Notas iniciais
Estou meio feliz e meio triste com vocês. Feliz porque da última vez que postei tinha 190 comentários, agora tem 220 (uou, se superaram). E triste porque sabe, eu tenho uma leitora em especial aqui, porque ela é além de fanática por essa fic ela é minha melhor amiga (te amo line). Ela é a que mais cobra capítulos e essa é a fic favorita dela e tal, e bem, como melhores amigas conversamos de outras coisas também. E esses dias estávamos conversando no whatsapp e entramos nesse assunto de fic, e ela logo me disse que andou lendo outras fics germangie por aí e disse que tipo praticamente todas copiavam a minha. Na cara dura. Eu fui procurar e ver se era verdade e bem, pior que é. Não é só uma fic, são várias, e vocês que escrevem não tem nem a cara de pau de tentar disfarçar. Eu to realmente MUITO magoada, cogitei ate parar de escrever porque eu faço o impossível pra pensar em uma história boa e aí depois vem a outra pessoa copiar e receber muito mais crédito que eu. Só não vou parar porque tem gente que ainda merece que eu poste. Obrigada por vocês que me fazem continuar. E pra vocês que copiam minhas ideias na maior cara de pau e vocês que veem as pessoas fazendo isso e ficam igual focas batendo palminhas: estou realmente chateada.

– Um restaurante típico da gastronomia espanhola — German apresentou o local, sorridente para as duas moças que ele acompanhava ao entrar. Violetta mordeu os lábios.

– Jura? Que saudade, eu amo a comida deste país — a menina se animou. Logo escolheu uma mesa redonda mais ao fundo do restaurante, perto de um palco onde uma banda desconhecida tocava.

– Parece uma delícia — Angeles sorria, olhando discretamente o prato de outros clientes já acomodados.

– Você vai gostar, Angie — German puxou a cadeira para que ela se sentasse e logo fez o mesmo com sua filha. Assim que ele também se sentou, um garçom aproximou-se com os cardápios em mãos, entregando um para cada pessoa na mesa.

– Boa noite! Façam sua escolha e logo virei para anotar o pedido — o garçom sorriu, simpático. — Já gostariam de pedir a bebida?

Angie estava gostando muito do sotaque que as pessoas tinham ao falar na Espanha. Nem parecia que falavam a mesma língua às vezes. Olhou o garçom, examinando-o brevemente. Bonito.

– Ahm.. eu vou querer um.. — a loira falou meio desconsertada, desviando o olhar.

– Champanhe. Champanhe para todos nós. — German respondeu, encarando Angeles de uma forma pouco amigável. A mulher olhou-o.

– Eu ia pedir suco de limão, mas tudo bem — ela deu de ombros.

– Hum, muito bem, vejo por aqui uma família de argentinos — o garçom respondeu divertido, depois de perceber que eles falavam diferente dele. — Vocês irão gostar muito de nossos pratos típicos.

– Muito obrigado. — German respondeu prontamente — Agora, se puder ir buscar o champanhe.. — tentou soar o máximo educado, mas ficou claro que queria que o homem se retirasse. O garçom apenas assentiu e se dirigiu para a cozinha. Angie fingiu não perceber.

– Não acredito que você vai me deixar tomar champanhe! — Violetta exclamou. — Essa é nova, comemoramos o quê?

O homem sorriu um tanto tímido — Nada, filha. Estou apenas reconhecendo que você já é maior de idade e pode beber comigo.

– Aham, tá bom, sei — a menina encarou o pai, como se suspeitasse de algo. A loira riu.

– É um dia muito especial. — ela interrompeu. Violetta olhou-a, curiosa.

– Vocês não vão me contar o que está acontecendo, não? — Vilu bufou, mas riu ao mesmo tempo.

– Logo — German baixou o olhar para o cardápio. — Acho que vou querer o famoso Cozido Andaluz.

– Ahm, certo — ela logo esqueceu o assunto anterior — podemos pedir de entrada o Pincho Moruno? — Violetta arregalou os olhos ao ver a foto dos espetos no cardápio. Amava aquilo.

– Vocês estão falando grego para mim — Angie sorriu torto. Ela não tinha morado na Espanha como eles, não conhecia nenhum prato.

– Vou te explicar — German deixou o cardápio na mesa — o Cozido Andaluz é a maior especialidade de Sevilla.

– Hm, rei dos clichês — a loira mordeu os lábios, sorrindo.

– Engraçadinha. É uma delícia, primeiro trazem um caldo de grão com legumes e depois uma carne deliciosa. — German concluiu, com água na boca ao pensar. — E o Pincho Moruno, que Violetta quer, são espetos de carne e frango em colorau.

– Ah.. — a mulher pensou por alguns segundos — Não sei, não quero caldo. Nem espeto. O que mais tem? — ela voltou a olhar para o cardápio.

– Acho que você iria gostar deste — German apontou para uma foto no cardápio. — Chama Carcamusas. É carne de porco com vários ingredientes misturados, como presunto, tomate, cebola, pimentão e estes outros que estão escritos aí, formando um molho maravilhoso. E vem acompanhado de batatas fritas.

– Ih, não sei por que mas acho que vou aceitar a sua recomendação — a mulher brincou ao ouvi-lo falar batatas fritas.

– Ou também tem vários pratos com peixe — Vilu comentou.

– Acho que prefiro esse aí que o German falou. — Angeles riu. — Vamos ver se podemos confiar nas indicações dele.

– Ótima ideia — a garota gargalhou.

– Posso lhe garantir que não irá se decepcionar, madame — German falou divertido, arrancando mais das risadas delas.

Em seguida, ele chamou o garçom e fez os pedidos. Os três conversaram sobre diversas coisas enquanto esperavam a comida vir.

