Spectrum

12 Capítulo 11 – Negação.


Notas iniciais
Leiam as notas finais, tem um aviso importante lá ;)
Cap betado pela Yukari-chan :3 . Qualquer erro, culpem ela q
Boa leitura!



(Ruki’s POV)



Minhas pupilas vagavam de um lado para o outro, acompanhando o movimento da cabeleira descolorida à minha frente; que ia da direita para a esquerda repetidas vezes. Isso já tinha alguns minutos, e eu já começava a ficar enjoado com aquele andar repetitivo.



– Sabe, Rei. – “Quebrei” o silêncio. – Se você não parar, vai acabar fazendo um buraco no chão. POR KAMI, VOCÊ CORRESPONDEU O BEIJO! Pare de ficar com frescura!



A segunda-feira devia ser patenteada, sabe? Como: “a consequência da sexta”, porque não importa a ressaca absurda que o sábado possa trazer, ou o domingo que você lembra e remói tudo o que aconteceu. É na segunda que você tem que encarar as pessoas que compartilharam as besteiras que você fez ou que elas fizeram com você, ou pelo menos, na maioria das vezes.



E essa era justamente a situação em que Reita se encontrava.



É claro que eu assisti de camarote tudo que aconteceu na sexta-feira passada, Uruha brincando que nem uma criança, a história de seu avô, a “confirmação” que Reita havia falado de mim e, por fim, o beijo no carro. Privacidade é um privilégio e... Bem, eu sou um espírito e... Eles nem sabiam que eu estava lá então...



Ah, me julguem!



O caso é que depois que Uruha saiu do carro, eu não sabia como Reita iria reagir. Tinha algumas ideias, pensei que ele fosse se derreter pelo garoto ou suspirar... Algo assim. Estava muito feliz por Uruha ter tomado a iniciativa de finalmente beijá-lo, eu sei que o garoto gosta de Akira, mas se dependesse deste, eles não se beijariam até o ano que vem... No mínimo. Então, realmente fiquei feliz, eufórico na verdade. Eu já estava encarando a situação de forma normal.



Só não esperava que a reação da cacatua fosse tão... Tão assim.



Pra você ter uma ideia, depois que o loiro desceu do carro, Reita ficou por mais cinco minutos exatos naquela mesma posição, eu tive que dar um tapa de leve em sua cabeça pra que ele finalmente voltasse a reagir. E depois eu me arrependi de ter feito isso, aprendi que era melhor o silêncio do que aquilo.



Ele começou a se descontrolar, dirigiu como um doido pra casa, quase atropelou um ciclista, bateu a porta do apartamento tão forte acho que acordou o andar inteiro! Depois ficou andando pra vários lados daquela casa – como agora –, quase arrancando os próprios cabelos e murmurando “O que foi isso?”, “Como assim?”, “Por que ele me beijou?”, “Eu o beijei antes?”, “Por que eu queria corresponder?”, “Por que ele estava triste quando saiu?”, “Eu o magoei?” e finalmente... “PORRA, POR QUE EU ME IMPORTO?”



... Digno de um adolescente com sua primeira namorada.



Acho que desde a minha morte, o grau de “gayzisse” dele subiu bastante.



Mas tudo bem, tenho que levar em consideração que eu morri há dois meses.



Ele continuou com essas perguntas e mil teorias o final de semana inteiro, chegou um momento que eu simplesmente tive que sair porque meus ouvidos já não aguentavam mais o falatório. Fiquei com pena de Koron que ainda teve que aguentar tudo isso, mas pelo menos quando voltei ele havia se escondido de baixo da cama e se enroscado em uma das peças de roupas que estavam esquecidas por ali.



Hoje, eu até me assustei o quão cedo o despertador de Reita tocou, não o vi mudando de horário. Eram cinco da manhã... CINCO DA MANHÃ! Ainda estava escuro e a cacatua já pulava pra fora da cama e corria para o banheiro, como se tivesse algo muito importante pra fazer, cheguei até a acreditar que ele pudesse ter marcado algo na empresa que justificasse.



