Spectrum

7 Capítulo 6 – Amnésia alcoólica e futuros amigos.


Notas iniciais
Êee, minha chantagem foi às favas ç_ç
Mas nem demorei pra postar, tudo deu certo e estou me recuperando normalmente. Obrigada aos que me deram apoio ♥
POV do Reita novamente o/
Boa leitura!



(Reita’s POV)



Dor.



Eu só conseguia sentir isso.



Minha cabeça parecia explodir, meus olhos chegavam a lacrimejar – provavelmente estavam vermelhos -, meu corpo doía também, talvez por eu estar jogado no sofá – que identifiquei ser da minha sala – deitado de mau-jeito. Meu estômago dando nós, e estava com uma puta dor de cabeça e ainda tinha aquela luz absurda em meu rosto...



Abri os olhos lentamente, encontrando um borrão preto na minha frente. Pisquei mais algumas vezes e finalmente consegui enxergar Koron que me olhava curioso. Levantei-me bem devagar, percebendo que estava com uma perna para fora do sofá e a outra dobrada para o lado, minhas costas estavam tortas... Estava parecendo um velho.



Caminhei para o banheiro tentando recompor tudo aquilo que havia esquecido. Não conseguia me lembrar de quase nada... Só daquela brincadeira estúpida de Uruha que havia me tirado do sério... Fizemos uma “competição” e... Mais nada.



Desisti e entrei debaixo da água quente sentindo meus músculos relaxando com a temperatura agradável enquanto tentava tirar aquele cheiro de álcool e cigarro da pele. Depois de conseguir, saí do banheiro estranhando meu estômago estar reclamando por comida e não para que eu colocasse pra fora o que tinha dentro. Talvez eu tivesse vomitado antes de chegar em casa... Tentei lembrar... Nada.



Sentei-me na cama, não me importando em colocar qualquer roupa, olhei para o relógio.



Duas da tarde... Quanto tempo será que eu apaguei?



Não tinha como pensar, não com aquela dor de cabeça me matando, e a minha garganta arranhando por água. Depois de acalmar toda essa ressaca que tomava conta de mim, eu ligaria para Yuu... Provavelmente não ia adiantar muita coisa, ele estava tão mal quanto eu... Mas sua memória era melhor, já havia constatado isso várias vezes por ser alvo de suas piadinhas pelos meus atos inéditos de quando estava bêbado. Ri fracamente me lembrando de algumas, aquilo sempre fazia Ruki gargalhar.



Ruki... Eu o ouvi ontem... Ouvi?



–Rei-chan...



E mais uma pontada na cabeça não me deixando pensar em mais nada. Ou eu cuidava disso ou ficaria sem ser capaz de raciocinar pelo resto do dia.



~~



Depois de estar devidamente medicado e alimentado, peguei meu telefone e liguei para Aoi tentando tirar qualquer coisa da noite passada. Não custava tentar.



Já estava quase desistindo quando escutei a voz rouca com sotaque do interior.



– O quê você quer, Suzuki?



Ele estava irritado e tive que rir, provavelmente estava em uma ressaca horrível.



– Não seja tão ranzinza... As rugas vão aparecer mais cedo! – Aoi já estava na casa dos 30 e sempre entrava em depressão quando tocávamos nesse assunto.



– Aah, você e suas técnicas. – E o ouvi bufando do outro lado da linha. – Fale meu amado e querido Reita... O que desejas desse pobre ancião?



Acabamos rindo juntos de seu exagero.



– Cara... Eu não lembro absolutamente nada de ontem... – Confessei. – Você lembra se eu fiz alguma besteira? Tem alguma coisa me perturbando como daquelas vezes que eu fazia merda e você ria da minha cara.



Ele gargalhou do outro lado.



– Para de rir seu idiota! – Me irritei.



– Ah, desculpa é que eu acabei me lembrando de algumas... – Segurou o riso. – Pelo visto sua amnésia alcoólica continua firme e forte não? Mas também... Depois de cinco copos de tequila...



– Cinco? Eu só lembro de dois.



– É meu amigo, você quis dar uma de “machão” na frente do garoto e acabou indo além da conta.



– Não perturba, Aoi. – Me irritei, ele estava provocando. – Sabe que eu não quero nada com ele.



– É, mas quem disse que ele não quer nada com você?



Congelei.



– C-Como assim?


– Ah, é só parar pra prestar atenção. – Disse como se fosse óbvio, quase podia vê-lo rodando os olhos. – Ele te ajudou a sair do bar... Sempre dá atenção a mais quando você o chama... Te juro que se o Ruki estivesse vivo estaria quase instalando um GPS em você!



– É... Pode ser. – Ri fracamente. – Ele realmente iria, não é?



– Do jeito que aquele baixinho era... Pode ter certeza. – Aoi acalmou seu tom de voz, falar em Ruki ainda era um assunto delicado para todos nós. – Mas pense bem, um relacionamento sem compromissos pode ser algo bom pra você, Reita.



