Spectrum
14 Capítulo 13 – Plano? Aoiha.
Notas iniciais
Antes de mais nada: NÃO, isso aqui ~não~ vai virar uma suruba de shippings q
Betado pela Yukari-chan que ainda quer transformar Spectrum em Uruoi q
Boa leitura ~
(Ruki’s POV)
Nove dias.
Nove dias se passaram, e eu e Aoi continuávamos conversando do jeito que podíamos, planejando tudo para que o moreno chamasse Uruha pra sair e deixasse, consequentemente, Reita explodindo de ciúmes. Não que quiséssemos apenas a raiva dele, queríamos que ele percebesse que o que estava sentindo não era algo para se esconder. Aceitar toda a situação o ajudaria muito a sair do estado de “proibido se aproximar”.
Não deixaríamos que o garoto sofresse com tudo isso também, então ficou acertado que Aoi contaria o que havíamos planejando, me excluindo da história é claro. Já pensou? Se Uruha começasse a gostar de Yuu, tudo o que eu havia planejado iria por água abaixo, e a situação com Reita iria apenas piorar, ele podia negar, mas o loiro continuava perturbando-o. Ainda mais agora que Akira tinha resolvido simplesmente ignorá-lo, e a falta que ele sentia das conversas era convertida em todo esse estresse e a brutalidade no trabalho.
Eu mesmo já não conseguia ficar perto daquela cacatua, nem mesmo Koron conseguia ficar. Seu jeito de agir em casa era completamente o inverso de seu jeito no trabalho, estava sempre melancólico, e eu sabia que toda vez que ele ficava muito quieto ou olhando para um canto qualquer sem nenhum motivo, estava pensando no garoto. Ele estava gostando de Uruha, era mais que óbvio na verdade. Eu podia apostar como Kouyou também já tinha percebido isso, e a razão dele continuar triste era por não saber o real motivo de não ser devidamente correspondido.
Mas acho que o pior de tudo era quando Reita tinha seus ataques de “pelanca” e bebia até que começasse a quebrar tudo o que via pela frente, inclusive algumas coisas que eu gostava muito – nessas horas ele até chorava por ter quebrado -, era absurdo o jeito que ele estava ficando! Digno de chefe da Yakuza. Ficava pior ainda, se é possível, porque ele sempre parava estirado no chão da sala, olhando pro teto e perguntando: “O que eu faço? O que eu faço, Ruki? Me ajuda.”
PORRA. Queria poder lhe dizer para assumir tudo isso o que sentia, contar tudo pra Uruha e, finalmente, tirar o atraso. Eu estava tentando ajuda-lo, mas ele mesmo não se ajudava... Era complicado. Aquele comportamento egoísta estava me tirando do sério e por pouco não lhe dava uns tapas para que ele acordasse.
Kai era o único que me mantinha são no meio de toda essa loucura. E quando eu digo me manter são, me refiro à: Me dar sermões absurdos e bater na minha cabeça repetidas vezes sempre que eu lhe dizia o que queria fazer. O moreno de covinhas quase comeu meu rim quando lhe contei que estava conversando com um antigo amigo. Senti que tinha cinco anos de novo, quando cortei o cabelo da minha mãe enquanto ela estava dormindo, e fiquei de castigo por um mês.
Mas voltando para o atual momento...
Sexta-feira, horário de almoço, o andar quase vazio e um Aoi nervoso.
– Reita tem muita sorte de ter um amigo como eu. – Ele falava baixinho, sabia que estava ao seu lado e podia ouvi-lo. – E você também! Qualquer outro não correria esse risco...
Era verdade, poucos seriam capazes de aguentar os ataques de Reita, e menos conseguiriam fazer algo por isso, ainda mais se esse “algo” era arriscado o bastante para que pudesse destruir uma amizade de anos. Eu estava pedindo demais de Aoi, mas não conseguimos pensar em nada melhor, então que fosse isso mesmo.
– Vai me ajudar, não vai? – Indagou receoso.
– Claro que vou. – Coloquei uma mão em seu ombro. Não adiantava apenas falar, ele não ouviria.
