Soul Angel

13 Sobre a sensação de se afogar


Notas iniciais
Então pessoal, como vocês foram muito bons comigo e muitos comentaram bem rápido, eu decidi retribuir e dei um jeito de escrever essa capítulo rápido! Na verdade, era para ele ter saído ontem, mas a antena da minha internet caiu. Esse desenho é da leitora linda e maravilhosa AshGirlXD! Logo, o capítulo é dedicado a ela :) Vocês podem mandar os seus desenhos para que apareçam aqui, sinceramente, eu gosto mais de ver os de vocês do que postar os meus. Já estou esperando o da Logaia, essa linda :)

Capítulo 13 — Sobre a sensação de se afogar.

Por um minuto a dor completa o desnorteou. Por um minuto inteiro sua audição e visão borraram, e tudo que ele pode ver e ouvir era uma mistura insana de vozes e cores a sua volta. Na hora não doeu, foi rápido. A dor veio quando ele começou a conseguir a distinguir os vultos a sua volta.

Percy estava ajoelhado a seu lado, parecendo apavorado. Discutia com uma senhora gorda de meia idade que vestia um ridículo casaquinho florido e um gorro rosa. Um outro homem parecia tentar acalmá-los. Seu corpo ardia, latejava e queimava em dor. Mas ele já passara por coisas muito piores. Então ele começou a entender o que diziam, a medida que a dor de cabeça chegava também.

– A SENHORA SÓ PODE SER CEGA! ELE ESTAVA BEM NA DROGA DA SUA FRENTE!

– Eu já disse que ele devia ter olhado antes de atravessar! — a velha gritou parecendo absolutamente apavorada.

– Depois vocês resolvem de quem é a culpa, vocês precisam levar ele para o hospital! — um homem negro ao seu lado falou exasperado.

Nico tentou se sentar com algum esforço, assim que percebeu que estava deitado.

– Ahn — a rua girou a sua volta e antes que pudesse cair para trás outra vez, uma mão segurou suas costas.

Olhando para baixo, ele podia ver um grande rasgão em sua blusa na altura da cintura, onde ele concluiu que o carro da velha devia ter batido. Um corte grande empapara de sangue sua blusa, fazendo uma poça no chão. A dor indicava que talvez quebrara algumas costelas outra vez. Ótimo. Então a voz de Percy falou perto de seu rosto:

– Nico, você pode me ouvir? Você está bem? Eu vou te levar para o hospital.

Nico então tentou se levantar, prendendo a respiração e se apoiando em Percy. Mas assim que se pôs de pé, seu corpo se guindou estranhamente para direita. Ótimo. Ele tinha quebrado a perna também. A dor o fez arquejar e voltar a afundar para o chão, mas Percy o segurou antes que ele caísse.

– Meu Deus! — o homem negro exclamou — Você não devia se por de pé nessas condições, filho!

Nico arquejou para Percy:

– Apenas... Apenas me ajude... A chegar em casa.

– Eu levo vocês até o hospital! — a velha falou ainda em um estado de choque.

– Não, não precisa — Percy quase cuspiu para ela — Eu tenho carro, eu mesmo levo.

E então Nico sentiu seus pés deixarem o chão levemente. Percy o pegara no colo.

– Eu... consigo andar... — disse Nico puxando o ar doloridamente.

Mas Percy não lhe dera ouvidos. Nem ao menos dera ouvidos aos protestos da velha e do homem. Nico então sentiu os olhos tremerem e se semicerrarem. Ele só sabia que eles estavam andando. Percy abriu a porta de um carro com dificuldade, e o aninhou no banco do carona, passando o cinto a sua volta. Então um barulho indicara que ele abrira a porta do outro lado e se sentara no banco do motorista. Nico se forçou a abrir os olhos quando Percy deu a partida e manobrou o carro para fora do estacionamento:

– Ei... Eu...não preciso disso. Só... Ambrosia. Ou néctar. E eu vou estar... Ah — Nico ganiu de dor quando o osso de sua perna deu uma mexida para o lado.

