Spectrum
17 Capítulo 16 – Extremo.
Notas iniciais
Esse capítulo eu quero dedicar pra linda da Shima-waka que fez aniversário final de semana passado e como a fic que fiquei de escrever pra ela ainda não tá pronta, dedico esse cap de Spectrum que é um dos meus favoritos!
Feliz aniversário (super) atrasado neném D: Sua fic logo ira brotar por aqui assim que o santo baixar e *pedras*
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Queria que vocês lessem o cap ouvindo Without a trace (sim, do gazette) por favor ^^~
Boa leitura!
(Reita’s POV)
Não estava sendo fácil.
Eu me sentia sufocado.
As coisas que decidi estavam cada vez mais difíceis de aguentar, eu não tinha mais noção nenhuma de tempo, dias ou semanas, era difícil voltar a tentar ser um humano normal, ser assim com ele. Para os outros era um alívio que eu tivesse perdido a postura ignorante, apesar de não ter voltado a ser amigável, pelo menos não estava sendo autoritário novamente.
Ao menos respondia os pedidos de ‘bom dia’ e não tratava com tanta raiva alguns deslizes de determinadas pessoas.
Mas com ele ainda estava sendo a mesma coisa, continuava enterrando tudo o que sentia cada vez mais fundo, quanto mais eu tentava pior eu me sentia. Além de sádico agora era masoquista, e a minha definição só melhorava com o passar dos dias. Cheguei ao ponto de pedir que Aoi cuidasse de todos os trabalhos que envolviam Uruha, e quando precisava comunicar algo ao loiro, era a Yuu quem eu recorria, ele era praticamente um pombo correio.
A ideia de sempre ignorar as coisas, pra mim, sempre foi encarada como uma característica forte, alguém que consegue controlar as coisas ao seu redor. Só que ultimamente eu tenho me visto como uma pessoa cada vez mais fraca ao fazer isso, ao ignorar cada tentativa falha de desculpas vindas de Uruha. Ele tentou várias vezes, por vários dias e eu ignorei cada uma como se não estivesse ouvindo ou sentindo nada.
Estava me saindo um excelente hipócrita.
Era desgastante.
– Reita! – A voz com o sotaque de Mie me tirou dos devaneios. – Terra para Reita, você volta pra esse planeta hoje ou só semana que vem?!
– Desculpa, Yuu. – Esfreguei meus olhos fortemente, estava caindo de sono. Há dias aquela insônia não me deixava. – O que você estava falando?
– Estava te avisando que Uruha está te esperando do lado do seu carro, parece que dessa vez ele não vai te deixar escapar tão facilmente. – Falou baixinho, evitando o eco do estacionamento, ao checar alguma coisa por cima do meu ombro.
Suspirei pesadamente, achei que tinha me livrado desse tormento, já que ele não havia tentado falar comigo essa semana. Parece que ele estava só esperando a sexta-feira.
Inferno.
Inferno mental.
Eu quero falar com ele, mas também não quero. Bipolaridade maldita.
– Não tem como você escapar, Reita. – Aoi colocou a mão em cima do meu ombro e sinal de apoio. – Só não me vai fazer mais besteira do que você já está fazendo.
Meneei a cabeça em confirmação, ele estava certo, eu não podia perder a linha do raciocínio e acabar explodindo de qualquer forma. Uruha não precisava disso, nem eu. Com passos firmes andei até o loiro, que realmente estava me esperando, assim como Yuu havia dito, escorado em meu carro com o semblante cansado e pensativo.
– O que você quer, Uruha? – Mesmo que tentasse entrar e sair dali, ele não deixaria vez que estava se apoiando na porta do motorista, maldito loiro.
– Reita você acha que eu sou lerdo? Você realmente pensou que eu não ia perceber que você estava simplesmente ignorando todas as vezes que eu tentei falar com você nas últimas semanas? – Seus olhos estavam fixos em mim, enquanto ele encarava incrédulo.
É claro que ele ia perceber, só um idiota não perceberia.
– Não acho que você seja lerdo, Uruha. – Eu estava lhe respondendo só... Desviando do assunto principal.
– E porque me ignorou? – Kouyou tinha mudado muito, não era mais aquele novato acuado que sempre gaguejava. Isso só dificultava ainda mais as coisas pra mim.
– Não quero falar sobre isso. – Abaixei a cabeça como um bom idiota que era. – Se me dá licença... Eu gostaria de ir pra casa.
– Quando eu perguntei se você queria falar sobre isso, Reita? – O tom era ácido.
E eu já estava perdendo todo meu ar passional.
– Não vou ficar aqui aguentando esse seu comportamento, Takashima. – O fitei, tentando manter a linha de raciocínio, mas olhar aqueles orbes castanhos só piorou minha situação.
Porra Uruha, não morda o lábio...
– Eu só... Queria me desculpar pelo meu comportamento naquele dia, não tinha o direito de falar aquelas coisas. – Ele tirou todo aquele ar de superioridade, aproximou-se um pouco. O suficiente pra que seu perfume me inebriasse.
Meu autocontrole já estava se despedindo.
