Sos mi más bello error
21 Lost
Notas iniciais
– Planos pra hoje? — German chegou por trás, me assustando logo pela manhã. Me virei na cadeira e sorri meigamente. Estava sentada na mesa do restaurante do hotel, esperando servirem o café da manhã. Ele sentou-se ao meu lado e beijou minha cabeça.
– Sempre tenho planos — ri divertida. Estava feliz, lembrava constantemente de nós dois juntos na piscina, na noite anterior. — Manhã livre. Entrevista na gravadora à tarde e entrevista na rádio à noite.
– Muito bem. E o que irá fazer pela manhã? — tentou arrancar mais informação de mim. Sabia que queria alguma coisa.
– Por enquanto, pretendia voltar para o quarto e dormir — mordi os lábios.
– Nananão. Vamos sair! — German exclamou, empolgado.
– Está adiantando nosso encontro, é? — sorri, brincalhona.
– Não! Nosso encontro oficial é amanhã. O que não significa que não possamos passear por aí hoje! — ele riu comigo.
– Certo. — contemplei o brilho de seu olhar sob mim. — Hmmm... — fiz cara de pensativa — e aonde sugere que vamos? — inclinei a cabeça para o lado e o encarei.
– Para as ruínas romanas que eu te disse ontem! É sério, é um lugar imenso, você vai adorar — German estava quase pulando de animação. Acho fofo seu jeitinho de ser tão extrovertido quando se torna íntimo de alguém. Adoro fazer uma comparação com o German que eu conhecia antes. Um homem sério. Formal. E então ele me mostrou o lado que só quem o amava sabia. O lado brincalhão, carinhoso, e encantador. Sorri.
– Vamos, então — mordi os lábios, agora ansiosa. A animação dele me contagiou.
– Agora — ele se levantou da mesa.
– Mas e o café? — olhei para o balcão onde os funcionários montaram o banquete do café da manhã e então olhei para os alunos, se levantando com seus pratinhos e formando uma fila para pegar comida.
– A gente come alguma coisa no caminho — German deu de ombros. Pensei por alguns segundos. Por que não?
– Beleza — peguei minha bolsa e coloquei-a no ombro enquanto me levantava. — Vamos — sorri pra ele, que estendeu o braço para que eu enroscasse o meu com o seu. Assim o fiz, rindo, e então deixamos o hotel. — Iremos a pé? — olhei ao redor.
– Não, é um pouco longe daqui — ele fez careta. Me soltou para se aproximar da rua e tentar fazer um táxi parar. Conseguimos um rápido, então entramos os dois no banco de trás e German disse o destino ao taxista.
Ficamos ambos quietos por alguns instantes. Eu olhava pela janela do táxi, observando os detalhes de Sevilla passarem diante de meus olhos. Era um lugar tão tranquilo que eu não me importaria de viver. Em certo momento, quando paramos no sinal, avistei um palhaço na esquina de uma rua, fazendo malabarismos para um grupo de crianças. Sorri, encantada.
– Olha, Ge! — virei-me pra ele e apontei para fora do carro. Ele parecia distraído, encarando a rua de uma maneira vaga. Quando me ouviu, rapidamente olhou-me e se aproximou da minha janela para ver o palhaço.
– Eu tinha medo disso quando eu era criança — German riu baixo. Me deu um beijinho no canto da boca e se ajeitou no seu lugar no banco.
– Aw, que gracinha. Não consigo te imaginar criança — gargalhei divertida — Me mostra uma foto?!
– Tenho um álbum escondido em meu escritório. Quando voltarmos a Buenos Aires, eu te mostro, pode ser?
– Simmmm! — meus olhos brilharam — Mas por que está escondido?
German suspirou, dando de ombros — Eu não gosto muito de falar dessa parte da minha vida. Sei lá, estou meio traumatizado com a palavra "passado". Então ninguém conhece esse álbum além de mim.
Peguei sua mão e a acariciei. Ele sorriu sem mostrar os dentes. — E você vai mostrá-lo a mim?
– Vou — assentiu, agora menos tenso.
– E por quê? — fiquei confusa. Ninguém conhecia o álbum. Tudo bem que eu e German tínhamos algo especial, mas não sou a única que já teve algo especial com ele. Então por que mostrar só a mim?