– E como só estávamos nós por lá, começamos a morrer de medo dos caras que se aproximavam e saímos correndo pra fugir — Violetta ria — Sei lá, né, estávamos só entre garotas, vai que aqueles homens queriam abusar da gente — ela fez careta — Só que aí eles nos alcançaram. Quase fizemos xixi na calça de tanto medo, e no final das contas os homens eram na verdade os donos do museu, e queriam pedir pra gente sair porque eles já iriam fechar por hoje.

Angie e German se olharam e gargalharam — Só consigo imaginar vocês saindo correndo com medo de homens que só queriam realizar seu trabalho. — a loira ria e balançava a cabeça.

O garçom chegou e distribuiu os pratos e o champanhe sem interromper a conversa. Em seguida se retirou, para a satisfação de German.

– Mas ela fez o certo, tem que sair de perto quando vê alguém suspeito — o homem sorriu para a filha — Estou orgulhoso!

– Tem que sair de perto discretamente, né! — Angeles exclamou — Sair correndo dá na cara, e se o cara estiver armado ele te dá um tiro facinho.

– Que horror, gente — Vilu balançou a cabeça — Vamos falar de outra coisa. A comida chegou, vamos ver o que Angie acha, papai — ela mordeu os lábios.

– Hummm, vamos ver se eu posso confiar em vocês pra escolher pratos — a loira rapidamente entrou na onda e soltou um suspiro — O cheiro está ótimo.

– Experimente então — German mordeu os lábios, curioso pela reação dela. Angie sorriu e pegou o garfo. Espetou um pedaço de carne mergulhada no molho e levou à boca. Os dois a sua frente a encaravam, ansiosos. Ela mastigou brevemente e enfim sentiu a comida descer quente pela garganta. — E aí?

– Uou — a mulher soltou baixo — Isso é espetacular — falou rindo e obteve comemorações de German e Violetta. Todos eles riram.

– Viu? Eu sou o cara — o homem se orgulhou de si e pegou os talheres para começar a comer sua própria comida. A garota fez o mesmo. — Hmmm, isso está perfeito também — suspirou feliz — Quer experimentar?

– Ahm — Angeles encarou o prato dele — Pode ser — deu de ombros. German então pegou com a colher um pouquinho do caldo e levou à boca da mulher com cuidado para não derrubar. A loira fez careta por ter queimado um pouco a boca, mas sorriu ao sentir o gosto do caldo. — Realmente, eu adorei.

Violetta bateu palmas para chamar a atenção deles — Ok, todos felizes com a comida. Agora dá pra falar por que hoje é uma noite tão especial?!

Os dois adultos se entreolharam.

– Fala você. — disseram ao mesmo tempo. German fez cara de cachorrinho pidão e Angie cedeu, rolando os olhos. — Bem, Vilu... — ela continuou, buscando as palavras certas — Acho que seu pai nunca te falou sobre isso quando você era criança, pois é difícil para uma pessoa pequena entender que é uma situação delicada e que ainda machuca.

– Vocês estão me assustando — a menina deixou os talheres de lado e cruzou os braços.

– É que hoje... dia 7 de outubro é a data de nascimento de sua mãe — a loira sorriu sem jeito. Violetta encarou-a por alguns segundos e seu olhar se perdeu brevemente. Depois, voltando a realidade, respirou fundo e baixou a cabeça.

– Hoje seria aniversário dela? — sua voz era suave.

– Sim, meu amor — a mão de Angeles buscou a da sobrinha, e então as duas entrelaçaram os dedos. German sorriu sem mostrar os dentes.

– Vilu, não é motivo para ficar triste — ele acariciou o rosto da filha. — Maria amava o seu aniversário.

A morena sorriu de lado — Eu sei. Entendi que a intenção de virmos aqui foi comemorarmos por ela. Mas é estranho, papai. Ela não está aqui.

– Ei, claro que está! — Angeles mordeu os lábios. — Ela está aqui na forma mais linda possível. Ela está nos nossos corações e na nossa memória. Maria significou uma coisa diferente para cada um de nós, e hoje ela está aqui nas formas que cada um carrega consigo. Ela está aqui como sua esposa hoje, German. Ela está aqui como sua mãe, Vilu. E ela está aqui como minha irmã também. — sorriram — Ela faz falta sim. Maria ocupou um lugar que ninguém pode substituir nas nossas vidas. Mas não devemos nos lamentar pelo que aconteceu, isso não irá trazê-la de volta. Maria iria querer que comemorássemos seu aniversário hoje.

– Você está certa, tia — Violetta respirou fundo, sorrindo levemente. — Proponho um brinde por ela.

– Mas é claro — German sorriu junto e pegou sua taça. Angeles fez o mesmo e então os três brindaram e disseram o "feliz aniversário" mais doce que podiam.

Foi uma noite feliz. Uma noite em que pela primeira vez os três decidiram deixar a mágoa de lado e viver aquela data como se tudo fosse como antes. Depois de comemorarem, voltaram para o hotel e se dirigiram para seus quartos. Já era tarde e amanhã seria um longo dia.

XX

Pov Angie

Acordei antes que minha sobrinha. Dormíamos na mesma cama de casal, mas ela estava praticamente no meu lado da cama. Ri no pensamento e me levantei cautelosamente para não acordá-la. Tomei um banho. Ainda era cedo, mas como professora tinha que estar no restaurante do hotel antes dos alunos no café da manhã. Havia muito para se resolver.

Me perdi completamente no tempo enquanto estava no chuveiro, pois estava repassando minha programação para o dia de hoje. Rodízio de ensaio pela manhã. Pausa para o almoço. Ensaio geral de todo o show durante a tarde. Pausa para descansarem antes do show. Show. Festa em comemoração do primeiro show no salão do hotel. Dormir.

