Soul Angel
23 Se ao menos você soubesse
Notas iniciais
Capítulo 23 — Se ao menos você soubesse.

Eles vieram te encontrar caído em uma manhã de veludo
Anos depois
Ele é um lado positivo, o cavaleiro solitário cavalgando
Por uma área aberta
Na minha mente, quando ele não está bem ao meu lado
Enlouqueço, porque não é aqui que quero ficar
E a satisfação parece uma lembrança distante
Não consigo me conter
Só quero ouvir ele dizendo "Você é meu? "
Bem, você é meu?
Tudo bem
O que quero dizer é que preciso me envolver profundamente
Continuar imaginando encontros, vidas inteiras desejadas
É injusto não estarmos em algum lugar
Comportando-nos mal há dias
Grande fuga, perdi noção do tempo e do espaço
Ele é uma luz do fim do túnel, escalando o meu desejo
E a emoção da perseguição se move de formas misteriosas
Então, caso eu esteja enganado
Só quero te ouvir dizendo que você me apoia, querido
Você é meu?
Só quero ouvir ele dizendo "Você é meu? "
Bem, você é meu?
Você é meu amanhã?
Você é meu? Ou meu só por esta noite?
Você é meu? Você é meu?
Você é meu amanhã?
Ou meu só por esta noite?
– R U MINE — Arctic Monkeys.
Nico fora dormir cedo naquele dia. Assim que Reyna fora embora, ele foi até o próprio quarto e caiu no sono. A garota lhe tinha passado todas as instruções: amanhã cedo ele deveria estar com Prisma no hospital (ele o levaria pelas sombras, assim não haveria perigo do irmão receber a luz do sol), e então começaria a trabalhar como assistente de Will. Nico tentara argumentar com ela que Will não queria vê-lo nem pintado de ouro, mas a garota não mudara de ideia.
– Não é difícil. É só separar alguns papéis, atender ligações, basicamente organizar — ela lhe dera um tapinha nas costas e sorrira — Will está precisando de alguém para organizar as coisas por lá. Mas ele sempre manda de volta as pessoas que vão trabalhar lá. Então, por favor. Seja impecável. Isso está valendo a estadia de Prisma aqui.
E essa era a única coisa que fazia com que Nico suportasse a ideia de enfrentar Will de cabeça erguida no outro dia. De forma nenhuma Prisma sairia daquela com vida se parasse o tratamento. Sua pele continuava chamuscada e enegrecida.
O irmão lhe acordara mais cedo na manhã seguinte.
– Ei, Nico. Eu estou com fome.
Nico resmungou, esfregando os olhos. Prisma estava parado à sua frente, encurvado.
– Você devia estar na cama.
– Você sabe que eu não sou de ficar parado — reclamou o irmão — Alguém deixou algo para a gente comer? Se você quiser eu posso caçar alguns ratos.
Nico se sentou e mirou o irmão melhor, tentando focalizar a visão embaçada.
– Não, nada de ratos. Com certeza deve ter algo na cozinha, se sente que eu vou... — e então olhou direito para o irmão — Prisma, o que diabos aconteceu com o seu rosto?
O irmão pareceu um pouco encabulado por trás das pálpebras caídas.
– Eu me queimei, lembra?
– Não isso, você mudou o rosto! — Nico apontou para ele acusador — Você está com cara de homem.
Prisma pareceu ofendido.
– Esse é o meu rosto de sempre.
– Eu convivi com a sua cara andrógena por dez anos, não minta pra mim!
De fato, o maxilar de Prisma estava mais quadrado, alguns pelos cresciam como barba em seu queixo e pescoço.
– Eu não posso ficar com um visual diferente de vez em quando, não? É algum crime? — perguntou Prisma nervoso.
Nico estranhou. O irmão na verdade sempre ficava com raiva quando Nico sugeria que ele se transformasse em homem. Agora ali estava ele, com barba e traços masculinizados.
– Pare com isso. Volte ao normal.