Yuu fez um pequeno movimento de afirmação com a cabeça, como se estivesse confirmando algo para si mesmo e pôs-se de pé. Olhou ao redor do andar, procurando os cabelos loiros que nunca mais desceram para comer, ele sempre ficava grudado com seu computador e já não conversava com ninguém, nem mesmo com Takeshi que se mostrou muito simpático com o garoto. Todos estranharam o comportamento, mas ninguém se atreveu a perguntar o motivo.
Aoi finalmente encontrou o loiro encostado no final do andar, ao lado de uma máquina de café. Parecia que estava passando mal pelo jeito que se escorava na parede, mas nós dois sabíamos que ele só estava cansado, tanto físico quanto emocionalmente.
O moreno ficou parado, apenas o encarando, provavelmente perguntando se aquilo era realmente a coisa certa a se fazer. Não ia esperar que aquele conflito interno terminasse, então espalmei minhas mãos em suas costas e o empurrei para frente com toda a força que pude, recebendo um xingamento como resposta. Pelo menos ele começou a andar.
– Uru... – Aoi chamou a atenção de Uruha, quando chegou perto o suficiente para que o garoto pudesse ouvi-lo.
– Ah, Aoi-san. – Sua voz era fraca. – Em que posso te ajudar?
– Pode começar parando de usar o ‘-san’, já disse que não gosto dessa formalidade. – Respondeu. – Vai acabar pegando uma gastrite se continuar tomando tanto café.
– Você reparou, não é? – Riu fracamente. – Preciso me manter acordado durante o dia, já que de noite não consigo dormir por mais que eu tente. – Confessou.
Não era nem preciso perguntar o motivo.
– Sabe, Uruha, um restaurante italiano abriu há alguns dias na rua ao lado e eu ainda não tive a oportunidade de ir lá... – Aoi começou a colocar o “plano em ação”. – Mas ninguém quis ir comigo...
O garoto já ia começar a se desculpar e dizer que não poderia, mas o bico que Aoi fez e a cara de cachorro abandonado foi capaz até mesmo de ME deixar com pena. Ele sabia a maneira exata de fazer com que Uruha aceitasse seu pedido, tinha razão quando o escolhi pra me ajudar.
– Eu não sei... – Kouyou mordeu o lábio inferior. – Não acho que seria uma boa companhia.
– Já saí com você duas vezes, e nas duas sua companhia foi maravilhosa! – Defendeu-se. – Sem falar que eu lembro que você havia dito uma vez que adora comida italiana, que pessoa melhor eu poderia escolher? – Aproximou-se um pouco mais, deixando o loiro corado e completamente sem jeito. – Além disso, não quero que fique triste dessa forma, me deixa triste também.
– Xeque-mate. – Falei baixinho e sorri.
O loiro se afastou, tomou um pouco de ar e por fim rolou os olhos. Não era a primeira vez que Aoi o abordava, ele era assim com todos, já havia convivido tempo o suficiente com o moreno pra que ele soubesse que esse era o modo distorcido do mais velho de demonstrar carinho.
– Tudo bem... Aoi. – Yuu sorriu vitorioso em resposta. – Eu vou com você. Quando?
– Hoje mesmo, vamos direto daqui.
– Está bem então. – Uruha disse por fim, e virou-se. Travando no lugar ao perceber quem estava vendo tudo ao longe.
Qual era a graça de Aoi chamar Uruha para jantar sem que alguém não soubesse?
Tá, eu fui maldoso demais quando pedi que Aoi o chamasse na hora exata em que Reita saía da sala apenas pra tomar seu café, o horário do almoço, quando a quantidade de pessoas naquele andar diminuía drasticamente, me assegurando que ele apenas visse a cena e não a ouvisse. Se pensam que eu fiz isso só para que o enfaixado visse os dois conversando sozinhos, estão enganados. Aquilo era um pequeno incentivo ao garoto, ele podia esconder, mas também estava com raiva de Reita.
E minha teoria só foi comprovada quando o rosto de Uruha passou de surpresa para um ar de superioridade, ele simplesmente agiu como se nada tivesse acontecido, passou reto por um Akira embasbacado tanto pelo o que havia acabado de ver ao longe, quanto pelo desprezo do mais novo. Aoi abafou o riso com a mão e voltou a sua mesa, dando passagem ao seu chefe que continuava parado no mesmo lugar.
– Vamos ver quanto tempo essa sua indiferença continua, Rei-chan. – Estreitei os olhos quando ele chegou à máquina de café, onde eu ainda estava.