Com certeza todos estariam mortos no fim do dia. Mas eu estava animada. E ansiosa também. Saí do chuveiro e vesti uma calça jeans qualquer e uma blusa vermelha, de alcinha. Ajeitei meus cachos só nas pontas, peguei minha bolsa, prancheta e celular e então me virei para Violetta. Ela ainda dormia.

– Psiu — sacudi-a levemente. Vilu tinha um sono leve, logo se espreguiçou manhosa e abriu os olhos para mim. Sorri. — Já estou descendo. Tenho que estar lá antes porque sou professora. Mas se você quiser já indo se arrumar é uma boa.

– Uhum — ela grunhiu de sono. — Que horas são?

– Sete. O horário do café no hotel é das sete e meia às oito e meia. Às nove vocês tem que estar na academia aqui em frente para o ensaio da manhã.

– Ok, já vou — Violetta se sentou na cama e eu ri ao ver seu cabelo todo armado e bagunçado.

– Não se atrase — tirei sua franja de seus olhos e beijei sua testa antes de sair.

Entrei no elevador e olhei para o painel de botões. Ia logo clicar no Térreo, mas o número cinco me chamou levemente a atenção. O quarto de German era no 5º andar. Eu poderia passar lá, não poderia? Que problema teria? Impulsionada por esta ideia, apertei o cinco. A porta do elevador se fechou, então me virei para o espelho que havia ali dentro e conferi minha imagem. Ajeitei o cabelo, ansiosa. Eu acho que estava apresentável para German. Assim, quando as portas do elevador se abriram no quinto andar, eu fui. Andei rapidamente até a porta do quarto 58 e respirei fundo.

Mas e se ele ainda estivesse dormindo? E se eu fosse incomodar? Bufei. Minha insegurança sempre falava mais alto. Aliás, em que eu estava pensando? Eu bateria na porta e depois falaria o quê? Quer ir tomar café comigo? Que coisa mais idiota. Eu tinha que trabalhar, e aliás, quando fossemos para ter um encontro de verdade ele que deveria me chamar. Não faria sentido eu estar ali. Suspirei, balançando a cabeça, então dei meia volta e voltei para o elevador. Apertei o térreo e me encostei na parede de metal. Foi aí que fiquei pensativa.

German e eu estávamos nesse rolo idiota fazia já um bom tempo. Trocávamos beijos, conversávamos, mas nunca demos um passo a frente. Ele nunca me chamou para um encontro de verdade. Nunca tomou a iniciativa de partir para uma coisa séria. E eu não havia percebido até agora. Confesso que isso me intrigou sim. Quando um homem quer, ele não perde tempo. Era possível que German estivesse me fazendo de boba?

A porta do elevador se abrindo novamente me arrancou de minhas neuroses. Balancei a cabeça e saí andando em direção ao restaurante do hotel, que era ao ar livre. Cheguei lá e vi Pablo e Gregório conversando com Eraldo. Enquanto isso, os funcionários arrumavam a mesa do café da manhã. Peguei um pão de queijo e sentei em uma mesa qualquer, colocando a prancheta em minha frente e fingindo fazer qualquer coisa, quando na verdade continuava pensativa. Lembrei de minha conversa com Janette. Ela insinuou saber de algo. Mas no final das contas estou começando a achar que era coisa da minha cabeça, pois German não tinha feito nada. Para ser franca, ele estava sendo muito egoísta! Usava dos meus beijos e me dizia coisas bonitas apenas para se satisfazer? E depois quando se cansasse jogaria fora?

Certo, eu deveria parar de pensar nisso. Vi de rabo de olho que Pablo se aproximava da minha mesa e então decidi ocupar meus pensamentos com o trabalho e apenas isso.

Pablo e eu resolvíamos o cronograma do show de hoje à noite enquanto, antes mesmo de dar o horário do café, os alunos já iam chegando e ocupando as mesas. Deviam estar famintos. Vi German entrar conversando animado com Francesca e Violetta, e eu não sabia se sorria ou se bufava. Não sabia mais o que pensar sobre ele. Meus pensamentos me confundiram um tanto.

Fiquei nervosa quando ele se aproximou de mim e puxou a cadeira para sentar-se ao meu lado. Beijou meu rosto e sorriu, carinhoso.

– Bom dia! — exclamou de bom humor. Pablo respondeu e eu apenas assenti. O que eu diria?

– Bom, vou deixá-los, pois tenho que tratar de mais algumas coisas com Eraldo. — Pablo se levantou e caminhou até o produtor que nos havia contratado.

– Você está bem? — German virou-se para mim assim que ele saiu.

– Ótima, por? — tentei soar indiferente. Nem grossa nem carinhosa, até eu me decidir de que lado do muro eu ficaria.

– Porque eu te conheço, e você não parece bem — German ergueu as sobrancelhas. Respirei fundo.

– Você sempre diz isso. Que me conhece. Quem te garante que você me conhece tão bem assim? Talvez não conheça! Eu não sou idiota, German. — e então o lado da raiva venceu.

– Quê? Por que está falando assim? — o homem gesticulou, confuso.

– German, qual é, eu pensei bem e cansei dessa enrolação. — tentei manter meu tom de voz baixo para que as pessoas nas mesas ao lado não prestassem atenção. — Você e eu estamos nesse rolo aí, mas não vamos pra frente, e aí eu fico nervosa porque não sei o que vai acontecer, porque não temos planos e estamos seguindo um caminho sem rumo. Não sei se você entende. Mas todos os dias acordo ansiosa por uma iniciativa sua e sempre que vou dormir estamos na mesma situação, não saímos do lugar. Eu sou uma pessoa que gosto de ter tudo sob controle na cabeça. Mas nós estamos andando em um piso inseguro. Tudo é incerto. Não consigo viver nessa incerteza, German, eu já me decepcionei uma vez e não quero passar pela mesma coisa de novo.

Ele pareceu confuso por alguns instantes. Ou só estava tentando absorver as minhas palavras. Seja como for, demorou para responder.