– Você é bipolar por acaso? Ou minha mãe? Esquece a minha cara, eu estou com fome! — retrucou o irmão cruzando os braços.
Nico deu de ombros e levantou, passando pelo irmão e indo até a cozinha. Era pequena e apertada, mas dúvida luxuosa. Dentro da geladeira só havia uma caixa de Pizza que Reyna devia ter posto ali. Nico a tirou dali e a jogou na mesa, Prisma se sentou enquanto o garoto procurava por pratos.
– Nico, aquela pessoa que estava comigo ontem, é homem ou mulher?
Então Prisma ainda estava acordado enquanto Will o curava. O que teria ele dito ao garoto?
– Homem — grunhiu Nico.
– É bem confuso.
– Sim, por que? — perguntou o irmão distraído.
– Por nada.
Mas então Nico parou no ato de dar um prato para o irmão, juntando dois mais dois. Prisma estava tentando virar uma coisa só. Ele estava perguntando sobre Will. Ele amava o sol. Um gelo subiu por sua espinha.
– Você sabe se ele gosta de homens ou mulheres? — perguntou Prisma tentando pegar o prato de sua mão.
Como ele podia ficar brabo com o irmão? Tão inocente, tão bondoso. Ele só conseguiu sentir inveja. Ele merecia Will. Já ele, não. Nico esboçou um sorriso infeliz, e voltou a cortar a pizza.
– Homens.
– Como você sabe? — perguntou o irmão se servindo distraído.
Nico hesitou, mas achou que Prisma iria descobrir cedo ou tarde.
– Ele era meu namorado.
Prisma se engasgou, mirando-o apavorado.
– Quê?
– É — Nico repetiu, se sentindo mal.
O irmão ficou em silêncio por um momento, parecendo confuso.
– O filho de Apolo? Que você nunca esqueceu?
Nico assentiu com a cabeça mais uma vez.
– Eu pensei que ele fosse loiro — Prisma falou ainda mais confuso — Os humanos mudam a cor do cabelo?
Dessa vez foi a vez de Nico de ficar confuso.
– Não, ele ainda está loiro.
Então Prisma deu uma risada.
– Eu não estava falando desse. Eu estava falando do outro.
– Do... Do outro? — Nico se confundiu. Então lembrou-se que Will não fora a única pessoa com Prisma — Você está afim da Reyna?
– É homem ou mulher afinal? — perguntou Prisma ficando vermelho.
– Mulher — falou Nico pasmo — Mas eu acho que ela gosta de homens. Não tenho muita certeza. Que susto você me deu!
Prisma recomeçou a comer sua pizza.
– Porquê? Está pensando em reconquistar seu antigo "verdadeiro amor"?
Nico corou.
– Isso não é da sua conta. E você, por acaso está de olho nela? Já sabe, né? Tem que colocar alguma coisa aí, no meio dessas pernas!
Prisma corou ainda mais.
– Eu sei disso. Vai à merda.
Nico bufou.
– De qualquer forma, você não acha que ela vai estranhar se você aparecer diferente hoje? Volte ao normal. Anda. Ela tem que gostar de você pelo que você é.
Prisma pareceu assustado.
– Não! Eu finalmente tenho alguma chance de ser amado por alguém, e você não vai estragar isso! Você não vai contar a ela que eu sou um híbrido de hárpia! Eu sou um semideus!
– Você é maluco! Eu não vou compactuar com isso — Nico balançou a cabeça de um lado para o outro perplexo.
Prisma era o retrato da infelicidade. O garoto se inclinou para frente, parecendo arrasado.
– Por favor. Por favor. Prometa que não vai contar. Ela nunca vai gostar de mim se souber o que eu sou de verdade.
Nico bufou.
– Eu não vou falar nada por enquanto. Mas você não vai poder esconder isso por muito tempo. Como vamos explicar você não poder sair ao sol?
