Notas iniciais
Bom dia (AVALANCHE DE PEDRAS) Sim. Bom dia. Porquê? É uma da manhã. Eu quero que o dia de vocês seja ótimo por inteiro. Enfim. Eu sou uma vaca, eu sei. Demorou, eu sei. PORQUE TIA BRUNA? Bem crianças, porque eu estou chegando numa parte bem... complicado da história. Eu estou tendo muito cuidado, porque tudo tem que estar no seu lugar. Cada pontinho é crucial para a trama dar certo. Não pretendo demorar tanto. Eu também ainda não consegui responder meus 55 comentários novos :v hahaha mas estou fazendo isso. Porque a demora? Mil tretas e problemas pessoais. Vocês sabem que eu sempre respondo né? Então esperar um pouquinho dá, certo? Valeus S2 Boa leitura seus bundudos S2

Capítulo 25 — Athos

Por mais que a noite anterior tenha sido completamente normal, foi uma das melhores de Nico até o momento. Pois ele pode gastá-la toda com Will. Mesmo que fosse só para observar seu rosto compenetrado estudando papéis e mais papéis sem conta. De vez em quando ele se perdia em seu rosto distraído, esquecendo de sua tarefa. A saudade que ele sentia de Will só não era maior que o amor que ele sentia crescer pelo garoto mais uma vez. Só de vê-lo. Só de ouvi-lo.

Mas Nico não falou nada. Apenas continuou com seu trabalho. Will o colocaria para fora se ele falasse. E por mais que Nico adorasse tocar em seu rosto outra vez, pra ele bastava ficar observando-o. Quando chegou no próprio apartamento, tarde da noite, esperava poder se jogar em sua cama e sonhar com ele. Mas não foi isso que ele encontrou. Prisma estava sentado no sofá, parecendo nervoso. As asas projetando-se das costas, tensas. O irmão ergueu a cabeça para ele alarmado, assim que Nico abriu a porta.

– Nico! — ele se levantou — Que bom que você chegou. Eu tentei impedir que ele entrasse, mas você sabe como é. Ele não bateu na porta nem nada.

– Quem? — perguntou Nico com um sorriso bobo no rosto, lembrando do quanto Will ficaram sem graça em se despedir dele. Por um momento, parecera que ele lhe daria um beijo no rosto.

– Hã — Prisma coçou a cabeça cheia de cabelos negros e escorridos — Athos.

Nico saiu de seu transe no mesmo instante.

– O quê? Como assim?

– Ele simplesmente apareceu aí! — repetiu o garoto encarando a porta do quarto hesitante — Eu disse que você não estava. Mas ele disse que ia esperar aqui.

– Você devia ter mandado ele pro tártaro! — Nico esbravejou.

Prisma semicerrou os olhos e apontou um dedo no peito de Nico.

– Tenho cara de moça de recados? Esse é a sua profissão. Seus casos, seus problemas. Além do mais, Reyna está me esperando para ajudar.

– Isso, vai lá ajudar a dar banho nos cachorros dela! — Nico berrou pra ele enquanto o garoto fazia as asas reentrarem nas costas, indo até a porta.

– Já estou indo — comentou ele saindo — Diferente de você, eu tenho mais o que fazer.

– Tem, aposto que vão passar a noite jogando xadrez — Nico berrou para o irmão que descia as escadas, e então fechou a porta com força.

Nico não estava realmente chateado nem nada com Prisma, porque na verdade, ambos sempre discutiam bastante. Com suspiro de frustração, Nico entrou em seu quarto.

Como esperado, Athos estava ali. O deus estava estirado em sua cama, trocando os canais da televisão com o controle remoto. O cigarro em seus lábios projetava fumaça por todo o quarto. Athos sorriu ao vê-lo, os olhos verde ácido apertados por trás das pestanas com os abundantes cílios negros. Passou uma mão pelo lado da cabeça semi-raspada onde haviam cabelos, a outra convidando-o para se juntar à ele.

– Ei. Você não estava em casa. Espero que não se importe, eu preferi esperar aqui. Não é que eu não goste do seu irmão, mas Prisma parece não ir muito com a minha cara.

Nico se sentou na beirada da cama, torcendo as mãos. De certa forma, ele se arrependia de ter batido em Athos. Ele era só um garoto, paralisado mentalmente em seus dezesseis anos. A própria história de Athos lhe fazia ter pena do garoto.

