Soul Angel

22 Um inesperado reencontro


Notas iniciais
QUE SAUDADE DE VOCÊS S2 A maioria deve saber que as postagens pararam por uns dias porque eu estava prestando vestibular. Mas acabou e agora eu tô back hahahaha Desculpe por não conseguir responder os comentários de vocês rapidamente também. Pra quem não sabia o que caralhos estava acontecendo, vocês podem apertar no botão de seguir o autor, assim vocês vão ver no "twitter" do animespirit quando eu estiver com problemas e não poder postar ou algo do tipo. Já o pessoal do Nyah, quando tiver dúvidas vai ali que com certeza vai ter alguma notinha. É, mas se for seguir faz agora porque depois você não vai lembrar. Isso, eu te conheço bem. Os agradecimentos desse capítulo vão para LenaClaw, que fez o desenho da capa (no próximo teremos Logaia, só pra você não achar que eu esqueci u.u é que os caps tavam demorando pra sair) e para os lindos que recomendaram a fic: Ghost e Lara OC. EU AMEI AS RECOMENDAÇÕES SEUS LINDOS DELICIOSOS! E A TODOS QUE LERAM E COMENTARAM NO ÚLTIMO CAPÍTULO!!! MAIS DE CINQUENTA COMENTÁRIOS DELICIOSOS COMO VOCÊS!!!! OBS: Pessoal do Nyah, eu ainda não consegui responder todos os comentários recentes, mas estou fazendo isso agora! Postei o cap antes pra vocês não ficarem sem, mas não pensem que vão ficar sem resposta!

Capítulo 22 — um inesperado reencontro.

Você poderia estar feliz e eu sem saber

Mas você não estava feliz no dia que te vi partir

E todas as coisas que desejei não ter dito

São tocadas nos meus lábios

até o momento que se torna loucura em minha cabeça

é muito tarde pra te lembrar como nos éramos

mas não nossos últimos dias de silencio, gritando, obscuros

Quase tudo de que lembro, me dá certeza

Eu devia ter te impedido de passar porta afora

Você poderia ser feliz, eu espero que você seja

Você me fez mais feliz do que tinha sido até então

De algum jeito tudo que tenho cheira a você

E pelo minúsculo momento é tudo mentira

Faça as coisas que você sempre quis

Sem eu ali para te segurar, não pense, apenas faça

Mais do que qualquer coisa eu quero ver você, garoto

Retire um glorioso pedaço do mundo inteiro


– You could be happy — Snow Patrol

Não podia ser verdade. Não depois daquele tempo. As pernas de Nico fraquejaram por um momento, mas ele se manteve firme. Não dera para ver o rosto dele. Só um lampejo de cabelos dourados entrando pela porta de Reyna. Mas a pessoa ali era mais alta que Will. Ou pelo menos, do que Will costumava ser.

Então Nico correu até a porta e girou a maçaneta, mas sentiu que Jason lhe segurou e lhe arrastou para longe da porta. O garoto se debateu com raiva.

– Me largue!

Mas Jason não o largou.

– Nico, se você entrar lá, Will vai ter um ataque cardíaco!

– Eu preciso ver ele! — Nico tentou desvencilhar-se de Jason.

Piper lhe tocou o braço e lhe falou com a voz calma:

– Relaxe.

Mas ele não se acalmou. Continuou a chutar o ar e a se remexer. Piper pareceu confusa:

– Por que não está funcionando?

– Porque você não faz o tipo dele, querida — Jason arfou enquanto arrastava Nico até a cozinha.

Então o jogou numa cadeira da sala de jantar, ficando a sua frente.

– Nico, eu tive a impressão que Reyna chamou Will lá para curar alguém. Se ele ver você não vai estar com cabeça para isso. Confie em mim. Você vai vê-lo. Só não agora — Jason colocou uma mão em seu ombro, os óculos no rosto tortos — Eu sei de outras pessoas que iam adorar vê-lo. Tipo a Hazel.

Nico lhe encarou com certa raiva. Por um momento incontrolável, ele sentira tanta saudade que quase correra até lá. Mas Prisma precisava de cuidados. E afinal, ele e Will não estavam mais juntos. Ele devia ser um homem agora. E tudo que eles tiveram foi uma paixão boba de adolescente. Talvez Will tivesse alguém agora. Talvez não desse a mínima ao vê-lo.

