Amós entrou furioso no laboratório onde Tori tentava fazer um soro sedativo para os Crentes.
Tori levantou os olhos para Amós, que bufava furioso a sua frente.

– O que você fez? – Ele falou, a voz emanava ódio.

Tori largou os materiais que usava para criar o soro sobre a mesa e o olhou com mais atenção.

– Do que está falando?

Amós partiu pra cima de Tori, apertando o pescoço dela com as mãos. A cabeça da mulher bateu com força na parede. Tori sentiu o cérebro sacudir dentro do crânio.

– O que está fazendo? – Ela falou, a voz saindo enforcada.

– Você sabe o que você fez? Mandou matar os guardiões?

Tori usava as unhas tentando se livrar das mãos fortes de Amós, mas não tinha sucesso.

Sua respiração começava a falhar, Amós a mataria ali.

– Por favor... Eu vou explicar... – Tori falou.

Amós a largou e ela caiu no chão, o corpo tremendo. O ar entrava com dificuldade nos pulmões de Tori.

– Agora... Seja breve e me faça não te matar por isso. – Amós falou, a apressando.

– Bartholomew... Ele disse que se encontrássemos os guardiões que foram lançados na Terra, encontraríamos a garota da minha visão, a que vai nos destruir.

– E porque atiraram em um dos guardiões dela? Vocês querem a garota, não os guardiões.

– Bartholomew disse que sem um deles o outro não teria poder suficiente para nos destruir e poderíamos reerguer o campo de força.

Amós a olhou, Tori chorava encarando o chão.

– Você é uma incapaz Tori... Admiro seus poderes psíquicos, mas você seguiu as ordens da pessoa errada!

– Ele é meu superior, Amós... Eu precisava seguir as regras dele.

– Que pena... O plano de vocês não deu certo.

Tori olhou para Amós, os olhos mais vermelhos que nunca.

– Como sabe?

– Tive que matar o oficial que deu um tiro em um dos Guardiões, mas ele me contou antes... A sua preciosa garota, não está sozinha, ela está acompanhada de três super-humanos, todos não arquivados. Dois deles eram testes militares, são os super-humanos recém-criados mais poderosos que constam no sistema militar.

– E como sabe disso se eles não estão no sistema?

– Porque os arquivos deles foram queimados, pedi informações diretas a base que estava os testando, os únicos sobreviventes de um pelotão que você enviou para caçar super-humanos.

– Sobreviventes? E sobreviveram a que exatamente, Amós?

– A queda e radiação do asteroide.

Tori se levantou num pulo. Eles eram os únicos que sobreviveram a queda do asteroide, eram os únicos que tinham recebido a radioatividade e ainda estavam vivos.

– Preciso deles Amós, não deles, mas de amostras de sangue... Com elas podemos fabricar soros imunes ao poder do asteroide e fazer uma aplicação única nos Crentes forte o bastante para que estejam do nosso lado pra sempre.

– Sabe que se os Crentes forem destruídos, estaremos um passo atrás deles não sabe?

– Tenho ciência disso, Amós.

Amós se calou e olhou novamente para Tori. Ele se aproximou do ouvido dela.

– A partir de agora, eu sou seu único superior... Não escute ou siga mais nenhuma ordem de Bartholomew.

Amós se retirou da sala.

{...}

Seguimos Piers até chegarmos a uma base militar. Nos abaixamos atrás de placas de ferro, evitando que soldados nos vissem.

– É o seguinte, eu entro e vocês me dão cobertura. – Piers falou. – Rachel, você sabe usar essa arma?

– Um pouco. – Falei.

– Qualquer coisa, Katrina consegue lutar corpo a corpo, é só chamá-la.

– Peraí... Quer entrar lá? – Emma falou.

– Como acha que vou roubar o carro Emma? – Ele falou.

– O que eu faço enquanto isso? – Ela perguntou.