– Vem cá — Nico convidou, estendendo um braço para ele.

O rosto de Athos se iluminou. O garoto engatinhou até a ponta da cama, onde Nico estava, e abraçou sua cintura. Talvez a pena que Nico sentisse se devesse a ele próprio se enxergar em Athos. Sua necessidade, obsessão e tristeza, todas na forma de paixão.

– Eu sabia que você ia me perdoar — falou ele aliviado, a voz abafada pela jaqueta de Nico.

– Me desculpe por bater em você. Isso foi muito errado da minha parte — Nico afagou seu braço.

– Tudo bem. Eu mereci — Athos concordou.

– Não, você não mereceu. Você não merece nada disso — Nico sorriu para ele com pena.

Athos pareceu não notar aquele sentimento ali, pois lhe sorriu ainda mais, fechando os olhos e chegando com os lábios perto de seu rosto. Nico desviou o rosto.

– Ei — Nico o segurou a uma distância curta — Eu não mudei de ideia Athos. Me desculpe.

O sorriso de Athos falhou um pouco. Só um pouco. O garoto tirou os cabelos negros dos olhos com a ponta dos dedos.

– Tudo bem. Você está aqui comigo. É o que importa. Quer um cigarro?

– Eu tenho os meus — Nico tirou a caixa do bolso.

– Eu trouxe outra coisa pra você, sei que você gosta — Athos disse mordendo o lábio inferior.

Então tirou um cigarro diferente do bolso. Enrolado manualmente. Nico fez que não com a cabeça.

– Eu não posso. Estou trabalhando agora. Não posso aparecer chapado amanhã — Nico pôs a mão sobre a de Athos.

Athos assentiu parecendo desapontado.

– Você está diferente.

– Eu só não quero...

– Não, tudo bem — Athos sorriu com dor — Você está feliz. Você está sorrindo.

Nico quase conseguiu ouvir o próprio coração partido rachar mais um pouco. Ele era um monstro, só podia ser. Como ele podia estar fazendo isso com Athos? O garoto lhe amava. E tudo que ele conseguia fazer era correr atrás dos próprios desejos. Correr atrás de alguém que não o queria mais. Alguém que ele também tinha destruído.

Abriu os braços para Athos novamente, e o garoto aninhou-se em seus braços. Nico afagou seus cabelos.

– Eu sinto muito pelo que fiz com você.

– Não sinta. Você é a melhor coisa na minha vida até agora — Athos falou com a voz quebrada em seu pescoço. Nico pode até sentir suas lágrimas contra sua pele — Eu fico feliz porque você está feliz. Eu só tenho tanta raiva do outro. Tanta raiva. Por te fazer sofrer. Quem recusaria você? Quem te deixaria mofando no inferno, sozinho?

Ambos ficaram em silêncio por um instante, e então Athos sussurrou em seu ouvido.

– Você pode deitar do meu lado e segurar minha mão, só por uns minutos, que nem nós fazíamos? — Athos perguntou, os braços apertando-o.

Nico riu.

– Você vai ficar de roupa?

– Se você quiser assim — o garoto riu em seu pescoço.

– Então está bem.

Nico tirou os sapatos, deitando ao lado de Athos. O garoto se aninhou em seu peito.

– Sabe, eu ainda não entendi direito o porque você desistiu da imortalidade — Athos falou baixinho — O que pode ser melhor do que ser jovem e bonito para sempre?

Nico encarou seus olhos. Um bom exemplo seria Athos. O garoto não nascera imortal. Tânatos se apaixonara por uma mortal, e Athos havia nascido. Um semideus comum. Mas o deus ceifeiro, que raramente se apaixonava, não poderia permitir levar a alma da própria esposa. E então, Tânatos pedira a imortalidade para ela, e esperaria Athos chegar a idade adulta para imortalizar o filho também.

Mas a mãe do garoto enlouquecera nos dezesseis anos seguintes. A cada dia que ele se levantava, tudo estava igual. Nada mudara. O marido estava igual, e do mesmo jeito estava ela. Tudo que lhe restava de mudança estava em seu filho. Que crescia. Que ainda possuía escolhas.