– Fácil! — Prisma sorriu — Uma Lampáfodara me lançou uma maldição quando eu era pequeno.
Nico enfiou a cabeça nas mãos.
– Que seja, a droga da vida é sua mesmo.
Prisma pareceu ficar feliz.
– Ótimo. Vamos para o hospital?
☀☀☀☀☀☀
Nico nunca vira alguém tão empolgado para ir ao hospital. Quando ambos terminaram de almoçar, Nico ajudou o irmão a entrar nas sombras, sustentando seu peso, com um braço passado sobre seu pescoço. Saíram tropeçando em uma sala escura, com as janelas cuidadosamente vedadas. Se Nico não sentisse as coisas do escuro, nunca saberia que Reyna estava parada ali perto deles.
– Reyna? — chamou Nico arquejando pelo peso do irmão. Ele tinha a impressão que por mais que Prisma estivesse escondendo as asas, o peso delas esta ali dentro dele — Eu preciso de ajuda. Ligue a luz!
– Tem certeza? — perguntou a voz de Reyna preocupada.
– Sim, não tem nada de problema com luz artificial. Só a do sol — Nico arrastou Prisma até um catre no canto da sala.
Reyna ligou o interruptor e foi até eles.
– O que você fez pra merecer isso, heim garoto? — perguntou ela indo até o outro lado de Prisma para erguê-lo até a cama.
Só então Nico se lembrou que o garoto estava andando sozinho em casa, e que provavelmente era tudo fingimento. Nico bufou segurando seu peso. Prisma corou.
– Obrigada pela ajuda.
– Por nada — Reyna sorriu simpática — O sol fez um belo estrago no seu rosto. Acho até que distorceu um pouco de ontem pra hoje.
Prisma deu uma risada nervosa.
– É, talvez seja isso mesmo. Você vai ficar aqui comigo? — perguntou ele com um tom incontido de esperança.
– Na verdade eu vou te deixar com um curandeiro — comentou Reyna, que provavelmente não havia notado nada — Eu tenho uns deveres para cumprir. Tenho que levar o seu irmão para o andar certo também.
Prisma pareceu meio decepcionado.
– Ah, claro. Desculpe. É só que eu estou com tanta dor, sabe? Achei que você pudesse me ajudar com aquele remédio que passaram em mim ontem.
Nico quase soltou uma risada. Em vez disso soltou um barulho estranho tentando contê-la. Prisma fez cara feia para ele. Reyna o mirou como se Nico tivesse espirrado.
– Saúde — comentou a garota dispersa — Me desculpe Prisma. Mas eu não faço ideia de qual remédio você precisa. Não se preocupe, eu vou chamar um curandeiro logo. Vamos Nico.
E então se virou, indo até a porta. Prisma lhe lançou um olhar de censura, fazendo com que Nico desse de ombros enquanto sorria. Não era culpa dele. Prisma teria que se esforçar muito mais para chamar a atenção da garota.
O hospital era limpo e bem iluminado. Em cada canto, os curandeiros estavam bem uniformizados e cada canto esta livre de poeira. O lugar chegava a feder limpeza. Nico torceu o nariz.
– Você vai trabalhar no quinto andar, sala 510. Não tem erro, está escrito "diretor" na frente — Reyna lhe explicou enquanto entravam no elevador — Você vai ficar na recepção, e Will na sala dele. Portanto, eu não vejo nenhum motivo para brigas ou discussão. Okay?
– Tá — Nico respondeu sem vontade.
Ambos saíram no quanto andar, Nico atrás da amiga.
– Quando atender o telefone, apenas dia: "departamento da diretoria, no que posso ajudar?". Se for importante, passe o telefone para o Will. Se não, anote um recado e o dê assim que possível.
Nico assentiu.
– Você também vai ter que arrumar a agenda dele, fazer ligações e outras coisas — comentou Reyna parando a frente de uma porta — Mas o importante mesmo é não cometer nenhum erro grave. Só isso. Estou confiando em você. É aqui, nessa porta.