– Não te entendo! Juro que não te entendo! — riu irônico. — Estou indo com calma pra TE respeitar e você me vem com essa? Depois de tudo o que eu te fiz, depois de eu passar por cima de todo o meu orgulho e ir te pedir desculpas, você ainda desconfia de mim?!

– Você pediu desculpas. Grande coisa. Palavras são só palavras. Se desfazem no ar.

– Bom, se você realmente pensa assim eu não posso fazer nada! — bufou, indignado.

– Você já não estava fazendo nada — ri irônica, já sem paciência.

– Tem tanta certeza assim? Escute, para a gente ao menos tentar construir qualquer coisa juntos, Angeles, você tem que confiar em mim primeiro. — German balançou a cabeça, parecendo incrédulo. Então se levantou e saiu dali.

Respirei fundo, agora sozinha na mesa. Eu teria exagerado? Ele pareceu magoado por eu dizer que suas palavras e esforço não valiam de nada. Será que eu realmente deixei a insegurança falar por mim? Balancei a cabeça, derrotada. Olhei para o pão de queijo intocado e isolado no meu pratinho. Então olhei para o banquete de café da manhã em que os alunos se serviam, inclusive German. De repente perdi a fome. Droga. Eu odiava brigar com ele.

– Muito bem, Angeles, você é ótima — murmurei, irritada comigo mesma. Vi German pegar sua comida e ir se sentar em uma mesa com alguns alunos, bem longe de mim.

Brigar com German me dava uma sensação de sufoco. Eu perdia a fome, o ânimo, minha cabeça pesava. Afetava tanto meu físico quando meu psicológico. Era terrível. E hoje era um péssimo dia para isso acontecer. Eu tinha que trabalhar. Ensaio. Ensaio. Ensaio. Repeti a palavra milhares de vezes na cabeça, talvez assim eu me focasse apenas nisso. Mas eu sabia que era inútil.

Com raiva, levantei da mesa e me retirei sem comer nada. Não devia me sentir assim. Eu estava certa, não estava? Fiz pelo meu próprio bem. Cansei de andar por caminhos inseguros, sendo exposta ao "talvez" das coisas toda hora. Eu precisava de uma certeza. E não era a cara de magoado de German que me faria mudar este pensamento.

Saí do hotel e me dirigi à academia do outro lado da avenida. Era um local da própria gravadora de Eraldo, e havia três salas pequenas e um grande salão para ensaio. Era ótimo. Peguei algumas partituras e a setlist do show, e assim me instalei em uma das salas. Aqueci a voz e esperei. Logo chegariam os alunos e eu não queria perder tempo para ensaiar com eles.

XX

Ficamos das nove até o meio dia no rodízio. Dividimos os alunos em três turmas, e a cada hora a turma que estava comigo passava para o Gregório, a que estava com o Gregório passava para o Pablo e a que estava com o Pablo passava para mim. Uma hora de ensaio para cada modalidade: canto, dança, e instrumento. Enfim chegamos a pausa para o almoço.

Não que eu estivesse com fome. E eu não estava mesmo. Eu só queria um tempo para relaxar. Não gostava de correria, muito menos quando eu havia brigado com German no meio dela. Sim, eu não parei de pensar nisso a manhã toda. O pior de tudo era querer ir correndo contar pra ele das coisas que aconteceram durante o ensaio e simplesmente não poder.

Agoniada, nem fiz questão de aparecer no restaurante do hotel para almoçar. Dane-se se eu estivesse fazendo papel para German notar minha ausência. Eu não estava a fim de me mostrar bem sendo que eu não estava. Subi pelo elevador e me enfiei no meu quarto, onde pude me sentar no tapete fofo e contemplar a vista da cidade pela parede de vidro.

A fome não veio, mesmo que eu não tivesse ingerido nada no dia todo. Então fiquei ali. Cantei, compus... Um tempo sozinha me faria melhor, com certeza. A tensão estava sendo transferida para o papel. Dolorida do chão, me levantei e me joguei na cama. Nos minutos seguintes, sem perceber, adormeci.

Um sono leve. Até uma pena podia me acordar. Mas algum ser, não satisfeito em ser delicado, me acordou esmurrando a porta do quarto. Rapidamente pensei em German. Sim, devia ser ele vindo se reconciliar comigo. Quem mais seria? Saltei da cama no mesmo instante e corri desesperada para a porta. Mas ao abri-la, foi notável meu suspiro de decepção. Pablo.

– Credo, estou tão feio assim? — meu amigo brincou. Sorri sem mostrar os dentes.

– Não é isso. Deixa pra lá — ergui os ombros brevemente. — Por que estava esmurrando a porta desse jeito?!

– Ahm, talvez porque já sejam duas e quinze. Você está quase uma hora atrasada para o ensaio geral, Angeles! — Pablo cruzou os braços. Mordi os lábios, manhosa.

– Foi mal. Caí no sono. — entrei no quarto para pegar minha bolsa e então saí de lá com o Pablo, trancando a porta e me dirigindo ao elevador ao lado dele. Apertamos o botão e esperamos o elevador vir.

– Você já percebeu que sempre usa a desculpa do sono? — Pablo bufou, mas eu sabia que estava apenas fingindo estar bravo. Ri divertida.

– Tenho o DNA de um bicho preguiça, o que posso fazer?! — sorri, mais animada que antes.

– Estou começando a achar é que a senhorita tem o DNA de uma malandra, isso sim! Aposto que é minha amiga só pra conseguir me enrolar quando quer se atrasar para o trabalho. — ele me deu a língua. Ri ainda mais.

– Que isso, meu querido chefe... Eu jamais faria isso! — disse num tom divertido e ambos rimos. Naquele instante, a porta do elevador se abriu e nós entramos nele. Olhei para meu rosto no espelho da máquina e me assustei. — PABLO! Que tipo de amigo é você que não avisa quando o cabelo da amiga está TODO bagunçado?!