O que ele teria feito depois que tivesse passado por aquela porta? Teria olhado para Will, e visto alguém completamente diferente do garoto que ele lembrava? Talvez o garoto nem lhe reconhecesse mais. Nico ficou muito confuso por um momento. Ele queria ir embora. Ele nem lembrava mais que podia sentir aquele frio na barriga.

Mas Hazel estava em algum lugar lá fora. E com certeza ela estava preocupada há muito, muito tempo. Nico assentiu para Jason.

– Tudo bem. Vamos ver a Hazel.

Jason lhe sorriu, e então tocou o braço de Piper.

– Você pode juntar eles todos e traze-los aqui, meu amor? Assim Nico vai evitar contar a história várias vezes. Eu fico aqui com ele. Só não conte nada — Jason arrumou os óculos — Deixe que eles mesmo o vejam.

Piper assentiu.

– Vou sim — e então acariciou os cabelos de Nico ao passar — É muito bom ter você de volta, Nico.

Nico assentiu para ela encabulado. Então Piper saiu apressada pela porta da frente. Jason puxou uma cadeira e se sentou a sua frente. Por um momento, ambos ficaram em silêncio. Mas Nico o quebrou pouco depois:

– Como eles estão? O que aconteceu depois... que eu fui embora?

Jason torceu as mãos nervosamente, olhando para baixo. Era incrível que o garoto que ele conhecia estava por trás de cada traço de homem em seu rosto. As expressões infantis em seu rosto eram as mesmas.

– Eu e Pipes nos casamos — ele sorriu de canto — Seis anos atrás, se eu bem me lembro. Eu gostaria que você tivesse sido meu padrinho, mas não conte a Percy.

Nico deu uma risada meio desanimada.

– Que coisa. Eu realmente gostaria de ter visto isso. Me desculpe.

Jason lhe mirou compassivo.

– O que é isso Nico, não foi culpa sua. Você não pode evitar.

E então ele lembrou que Jason ainda não sabia seus motivos.

– Jason — começou o garoto evitando olhá-lo nos olhos — Eu não estava preso nem nada. Eu fiquei lá porque... Porque eu fiz uma coisa horrível. Eu não devia estar aqui agora, inclusive. Eu não mereço estas aqui. Mas eu não posso mais voltar.

Jason pareceu incomodado.

– Hã... Eu sei o que você fez Nico.

Nico enrubesceu.

– Você...?

Jason assentiu.

– Isso... Bem, isso deu uma puta briga entre o Percy e o Will, pra variar. Chegaram os dois juntos no acampamento meio sangue dizendo que você estava desaparecido a meses. Ao que parece Percy tinha ido atrás de você e não o tinha achado. Então ele procurou Will, e ambos foram atrás de você. Quando não o acharam, vieram até nós pedir ajuda.

– Percy foi atrás de mim? Junto com Will? — Nico perguntou surpreso.

Depois de todo o mal que ele causara ao garoto, Nico duvidava que Percy gostaria em vê-lo outra vez. Mas Jason assentiu e voltou a falar.

– Foi. Bem, Will teve explicar como se separou de você uma hora. Ninguém estava entendendo como ele tinha se perdido de você. Então ele contou que você tinha traído ele. Mas ele não tinha dito com quem. Até que um dia Percy e Will tiveram outra briga. Bem, eles não estavam falando baixo. Eu não sei como começou para dizer a verdade — Jason fez uma careta enquanto torcia as mãos no colo — Mas Will estava chorando e gritando com ele. Dizendo que Percy tinha arruinado a vida dele quando bem... você sabe. E Percy também ficava gritando que também gostava de você...

Nico assentiu com o coração apertado. Percy e Will sofrendo e se envenenando mutuamente. E tudo por causa dele. Ele jamais devia ter saído do mundo inferior. O que ambos fariam agora que ele havia voltado?

Talvez só servisse para esfregar toda a vergonha de ambos em suas caras outra vez. Foi o que Nico se sentiu naquele momento. Apenas um motivo para sentir vergonha. Como uma mancha no passado dos amigos.

– Bem, mas uns anos depois eles voltaram a ficar bem. Se falam e tudo. Percy meio que pediu desculpas a ele. Ele e Annabeth tiveram uma briga feia, até chegaram a se separar... Mas eles voltaram a tempos, se casaram também.

Por um momento, Nico se sentiu impelido a perguntar se Will também estava com alguém. Mas ele temeu a resposta. E se ele estivesse? Talvez nem fosse a resposta que o confundiria mais. Mas o fato do porque ele queria ouvi-la. Fazia alguma diferença? Will não ia aceitá-lo nunca mais. Depois de todo aquele tempo. Tudo que ele iria fazer ali era ver se ele estava bem e feliz. Então iria embora com Prisma.

