Notas iniciais
Oi meus amores hihi. Estavam com saudades? Sei que estavam *-*

Estava há horas sem comer e aquilo já estava me afetando. Justin abandonou o carro que estávamos a umas duas quadras do hospital público e fomos caminhando até este. Já era tarde da noite e a segurança do hospital não estava tão reforçada, as salas de espera estavam praticamente vazias. Justin se aproximou da recepção onde tinham duas moças muito simpáticas que talvez pudessem nos ajudar, pelo menos o sorriso que elas abriram ao nos ver foi acolhedor.

- Eu gostaria de ver Jaden... Smith. – ele disse um pouco confuso olhando diversas vezes para o lado incomodado com os policiais que estavam na portaria.

- Não sabe em que andar ele se encontra senhor? – uma mocinha muito simpática perguntou.

- Não.

- E vocês são parentes dele?

- Sim. – disse sorrindo.

- Não. – Justin disse nervoso. – Pra falar a verdade eu sou chefe dele. Jaden trabalha para mim e quando fiquei sabendo que ele tinha sido baleado me preocupei com seu estado.

- Há sim. – ela assentiu checando umas fichas. – Eu não poderia liberar a entrada de vocês, mas estamos em troca de plantões então não teria problema vocês subirem e ficarem uns 10 minutos no quarto dele até as enfermeiras trocarem o plantão.

- E então você sabe onde ele está?

- O senhor disse que ele foi baleado certo?

- Sim...

- Então o único Jaden que temos na ala de pacientes baleados está no quarto 407 no terceiro andar.

- Obrigada. – disse antes de Justin sair me arrastando pelos corredores.

Os policiais com certeza estavam achanado as atitudes dele suspeita, ele ficava toda hora olhando para eles e seu olhar o entregava, quando o elevador chegou para nossa surpresa os policiais decidiram subir conosco. Sentia minhas mãos suarem frios e o olhar de Justin era de total desespero ele não conseguia disfarçar. Colei meu corpo ao dele tentando desviar sua atenção dos policiais. As portas do elevador se abriram no terceiro andar e Justin saiu segurando em minha mão e eu sentia sua temperatura quente e suas mãos lizas de suor devido ao sufoco. Fomos seguindo as placas que indicavam os números do quarto e o do Jaden era praticamente o ultimo do corredor.

- Acho melhor você espera aqui fora Caissy. – ele disse parando em frente a porta.

- Tem certeza? – perguntei um pouco preocupada vendo o estado de nervos dele.

- Tenho. Não vai demorar muito Jaden só tem que me ajudar e acho que ele não vai aceitar, mas não custar tentar. – meus olhos vacilaram. – Mas tudo bem se ele não aceitar eu o faço parar de respirar. – ele disse dando um selinho longo em meus lábios e depois abriu lentamente a porta do quarto e assim que entrou a fechou.

Sentei em uma das cadeiras que tinha no corredor abraçando meus braços. Estava começando a ficar frio.

POV Justin

Minha sorte de entrar no quarto foi encontrar Jaden dormindo, mas só foi dar dois passos na direção da cama dele e o viado despertou.

- O que você ta fazendo aqui? Como deixaram você entrar aqui. – ele disse um pouco alterado e seu tom de voz saia em gritos.

- Cala boca seu cuzão! – disse alterado e ele me olhou desconfiado. – Vim aqui pra você me ajudar a me livrar da policia, mas se você não quiser posso terminar o que comecei em casa. – disse só pra amedrontar.

- Me deixa em cima de uma cama não foi o suficiente?

- Ainda não, não se você não me ajudar. – ele riu.

- É estar aqui me deu tempo para assistir noticiários e escutar as noticias. Pobre governador. – ele disse debochado.

- Não fui eu quem matou aquele velho.

- Não é isso que está passando no reporte.

- Não me importo com o que eles estão falando não fui eu! E você vai ter que me ajudar a provar que sou inocente.

- Agora que a bucha ficou séria você vai querer minha ajuda? Mas na hora de escutar o que eu digo você da tiro em mim pra eu calar a boca.

- Você ta querendo mais um tiro? Olha eu posso dar, tô pilhado pra porra e ver sangue jorrando faria eu me senti mais calmo. – ele encarou o nada com uma puta raiva estampada nos olhos.

- Manda. Em que eu posso te ajudar? – ele disse com deboche.

- Não fui eu que matei o governador. Eles não podem me prender por um crime que eu não cometi. O Marconny matou o governador ele fez isso pra me incriminar a policia encontrou minha armar com as minhas digitais no local do crime a denuncia foi feita no meu nome e eu sou o principal suspeito.

- Você ta encrencado.

- Fala uma coisa que eu não sei. – disse me sentando em uma cadeira dura que tinha ao lado da cama enterrando o rosto nas mãos, não tinha medo de ir para cadeia meu maior medo era que acontece algo com minha família.

- Eu posso te ajudar.

- É claro que pode!

- Mas posso te atrapalhar também. – ele deu uma pausa. – Eu trabalhei muito tempo sendo o braço direito do Marconny então eu sei de muita coisa que ninguém sabe.

- Isso vai me ajudar no que? Vai me livrar da policia não, não vai. Eu tô pouco me fodendo pro Marconny aquele ali ta morto e enterrado com dois buraco atravessado na cabeça eu quero livrar minha barra.

- Claro que isso vai te ajudar. – ele se ajeitou na cama. – O Marconny sonegava muitos impostos.

- Quem nunca fez isso?

- Eu não estou falando desse tipo de imposto. Eu estou falando dos patrões que cobrava uma grana preta dele pra fazer vista grossa com o tráfico. To falando de senador, de deputado, tô falando da elite dos chefes.

- Porra, tem alguém nessa cidade que não seja corrupto?

- Esses caras não sabem nem metade da grana que Marconny faturava. Eles não sabem que ele a vida toda ele passou a perna neles, a porcentagem que ele pagava era merreca perto do que ele ganhava.

- E como isso vai me ajudar? – eu realmente não estava entendendo onde ele queria chegar.

- Com um debate, você precisa de um debate com todos eles.