– Você vai entender logo — abriu um sorriso carinhoso, ainda que meio suspeito. Estranhei na hora, mas deixei de lado quando ele mudou de assunto. — Tem uma lanchonete por aqui, o que acha de pararmos e comprarmos um lanche?
Olhei para o local na rua. Arrumadinho, bonito e ao mesmo tempo simples. Sorri. — Claro!
Descemos do táxi e German pagou o motorista. Não me deixou pagar, o que não me surpreendeu. Ele nunca deixava. Então pegou minha mão para entramos na lanchonete.
– Por que liberou o táxi? Ainda não chegamos nas ruínas — indaguei confusa.
– Já estamos perto. Daqui podemos ir a pé — explicou enquanto puxava uma cadeira para que eu me sentasse. Sentou-se no outro lado da mesinha de madeira e chamou a garçonete. — Bom dia. O que vocês têm hoje?
– Bom dia, senhores — a garota sorriu. Devia ter a idade de Violetta. — Nosso estilo é muito variado. Temos os tipos de café da manhã de vários países. Estados Unidos, México, Espanha, Argentina, Brasil, Inglaterra, França, Itália, Austrália, Índia e Canadá.
German e eu sorrimos ao ouvir o nome de nosso querido país.
– Argentina — eu respondi prontamente. German riu, como se já adivinhasse. — Que foi? Estou com saudades de casa.
– Depois eu que sou clichê — ele balançou a cabeça, sorrindo. — Vou querer um café da manhã brasileiro, por favor.
– Claro. — a moça assentiu, anotando em seu bloquinho. Li em seu crachá o nome Lúcia. — Algo mais?
– Só isso. Muito obrigada, Lúcia. — sorri amigável.
– Imagina — ela se retirou rapidamente para buscar nossos pedidos.
Comemos com calma, mas ainda ficamos com fome. Então German comprou dois croissants para que levássemos no caminho. Assim, não enrolamos mais. Saímos na rua, comendo os salgados e seguindo o caminho a pé até o lugar que tanto havia encantado German.
– O que são essas ruínas? Não entendo — comentei, saboreando o croissant. O sol estava forte naquela manhã, batia bem em nossas cabeças.
– Faz parte da história de Sevilla. Num passado bem distante, a cidade já foi tomada por romanos, gregos e árabes. E cada povo que habitou este lugar deixou sua marca. Os romanos, quando estavam aqui, construíram uma pequena cidade chamada Itálica.
– Então Itálica é a antiga Sevilla? — tentava assimilar.
– Exatamente. Mas bem, isso foi na Antiguidade. Nas guerras que foram acontecendo durante da Idade Média, a cidade foi passando de mãos em mãos. Até que finalmente virou posse do Império Espanhol. — ele explicava com uma certa alegria ao falar. German gostava de história, eu estava percebendo. Gostava de saber mais sobre ele cada dia que passava. — Mas os restos de Itálica foram preservados, assim os visitantes podem passear pelos restos da antiga cidade, explorando as ruínas das casas e edifícios da época. Também tem um anfiteatro, muitas esculturas e pisos de mosaico espalhados. Era a arte deles.
– Então estamos indo praticamente para uma cidade abandonada? — juntei as sobrancelhas. Aquilo me deu calafrios.
– Isso — German riu, olhando minha cara de assustada. — Fica tranquila, muitos turistas ficam por lá. Não estaremos sozinhos.
– Continua soando bem estranho — ri baixo, mas balancei a cabeça. — Mas parece bastante interessante.
– É sim. Você vai amar. Vem, estamos quase lá — ele apertou o passo e eu o acompanhei. Eu esperava que estivéssemos realmente quase lá, pois ficar andando de baixo do sol estava me dando dor de cabeça.
XX
Pov Off
German e Angeles logo tinham chegado na entrada da antiga Itálica, e se depararam com um grupo de quinze turistas que estavam sendo orientados por um guia. Se aproximaram do grupo e deram sorte, pois naquele exato momento o guia iniciaria um tour pelas ruínas com o pessoal. Assim, os dois se juntaram a eles.
Iam andando pela pequena cidade. Ou pelos restos dela. Tudo era feito de pedra. Não havia um verde sequer por todo redor. Mas era tudo muito curioso. O guia parava em cada edifício ou monumento para explicar alguma coisa ou comentar algum fato histórico ocorrido naquele lugar, e German, sempre interessado, ouvia com atenção e ansiedade as palavras do homem. Angie prendia a risada ao observá-lo tão entretido com tudo aquilo. Se apaixonava ainda mais pelo jeito dele que poucos conheciam. German era carismático.