Então, em um surto de loucura, a mulher tentou afogar o filho em um lago, para que o pai não pudesse ter a chance de condena-lo a imortalidade. Tânatos não teve escolha. A mulher estava louca, e o filho estava morto. Ele tentou o melhor de suas opções. Pediu a Hades que trocasse a alma da esposa pela do filho. E assim foi feito. A mãe de Athos pode finalmente descansar em paz. Mas o filho jamais entenderia a verdade nas palavras da mãe. Nada mudaria para ele. Ele estaria eternamente condenado a existir, paralisado no tempo, vendo tudo seguir em frente ao seu redor. E já faziam trezentos anos.

Mas Nico não o usaria como exemplo. Seria cruel demais até para ele. E então lembrou de uma outra coisa.

– Você conhece Aurora? — perguntou Nico a Athos.

– Sim. Ela é uma das musas de Apolo. Ela aparece trazendo o nascer do sol, pouco a frente de seu carro.

– Bem, ela tinha um marido — Nico comentou — Eu não lembro o nome dele.

– E eu com isso? — perguntou o garoto.

– Shh — Nico continuou — Aurora não queria que o marido morresse. Então pediu a Zeus que o imortalizasse. E por anos, eles foram felizes. Mas então, seu marido começou a encontrar fios brancos em seus cabelos. Sua pele começou a enrugar. E um dia, ele acordou e descobriu que não podia mais andar.

– Zeus não tinha concedido a ele a imortalidade?

– Tinha — Nico assentiu — E esse foi o castigo dele. Viver pra sempre à beira da morte, sem morrer.

– Mas então porque ele ficou velho?

– Porque Aurora se esqueceu de pedir juventude eterna também — Nico completou, acariciando os cabelos do garoto — Coisas ruins acontecem com quem tenta vencer a morte. O preço pode ser eterno.

Athos riu, desprezando a história.

– E você acha que seu pai ia fazer o mesmo com você? E você ia ficar que nem o marido e Aurora, velho pra sempre?

– O marido dela não ficou velho pra sempre, Zeus acabou tendo pena dele e o transformou num grilo.

Athos revirou os olhos.

– Zeus, sempre tão bonzinho. Seu pai não faria isso com você.

– Não, meu pai ia me dar uma imortalidade descente — concordou Nico — Mas eu me sentiria como ele. Quando eu passei setenta anos no Cassino Lótus e voltei, eu já me sentia um velho. Mesmo sendo uma criança. Porque tudo à minha volta tinha mudado. Eu não poderia viver assim. Isso não é natural.

– Você está mentindo — Athos falou com a voz fria e enciumada — Você só não quer viver para sempre, porque o outro não viveria.

Athos se sentou na cama, e Nico pode ver lágrimas escorrendo silenciosamente de seus olhos verdes delineados em preto. Então o garoto voltou o rosto afundado em mágoa para ele.

– E seu fosse ele, Nico? E se fosse o filho de Apolo? Você o deixaria para ter o luxo de morrer?

Nico nunca havia pensado nisso. Mas a certeza lhe veio sem nem pensar. Se fosse Will o imortal, então Nico trocaria sua morte de bom grado para passar o resto de sua existência ao lado do garoto. Athos pareceu ler a resposta em seus olhos.

Seu rosto se encheu de mais dor e raiva. Nico tocou sua face com a ponta dos dedos.

– Me desculpe. Eu sei que você merece mais. Você se apaixonou por um monstro, querido.

Athos sorriu de canto, o rosto duro.

– Eu sei. Só que não é do monstro que eu estou com raiva.

Nico estremeceu. Ele não tinha medo de Athos. Mas naquele momento, ele teve. Ele temeu por Will. Por Sunny. Ele temeu quando Athos sorriu, como se tivesse tido uma ideia.

– Nunca poderia ser culpa sua. Você não pode me amar por causa dele — Athos falou como se tivesse acabado de decidir algo.

– Athos...? — Nico o chamou apavorado, afastando-o para mirar melhor sua expressão.

Athos colocou as mãos pálidas em seu rosto, o rosto alucinadamente esperançoso.

– É ele que está no nosso caminho meu amor. Mas eu não vou desistir de você. Eu sei o que eu tenho que fazer — um brilho louco apareceu em seu sorriso — Eu só tenho que tirá-lo do jogo.

Nico empurrou suas mãos, o coração batendo forte.