Eu conhecia o que era um debate, já havia escutado algumas lendas sobre aquela porra, mas como eu nunca fui de me envolver com esse tipo de pessoa nunca dei ouvidos, mas eu sabia muito bem qual era a fama que os debate tinham. Sabia o que eles eram capazes e sabia o lema que um debate tinha, dependendo do resultado; o acusado merece a morte e para não ter pedras no caminho eles apagam a família para não ter testemunhas, e dependendo do que acontecesse comigo tinha medo do que poderia acontecer com a Caissy e as crianças.

– Um debate comigo? – disse pensativo.

- É o único jeito que eu vejo pra tentar te inocentar, se você tiver o apoio deles vai estar livre.

- Ta e se eu não conseguir nada?

- Você morre. Eles vão te apagar por se meter com eles e saber de mais.

- Quantas pessoas você já viu se dar bem nisso? Quantas pessoas sobreviveram a um debate? – ele piscou os olhos.

- Nenhuma. Se você conseguir chegar até o debate se considere muito sortudo.

Tinha duas opções ou eu ia atrás dos caras da filmagem, ou arriscava fazer o que Jaden estava me dizendo. As duas alternativas eram completamente suicidas, as duas eu estaria arriscando a minha vida só que mais importante do que minha própria vida era Caissy, Julie e Jason.

- Eu vou fazer. – disse decidido. – Só que eu sei que isso não vai ser fácil, eu não posso simplesmente ligar pros caras e dizer que quero que eles façam um debate.

- Claro que não até porque ao invés de um debate eles iriam mandar te apagar.

- Eu tô cercado eu tô fudido e sem rumo. – disse nervoso passando as mãos no cabelo.

- Eu sempre me preocupei se as casas dos meus chefes caíssem como eu ia me virar. Eu sempre fiz meu castelo caso a casa caísse. Eu tenho como obrigar esses caras irem pra um debate com você. – aquilo me deu esperanças.

- Tenho escutas, assinaturas, e ate mesmo vídeos deles fazendo acordos com dinheiro do trafico, passando panos quentes. Se você usar isso tenho certeza que vai conseguir ser inocentado.

- Você esta me mandando chantageá-los para conseguir minha inocência?

- Não estou mandando você chantageá-los para conseguir o debate. E usar as gafes do Marconny para te inocentar, mostrar que eles foram enganados.

- Onde estão essas coisas? Onde eu encontro às escutas?

- Rodoviária. – ele riu. – Armário 53. Cuidado na hora de arromba-lo a policia lá não costuma ser tolerante com trombadinhas que tentam invadir armários.

- E como eu faço pra que eles me notem? – perguntei confuso.

- Você é bem espertinho chefe, sabe como manusear as coisas. – ele disse e eu saquei sua ideia. – Depois que fizer tudo apenas dirija pela cidade que você vai ser achado.

Não esperei pra ouvir o que ele disse sai rasgando do quarto. Cassidy estava sentada no corredor e me olhou assustada.

- O que você fez? – ela perguntou preocupada com o meu estado.

- Ainda nada. – peguei a mão dela e fui em direção aos elevadores, precisava arranjar outro carro.

POV Cassidy.

Eu estava me sentindo cada vez mais fraca, não conseguia acompanhar o pique do Justin.

- Você vai me contar o que aconteceu? – disse parando exausta apoiando as mãos no joelho buscando folego onde parecia não ter mais.

- Eu vou provar minha inocência. – ele disse com a respiração entre cortada.

- Como? Diga-me como? – me apoiei em um poste que tinha ao lado.

- De um jeito fácil. – ele disse com os olhos focados em um casal que estava entrando no carro eu já imaginava o que estava se passando na mente dele e como eu já esperava não foi diferente. Ele rendeu o casal e os fez entregarem a chave do carro.

- Me desculpe. – disse pra dona que chorava compulsivamente. Justin arrancou com o carro deixando o casal no meio da rua. – Fico indignada em saber que você tem vários carro na garagem e só essa noite já roubou dois. – ele riu.

Tudo o que eu perguntava ele me respondia com meias palavras, tentativa entrar no assunto ara saber o que ele e Jaden haviam conversado, mas ele fugia ou então se mantinha em silencio. Comecei a mexer nas coisas do carro e por um milagre achei 50 dólares jogado dentro do porta luvas, com certeza os céus estavam conspirando a meu favor.

- Você poderia pelo menos parar em algum lugar pra eu comer algo? -ele me olhou de súbito. – É sério eu preciso comer algo. – ele bufou assentindo e no primeiro fast food que passamos ele parou do outro lado da rua e ficou me esperando no carro.

A lanchonete estava completamente vazia. Algumas pessoas mais poucas ocupavam aquele ambiente. Fiz meu pedido e fiquei encostada no canto vendo uma família se divertir. Eles riam e conversavam divertindo as crianças, aquilo me fez pensar em Julie e Jason e eu já estava com saudade dos meus pequenos.

- Mãe você é a melhor mãe do mundo. – a garotinha gritou fazendo a mãe sorrir orgulhosa e aquilo me partiu.

Que tipo de mãe eu era? O que eu estava pensando? Naquele momento eu me senti um lixo, por abandonar meus filhos, me senti mal por ser uma péssima mãe. Senti-me mal por não poder escutar aquilo de Julie, por ter deixado eles, quando eles precisam tanto de mim, quando minha presença é tão importante na vida deles. Que mãe sou eu? Quando levantei o olhar fungando o nariz Justin estava em minha frente me encarando completamente confuso pelas lagrimas que escorriam em meu rosto.

- O que houve? – ele perguntou preocupado.

- Nada. – disse limpando minhas lagrimas. – Só estava me dando conta da péssima mãe que eu sou. – sem querer meus olhos me traíram e mais uma vez encaram a família feliz sentada a mesa e ele negou.

- De onde você tirou essa bobagem? – ele disse passando as mãos pelo meu rosto. – De onde você tirou que não é uma boa mãe Caissy?

- É a mais pura verdade.