O homem riu, apertando o térreo e me olhando enquanto eu tentava ajeitar aquela juba no espelho. — Vingança, querida. Apenas isso.

Dei-lhe um tapa e então caímos na gargalhada novamente. Era engraçado como eu e Pablo podíamos ficar semanas sem nos falar apenas como amigos, e quando voltávamos a fazer isso nada tinha mudado. Me fez até se esquecer que eu havia um problema maior alguns andares abaixo do meu.

O que me levou a pensar... O que German estaria fazendo? Todos os alunos e professores estavam na academia ensaiando. E ele? Estava trancado no quarto ou resolveu dar uma volta pela cidade? Nenhuma das alternativas. Quando cheguei com Pablo no grande salão da academia, German foi a primeira pessoa que vi. Estava ao lado do som, devia estar ajudando no controle da música. Ignorei sua presença e me aproximei, junto de meu amigo, de Gregório.

– Desculpa, pessoal — murmurei sem graça.

– Angie, me ajude! Eles não consegue conciliar o tom mais agudo da música com o passo que eu acabei de inventar — Gregório bufou.

– Angie! O Gregório está louco! Ficamos sem fôlego com esse passo maluco, não conseguimos fazer isso e alcançar a nota ao mesmo tempo! — Francesca foi a primeira a se manifestar. Todos os outros concordaram com ela, cada um em suas posições na coreografia.

– Quê? Jura que você está inventando passos novos agora? Cinco horas antes do show? — exclamei indignada.

– Ficou melhor assim! — ele fez birra.

– Gregório, por favor... — suspirei cansada. — Deixem-os fazer do jeito que já sabiam. Estava perfeito daquele jeito.

Gregório então grunhiu alguma coisa e saiu do salão batendo os pés, de raiva. Dei de ombros. Estava todo mundo um pouco estressado no dia de hoje.

– Vamos do começo, pessoal. Er.. — olhei para o lado e vi German ao lado do som. — German, solte a música, por favor? — falei com dificuldade. Ele nada disse, mas fez questão de me olhar nos olhos. Então virou-se para o aparelho e soltou a música. Voltei a olhar para os meninos e me concentrei em ser apenas professora naquele momento.

Todos fizeram a abertura juntos. Em seguida a banda dos meninos tocou. O que vinha depois era Leon e Violetta com a música que eu havia composto por ela, mas que ninguém sabia. Leon estava na banda e no dueto com Violetta. Duas músicas seguidas, mas com figurinos diferentes. Ele teria que ser um ninja naquela noite.

– Ótimo. Leon, seja rápido em sair do palco quando a música da banda acabar. Os produtores estarão na coxia com seu figurino seguinte para te ajudar a se trocar. Violetta vai cantar a primeira parte da música sozinha, por isso você tem trinta segundos para por o outro figurino e entrar no palco novamente. — respirei fundo, encarando o menino. — Acha que consegue?

Ele assentiu — Sim, mas se quiser podemos treinar isso agora.

– É uma boa ideia. Vilu, se posicione! — chamei-a. Mas ela não veio. Olhei por entre os alunos e não a vi ali. — Violetta? Gente, alguém viu a Violetta?

– Ué, ela estava aqui há poucos minutos! — Ludmila olhou ao redor, confusa.

– Pablo, assume aqui, irei atrás dela — deixei a sala quase que correndo para procurar minha sobrinha. Mas encontrá-la foi mais rápido do que eu imaginei. Assim que deixei o salão, ouvi um choro baixo vindo de uma das salinhas menores. Me aproximei cautelosa de lá e, ao adentrar, a vi de costas para a porta, sentada em um banco com o violão em mãos, encarando uma partitura e chorando.

– Ei! O que foi, meu amor? — corri até ela o mais rápido que pude.

– Eu não consigo alcançar a droga da nota! — Violetta chutou o suporte para partituras, com raiva. Este caiu no chão e as folhas se espalharam por toda a sala.

– Não faz assim, Vilu... — suspirei e me agachei para recolher os papéis. Depois de juntar tudo, ergui o suporte e os coloquei sobre ele. — Como não consegue alcançar?

– No refrão, Angie. Na hora do Quédate junto. Esse "junto" é longe demais para a minha voz.

– E precisa fugir do ensaio por causa disso? — ergui as sobrancelhas pra ela. Violetta desviou o olhar.

– O show é hoje e eu ainda não consegui dar um jeito nisso. Gregório iria me dar uma bronca gigantesca na frente de todo mundo. — a menina baixou olhar.

– Você só está nervosa, princesa... Você alcança essa nota sim, com toda certeza! — acariciei seu cabelo.

– Não dá, é sério, eu não consigo. — ela ameaçou voltar a chorar, mas eu a impedi.

– Não chore! Você é forte, garota, o que está acontecendo? Cadê minha sobrinha? — cruzei os braços.

– Talvez eu não seja tão forte assim, Angie — Violetta deixou o violão de lado.

– Eu acho que está enganada. — sorri na tentativa de encorajá-la. — Você é uma das pessoas mais fortes que conheço, Violetta. Não é uma simples nota que é capaz de te derrubar.

– Bom, ela está conseguindo — a garota disse sem ânimo, encarando o nada.

– Tenho uma ideia. Olha, espera aqui — saí correndo e voltei ao salão para pegar minha bolsa. Todos me olharam em busca de respostas, mas eu nada disse e saí correndo dali do mesmo jeito que entrei. Quando voltei a salinha, joguei minha bolsa no sofá que havia no canto para vasculhar algo dentro dela. Tirei de lá uma maçã. E depois uma garrafa térmica, com água bem gelada dentro.