– Não Aoi, eu ainda não estou pronto pra isso. – Suspirei me sentando no chão e colocando Koron no colo.



– Não estou dizendo para se envolver profundamente com ele, tipo amor e essas coisas. Uruha tirou aquela carranca de você, por que não dá uma chance? Um amigo quem sabe? E depois algo mais... – Insistiu.



– E usar ele pra afogar minhas frustrações emocionais? Não faria isso com o garoto, ele é uma boa pessoa.



– Aaah, tá vendo? Você tem um carinho por ele, acho que isso basta. E você não vai usá-lo como fuga, é mais como uma ‘recuperação’. Encare dessa maneira.



– Eu... Eu não sei. – Fechei os olhos tentando me lembrar de qualquer coisa. – Você disse que ele me ajudou a sair do bar, sabe se eu fiz alguma besteira ou... Disse algo que não devia?



– Hum... Aí eu já não sei, estava sendo escoltado por Kenzo e acho que por Takeshi. – Pareceu pensativo. – Vocês ficaram pra trás enquanto você cantava mais uma de suas músicas inéditas de bêbado.



– Eu me mereço... – Dei um tapa na testa. – Será que ele vai se lembrar disso? Lá se vai toda minha moral.



– Sua moral já era a partir do momento que você começou a beber que nem um louco quando ouviu Uruha te desafiando. – Voltou a rir. – Por falar nisso, o querido Kou é bem forte para bebidas, podemos chamá-lo para sair novamente. Mas dessa vez na minha casa assim tudo fica entre quatro paredes...



– Você está doido por ele não é? – Estreitei os olhos.



– Eu? Só estou querendo ajudá-lo. – Podia ver seu sorriso malicioso. – Mas é claro que, se jogá-lo para escanteio, eu não vou deixá-lo sozinho.



– Sei...



– Mas enfim, pense no que eu te falei e permita-se ao menos o conhecer. E também, não é como se ele fosse se apaixonar por você e tudo mais. – Ponderou. – Os dois saem no lucro. E mesmo que não dê em nada... Pelo menos você ganha um amigo, não?



Pensei um pouco naquilo que Yuu dizia, ele sabia ser persuasivo. Mas a ideia de tirar todo esse peso nas minhas costas era simplesmente tentadora demais.



– Tá bom, Aoi. Tá bom. – Dei o braço a torcer. – Vou pelo menos parar de ser neurótico e me esforçar um pouco pra ganhar um amigo.



– Amizade colorida? – Arriscou.



– Não força, Aoi... Já estou sendo bonzinho demais.



– Ok, ok! Bandeira branca. – Desistiu dos argumentos – Pelo menos saber que você vai tirar toda essa neura da sua cabeça já me deixa tranquilo.



– É... É bom, eu admito. – Olhei para Koron que desfrutava das minhas caricias quase dormindo em meu colo. – Já vai fazer dois meses não é?



– Sim, passou rápido. – Concordou. – Parece que faz mais tempo não é? Quer dizer... É difícil lembrar que nesse mesmo ano o baixinho estava com a gente.



– Parecem mais dois anos.



Ficamos em silêncio por alguns minutos. Lembrando vários momentos. Aoi era muito próximo de Ruki também, por mais que vivessem brigando e discutindo pelas brincadeiras do moreno, eles eram muito amigos e era muito bom sair em trio e nos divertir nos finais de semana. Quase irmãos, mesmo que minha relação com Ruki fosse infinitamente mais profunda.



– Sei que Kouyou não vai substituí-lo, mas... Seria bom voltar a sair em trio não é? – A voz de Yuu soou do outro lado da linha, me tirando dos devaneios, os quais parecia ter lido. – Sabe que eu falo essas coisas não só pra que você saia desse estado de quase depressão, mas também por mim e pelos nossos antigos amigos... Mesmo aqueles que acabaram se afastando.



– Ruki era a cola que nos unia. – Ri sem gosto.



– É verdade... Quem sabe Uruha não possa nos colar novamente? Seria como cola “diferente” mas com a mesma função...



– Estamos ficando profundos, Yuu? Melhor repensar nessas suas filosofias, estão horríveis. – Brinquei saindo um pouco daquele clima tenso.



– Aah, deve ser o efeito do álcool que ainda está dentro de mim. – Fungou discretamente. Aoi sabia ser sensível quando queria. – Mas é bom saber que o loiro alto consegue melhorar seu humor, Suzuki.



Realmente, ele conseguia, só de mencionar o nome dele eu consegui sair daquele clima triste.



– Não se esqueça do que eu disse, cacatua. – Aoi voltou a falar.



– Eu sei, vou parar com a paranoia. – Confirmei.



– Muito bem, agora vou voltar ao lindo sono que estava tendo. Boa noite, Akira.



– Haha. “Boa noite”, Yuu. – E finalmente desliguei o celular.