- Não diga bobagem. Jason e Julie tem sorte de ter você como mãe, eles têm sorte de receber o seu amor. Não existe pessoa mais dedicada aos filhos do que você. Não diga bobagens, não diga o que você não é! – ele me abraçou prensando meu corpo contra o balcão.

- Senhora. – a mocinha disse sorridente. – Aqui está seu pedido. – no mesmo segundo meu estomago roncou alto me fazendo rir pelo modo como Justin me olhou.

- Eu já disse que você é uma draga, mas eu repito.

- Besta. – parecia que aquilo era perseguição aonde íamos tinha um carro de policia assim que saímos de dentro do fast food demos de cara com um carro de policia fazendo a ronda do bairro. Justin ficou um pouco tenso.

- Eu preciso dar um telefonema. – ele disse assim que entramos no quarto.

- Pra quem? – perguntei curiosa.

- Me espera aqui. – ele disse saindo do carro e me deixando.

POV Justin.

O carro da policia rondando por ali estava me incomodando, mas eu precisava da ajuda do Ryan e Brian. O telefone público na esquina chamou minha atenção, dei mais uma espiada na Cassidy dentro do carro e decide que ligaria direto pra casa do Brian, com certeza os telefones de Ryan estavam rastreados. Sabia que ele não estava muito bem por causa da morte da Alexia, mas eu precisava da ajuda dele. Bruna que atendeu.

- Alô? – ela disse com a voz um pouco cansada.

- Brunet? É o Justin.

- Ah. Oi Justin. – ela disse um pouco surpresa.

- O Brian ta por ai?

- Ta dormindo.

- Tem como você o acorda? É que eu preciso falar com ele urgente. Eu sei que ele deve ta mal pra porra por causa da Alexia, mas é urgente mesmo.

- Posso acorda sim, faz tempo que ele ta dormindo.

- Valeu. – escutei uns barulhos estranhos do outro lado da linha e depois de uns minutos ele me atendeu com a voz de sono.

- Pode fala.

- Preciso de você pra uma parada ai.

- Onde você ta? Pensei que você tinha saído de Atlanta.

- Não tô aqui ainda, vou provar minha inocência.

- Ryan não estava cuidando disso?

- É, mas eu descobri um barato ai e preciso da ajuda de vocês. – ele bufou.

- Ta, onde você ta?

- Me encontra na saída do estacionamento da rodoviária, tem um servicinho por lá... Da um jeito de trazer o Ryan, não posso ligar pra ele que os telefones com certeza estão grampeados. – desliguei o telefone e quando olho pro outro lado da Rua Caissy estava para o lado de fora do carro com os braços cruzados me encarando eu ia ter que dar um jeito de levar ela pra casa aquilo já estava sendo perigoso de mais pra ela.

POV Caissy.

- Com quem você estava falando?

- Você vai saber daqui a pouco. – ele disse misterioso.

Justin dirigia e comia o lanche que comprei, eu consegui comer só um pouco e depois meu estomago começou a rejeitar aquilo precisava de comida de verdade. Ele ficou em silencio e eu gostaria de saber quais eram os planos em sua mente, mas Justin se recusava a dizer, ou então fugia do assunto.

- Um milhão pelos seus pensamentos?

- Um sexo selvagem? – ele disse passando a mão pelas minhas pernas.

- Justin porque você está escondendo as coisas de mim? Porque não me conta o que conversou com Jaden e o que vai fazer?

- Não acho que isso seja assunto pra você. – ele disse calmo. – Não tem nada do que você possa faze e sei que isso só vai te pilhar, então é melhor as coisas ficarem assim.

- Pra você é melhor assim, mas para eu não. Eu estou nessa com você! Eu estou aqui, estou do seu lado e acho que você deve compartilhar as coisas comigo.

- Cassidy não faça eu me sentir pior. Envolver-te nisso foi um grande erro, te trazer comigo foi um erro maior ainda. Onde eu estava com a cabeça quando aceitei deixar você fugir comigo?

- Não banque o hipócrita a essa altura. – disse irritada o evitando.

Eu conhecia aquele lugar que ele largou o carro Claire e nós costumávamos passar por ali em algumas madrugadas quando éramos menores. Mais uma vez ele abandonou o carro e fomos seguindo até o destino que ele queria a pé. Reconheci a rodoviária a poucos metros de distancia da gente e também reconheci os dois parados escorados nos carros a nossa espera. Achei estranho ver Brian e Ryan ali. Brian sorriu um pouco triste quando nos aproximamos e eu o abracei, tentando matar sua dor que era visível em seus olhos.

- E as crianças?

- Estão bem. – Ryan respondeu. – Estão seguros, agora. Sofreram muito pra sair do hotel?

- Quase nada, só uns trinta tiros sendo disparado do nada em cima da gente. Tirando isso nada de mais. – disse irônica.

- E então? Qual o plano? – Brian disse quebrando seu silencio e indo direto ao ponto, pelo agora sim eu iria saber o que tanto Justin me escondia.

- Consegui falar com o Jaden. – Justin começou. – Ele me deu umas dicas e acho que sei como posso me inocentar.

- Você foi ate o Jaden? É você realmente não tem medo de morrer.

- Cala boca e escuta Ryan. – Justin disse um pouco grosso o repreendendo. – Eu fiquei sabendo que tem uma forma de sair inocente nessa. – ele bufou um pouco nervoso. – É arriscado, mas pode me ajudar. – a palavra perigoso me fez entra em alerta. – Eu preciso de um debate com os magnatas. Preciso de um debate com os donos da cidade se é que me entendem.

- Quando você diz magnata, você esta se referindo a o que? – Brian disse confuso.

- Estou me referindo à gente poderosa, quem realmente comanda o sistema.

- Você só pode estar de brincadeira. – Ryan disse preocupado. – Qual é Drew você sabe o que essas caras fazem em debates. – ele disse desesperado passando a mão na cabeça.

- Essa é minha única chance. Isso são coisas que ouvimos, não sabemos ao certo o que rola.

- Você não sabe o que rola? Eu sei muito bem o que rola! Eles vão te acusar e te condenar pela morte do governador e depois? Sabe o que eles vão fazer depois? Vão te executar, eles vão te matar cobrando uma fita que nem é sua. – Ryan disse um pouco descontrolado.