– Cuida das crianças, eu volto logo. – Ele falou. – Katrina... Uma ajudinha com o portão.

Ela balançou a cabeça.

Piers se levantou e correu sorrateiramente em direção ao portão. Katrina se concentrou no fecho do portão e, girando levemente a mão, o mesmo se abriu.

Piers correu para dentro sem ser notado.

– Se prepara para atirar a qualquer momento ok? Isso não é um revólver, é um rifle, a meu ver, é muito mais fácil de manejar. – Katrina falou.

Concordei com a cabeça e coloquei o olho na mira, olhando o que estava acontecendo do lado de dentro.

Os homens começaram a se agitar do lado de dentro. Fechei os olhos e me concentrei, eles haviam nos descoberto.

– Nos descobriram. – Falei, mirando novamente.

– Vou fazer uma pequena bagunça, me cubra.

Katrina se levantou e andou rebolando em direção aos soldados.

– Olá meninos. – Ela falou, de uma maneira sedutora.

Talvez eu tivesse uma audição amplificada, não acredito que Katrina estivesse gritando.

Katrina era realmente bonita e o vento jogava seu cabelo de lado.

Um soldado mirou a arma no corpo dela.

– Calma soldado, é só uma garota.

Katrina sorriu.

– Então... Capitão... – Ela falou.

Katrina não sabia o que fazer para enrolar até que o irmão saísse com o carro.

– O que você quer? – O capitão gritou.

Ela sorriu e colocou o dedo nos lábios, pedindo silêncio. De imediato todos fizeram silêncio, querendo ouvi-la. Ela juntou as mãos e as subiu até a altura do rosto como se segurasse um revólver.

Eu podia sentir o ódio que ela tinha, por terem a abduzido, por terem matado sua família.

Consegui distinguir ela falando “pow” quando fingiu atirar, fazendo o capitão voar para trás com a telecinese.

– Agora! – Ela gritou.

E eu sabia que era uma deixa para mim.

Abati todos os armados, dando tempo para ela lutar com os que estavam desarmados.

Escutei um barulho de motor e torci, com todas as forças para que fosse Piers.

Um furgão saiu de dentro da base, atropelando vários soldados e freando em cima do corpo de Katrina, que continuava ali, ereta.

– Venham! Coloquem as crianças no carro, consegui algum tempo. – Piers gritou.

Então eu vi um laser de sniper, mirando a cabeça de Piers. Coloquei os olhos na mira e segui na direção da origem do laser.

O garoto não parecia ter mais de 15 anos e tremia com a arma na mão.

– Me desculpe. – Sussurrei para mim mesma, puxando o gatilho.

O garoto caiu da torre de onde estava.

Peguei Caleb e corri em direção ao furgão, jogando ele na parte de trás junto com Emma e Alma.

– Você vai no teto, depois entra pelo teto solar. – Piers me falou.

Subi nas escadas laterais e me sentei no teto.

Piers arrancou com o furgão em direção a estrada. Segurei-me onde consegui para não ser arremessada para o chão.

Um campo de força se formou ao meu redor.

– Obrigada. – Gritei.

Carros começaram a vir ao longe.

– Tente atrasá-los. – Katrina gritou. – Estou tentando inutilizar o chip rastreador.

Mirei em alguns soldados que pilotavam motos e eles caíram no chão.

– Consegui! – Katrina gritou.

Ela abriu o teto solar e colocou metade do corpo pra fora.

– Tenho só mais duas balas. – Falei.

O campo de força começava a falhar com os tiros disparados pelos soldados.

De repente, ouvimos um barulho mais alto vindo de cima.

– Era só o que faltava, um helicóptero. – Katrina resmungou.

Após falar isso, ela parou. Olhou para os carros que se aproximavam e para o helicóptero. Ela abriu um sorriso e eu sabia que ela tinha uma ideia.

– Quando eu der o sinal, atire nos pneus da frente do carro mais próximo.

– O que vai fazer?