– As paredes são todas tão detalhadas — a loira comentou, passando o dedo pelas curvas que as pedras faziam nos pilares das casas.
– Dá pra acreditar que pessoas moravam aqui? — German comentou baixinho, pois o guia estava falando alguma coisa com os outros turistas naquele instante.
– Está brincando? Estou quase chamando um caminhão de mudanças pra trazer minhas coisas pra cá. Eu moraria aqui! — Angie riu e o homem a acompanhou. Fazia eco dentro daquele salão fresco. O teto era alto. A escadaria de mármore que levava até o andar superior era extensa. Angie não se conteve em querer tirar fotos ali. — Aliás, meu sofá ficaria ótimo naquele canto — ela apontou, fazendo cara de pensativa. German balançou a cabeça, sorrindo.
– Vamos, sua boba — ele a puxou pela mão para fora do casarão, por onde o guia e os outros já haviam saído. Todos sentiram a diferença de temperatura de dentro e fora do local.
– Viu, se morássemos aqui nem precisaríamos gastar dinheiro com ar condicionado. Lá dentro é fresco e arejado naturalmente — a loira fez mais um comentário, bufando do calor que estava lá fora. Prendeu o cabelo em um rabo alto.
– Estou gostando de suas ideias. Podemos ocupar esse lugar e reconstruir uma cidade só nossa — German mordeu os lábios, zombando da mulher. Ela lhe deu um tapa. Ambos riram.
– Me deixa sonhar.
– Claro, madame. — o homem assentiu e eles continuaram andando. German, tentando ser carinhoso, abraçou a loira pelos ombros e puxou-a pra si.
– Ow — ela murmurou.
– Hum? — ele a olhou.
– Eu to com calor — Angie empurrou-o para o lado. O homem fez uma cara indignada e arrancou risos dela. — Desculpa!
– Não acredito!!! — se fingiu de ofendido. Para fazer drama, virou a cara e acelerou os passos, andando na frente. Angeles riu e correu até ele, pulando em suas costas e rodeando-o com suas pernas.
– Era brincadeeeeeeira — ela beijou o ombro do homem. Estavam distantes do grupo, já que com suas brincadeirinhas acabavam ficando para trás. Mas ainda conseguiam vê-los e acompanhá-los mesmo de longe. German tentou fazer com que ela o soltasse, mas Angie se segurou tão forte que permaneceu firme.
– Por que eu fui me apaixonar por uma pessoa tão chata? — ele bufou. A loira, que continuava em suas costas, arregalou os olhos.
– Uau. Isso foi meio forte, não acha? — respondeu mais séria desta vez. German sorriu, mas nada disse. — Tipo, você nunca tinha dito isso tão diretamente.
– Você sabe que sou apaixonado por você, Angeles — ele suspirou tranquilo. A mulher saltou das costas dele, e o fez parar de andar. German virou-se para ela e olhou em seus olhos. — Tentei demonstrar o máximo em meus atos.
Ela sabia. Claro que sabia. Desde que tivera aquela conversa especial com Janette e suas amigas, na noite da festa da empresa, passou a notar o amor de German em tudo o que ele fazia. Mas ainda sim, nada era como ouvi-lo admitir.
– Lindo — Angeles beijou-o brevemente.
O homem acariciou o rosto dela, sorridente. — Vamos, vai. Senão iremos nos perder do pessoal. — sussurrou.
– Uhum — ela murmurou, abrindo os olhos. — Vamos.
XX
– Enfim, o anfiteatro! — o guia exclamou, estendendo os braços para o lado como se mostrasse um fundo imenso para trás dele. Angie olhou admirada ao seu redor.
– Olha, um labirinto! — uma criança que estava com o grupo gritou animada. Todos olharam. Alguns se chocaram. Havia um labirinto imenso no meio do anfiteatro, como daqueles de filme, cheio de corredores onde você se perdia.
– Bela observação, garotinho — o guia sorriu. — Fazia parte das brincadeiras do povo romano. Sentavam-se na arquibancada enquanto alguns selecionados entravam no labirinto. Era como um reality show. A plateia apostava entre si para ver quem encontrava o centro primeiro.
– Que legal! — Angie mordeu os lábios. Deveria ser o reality show mais divertido de todos os tempos, pensou.