– Você não vai fazer mal nenhum ao Will!

Athos sorriu ainda mais.

– Então esse é o nome dele. Will.

Nico começou a tremer de raiva e medo. Não queria ferir Athos. Mas a vontade de proteger Will era maior que qualquer outra coisa no mundo.

– Você não vai machucar ele — Nico pegou sua garganta e a apertou — Está me ouvindo?

Athos gargalhou.

– Eu não tenho medo de você, meu amor. Eu já sei que você é um monstro. Talvez seja por isso que me apaixonei por você.

– Eu não quero machucar você. Mas eu vou fazer isso se você encostar um dedo nele — Nico apertou ainda mais sua garganta.

Os olhos de Athos desfocaram. O garoto arquejou:

– Eu vou fazer você me amar. Nem que seja a última coisa que faça.

E então desapareceu em névoa negra em seus dedos.

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– Sim Nico, eu já chequei, não tem mais jeito do seu ex entrar aqui! — Reyna ralhou para ele, e então voltou ao Walkie Talkie — Sim, por favor. É. O perímetro de materialização vai ser nos limites do acampamento, está bem?

Nico recomeçou a andar de um lado para o outro. Ele havia ido direto à Reyna quando Athos desaparecera. A garota estava até o momento (tarde da madrugada) se certificando que não haveria modo de um deus menor como Athos entrar dentro do acampamento.

Prisma estava sentado na mesa de jantar da garota, brincando com um saleiro. Nico não havia parado para pensar até agora, mas quando transpassara a porta da garota como se fosse fumaça, havia visto Prisma segurando sua mão, dizendo alguma coisa à garota. Por mais que se sentisse culpa por ter estragado seu momento, ele faria de novo se precisasse.

Reyna jogou o Walkie Talkie para Prisma e mirou Nico com uma careta.

– Mas você é um poço de problemas, heim?

– Não conte para o Will — Nico agarrou seus braços, quase a sacudindo — Por favor Reyna, você não pode contar pra ele.

– Eu não vou contar pra ninguém — Reyna o afastou com um safanão na mão — Agora, se você tiver mais ex por aí para fazer complô, a coisa vai ficar séria. Se ele é mesmo um deus menor, só vai poder entrar se for convocado. Ou se pedir com jeitinho — Reyna apontou para o Walkie Talkie.

Prisma levantou meio sem jeito. Nico e Reyna tinham praticamente a mesma altura, e ele era uns três dedos mais baixo que os dois.

– Eu vou ao banheiro — disse ele com um suspiro — Eu sabia que o Athos ia dar uma de louco varrido, ele sempre faz isso, mas quem é que me escuta?

Reyna se jogou em uma cadeira da mesa da cozinha, indicando a outra para Nico. O garoto se sentou a sua frente. Reyna apertava as têmporas parecendo cansada.

– Ei, desculpe — Nico colocou se esticou e afagou seu braço — Eu estou dando mais trabalho do que ajudo.

Reyna sorriu, erguendo a cabeça.

– Pare de besteiras. Eu resolveria qualquer problema para que você possa ficar aqui com a gente.

Nico sorriu de volta.

– Obrigada.

E então ouviram algo quebrar no banheiro.

– Prisma, você está bem? — Reyna gritou por cima do ombro.

– Sim — o garoto gritou de volta, parecendo nervoso — Eu só... Eu vou concertar!

Reyna sorriu de canto.

– Ele gosta bastante de você — Nico comentou.

Reyna deu de ombros.

– Eu também gosto bastante de vocês.

Nico sorriu de canto para ela.

– Você me entendeu.

Reyna suspirou.

– Sim, eu entendi. Ele é muito querido. Calmo, agradável. E deuses, tão perdido! Sei que vocês passaram a vida morando no mundo inferior, mas Prisma nem ao menos sabia que as plantas precisavam ser regadas — ela apontou para alguns vasos na sua janela — A confusão dele é adorável.

– É isso que vocês estão fazendo? Regando plantas? — Nico quase riu, mas sabia que Reyna deveria ter a mão pesada. E Nico não gostaria que ela fosse ao encontro de seu rosto.

Reyna lhe lançou um olhar de censura.

– Eu não tenho que...

– Claro — Nico a cortou — Prisma tem que ter mais atitude, de qualquer forma. Ele é muito caladão e tudo...

