Soul Angel

8 Por quê isso é um novo começo


Notas iniciais
Boa leitura!

Capítulo 8 — Por quê isso é um novo começo.

A incrível dor de cabeça foi a primeira coisa que Nico sentiu. Suas têmporas latejavam tão forte que parecia que seu cérebro tinha virado mingau. Então pouco a pouco, ele foi enxergando a claridade que perpassava suas pálpebras. Estava tudo muito quieto. O garoto tentou então especular onde estava. Parecia estar deitado em uma cama, coberto por um grosso edredom. Ele abriu os olhos devagar.

– Oi — ele lhe sussurrou.

– Oi — Nico sussurrou de volta a Percy, que estava sentado em uma cadeira ao lado da cama — Onde eu estou? O que aconteceu?

– Você desmaiou. Depois de quase matar o Chrís — falou Percy sério — Eu nunca tinha visto você fazer isso com as sombras. Não sabia o quanto seu poder tinha crescido.

– Eu também não — comentou Nico culpado em voz baixa — Eu acho que... Perdi o controle.

Percy afagou seu cabelo. Nico sentiu o coração acelerar.

– Você deve estar tão confuso. Eu sei. Eu também estava quando tinha sua idade. Todo o poder vindo... E você não sabe como controlar. A raiva... tirando toda a sua razão — Percy apertou os olhos.

Nico engoliu em seco. Estavam na tenda de Will, mas parecia estar de noite. A luz forte que Nico tinha visto era de um lampião no bidê ao lado de seu catre.

– Onde o Will está?

– Ali — Percy apontou para o outro lado da cama.

Nico se virou e viu que Will estava jogado em um banquinho, dormindo de boca aberta em uma posição precária.

– Ele se importa muito com você. Deu um chilique quando tiramos você da água. Algo sobre gripe e parasitas. Ele ficou o tempo todo aqui. Bem, não o tempo todo. A gente se revezou para ir no banheiro e comer — comentou Percy estudando Will com os olhos.

– Vocês? Vocês dois? Juntos? — Nico perguntou surpreso.

– É.. — comentou Percy pouco a vontade — Ele me salvou. Não posso dizer que ele não seja uma boa pessoa. Mas eu não esqueci o que ele fez no meu rosto — Percy apontou para a queimadura com uma careta — Mas quando você estava ali, fazendo aquela fumaça negra girar, parece que tudo aumentou. O escuro, as sombras... e o buraco que você tinha prendido a minha perna.

– Desculpe — Nico falou, realmente arrependido. Se Will não o tivesse salvado, Percy poderia ficar perdido para sempre nas sombras.

– Não se desculpe — Percy sussurrou — Solace me segurou para que eu não caísse, mas você estava completamente fora de si. Então eu joguei você no córrego outra vez. Pareceu adiantar.

– Eu... Eu não sei o que deu em mim Percy. Não era isso que eu queria fazer, eu juro — Nico sussurrou rapidamente para ele.

– Eu tenho certeza que não — Percy lhe olhou nos olhos — Eu confio em você. Mas lembra quando eu te contei que... Bem... você sabe — Percy desviou os olhos — Você puxou aqueles esqueletos do chão sem nem saber o que estava fazendo. Cada semideus tem seu defeito fatal Nico. E se o seu for o ódio?

Nico pensou sobre isso. E se o ódio o fizesse mais forte? Mas ao mesmo tempo, fosse a causa de sua ruína? Ou pior. Da ruína de outra pessoa? O garoto fechou os olhos, a cabeça ameaçando explodir.

– Eu realmente não queria incomodar você com isso agora Nico — comentou Percy — Will queria esperar você sair daí pra contar. Aliás, ele me ameaçou com um troço verde em um pote, dizendo que ia por no meu almoço... Mas acho que você tem que saber. Quíron disse que seu não disséssemos a você, ele mesmo diria.

– O quê foi? — Nico abriu os olhos preocupado.

Percy engoliu em seco e o encarou:

– Ele disse que você vai ter aprender a controlar a sua raiva, ou ir embora. Atacar outro campista desse jeito é completamente contra as regras — Percy baixou a cabeça — Eu sinto muito.