Então a abriu.
A recepção da diretoria fedia ainda mais à desinfetante. Era ampla e toda decorada com arranjos de plantas e tons de mogno. Perto da porta na parede ficava uma bancada com um computador e uma cadeira.
– Fala sério, eu vou ser a secretária dele?
– Chame como quiser — Reyna sorriu indo até a porta escrita "diretor".
Então bateu nela três vezes.
– Hey Will, estamos aqui.
Não deu cinco segundos até Will abrir a porta. Seu olhar estava tão desconfiado que chegava a ser cômico. E mesmo assim, Nico não pode deixar de sentir seu coração dando uma vertiginosa volta ao vê-lo. Ele tinha a impressão que se batesse a porta e a abrisse outra vez, poderia ver o Will de dezessete anos sorrindo para ele. Oferendo um abraço.
Mas não era o Will de dezessete anos que estava ali. Era o de vinte e sete. O desconfiado e furioso Will de vinte e sete anos. Nico lhe ofereceu uma mão para apertar.
– Bom dia, Will.
Will apenas encarou a sua mão com certa aversão.
– Primeiramente, vamos deixar umas coisas claras. Eu sou o Dr. Solace, o Sr, o diretor, chefe, ou se quiser Dr. Sr. Diretor e Chefe Solace.
Nico revirou os olhos.
– Ótimo.
– Ótimo, Dr. Solace — Will falou com o queixo erguido.
– Will, vai à...
Reyna os interronpeu.
– Bem, agora que já começamos a nos entender, que tal você explicar ao Nico o que ele tem que fazer?
Will assentiu.
– Sim, claro. Você vai ficar ali, naquela mesa. Vai bater na porta antes de entrar na minha sala. Mas você não vai precisar entrar. Porque tudo o que você tem pra fazer é separar as fichas dos pacientes por data e nome no computador, e atender ao telefone.
– É uma boa ideia o telefone? — perguntou Nico à Reyna.
Desde que ele se lembrava, usar telefones quando ele era adolescente significava monstros para qualquer semideus. Mas Reyna fez que sim com a cabeça.
– Não se preocupe. Leo que projetou esses. São indetectáveis pelos monstros.
Nico assentiu.
– Bem, eu preciso voltar para os meus deveres — Reyna deu uma palmadinha afetuosa no braço de Nico, e saiu apressada pela porta, batendo-a ao sair. Nico voltou a encarar Will. Era estranho ter que olhar um pouco pra baixo pra falar com ele.
– Tudo bem. Acho que nós podemos conviver como dois adultos, não? — perguntou Nico encarando seus olhos azuis raivosos — Eu vou tentar usar esse treco, você pode me ensinar?
Will revirou os olhos.
– Posso, Di Angelo. Vamos, sente-se aí, e eu vou mostrar a você o que você tem que fazer.
De fato, não era tão difícil. Perséfone o havia ensinado como usar um computador quando o garoto vivera no mundo inferior. Will não tinha muito que lhe ensinar, de forma que logo o garoto já tinha ido se esconder em sua sala mais uma vez. Foi muito fácil para Nico ficar entediado. Ele já estava quase pensando em ir até Will só para arrumar uma briga e ter o que fazer quando o telefone tocou.
– E aí, aqui é da diretoria, o que você quer? — perguntou o garoto entediado ao telefone.
– Hey Nico! — a voz de Hazel o saudou do outro lado da linha — Eu queria marcar uma consulta com o Will, ele é o médico do meu bebê. Você está trabalhando aí?
– Estou — comentou Nico para a irmã — Bem, o que eu faço?
Hazel riu.
– Você vai na agenda de Will e vê quando ele tem um horário livre. Então você agenda e depois fala para ele — a garota lhe explicou.
– Hum — respondeu Nico atrapalhado — A agenda dele é esse caderno azul na minha mesa?
– Abre pra ver, né! — Hazel falou como se o irmão tivesse cinco anos de idade.