Reyna ergueu as sobrancelhas.

– Eu não trataria o seu irmão como um incapaz, como você está fazendo. Quando você chegou ele estava dizendo que gostava de mim.

– Sério? — Nico se surpreendeu — E o que você respondeu?

– Graças a você, nada.

Nico riu.

– O que você teria dito?

– Pra que ele desista — Reyna falou baixinho, olhando para o tapete.

Nico ficou em silêncio por um momento. Prisma ficaria muito infeliz quando soubesse.

– Então você não gosta dele? — perguntou Nico.

Reyna apertou os olhos com raiva.

– Eu não posso gostar dele Nico. Eu não posso me dar esse luxo. Você ouviu o meu destino. Eu não vou encontrar amor em nenhum semideus. Eu já me enganei demais, não quero me enganar outra vez. Prisma pode ser diferente por causa do sol, mas ele continua sendo só um semideus.

O coração de Nico deu uma volta. Ele tinha se esquecido disso. Reyna nunca daria uma chance a Prisma, pois ela achava que ele era um semideus. O problema era que Prisma não era.

– Mas Reyna, o Prisma...

– Eu juro que tentei consertar — Prisma falou nervoso, entrando na cozinha com metade da pia nas mãos.

Reyna boquiabriu-se.

– Como você conseguiu quebrar a pia, garoto?

Prisma corou, parecendo envergonhado.

– Desculpe. De verdade.

Nico tentou abafar uma risada. Prisma devia ter tentado botar as asas pra esticar. Mas devia ter calculado mal o espaço. Reyna se levantou e pegou a parte rachada da pia em suas mãos.

– Esqueça isso, eu peço pra concertarem amanhã — então Reyna olhou para Nico, fuzilando-o com os olhos — Mas por hora, nossa conversa está encerrada.

– Mas Reyna... — Prisma começou, colocando uma mão por cima da sua.

Reyna deu um passo para trás como se não tivesse se dado conta do contato.

– Eu estou cansada, e amanhã tenho muito trabalho. Tenho certeza que o Pretor Zhang pode ajudá-los em qualquer outro problema. Afinal, Hazel é a irmã de vocês. Agora, por favor, vou ter que pedir para vocês se retirarem, garotos.

Prisma pareceu ficar um pouco decepcionado.

– Claro. Está bem. Se é isso que você quer, então nós vamos — Prisma puxou Nico pela manga.

– Ei, o educado aqui é você, eu ainda tenho que conversar sobre... — Nico começou puxando o braço.

Mas Reyna começou a empurrá-los para a porta.

– Boa noite, foi ótimo ver vocês.

Então Nico sentiu uma porta bater em suas costas. Prisma lhe mirou com um olhar de traição.

– Você não podia ter escolhido uma noite melhor pra incomodar o Athos, não é mesmo? — ralhou ele andando a passos largos à sua frente.

Nico correu para acompanhá-lo.

– Ei, não é minha culpa! Ele enlouqueceu! Está sei lá, maluco de ciúmes! Eu até tentei ficar legal com ele, mas ele entendeu como se eu ainda gostasse dele, mas o Will estivesse atrapalhando.

– Nossa, impressionante! Agora, por causa disso eu vou ficar sem saber o que ela ia dizer! — Prisma lhe encarou enfurecido, então lhe deu um tapa no braço — Me dê um cigarro, que eu estou me controlando para não pular na sua cara.

– Como se você fosse conseguir algo — Nico revirou os olhos, tirando a carteira e o isqueiro do bolso para o irmão — Mas você não precisa esperar tanto para saber. Nós conversamos um pouco enquanto você se transformava em pombo no banheiro.

Prisma ascendeu a ponta do cigarro, segurando-o entre os dentes. Então lhe devolveu o isqueiro.

– O que ela lhe disse?

– Bem, eu meio que tinha esquecido — comentou Nico caminhando ao seu lado — Mas Reyna tem... Um tipo de profecia. Ela não pode ser feliz ao lado de um semideus.

Prisma parou de andar, boquiaberto.

– Como é que você só me diz isso agora?

– Você não faz ideia do quanto foi difícil pra mim voltar! Eu estava com a cabeça cheia! — Nico bufou para o irmão.