Chegamos à Yamato, e Akira agia como se fosse um preso fugindo da polícia. O estacionamento estava vazio, com a exceção de alguns faxineiros que começam o trabalho cedo, e o guarda que cuida da segurança noturna. Ele foi direto para o elevador, subiu até o andar costumeiro e praticamente correu para sua sala. O acompanhei tudo com um olhar de questionamento, talvez ele estivesse realmente ficando louco, talvez estivesse convivendo demais com Aoi.



E estamos aqui, desde então, trancados nessa sala. Já são 7:45, o andar está cheio e Reita não para de andar de um lado para o outro desde que chegou, não sentou ou pegou algum papel. Arrumava algum livro, mudava algum enfeite de lugar, olhava pela janela procurando, provavelmente, pelo loiro... Repetidas e repetidas vezes.



– Eu estou começando a me perguntar se você ficou assim quando eu te beijei a primeira vez ou isso tudo é novidade. – Falei entediado. – Foi engraçado no começo, Akira, mas essa sua atitude está começando a me irritar!



Então a porta abriu e Reita foi de branco para transparente em questão de segundos.



– AOI! – Ele correu, puxou o moreno para dentro e voltou a trancar a porta.



– Que isso, Reita? – Yuu tentou recuperar o equilíbrio já que foi literalmente jogado dentro da sala. – Se queria tanto alguns momentos mais reservados comigo, era só ter pedido. – Riu malicioso, sentando ao meu lado. – Por que essa cara de espanto? Sou tão bonito assim?



– Cala a boca, Shiroyama! – Esbravejou em um tom baixo. – Eu estou desesperado e você fica com suas piadinhas.



– Tá, tá bom. – Cruzou os braços esperando que Reita começasse a desabafar. – Conte-me o que te aflige.



– Resumindo? Eu falei sobre Ruki para Uruha, acho que o beijei naquele dia no bar e ele me beijou na sexta. – Disparou.



– Como? – Aoi arregalou os olhos. – Calma, rebobina, e me conta tudo com detalhes.



E então Reita começou a contar desde a saída do restaurante até a carona e o beijo. Yuu ficou calado o tempo todo, apenas o cortando nos pequenos surtos que dava no meio da história, e o olhando com atenção. Ele sabia ser um bom amigo quando queria. Quando Akira finalmente terminou, Aoi lhe deu um pouco de tempo para respirar e também para que ele próprio pudesse digerir tudo o que havia ouvido.



Nos olhos de qualquer outra pessoa que visse a situação de longe, diriam que Reita está sendo apenas um besta por estar transformando tudo isso em um grande circo. Tá, ele estava exagerando, convenhamos. Mas ele é o tipo de pessoa que guarda tudo para si, ele guardou todas as confusões de quando conheceu Uruha até agora. Ter se sentido bem com a presença do garoto, as conversas, tudo se acumulou e só agora veio à tona.



– Ok... – Aoi finalmente falou. – Em primeiro lugar, você está parecendo um adolescente. Sem ironias.



– Eu sei... Estou com raiva dessa minha atitude também. – E ele finalmente sentou e escondeu o rosto nas mãos.



– Se eu não te conhecesse tão bem, diria que você está exagerando, sendo gay demais, agindo como uma criança, além de um belo cu-doce.



– Mas como você me conhece... – Reita estreitou os olhos.



– Eu continuo dizendo tudo isso. – O moreno respondeu rindo. – Mas eu entendo.



– Não está me ajudando.



– Não tem muita coisa que eu possa ajudar, na verdade. – Levantou as mãos em sinal de rendição. – O garoto está gostando de você, eu sempre suspeitei, mas só agora pude confirmar. Você não pode fazer nada a respeito disso. – Levantou-se e colocou uma das mãos sobre o ombro de Akira. – Tem que decidir o que vai fazer com essa situação, ninguém pode te ajudar.



Aquilo não era bem verdade...



– Eu não queria que isso acontecesse, Yuu. – O tom de Reita era cansado. – Pelo menos não agora. Sabia que algo assim iria, eventualmente, acontecer, mas... Tudo ainda está tão recente, só dois meses passaram, eu sinto que cada pequena resposta que dou pra Uruha é como se estivesse o traindo entende?



– Eu sei, Reita. – E apertou o ombro do amigo um pouco mais em sinal de apoio. – Você tem que entender que não existe um período certo para que você possa começar a gostar de alguém. Não é como se depois de um ano já estivesse tudo bem, isso varia de pessoa pra pessoa.



