Soul Angel

24 A princesa do sol.


Notas iniciais
Bom dia! (desvia de uma pedra) Eu sei que demorei. Mas é mal de filho de Hades ter alguns probleminhas. Mas enfim, eu me esforcei para trazer o capítulo para vocês. Perdoem qualquer erro, fiz esse em outro computador, não sei se vai bugar um pouco. Enfim, muito obrigado a todos que comentaram capítulo passado, e um agradecimento especial para Clara, que fez o desenho desse capítulo! (EU AINDA NÃO CONSEGUI RESPONDER TODOS OS COMENTÁRIOS, MAS ESTOU FAZENDO ISSO)

Oh Sr. Medico

Estou tão feliz que você veio aqui

Você passou de todos os homens

Para cada homem salvador

Quando todos fomos para o Everest

Nós estávamos procurando por mudança, senhor

Mais aqueles que começam a abrir

O ciclo foi agora quebrado

Primeira queda e você se levanta

Há uma pilha de roupa suja

Eu sei que você vai ter que limpar

Você é o homem que fará isso por mim

Confio no seu julgamento

Eu gosto das coisas que você diz

É senso comum

Eu poderia tomar três vezes ao dia

Oh Sr. Medico

Eu aceito qualquer coisa

O que você recomendaria?

Oh Sr. Medico

Eu preciso das minhas vitaminas

Será que vou me sentir melhor assim?

Oh Sr. Medico

Eu me sinto muito melhor

Meu amigo é pessimista

Mas você ainda a impressiona

Se você precisa de provas

Então vou te escrever uma carta

Eu vou lamber o selo e afixá-lo

Só para que você possa notar

E então você viu

Que o paciente melhorou

Ligar para dizer que estava doente

Se tornou uma desculpa esfarrapada

Esta mesa desarrumada está virando

Você usou o melhor detergente

Agora é brilhante, não é sujo

E nós sabemos que está funcionando

– Eliza Dolittle — Mr. Medicine

Capítulo 24 ­- A princesa do Sol.

Will Solace continuava o mesmo idiota de sempre, isso Nico podia afirmar.

E de certo modo, essa era a única coisa que ele podia afirmar. Embora Nico tivesse passado a semana inteira trabalhando para ele, Will mantinha uma barreira impenetrável de raiva e discussão entre eles. De certa forma, qualquer conversa acabava com os dois discutindo. Mais de uma vez Nico chegara a segurar as mãos de Will para evitar que o garoto lhe batesse outra vez.

Mas é claro, Nico não o culpava completamente. Ele provava Will. O trabalho que Nico exercia ali era tão chato e diferente do que ele estava acostumado, que o garoto logo se cansava e ia até o escritório de Will para chateá-lo. Algo lhe fazia bem naquelas brigas. Talvez fosse só o prazer de provocá-lo. E ver que Will não era indiferente à ele.

Nico chegou a ficar com medo que Will o demitisse, e ele e Prisma fossem obrigados a ir embora. Mas ele não o fez. E Nico ficava agradecido por isso. Prisma se curava lentamente. A pomada que Will receitara fazia sua pele enegrecida voltar a ficar esbranquiçada, fazendo a mancha retroceder como se alguém tivesse atirado água nela.

Quando Nico chegava do trabalho, Prisma era seu escape. Diferente dele, o garoto não podia estar mais feliz. Mesmo que Reyna não lhe desse a mínima bola. A cada dia que passava, Prisma acordava cedo, só na empolgação de talvez vê-la pelos corredores (e nem sempre ele via). De certa forma, Prisma conseguira forçar uma amizade com a garota. Em alguns dias da semana ele se oferecera para ajudá-la com seus deveres de pretora, e por mais que Reyna tivesse recusado devido a condição de Prisma, a insistência do irmão acabou ganhando.

Era nessas noites que Prisma estava fora, que Nico se sentia mais mal. Sozinho em seu quarto com sua carteira de cigarros e seus pensamentos. E ele só pensava em Will. Seu coração batia mais rápido quando ele lembrava de tudo. De seu sorriso sincero, de sua preocupação, de seus braços à sua volta... Tudo que ele não conseguia mais enxergar no rosto do Will adulto, que parecia mais uma mescla de preocupação e rancor.