– Ei. Não se mexa está bem? Você vai ficar bem — a voz de Percy pareceu preocupada.

– É... Óbvio... que eu vou — Nico arquejou. Falar com as costelas quebradas lhe exigia um ar que ele não tinha .

Percy abriu o porta luvas com a mão direita e tirou dali uma garrafa de coca-cola. Então torceu a tampa com os dentes e lhe entregou.

– Toma, é néctar. Você consegue tomar? Posso parar o carro e te ajudar.

– Não. Eu consigo — Nico pegou a garrafa, se sentando melhor no banco e pegando-a de suas mãos.

E então levou a garrafa aos lábios. Fazia tempo desde que ele tomara isso. O gosto no entanto parecia diferente agora. Lembrava o uísque que Will tinha lhe dado de presente no dia que lhe chamara pra sair. Queimou toda sua garganta, aquecendo seu corpo. Então Percy tirou a garrafa de suas mãos e Nico sentiu um carinho em seu rosto tombado para a esquerda.

– Tente dormir. Eu te acordo quando não tiver mais dor.

E foi isso que ele fez. Deixou que a inconsciência lhe carregasse para onde não tivesse dor, incerteza ou lembranças confusas.

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Seus sonhos eram em um mar extenso. Percy estava ali. Segurando-o no colo. Então ele o largava, e Nico começava a afundar. E tudo que ele podia ver era o sol tremeluzindo. Nico quase não conseguia vê-lo em baixo d'água. Ele se turvava a cada vez mais enquanto ele afundava. Talvez fosse porque a água se pintava de vermelho, com seu próprio sangue. Mas Percy estava ali com ele, submerso, o rosto muito próximo, os olhos claros o encarando. Parecia assustado. Nico diria que ele estava chorando se não fosse estarem em baixo d'água. Então ele se aproximou, e depositou um beijo singelo em seus lábios.

Quando acordou, Nico realmente não sentia mais dor. Como Percy prometera. Aliás, o que ele sentiu foi um carinho nos seus cabelos.

– Ei, acorde Nico. Nós temos que ir embora — uma voz riu perto dele.

Então o garoto abriu os olhos confuso. Quando eles se acostumaram a luz, viu que estava numa salinha apertada de hospital. Percy estava de pé ao lado de sua maca, enquanto um doutor escrevia em uma prancheta no bidê do outro lado.

Nico se sentou rapidamente e levantou a blusa hospitalar para olhar o machucado. Cinco pontos fechavam a ferida, mas não havia nenhuma tala, nenhuma imobilização.

– Ei, não se sente tão rápido — Percy pôs a mão em suas costas — Você me deu um grande susto mais cedo.

– Minhas costelas! — Nico apalpou o torso — Elas estavam quebradas, eu tenho certeza!

E então puxou o lençol para ver a perna quebrada. Não estava engessada, havia apenas uma tala.

– E a minha perna! Estava quebrada! — Nico olhou para o médico com o olhar confuso.

O médico riu e ergueu o olhar da ficha que preenchia para ele:

– Você deve ter se impressionado com o acidente garoto. Você só teve um corte feio e uma fissura no osso. Nada demais.

Nico olhou para Percy buscando explicações, mas ele virou o rosto primeiro para um lado, e depois para outro, e Nico entendeu que não devia perguntar nada naquele momento. Então pôs os pés para fora da cama.

– Cadê a minha blusa? — perguntou tentando ficar de pé.

Percy segurou sua mão para ajudá-lo.

– Ela foi para o lixo, estava toda rasgada e suja de sangue — Percy falou baixinho.

Nico assentiu.

– Você não pode andar garoto — O médico lhe censurou com os olhos por trás dos óculos — A fissura pode piorar.

– Eu vou tomar cuidado para que ele não se esforce — Percy passou um braço por baixo do seu para sustentá-lo.

