Spectrum

13 Capítulo 12 – O Tabuleiro de Ouija.


Notas iniciais
Meu capítulo favorito da fic inteira ♥ ;;
Voltei de viajem na terça e podia ter trazido antes, mas estou desanimada com Spectrum....
Minha beta ainda está viajando, logo, tudo o que fiz foi uma revisão por alto. Desculpe qualquer erro.
Boa leitura!



(Ruki’s POV)



Cinco dias se passaram, e eu ainda não pude colocar o que tinha pensado em prática.



Precisava que Aoi parasse em algum lugar, mas ele simplesmente não parava! Não ficava em casa, sempre saía. Nunca ficava quieto na sua mesa ou em qualquer outro lugar. Eu já estava quase tomando medidas mais drásticas, mas não queria que o moreno acabasse em uma clínica psiquiátrica, mesmo que talvez depois de tudo ele realmente acabasse em uma. Quem sabe depois, mas agora não.



Enquanto isso, o clima de tensão só aumentava, Reita voltou a ser o bom e velho carrasco de um mês atrás. Nunca saia de sua sala, e quando saía era para chamar a atenção de algum funcionário que acabava chorando em meio a desculpas. Também voltou a usar a velha máscara de indiferença, principalmente em frente à Uruha.



O garoto estava acabado.



A culpa estava estampada em sua cara sempre que Reita tratava alguém de forma grossa, ou simplesmente ignorava pedidos de bom dia. Akira havia pedido para que a convivência não fosse afetada pelo incidente, mas era exatamente isso que estava acontecendo. Uruha sentia como se tivesse cutucado alguma ferida profunda que Reita havia escondido.



A questão era exatamente o contrário.



Ele havia curado a ferida, e Akira fez questão de voltar a sentir dor.



No começo eu senti uma raiva profunda daquele enfaixado. Ele estava sendo extremamente insensível e ignorante com toda a situação, achando que tentando engolir tudo o que estava dentro dele também resolveria a parte externa. Mas ele não podia controlar o sentimento de outra pessoa.



Com o tempo eu percebi que ele também estava sofrendo com aquilo tudo, ele via Uruha estava sofrendo, mas pensava que era o melhor simplesmente ignorar como havia feito no começo. Reita ainda pensava que era errado gostar de outra pessoa porque achava que assim me esqueceria. Complicado.



Eu não ia esperar que as coisas ficassem piores do que já estavam. O tempo estava passando rápido demais.



Mas primeiro eu tinha que fazer com que aquele oriental metido a latino ficasse “parado”, para poder chamar sua atenção.



~~



Foi em uma quarta-feira que eu finalmente consegui.



Aoi finalmente sentou em sua mesa e começou a ler arduamente uma pilha de papéis que Reita havia lhe entregado. Ele bufava, irritado com o tanto de trabalho que teria para o próximo final de semana, mas sabia que não era o único. Akira sempre fazia questão de entupir os outros e a si mesmo de tanto trabalho, para que não pudessem pensar em outra coisa. Praticamente uma ditadura.



O andar estava vazio, quase todos já haviam saído com exceção do moreno e do enfaixado que ainda estava trancado em sua sala.



– Aquela cacatua fica com essa tensão sexual e nós que temos que pagar o pato. – Reclamou enquanto folheava mais alguns arquivos. – Vou levar uma semana inteira pra terminar isso.



Se dependesse de mim, demoraria um pouco mais. Que Kami me ajudasse com essa loucura e não deixasse que Aoi enlouquecesse. Lembrei-me de tudo que Kai havia me ensinado, me sentir vivo para que por fim conseguisse mover as coisas normalmente. O que seria primeiro... ? O porta-canetas era uma boa.



Deixei que minha mão se esticasse até o objeto metálico e o empurrei levemente, causando um pequeno ruído.



Aoi levantou os olhos confusos, mirando seu porta-canetas. Vasculhou o seu redor procurando qualquer um que o tivesse movimentado, franziu o cenho e balançou a cabeça. Tive que rir de sua expressão, aquilo seria mais engraçado do que havia pensado.



O moreno voltou a ler os papeis, ignorando o que havia feito, tentando concentrar-se mais uma vez no que fazia.



– Desculpa, Aoi. – Falei. – Mas eu realmente preciso da sua ajuda.



Voltei a empurrar o mesmo objeto, aproximando ainda mais de suas mãos apoiadas na mesa até que, por fim, deixei que o metal encostasse em sua pele. Aoi deu um pulo na cadeira soltando todos os papeis que estavam em sua mão, encarou apavorado seu porta-canetas e eu ri ainda mais.