– Não tem importância, Uruha. – Falar enquanto tentava prender a respiração não era algo muito inteligente a se fazer. – Já pediu suas desculpas, posso ir embora agora?
– Você não vai me explicar nada não é? – Sinceramente? É. Ia ser pior se eu falasse tudo.
– Não tenho nada pra te dizer. – Dei de ombros, minha hipocrisia atingindo níveis catastróficos.
Não ia aguentar ficar nessa tensão por mais tempo, tudo que eu estava cuidadosamente enterrando parecia querer voltar de uma só vez, eu precisava sair dali. Passei ao lado do loiro com o intuito de entrar no carro, mas assim que pousei a mão na trava da porta, senti um aperto no braço.
Virei-me, pronto para dar uma resposta curta e grossa que acabou se perdendo no meio do caminho. Arregalei os olhos ao perceber que rosto de Uruha estava perigosamente perto do meu, era quase um pedido pra que eu o agarrasse ali, sua expressão era implorativa.
– Reita eu... – Seu hálito mentolado invadiu minhas narinas e eu quase inverti as nossas posições, aquele cheiro fez com que eu lembrasse o gosto da sua boca, acabei lambendo os lábios instintivamente. – Me explica o que 'tá acontecendo, por favor. Tenha pelo menos um pouco de respeito por mim.
Já chega, mais um pouco e eu colocaria tudo por água a baixo.
Desvencilhei-me daquele aperto em desespero, entrei no carro e arranquei. Ignorando mais uma vez meu nome sendo chamado por aqueles lábios. Se era ele quem estava implorando, então porque era eu quem estava se sentindo desesperado?
~~
– Sai, Koron. Já disse que não quero brincar. – disse para o chihuahua preto que tentava me dar, pela milionésima vez, sua bolinha.
Não estava com paciência pra nada, parecia um morto-vivo preso naquele quarto o final de semana inteiro. Bom, pelo menos o sábado inteiro, mas não acho que vá mudar amanhã. Não pretendo ir a lugar nenhum, me distrairia com os cálculos e os gráficos espalhados na minha cama e não com os olhos castanhos de um loiro que insistia em voltar pra minha cabeça.
Cálculos... Uruha... Gráficos... Uruha... Planejamento... Uruha.
– Ruki... Não acho que você esteja no inferno, mas se estiver... Nem aí deve ser pior do que dentro da minha cabeça. – Esfreguei meu rosto com força, quem sabe assim os olhos castanhos desaparecessem. – Não ria de mim, aposto que você está gargalhando, seu demoniozinho.
Koron voltou pra cima da cama, espalhando os papeis e colocando sua bolinha vermelha em meu colo de novo.
– Você não vai desistir, né? – Recebi um latido em retorno e arqueei as sobrancelhas, um cachorro me respondendo. Ok. – Eu sempre disse que você parecia com o Taka, mas acho que no final essa sua teimosia você puxou pra mim.
Ri da minha própria reflexão e atirei a bolinha. Ela acertou o batente da porta e acabou voltando e entrando no pequeno closet que Ruki havia mandado construir. Koron pulou da cama rapidamente e se embrenhou no meio dos sapatos que ficavam jogados na parte de baixo, antes ficavam mais organizados, mas agora nem me importava.
Ele não voltou e comecei a ouvir um barulho de algo sendo arranhado. Fechei os olhos e respirei fundo.
– Ótimo! Agora você vai destruir mais roupas minhas, Koron? – Fui até o closet e me abaixei procurando aquela bola de pelos. O espaço não era grande, era mais como um armário embutido um pouco maior que o comum.
Afastei as calças que ficavam penduradas e pude finalmente ver o chihuahua lutando contra uma caixa de papelão, já que a bolinha havia se engatado entre ela e a parede. Não pude deixar de rir daquela cena, a caixa era pesada demais pra que ele movesse sozinho então eu simplesmente tirei seu brinquedo dali e o joguei pra fora do quarto, Koron tratou de perseguir aquela bola vermelha e eu continuei rindo daquele cachorro hiperativo.
– Depois 'tá se jogando pelos cantos, cansado e não sabe por que. – Balancei a cabeça negativamente, e fiz menção de me levantar. Acabei parado ao olhar aquela caixa escondida, lembrando-me o que havia ali dentro.
Voltei a me sentar e a puxei para mim, retirando a poeira que havia acumulado em cima e a fita que a lacrava.
Nunca pensei que um dia fosse reabri-la, tinha prometido a mim mesmo isso.
Afastei as abas do papelão, deparando-me com mil lembranças em forma de objetos. Eram caixas com fotos, desenhos que Ruki fazia quando queria se distrair, as blusas que gostava que ele usasse e que não tive coragem de jogar fora. Vários pedaços dele que estavam ali que eu não quis me desfazer. Apenas coloquei-os de lado.
Foi impossível não comparar isso com a minha situação com Uruha. Eu não queria me desfazer do que estava sentindo, mas também não queria deixá-lo de lado.
Irônico.
Todo esse meu comportamento já estava me irritando, ignorá-lo era difícil demais, pior do que imaginei, não esperava que fosse assim. E só eu estava me impedindo de continuar, era ridículo. Era um inútil novamente, não fazia nada por mim e por Uruha, assim como não fiz nada por Ruki.