– Seria muito mais simples se eu não estivesse sentindo tudo isso. – Akira confessou.



– Mas está sentindo, e não tem pra onde correr. – Aoi começou a se afastar em direção à porta. – Não vai poder ficar se escondendo do garoto o tempo todo. O que pretende fazer?



E eu já sabia a resposta.



– Vou engolir tudo isso, e passar por cima como se nada tivesse acontecido. – Levantou-se e arrumou a postura. – Vai ser melhor pra mim e pra ele.



Previsível.



– Sabe que isso só vai piorar a situação, não é? – Aoi estreitou os olhos. – E vai acabar machucando os sentimentos de Uruha.



Reita deu de ombros, como se não fosse algo realmente importante.



O meu suspiro e o de Yuu foram gêmeos, mesmo que o meu fosse forçado.



– Se você diz... – O moreno sabia que nessas horas era perda de tempo tentar argumentar qualquer coisa.



Aoi destrancou a porta e saiu da sala, deixando Reita “sozinho”. Eu estava me sentindo com as mãos atadas, queria poder gritar e bater nessa cacatua até que ele aceitasse tudo o que estava sentindo. Mas é como eu mesmo havia dito, a parte fácil foi me fazer permitir – por incrível que pareça. -, complicado mesmo seria fazer com que ele se permitisse.



– Você vai acabar se arrependendo por estar fazendo isso, Rei. – Falei ao me aproximar.



Reita endireitou as costas e fechou os olhos. Inspirou uma grande quantidade de ar, prendendo-o por alguns instantes e depois soltou de uma só vez.



– Eu vou conseguir. – Sussurrou. – É apenas uma atração.



Era muito provável que ele conseguisse sim; fazer com que tudo fosse por água a baixo.



Saí da sala, olhando para os lados procurando o loiro que estava atormentando não só a mente de Reita, mas a minha também, tamanha a preocupação.



Não foi preciso andar muito até achá-lo. Ele estava em seu lugar de sempre, com a cara enfiada no computador, ignorando as perguntas que Takeshi fazia sobre o que aconteceu depois do restaurante. Ao que parecia, ele e Kenzo estavam suspeitando que alguma coisa estivesse acontecendo entre os dois, mas o loiro negava veemente e voltava a ler as letras miúdas no monitor. Uruha estava com um semblante abatido, com certeza a falta de reação de Reita havia importado muito pra ele, não o culpava afinal, o garoto ainda não sabia de nada.



Depois de um tempo, Takeshi finalmente desistiu de tentar arrancar alguma coisa dele, e saiu. Kouyou relaxou na cadeira e parou de digitar por alguns instantes, olhando para o teclado, pensativo. Depois seus olhos se viraram na direção do corredor que levava à sala de Reita.



Desde que se aproximaram, Akira sempre vinha lhe cumprimentar antes do início do expediente e hoje – obviamente – isso não aconteceu. Ele provavelmente se sentia culpado. Fechou os olhos e escondeu o rosto nas mãos, ele estava desesperado isso sim.



Não ia adiantar nada que eu ficasse aqui vendo tudo acontecer.



Resolvi sair do prédio e tratar procurar o dono do sorriso de covinhas, que provavelmente estava preocupado com o que eu havia feito. Afinal, fui eu que o deixei enquanto corria pra tentar reconstruir meu namoro. Pensando agora, fui realmente idiota em pensar que poderia fazer alguma coisa.



~~



Eu não sabia exatamente como encontrá-lo então apenas fiquei andando pelo centro da cidade, passando por todas as ruas e praças, chegando a entrar em várias lojas que encontrava, até que finalmente o encontrei depois de algumas horas caminhando.



– KAI! – Gritei para o moreno que passava pelo outro lado da rua.



Ele demorou um pouco para responder, mas depois abriu o seu típico sorriso de covinhas quando me viu.



– Baixinho! – Gritou e atravessou a rua calmamente não se importando com os carros, já que esses simplesmente o atravessavam.



– Desculpa por te deixar preocupado naquele dia, a ideia de conseguir mover as coisas subiu na minha cabeça. – Curvei-me em sinal de arrependimento.



Ele riu e depois puxou meus ombros para voltar a olhá-lo.