Jason continuou:

– Bem, eu não sei como contar a você — Jason sorriu — Mas você é titio agora.

Nico ergueu os olhos para Jason, confuso.

– O quê?

– Hazel está grávida — Jason abriu mais ainda o sorriso, a cicatriz em seus lábios se esticando — Ela está com oito meses já, parece uma bola. É menina!

Nico sorriu como um bobo. Hazel ia ter um bebê? Como o tempo passara rápido, e ele nem notara. Imaginou um linda garotinha como sobrinha. Mas sua alegria tinha um fundo triste, pois ele sabia que não reconheceria mais o rosto da irmã quando a visse. Ainda que ela fosse mais nova que ele, haveria muita diferença entre a Hazel de 14 nos para a de 24.

– Hazel vai ter um bebê? — repetiu Nico meio incrédulo.

Jason assentiu.

– Vai. Ela vai ficar tão feliz quando ver você...

Por um momento, o silêncio voltou. Mas Nico o quebrou outra vez:

– E você e Piper?

– Nós o quê? — Jason perguntou distraído.

– Não pensaram em crianças? — perguntou Nico rodando o anel de caveira nos dedos.

Jason enrubesceu.

– Hã... Até que sim. Nós pensamos sim... Mas não deu, sabe... — Jason pareceu bem perturbado — Piper não pode ter filhos.

Nico se surpreendeu.

– Como assim? Porque?

– Ela tem alguns problemas — Jason coçou a cabeça desconfortável — Mas esse é um assunto delicado para ela, então eu peço que você não fale isso perto dela. Nós acabamos decidindo apenas esquecer essa história.

Nico se envergonhou de ter perguntado. Tirou a carteira e o isqueiro do bolso e ascendeu um cigarro para não ter que encarar o amigo.

– Você está fumando? — Jason pareceu impressionado.

– Não posso fazer isso aqui? — perguntou Nico guardando a carteira e o isqueiro no bolso da jaqueta outra vez.

– Pode. Desculpe, é só que eu conheço alguém com... o mesmo hábito. Achei estranho... Mas esqueça — Jason sacudiu a cabeça — Sabia que Leo e Calipso tem um menininho?

Nico ergueu as sobrancelhas.

– Jura?

– Sim, Juan é o nome dele — Jason levantou e foi até a geladeira — Ele é bem simpático, mas puxou muito o Leo. Completamente hiperativo e agitado.

– Ele e a Calipso se casaram então?

Jason riu, voltando com dois copos de água na mão.

– Por incrível que pareça, eles foram os primeiros. Já devem fazer uns sete anos que eles se casaram. Tiveram o garoto bem cedo também. Ele deve ter uns seis anos. Leo tinha só vinte e um quando ele nasceu. Percy e Annabeth também tiveram uma garotinha, a Zoe. Parece que foi uma homenagem a uma amiga que morreu.

– Percy com uma filha — Nico sorriu de canto, quase derrubando o cigarro dos lábios — Isso deve ter sido algo divertido de se ver. Percy tentando educar uma criança.

Jason riu, bebericando sua água.

– Sim, você tem razão. Mas ele tem se saído razoavelmente bem até agora. A garota já tem cinco anos e está com todos os dentes na boca — Jason sorriu — Ela é um amor também. Mas você vai ver.

E Nico percebeu que não tinha nenhum ciúme de saber que Percy se casara e tivera uma filha. Ele não sentia mais nada desse tipo por ele, agora ele podia perceber. Talvez o trauma tivesse apagado todo que qualquer sentimento amoroso que ele pudesse vir a desenvolver pelo garoto. Mesmo assim, Nico se sentiu feliz por ele. Jason chamou sua atenção:

– Mas e você? E a sua história? Porque você não nos procurou? Porque você se escondeu do mundo? O que você esteve fazendo?

Mas quando o garoto abriu a boca para responder, a porta se escancarou, e ele se viu encarando uma miragem. Atrás dela estavam seus amigos, todos excepcionalmente mudados pela idade. Frank estava alto e forte, o queixo quadrado. Leo continuava magricela como sempre, porém ainda mais alto. Calipso estava deslumbrante, o cabelo preso em um coque, os vestidos antigos e habituais substituídos por roupas de gente normal. Annabeth mais atrás, tinha os cabelos loiros cortados curtos até o pescoço. O rosto mudado. Amadurecido. Hazel lhe parecia a ponto de desmaiar. Os olhos da garota estavam cheios de lágrimas, a barriga protuberante.