– O que é isso? – Sussurrou. – Preciso parar de beber uísque antes de dormir.



Não dei tempo para que ele se recuperasse e dei um forte tapa no cilindro de metal, fazendo com que este voasse até suas pernas.



– AAAH! – Seu grito ecoou no andar vazio.



Não demorou muito até que Reita aparecesse.



– O que foi, Aoi!?!? – Já estava arrumado para ir embora e pelo visto só veio checar o motivo do grito.



– Yuu, por favor, não diga nada... – Implorei mesmo sabendo que ele não ouviria. – Não quero que ele pense que estou aqui, isso só pioraria as coisas. – Eu realmente disse isso? Acho que cada vez mais me surpreendo comigo mesmo.



– A-Ah, não foi nada. – Sua voz estava um pouco trêmula. – Achei que tinha visto uma barata.



– Não tinha nenhuma desculpa menos fresca? – Estreitei os olhos.



– Não sabia que tinha medo de baratas, Aoi. – Reita comentou. – Achei que havia se machucado.



– Valeu pela preocupação. – Riu e juntou as canetas que haviam caído. – Eu realmente morro de medo delas então acabei jogando a primeira coisa que vi na minha frente... Mas era só uma sombra.



– Tudo bem então, já estou indo. – Reita deu um meio sorriso forçado. – Até amanhã.



– Até. – Yuu ficou esperando que Akira entrasse no elevador para que se virasse novamente para a mesa. – Ok, vamos parar com a brincadeira.



– Devia ver sua cara, Aoi. – Segurei o riso. – Sério, está hilária!



– Vamos, eu sei que tem alguém ou alguma coisa aí. – Olhou para todos os cantos do andar. – Apareça! – Gritou, fazendo que sua voz reverberasse.



– Que exagero. – Falei com tédio e liguei a tela do seu monitor.



Os olhos de Aoi ficaram surpresos com a súbita claridade e pareciam saltar das órbitas. Ele estava pálido e comecei a ficar com um pouco de pena do que estava fazendo, talvez ele realmente enlouquecesse, mas era preciso. Eu também não estava muito próximo daquilo que chamamos de “sanidade”.



A tela ligou e seu Windows aberto foi a primeira coisa que apareceu. Eu não iria protelar muito mais essa loucura, se não ia acabar tendo o efeito contrário daquilo que queria. Deixei meus dedos escorregarem por seu teclado para que pudesse digitar os dois katakanas* que precisava. Apertei duas únicas teclas que fizeram o nome aparecer na tela.



ルキ. *



Não sei se era possível, mas assim que virei para encará-lo, seu rosto ficou ainda mais pálido, seus olhos começaram a lacrimejar, a boca se abrindo em um “o” perfeito.



– É talvez não tenha sido uma boa ideia. – Refleti estreitando os olhos e esperando um ataque do moreno a minha frente.



Aoi não soltou nenhum som, provavelmente não conseguiria mesmo que tentasse, pegou suas coisas que estavam ao lado e correu com passos largos para a escada de incêndio. Não teria condições de esperar o elevador. Achei que ia conseguir decidir tudo aqui, mas pelo visto teria que correr atrás dele. Tudo bem, meu orgulho que se ferisse, eu precisava dessa ajuda.



– Nem pense em correr, Yuu! – Caminhei calmamente em direção às escadas. – Eu sei onde você mora!



~~



O moreno dirigia sem controle pelas ruas de Tóquio, estava apavorado e olhava constantemente para o retrovisor, provavelmente pensando que uma daquelas cenas de terror em que você vê uma pessoa morta através do espelho pudesse acontecer. Não sabia mais em que parte da cidade estava, só queria que ele parasse o carro, mas pelo visto ele não queria ir pra casa ainda.



Quando finalmente encostamos em uma rua qualquer, pude perceber que estávamos bem longe do centro de Tóquio, e poucas construções grandes estavam ali, era uma parte mais habitacional do que empreendedora. Olhei pelo vidro e notei que estávamos na frente de uma loja de bebidas muito bem organizada e com os mais diversos tipos de bebida alcoólica sendo mostrados pelo vidro. Não era nenhum segredo o que ele queria pretendia parando ali.



Aoi desceu do carro comigo em seu encalço, a loja era realmente bonita e todas as suas paredes eram de um bege acolhedor. Muitas prateleiras se estendiam até o final do estabelecimento, onde um pequeno bar podia ser visto, provavelmente para degustação. Me peguei imaginando o quanto Uruha ia gostar desse lugar, já que era tão apaixonado pelo álcool.