– Não, tudo bem — falou Nico, sentindo que começava a tremer de raiva outra vez — Se é isso que ele quer. Eu vou ir embora.

Percy enfiou o rosto nas mãos cansado.

– Você não pode fazer isso. Foi só um aviso.

– Eu não suporto esse lugar! Eu não suporto essas pessoas! A única pessoa aqui que já se importou se eu ficava ou ia embora foi o Will! — e pensou mais um pouco — E o Jason.

Percy tirou o rosto das mãos e lhe encarou.

– Isso não é verdade.

– Há — Nico riu amargurado — Quem mais? Quem mais se importa?

– Eu me importo — disse Percy.

Nico sentiu mais raiva ainda dele.

– Pare de dizer isso! Pare está bem! — ele se sentou na cama — Porque você fica me cercando? Você acha que eu não sei o que você vai dizer?

– É óbvio que você não sabe — falou Percy agitado.

– Pois então me diga, me faça passar essa humilhação de uma vez por todas, se for para você me deixar em paz!

Percy olhou para o próprio colo, torcendo as mãos.

– Que engraçado. Tantas vezes eu tentei falar com você e agora eu não sei o que dizer — então levantou os olhos e lhe encarou — Não sou bom com palavras. Mas vou tentar. Eu gosto de você.

Nico pestanejou apavorado. Não conseguia se mexer. Talvez estivesse tendo um infarto.

– O... O quê? — Ele sussurrou muito baixo — Como... Como um irmão você quer dizer.

– Não — disse Percy olhando para as próprias mãos.

Nico ficou quieto por um momento.

– Não fale isso para me deixar melhor. Você ama Annabeth. Foram feitos um para o outro.

– Eu não vou discordar de você — disse Percy, ainda sem olhá-lo — Eu amo Annabeth. Isso é que é mais estranho. Porque eu também gosto de você.

Nico queria chorar. Chorar de raiva e de desolação. Ele tinha conseguido, estava feliz com Will. Porque Percy tinha que atiçar o passado? Mas ele não iria chorar na frente do garoto. Levantou a mão e lhe mostrou. Percy a encarou.

– Vocês estão juntos então? — falou Percy com uma voz amuada, olhando para o anel.

Nico assentiu, se recusando a olhá-lo outra vez — Eu acho que devia saber.

– Eu não sei porque você achou que me contar isso seria uma boa ideia. Você tem Annabeth. Eu tenho Will. Isso nunca vai dar certo. Nunca vai acontecer. Foi só uma fantasia de criança.

Percy enfiou de novo o rosto nas mãos.

– Não. Não foi não. Foi uma possibilidade. Eu só lamento não ter visto... antes. Talvez tivesse sido diferente.

– Por favor. Por favor Percy. Vá embora.

Percy assentiu e levantou.

– Me desculpe por ser tão imbecil esses dias. Eu só... Eu só não podia ver vocês juntos estando tão confuso — Percy parou na saída da tenda — Pense no que eu disse.

Nico então fechou os olhos, deixando as lágrimas silenciosas escorrerem pelo seu rosto.

...

Quando Nico acordou novamente, estava de dia. A primeira coisa que viu quando abriu os olhos foi o sorriso de Will a centímetros do próprio rosto.

– Bom dia!

Nico afastou seu rosto com a mão.

– Dia.

Will se pôs de pé e foi até o armário.

– Você não pode imaginar o quanto me deixou preocupado! — disse ele pegando frascos de remédios no armário — Sério, eu estive lendo na bula das vitaminas que eu te dei, e adivinha! Um monte de efeitos colaterais! Então eu não sabia se você estava delirando ou era efeito — disse ele sentando ao seu lado e abrindo um frasco.

– Como assim?

– Ah, você ficou falando umas coisas estranhas. Não era uma língua que eu conhecesse.

Nico ficou aliviado por Will não entender nada. Ele tivera os mesmos pesadelos de sempre enquanto dormia.

– Você fica adorável falando outra língua — ele lhe sorriu, estendendo uma mão com comprimidos.

Nico os pegou e colocou na boca, então Will lhe ofereceu um copo com água.

– Percy esteve aqui não esteve?

O sorriso de Will afrouxou um pouco.