Me sentia de volta aos tempos da faculdade que passava horas com Aoi ao telefone falando sobre qualquer besteira. Voltar àquele tempo me fez bem e a promessa de relaxar em relação a Uruha também me deixava mais leve.



Talvez tudo o que precisasse era começar a conviver com tudo isso de uma maneira mais tranquila.



~~



– Uruha! – Corri em direção ao loiro que andava pelos corredores da Yamato.



Já era segunda-feira e não o tinha visto o dia inteiro, estava trancado na minha sala fazendo o maldito relatório, e quando o horário do almoço bateu, não o achei no restaurante térreo.



– Ah, Suzuki-san. – Se virou e pude ver seus olhos com dois círculos escuros típicos de uma noite mal dormida.



– Muito preocupado com o trabalho? – Apontei.



– É, ele tem me tirado o sono. – Desviou os olhos como se escondesse algo. – Em que posso lhe ajudar?



– Duas coisas na realidade. – Comecei. – Primeiro eu queria me desculpar pelo trabalho que eu te dei na sexta e por qualquer outra besteira que eu tenha feito.



– Besteira? – Seus olhos arregalaram um pouco.



– É, eu fiz alguma? Eu realmente não consigo me lembrar de nada desde o vira-vira.



Seu rosto pareceu suavizar, mas também começou a adquirir uma coloração avermelhada.



– Não se preocupe, Suzuki-san. – Sorriu fracamente. – A única coisa que aconteceu... – Mordeu os lábios e depois voltou com o mesmo sorriso de antes. – Foi você ter cantado várias músicas enquanto íamos para o carro.



– Ah, eu sinto muito por isso. – Tive a decência de me envergonhar por aquilo tudo, coçando minha nuca em um sinal claro de desconforto. – Te fazer ouvir minha voz desafinada e tudo mais.



E então ele gargalhou jogando a cabeça pra trás fazendo com que minhas bochechas esquentassem. O quê? Eu por acaso tinha voltado a ser um adolescente?



– Não se preocupe. – Balançou a mão no ar em sinal para que eu não me preocupasse com aquilo. – Sua voz é muito bonita na realidade.



Meu rosto estava pegando fogo. Que merda.



– Se era só isso... – Uruha se virou e voltou a andar.



– Não! Não era só isso. – Segurei seu braço.



Ele se livrou do aperto bruscamente e voltou a me encarar com o cenho franzido. Parecia um pouco incomodado, escondendo alguma coisa. Mas deixaria pra descobrir o quê e o porquê depois.



Era agora. Ia colocar em prática o que Yuu disse. Aproximar-me de Kou dando uma chance à amizade que podia crescer ali e, segundo Yuu, algo mais. A segunda parte eu deixaria pra depois... Bem depois. Um passo de cada vez.



– O relatório vai ficar pronto daqui a duas semanas e eu queria que me ajudasse um pouco mais. – Falei finalmente.



– Claro, Suzuki-san-



– Não precisa dessa formalidade. Pode me chamar de Reita. – Interrompi. E, antes que voltasse a falar, completei. – Então... Se pudesse esticar seus horários essas duas semanas pra me ajudar mais... Eu agradeceria. Espero que não esteja pedindo demais. – E aquela era a derradeira frase.



Em outros olhos, poderia estar parecendo um daqueles chefes carrascos que exploram seus ajudantes até o último suspiro, mas essa era a melhor maneira de me aproximar dele de um jeito sutil e que não parecesse estranho demais. Aquilo tudo não era necessário, mas eu desaceleraria o ritmo durante o dia para que a maior parte do trabalho ficasse para as horas extras, que acabaria gastando mais conversando do que trabalhando, ou pelo menos era isso que eu planejava.



Algo bobo, mas esperava que desse frutos. Era pra criar um amigo, da minha forma distorcida, mas era.



– T-Tudo bem, Reita. – Ele ficou surpreso, mas acabou concordando depois de algum tempo.



– Ótimo, começamos amanhã mesmo. – Disse já me virando para voltar à minha sala, deixando um Kouyou preocupado atrás de mim. Não tinha mais o que dizer, e aquela situação estava começando a me deixar um pouco desconfortável. Ainda não era natural para mim voltar a falar tão abertamente com as pessoas, mas esperava que o que tinha planejado melhorasse esse tipo de comportamento.



Entrei na sala e me sentei, olhando para o teto. Agora tinha que começar a me empenhar e fazer com que tudo desse certo. Aquilo seria bom, eu continuava a repetir tentando me convencer.



– Estou sendo meio bobo, não estou Ruki? – Fechei os olhos suspirando, me permitindo cinco minutos de silêncio antes que voltasse a me concentrar no que estava fazendo.



~



Notas finais
Primeiro, obrigada pelos reviews maravilhosos ♥
Esse cap é meio bobo, mas ele dá embasamento pro próximo.
Pra quem queria, o covinhas vai aparecer logo logo, não se preocupem ;)
Espero que tenham gostado, que estejam gostando, e até o sábado o/
Reviews, por favor? ♥