– Não quero mais ser assim. – Falei baixinho, fechando minhas mãos em punhos ao lado da caixa lotada de coisas que insistia em não me desfazer.
Aquele era o meu limite, não tinha como continuar.
Levantei-me decidido, levando junto meu achado, não sem antes pegar algo em cima da cabeceira da cama, coloquei um casaco qualquer por cima dos ombros e saí do apartamento, repetindo pra mim mesmo que aquilo era o melhor. Minha garganta incomodava, mas eu precisava começar por algum ponto.
“Isso vai ajudar. Precisa ajudar. Tem que ajudar.”
Saí do apartamento, encarando a noite de Tóquio que não tinha nem um sinal de nuvens, apenas um frio agradável. Seria relaxante se não fosse todo o contexto em que estava. Corri para a lateral da construção, uma ruela pouco iluminada e com várias lixeiras grandes e enferrujadas pelo tempo que estavam ali.
Parei em frente a uma delas, deixando a caixa ao lado. O aperto na garganta só aumentava e minhas mãos tremiam. As lágrimas teimavam em se formar, mas não deixaria que nenhuma delas rolasse. Precisava ser um pouco mais firme nas minhas decisões daqui pra frente.
Reabri o pedaço de papelão, encarando tudo o que estava ali dentro.
– Não vai ser fácil. – Afirmei pra mim mesmo.
Comecei a tirar coisa por coisa, primeiro os desenhos rasgando-os em pequenos pedaços e jogando dentro da lixeira enferrujada, as roupas, os acessórios, as pequenas lembranças de viagens, coisas feitas à mão por aquele pequeno designer, as fotos sendo a parte mais difícil pra mim. Todos tendo o mesmo destino, eu queria me jogar ali dentro, pegar tudo de volta e retornar ao apartamento, lacrar a caixa novamente e fingir que nada disso tinha acontecido.
Mas eu estava cansado de ignorar as coisas dessa forma.
(Ruki’s POV)
– REITA! Pare com essa besteira, por favor! PÁRA! – As lágrimas escapavam e meu peito parecia estar sendo cortado junto com cada coisa que ele se desfazia.
Não era possível que ele realmente estivesse fazendo isso, não era assim que devia ser. Não dessa forma. Akira estava sofrendo, eu podia ver, mas mesmo assim ele continuava jogando fora tudo o que havia guardado, doía demais não poder fazer nada.
Até poderia segurar suas mãos, mas como iria lhe explicar depois? Voltaria para a estaca zero se ele soubesse que estava aqui esse tempo todo.
– Você disse que eu teria que lidar com as coisas sozinho daqui pra frente, Kai. – Fitei o céu que parecia embaçado devido às lágrimas que continuavam escorrendo. – É impossível fazer isso sem ajuda!
Um barulho de vidro quebrando interrompeu meu monólogo.
Ao puxar uma das últimas roupas que estavam guardadas, Reita acabou deixando cair o que havia pegado em cima da cabeceira. O porta-retratos.
– NÃO! – Me aproximei com passos rápidos, ficando praticamente grudado na lateral do seu corpo. – Você vai se arrepender, não precisa disso pra encarar o que está sentindo pelo garoto! – Já estava quase segurando seus braços, meu desespero escorrendo pela boca. – Droga, Akira! Por que você não faz as coisas de forma mais simples?! Por que tem que complicar tudo?!
Eu não ia ser egoísta e permitir que ele soubesse que estava aqui. Prometi que não interferiria mais dessa forma, se isso fosse o que custava pra que ele finalmente ficasse com Uruha... Então que assim fosse. Os olhos de Reita, mesmo aparentemente serenos, estavam carregados e vermelhos, enquanto suas mãos estavam a ponto de rasgar a última foto que faltava.
Entre lágrimas, fechei os olhos fortemente, segurei o peito e engoli toda a minha angústia, só esperando que ele terminasse aquilo de uma vez. Ia doer como o inferno, mas ia passar, eu repetia as palavras de Kai pra mim mesmo, “Faça o melhor que pode”. Droga! Eu estou fazendo!
Por alguns minutos esperei, em silêncio, o som do papel se cortando.
Mas o som não veio.
Ele desistiu?
Abri os olhos me deparando com a cena na minha frente, podendo finalmente relaxar.
Não sei como nem quando, a respiração era de alguém que estava correndo há algum tempo. Pouco importava.
Uruha estava ali, com as mãos fechadas em punhos nos pulsos de Reita que o encarava espantado, segurando a foto ainda intacta.
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Notas finais
Espero que tenham gostado de qualquer forma, estou muito feliz porque cheguei aos ~ 100 reviews ~ e do fundo do coração, achei que ia chegar no final com, no máximo, 70 reviews. Logo, fiquei muito feliz e melosa ♥
Muito obrigada à todos que acompanham Spectrum, de verdade ;;
Se não for pedir muito, queria um pequeno apoio porque estou pensando em começar uma long fic e se não tiver incentivo vou acabar no nada então... Torçam por mim -v-
É isso ~
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