- Ryan não fui eu que matei o governador porra, eu gostaria, mas não fui eu. Tenho que tentar minhas chances.

- Chances o que você chama de chances eu chamo de assinar sua morte.

- Você vai pilhar agora? Se conseguirmos provar minha inocência no debate eu estou praticamente limpo de tudo. – Justin disse otimista, mas o desespero de Ryan me deixava nervosa, eu não sabia o que era esse tal debate e também não sabia onde ele estava querendo chegar.

- Você vai se envolver em mais confusão? Vai os deixar decidirem se você deve ou não ficar vivo?

- Espera ai Ryan. – Brian se intrometeu. – Se tem a possiblidade do Justin sair inocente, temos que tentar. 50% de alguma coisa é melhor do que 100% de nada.

- E então você também acha que isso pode dar certo?

- Claro que pode. – Brian disse otimista. – Justin tem uma coisa que eles gostam dinheiro e droga. O resto pode ser negociável.

- Se eles quiserem o trafico posso fazer um negócio em torno disso. – Ryan me encarou irado.

- O trafico? – ele disse soltando o ar preso no peito e relaxando os braços. – Você ta dominando uma coisa que eles querem e convenhamos que você não seja assim. – ele riu. – O melhor dono da boca. Tudo o que ganhou foi de mão beijada, você deu uma rasteira no Marconny e ficou com tudo, só que isso foi fácil de mais.

– Isso é cilada Drew. Eles vão te apagar e vai ser desculpa para abafarem a morte do governador, desculpa para abafarem muitos erros. Como eles vão explicar o Marconny ter fugido e por muito tempo ter ficado procurado? Como eles vão explicar um ex-agente da SWAT ter se envolvido com esses esquemas? Você acha que a mídia não está em cima do mesmo jeito que a policia ta investigando, a mídia também. Eles vão abafar tudo isso com a sua morte, vão dar o cano em você e dar um jeito de todas as broncas caírem nas suas costas. – Justin me olhou tão confuso que sua expressão de tensão concordava com cada palavra que Ryan havia dito.

- Eu sei que é isso que eles costumam fazer, mas eu tenho uma carta na manga e espero que de certo. Ou então todos os esquemas serão abertos para sociedade.

- Temos que arrisca. – Brian disse por fim. – Fugir, não é o melhor a se fazer agora. Não quando o assunto é provar a inocência do Justin. Se a policia pegar ele, ai sim a porra complica porque sabemos que tudo o que os federais investigam vai vir à tona e vai cair nas costas dele. Se você está falando que essa é única saída. Eu topo. – os papeis tinham se invertido completamente. Antes era Brian que discordava das loucuras do Justin e Ryan o apoiava, mas agora os papeis estavam completamente trocados e Brian estava apoiando aquela loucura.

- Eu ainda insisto em outra alternativa.

- Que alternativa Ryan? Não tem alternativa. Paul está solto por ai e os caras que talvez pudessem me inocentar sumiram do mapa, vamos ficar esperando até quando? Até a policia me pegar e for condenado a prisão perpetua ou pena de morte. Querendo ou não o filha da puta do governador era uma figura importante e se eu for preso como o culpado, não tem mais chance, eu vou roda. – Ryan pensou um pouco, mas depois cedeu.

- Ta! Qual é o plano? – ele perguntou um pouco tenso com aquela discussão.

Talvez eu tivesse escutado coisa de mais, ou então eu estava nervosa de mais com tudo o que ouvi, mas ver eles no meio daquela discussão me deixou bem mais nervosa e com medo. Entramos na rodoviária e Justin seguiu comigo até a parte dos armários particulares, o intuito era pegar uns pertences do Jaden que estavam lá. O lugar estava vazio poucas pessoas embarcariam naquele horário, mas o que os meninos iriam fazer talvez chamaria a atenção. Vi Justin se esquivar em um canto enquanto Ryan e Brian usava uma chave de fenda pra estourar o armário a ação durou alguns segundos, tinha uma senhora do meu lado e ela se assustou. Justin me puxou pela mão seguindo Ryan e Brian que evacuaram o local com pressa, voltamos para onde estavam os carros e aquilo que eles pegaram parecia ser importante.

- E o que vamos fazer com isso? – Ryan perguntou confuso.

- Me da seu celular Ryan. – Justin disse pegando uns papeis.

- Pra que?

- Me dê o celular porra! – ele disse sem mais delongas. – Consegue enxerga o telefone riscado aqui em baixo? – ele perguntou entregando o papel pra Brian.

- É um numero de celular e pertence a... Nelson Camo... Esse não é nome do senador? – Brian perguntou assustado sem terminar de ler o nome completo.

- O próprio. – Justin disse um pouco confuso.

Tirando as coisas da caixa que era de Jaden. Parecia mais um monte de gravador acumulado ele colocou um pra funcionar, pra ver se o negocio estava pegando e sim estavam. Era uma conversa gravada, só reconhecia a voz do Marconny que me fez arrepiar quando a ouvi, mas a outra eu não fazia nem ideia de quem fosse. Ficamos escutando a gravação e era uma negociação, eles falavam valores altíssimos de dinheiro e eu não entendia nada até chegar a um ponto que Justin parou tudo e voltou a fita.

- Disca o numero Brian. – ele disse mandão. E Brian discou colocando no viva voz.

Ele disse o nome do senador e a pessoa do outro lado confirmou, então Justin colocou a gravação pra rodar no exato ponto em que ele tinha voltado a fita. A pessoa do outro lado ficou completamente calada apenas ouvindo o que dizia na gravação, mas Justin a parou pela metade.

- Sou Justin Bieber e eu tenho poder desse e de várias outras gravações feitas em seu nome. Quero que você me encontre, quero que me ache ou isso cairá nas mãos da mídia em algumas horas.

- Quem é você e o que quer? – a voz disse um pouco rude do outro lado.

- Já disse quem sou. Agora cabe a você me achar. – ele finalizou a ligação e Ryan e Brian estava com os olhos estalados.