Realmente, quando o garoto abriu o caderno, Nico viu vários horários seguidos de tarefas. Todos na calegrafia ilegível de Will.
– Puta merda, não dá pra ler isso — disse Nico desesperado.
Hazel riu outra vez.
– Apenas veja quando é o último horário e me encaixe depois!
Os horários de Will iam das oito da manhã as seis da tarde. Os daquele dia estavam quase todos cheios.
– Tem horário às cinco horas, Hazel — disse Nico se sentindo ridículo — Nossa, eu odeio esse trabalho. Um guerreiro não deveria ter que se submeter a esse tipo de coisa.
– Fico feliz que tenha um papel honesto na sociedade, Nico. Vou aproveitar para ver Prisma — ela falou ao telefone — Não se esqueça de avisar o Will.
– Okay, até mais. Cuidado aí, com a criança e tudo.
– Até mais — Hazel desligou o telefone risonha.
Então Nico se levantou e bateu na porta de Will. Estava tão entediado que a ideia de Will bater nele outra vez até parecia interessante.
– Ei, senhor doutor capitão! — chamou o garoto — Você tem uma nova consulta hoje.
– Pode entrar — Nico ouviu a voz de Will — E não é capitão, espertinho.
Nico entrou na sala de Will. Era bem oposta a recepção. O lugar era bem desorganizado, como o quarto do garoto anos atrás. E então Nico se lembrou do colar do garoto amarrado em seu pulso. Will erguera os olhos de uma papelada que estudava.
– Bem, e então? Pode falar.
Nico sacudiu os pensamentos da cabeça.
– Hazel ligou. Eu agendei ela para as cinco, logo depois da consulta da... — Nico consultou o caderno azul nas mãos, fazendo força pra ler a letra garranchosa — Sra. Marrocos.
– Sr. Marcos — Will o corrigiu voltando para a papelada — Como você está indo com as fichas?
– Está um saco — respondeu Nico se apoiando na cadeira a frente da mesa.
Por um momento, Nico teve certeza que Will tentara conter um sorriso. Mas seu rosto permaneceu sério e calmo.
– Bem, acho que trabalho não é pra ser divertido. Eu me referia ao andamento.
– Sei lá. Devo ter organizado uma quinhentas até agora — Nico brincou com um prêmio de medicina experimental em cima de sua mesa.
Will ergueu os olhos outra vez, tirando a estátua de suas mãos.
– Continua exagerado como sempre.
Nico lhe encarou.
– É — e então desamarrou o colar de contas do pulso e o jogou na mesa à sua frente — Queria poder dizer o mesmo de você. Mas você mudou, Solace.
Will pareceu congelar quando viu o colar. Parecia que Nico tinha jogado uma tripa sangrenta na mesa à sua frente.
– De onde você tirou isso? — Will perguntou numa voz calma e assassina.
– Você sabe de onde — Nico retrucou.
Will fixou seus olhos azuis no garoto.
– Você não tinha o direito de ter voltado lá. Não depois do que você fez. Você deixou tudo pra trás naquele dia.
Nico fez que não com a cabeça.
– Não. Eu não deixei nada pra trás. Foi você quem deixou.
Will pareceu querer bater nele outra vez, seu olhar era descontroladamente furioso. Pegou o colar entre os dedos trêmulos.
– Talvez eu tenha mesmo.
– Eu não duvido de nada — disse Nico virando-lhe as costas e saindo — Você mudou muito. O Will que eu conheci não mandaria uma pessoa ferida para casa sem ajudá-la só por orgulho.
– Se o Will que você conheceu era tão melhor do que esse que eu sou agora, porque você o jogou fora como se fosse lixo? — Will perguntou em uma voz magoada.
Nico riu enquanto fechava a porta.
– Essa é a única coisa do qual eu me arrependo.
Quando Nico se sentou, pode jurar que ouviu o garoto resmungar:
– Se ao menos você soubesse...
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