– Sim, na verdade, ele ficou aqui quase o tempo todo. Eu disse a ele que podia ir embora, mas ele não me ouviu. Como você sabe que ele estava aqui?

– Eu acordei no meio da noite e vi vocês dormindo — Nico mentiu.

– Ah — Will pareceu surpreso — Eu achei estranho, ele foi embora sem dizer nada, simplesmente sumiu.

– Vai ver ele tinha algo pra fazer — comentou Nico, desviando o olhar.

Will ficou em silêncio por um tempo.

– Bom. Nós podemos ir almoçar juntos, o que você acha?

– Will. Eu não vou ficar. Eu vou ir embora.

O garoto pareceu aturdido.

– Perdão?

– Não posso ficar aqui depois do que aconteceu. Depois do que Quíron disse.

Will levantou as sobrancelhas,

– Percy não estava dormindo, estava?

Nico ficou em silêncio.

– Você não precisa ir. Foi só um aviso.

– Eu não quero ficar Will. Meu lugar não é aqui. Nunca vai ser. Eu fui burro por fingir que poderia ser. Eu não sou como os outros. Eu não sou como você. Eles sempre vão ter medo de mim, e com razão.

– O que o Percy disse a você? — Will perguntou lhe encarando.

– Isso, que Quíron...

– Não — cortou Will -Não sobre esse assunto.

– Eu estou dizendo que vou embora e você com ciúmes? — perguntou Nico indignado.

Will desviou os olhos. Parecia chateado.

– Olha, não importa o que ele me disse. Eu disse a ele que estávamos juntos.

– Você disse isso? — Will levantou a cabeça para olhá-lo surpreso.

– Sim — Nico pegou sua mão.

Eles ficaram e silêncio por um momento.

– Você não ficou com medo de mim?

Will hesitou.

– Não. Ele provocou você.

Mas a dúvida na voz de Will era claramente visível.

– Você tem medo de mim — Nico afirmou.

– Eu não tenho medo de você! — Will falou indignado.

Will passou os braços a sua volta.

– Não fale mais disso. Passou. Não vai se repetir — falou Will inseguro.

Nico o abraçou de volta, mas não falou nada. Ele não tinha tanta certeza.

– Bem... Eu vou arrumar as malas. Eu volto pra te ver no verão.

Will o largou e o olhou como se fosse lhe dar um tapa.

– Como assim? Eu vou com você sua anta!

Nico arqueou as sobrancelhas.

– Você vai?

– Eu vou aonde você for garoto. Estamos juntos nessa, se lembra? — Will levantou a mão com o anel sorrindo.

Nico olhou para baixo.

– Você abriria mão da vida que tem aqui por mim?

– Sim — Will sorriu — Eu abriria mão da minha vida por você.

E Nico sentiu seu coração gelar.

Nunca mais diga isso.

Will se surpreendeu.

– Me desculpe. Eu não queria... Eu não queria falar nada de errado.

– Vem aqui — Nico abriu um espaço no catre para Will.

Will se sentou a seu lado e passou os braços em torno dele.

– Pra onde nós vamos? — perguntou Nico.

– Seguimos com o plano — Will beijou o topo de sua cabeça — Vamos visitar meu padrasto e depois partimos para Nova Roma.

Nico assentiu.

– Jason vai querer me matar.

– Nico... Deixe eu te perguntar. Você está indo embora pelo que Quíron disse? Ou é por causa do Percy?

O garoto refletiu.

– Eu estou indo porque não me sinto bem aqui.

– Isso já explica sua resposta — Will suspirou.

...

Talvez não tenha sido a melhor despedida. Mas no dia seguinte, Nico, já de malas feitas, encontrou a oportunidade perfeita para dizer adeus sem que Jason percebesse na hora. Afinal, a distração lhe fora muito oportuna. Leo voltara. Por isso Jason não o tinha ido visitar na tenda. Ele estava com Piper ao lado de Léo, que por sua vez estava do lado de uma outra moça que segurava sua mão. Ele explicara como tinha conseguido sobreviver, e como tinha resgatado Calypso de sua ilha, e que agora, ambos estavam juntos.

