Spectrum

22 Capítulo 21 – Um partir sem “adeus”.


Notas iniciais
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(Ruki’s POV)


O sentimento de “dever cumprido”, em minha opinião, é uma das melhores coisas que existe, de verdade.


Saber que todos os esforços que você fez, os sacrifícios que teve que passar, o sofrimento emocional, o desgaste psicológico... Tudo isso vale a pena quando se tem um propósito. Era nesse estado que eu me encontrava.


Há dois dias que eu estava no mirante, apenas vendo o movimento da cidade, aproveitando a vista, apreciando uma beleza que não tive a oportunidade quando estava vivo. No final do segundo dia, resolvi que já estava mais que na hora de voltar àquele apartamento e saber como as coisas estavam. Não que eu tivesse alguma dúvida se algo havia dado errado, pelo contrário, estava tão convicto que tudo tinha dado certo que já estava soltando fogos de artifício antes mesmo de constatar que as coisas estavam bem.


Não foi surpresa nenhuma chegar ao quarto de Reita e o ver abraçado com Uruha em um sono profundo e tranquilo, com um pequeno sorriso desenhado nos lábios enquanto seus braços seguravam o loiro possessivamente. Permiti-me ficar vitorioso ao ver aquela cena que provavelmente me mataria em outros tempos, mas saber que ele estava feliz dessa forma foi o maior presente que podia ter ganhado nesse estado de meio-morte que estava.


O humor de Akira só foi melhorando com o tempo, chegava a ser melhor do que quando ele estava comigo, o que machucava um pouco meu ego, mas vamos deixar isso de lado! Yamato-san estava muito feliz com o desenvolvimento da sua empresa que exportava cada vez mais, Reita acabou se tornando quase como um braço direito daquele senhor, e não seria surpresa nenhuma se, em um futuro, ele o nomeasse como sucessor, já que não tinha filhos.


Uruha ter aparecido ali podia ser classificado como uma “maré de sorte”, não conseguia encontrar expressão melhor. De um modo meio tortuoso, as coisas chegaram a um bom fim e agora ele era um dos trabalhadores mais respeitados daquele andar, chamando atenção da empresa inteira, coisa que deixou Reita se mordendo em ciúmes e me deixou rolando de rir com as crises que ele dava.


Algumas coisas simplesmente não mudam.


Só podia agradecer ao garoto que trouxe de volta o sorriso do enfaixado que parecia ter sumido desde que eu havia desaparecido – literalmente –, meio clichê a frase, mas me permitam isso. Curioso como passei de ódio mortal à quase canonização de Kouyou em poucos dias, vamos torcer que ele continue com a paciência de ouro que só ele sabe ter com Reita, que parecia ter herdado meu gênio estourado com o tempo.


No final, consegui juntar os dois, de um modo estranho, meio complicado e arriscado, mas consegui.


Tá, eu não fiz tudo sozinho, o que me traz à mesa que estou sentado nesse momento, com um moreno virando várias xícaras de café e se entupindo de alguns doces que tinha pedido. Ele vai acabar gordo desse jeito.


Mas a questão era que estava aqui pra me despedir de Aoi, que havia me ajudado tanto quando precisei. Ele ainda não sabia que aqueles dois estavam juntos, ninguém sabia. Apenas suspeitas, nenhuma certeza. Cá estou eu para lhe dar a notícia em primeira mão também.


Puxei um guardanapo da mesa, agradecendo pela cafeteria estar com poucas pessoas, e peguei a caneta que ele estava usando. Aoi sobressaltou-se e arregalou os olhos antes de respirar fundo tentando se acalmar.


– Caramba, Ruki. – Colocou a mão na altura do coração. – Quer que eu me junte a você antes do tempo?



(...)