O moreno cumprimentou amigavelmente um senhor que eu identifiquei como dono do lugar e pediu por uma marca de uísque que eu desconhecia, nunca fui muito atento a esse tipo de coisa. A garrafa foi devidamente embalada com muito cuidado pelas mãos daquele senhor e logo entregue a Aoi que ainda parecia estar muito nervoso.



Assim que saímos da loja, Yuu caminhou até um banco de madeira, localizado no meio da calçada, rasgou a embalagem que protegia a bebida e começou a tomá-la diretamente da garrafa.



– Desse jeito você muito não vai ser muito útil, Aoi.



Ele ficou mais alguns minutos ali parado, apenas aproveitando ainda mais de sua bebida, comigo parado em sua frente o olhando em preocupação. Será mesmo que tudo aquilo que havia planejado não daria certo? Imaginava o quão difícil essa situação era para ele.



Já estava desistindo da minha ideia quando reparei que os olhos de Aoi já não encaravam o chão e estavam fixos em alguma coisa que ele via através de mim. Virei meu corpo para que pudesse ver o que era e me surpreendi com uma loja, do mesmo tamanho da que havíamos visitado a pouco, em um roxo escuro com alguns objetos estranhos na vitrine. Podia ser lido em letras garrafais o nome do lugar mais acima, Casa do Sobrenatural.



– Você só pode estar brincando... – Estreitei os olhos para o moreno que já havia guardado sua garrafa e caminhava em direção à loja, quase que em desespero.



Entramos no lugar que me parecia muito mais sombrio do que do lado de fora, e olha que ele havia sido feito para pessoas que se interessavam por... Tipos como o meu. Aoi correu o olho por vários objetos em cima de uma mesa que ficava no meio da loja, alguns relógios antigos, potes com ervas, livros surrados e uma caixa marrom parecida com uma de jogos.



– Se interessou pelo tabuleiro, meu jovem? – Uma senhora gordinha de cabelos tingidos em vermelho se aproximou.



– Ah... Ah, sim. – Aoi hesitou.



A senhora se abaixou e pegou a caixa, levando-a até uma bancada que ficava ao lado.



– O Tabuleiro de Ouija não é um jogo, por mais que se pareça com um. – Começou a explicar. – Muitas pessoas acham que ele é apenas uma farsa utilizada por adolescentes para que fujam de suas vidas pacatas, mas aqueles que realmente acreditam no além o usam para que possam conversar com os espíritos ao nosso redor.



– Então... Se eu quiser conversar com uma pessoa que já morreu... Um amigo... Eu conseguiria? – Yuu refletiu.



– Vamos Aoi, eu não preciso disso pra conversar com você. – Não estava gostando da sensação daquele lugar, é como se estivesse sendo observado. – Só preciso de caneta e papel.



– Bom, depende... Você sentiu sua presença? – A dona da loja indagou.



– Acho que sim.



– Então é provável que ele queira falar com você.



– Não me diga... – Respondi irônico.



– Na realidade, acho que ele está um pouco irritado com você. – Me surpreendi com as palavras da mulher. – Posso sentir sua presença, parece que ele está te perseguindo.



– M-Me perseguindo? – Os olhos de Aoi triplicaram de tamanho. – Como eu faço pra usar o tabuleiro então?



– Não se preocupe, eu anoto em um papel. – Sorriu amigável. – São 9,700 ienes. (N.A: mais ou menos R$250,00)



– Que roubo! – Apontei. – Vai gastar esse dinheiro por nada, Aoi!



Mas aparentemente, meu querido amigo pensava o contrário.



~~



E aqui estamos nós sentados, no meio da sala do apartamento do moreno, que começava a tirar o tabuleiro de dentro da caixa. Minhas lembranças nesse apartamento sempre foram as mais engraçadas e mais constrangedoras, já que Aoi nunca se mudou desde que veio de Mie. Quando começamos a trabalhar, esse lugar sempre era o palco das nossas festas malucas. Pensar nelas agora era extremamente nostálgico.



– Tudo bem Ruki. – Yuu havia finalmente terminado de arrumar as coisas que comprou na loja. – Você quer conversar? Então vamos conversar. – Falou decidido.



– Ok, ok. – Voltei minha atenção ao tabuleiro. – Vamos fazer do seu jeito.



Ele pegou o papel que havia guardado no bolso da calça e começou a ler em voz alta as instruções que a senhora havia escrito.



– “Nunca jogue sozinho, sempre jogue no mínimo em dupla”. – E ficou pensativo. – Bom, eu não vou chamar mais ninguém, vão acabar me chamando de louco. E Reita está fora de cogitação.



– Ainda bem que você tem bom-senso. – Comentei.