– Soube que chegavam a passar dias e noites presos no labirinto até que o primeiro chegasse ao centro — German comentou.
– Como você sabe de tanta coisa? — a loira indagou curiosa — Às vezes eu acho que você inventa essas informações só pra tentar me impressionar — sorriu divertida, olhando-o.
– Puts, você me descobriu, que pena — o homem fez bico, arrancando risadas da mulher. — Deixa de ser besta — foi a vez dele de rir, dando a língua para ela.
– Formem uma fila indiana! — ouviram o guia dizer. — Faremos um passeio pelo labirinto. Agora mais do que nunca vocês não podem se separar de mim. Só eu sei o caminho, se vocês se perderem dificilmente encontrarão a saída rápido.
Houve murmúrios enquanto o grupo formava uma fila. German e Angie se entreolharam, dando de ombros e se posicionando nos últimos lugares. Quando todos estavam preparados, seguiram o guia descendo uma escada instável e chegando à entrada do labirinto. Um por um, entraram. As paredes de pedra eram altas, quase o dobro da altura deles. O solo era basicamente terra. E havia esqueletos esparramados em alguns cantos. Angeles engoliu em seco ao ver aquilo, segurando então a mão de German para se sentir protegida.
– Você não precisa ter medo do que tem dentro de você, Angie — o homem falou baixo.
– Se era pra isso soar poético, sinto muito, mas você falhou — ela rolou os olhos.
O guia entrava nos corredores sem mal pensar, como se já tivesse o caminho todo decorado, o que de certa forma confortava os turistas. Afinal, ninguém queria se perder ali. Após alguns minutos andando e apreciando a sensação, Angeles sentiu falta de algo.
– Meu celular! — exclamou baixo. Apenas German a ouviu. Ela parou de andar. O grupo continuou.
– O que tem?! — estranhou.
– Estava no bolso! Acho que deixei cair, droga — a mulher bufou. — Fica aí, eu vou fazer o caminho de volta e procurar — ela saiu correndo para o sentido contrário.
– Angie! Espera, não, você pode confundir o caminho e se perder — German falou mais alto, mas em vão. Rolou os olhos. Olhou para a direita. O grupo de turistas já havia desaparecido dali. Ele estava sozinho. Balançou a cabeça, vendo a merda em que aquela situação resultaria, e então saiu correndo para a mesma direção que Angie, tentando encontrá-la. — ANGIE!
Não muito longe dali, a loira encontrou seu celular jogado na terra. Sorriu satisfeita e o pegou de volta. Mas... quando fora voltar para onde estava German, entrou no corredor errado. Andou, andou, andou. Começou a ficar nervosa. Tentava se convencer de que pegara o caminho certo, mas não tinha como ter certeza. As paredes eram todas iguais. Facilmente confundível.
– Ai, Jesus, não — Angeles comprimiu os lábios. — Ok, sua idiota. Você está perdida. — sentiu os olhos arderem. O choro de desespero estava pronto para vir. Ela optou por parar de andar antes que se encurralasse mais. Então, ficava dando voltinhas no lugar tentando pensar em alguma coisa.
Olhou o celular em suas mãos. Havia apenas um pontinho de sinal. Não custava nada tentar, não é mesmo?
– Atende, German. — suplicou enquanto chamava seu número. Caiu direto. Seu telefone estava fora do ar. — Ótimo, era tudo o que faltava.
Se encostou no muro e sentou-se no chão. O que faria agora? Gritar? Mas qual a probabilidade de alguém ouvi-la? Bufou. Se pessoas aleatórias entravam nesses labirintos e encontravam o caminho sozinhos no passado, Angie também podia. Ou pelo menos foi o que ela pensou. Mas então lembrou-se do que German disse: passavam dias e noites ali até conseguirem. Angeles não tinha dias e noites. Ela tinha duas horas. Precisava estar de volta no hotel em duas horas para a entrevista.
– Ah, dane-se, eu posso conseguir. — levantou-se do chão. — Vamos, Angeles. Da onde você veio? — ela se questionou, encarando dois corredores diferentes. — Acho que foi por esse — apontou para o da direita. Então entrou nele e continuou andando. Foi aí que se deparou com um esqueleto ainda mais feio que o que havia no começo. Soltou um grito involuntário. — Certo, eu não tinha vindo por aqui. — suspirou. Derrotada, e um tanto assustada, parou novamente de andar. Chutou o muro, com raiva. Ela não sairia dali tão cedo.