Nico permitiu, porque sua perna começara a doer como o inferno novamente, e ele não gostaria de cair de cara no chão. Então Percy ajudou-o a caminhar até a porta.

– Muito obrigado — Percy disse ao médico — Eu já deixei os papéis preenchidos lá em baixo.

– De nada — ele sorriu a eles — Só olhe para os dois lados antes de atravessar garoto, você não tem o poder de atravessar as coisas.

Nico assentiu e Percy sorriu, então ambos saíram da sala. Percy não parecia nem um pouco abalado de estar carregando metade de seu peso. Parecia que estava levando um saco de arroz pela forma como não fazia quase nenhum esforço para sustentá-lo. Quando ambos entraram no elevador, Nico fez menção de se desvencilhar dele.

– Ei, o que diabos você está fazendo? — Percy perguntou segurando-o mais forte.

– Eu sou completamente capaz de andar — Nico respondeu grossamente.

Mas Percy não o largou.

– Eu não vou deixar você andar depois disso! Se reclamar vou pegar você no colo de novo! Estou falando sério Nico, você quebrou umas três costelas e mais a perna!

Nico o virou o rosto rápido para lhe encarar, mas se arrependeu em seguida. O rosto de Percy estava muito próximo. Por um momento ambos se encararam. Então, para a surpresa de Nico, Percy desviou o rosto.

– Então você admite que eu quebrei as costelas!

Percy assentiu.

– O carro estava indo rápido, jogou você metros a frente. Isso porque você é baixinho, senão teria levantado você no ar. Mas sua perna prendeu e quebrou.

Nico sentiu que devia se impressionar com a gravidade do que acontecera, mas ele já passara por coisas piores.

– E por quê não estão mais quebrados? Só o néctar não teria funcionado tão bem.

Percy não falou nada. O levou até o carro, o ajudou a entrar e tentou ajudá-lo com o cinto também.

– Está tudo bem, eu faço isso — Nico pegou o cinto de suas mãos.

Então o garoto deu a volta e entrou no carro. Mas não deu a partida. Ficou olhando para frente, com as mãos no volante.

– Hã... Percy? — Nico chamou, entranhando seu rosto.

Percy não o olhou.

– Eu não levei você para o hospital primeiro — Percy falou ainda encarando o volante — Não tinha tanto o que eles podiam fazer por você do quê te costurar. Eu podia fazer mais. Então eu te levei para aquele clube de natação fechado, duas quadras depois do apartamento, lembra?

Nico achou que era um começo bem estranho para uma explicação.

– Sim, porque?

– Eles não esvaziaram as piscinas ainda. Então eu coloquei você ali — Percy falou.

Nico ficou em silêncio sem entender.

– Hmm... Tá.

Percy bufou ao ver que ele não estava acompanhando seu raciocínio.

– Eu curei você.

Nico ficou bem confuso.

– Você é filho de Poseidon. Não pode me curar. Will pode.

Percy olhou para ele com uma expressão de desafio nos olhos.

– Eu também posso.

Nico silenciou outra vez.

– Eu me curo na água — Percy falou a ele — Eu não posso fazer muito pelos outros, mas eu estava desesperado, sua perna estava pendurada. Eu tinha que tentar... E se eles tentassem tirar a sua perna fora? Então eu tentei. E deu certo. Eu curei você. Pelo visto não como eu queria, porque o corte ficou, e restou uma fissura no seu osso. Então eu levei você para o hospital.

Nico ficou confuso. Ele achou que só Will faria esse tipo de coisa por ele. Mas pelo visto, Percy ficara tão assustado que conseguira curá-lo, por um milagre. E ele não sabia o que pensar sobre isso.

– Obrigado.

– De nada — Percy falou automaticamente — E a propósito, nunca mais atravesse sem olhar. Eu não sei se consigo repetir aquilo. Pedi até para o meu pai te ajudar.

– Você fez isso? — Nico ergueu as sobrancelhas.