Prisma apertou a ponte do nariz fino, os olhos contraídos de descrença.

– Você é uma anta. É por isso que ela fica se desviando.

– Ou porque você tem cara de mulher — Nico opinou distraído.

Prisma tentou acertar sua cara com tapas, mas Nico estava muito acostumado a bloquear as agressões de Will.

– Ei, ei! De qualquer forma, é só você contar a ela a verdade! Amor eterno, viva! — Nico debochou.

– Você ficou louco? — Prisma se afastou, uma mecha do próprio cabelo dentro da boca — Ela nunca vai gostar de mim se souber que eu tenho asas!

– Suas asas são uma gracinha cara! — Nico sorriu de canto.

– Você está testando a minha paciência. E eu juro que vou arrancara a sua maldita...

– Ei, Prisma, Nico! — uma voz chamou na escadaria do prédio.

Ambos irmãos se viraram ao mesmo tempo. Will Solace vinha andando a passos largos pela neve, os braços cruzados no corpo, tentando se aquecer.

– Eu procurei por você na sua casa, mas você não estava lá — Will disse quando se aproximou.

– Oi Will — cumprimentou Prisma, ainda parecendo aborrecido — Eu vou ir subindo. Eu sei quando duas pessoas querem conversar sozinhas, diferente do meu irmão.

E entrou pisando forte no prédio. Will corou visivelmente com o que Prisma dissera.

– Ele não precisava ter ido embora — sussurrou ele mortificado.

– Esquece isso, ele só teve uma noite ruim — Nico olhou para o céu alaranjado, que indicava que o dia estava nascendo — O que você está fazendo acordado a essa hora?

– Desculpe incomodar você com isso — Will começou, olhando para o chão — Eu tentei ligar para o Jason, mas ele deve estar dormindo. Não é problema seu.

– Obrigada por me ter como segunda opção. Qual é o problema? — perguntou Nico enfiando as mãos nos bolsos para aquecê-las.

– Sunny está com febre — Will ergueu o rosto para ele, sacudindo alguns flocos de neve. Nico encarou seus olhos absurdamente claros. Pareciam feitos de vidro — Eu não tenho como deixar ela sozinha, meus remédios em gotas acabaram, eu preciso pegar mais no Hospital. Você pode ficar lá? Ela está dormindo.

Nico fez careta.

– Eu fico muito triste em saber que ela está doente Will, mas eu acho que não sou a pessoa mais indicada pra cuidar de uma criança. Quero dizer, e se ela precisar de alguma coisa? Eu não tenho a mínima ideia do que fazer!

– Ela está dormindo! — Will falou exaltado — Por favor! Eu não tenho mais pra quem ligar, pra falar a verdade, eu liguei até pro Percy! Mas ele não me atendeu!

– Ok. Agora você me ofendeu — Nico falou com honestidade.

– Ora! — Will tropeçou nas palavras — Percy... Percy tem uma filha, ele seria melhor que você...

– Uau. Os elogios só aumentam.

– Vêm cá! Você vai aceitar ou não? — perguntou Will com um pouco de medo na voz. Ele devia estar bem preocupado com a filha.

Nico suspirou.

– Está bem.

Will sorriu de orelha a orelha, o sorriso mais honesto que Nico o vira dar em toda a longa semana forçada com o garoto. Por um momento, Nico conseguiu ver a sobra de seu antigo namorado naquele sorriso. Feliz. Simpático. Cheio de vida. Nico havia perguntado a Jason o porque de Will ter mudado tanto sua personalidade. Jason apenas lhe respondera: "Alguma coisa quebrou nele naquela noite. Quando você e Will foram embora juntos, ele estava normal. Mas quando ele voltou sozinho, parece ter deixando a maior parte dele com você:.

Nico achou que não seria possível ter o mesmo Will de volta. O Will que ele abandonara naquele estacionamento dez anos atrás. Mas ali estava ele, correndo de costas em direção ao Hospital.

– Fico te devendo uma!

– Cuidado — Nico lhe respondeu subindo os degraus do edifício — Eu posso cobrar.

E para sua surpresa, Will sorriu mais ainda, virando de costas e começando a andar rápido pela neve. Talvez enfim, a conversa que os dois tiveram mais cedo adiantara. Nico podia nunca mais tê-lo de volta, mais ao menos, Will Solace o perdoara.