– Maçã limpa a garganta, ajuda a soltar mais as cordas vocais. E líquidos gelados também ajudam. — entreguei as duas coisas para minha sobrinha. — Coma e beba, vai sentir sua voz mais suave em poucos minutos. Quando se sentir mais a vontade você volta para o ensaio, o que acha?

Ela encarou a fruta e a garrafa em suas mãos. — Promete que isso vai ajudar?

Sorri carinhosa — Prometo.

– Então tá bom — suspirou, mordendo a maçã. — Volta pra lá, devem estar precisando de você.

– Vou voltar — beijei a cabeça da menina e me levantei. — E quero te ver lá também, hein?! — peguei minha bolsa de volta e me dirigi para a porta da salinha.

– Eu vou, fica tranquila — a menina sorriu levemente e assim eu saí. Realmente, hoje o dia estava tenso para todo mundo.

XX

O mais legal de ser parte de uma equipe de show não é fazer o show em si. Mas é estar envolvido com toda a emoção do preparo e da expectativa das coisas. Por exemplo, desta vez não tínhamos vários camarins para se organizar. Eram apenas dois, um para as meninas e outro para os meninos. Então em uma mesma sala todas as meninas se arrumavam, faziam maquiagem, penteados, experimentavam vestidos e deixavam outros figurinos separados. Na sala dos meninos, a animação era a mesma. Todos entusiasmados, se divertindo e rindo muito. Ansiosos para o show.

Alguns aqueciam as vozes pelos corredores da parte interna do teatro. Outros, já arrumados, fuçavam o público pela brecha que a cortina dava entre o palco e a plateia. Outros ainda estavam dando crise de desespero, e alguns dos amigos os ajudavam a se acalmar.

Pouco antes do espetáculo começar, Violetta veio me agradecer pela maçã, pois realmente ajudou-a a alcançar o agudo. Quase falei para ela que a maçã não tinha feito nada, e sim ela, e que sim eu a havia enganado, mas resolvi manter isso como um segredo meu. Na verdade, minha primeira vontade fora de ir correndo contar da situação para German, para rirmos juntos e comentarmos do quão Violetta era boba. Mas não pude.

Ousei em colocar um vestido amarelo claro naquela noite, que definia bem meu corpo, justamente para chamar a atenção dele. Eu queria que ele viesse falar comigo. Mas toda vez que nos cruzávamos seu olhar se tornava um tanto sombrio e ele passava reto. Eu me forçava a acreditar que eu não estava errada em ter dito o que disse, mas German parecia realmente decepcionado. Aquilo ainda estava me corroendo por dentro, e mesmo assim me manti firme. Até consegui comer meio croissant na hora do jantar (a única coisa que coloquei no meu estômago no dia inteiro).

No final das contas o show foi surpreendente. Os alunos sempre arrasam, mas diante das circunstâncias eles se superaram. Leon em vinte segundos trocou de figurino e entrou no palco com o mesmo fôlego firme de sempre. As coreografias saíram todas perfeitamente sincronizadas. Violetta alcançou as notas. Ludmila se esqueceu de um trecho solo da coreografia em certo momento e improvisou tão bem que ninguém na plateia sequer notou que era improviso. Tudo saiu nos eixos, e todos estavam orgulhosos.

O show acabou tarde, mas ainda sim havia uma festa depois daquilo. Confesso que eu não estava muito a fim. Portanto, quando voltamos ao hotel, todos se dirigiram ao salão de festa, falantes e animados, enquanto eu me dirigi para o quarto. Queria ficar na minha um pouco. Pensar em German e nas memórias que tínhamos. Gostava de lembrar das coisas mais bobas, pois para mim eram as coisas que mais significavam. Como quando ele roubou meu café em uma manhã do Studio, ou quando ele pegava minha mão inesperadamente e a acariciava. Gostava também de lembrar do som das nossas risadas juntas. E de quando vínhamos super empolgados contar sobre nosso dia um ao outro. Foi assim que fiz outra descoberta: acima de qualquer sentimento, eu e German éramos amigos.

Balancei a cabeça. Não queria sentir saudade dele, não agora. Então para evitar essa sensação ruim, me levantei da cama e me dirigi ao banheiro para tirar a maquiagem e poder ir dormir. Abri a torneira e me encarei no espelho por poucos segundos. Olhei em meus olhos, meu nariz, minhas bochechas avermelhadas. Contemplei minha imagem sem me importar muito se a água escorria à toa pela pia ou não. Então olhei meu queixo. Sorri sem querer ao lembrar que era o lugar favorito dos beijos de German. Aquele homem amava dar beijinhos em meu queixo, e aquilo me arrepiava mais do que qualquer outro tipo de beijo. Sabe por quê? Pois era algo só nosso. Meio hesitante, levei minhas mãos até meu queixo e o toquei com cuidado. Naquele momento, um mar de sensações inundou meu coração.

Lembrei-me de pensar hoje pela manhã que eu não queria mais ficar na incerteza e me expor a caminhos inseguros. Só agora eu percebi o quão idiota este pensamento havia sido. Eu nunca estive insegura ao lado de German. Lembrando de nossos melhores momentos eu percebi que, na verdade, era só com ele que eu tinha todas as certezas do mundo. Meu Deus! O que eu havia dito? Que merda eu fiz?! Julguei-o de falso, fui cega aos meus próprios sentimentos. Disse que queria uma certeza que na realidade eu já tinha! Como pude ser tão burra? Como pude permitir que meus próprios medos agissem por mim daquela maneira? Não, eu não estava certa! Eu tinha errado sim! E feio. German podia dizer que estávamos quites agora. Ele errou muito comigo nos anos passados, e hoje eu acabei fazendo a mesma coisa. Precisava consertar isso. Senão eu estaria acabando com a última chance que o destino nos dera.