Todos completamente mudados.

Então Hazel correu até ele e o abraçou chorando. Nico se levantou da cadeira e a segurou em seus braços. Ele sentia muitas saudades da irmã.

– Nico, você está bem! — Hazel chorou em seu ouvido — Procuramos tanto por você! Achei que nunca mais veria você outra vez!

– Di Angelo! — Leo lhe puxou de Hazel para um abraço — Eu nem acredito, como você conseguiu escapar? Sabia que eu quase levei uma dentada daquele capiroto de três cabeças tentando te salvar?

Frank deu um tapinha em suas costas.

– É tão bom te ver outra vez!

– Como você conseguiu fugir? — Calipso perguntou em meio a confusão.

– Nico! — Annabeth foi até ele parecendo estupefata — Nós procuramos tanto por você, garoto!

Nico sorriu de canto para ela, culpado. Há tempos, Nico havia feito seu marido traí-la com ele. E no entanto a garota estava ali, ignorando completamente isto, aparentemente feliz em vê-lo. E então Nico sentiu um abraço mais forte quase quebrar suas costelas.

– Nico!

A voz lhe era quase desconhecida. Era grave e entusiasmada. Então o homem o soltou, e Nico teve a visão do que seria Percy mais velho.

O garoto talvez fosse o que mais havia mudado. Seu rosto não parecia mais com o de adolescente. Uma barba rala crescia do queixo até os limites de seu pescoço, os traços do maxilar endurecidos e moldados. Devia estar pelo menos duas vezes mais musculoso do que ele lembrava, e agora, ambos tinham exatamente a mesma altura.

Percy lhe sorriu.

– Achei que nunca mais ia ver você. Mas você está aqui, você conseguiu!

Nico sorriu para os amigos.

– Eu também fico feliz em ver vocês. Todos vocês.

– Como você escapou, meu irmão? — Hazel afagou seu braço.

Nico suspirou.

– Bem, acho melhor todos se sentarem. Vai ser uma história comprida.

Nico explicou que passara aqueles anos vivendo ao lado do irmão, e prometera apresentá-lo a Hazel. Não comentou sobre a natureza diferente dele. Talvez fosse melhor que eles mesmo vissem. E por mais que ele estivesse com medo de contar aos amigos que ficara no mundo inferior por vontade própria, ele o fez. E diferente do que ele pensara, nenhum deles pareceu furioso. Piedosos talvez. Hazel lhe acariciou os cabelos quando ele contara isso.

– Você nunca mais irá embora. Nunca mais.

A tarde foi passada em conversas e histórias. Todos concordavam que Nico parecia muito diferente. Leo lhe dissera que a barba lhe deixava com um ar de mais velho. Já Percy reclamou por terem a mesma altura. O garoto parecia maravilhado em vê-lo outra vez, mas Nico não pode evitar pensar no que tinha acontecido. Por mais que ele tivesse olhado em seus olhos verdes e tivesse tido certeza que não sentia mais nada pelo garoto, não podia apagar as lembranças que tinha dele.

Mas nem Percy e nem Annabeth pareceram lembrar do assunto. Nico se perguntou se ela e Piper um dia imaginaram que Jason e Percy tinham se beijado na adolescência. Era já tarde da noite quando Reyna entrou pela porta da casa de Jason, saudada pelos amigos.

– Reyna! — Percy sorriu pra ela — Sente-se com a gente!

Mas Reyna apenas lhe dirigiu um sorriso educado.

– Eu preciso roubar o Nico um pouquinho. Ele e o irmão vão ser realocados para um apartamento no prédio novo.

– Você tem certeza que quer por ele lá? — perguntou Jason parecendo desconfortável — Ele pode ficar aqui em casa.

Reyna fez que não com a cabeça.

– Não, ele vai ficar perfeitamente bem lá.

– Eu devo ir junto — Hazel se adiantou, segurando a barriga — Eu quero conhecer meu irmão!

– Prisma está se recuperando, Hazel — Reyna voltou até a porta e segurou a maçaneta — Não acho bom você vê-lo agora. Nico, vamos?

Nico de canto sorriu para os amigos.

– Eu vejo vocês depois.

Então Nico saiu pela porta junta com Reyna. Ela lhe sorriu enquanto ambos caminhavam pelas ruas já vazias de Nova Roma. O sol poente brilhava sobre eles, lançando raios avermelhados sobre as casas.