- Acha que isso vai dar certo?

- Se não de a gente tenta mais uma vez com outra fita. – Justin deu de ombro.

- Acho isso muito bobo, acho que não vai afrontar. – Brian disse.

- Talvez sim, talvez não, mas não custa tentar. Aposto que ele vai rastrear o numero do telefone e como não é nenhum numero privado e nem orelhão público ele vai mandar alguém vir verificar essa historia.

- Espero que isso de certo. – Ryan sussurrou.

- Brian eu quero que você faça um favor. – Justin disse me olhando e depois desviando o olhar. – Quero que você leve a Caissy pra casa.

- Justin não... – pedi em prantos.

- Caissy vai ser melhor assim. Eu sei que você quer me ajudar, sei que quer ficar do meu lado, mas agora eu tenho que resolver as coisas sozinho. É melhor você ir pra casa cuidar das crianças.

- Mas eu não quero. Eu quero ficar com você Justin. – disse nervosa. – Tenho medo de alguma coisa acontecer com você e... – ele me silenciou com o dedo.

- Me espera em casa. – ele se aproximou beijando meus lábios. – Me espera em casa daquele jeito. Daquele jeito que você sabe pra depois me deixar louco. Porque eu vou voltar. – ele pressionou os lábios com força nos meus.

Brian entrou no carro e Justin abriu a porta do carona pra mim. Meu coração estava apertado. Meu estômago embrulhava. Minha vontade era dizer que não, que não iria voltar pra casa com o Brian que eu iria junto dele a qualquer lugar, mas eu sabia que não podia sabia que agora se eu estivesse com ele só iria atrapalhar, ele tinha que fazer isso sozinho e querendo ou não eu tinha que entender.

POV Justin

Brian levou Caissy e Ryan e nós só tínhamos que esperar. Consegui enviar as escutas, mas estava realmente preocupado se aquilo chamou a atenção dos caras ou se eles ignorariam. Isso estava me deixando mais pilhado. O fato de Ryan insistir em ficar comigo me surpreendeu, por mais irmão que a gente fosse nunca pensei que ele arriscaria a vida daquela forma por mim.

- Seu moleque é bonitinho. – ele disse entrando em um assunto completamente diferente para relaxar a tensão me fazendo relaxar ao pensar em Jason. Como uma pessoa tão pequenininha como ele poderia já ter um grande significado assim em minha vida? – A festa parou no Jason ou você ainda vai encher aquela casa de pivetes?

- Eu ainda vou fazer mais uns 20 filhos na Caissy. – disse sentando no capo do carro com as mãos no bolso.

- Coitada.

- Eu só quero ser feliz dude. Só quero ter paz e ficar um tempo com eles. Dedicar um tempo pra eles.

- Relaxa que você vai sair dessa. Você ainda vai ser padrinho dos meus filhos.

- Com certeza! Você tem que fazer uma garotinha pro Jason traçar.

- Meu pau. Se eu tiver uma filha, vou manter ela bem perto do seu moleque.

- Jason vai ser que nem o pai.

- Por isso que minha filha vai estar proibida de chegar perto dele.

Escutei o barulho de pneu queimando o asfalto e Ryan se alarmou. O carro derrapou parando perto de nós os dois caras que desceram eram assustadores. Pensei que ele iriam nos apagar quando apontaram a arma em nossa direção, engoli em seco com Ryan me olhando assustado. Um carro preto se aproximou e parou logo atrás do carro dos grandalhões Ryan me olhou confuso quando viu o cara todo engravatado descer segurando uma bengala.

- Justin? Justin Bieber? – assenti. – Pode levar. – ele disse para os dois homens em nossa frente.

- Ou não põem a mão em mim não vacilão. – Ryan reclamou do cara arrastando ele pra dentro do carro.

Eu não estava entendendo nada. Não sabia se iriamos morrer, ou se tínhamos conseguido o tal debate. O cara fumava mais que caipora, durante todo o caminho ele fumou uns dois charutos e não trocou nenhuma palavra mesmo Ryan tentando. Pensei que já estava sendo levado pra execução, mas o mesmo caras que nos enfiou dentro do carro, nos tirou e nos arrastou para dentro do beco. Senti meu coração disparar ao perceber que o lugar era tão pacato e muito pouco movimentado, já estava mancomunando um modo de fugir dali, quando ao invés de parar ele entrou em uma porta nos arrastando.

A fumaça dos charutos me fez tossir, a única luz que iluminava era fraca ligada em cima do centro da mesa. Uma mesa de poker no centro da sala rodeado de homens sentados jogando o jogo. Ter todos eles reunidos em minha frente apenas uma coisa justificava eu tinha conseguido o debate. Tinha conseguido que eles me ouvissem.

- Você é o garoto que me incomodou com isso? – um dos homens sentados à mesa perguntou colocando a ligação que eu fiz pra que eu escutasse.

- Sou eu mesmo.

- Tem noção do que fez garoto? – um disse colocando a carta na mesa perdendo a jogada sendo um pouco otário na jogada, diga-se de passagem.

- Tenho sim. Pra falar a verdade tudo o que fiz foi pra chegar exatamente aqui. Preciso ser inocentado e sei que vocês são capazes. Eu tenho algo que vocês querem e também tenho dinheiro pra financia isso tudo. – disse sendo firme sem fraquejar.

- E o que o faz achar que vamos te inocentar na morte do nosso querido amigo falecido governador? – com certeza eles já tinham investigado minha vida porque não me lembro de ter dito o motivo pelo qual queria inocência.

- Aquelas não são as únicas escutas e eu tenho copias e a mídia também pode ter algumas. – dei de ombro arrancando a risada de um.

- Gostei desse garoto!

- Então me diga o que tem e quanto vale sua inocência? – Ryan tirou o papel com os cálculos das calças eu nem sabia explicar aquilo, mas quem lesse com certeza conseguiria entender.

- Tenho como provar que vocês foram enganados pelo mesmo homem que matou o governador e que queria me incriminar. – joguei o papel na mesa. – Esse papel prova para vocês que Marconny os enganavam quando pagava as dividas. O que ele pagava não era nem um terço do que ganhava. – um deles foi mais que rápido pegando o papel.