– Não se importe com isso. – Disse dando alguns tapinhas em meu ombro. – Não posso te julgar, afinal, fiquei em uma situação bem pior do que a sua quando consegui.



E nós dois rimos abertamente.



– Vamos, vamos sentar em algum lugar para podermos conversar melhor.



Ele me puxou pelo braço e caminhou por alguns minutos até a escadaria de um imponente edifício. Vários homens e mulheres com roupas pretas perfeitamente alinhadas subiam e desciam aquela escadaria correndo. Apesar das várias pessoas, o silêncio dali era reconfortante, só se ouvia o barulho dos sapatos batendo contra o concreto.



– É uma firma de advocacia. – Explicou, sentando-se em um dos degraus. – Eu gosto de ver a correria deles, faz com que eu me lembre a minha própria correria de quando era vivo.



– Você era advogado, Kai? – Sentei-me ao seu lado.



– Era, mas isso faz muito tempo. – Deu de ombros. – Só que não é esse o foco da conversa. Conte-me o que aconteceu.



Ele iria me repreender pelo o que havia feito, mas não havia por que esconder dele.



Fiz um resumo de tudo o que aconteceu desde que o encontrei naquele dia no parque, em que dei um belo soco no meu “amigo”, disse o que fiz naquela noite – recebendo um olhar de reprovação – e o que havia decidido. Também falei sobre o incidente do bar para depois explicar o que aconteceu na sexta-feira passada até chegar a essa manhã, contando o que Reita havia decidido a respeito de Uruha.



– Eu devia te bater por ter sido tão imprudente. – Falou da noite em que abracei e beijei Akira. Seu tom era o mesmo que meu pai usava quando fazia algo errado. – Mas fico feliz que tenha entrado em acordo consigo mesmo.



– É, acho que eu só estava negando o que iria acontecer de qualquer forma. – Confessei. – Mas ele me ouviu, Kai... Como isso é possível? – Não diria que ele não foi o único que “conversei” naquela noite, ele não precisava saber.



– Quando as pessoas dormem, elas conseguem nos ouvir. – Explicou. – Acho que tem a ver com o fato de estarem em um estado de latência em que não controlam o que fazem, apenas mergulham em um descanso deixando as preocupações de lado. Creio que o cérebro consegue captar a nossa voz. – Pareceu pensativo. – Mas é apenas uma teoria. Não vá ficar fazendo isso muitas vezes!



– Eu sei...



– E não fique tocando em seu namorado, eu sei que é difícil, mas se fizer isso vai acabar fazendo com que ele ache que está doido!



– Sim, papai. – Disse em ironia e ele gargalhou.



– Eu sinto como se você fosse meu filho, sempre me preocupando quando some sem saber o que vai fazer. – Empurrou minha cabeça para o lado. – Não deixe o seu “pai” tão preocupado, baixinho.



– Bom, acho que vou ter que te deixar preocupado mais uma vez...



– O que está pensando em fazer? – Indagou curioso.



– Eu não vou ficar só olhando tudo sendo destruído só porque Reita acha que ainda não está na hora de aceitar o que está sentido. – Falei determinado.



– Só não vá empurrar os dois pra que eles se beijem que nem dois bonecos! – Não pude deixar de rir desse comentário.



– Relaxa... Não vou fazer nada absurdo. – Defendi-me. – Ou pelo menos não tão absurdo.



– Sei... – Estreitou os olhos.



Uma quantidade maior de pessoas começou a sair do edifício e eu me perguntei o porquê. Logo deduzi que seria a hora do almoço, isso me deixou um pouco nervoso, tinha a sensação que alguma coisa ia acontecer.



– Kai, eu vou indo. – Me levantei em um pulo.



– Pressentimento? – Deduziu.



–Algo assim. – Falei como se não fosse importante. – Até depois, Kai-san.



– A gente se vê por aí, baixinho! – Já estava no final da escadaria quando o ouvi gritar.



– Não me chame assim!! – Esbravejei e me pus a correr, aquele sentimento só aumentava.



~~



O andar de economia da Yamato estava sem uma pessoa sequer, todos haviam saído para almoçar e apenas o barulho dos computadores podia ser ouvido. Rumei para a sala de Reita, reparando que o andar não estava tão vazio quando eu achei.