Desliguei a torneira e sai correndo do quarto, sem me preocupar em apagar as luzes ou trancar a porta. O elevador estava demorando para chegar, portanto optei pelas escadas. Desci com dificuldade por causa do salto, mas cheguei lá inteira. Um funcionário me guiou até o salão de festas e eu entrei sem hesitar. Varri o local com os olhos. Estava cheio. Passei por vários grupos de alunos que riam, conversavam e comemoravam. Alguns bebiam, mas por sorte não me deparei com ninguém bêbado. Procurava por German. Eu queria pedir desculpas, queria me jogar em seus braços e prometer não falar bobagem de novo. Queria ficar bem com ele, queria... Queria. No meio da minha empolgação, enfim avistei-o. Lá estava ele, charmoso, bebendo champanhe e conversando animadamente com a filha de Eraldo, aquela loira sem sal que eu nem lembrava o nome. Era notável o jeito que ela tentava se mostrar para German. E ele não fazia nada para impedi-la. Bufei, revoltada. Decepcionada. Furiosa.

A essa altura não conseguia nem mais contar quantas vezes fui trouxa no mesmo dia. Não querendo chorar na frente de todo mundo, dei meia volta e saí dali em passos largos. Subi pelas escadas e, quando adentrei o quarto, bati a porta. Eu, toda ingênua e boba, estava aqui me preocupando em pedir desculpas enquanto ele estava lá fazendo outra pessoa de brinquedinho. Inacreditável.

Tirei os saltos, até isso estava me irritando. Olhei para a cama e rolei os olhos. Não queria dormir. Queria relaxar. Portanto, tive uma ideia. Caminhei até minha mala e tirei do fundo dela um biquíni. Ah, sim. Eu precisava daquilo.

XX

Coloquei o pé na piscina e sorri ao ver que o aquecedor estava ligado e a água estava morna. Tirei a canga e saltei na água, mergulhando fundo e sozinha. Não havia ninguém na cobertura. Apenas eu, a piscina, e o céu. Nadei para lá e para cá. A água morna diluía minha raiva. Eu era quem estava magoada agora. Suspirei, olhando pro céu estrelado. Seria sempre assim? Eu e German, vivendo no meio do tumulto e das chateações?

– Por que eu te amo tanto, seu idiota? — bufei pra mim mesma, encarando uma estrela qualquer como se eu pudesse falar com German dali. Foi então que levei um susto:

– Não sei. Talvez seja porque eu sou muito bonito. — uma voz que eu tanto conhecia veio de trás de mim. Dei um saltinho de susto na água, e então me virei para ele.

– O que está fazendo aqui? — encarei-o. Estranhei. German não estava com a mesma roupa formal que eu o havia visto minutos antes. Ele estava com uma bermuda e uma camiseta qualquer agora.

– Vim te ver. — ele cruzou os braços, em pé na beira da piscina.

– Que estranho, parecia estar tendo uma ótima noite com a... qual era o nome dela mesmo? — falei num tom sarcástico, porém discreto. Então me virei e dei um outro mergulho aleatório.

– Também não sei o nome dela. Que tal a chamarmos de Zé Ninguém? — German se sentou no mesmo lugar onde permanecia em pé. Voltei a olhá-lo. Estava quase no outro extremo da piscina.

– Não vem com essa. — suspirei, jogando meu cabelo para trás.

– Estou sendo sincero. Eu estava apenas sendo educado, pois Eraldo é meu amigo, e ela é filha dele. Assim que te vi por ali, dando meia volta e sumindo pela multidão, me desesperei pensando que tivesse entendido tudo errado. Saí dali correndo sem nem dar explicações pra Zé Ninguém — ele mordeu os lábios, sorrindo. — Te procurei pelo salão todo, até que um aluno me disse que te viu sair. Quando cheguei ao saguão, perguntei ao recepcionista e ele disse que você subiu pelas escadas. Peguei o elevador e fui até seu quarto. Bati na porta mas você não estava lá. Uma camareira que passava pelo corredor me disse que você tinha acabado de sair com roupas de banho. Então fui até meu quarto, me troquei, e subi para cá apenas pra te dizer que seja lá o que você tenha pensado, eu só estava tentando ser educado.

– A menina estava balançando os peitos para você — rolei os olhos.

– Acredite, eu estava morrendo de enjôo com aquilo. — German tirou a camisa.

– Ah, qual é, você é homem — insisti, e então ele pulou na piscina, perto de mim. Quando ele voltou a superfície, balançou os cabelos de um jeito que, mesmo sem querer, me seduziu. Afastei-me discretamente.

– Mas eu amo uma só, e só me interesso pelo corpo dela — German podia ter olhado para meu corpo agora, eu estava apenas com um biquíni pequeno. Mas seus olhos não desgrudaram dos meus. — Aliás... o que a senhorita teria ido fazer na festa lá embaixo?

– Ué, eu estava lá o tempo todo — menti. O homem rolou os olhos.

– Eu sei que não estava, te procurei. — nadou despreocupado. Eu me mantinha parada em um canto da piscina.

– Certo. — respirei fundo — Eu ia te pedir desculpas. Sei que fui idiota em te dizer tudo aquilo de manhã. Eu não sei o que me deu. Eu confio em você, German. Mas naquela hora fiquei assustada. E preocupada. E.. — ia continuar falando, mas o indicador dele bloqueou meus lábios. Eu estava olhando pra baixo, por isso nem sabia que ele estava tão perto.

– Eu sei que confia. Eu também exagerei ao falar grosseiramente e sair da mesa. Podia ter conversado com você.

– Tudo bem. Sei que na hora você deve ter ficado com raiva porque eu tinha acabado de jogar fora todo o seu esforço — ri baixinho. — Mas saiba que eu reconheço tudo o que está fazendo. E que eu não preciso de certezas, percebi que eu já a tinha há tempos...

