Sou Meu Pior Pesadelo
15 Um bom show ...
[observação da autora: escutem essa música para acompanhar o capitulo daqui pra frente e por favor, ignorem o vídeo... http://www.youtube.com/watch?v=-ZZ_ULCZp4I ]
Nunca me senti tão bem.
De olhos fechados escuto o som interessante e reconfortante nos meus ouvidos.
Acho que não tinha coisa melhor que poderia pedir naquele momento.
— Como está se sentindo?
— Não parece obvio? – falo com serenidade – Estou muito bem...
— Parece realmente estar aproveitando o "show"...
Começo a abrir os olhos devagar e não vejo nada e ninguém a minha frente. – E que show mais vazio... – O belo som apenas continua e percebo que tem alguém atrás da poltrona em que estou sentada.
— É só uma questão de tempo para que os convidados aparecerem... – Duas mãos vermelhas envolvem a minha poltrona. – É uma pena que talvez você não esteja presente!
Ao ouvir isso, levanto-me bruscamente e fico olhando para a sala em minha frente.
— Uma pena mesmo. – respondo, sem nenhum medo na voz e com uma postura séria.
A pessoa atrás de mim parece um tanto surpresa com a minha reação. Até eu mesma me surpreendi com aquela minha postura. Me sentia uma figura de autoridade e importante de alguma maneira.
— Bom... – disse a pessoa já se “recuperando”, trazendo um tom de voz calmo demais para quem quer que fosse – Aproveite a melodia que está a sua volta. E sinta-se em casa... – a voz dissipa por um eco enorme na sala.
Acabo sendo curiosa demais para saber o dono da voz, mas infelizmente, quando me viro para que pudesse vê-lo cara a cara.
O sujeito desaparece.
Volto-me a sentar na cadeira e escuto cada timbre com certa paz.
Fecho os olhos, apoio meus cotovelos no braço da grande poltrona e batuco lentamente a unha do meu dedo anular ali mesmo.
A música é um tanto tranquila, misteriosa e aconchegante.
Mas não é só isso.
A cada segundo que passa, vejo — o que imagino que deveria ser imagens passadas — uma família feliz. Suponho que seja eu, meu pai e minha mãe antes dos meus pesadelos começarem.
O que fez a minha vida virar um completo inferno desde então.
Tenho certeza que se não fosse por isso, eu ser uma filhada amada e adorada.
Porém sou o total oposto: rejeitada e quase renegada.
Então a música vai se perdendo dentro da sala, mas continuo com as batidas dela na minha cabeça. Sem nem me importar ao que tinha em minha volta.
A música some por completo, mas continuo parada e sentada na poltrona, tranquila demais.
Sinto-me tonta por alguns longos segundos.
Quando abro os olhos, vejo Nightmare na minha barriga, ronronando e me olhando calmamente com seu grandes olhos.
A pata dele estava apoiada na minha blusa junto com algumas unhas fincadas ali.
Tento me sentar, mas fico em uma posição um tanto desconfortável — entre o deitar e o sentar aos mesmo tempo, com as costas e a cabeça na parede inclinadas para frente -, pego o gato do meu colo, afastando as garras para não puxar nenhum fio da minha blusa, com cuidado, deixo-o um pouco mais perto de mim.
Enquanto acaricio as costas dele, acabo pensando em várias coisas.
Principalmente na pessoa que estava me acompanhando.
E pela primeira vez.
Queria estar naquela sala escura e desconhecida que tanto me atormenta.
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