No final do corredor, Uruha estava parado em frente à porta, com a mão sobre a maçaneta, mas não parecia achar coragem para girá-la. Seus olhos estavam fechados fortemente e sua respiração descompassada.



– Vamos Uruha... – Falei baixinho ao seu lado, mesmo que ele não pudesse me ouvir. – Abra a porta!



E então, como se tivesse me escutado, ele a abriu, encontrando um Reita com muitos papéis ao seu redor. Demorou um tempo até que Akira percebesse que já não estava sozinho, mas quando finalmente levantou o rosto, ficou estático e eu percebi que a respiração de Uruha acelerou, seu rosto estava vermelho.



Sabia que não podia fazer, mas estava quase empurrando o garoto para dentro da sala.



Antes que eu pudesse realmente empurrá-lo, Uruha adentrou a sala e ficou parado em frente à mesa de Reita, o observou por mais alguns instantes e se curvou.



Eu juro que vou bater nele. Nos dois, na verdade.



– Me desculpe pelo que fiz na sexta-feira, Akira-san. – A voz estava um pouco embargada. – Não foi minha intenção.



– Cala boca e ataca logo ele! – Praticamente gritei, ficando ao lado do loiro. – Manda essa cacatua parar de ser idiota e assumir o que sente!



– Eu que peço desculpas, Uruha. – Reita começou. – Não devia ter te atacado ou ter falado qualquer coisa, em primeiro lugar. Existem muitas coisas sobre mim que você ainda não sabe totalmente, e eu realmente preferia que continuasse assim. – Seu tom era frio e desinteressado, nem parecia o cara que, no começo da manhã, era praticamente um adolescente. Ele sabia esconder muito bem o que sentia. – Sinto muito, mas não posso retribuir seus sentimentos.



E o silêncio que ficou não era nada agradável. Kouyou continuava com a cabeça abaixada e Reita com uma expressão impassível.



Até que finalmente a voz grossa do garoto soou fraca.



– Eu entendo, Suzuki-san. – Levantou o tronco e pude ver que ele estava segurando as lágrimas. Sabia que não era só porque Reita não o queria corresponder, mas também por achar que havia destruído a amizade que tinha com ele. – Peço desculpas novamente.



– Não precisa. – Akira voltou a falar. – Espero que esse incidente não prejudique a convivência.



– Ridículo. – Estreitei os olhos para o mais velho.



– Não irá. – Uruha já estava começando a dar pequenos passos para trás. – Se me der licença... – Abriu a porta rapidamente e saiu da sala.



Fiquei em seu encalço, eu estava preocupado com o garoto, ele não precisava ter ouvido aquilo. Ele não sabia nem de metade da história.



Foi caminhando até sua cadeira onde se jogou, apoiando os cotovelos nos joelhos e se encolhendo para frente. Suas mãos se fecharam em punhos nas mechas loiras, e não demorou muito para que pudesse ver suas costas dando pequenos espasmos.



Aquela cena me desarmou e por muito pouco não voltei para onde Reita estava e lhe dei um belo soco de direita como fiz com Koji.



Percebi que alguém se aproximava e logo notei se tratar de Aoi. Seus olhos estavam carregados em pena pelo garoto que soluçava em silêncio ao meu lado, ele entendeu o que havia acontecido e se virou, dando um pouco de privacidade a Uruha, ele não precisava passar pela vergonha de ter que se explicar.



Aoi já o considerava como um amigo e se importava com ele, sentia muito por Kouyou ter que passar por essa situação sem nem saber o porquê.



Se importava...



– É isso! – Então finalmente decidi o que poderia fazer. Era arriscado, mas não custava tentar! – Vamos ver se realmente ninguém pode ajudá-los, Aoi.



~



Notas finais
Antes de mais nada, obrigada pelos reviews maravilhosos ♥ ;;
- AVISO! -
No próximo final de semana, eu vou viajar.
Obviamente vai ser impossível postar no sábado então é o seguinte: Se eu conseguir uma boa quantidade de reviews até quinta feira, eu posto o cap antes de ir.
Se não, sem Spectrum pra vocês por duas semanas.
Provavelmente minha chantagem não vai dar certo então... Até dia 06 lol~
De qualquer forma, espero que tenham gostado ^^ . Agora que as coisas vão complicar!
Reviews, por favor? ♥