- Aquele verme maligno me fazia acreditar que o tráfico nessa região não dava lucros.

- Não da lucros? Eu estou convivendo com isso e posso dizer que o dinheiro vem muito fácil e não é pouca grana não eu tô falando de dinheiro incontável que tem que ser pesado.

- Awn. Eu conheço alguns antecedentes seus... Bieber? – assenti. – Parece que não era só o Marconny que sonegava algumas dividas. Você também ficou alguns meses sem pagar a parte do Governador.

- Fiquei. – disse sem medo. – Ele estava me extorquindo e não me ajudava em nada. Se eu queria manter a policia longe eu mesmo tinha que pagar propina. Não gosto de rasgar dinheiro.

- Ninguém gosta. – ele disse rindo.

- Mas então porque veio aqui acusar o Marconny por um crime que você também cometeu? – fiquei quieto pensando em uma resposta rápida.

- Não vim aqui acusar ninguém, pra falar a verdade vim aqui em busca de minha inocência. Sei que vocês podem ser bem úteis e assim posso provar minha inocência.

- Garotinho ousado. – o cara que nos acompanhou no carro jogou mais uma carta ganhando todo o jogo e meus olhos observaram o jeito que ele estava jogando, ele estava roubando. Estava fazendo os outros blefarem ao se distraírem com a conversa e levando toda a grana.

- Sabe jogar? – um deles perguntou.

- Posso ser bom nesse jogo também. – tudo o que eu sabia sobre poker havia aprendido com Alexia ela era uma boa jogadora e me ensinou muitas coisas, ou melhor, ela me ensinou trapacear.

- Ótimo, então se ganhar no jogo, negociamos sua inocência.

- Ou chutamos logo ele daqui. – o que estava implicando comigo disse um pouco turrão.

Disponibilizaram-me uma cadeira e escolheram Ryan como Dealer. O jeito desesperado como ele me olhava dizia que se eu não jogasse direito tudo estava perdido, mas eu só me mantinha calmo e prestava a atenção em tudo com muito cuidado. Ryan baralhou as 52 cartas de um baralho normal, ele não iria jogar apenas distribuiria as cartas e as virariam indicando qual jogador jogaria naquela rodada, como um “juiz”.

O Small Blind o jogador após o Ryan por estar nessa posição era obrigado a fazer uma aposta de pré- determinada, ou seja, aquele que aposta no escuro, antes de jogar sem se quer ter visto suas cartas. Os caras tinham dinheiro e aquilo não era problema a primeira aposta a ser lançada foram cinco mil dólares, muitos cresceram os olhos naquilo. O segundo jogador o big blind faz a segunda aposta que tem quer o dobro da primeira. O intuito de essas apostas serem feitas é exatamente para crescer os olhos no jogo, para levar a pessoa ao delírio ao ver tanto dinheiro sendo apostado é o que eu chamo de pega trouxa. Os demais jogadores não são obrigados a apostarem se não quiserem participar dessa partida.

Assim que as apostas no escuro terminaram o Ryan distribuiu as cartas fechadas, começando por mim, até que todos receberam duas cartas. E então começou a primeira rodada de apostas sendo iniciada por mim que no caso sou o under the gun. Eu recebi uma excelente mão e decidi aumentar o valor das apostas, agustando mais o jogo. Um dos senadores pegou uma mão ruim e abandonou o jogo. O jeito que o cara que veio conosco no carro me encarava era querendo me intimidar ele podia ter uma boa mão de cartas, mas uma coisa que Alexia me ensinou é que no poker a melhor coisa é o blefe, permite que seu adversário pense que você tem uma carta é a melhor jogada e era o que ele estava tentando fazer comigo, ele estava tentando me intimidar com o olhar, mas naquilo eu já estava experiente e o jogo seguiu.

Tinha um par de áses nas mãos. Uma ótima mão, decidi aumentar o porte, elevar o valor das apostas. O jogo prosseguiu e o que eles mais tentavam fazer era me intimidar no jogo. As apostas só iam aumentando e eles desistindo a cada jogada minha, como se não quisessem arriscar perder a grana que tinham. Era a ultima jogada e eu estava analisando todas as jogadas anteriores, o meu adversário com certeza tinha uma boa mão, mas não estava confiante, eu podia desistir ali ou arriscar, mas eu decidi elevar mais as aposta chegando a 30 mil dólares.

As apostas foram igualadas e era hora de mostrar as quartas, sentia minhas mãos suando quando eles começaram a conferir o vencedor da rodada. O jeito que Ryan me olhou me fez tremer, mas quando o senador empurrou o porte de dinheiro na minha direção não acreditei que tinha ganhado. Formei um trincado de “A” e um par de “K” e ele apenas um trincado de “K”

- E não é que você é bom nisso garoto. – ele disse dando uma tragada no charuto.

- Pensei que seria mais divertido picar o corpo dele em pedaços faz tempo que não fazemos isso.

- A o garoto mereceu. É a inocência que ele quer. É a inocência que teremos que dar.

- Não gosto de ser bonzinho. Se for assim vai virar festa. – já estava ficando irritado com aquele cara atrasando meu lado eu não sabia como, mas agora sim tinha certeza de que eles iriam me ajudar.

- Presta à atenção garoto, a morte do governador vai ser investigada a fundo. Você vai ser inocentado. Mas não se esqueça de que você nos deve uma e um dia podemos cobrar. E sobre aquele nosso segredinho se tem amor à vida você nunca mais vai usar isso para nos chantagear, não costumamos dar lugares na nossa mesa como fizemos com você!

- Sei muito bem onde piso e como andar. Sei que vocês querem manter as aparências e deixar tudo na santa paz. Espero que provem quem levou a vida do nosso querido amigo governador e que ele descanse na santa paz. O que eu tinha pra fazer aqui já consegui e não preciso de mais nada. E os trinta mil. – sorri colocando o pote de volta em cima da mesa. – Divida entre vocês porque eu não preciso disso.

Um dos grandões nos guiou até a porta eu não tinha a mínima ideia de onde estávamos.