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A criança não estava dormindo. Will devia ter se certificado que ela estava. Mas quando Nico entrou no quarto da filha de Will, encontrou a garota sentada no berço, brincando com bloquinhos de montar. A garota ergueu os olhos verdes para ele quando a porta abriu.

– Onde... Onde você pegou isso? — Nico indicou os bloquinhos.

Sunny deu de ombros.

– Eu peguei.

Nico encarou a criança boquiaberto.

– Você consegue andar, pequeninha?

Sunny fez que sim com a cabeça. Nico se sentou num banquinho ao seu lado, encarando a casinha que a garota montava.

– Você não ficou com medo?

Sunny negou com outro aceno de cabeça.

– Papai não estava, eu peguei os bloquinhos! — ela apontou orgulhosa para os bloquinhos — Eu vou esperar o papai voltar.

Nico riu.

– Ah, entendi. Você é corajosa, heim?

– Ahã — Sunny assentiu, compenetrada com os bloquinhos.

Nico torceu as mãos. Não sabia o que fazer.

– Hã... Seu pai foi pegar uns remédios. Ele volta logo. Eu vou ficar aqui, tomando conta de você, se precisar de algo.

Sunny lhe encarou sorridente.

– Meu bico! Eu perdi meu bico!

– Ah — Nico se levantou e começou a procurar entre os lençóis, tomando cuidado com a casinha que a garota construíra — Que cor é o seu bico?

– Azul — Sunny começou a ajudá-lo a procurar — Azul, tem o super-homem na frente!

Mas não havia nada entre as cobertas do berço, nem em baixo do travesseiro. Sunny suspirou.

– Você não está meio velhinha pra chupar bico, não? — perguntou Nico olhando em baixo da cama — Quantos anos você tem, baixinha, cinco?

Sunny riu.

– Sim. Cinco! Meu aniversário foi bem legal — a garota o espiou — Você quer ir no meu próximo aniversário?

Nico resgatou o bico em baixo da cama, então se levantou e sorriu pra ela.

– Claro, vai ser bacana.

Então se lembrou que iria embora quando Prisma ficasse bom. Sunny o encarou.

– Você tem que lavar. É só um pouquinho, só pra mim dormir. Eu não me acalmo sem o meu bico. Os monstros no meu armário vão sair!

Nico acariciou seus cabelos loirinhos.

– Não tem monstro nenhum no seu armário. Mas se tiver, eu aposto que você dá uma surra neles.

Sunny sorriu, surpresa.

– Sim! Eu sou muito forte! O papai não acha, mas eu sou muito grande e forte!

– Vamos fazer um trato? — perguntou Nico largando o bico em cima do bidê — Se você dormir sem o bico eu te conto uma história.

Sunny bateu palminhas.

– Eu adoro historinhas!

– Temos um trato, baixinha? — perguntou Nico oferecendo-lhe a mão.

– Feito — a garota apertou sua mão — Mas primeiro eu quero leite com chocolate!

Nico semicerrou os olhos.

– Isso não estava no trato. Eu nem sei fazer isso.

– Você não sabe fazer leite com chocolate? — perguntou Sunny horrorizada — Sua mamãe não te ensinou?

Na verdade, a mãe de Nico só o ensinara a falar. Ele não lembrava muita coisas dela, mas a última vez que a vira tinha sido um momento difícil de sua vida. Apenas outro fantasma em sua vida.

Nico sorriu para ela.

– Não.

– Você não tem mais uma mamãe? — perguntou Sunny.

Nico fez que não. Sunny acariciou seu braço.

– Tudo bem. Eu também não. Eu nunca tive. O meu papai também não tem mais uma mamãe. Nem um papai.

O coração de Nico se apertou. Como aquela criança que mal tinha altura para fazer uma sombra podia ser tão inoportuna? Mas ele não ia ousar derramar uma lágrima na frente dela.

– Ok. Você sabe fazer leite com chocolate?

Sunny assentiu, e então lhe estendeu os bracinhos.

– Me dá colinho. Eu te ensino.

Nico encarou a criança hesitante. Nunca pegara uma criança no colo. Não sabia como fazer isso. Sunny bufou.

– O que você está esperando?

Então Nico estendeu os braços para a garotinha, segurando-a no braço esquerdo. Sunny passou um braço pelo seu pescoço, apontando para a porta.