Nico lhe cumprimentou. Estava realmente feliz que tivesse errado quanto a Leo ter morrido. E entendia bem o porque errara. Leo morrera sim. Mas então voltara a vida. Muitas pessoas comemoravam seu retorno milagroso, e foi nesse alvoroço que Nico puxou Jason para perto dele e de Will.

– Jason, eu e Will estamos saindo numa missão.

Jason olhou meio confuso, prestando atenção tanto no alvoroço quanto nele.

– Que estranho, Quíron lhe deu uma missão depois da guerra acabar?

– Sim — falou ele com a voz rígida — Mas é coisa pouca.

– Se me der um momento eu vou com você — ele sorriu.

– Não precisa — Nico sorriu de volta — Will está indo comigo.

Nico respirou fundo.

– Mas caso eu não volte, queria que soubesse que é uma honra ser seu amigo.

– Porque está falando assim, nada vai acontecer com você — Jason arqueou as sobrancelhas por trás dos óculos.

– Nunca se sabe. Ainda mais com a minha sorte — Nico sorriu — Mas se acontecer, eu nunca fui muito bom com despedidas.

– Nossa Nico, sério cara, pare de ser tão pessimista — Jason o abraçou — Estarei esperando você voltar.

Nico retribuiu o abraço.

– Diga a Quíron que fiz o que ele queria.

Jason assentiu sorrindo.

– Pode deixar que eu digo.

– Adeus Jason.

Então virou as costas e andou até Will. Jason acenou para Will, que lhe retribuiu com um sorriso falho. Então eles voltaram pela estrada até os limites do acampamento, onde tinham deixado suas mochilas. Só então ele notou que Will estava chorando.

– Você sabe que não precisa vir comigo — Nico passou a mão pela sua cintura.

– Não é isso — Will limpou uma lágrima — Eu só vou sentir falta. E acho que você também vai sentir falta. Aliás, eu já me despedi dos meus irmãos.

Will o fez parar nos limites. Então ambos pegaram as mochilas do chão.

– Você tem certeza... Que não quer dizer adeus para ele?

– Tenho — disse Nico confiante — É melhor assim.

Principalmente, porque Nico tinha a impressão que veria Percy de novo. Will assentiu, então Nico segurou sua mão, e ambos saíram juntos do acampamento meio sangue.

...

Depois de três dias de viagens em ônibus, Nico estava exausto. brincava com a tampa da sua água mineral, atirado na cadeira. Ele dividia um fone de ouvido com Will, que tinha um Ipod recheado de músicas boas. Will estava vestindo roupas diferentes das que usava no acampamento. Estava com uma calça jeans azul e uma blusa vermelha que dizia: "Here comes the sun". Mas por algum motivo, Nico tinha visto que ele guardara a blusa do acampamento no fundo de sua mochila quando foi pegar algo para comer.

– O que o seu padrasto vai dizer? — perguntou Nico.

Will estourou uma bola de chiclete.

– Provavelmente vai ficar muito feliz de me ver.

– É... mas o que você vai falar... Sobre mim?

– Que você é meu namorado, o que você esperava que eu falasse?

Nico corou um pouco com o pensamento.

– Ele... Ele vai ficar ok com isso?

– Claro — Will estourou outra bola, passando os álbuns distraído no seu ipod.

Nico segurou sua mão. Will sorriu e lhe apertou suavemente.

– Não se preocupe. Ele é legal.

– E a sua mãe? — perguntou Nico.

– Ela morreu há muito tempo — comentou Will, o olhar meio distante.

– Eu sinto muito... Não queria ter...

– Não se desculpe. Foi há uns quatro anos já. Quando eu entrei no acampamento. Meu padrasto não estava em casa... Ela tentou me proteger, tinha... bem, tinha uma Dracaenae atrás da gente. Se fosse hoje em dia eu poderia protegê-la... Mas eu não conseguia... Eu não consegui. Estávamos tão perto.

Will limpou uma lágrima silenciosa.

– Sinto falta dela todo dia. Ela era uma boa mãe. Uma pessoa maravilhosa — e então olhou para Nico — Mas você sabe do que estou falando. Você também perdeu sua mãe.

Nico desviou os olhos do olhar de dor que Will lhe deu. Ele sentia como se fosse culpa dele. Seu pai era a morte.

