Spectrum
21 Capítulo 20 – Chuva e o que ela traz.
Notas iniciais
Para terminar de ler, basta seguir o link: http://conceived-dream.livejournal.com/18108.html#cutid1
(Reita’s POV)
A chuva caía grossa do lado de fora, deixando o início da noite frio enquanto as gotas grossas se desprendiam das nuvens. Eu já havia “conversado” com Ruki, estava decidido do que estava fazendo, mas mesmo assim ainda não parecia ser o suficiente. E sabia que tudo aquilo tinha como responsável o loiro que me atormentou a mente, o corpo e coração nos últimos meses. Ainda faltava falar com ele. Por que não era mais simples? Ou talvez fosse meu orgulho?
Tinha prometido melhorar, mas parecia que estava piorando.
O clima chuvoso e triste daquela noite simplesmente se encaixava perfeitamente ao meu humor.
Já estava cogitando seriamente a ideia de ir até o apartamento de Kouyou quando o som estridente da campainha me chamou a atenção. Levantei-me desgostoso, abrindo a porta e dando de cara com a última pessoa que podia esperar naquele momento. Meu coração deu um pulo e meu estômago gelou.
– U-uruha? — Eu estava abismado com a presença do loiro no batente da porta.
Ele estava completamente molhado, a blusa branca colada em seu corpo, a jaqueta preta que estava por cima estava totalmente ensopada. Os cabelos loiros pingavam e alguns fios estavam presos em seu rosto, que estava vermelho devido à falta de ar e o esforço.
– Eu... Eu vim... – Puxou uma grande quantidade de ar para dentro dos pulmões. – Eu vim correndo... Desde a... Estação... Do metrô... – Não conseguia nem falar uma frase inteira.
– Entra logo, antes que pegue um resfriado. – O puxei pra dentro do apartamento e fiz com que sentasse no sofá.
Tirei sua jaqueta, seus sapatos e em seguida sua blusa, não queria que ele ficasse doente, mas estava tirando mais proveito daquilo do que queria. Tive que desviar os olhos de seu tronco pra que não perdesse a linha de raciocínio. Levantei e fui até a lavanderia, jogando suas roupas no tanque e depois corri para o quarto pegando uma toalha grossa o suficiente para que ele não sentisse tanto frio.
Ao voltar à sala, percebi que Uruha havia se abraçado enquanto tremia de frio. O tempo estava cada vez mais gelado e a chuva só aumentava. Koron havia apoiado uma de suas patas ao seu lado e o olhava com um pouco de curiosidade e talvez... Pena? Aquele cachorro era quase humano.
– Sai, Koron. – Então a bola de pelos se afastou e eu me ajoelhei na frente de Uruha que continuava a tremer.
Joguei a grande toalha sobre seus ombros e ele segurou as pontas fortemente, o tremor finalmente estava o deixando. Não pude impedir minha mão de se infiltrar naqueles cabelos loiros e a outra afagar seu braço. Sua cabeça pendeu para o lado, fechou os olhos a fim de aproveitar a carícia, então virou o rosto e seus lábios deixaram um pequeno selo em minha palma.
– Por que fez essa loucura, Kou? – Estava preocupado, preocupado demais.
– Eu estava indo pra casa, só que o metrô parou na estação a algumas ruas daqui.
– E resolveu que seria bom tomar banho de chuva pra depois vir me dar um “oi”? – Arqueei uma sobrancelha.
Uruha riu sem graça
– Você vai acreditar se eu disser que sim?
– Não.
– Então você quer que eu te diga a verdade?
– Por favor.
(....)
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