Sou Meu Pior Pesadelo

16 Nenhuma explicação lógica aparente ...


No dia seguinte. Juro que não senti necessidade alguma de ir à escola.

Porém, como sou obrigada a aprender tantas matérias na escola.

Eu tive que ir.

Quando cheguei, a porta da escola já estava aberta — e ainda era até muito cedo do meu horário "normal". Estranhei por um breve momento, mas entrei da mesma maneira.

Andando pelo corredor vazio, percebi que estava tudo quieto demais.

Destravo o cadeado do meu armário, e tiro alguns livros de lá. Olho mais uma vez em volta para conferir se Gerad já estava ali. Nada.

Decido ir direto para a sala da primeira aula.

Chegando lá sou tomada por uma surpresa.

Nicko já está ali. Sentado em uma cadeira e observando atentamente algumas palavras escritas na lousa negra.

Chego um pouco mais perto, para poder ler o que estava escrito.

"Hate me; Hahahaha; That's funny!; Just too fools; Impossible; Thanks for more fun; Fall is uncertain; It's all working alright; U R wrong; Mine; Not even close."

Fico olhando para a lousa. Depois para Nickolas e de novo a lousa.

— Foi você? – chego arrastando uma cadeira e me sentando um pouco distante dele.

— Claro! – ele debocha da minha cara. – Eu que escrevi e estou aqui sentado como um idiota tentando decifrar essa porcaria! – ele me olha sério, mas com um ar de preocupado. – Está tudo bem com você?

— Estou! – rebato, sem nenhum motivo. – E por que acha que não estou?

Ele me olha com surpresa e responde calmo, se virando para a lousa e cruzando os braços.

— Eu te liguei várias vezes depois daquele sonho estranho naquele lugar esquisito e todo cinza, aquela floresta ou sei lá o que era! – disse bem alto e em bom som, mas com a voz firme.

Fico nervosa com essa reação relaxada dele e grito:

— Mas é claro que eu estou bem idiota! Porque não estaria e... – Paro quando só então percebo que ele não estava comigo no outro sonho, dentro da sala.

Eu estava sozinha o tempo todo. E depois de eu ter sido puxada por aquela coisa estranha. Nicko já havia acordado.

Mas eu não!

A ausência dele não me fez diferença naquele lá...

Fico olhando de parede em parede, mas continuo um pouco irritada.

— Cora? – Nicko me chama e eu não respondo. Fico olhando para as palavras escritas de forma emburrada.

Nada fazia sentido!

Sinto minha cabeça doer. Apoio o cotovelo na mesa e seguro minha cabeça com uma das mãos, tentando pensar.

Porém não consigo. Como se tudo o que eu soubesse, tivesse sumido com o vento.

Me levanto da cadeira e tropeço no nada, caindo no chão. Nicko espantado pula para fora da própria cadeira e tenta me levantar com calma, um tanto cavalheiro demais.

— Acho que você não está bem! – ele sorri carinhoso e diz meio piadista.

Eu o olho com raiva e fico mais nervosa.

Aquele jeito tranquilo e de bem com tudo era demais para mim.

Quase insuportável.

Chuto o ar, tentando acerta-lo, mas a única coisa que eu consigo é ele me segurando em seus braços com mais força para não me deixar cair.

— Calminha aí Cora... – ele me olha meio apreensivo.

— Me solta! – grito e com toda a minha força, me jogo para o lado e saio de seus braços. E mesmo caída no chão, preferia que ele não me tocasse.

— Cora... – ele se agacha do meu lado e aproxima sua mão do meu rosto. Recuo, jogando meu corpo para trás, mas acabo batendo as costas em uma mesa. Quando olho novamente para ele, percebo que está totalmente sem reação.

“Isso! Não é certo... Ele está te incomodando! Ele deve sumir da sua vida pois ele que lhe incomoda e todas essas coisas que acontecem com você? Com toda a certeza é culpa dele! Não o deixe mais chegar perto de você minha querida!” uma voz sussurra para mim, como se fosse o meu anjo da guarda.

Mas tinha certeza que não era!

Sacudo a cabeça, tentando espantar essa voz da minha mente.

— Sai daqui! – grito fechando os olhos e colocando minhas mãos nos ouvidos, tampando-os. — Você que me traz problemas!

A voz que ecoa em minha mente acaba rindo da minha situação.

Esperneio e grito para que ela ficasse longe de mim.

Percebo que Nicko ficou perplexo, sinto suas mãos quase tocarem meu rosto, que viro bruscamente para o lado e me encolho mais.

Ele se recua de mim, se levanta e sai andando para fora da sala.

— Então. – diz ele parando antes de atingir o corredor. – Já que sou um problema na sua vida... – ele pausa e suspira. – Não precisa mais me olhar na cara. Posso continuar sendo o garoto novo que todos se importam comigo, em vez de ter gente que não quer a minha companhia nessa escola.

Logo após ele vai embora sem nem hesitar.

Tiro as mãos do ouvido e escuto seus passos ecoando pelo corredor.

— Não era só você o meu problema... – sussurro para mim mesma, com uma lágrima escorrendo pelo meu rosto.

Uma lágrima de raiva e medo ao mesmo tempo.

Depois de alguns minutos o sinal bate. Percebo a burrada que fiz, mas também percebo o quão bom — talvez — vai ser essa separação.

Já que cada um tinha sua vida mesmo antes de conhecer um ao outro.

Notas finais
Tradução das palavras: "Odeie-me; Hahaha; Isso é engraçado!; Tolos demais; Impossível; Obrigado pelo divertimento; A queda é incerta; Está tudo funcionando bem; Vocês estão errados; Meus; Nem mesmo perto."