Nico descobrira um pouco sobre sua vida no acampamento. Em maioria, coisas que Jason deixara escapar. Nico não sabia o porque, mas Jason não gostava de falar da vida de Will para ele. Talvez estivesse escondendo algo maior. “Pergunte você, você não trabalha com ele?” respondia ele parecendo nervoso. Mas outras coisas Nico conseguira descobrir: Will havia feito faculdade de medicina em Nova Roma, e depois passou a trabalhar no Hospital. Não demorou muito para ganhar o posto como diretor, afinal, Will era o melhor curandeiro do lugar. Nico também descobriu que ele morava no mesmo prédio que ele. Só que Will morava dois andares abaixo, o que explicava Nico nunca o encontrar pela escadaria.

Mas do próprio Will, nada. Nem uma palavra. Por mais que Nico quisesse lhe perguntar se ele estava bem, Will jamais lhe responderia. Jamais lhe contaria sobre sua vida. Ele cortara o assunto todas as vezes que Nico mencionara naquela semana. Foi em um dia frio de outubro que sua sorte começou a virar.

Nico estava sozinho na recepção, como sempre. Um café preto fumegava na xícara do lado do computador. Por mais que tentasse se aquecer com um grosso blusão de lã preto (Nico não possuía muitas roupas), o garoto continuava morrendo de frio. E o ar condicionado parecia simplesmente não funcionar. Com um bocejo entediado, Nico esfregou as mãos buscando calor, e então se levantou, indo até o aparelho na parede e girando os botões.

– Vamos lá, sua porcaria. Funcione... — murmurou ele tentando aumentar a temperatura.

Mas então, com um suspiro final, o aparelho morreu. Nico bateu nele enraivecido.

– Isso só pode ser brincadeira!

Não havia nada que Nico pudesse fazer para salvá-lo. Ele foi muito bom com a tecnologia. Seu trabalho estava adiantado, seu café estava com gosto de meia suja, e seu estado de humor estava começando a piorar. E por mais que Nico não se orgulhasse daquilo, decidiu ir incomodar Will um pouco.

Foi até a porta e bateu, uma vez que Will não gostava que ele entrasse sem bater:

– Hey. Sr. Dr. Capitão – Nico chamou – Preciso falar com você.

De início Will não aceitara o apelido muito bem. Mas ele devia ter reparado que quanto mais reclamasse, mais Nico o usaria, de forma que ele respondeu apenas um:

– Entre.

Will parecia bem abatido. A ideia de implicar com ele foi varrida completamente. As olheiras eram visíveis por baixo de seus olhos azuis, e ele parecia estar prestes a cair no sono, uma mão segurando a cabeça. Assinava alguns papéis, a caneta balançando precariamente na outra mão. Talvez fosse por isso que sua letra era tão ruim. Nico se sentou na cadeira à sua frente.

– Se você veio discutir comigo, considere-se vitorioso já – murmurou Will sem olhá-lo – Não estou com energia pra isso.

Nico fez que não com a cabeça.

– Na verdade eu vim porque o ar condicionado parou de funcionar e eu estava com frio.

Will sorriu um pouco.

– Sério? Está bem. Se ficar quieto, você pode ficar. Um pouco.

– Na verdade, está quase na hora de irmos – Nico consultou o relógio no pulso – São quinze para as seis.

– Quinze para as seis? — Will olhou aborrecido para o relógio – Que merda. Vou me atrasar outra vez.
Se atrasar para quê? — perguntou Nico curioso.

Will desviou os olhos do relógio, mirando-o pensativo.

– Nada. Assuntos pessoais. Vou terminar de preencher isso aqui e estamos liberados.

Nico assentiu, pegando o troféu de medicina experimental em cima de sua mesa e brincando com ele.

– Você acha que falta muito para o meu irmão se curar? — perguntou Nico distraído.

– Não – respondeu Will sem olhar para ele – Mais umas duas semanas, talvez.

– Ah. Então vou avisar Reyna. Vocês vão precisar de alguém aqui quando a gente for embora.

Will levantou os olhos parecendo confuso.

– Embora? — perguntou ele.

– Sim – respondeu Nico perdido – Nós viemos porque Prisma estava ferido, lembra? Você mesmo exigiu que fossemos embora quando ele se curasse.

Então pareceu lembrar de algo.

– Ah – Will esfregou as mãos nervoso – Sim. Sim, é verdade.

E então puxou uma carteira de cigarros do bolso. Nico boquiabriu-se. Era Will a quem Jason tinha se referido naquele dia. Mas Nico nunca poderia imaginar. Will era tão... preocupado com saúde e todas aquelas coisas bobas.

Nico observou ele levar um cigarro aos lábios e tentar ascendê-lo com o isqueiro. Mas tudo que este conseguiu foi produzir algumas fagulhas solitárias.