– “Não use se estiver fraco ou doente”... Não estou fraco, nem doente. – Continuou. – “Nunca irrite o espírito ou lhe faça perguntas com ironia”... É, Vou tentar.



– Tentar? Pra você é impossível!



– “Sempre peça permissão ao espírito antes de entrar ou sair de cada sessão”... Ruki! Dá-me permissão de falar com vossa divindade? – E eu percebi que ele estava se segurando para não rir.



– Dou permissão para parar de ser um babaca e agir como um ser humano normal. – Já estava me irritando. – Fala sério, se fosse um espírito maldoso já tinha estuprado sua alma.



– Desculpa Ruki. Mas você me conhece. – Limpou as lágrimas que escorriam por ter segurado o riso. – Bom, acho que é só isso que preciso saber por enquanto. Vamos lá!



Pousou os indicadores de cada mão sobre o triângulo de madeira, com um círculo vazado no meio, que estava em cima do tabuleiro com várias letras espalhadas em sua superfície**. Suspirei falsamente e segurei o outro lado, precisava continuar com isso se quisesse que ele realmente acreditasse que estava aqui, parecia ser o único jeito.



– O que eu não faço por você, Reita? – Resmunguei uma última vez esperando as perguntas que Yuu faria.



– Ruki... Você está aqui?



Arrastei um pouco o triângulo e Aoi se assustou com o movimento, mas mesmo assim o seguiu a trilha que fazia até o sim no canto do tabuleiro, ao lado de um sol desenhado. Ele ofegou e largou o ponteiro por alguns instantes para tirar os fios de cabelo que estavam em seu rosto, depois voltou a pousar os indicadores como fez anteriormente, desta vez, estavam trêmulos.



– Achei que havia ido embora. – Sussurrou um pouco triste. Não era uma pergunta, mas mesmo assim eu iria responder.



Arrastei para as diversas letras que estavam ali.



Eu nunca fui embora.



Uma lágrima escorreu por meu rosto e uma gêmea estava no rosto de Aoi, ele era o meu melhor amigo e pelo visto continuava sendo.



– Seu idiota, por que nunca mandou um sinal? – Brincou um pouco para que aquele clima não ficasse tão mórbido, ele não sabia lidar com a tristeza.



Voltei a arrastar o triângulo.



Não pude.



– Mas se você estava aqui o tempo todo... Então quer dizer que sabe do que está acontecendo, não é?



Era nesse ponto que eu queria chegar.



Uruha. – Formei com as letras do tabuleiro



– Não ficou com ciúmes? – Indagou.



No começo, sim.



– Então quer dizer que aquilo que Reita me disse... Sobre ter te ouvido e sentido... Era verdade?



Sim.



– Você continua um pervertido mesmo depois de morto, não é? – Riu abertamente.



– E eu aqui querendo manter uma conversa séria com você! – Joguei o triângulo em sua testa enquanto o acompanhava no riso.



– Ei! Doeu! – Reclamou passando a mão no lugar em que o havia acertado.



– Vamos conversar direito agora. – Ditei, pegando um papel e uma caneta para depois me jogar no sofá.



Aoi guardou o tabuleiro com cuidado e olhou meio abobado o papel que, para ele, balançava no ar sem que ninguém o segurasse, o mesmo valia para a caneta. Sentou-se no sofá dando espaço para que eu pudesse apoiar o papel e escrevesse o que pretendia. Finalmente poderia conversar com ele do jeito que imaginei e não com um tabuleiro que me deixava mais nervoso do que ele.



Sei que Uruha e Reita se gostam, e quero ajudá-los de alguma forma.”– Escrevi e virei o papel para que Aoi lesse.



– É estranho ver você escrevendo algo assim. – Estreitou os olhos. – Você sempre foi muito possessivo com Reita.



Era verdade, em qualquer outra situação já teria encomendado a morte dos dois. Cheguei a ter uma briga feia com Reita por conta dos meus ciúmes desenfreados, sempre fui muito explosivo com as coisas e com meus ataques de ciúmes era ainda pior. O engraçado era que Reita era sempre o primeiro a pedir desculpas mesmo que eu que estivesse errado.



Sei que parece estranho, mas ele precisa seguir em frente.” – Voltei a escrever.



– Acho que a morte te deu mais juízo, Ruki. – Riu sem graça. – Fico feliz porque você está sendo sensato com tudo isso, mas ainda não entendi por que quis falar comigo só agora.



Quero que você me ajude com uma coisa.



– Coisa? Que coisa?