- Drew você viu o que você fez? Viu a grande merda que fez? Era trinta mil cara e você jogou limpo. Como devolveu trinta mil de graça.

- Seu imbecil! – dei um soco de leve no braço dele. – Acha que eu não percebi que você deixou as melhores cartas pra mim, eu vi você memorizando as cartas na hora de embaralhar. – ele começou a rir.

- Os caras BLEFARAM. Qual é me mandar ser o Dealer? Tinham o que na cabeça? Mas você foi mais burro que eles. Era 30 mil. Tem noção que trinta mil é um carro novo?

- Eu tenho coisas mais valiosas Ryan. Minha liberdade, a segurança das Caissy e das crianças é bem mais importante do que trinta mil dólares. – ele me encarou surpreso e chocado com minhas palavras.

- Mesmo assim... Não deixa de ser 30 mil. – ele veio atrás de mim reclamando.

Saber que eu tinha a chance de caminhar pelas ruas sem medo de nada tendo minha liberdade de volta me deixava explodindo por dentro. Eu queria que voltar logo pra minha Caissy, queria voltar pra ela e ficar tudo bem.

- Além de não termos saído com 30 mil vamos voltar pra casa camelando? – Ryan disse reclamando e eu estava a ponto de estourar a cara dele.

- Cala boca Ryan...

- Eu tenho que expressa minha revolta. – ele disse me fazendo ri.

POV Caissy.

Brian o carro no jardim em frente de casa e eu desci acabada, não sabia onde Justin estava e nem se tinha algo de ruim acontecendo com ele. Não devia ter desistido de acompanha-lo, mas o arrependimento não era o suficiente para confortar meu coração. Meus pés doíam e eu não conseguia dizer nada apenas chorar, chorar e chorar. A única pessoa dentro de casa era Chaz que se assustou ao ver meu estado.

- O que ela tem? – ele perguntou preocupado. – O que houve Brian?

- Não fode Chaz, vai buscar um copo de água pra ela. – ele saiu apressado em direção a cozinha.

Senti as mãos de Brian a minha volta abraçando meu corpo. Ele não disse nada, apenas me abraçou forte me aconchegando em seus braços.

- Aconteceu alguma coisa? Cadê o Justin? – Chaz voltou segurando o copo de água um pouco nervoso.

Bebi a água tentando me acalmar, mas estava difícil.

- Onde estão meus filhos? – disse soluçando.

- Com a Pattie. Ryan os deixou na casa da Pattie.

Eu suspirava alto não conseguia controlar os soluços, Chaz me olhava tão assustado e Brian se mantinha completamente calado.

- Caissy você quer ir pra casa da Pattie? Eu posso te levar se você quiser.

- Não, obrigada. Eu só quero meus filhos, Chaz você poderia ligar pra alguém trazer eles? – ele assentiu. – Mas diga que eu não estou bem, eu não quero ver ninguém, não quero ninguém aqui. Só preciso de Julie e do Jason aqui comigo.

- Tudo bem, como quiser. – ele disse nervoso pegando o telefone e discando algum numero.

Mantive a cabeça abaixada e esfreguei o nariz com a parte de traz das mãos.

Meus olhos vagaram pela sala que estava do jeito como eu gostava. O tapete do jeito que Justin escolheu me fez rir. Quando compramos aquela casa pensávamos em varias coisas, ele ainda tinha esperanças de enchê-la com muitas crianças para recompensar a falta que Julie nos fazia naquela época. Trocaria qualquer coisa no mundo para ele e meus filhos estarem ali comigo e em paz. Só queria paz.

- Você sabe que ele vai ficar bem. – Brian disse relaxando o corpo.

-Não, eu nunca sei. Eu tenho medo de que ele não fique bem. – ele sorriu.

- Não estamos falando de qualquer pessoa. Estamos falando do Justin Caissy.

- Mas ele pode se machucar como qualquer outra pessoa.

- Só que ele não é qualquer outra pessoa e você sabe muito bem disso. – ele insistiu naquilo e eu não conseguia ser tão otimista.

- Consegui falar com a Pattie. – Chaz disse colocando o telefone na base. – Jason e Julie estavam dormindo, mas ela vai os trazer para você.

- Obrigada Chaz. – disse grata fugando o nariz.

- Por nada. – ele sorriu torto. – Precisa de mais algo?

- Não. – neguei balançando a cabeça. – Só preciso disso.

- Desculpa perguntar, mas aconteceu alguma coisa com o Justin?

- Não sei. Eu simplesmente não sei mais de nada. – disse voltando outra vez a sentir aquela dor no peito, aquele nó na garganta estranho.

- Tenho certeza que não aconteceu nada. Ele está com o Ryan certo? – assenti. – Então se acalme que ele está em boas mãos e nós sabemos que Justin sabe se cuidar muito bem.

- É. – disse triste. – Ele sempre soube se cuidar muito bem.

- Eu não sei muito bem fazer isso, mas eu vou tentar fazer um chá para você se acalmar. – ele disse sem graça.

- Onde está Guadalupe e Paola?

- Na casa da Pattie... Depois que aconteceu aquilo lá com você. Justin dispensou todo mundo só deixando os seguranças lá fora.

- Eu vou... Vou lá em cima ver como as coisas estão e arrumar a cama pra quando as crianças chegarem.

- Ta. – ele riu. – Vou me arriscar a fazer o Chá.

- Obrigada Chaz. – disse o abraçando e ele deu um beijo em minha cabeça.

- Relaxa Caissy tudo vai ficar bem. – Brian disse massageando meus ombros me tocando com cuidado.

Ele subiu comigo e me ajudou a trocar os lençóis da cama que estavam parados há um tempo. Sem querer meus olhos bateu no celular dele em cima da mesinha e ele tinha acabado de receber uma mensagem da Bruna.

- Você realmente gosta dela? – perguntei curiosa vendo o modo como ele respondeu a mensagem.

- Aprendi a gostar.

- Aprendeu?

- Sim. Ela me fez bem, me mostrou que você foi feita pra mim. Mas eu não fui feito pra você. – senti minhas bochechas corarem.