– Aqui – Nico pegou o próprio isqueiro do bolso e o riscou.
Obrigado – Will se curvou sobre a mesa para ascendê-lo, puxando a fumaça com os lábios.

Então ambos se afastaram, e Nico sentiu que deveria comentar:

– Isso foi inesperado.

– O quê? — perguntou Will voltando aos papéis, a fumaça lhe saindo pelas narinas e boca.

– Quando você começou a fumar? — perguntou Nico curioso.

Will olhou meio envergonhado para Nico.

– Eu tinha parado. Mas desde que você voltou a me incomodar eu ando sentindo alguma necessidade outra vez.

– Não estou julgando você – Nico respondeu, pegando a carteira nas mãos – Bom, talvez esteja. Menta? Jura?

Will revirou os olhos.

– Preferências. Cada um tem uma diferente.

– Eu sei, ainda me lembro de algumas das suas – comentou Nico jogando-a de volta em cima da mesa.

Will pareceu corar um pouco.

– Eu comecei uma semana depois que você foi embora.

Aquilo surpreendeu Nico. Will estava voltando naquele assunto? Mas Will não acrescentou mais nada, deixando o garoto atordoado.

– Acho que você deve ter passado um mal pedaço nessa época – admitiu Nico para o garoto.

Will deu uma risadinha sem vontade, dando uma batidinha no cigarro para deixar cair as cinzas no cinzeiro.

– Você nem faz ideia. Depois daquele dia, eu dirigi por várias noites. Voltei em casa só pra pegar dinheiro e algumas roupas. Nunca mais voltei – Will confessou em voz baixa – Meu carro quebrou perto de um posto de gás abandonado. Bem... nem tanto.

Então o garoto abriu dois botões da camisa branca, revelando uma cicatriz feia no peito. Nico arquejou.

– O que é isso?

– Um monstro me atacou lá – respondeu Will voltando a abotoar a camisa – Eu nunca fui um bom lutador. Mas consegui acabar com ele. Só que eu estava muito ferido. Se eu não fosse curandeiro teria morrido. Andei por dias pela estrada. Sangrando. Lembrando do meu pai. Da minha mãe. De você.

Nico queria chorar. Mas ele não conseguia. Seu coração estava frio. Tudo pelo que Will passara era culpa dele. Aquela cicatriz era culpa dele. Seu sofrimento era culpa dele. Como Nico podia ficar aborrecido com a forma que Will estava lhe tratando? Ele merecia pior.

– Acho que um: “me desculpe” soaria até como uma ofensa. Então não vou falar nada. Acho que eu só sei fazer mal as pessoas que eu deveria amar mais – falou Nico baixando a cabeça.

Will deu de ombros.

– De início, eu achava que a culpa era sua mesmo. Mas eu não acho isso agora. Isso foi o destino. Era pra ser. Devia ser. Reyna me encontrou quando eu estava quase morrendo. Eu tinha mandado uma mensagem de Iris para ela. Eu recomecei minha vida aqui. E então, uns meses depois chegaram Percy e Annabeth. Percy dizendo que tinha procurado por você, mas você tinha sumido. E lá fomos nós, para o mundo inferior, resgatar você.

– Mas você desistiu – falou Nico – Porque você desistiu.

– Seu pai... Me mostrou que era melhor para você ficar lá – Will falou nervoso.

– Meu pai? — Nico perguntou sentindo um pouco de raiva – O que o meu pai tem com isso? Eu teria voltado com você! Eu teria voltado com você mas você desistiu.

Will fixou os olhos azuis nele de forma enérgica.

– Eu fiz isso porque era o melhor para você! Mas não importa mais. Isso é passado.

Nico bufou.

– Certo.

– Ei, não me trate como se eu fosse um monstro por tê-lo deixado ali! — Will o encarou com raiva – Eu tenho que conviver com essa culpa.

– Você tem que conviver com a sua culpa? — Nico riu amargamente – Então somos dois.

Nico puxou a manga do blusão até que a marca negra de Eros se tornasse visível. Will pareceu surpreso ao vê-la.

– Isso não sumiu?

– Não – respondeu Nico olhando tristonho para a marca – Eu vejo ela todo o dia quando acordo. Onde foi que nós erramos, Will?

Will passou os dedos no cabelo, parecendo cansado.

– Eu não sei. Nós éramos tão felizes. Acho que não era pra ser Nico.