– Vocês serão realocados para aquele prédio — Reyna apontou para um prédio de três andares bonito, duas ruas após a de Jason.

Nico enfiou as mãos nos bolsos. O vento frio varria seu cabelo comprido para trás.

– Prisma está bem? — perguntou Nico.

– Ele está melhorando — falou Reyna, o vapor de seu hálito quente saindo de seus lábios — Só não é bom que faça muito esforço. Ele tem que ficar em repouso.

Nico assentiu. Então Reyna parou na frente da porta de entrada do prédio e lhe disse:

– Nico, você já deve saber que ele está aí dentro. Mas ele não faz a mínima ideia de que você está aqui. Ele nem sabe que Prisma é seu irmão — Reyna mordeu o lábio — Mas é melhor que ele saiba de uma vez por todas.

Nico engoliu em seco, o coração apertado. Ele ia ver Will Solace. Ele precisava saber se ele estava bem. Se estava feliz. Ele tinha essa necessidade.

Reyna entrou no prédio:

– Vocês vão ficar no segundo andar — avisou Reyna — Apartamento 22.

Nico assentiu enquanto seguia a garota até as escadas, cruzando a recepção bem arrumada e com cheiro de limpeza.

– Obrigada Reyna. Por tudo. Eu não sei o que poderia ter acontecido a Prisma se você não tivesse aberto a porta.

Reyna sorriu, só um pouquinho.

– Disponha.

E então ambos chegaram na frente da porta de número 22. Nico pode se sentir nervoso como nunca quando Reyna passou a chave e abriu a porta.

Mas não havia ninguém ali na sala. O lugar era pequeno, porém de um luxo inegável, como a própria Nova Roma. Havia um sofá, uma televisão em um armário e vários vasos caros e velas de enfeite. Um tapete grande e felpudo estava no chão em baixo da mesinha de centro, e uma lareira matinha um fogo crepitante no canto da sala.

– Estava frio, então eu ascendi pra vocês — ela apontou sem jeito para a lareira.

Mas Nico ignorou o comentário.

– Reyna, onde eles estão?

Seu coração batia forte. Reyna apontou para a última porta do corredor.

– Ali. Mas deixe eu entrar primeiro.

Então se adiantou para a porta, colocou a mão na maçaneta e a abriu.

– Hey, Will. Tem alguém aqui que você conhece faz um tempo. É o irmão do Prisma — Reyna sorriu hesitante.

A voz grave que ele ouvira no Walkie Talkie riu calmamente.

– Eu conheço o irmão dele? — Will Solace riu lá dentro — Sério?

– Sim — Reyna olhou para Nico hesitante, que esperava no corredor, e então lhe esticou a mão convidativamente.

E Nico entrou no quarto com Reyna.

Will estava sentado na cama, trabalhando no corpo inerte de Prisma. Ele não esperava que Will se parecesse daquele jeito depois de dez anos. Os cabelos dourados estavam ainda mais compridos. Não tão grandes quanto os do próprio Nico, mas lhe caíam volumosos em cachos pelo rosto delineado e bronzeado. Por baixo do uniforme de médico, o físico de adolescente se fora completamente. Assim como seu rosto, completamente adulto em seus vinte e sete anos. Porém seus olhos azuis eram os mesmos. Nico jamais esquecera a cor deles.

Will se levantou boquiaberto, parecia ter visto um fantasma. Então Nico pode ver que era um palmo mais alto que o garoto.

– Nico? — um sussurrou incrédulo perpassou seus lábios, o nome estranho em sua voz mudada — o que? Como...

– Oi Will — Nico lhe deu o maior sorriso que se lembrava de ter dado em anos.

Por um momento, Nico achou que Will o abraçaria. Ele andou até ele, até ficar bem perto, como se quisesse ter certeza que Nico não era uma visão.

– É você mesmo? — ele perguntou pasmo.

Nico sorriu mais.

– Sim. Sou eu.

Então começou a estapear cada parte de seu rosto que conseguiu alcançar.

– O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI, DI ANGELO? — ele berrou fora de si.

– AI! Will, você está me machucando! — Nico tentou segurar seus pulsos, mas Will continuou a lutar contra ele, o rosto indignado.

– Como você deixou ele voltar, Reyna? — Will gritou para ela — Eu vou matar você!

Reyna parecia perplexa. Mas então voltou a si e ajudou Nico a tirar Will de cima de si. Will berrou para ele:

– Você não devia estar aqui!