- Espero que você seja feliz.

- Estou fazendo o possível. – comprimi os lábios sem saber o que dizer, por mais que eu não gostasse da Bruna eu teria que a engolir mesmo ela estando com o meu Brian porque eu não era capaz de fazê-lo feliz não como ele merecia.

Chaz entrou no quarto como uma xicara de chá e eu achei fofo o jeito que ele estava sendo cuidadoso comigo.

- Ai Cassy na boa eu acho que você não deveria tomar isso. Foi o Chaz que fez e não é confiável.

- Vais se ferrar Brian eu dei o meu melhor. Agora toma isso Caissy que vai te acalmar.

- Obrigada Chaz. – disse grata enquanto Brian continuava implicando com ele.

Desci correndo quando escutei o carro parando no jardim abri a porta vendo o carro de Pattie estacionado com as portas traseiras abertas, meus bebes tinham chegado.

- Pattie. – gritei ao vê-la.

Ela se assustou e seus olhos se encheram de água a abracei com força e ela entrou em prantos. Podia ver o sofrimento estampado em seu rosto magro e cheio de olheiras.

- Cassidy minha menina. Me diz onde está meu Justin? Onde está meu filho? – ela disse preocupada.

- Eu não sei. – disse me sentindo a pior pessoa do mundo por dizer aquilo a ela. – Eu realmente não sei. – ela me abraçou mais uma vez e eu desabei em seus braços caindo no pranto junto com ela.

Julie estava dormindo, mas Jason estava acordado e foi só escutar minha voz que ele começou chorar. Pattie me soltou para que eu o pegasse e Brian se aproximou pegando Julie no colo. Tudo o que eu queria e precisava estava ali. Precisava deles somente deles e eles estavam ali. Pattie ficou um tempo comigo enquanto Jason não pegava no sono o estado dela estava realmente muito abalado fiquei com medo de ela dirigir daquele jeito àquela hora da noite e a convenci de dormir em casa. Ela aceitou e eu dei alguns calmantes que a fez dormir, arrumei o quarto de hospedes pra ela.

- Se quiser posso passar a noite aqui com você até o Justin voltar. – Brian disse preocupado enquanto eu o acompanhava até o carro.

- Não precisa, de verdade não precisa mesmo. Bruna está preocupada com você ela sabe o quanto você tá mal pela morte de Alexia... – ele desviou o olhar quando ouviu o nome dela abaixando a cabeça um pouco tristonho.

- Eu vou superar. – ele forçou um sorriso.

- Eu sei que vai, você é forte.

- Eu perdi uma irmã, mas ganhei outra. – ele disse me abraçando.

- Ah sim, você nunca vai se livrar de mim. – disse dando um beijo melado na bochecha dele.

- Pra variar. – ele riu.

- Dirija com cuidado e vai pra casa direitinho. Manda-me uma mensagem assim que chegar à sua casa.

- Ta bom. – ele riu com o meu jeito protetor. – Só isso?

- E se cuida. – disse fechando a porta do carro.

- Você também. – ele sorriu.

- Tchau.

- Tchau chata. – ele disse ligando o carro.

Chaz não quis ir embora e acabou dormindo no sofá eu tentei algumas vezes tirar ele de lá para coloca-lo em algum quarto lá em cima, mas ele se recusou disse que ficaria na sala esperando por Justin e Ryan.

Entrei no quarto e Jason estava dormindo e desta vez Julie estava acordada. Ela me olhou entrando e sorriu a me ver, toda linda com aquela cara de sono toda inchada. Tirei a calça jeans ficando apenas de blusinha e me deitando ao lado dela, Jason estava no moêsseis, mas eu decidir o deixar dormir na cama com a gente, se é que eu conseguia dormir.

- Mamãe você está triste? – Julie disse se entranhando em meus braços com a voz bem rouca.

- Um pouquinho. – disse fazendo cafuné nos cabelos dela pra ver se ela voltava a pegar no sono.

- Putê?

- Não sei... Queria tanto que seu pai estivesse aqui, queria tanto que ele estivesse aqui com a gente. Queria que ele estivesse livre.

- Não fica triste, eu e o Jay ta aqui com você e o papai já vai chegar, já, já. – ela disse bocejando passando a mãozinha no meu rosto.

Me forcei a esquecer o que me amedrontava, por mais que fosse difícil eu estava tentando limpar minha mente e pensar coisa positivas coisas boas, a sensação de não saber o que se passava era horrivel. Meus olhos me remetiam as situações anteriores e meu peito doía intensificando a dor e o desespero, o medo me tomava eu temia que algo de ruim pudesse acontecer com ele. Ouvia o vento forte lá fora e ele parecia querer me consolar com seu som ritmado como uma canção de ninar, fiquei viajando e acabei pegando no sono.

Era como se alguém estivesse me vigiando, eu sentia essa sensação, como se estivesse sendo vigiada abri os olhos despertando do sono sentindo aquela sensação estranha. Já tinha amanhecido os raios de sol invadiam o quarto, Jason estava acordado quase engolindo as mãos de tanto que as chupava. Eu não tinha percebido, mas me lembrei da noite passada e quando dormi ele não estava naquela posição. Olhei pro lado e Julie não estava mais na cama.

- Jason como você foi parar ai desse lado? – disse assustada.

Escutei o barulho do chuveiro e pensei ser Julie aprontando, espertinha me esperou dormi para ir aprontar. Levantei furiosa da cama pronta pra dar uma bronca nela.

- Julie o que você tem na cabeça? Se queria tomar banho porque não me acordou? – disse empurrando a porta do banheiro com força encontrando Justin fazendo a barba.

Perdi a voz. Ele ficou me encarando com aquele sorriso lindo nos lábios e aquele olhar safado que ele fazia quando estava feliz. Senti meu coração quase rasgar meu peito de tão acelerado que ficou. Justin estava ali na minha frente em nossa casa e bem.

Continua...

Notas finais
Então esse é o penultimo cap dessa temporada. Espero que tenham gostado e eu ja estou postando o ultimo junto com os agradecimentos. *-*