesse vivo? – Refleti.



– Basicamente. – Deu de ombros. – Olha só, você quase explodiu de raiva do cara e simplesmente ignorou o fato de ser apenas um espírito e deu um belo soco de direita na cara dele. – Riu junto comigo, lembrando-se da cena. – Eu simplesmente ignoro o fato de estar morto e por isso consigo pegar e movimentar as coisas normalmente. – Empurrou uma pedra para mim, como se pedisse que eu tentasse.



Olhei para ela – por favor, não gravem isso, deve ser uma imagem patética... Eu encarando uma pedra... Sua existência me deprime, Matsumoto Takanori. Franzi o cenho e com o indicador tentei empurrá-la.



Nada.



Tentei novamente.



Nada.



Mais uma vez.



Nada.



Já estava pra jogar aquela coisa bem longe... Se pelo menos conseguisse.



– Não fique tão tenso. – Kai falou. – Só, aja normalmente. – Continuei olhando a pedrinha. – Olhe pra mim. – O encarei. – E pense em algo que te lembre como era estar vivo... Pense em seu namorado, que tal?



Lembrei-me dos beijos que Akira me dava sempre que passávamos muito tempo sem nos ver. Aquilo sempre esquentava meu peito e, para minha felicidade, continuava esquentando. Então, simples como o ato é, empurrei a bendita.



– Oh. – Olhei abismado. – CONSEGUI!



Feliz por mover uma pedra... Ok, eu sobrevivo.



– Nem foi tão difícil, né? – Kai disse por fim, mostrando suas covinhas.



– É, tem razão. – E aquele simples ato abria uma possibilidade imensa de coisas.



Poderia voltar a tocar Reita, abraçá-lo, quem sabe até beijá-lo... Ou algo mais! Não precisava mais ficar frustrado por não lhe dar carinho. Quem sabe poderia tê-lo de volta?! Afinal... Ele ainda não havia me esquecido!



Levantei-me num pulo, sendo acompanhado por Kai.



– Ruki... N-No que está pensando? – Kai indagou com cuidado.



– Eu posso tê-lo de volta Kai! – Falei, meus olhos lacrimejando. – Eu posso tocá-lo novamente, posso o fazer sentir que estou aqui! Obrigado! Muito obrigado! – Estava tão feliz que não conseguia me conter.



Comecei a correr de volta para a empresa, ignorando Kai que ficava mais distante a cada passo que dava.



– RUKI! ESPERA, RUKI!



Não dei ouvidos. Só queria encontrar meu Reita e poder tocá-lo novamente, ele saberia que eu estava aqui, podia dar certo, poderíamos ficar juntos mais uma vez... Toda aquela ideia de “aceitar outra pessoa na vida dele” simplesmente se esvaindo, eu seria o suficiente de novo.



Reita... – Falei baixinho ao mesmo tempo em que apressei meus passos.



~



Notas finais
Bom, eu estou ficando muito triste porque os reviews estão diminuindo e isso me dá menos vontade de continuar postando a fic, é realmente chato falar disso aqui ç_ç
Se pelo menos metade das pessoas que lêem ela tirassem um minuto pra escrever um review, por mais simples que fosse, eu já estaria feliz.
Mas é a vida né...
Por isso eu vou passar a postar os caps uma vez por semana, ver se assim dou mais tempo pra esses reviews aumentarem, não custa tentar.
Obrigada aos que mandaram review e não desistiram da fic ♥ ~drama~ ._.
De qualquer forma (perdão pelo mimimi anterior), espero que tenham gostado desse cap, eu escrevi ele com muito carinho e aqui está o covinhas novamente o/
O capítulo 8 agora só vem no próximo sábado (sim, eu sei que já estamos no domingo, vocês entenderam q)
Reviews, p-o-r f-a-v-o-r? ç_ç ♥