Quero que você chame Uruha pra sair.”– Comecei a lhe mostrar o que havia pensado. – “Reita está só engolindo o que realmente sente, não acha que é certo. Talvez com ciúmes ele tome alguma atitude.



Eu sabia que isso era arriscado, e que muitas coisas estariam em jogo, a mais importante delas sendo a amizade de tantos anos que Aoi tinha com Reita. Mesmo não sendo afetado diretamente com tudo isso, eu me preocupava. Yuu era o único amigo que ouvia os ataques do enfaixado sem que o julgasse, mas eu não tinha pensado em nada melhor.



Se tudo desse certo, Reita iria finalmente entender que esse tipo de coisa não se passa por cima e que, mesmo se sentindo mal por achar que ainda é cedo demais para atrair-se por outra pessoa, isso era o normal. Ele não ouviu os conselhos de Aoi e também não acredita na permissão que eu havia lhe dado. Se não ia aceitar por bem, então que fosse estampado em sua cara o que estava sentido, e que jeito melhor do que fazer com que sentisse ciúmes? Reita podia reclamar muito das minhas crises, mas ele era igualmente possesso, só escondia melhor.



– Isso é muito arriscado, Ruki. – Suspirou. – Ele pode acabar tendo mais raiva de mim do que sentindo ciúmes do Uruha.



– “Ficar com raiva de você por ter saído com alguém que ele realmente gosta. Você pode jogá-lo contra a parede com isso.” – Expliquei no papel.



– Retiro o que disse, a morte só te deixou mais endiabrado. – Brincou – Uruha não vai aceitar tão fácil qualquer coisa que eu proponha.



Sei que vai conseguir usando seu charme, Shiroyama.”– E ele riu das palavras que escrevi. – “Sabe que é o único jeito de tentar fazer com que Reita encare tudo isso.



Ele passou alguns minutos em silêncio, pensando no plano que havia sugerido. Aoi tinha que admitir que não possuíamos muitas escolhas, já que a cabeça dura do seu amigo era a pior que havia visto em anos.



– Não é mais fácil você apenas falar com ele? – Sugeriu.



Eu só iria piorar a situação mostrando pra ele que ainda estou por aqui.



– Tem razão. – Bufou contrariado. – Ok, eu aceito seu plano maluco... Reita que me perdoe! Se der errado, eu juro que me mato só pra te atazanar o resto dos tempos!



Sorri vitorioso, era isso que eu queria.



– Mais uma pergunta, Ruki. – Pediu. – Por que ainda não foi embora? Quer dizer, por quanto tempo ainda vai ficar aqui?



Sei tanto quanto você.



Estava com medo por ele, já que seria o que provavelmente mais iria sofrer nessa história toda. Eu só podia torcer para que Reita tivesse o mínimo de decência, percebesse o que estava fazendo, com esse pequeno empurrãozinho que daríamos e também pudesse perdoar Aoi, afinal ele só estava tentando ajudá-lo.



Ficamos ali, conversando daquele jeito incomum até que o papel já não tivesse mais nenhum espaço para ser usado e o dia começasse a nascer, talvez Aoi dormisse no trabalho por conta disso, mas no momento ele não parecia se importar. Contei tudo que havia acontecido comigo nos últimos meses, lhe contei a minha versão dos fatos, sobre o beijo depois do bar, o modo que Reita reagiu depois do último fatídico acontecimento, sua confusão... Realmente desabafei.



Aquela amizade era uma das coisas que mais sentia falta, poder compartilhar momentos e rir das suas piadas sem graça que sempre aliviavam a tensão de um momento triste. Era realmente como um irmão pra mim, e mesmo tendo me irritado em alguns momentos, não o repreenderia.



Assim como havia lhe dito, não fazia ideia por mais quanto tempo eu poderia ouvir suas besteiras.



~



* Acho que todos sabem, mas não custa nada reforçar q ~ katakana é o tipo de ideograma japonês com que se escreve palavras orientais, o Ruki usa esses dois pois seu nome vem de "Rookie" e bla bla bla.

** Pra quem não conseguiu imaginar: http://3.bp.blogspot.com/-zyPZY5SemGI/TVPpIPf8LAI/AAAAAAAAAEg/sGxFCU0pl_8/s1600/ouija23.gif (Eu sei que são letras, então imaginem o Ruki formando as palavras em romanji, ok? O mesmo vale para o papel, ia ficar difícil pra mim formar as frases em japonês.)



Notas finais
Ganhei pouquíssimos reviews, mas amei cada um sim? ♥
Espero que tenham gostado, pesquisei bastante sobre o tabuleiro pra escrever esse cap ;;
Bom, até o próximo sábado com o capítulo 13.
Reviews, por favor? ♥