Ele sorriu e me puxou pela mão, para me aproximar dele. — Já passou, Angie.

– Eu sei, mas é sério, preciso que me desculpe. Estou com um peso gigante na consciência. — mordi os lábios. German continuou sorrindo.

– Hummm, vamos ver se eu desculpo. — ele juntou nossos corpos no meio da piscina e abraçou minha cintura. Enlacei seu pescoço com meus braços.

– O que eu preciso fazer para conseguir seu perdão? — sorri divertida.

– Talvez.... ahm... Um beijinho, pode ser. — falou todo sério, mas acabamos os dois gargalhando no final. Sem querer enrolar mais, juntei nossas bocas num beijo doce e carinhoso.

Beijamos por alguns segundos quando German resolveu me afundar na água junto com ele no meio do beijo. Quando mergulhamos, me separei dele e abri olhos debaixo d'água. Ele fez o mesmo. Fez um gesto com as mãos como se fosse me fazer cócegas e então eu rapidamente arregalei os olhos e sai nadando para o outro lado. Se estivéssemos fora d'água, ele com certeza teria rido antes de sair correndo atrás de mim. Nadando era mais difícil fugir, por isso ele me alcançou rápido, e voltamos para a superfície com German enchendo-me de cócegas e eu soltando a risada mais alta que podia.

– PARA, Geee! — me debatia na água, recuperando o ar, enquanto ele ria sem parar do meu desespero. — Quase me afogou! — dei-lhe um tapa assim que ele parou.

– Oh, que mocinha exagerada — o homem ria e me puxava novamente para perto de si. Achava engraçado como depois de um tempo longe queríamos sempre ficar grudados. Sorri com isso.

– Odeio brigar com você... — diminui o tom e murmurei baixinho, passando os dedos por seu peito.

– Nós ainda vamos brigar muito, princesa — German acariciava minha cintura.

– Eu sei — sorri tímida — Mas me dá uma sensação horrível, me sinto fisicamente mal.

– Não se preocupe, sempre vou voltar pra você — me lançou uma piscadinha divertida que me desmontou.

– Você é o rei dos clichês, eu já disse isso?! — soltei uma gargalhada.

– Ah, eu sei que você gosta — German deu de ombros, beijando meu queixo várias vezes. Fechei os olhos, sentindo o arrepio que esse carinho me proporcionava. Eu não poderia viver sem aquilo.

– Gosto — o abracei com força. Ele riu.

– Ei, eu queria te fazer uma pergunta — German se afastou e me olhou nos olhos. Esperei ele continuar. — O que acha de termos um encontro? De verdade?

– Um encontro? — pude sentir meus olhos brilharem de empolgação, mas o brilho logo se desfez. — Ah, German, você não precisa fazer isso só pelo escândalo que eu dei hoje cedo. Sério. Não ligo de esperar.

– Não! Eu já ia te convidar pra isso, você que se adiantou no drama — ele falou risonho, o que me fez lhe dar um outro tapa.

– Certeza? — mordi os lábios, sorrindo.

– Mais que absoluta. — seus olhos ansiavam por uma resposta.

– Hum, eu topo. — sorri carinhosa e German comemorou, erguendo os braços.

– UHU! Quando? Amanhã à noite?

– Amanhã à noite tenho uma entrevista na rádio com alguns alunos — fiz careta.

– Argh, então depois de amanhã, à noite? — ele segurou minhas mãos, balançando-as na água.

– Tem ensaio — fiz outra careta. German bufou.

– Certo, se for assim só vamos poder sair em Buenos Aires — ele fez bico. — Sai mais cedo do ensaio, vai... Dá uma desculpa para o Pablo! — insistiu. Ri me lembrando de minha conversa com o Pablo de hoje à tarde.

– Ta bom, vai. Vou pedir pra ele — acariciei o cabelo castanho de German.

– Isso, linda — German me beijou mais uma vez. — Hoje de manhã eu fui em umas ruínas antigas que tem pela cidade, que faziam parte da Itália, é muito legal de se visitar! Podemos ir qualquer hora também.

– Opa, eu iria amar, adoro história — dei saltinhos animados. — Você aí se divertindo enquanto eu fico dentro daquela academia o dia todo tendo que inventar remédios loucos pra sua filha reconstruir a auto confiança...

– Quê? — German não entendeu. Soltei uma risada.

– Longa história. Que tal apostarmos uma corrida de nado? Estou a fim de me mexerrrrr — soltei as mãos dele e me posicionei na borda da piscina. German sorriu divertido e fez o mesmo.

– Não recusarei sua proposta, madame. Preparada? Três, dois, um, e... Vai! — o homem deu a largada e lá fomos nós nadando. Fizemos isso várias vezes. German ganhou quase todas, mas ele roubou diversas vezes. Me roubou beijos no meio do caminho, me puxou para trás... mas tudo bem, o que importava era a diversão e a boa lembrança que aquele momento me proporcionaria.

Fico feliz em pensar assim. Foram boas lembranças com German que me fizeram perceber hoje que ele é a maior certeza que tenho e que quero ter pra sempre. Talvez as lembranças eu construo hoje e ainda vou construir também sirvam para eu me lembrar de alguma outra coisa no futuro. Me lembrar, talvez, de que o jeito que eu o amo não tem fim. Pois é, nunca se sabe o que vai vir. Mas de uma coisa eu tenho certeza: sei que eu estou sim andando em um caminho seguro ao lado dele.

Notas finais
Sei que demorei mas é que aconteceu um imprevisto.. eu tinha a fic toda no meu pen drive e aí eu perdi o pen drive, ou seja tive que reescrever esse capítulo e terei que reescrever alguns outros (alguns eu tinha salvo no pc então não vou precisar) mas outros eu tenho que reescrever tudo de novo e dá preguiça ): mas ok comentem bjs