– Eu era muito novo. Mal me lembro dela.

– Eu sinto muito — Will apertou sua mão mais forte — Ela teria muito orgulho de você.

Nico deu uma risadinha amargurada.

– Com certeza.

– Eu teria. Eu tenho.

– Obrigada.

Depois de vinte minutos em silêncio, Will desligou o ipod e tirou puxou o fone de seu ouvido.

– Pegue a sua mochila, estamos chegando.

O prédio era simples, paredes de tijolos vermelhos, mas bem conservado. Não era muito alto também. Devia ter cinco andares. Will sorriu pra ele.

– Bem. Chegamos.

Nico engoliu em seco.

– Acho que não estou preparado para isso.

– Ei, eu conheci o seu pai! — Will respondeu indignado — E ele era Hades! Sabe, não foi uma experiência muito tranquila pra mim.

– É... Mas acho que Apolo ia ser mais fácil de lidar — comentou Nico baixinho.

– Anda, vamos entrar — disse Will — Pega a chave na minha mochila.

Will se virou e Nico abriu sua mochila, catando a chave ali dentro.

– Pegou? — perguntou Will — Está demorando.

– Se você parasse de se mexer ia ser bem mais fácil. Achei.

Nico fechou a mochila e lhe entregou a chave. Will sorriu e lhe ofereceu a mão. Nico a pegou nervoso.

– Tudo bem, vamos acabar com isso.

Eles subiram até o quinto andar pelas escadas, então pararam na frente do número 10.

Will enfiou a chave na fechadura e a girou. Então lhe sussurrou:

– Não tem problema. Eu estou aqui com você.

Nico assentiu e lhe sorriu.

Então Will abriu a porta e ambos entraram.

– Pai! Pai? Onde você está? Eu cheguei!

A sala não era das maiores, mas era limpo e aconchegante. Tinha um sofá vermelho com uma mesa de centro, e uma TV de tela plana com uma listra preta no meio da imagem. Uma varanda com uma janela grande de correr ficava atrás do sofá, e havia um corredor pequeno em cada ponta da sala. O corredor da direita dava em três portas. O da esquerda devia ser a cozinha, pois um cheiro de ovo frito saia dali.

– Pai! — Will gritou de novo — Pai, você está em casa?

Então um homem gordinho de meia idade entrou na sala com uma frigideira na mão, e mesmo sabendo que ele não era realmente o pai de Will, isso ficou completamente claro. Porque eles eram tão diferentes quanto Hefesto e Afrodite. O homem deu um sorriso de orelha a orelha e se adiantou para abraçar Will, quase derrubando Nico com a sua pança.

– Filho! Você devia ter me avisado que vinha, seu danado! Eu teria feito mais tacos! Como você está? Meu Deus, olhe só para você! Cresceu tanto! — disse o homem sorrindo.

– Era para ser uma surpresa — Will lhe sorriu — E você sabe... Celulares não são uma boa ideia.

– Há, meu bolso agradece que não sejam — O homem riu tão alto que Nico sentiu vontade de cobrir os ouvidos.

Will então puxou Nico de volta a seu lado.

– Ah, pai, eu queria te apresentar o Nico.

Então o padrasto de Will pareceu finalmente se dar conta de que Nico estava ali.

– Mas heim, que garoto miudinho, quase não vi você aí filho! — e o homem se apressou para abraçá-lo também

Nico sentiu alguns ossos estalando pela força do homem.

– Meu nome é Harvey Johnson. É um prazer conhecer você filho. Ele é que nem você? — perguntou o Sr. Johnson para Will.

– Sim — Will riu — Nico é filho de Hades.

– Uou! — disse o Sr. Johnson surpreso — Uou! Nossa, que legal! E o que você sabe fazer filho?

Nico pensou um pouco. Ainda estava muito encabulado, principalmente porque não esperava que o homem fosse ainda mais extrovertido do que Will.

– Hã... Eu... Eu sei fazer esqueletos saírem do chão. E posso entrar nas sombras.

– Uou! — repetiu o Sr. Johnson segurando a barriga — Isso é muito legal, vai ter que me mostrar dia desses. Eu sei fazer coisas legais também. Faço os melhores Tacos do mundo!