Então ambos ficaram em silêncio. Nico se sentiu incomodado. Não queria ter que suportar a infelicidade de Will sem poder fazer nada para ajudá-lo. Então se levantou e foi até a porta. Estava com a mão na maçaneta quando Will o chamou de volta.

– Ei. Di Angelo.

Nico se virou.

– Sim? Quer dizer, Sim, Capitão?

Will revirou os olhos.

– Engraçadinho. Eu não vou conseguir terminar isso aqui. Você pode me ajudar?

Nico ficou confuso por um momento. Era isso mesmo? Will estava querendo sua companhia? Nico não pode evitar. Ele era um adulto. O primeiro pensamento que viera em sua cabeça fora agarrar os cabelos loiros de Will, beijá-lo, descobrir se sua boca tinha o mesmo gosto. Dar uma utilidade que não fosse tediosa para aquela sala. Mas ele controlou esse pensamento. Porque provavelmente, Will deveria realmente apenas querer ajuda mesmo. Então Nico assentiu para ele.

– Claro. O que você quer que eu faça?

– Me ajude a levar esses papéis, eu preciso que você organize eles para mim – disse Will se levantando e se espreguiçando – A gente pode terminar isso no meu apartamento. Mas eu não posso me atrasar muito mais. Tem problema pra você? Nós moramos no mesmo prédio.

– Eu sei – respondeu Nico, tentando controlar sua imaginação fértil – Não, por mim tudo bem.

Will começou a recolher os papéis.

– Só precisamos passar em outro lugar antes.

Nico carregou uma caixa cheia de documentos enquanto acompanhava Will pelas ruas frias de Nova Roma. Ambos chapinharam na neve, lado a lado. Nenhum sentiu vontade de puxar assunto, o frio e o vento já assoviavam em seus ouvidos. Por quinze minutos de caminhada, Nico se perguntou se Will não tinha carro. Sendo médico e tudo. Mas então lembrou que provavelmente ninguém em Nova Roma tinha. Era uma ideia que ele teria que fazer Reyna aprovar.

Quando ambos chegaram na frente de uma escola, Will se virou para ele e começou a falar, o vapor quente lhe saindo pelos lábios:

– Fique aqui, eu já volto.

– O que você tem que fazer nessa escola? — perguntou Nico.

Mas Will não lhe respondeu. Andou a passos rápidos pela neve, até entrar no pátio. Nico bufou, segurando melhor a caixa pesada nos braços. Ser a secretária de Will estava lhe tomando toda a paciência que tinha. Mas Will parecia estar lhe perdoando, de modo que Nico suportaria tudo que lhe fosse imposto. Por cinco minutos, o garoto lançou sua mente em uma lembrança de suas lutas com o irmão, Prisma. Sentia falta de lutar. Mas também era uma das únicas coisas que ele podia dizer que sentia falta no mundo inferior.

O pensamento todo foi varrido, é claro, quando Will saiu da escola com uma criança nos braços. E Nico não teve nenhuma dúvida de o que ela era. A garotinha de aparentes cinco anos tinha os cabelos loirinhos e curtos saindo por baixo do gorro. Seus olhos eram tão azuis quanto o céu. E seu sorriso era igual ao do pai. Will Solace.

Toda e qualquer esperança que Nico tivesse de reconquistar Will se fora. Estourara como uma bolha. Porque se Will tinha uma filha, então ele tinha um marido. Ou então pior. Uma mulher. Nico engoliu em seco quando Will chegou a sua frente, rindo para algo que a garotinha falava.

– Nico, essa é a Sunny – Will sorriu para a criança – Sunny, esse é um amigo do papai, o nome dele é Nico. Diga oi.

– Oi – a menina falou risonha, uma mão na boca, corada de vergonha.

– Tire a mão da boca – Will a repreendeu, tirando sua mãozinha da boca.

– Ela... Puxa, ela é uma beleza Will – falou Nico com sinceridade.

Era a criança mais linda que ele já havia visto. E ela era excepcionalmente parecida com Will. A garotinha escondeu o rosto no pescoço do pai, e Will riu para ela:

– Como você, a maior cara de pau que eu já conheci está com vergonha?

– Frio – a garota falou simplesmente, a voz abafada pela pele de Will.

– Sim, nós vamos tirar você do frio, princesa – Will beijou o topo de sua cabeça.

Não demorou muito para que chegassem no apartamento. Em todo o trajeto, a garotinha espiava Nico com seus olhinhos azuis, parecendo curiosa. E Nico se permitiu pensar no que poderia ter acontecido se ele nunca tivesse traído Will. Talvez aquela garotinha o chamasse de pai. Talvez ele estivesse ali, vivendo feliz com eles, tendo uma vida perfeita. E mais uma vez, ele se arrependeu do que tinha feito. Mais do que a marca de Eros, ele sabia que a imagem daquela criança perseguiria seus pesadelos para sempre, depois que ele e Prisma saíssem dali.