Nico sentiu sua alegria momentânea estourar como uma bolha. Como ele fora idiota. É óbvio que Will ainda o odiava. Não é porque o garoto fora procurá-lo que alguma coisa tinha mudado. E agora ali estava a prova.

– Eu devo estar onde eu quero estar! — Nico apontou pra ele acusador — E eu quero estar aqui!

Will pareceu querer voltar a lhe dar uns tapas.

– Eu disse pra você nunca mais chegar perto de mim — o garoto falou com a voz ofendida, tentando se desvencilhar de Reyna, que segurava seu braço.

– Nova Roma é pública! — Nico comentou irritado, arrumando a jaqueta que saíra do lugar enquanto Will lhe estapeava.

Então Will se virou para Reyna indignado:

– Você não pode deixar ele ficar.

O coração de Nico gelou. Ali estava o homem que ele mais amava. Pedindo a Reyna que não o deixasse ficar.

– Se você queria que eu fosse exilado de ambos acampamentos, porque exatamente foi me procurar no mundo inferior? — perguntou Nico acidamente.

As palavras de Will o haviam magoado muito. Era algo que ele não esperara jamais ouvir. Então Will se virou para ele novamente.

– Não é isso. Eu fui atrás de você porque achei que Hades o estava mantendo prisioneiro. Mas você não entende. Seu lugar não é aqui. Você não pode ficar no Acampamento Júpiter e nem em lugar nenhum aqui em cima. Você tem que voltar para o mundo inferior — Will frisou as palavras como se fossem importantes — Por que você voltou?

Nico se sentiu vazio. Ele não tinha resposta para sua pergunta.

– Nico vai ficar, Will — Reyna falou em tom firme — Ele e o irmão.

Will se virou para ela enfurecido.

– Você não pode fazer isso! Eles tem que voltar para o mundo inferior! O quanto antes!

– Eu sei que você me odeia! — Nico gritou pra ele infeliz — Mas você não pode ser egoísta o suficiente para querer mesmo que eu volte para o mundo inferior. Que eu suma da face da terra!

Will pareceu confuso.

– Eu não te odeio. Você não está entendendo. Eu estou falando sério. Seu lugar não é aqui. Você pertence ao mundo inferior. Isso não tem nada a ver comigo ou com qualquer coisa que nós tivemos no passado Di Angelo. Faz muito tempo desde que eu esqueci toda a merda que você fez — Will retrucou, e então voltou-se para Reyna — Eles não tem nenhum lugar aqui. As pessoas em ficam no Acampamento Júpiter tem algo a oferecer.

Reyna assentiu, pensativa.

– Você tem razão. Eles não fazem nada por Nova Roma.

– Isso — Will sorriu aliviado.

– E é por isso que Nico acaba de ganhar o emprego de assistente no hospital — Reyna deu um tapinha nas costas de Will.

Will pareceu querer morrer.

– O QUÊ?

– Reyna, eu não... — começou Nico.

– Silêncio. Os dois! — Reyna ergueu um dedo para calá-los — Eu ainda sou a pretora por aqui! Nico e o irmão podem ficar o tempo que quiserem aqui. Mas se ficarem, você vai ter quer trabalhar, Nico. Will tem razão, todos temos algo a oferecer a Nova Roma. Mas esteja avisado, se Prisma sair daqui antes de acabar o tratamento, talvez ele não consiga resistir.

– Reyna, ele não pode trabalhar no hospital! — Will queixou-se — Ele não tem nem o ensino fundamental completo! Você não pode fazer isso comigo!

Reyna cruzou os braços.

– Sinto muito. Você pode ser o diretor do hospital, mas não é o dono dele. Eu decido. Sou sua superior.

– Maravilha — Will falou, mirando-a com um olhar assassino — Fiquem enquanto seu irmão se cura. Mas eu estou avisando. Se ele não voltar para o mundo inferior depois disso, eu me demito.

E então saiu decidido. Quando estava na porta, Nico murmurou para ele:

– É bom saber que você está vivo e bem. Eu não esqueci de você.

Will lhe olhou mais uma vez antes de sair, e seu olhar traído parecia estar a beira de lágrimas. Mas nenhuma escorreu pelo seu rosto endurecido pela idade. Ele apenas virou as costas e saiu.

Reyna suspirou.

– Bem, não foi tão ruim quanto eu esperava.

Notas finais
THE TRETA IS BEGUIM HAHAHAHAHAHA