– Primeiro, vamos para a cozinha. Tio Jason sempre faz usa o pote vermelho em baixo da pia, ali tem pó de chocolate. O leite está na geladeira, então você pega a colher e...

– Tio Jason? — perguntou Nico enquanto levava a garota até a cozinha.

– Ahã — Sunny assentiu — Tio Jason é meu padrinho. Eu não sei o que isso significa, mas é legal. Acho que é tipo uma fada madrinha.

Nico engoliu uma risada.

– Tenho certeza que sim — o garoto respondeu enquanto tirava o leite da geladeira.

– Você tem barba — observou Sunny passando as mãozinhas em seu rosto — Que legal! Quando eu crescer eu posso ter uma barba também?

Nico pensou em qual seria a resposta mais adequada para dar a ela enquanto fazia o leite com chocolate em um copinho azul com tampa. Então o colocou na mão da garota.

– Aqui, seu leite com chocolate. Não sei. Talvez. Se você não conseguir eu posso recortar uma de papel pra você.

Sunny pareceu empolgada.

– Posso pintar de amarelo pra combinar com o meu cabelo? — a garota passou os dedinhos pelo cabelos curto, que apontava para todas as direções.

– Claro — respondeu Nico indo para a sala com a garota no colo.

Então sentou-se no sofá, cruzando as pernas.

– Bem, qual história você gostaria de ouvir? Eu conheço algumas da branca de...

– Você pode me ler um dos gibis do papai? — perguntou Sunny com o copinho nas mãos.

– Eu realmente acho que eles não são para a sua idade.

– Então invente uma com piratas, aventura! — Sunny respondeu colocando o bico do copinho na boca.

Nico pensou um pouco, ajeitando a criança em seu colo.

– Está bem. Hã... Era uma vez um pirata, chamado...

Nico não reparou quando a cabeça de Sunny tombou sobre seu peito. Também não notou quando a sua própria caíra para o lado, adentrando a inconsciência. Só lembrava de um braço balançando-o de leve, e então a luz baixa da sala perpassou suas pestanas.

Will lhe encarou de um modo estranho.

– Ei. Eu cheguei. O que a Sunny está fazendo no seu colo, ela não estava dormindo.

Nico esfregou os olhos atordoado.

– Hã. Não, ela estava acordada quando eu cheguei.

– O quê é isso? — Will arqueou as sobrancelhas, juntando o copinho de Sunny, que virara sobre o sofá, deixando o resto do leite manchar o tecido.

– Ela pediu — Nico sentou-se melhor, ajeitando a criança adormecida nos braços — Então eu fiz.

– Cadê o bico dela? Ela não dorme sem o bico — Will lhe encarou confuso.

– Eu fiz um trato com ela. Eu contei uma história para ela, assim ela ia dormir sem bico.

Will sorriu, parecendo pasmo.

– Jura?

– Sim, porquê? — perguntou Nico.

– Eu... Eu não sou tão bom com histórias, eu canto pra ela dormir, mas ela sempre precisa do bico — ele largou o copo na mesinha de centro, e então virou-se para ele outra vez — Bem... Obrigada.

Nico levantou-se, e então passou cuidadosamente uma Sunny adormecida para os braços de Will. O contado lhe arrepiou os braços. Era triste. Naquele momento, ele lembrou-se do que poderia ter acontecido se ele nunca tivesse traído Will. Talvez ele também pudesse chamar Sunny de filha.

Will embalou Sunny nos braços, e deu um beijo no topo de sua cabeça. Então se encaminhou para a porta do quarto da filha. Nico entendeu que tinha sido dispensado. Andou até a porta e já estava saindo quando Will lhe chamou.

– Ei.

Nico se virou. Will ainda embalava Sunny, os olhos fixos nele.

– Você mentiu pra mim.

– Eu o quê? — Nico perguntou confuso.

– Você é ótimo com crianças — Will lhe sorriu um pouquinho.

Nico lhe devolveu um sorriso meio desconcertado.

– Obrigado, Will.

– Boa noite, Nico — Will manteve os olhos claros nos seus.

– Boa noite, Capitão.

Notas finais
Não me matem. Eu estou respondendo tudim agora mesmo S2 Só não ia deixar vcs sem capítulo enquanto isso.