– Confie em mim. – Ela falou.

Ela se abaixou pra dentro do carro novamente.

– Emma, coloque o cinto em você e nas crianças. – Katrina falou.

Pude vê-la colocando o cinto em seu irmão.

– O que vai fazer? – Piers falou.

– Relaxa... O cérebro aqui sou eu e não você.

– Tudo bem, mas temos pouco tempo, o campo de força está quebrando. – Ele falou, havia dor em sua voz, como se o campo de força sugasse sua energia.

Katrina pôs metade do corpo para o lado de fora do teto solar.

– Diminua um pouco a velocidade. – Ela gritou para Piers.

O furgão diminuiu um pouco, fazendo com que os carros chegassem perto o bastante.

– Atire agora! – Katrina falou.

Dois tiros certeiros nas rodas dianteiras do primeiro carro.

Foi um engavetamento, caminhões e carros capotaram, as motos derraparam no óleo que havia ficado no chão.

– E agora? – Perguntei.

– Observe. – Katrina falou.

Ela olhou para o helicóptero e se concentrou nele. Ouvi o motor estourar e logo o mesmo começou a sair fumaça até pegar fogo.

Com a telecinese, Katrina fez com que ele caísse sobre os carros engavetados e embebidos em óleo combustível.

A explosão não aconteceu muito longe, fazendo o carro sacudir completamente.

– Vamos entre. – Katrina falou.

A explosão havia causado uma nuvem de energia e quando ela atingiu o furgão, o carro levantou do chão, usando o impulso pra poder se manter e ir mais pra frente.

Emma e as crianças sacudiam presas ao cinto de segurança, enquanto eu e Katrina nos segurávamos no banco para não voarmos pelo retrovisor.

Quando a onda de energia finalmente passou, o carro caiu no chão com um baque surdo.

Meus cabelos e os de Katrina estavam completamente bagunçados. Olhamos para todos no furgão e Katrina começou a rir.

– Isso foi... Realmente divertido! – Ela falou, no meio de uma gargalhada. – Porque preferiu os militares às forças especiais e secretas Piers? Posso viver disso! – Ela falou, sorrindo.

Eu abri um sorriso olhando para Emma, que tinha os olhos arregalados.

– Isso foi... MUITO LEGAL! – Caleb gritou, levantando os braços pra alto.

– Faz de novo! – Alma falou.

– Talvez uma outra vez crianças. – Katrina falou, se sentando normalmente no banco carona. – Pisa fundo Piers, vamos para a 15ª Província, eu te guio.

Emma tirou o cinto e o cinto das crianças e as levou até algumas camas disponíveis no furgão.

– Hei... Vai dormir... Vou precisar de alguém do meu lado no turno da noite. – Piers falou para mim.

– Mas não sei ir pra 15ª Província. – Falei.

– Eu sei ir, mas preciso de alguém descansado pra ficar do meu lado, durante a noite Katrina vai dormir, pra pegar o volante pela manhã.

– Sim senhor. – Falamos eu e Katrina ao mesmo tempo.

Andei em direção a onde as crianças estavam deitadas para dormir.

Emma me segurou pela mão.

– Acha que eles vão levar a gente até lá?

– Pelo menos estamos seguras com eles. – Falei, dando de ombros.

– E se eles mudarem de lado?

– E pra que lado eles iriam? Ou somos nós e vivemos com essa vida de merda ou é a Nova Ordem e eles são mortos.

– Mas e se eles virarem os super-humanos perfeitos? Cegos pela Nova Ordem, seguindo e cumprindo ordens?

– Sabe o que eu acho Emma? Que você devia relaxar... Não está sendo saudável pensar desse jeito. – Falei, a segurando pelos ombros e lhe lançando um sorriso.

Ela foi para os bancos atrás do motorista para poder tirar um cochilo. Deitei-me no espaço de cama que sobrava ao lado de Caleb e logo adormeci.