– Sim! Você esperava o quê? — Percy se exaltou — O que você faria se eu estivesse desmaiado na sua frente, com uma perna completamente quebrada e um rombo no tronco? Eu achei que talvez você morresse. Você estava perdendo muito sangue. Eu não estava conseguindo no começo. Você estava de olhos abertos, o sangue manchando a água... Eu achei que talvez você...

Nico engoliu em seco.

– Se fosse você que fosse atropelado... Eu que não ia pedir para o meu pai ajudar você.

Percy riu.

– Eu agradeceria.

Então Percy deu a partida, e ambos voltaram para casa.

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– Will vai me matar quando souber — Nico resmungou enquanto Percy o ajudava a sair do carro.

Percy riu um pouco.

– Aposto que ele vai por a culpa em mim.

Nico revirou os olhos.

– De certa forma foi.

– Você deve ter ficado bem nervoso de ver minha barriga então — Percy opinou.

Nico enrubesceu.

– Cale a boca.

– Parece que toquei numa ferida — disse ele sorrindo de canto.

– Sim, você está com o braço nos meus pontos — Nico retrucou.

– Ah, desculpe — Percy moveu o braço para suas costas — Vamos. Você não quer mesmo que eu te leve no colo até lá em cima? Vamos demorar uma eternidade.

– Tenho.

Aliás, Nico não sabia se agora que consciente podia lidar com Percy o levando no colo para lugares. Já era bem ruim o braço do garoto estar a sua volta, e ele estar tão perto que era impossível não encostar. Realmente, ambos demoraram uma eternidade até chegarem ao apartamento de Will. Nico puxou as chaves do bolso da calça, e então Percy o largou para que pudesse abrir a fechadura. Nico entrou e o mirou da porta.

– Bem... Obrigada por tudo — Nico falou sem jeito.

– De nada — Percy coçou a cabeça sorrindo — Deve ter sido o pior encontro que você já teve.

O rosto de Nico ficou vermelho.

– Não foi um encontro!

– Eu sei — Percy riu — Eu estou só brincando. Tem certeza que não quer que eu te ajude a chegar aonde quer que você vai?

– Não, eu me viro — Nico sorriu um pouco.

Percy assentiu.

– Lembre-se de não andar muito, tudo bem? Eu não tenho certeza se fiz um bom trabalho.

Nico assentiu.

– Boa noite Percy.

Então Percy se abaixou um pouco e lhe depositou um beijo no rosto.

– Boa noite Nico. Sonhe com os anjos.

Nico enrubesceu mais ainda.

– Você também.

Percy se virou e desceu as escadas. E Nico o escutou sussurrar:

– Eu vou.

Nico fechou a porta sentindo um aperto entranho no coração. Então mancou até a cozinha. O Sr. Johnson, que esquentava salsichas no fogão, se virou quando o garoto entrou.

– Ei filho, eu estava preocupado! Vocês saíram meio dia e já são... — ele consultou o relógio de pulso — Sete horas!

– Eu tive um pequeno acidente — Nico pontou para a perna na tala.

E o Sr. Johnson parou de cutucar as salsichas com o garfo no ato.

– Como assim? O que aconteceu?

– Uma mulher me atropelou aqui na frente — Nico se sentou na mesa apertada na frente do fogão — Mas está tudo bem, coisa de semideus, sabe?

O homem pareceu aborrecido.

– Não! Você devia ter me ligado, poxa! Eu teria levado você no hospital!

– O senhor estava no trabalho, não tinha o porquê incomodá-lo com isso — Nico dispensou sua preocupação.

– Claro que tinha! — ele falou agitando o garfo para ele — Você é meu genro! Somos família! Eu teria ido na hora! Você foi sozinho até ali?

Nico fez que não com a cabeça.

– Não, eu estava com um amigo.

– Ah — O Sr. Johnson assentiu, tirando as salsichas do fogo — Aquele garotinho alto de cabelo preto? Will morre de ciúmes dele.

– É — Nico o mirou surpreso — Como o senhor sabe?