O apartamento de Will ficava no segundo andar. Nico ficou nervoso quando o garoto abriu a porta e o convidou para entrar. Tinha certeza que ia acabar encontrando a pessoa que devia estar com Will. Mas aparentemente, não havia ninguém ali.

– Deixe a caixa em cima do sofá, sim? — falou Will indo com a garota para a cozinha – Eu vou fazer a mamadeira dela. Se precisar ir no banheiro, é aquela porta ali. Mas você deve saber. Seu apartamento é igual.

Nico assentiu calado. Sentou no sofá e deixou a caixa ao seu lado.

Por tudo havia brinquedos de criança. Em cima da mesa haviam dvd´s de desenhos antigos. Pelo chão se espalhavam bonecas e caminhões monstro. A outra parte da bagunça consistia em livros de medicina, cadernos e papéis.

Will saiu da cozinha com a criança no colo, que por sua vez o espiava com seus olhos grandes de corujinha por cima da mamadeira.

– Sunny vai ficar vendo desenhos no quarto. Então a gente vai poder terminar isso aí – e então se voltou para a filha – Você chama se precisar de algo, viu, meu amor?

E então sumiu pela porta do quarto da filha. Nico notou que ali estava afixado uma folha escrito “Sunny” em amarelo, com vários sóis e girassóis em volta. O “S” virado para o lado errado.

Will saiu encostando a porta, parecendo preocupado, e então se sentou ao seu lado no sofá.

– Eu não sei o que fazer. Sou um péssimo pai.

Nico se surpreendeu.

– O quê? Porque?

– Eu não consigo passar tanto tempo quanto eu queria com ela – falou ele infeliz, mirando a porta do quarto da filha – Eu nem ao menos sei o que estou fazendo.

– Mas com certeza o pai ou a mãe dela deve ajudar você – então uma ideia ocorreu a Nico – Você é separado?

– Oi? — perguntou Will confuso. Então a compreensão apareceu em seus olhos – Não, não. Eu não conheci a mãe dela. Sunny foi nasceu por inseminação artificial. Eu nem ao menos conheci a barriga de aluguel.

– Sério? — Nico sentiu uma esperança incontida voltar – Você é pai solteiro?

Will sorriu e assentiu para ele.

– Sim. Eu sempre sonhei em ter uma família. Não ia me casar só pra isso.

– Ela deve ter muito orgulho de você – Nico sorriu.

– Sim. Mas não evita que os coleguinhas dela perguntem o porque ela só tem um pai – Will lhe encarou pensativo.

Nico encarou seus olhos por um momento também. Então Will os desviou encabulado.

– De qualquer forma, estou apavorado.

– Ah, qual é. Você é excelente. Pare de se culpar por nada.

– Por nada? — Will voltou a lhe mirar, desta vez com um olhar preocupado – Eu estou começando a pensar que a Sunny tem disfunção de gênero.

– Ela o quê? — perguntou Nico confuso.

– Ela não quer por vestidos. Ela não quer as bonecas. Ela não quer ter cabelo comprido. E ela só tem cinco anos – falou Will parecendo perdido – Nico, e se eu transmiti, sei lá, algum problema pra ela por ser o que sou?

Nico lhe encarou por um minuto.

– Você é muito burro. Não sei como conseguiu chegar a ser médico.

Will pareceu querer voltar a lhe bater.

– O que você disse?

– Você não tem nenhum problema, seu lesado. Talvez tenha algum, mental, mas isso não tem vem ao caso. Você não transmitiu nada pra ela. Isso não é algo que se transmite. De qualquer forma, ela só tem cinco anos. Não é culpa sua. Eu não sei porque você vê isso como um problema, de qualquer forma.

– Porque eu não quero que ela passe pelo que eu passei – Will escondeu o rosto em uma das mãos.

Nico encarou o chão. Will suspirou.

– Vamos voltar para os papéis.

Notas finais
Gostaria de recomendar essa fic maravilhosa da My (meu presente de aniversário u.u) QUE É PERCY E WILL. ISSO AÍ. DLÇ http://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-os-herois-do-olimpo-e-o-sol-se-poe-ao-mar-3012426 Se eu esqueci de algo, me perdoem. É muita coisa na minha cabeça.