– Pai, Nico é meu namorado — Will falou para o pai.

Por um momento Sr. Johnson parou de rir. Então ficou sério, e encarou Nico de cima a baixo. Quando Nico achava que o padrasto de Will ia começar a gritar com ele, o homem explodiu em uma gargalhada.

– É uma honra dupla garoto! — disse ele apertando a mão de Nico — Meus parabéns filho! Vamos precisar de mais Tacos! — bradou ele sorrindo e erguendo a frigideira, fazendo um pouco de óleo cair no chão — Ih, lá se vai tapete. Entrem! Estão com fome?

Nico respirou aliviado. Will lhe deu um sorriso que lhe deixou claro que o garoto estava se divertindo muito com o nervosismo de Nico. Ambos o seguiram para a cozinha apertada, onde o pai de Will pegava mais ovos na geladeira.

– A quanto tempo estão juntos querido? — perguntou o Sr. Johnson quebrando os ovos.

– Não muito, o quê... Não faz um mês, não é Nico? — perguntou Will pondo a mochila no chão.

– Há, já é um milagre — comentou ele puxando a blusa branca para cobrir a barriga — Ah, perdão querido. Eu falo demais.

– É diferente dessa vez pai — Will revirou os olhos — Olha.

E então estendeu a mão na sua frente para mostrar o anel.

O Sr. Johnson deu uma risada alta outra vez.

– Fico feliz de ver que você encontrou alguém querido. Muito feliz mesmo. Só precisamos engordar ele um pouco, está muito magro, não está filho? — disse ele se dirigindo a Nico.

– Pai, não o constranja. Ele é tímido.

– Eu não sou tímido — Nico falou ofendido.

– Viu só? O garoto fala por si mesmo! — o pai rebateu para Will, colocando os ovos fritos em um prato.

Will revirou os olhos.

– Estava pensando se podemos ficar aqui por algum tempo.

– Mas é claro meu querido! Mi casa és tu casa! — disse o homem pegando um avental escrito: "Beije o cozinheiro".

– Podemos deixar nossas coisas no meu quarto? — perguntou Will pegando a mochila no chão.

– Se você me fizer uma pergunta idiota dessa mais uma vez eu vou por pimenta no seu taco querido. Já lhe disse, não precisa perguntar.

Então Will fez um sinal para que Nico o seguisse.

Will Se encaminhou para a terceira porta do corredor a abriu, deixando espaço para Nico passar. O quarto de Will era bonito.

Era aconchegante e bem pequeno. Tinha um armário de madeira rústica encostado na parede, e uma cama de casal com dois bidês entre o armário a janela grande com as cortinas entreabertas, por onde o sol passava preguiçosamente. Uma escrivaninha apertada no canto do quarto estava abarrotada de gibis, as prateleiras eram lotadas de livro e de figuras de ação de super-heróis. Mas não foi isso que lhe chamou a atenção. Foi a parede coberta de desenhos.

– Você que fez isso? — perguntou Nico impressionado.

– Sim — disse Will largando a mochila em cima da cama — Eu gosto de desenhar.

Nico soltou um assovio. Era realmente impressionante. A maioria sobre anatomia, mas havia outros bem coloridos com temas naturais, como o pôr-do-sol.

– Onde eu vou ficar?

– Aqui seu bobo. Aqui comigo — Will lhe abraçou, escondendo a cabeça em seu pescoço.

– Seu padrasto não vai se importar?

– Você viu bem como ele é. Acho que ele vai se importar mais de você falar que ele é meu padrasto do que com isso. É só não fazer muito barulho — ele sussurrou no ouvido de Nico — Agora não vou mais precisar pular a janela.

Nico se virou para ele.

– Eu não quero acreditar que tudo esteja tão perfeito. Nunca esteve antes. Ainda estou esperando puxarem o meu tapete.

Will levantou seu queixo com o indicador.

– Acredite. Não vai ser como antes, Por que isso é um novo começo.

Notas finais
Gente, tem mais de 150 pessoas acompanhando essa fic e eu só conheço uns vinte. Vou me apresentar se isso deixar vocês mais a vontade para vir conversar comigo. Oi. Eu sou a Bruna. Eu gosto muito de Solangelo, e vocês?