– Will me contou — disse o homem rindo — Ele deve gostar muito de você para ter ciúmes, porque teve uma garota que ele namorou que só os deuses sabem, ela passava de mão em mão e ele não estava nem aí. E eu não devia ter dito isso. Desculpe filho.

Nico assentiu meio transtornado.

– Eu... Eu vou pro banho, tudo bem?

– Você não quer comer antes? — perguntou o Sr. Johnson botando os pratos na mesa.

– Eu... Eu não estou com fome — ele arquejou se levantando com cuidado — O senhor se importa de por a minha parte na geladeira?

– Não, claro que não — ele sorriu ternamente — Quer ajuda pra chegar até lá?

Nico lhe sorriu de volta.

– Não, obrigado.

– Porque você não liga para o Will antes? — perguntou o Sr. Johnson — Ele já ligou duas vezes e perguntou por você.

Nico assentiu.

– Eu vou fazer isso.

Então Nico mancou até o quarto, catando a bolsa de dracmas e o prisma. Aninhou a pedra perto da janela, fechando as cortinas, deixando luz o suficiente apenas para passar pela pedra. Nico suspirou, virando o dracma na mão. Então o atirou no arco íris.

– Will Solace, acampamento Júpiter.

E a imagem de Will apareceu na sua frente, sentado em uma cama.

– Você viu onde eu deixei o prisma?

– Não! — outra voz gritou para ele.

– Que estranho, da última vez que eu liguei foi aqui e... — então Will notou sua presença — Nico!!!

O garoto abriu um sorriso enorme.

– Meu amor, eu tentei ligar o dia inteiro! Onde você esteve?

– Quem esta aí? — Nico perguntou incomodado.

– Você nem vai acreditar — falou Will sorrindo — Reyna, vêm dar oi, o Nico ligou!

– Ele está aí? — Nico ouviu a voz de Reyna se aproximando, então a garota entrou na imagem com uma escova de dentes na mão — Nico! Que saudade!

– Esta é a nossa casa Nico, dá pra acreditar? Ela é linda! — Will abriu os braços empolgado, como se quisesse englobar o quarto inteiro — Na verdade é apartamento, mas casa soa melhor.

– O Will é uma graça, Nico — Reyna lhe sorriu — Você formam um casal lindo! Ele é muito simpático.

Will dispensou o elogio com a mão.

– Capaz, qualquer amiga do Nico é minha amiga também. Eu chamei ela pra ficar aqui hoje Nico. Você acredita que a tadinha mora sozinha? A gente tem que chamar ela pra jantar com a gente todo dia!

Reyna sorriu.

– Você se importa, Nico?

Nico balançou a cabeça negativamente, embora sentisse uma pontada de ciúmes.

– Não, acho genial! Quando você volta, Will?

Reyna se levantou da cama e acenou para Nico.

– Bem, eu não vou atrapalhar. Vou deixar vocês conversarem.

– Ah, você não incomoda querida, capaz! — Will lhe sorriu.

Mas Reyna saiu fechando a porta com delicadeza.

Will deitou de bruços e lhe encarou com carinho.

– Eu estou com tanta saudade meu amor. Vou sentir tanta falta de você na minha cama hoje.

Nico sorriu um pouco.

– Eu vou também. Mas você tem a Reyna, não?

Will riu divertido.

– Ela não tem o que eu gosto.

Nico riu também.

– Quando você volta?

– Amanhã de tarde eu devo estar aí — ele sorriu — Então teremos uma semana inteira só para nós.

Nico olhou para baixo.

– Eu acho que não pensei em quanto vou sentir sua falta até entender que vou ter que dormir sozinho nesse quarto.

Will pareceu se derreter ao ouvi-lo.

– Quando eu chegar vou te apertar todo o dia inteiro.

Nico assentiu.

– Tem alguma coisa de errado? — Will perguntou preocupado — Você está estranho...

Nico coçou a cabeça sem saber como contar.