Encheu seu copo e fitou o líquido negro, mais uma vez perdido em pensamentos.
– Só pode ser brincadeira. – Sussurrou.
E senti um pequeno sorriso maldoso se formando em meus lábios.
~~
O resto da tarde passou em um piscar de olhos, e logo já estávamos seguindo para o restaurante que Aoi havia proposto, as ruas estavam lotadas com as pessoas que saiam de seus trabalhos para se divertir naquela rua cheia de restaurantes e barzinhos. Não demoramos muito para chegar ao local que havia sido construído para dar um ar de imponência e requinte, os pratos fumegavam em cima das mesas que já haviam sido servidas. A aparência era ótima, quem dera eu pudesse sentir fome... Era um desperdício entrar ali e não poder provar de nada.
Uruha e Aoi se dirigiram para um lugar mais ao fundo do salão. Eu os estava seguindo desde que saíram da empresa, e não perdia nenhuma palavra que eles trocavam. Quer dizer, não que tivessem sido muitas, o garoto parecia estar um pouco fechado naquele dia, mas eu sabia que Aoi não desistiria de tentar arrancar algumas coisas dele. Eu só esperava que ele mantivesse a linha da boa conduta... Ou que pelo menos começasse a segui-la.
Aoi sentou em uma ponta da mesa, com Uruha em sua frente e eu no meio dos dois.
– Então, Kou. – O moreno falou ao folhear o cardápio. – O que quer pedir?
– Qualquer coisa está bom, Aoi. – Uruha sorriu fracamente.
Yuu largou o cardápio e debruçou-se um pouco sobre a mesa, em direção ao loiro que estava a sua frente.
– Sabe Uru... Eu convidei você pra jantar, não um robô.
– Aoi... – O repreendi. – Vai com calma.
– Tem razão. – Uruha riu fracamente. – Mas é que eu tenho andado com muitas coisas na cabeça ultimamente. – Suspirou.
– “Muitas coisas”, é? – Yuu sorriu de lado. – Aposto que é só uma coisa, e que essa coisa cobre o nariz com uma faixa.
– Shiroyama! – O que ele estava pensando?
Uruha corou como nunca e arregalou os olhos, antes que pudesse balbuciar qualquer coisa o garçom chegou perguntando os pedidos.
– Ah, um capeletti de carne com molho branco, por favor. – Aoi sorriu amigavelmente e entregou o cardápio ao ruivo que veio atendê-los.
– E você, senhor?
– Hm? Ah. Er... – Kouyou parecia ter saído de um transe. – Uma lasanha de frango, por favor.
O garçom tomou nota dos pedidos e saiu, deixando os dois – no caso três – sozinhos novamente.
– Oh, parece que o prato que você pediu é bem grande. – Aoi arqueou as sobrancelhas.
– Quando estou com fome posso comer o triplo do que geralmente como. – Uruha respondeu ignorando totalmente o assunto anterior que havia sido interrompido. – Minha mãe costuma dizer que tenho um buraco negro no estômago porque não consigo engordar mesmo comendo tanto.
– Vamos ver se você realmente come isso tudo. – Yuu falou em tom de desafio.
E assim a conversa fluiu de forma tranquila por um tempo, apenas assuntos banais e coisas de trabalho. Uruha já conseguia sorrir livremente e muitas vezes gargalhar das piadas toscas do moreno, mesmo que tudo aquilo tivesse sido um plano, a companhia dele era realmente agradável. Sou capaz de dizer que poderíamos ser amigos, se pelo menos isso fosse possível.
Mas como tudo o que eu peço nunca acontece... Aquele assunto agradável não durou pelo tempo que eu queria.
~~
Já estávamos no carro de Aoi, indo em direção ao apartamento do loiro, quando o tema “Reita” voltou à tona.
– Aoi... – Uruha hesitou. – Reita te contou o que aconteceu naquele dia depois do restaurante?
– Contou. – Yuu respondeu simplesmente.
– Lá vamos nós de novo... – Encostei-me ao banco de trás.
Uruha corou furiosamente e abaixou a cabeça, deixando que os fios loiros escondessem parcialmente sua expressão.