– Não fique nervoso, está bem? — ele começou devagar — Eu... Um carro encostou em mim hoje.

Foi o suficiente. Will esqueceu que era uma mensagem de Íris. Levantou e tentou abraça-lo, fazendo a névoa tremeluzir por um momento. Então ele deu um passo para trás apavorado.

– Como assim? Você está bem? Foi no hospital? No armário tem uma caixa de primeiros socorros com tudo o que você precisa, eu vou dar instruções! — ele começou a falar muito rápido.

– Ei, calma. Will, escute! Will, eu estou bem! Eu estou bem meu amor. Tudo bem? Se acalme agora.

Will pareceu ainda mais nervoso.

– Me mostre, onde o carro pegou?

– Ah, eu só tive uma fissura no osso da perna — ele mostrou a tala — E levei uns pontos aqui.

E Nico levantou a blusa para mostrar os pontos.

– ISSO VAI INFECCIONAR! — Will se apavorou — Limpe isso! Depois tem ataduras no kit, você tem que fechar bem! Essa tala está no lugar certo?

– Ei, calma — Nico sorriu para ele — Eu vou tomar banho agora. Então eu fecho, está bem? Estou esperando você voltar para cuidar de mim.

Will pareceu mais calmo.

– Queria poder te pegar nos meus braços agora. Nada ia acontecer com você. Nunca.

Nico sorriu para ele, sentindo o coração morno.

– Eu te amo.

– E te amo mais — Will sorriu para ele.

– Eu tenho que ir agora — Nico levantou para apagar a mensagem.

– Eu vou pensar em você. A noite inteira — Will lhe mirou com seu melhor olhar de cachorro sem dono.

– Cuidado para não ter pesadelos então — Nico riu um pouco.

– Com você nunca poderia ser um pesadelo — Will sorriu — Boa noite.

– Boa noite Will.

Então Nico passou a mão na mensagem, que se apagou. E ele estava no escuro mais uma vez.

Nico ligou o chuveiro e deixou a banheira encher enquanto tirava a tala e a jogava no canto do banheiro. Então entrou, deitando a cabeça na borda fria da banheira. Tinha sido um dia cheio. Confuso. Sua cabeça girava tentando formar uma opinião. Tudo que ele sabia é que sentia uma falta absurda de Will. E ao mesmo tempo desejava poder ir até o apartamento de Percy, e ficar conversando até tarde com ele.

Mas no entanto, nenhum deles estava ali com ele. Ele estava ali, sozinho, nu e completamente sem saber o que pensar. Quando ele olhava para a outra ponta da banheira, lembrava de Will sentado ali com ele, os cabelos loiros escorrendo pelas costas, fazendo-o parecer ainda mais bonito, deixando seus olhos ainda mais claros. E seu sorrido de canto. Seu sorriso ingenuamente verdadeiro, e ao mesmo tempo cheio de significado.

Então ele olhava para a água, e pensava em como Percy devia tê-lo trazido até a piscina. E só então pensou que talvez o sonho que tivera quando desmaiou fosse verdade. Seria mesmo verdade? Percy o tinha beijado quando achara que não conseguira o salvar? E só então conseguira o curar? Nico não queria pensar. Não queria entender. Quando mais ele entendia, mais confuso ele ficava.

Ele não queria entender a dor de Percy. Não queria ter pena dele. Não queria se apaixonar por ele outra vez. E ele não iria. Nico então submergiu o rosto na água para evitar pensar. Ele quase conseguiu voltar à aquela piscina. Quase conseguiu sentir os lábios de Percy nos seus. E se sentiu mal por isso. Sentiu que estava se afogando. Mas estava gostando disso.

Notas finais
Muito obrigada por terem sido tão legais comigo pessoal! Eu fiquei muito feliz vendo vocês todos virem conversar comigo! :3 Quem comenta sabe que eu respondo rapidinho e não mordo. Sabe também que eu adoro essa carinha :v Desenhos? Comentários? Talvez (não custa tentar) uma recomendação? :v