– Não precisa se envergonhar por isso, garoto. – Aoi o confortou. – O que você fez foi mais do que certo.
– Mas...
– Reita precisava disso mais do que você imagina, Uruha. – Cortou antes que o loiro continuasse. – E não se deixe abalar por esse jeito que ele está te tratando e tratando os outros, já foi pior.
Ele estava indo longe demais.
Mais alguns momentos em silêncio até que Kouyou disparou.
– Quem é Ruki, Aoi?
Mesmo esperando aquela pergunta, Yuu sobressaltou-se. Sabia que Uruha não era uma pessoa que guardava algo para si, ele ia perguntar para alguém mais cedo ou mais tarde, e que melhor oportunidade do que estar “sozinho” em um carro com o melhor amigo de Reita?
– Ruki era... – Pensou um pouco. — É uma pessoa muito importante. – Corrigiu por fim.
Fui muito idiota pensando que eles se esqueceriam de mim.
– O quê Reita te falou sobre ele? – Aoi indagou.
– Ele só mencionou o nome.
– Eu poderia te contar sobre ele, Uruha, mas eu quero que Reita seja aquele que te fale tudo.
– Por quê?
– Porque sei que ele sente alguma coisa por você, assim como você sente alguma coisa por ele. – E o carro parou na frente do apartamento do loiro. – Existem muitas coisas que você ainda não sabe por trás daquele Reita indiferente, muitas coisas que você não conheceu.
– Então quer dizer que... – E eu soube que ele tinha entendido o motivo de Aoi tê-lo chamado para jantar.
– Eu só queria ajudar um amigo, Uruha. – O moreno sorriu culpado. – Vou ter que arcar com as consequências disso daqui a pouco, contanto que dê resultados, eu sei que vai valer a pena.
– Obrigado Aoi, de verdade. Reita realmente precisa parar de ser tão ignorante.
– Não precisa me agradecer, no final das contas, ter uma companhia tão bonita em um jantar não é nenhum sacrifício. – Sorriu malicioso.
– Você não presta mesmo. – Belisquei seu braço com força.
– AI!
– O que foi?! – Uruha se assustou com o grito de Aoi.
– N-nada. – Yuu respondeu enquanto esfregava o lugar que havia beliscado, estreitou os olhos e encarando o retrovisor, como se pudesse me ver. – Deve ter sido algum inseto.
– Hm... Tudo bem então. – Não tinha concordado totalmente. – Boa noite, Aoi. Obrigado pelo jantar e... Bem, pela ajuda.
– Não esquente sobre isso. Boa noite, Uru-pon. – Aoi respondeu e Uruha franziu o cenho.
– Odeio quando você me chama assim.
– Aaaah... Mas é que você é tão fofo e tímido! – Yuu falou em uma falsa voz infantil e apertou as bochechas do loiro. – Tão... Uke!
Uruha desviou dos apertos e começou a gargalhar de forma... Sombria? Até eu fiquei arrepiado.
– Você nem me conhece, Shiroyama. – Abriu a porta do carro e saiu. – Vamos ver se depois de um tempo você continua com essa mesma opinião.
– Hm... Está me desafiando, Takashima? – Aoi riu abertamente e eu o acompanhei.
– Talvez... – Uruha falou enquanto fechava a porta e se virava para entrar em seu prédio.
– É Ruki... Parece que eu vou me surpreender no futuro. – Deu a partida e começou a andar em direção ao seu apartamento. – Assim como me impressionei com a lasanha.
É, ele comeu ela inteira. Uma lasanha que daria para quatro pessoas esfomeadas, deixando a mim e a Aoi embasbacados. E era capaz das palavras de Uruha serem verdade, afinal, mal conhecíamos o garoto. Só esperava que fosse uma pessoa tão boa quanto Akira e Yuu mereciam, era uma pena que eu provavelmente não estaria mais aqui pra comprovar isso.
– Já fizemos o que podíamos, Taka. – Voltou a falar, usando meu antigo apelido que poucos usavam. – Agora é esperar a reação do outro.
Verdade. Já havíamos feito aquilo que estava ao nosso alcance, agora era esperar a explosão que iria acontecer. Só me restava cruzar os dedos e torcer pra que ele não piorasse o que já estava aparentemente ruim.
~
Notas finais
Espero que tenham gostado e até o próximo!
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