Sentou-se mais uma vez no chão e escondeu seu rosto nos joelhos. Então esperou. Não soube direito se passaram horas ou apenas minutos. Repetia constantemente em sua cabeça que não deveria ter voltado sozinha para pegar o celular. E agora, que a burrice já fora feita, quis German ali com ela. De repente, então, bem quando pensou nele, escutou sua voz. Não soube ao certo distinguir se era fruto da sua imaginação ou realidade, mas a voz de German encheu seu coração de esperança. Esperou ansiosa para ouvi-la mais uma vez.
– ANGIIIIE — ela escutou. Sorriu grandiosamente, aliviada, e saltou do chão no mesmo instante.
– GERMAN? EU ESTOU AQUI! — gritou o mais alto que pode.
– ANGIE? É VOCÊ? — escutou novamente. A mulher não conseguia esconder o sorriso.
– SIM, SIM! ME AJUDE! — dava soquinhos no muro.
– AH, ANGIE! FINALMENTE! — a voz de German se aproximava. — ONDE VOCÊ ESTÁ?
A loira bufou — Ao lado de um esqueleto — fez careta.
– QUÊ? — o homem não a escutou.
– AQUI, UÉ — Angie respondeu novamente. German, andando para mais perto do som, se deparou com um muro.
– Aqui? — falou mais baixo. A mulher ouviu-o do outro lado do muro.
– Sim!!! Estou aqui — se encostou na grande parede de pedra que os separava.
– Certo. Um muro nos separa — German disse pensativo. — Mas estou feliz que esteja bem.
– Estou feliz de te encontrar. — Angeles respirou aliviada. — Mas como vamos sair daqui agora?
– Não sei. Não sei nem como chegar aí. — o homem suspirou. — Aqui é muito confuso.
– Realmente — ela comprimiu os lábios. — Não tem nenhum corredor aí que chegue até aqui?
German olhou ao redor. — Não tem como ter certeza, Angie. E eu não quero arriscar me perder de você de novo.
– Vamos derrubar essa droga de muro então — a loira chutou o muro, estava se sentindo sufocada no meio de muitos deles. Queria espaço.
German riu — Se fosse fácil. Esse labirinto está aqui desde a época de Jesus, se não caiu ainda não é agora que vai cair.
– Tem razão — Angie suspirou. — E se você escalar?
– É meio alto. Mas posso tentar — o homem considerou. Então se afastou o máximo que conseguia do muro, para correr e dar impulso para escalar. Da primeira vez, não conseguiu subir nem metade. Caiu no chão. — Outch!
– German?! Você está bem? — a mulher se preocupou, do outro lado.
– Uhum — ele murmurou, para não desesperá-la. — Mas isso não vai dar certo, Angie.
– Tem que dar!
– Mas não dá! — bufou. — Preciso no mínimo de uma corda.
– Eu não ando com corda. — a loira murmurou, irônica.
– Nem eu. — German rolou os olhos, como se aquilo fosse óbvio.
A loira olhou ao redor. Não havia nada além de um esqueleto por ali. Nada que poderia ajudá-los. Ou pelo menos era o que ela pensava, até olhar para sua bolsa pendurada em seus ombros. Respirou fundo, pensativa. Analisou o cumprimento da alça. Pendurada em seu ombro, a bolsa batia na altura de seu quadril. Se desprendesse um lado da alça, será que ficaria longa o bastante para servir de corda?
– O que está fazendo? Está quieta — German indagou do outro lado.
– Tive uma ideia. — Angeles rapidamente tirou a bolsa dos ombros e tentou soltar um lado da alça vermelha. Com dificuldade, finalmente conseguiu.
– O que é? — German disse, ansioso. A mulher alongou a alça o máximo que a fivela permitia, e então jogou a ponta solta dela para o outro lado do muro.
– Você alcança? — Angeles perguntou. German viu a alça da bolsa vermelha chegando até a metade do muro, vinda do outro lado.
– Sim, alcanço — o homem rapidamente foi e segurou a alça da bolsa.
– Muito bem. Segure firme, então. Estou segurando o outro lado da alça, que ainda está preso à bolsa. Vou me agarrar na bolsa e então você vai me puxando daí. Assim, eu subo o muro e pulo para o seu lado. — ela mordeu os lábios. Não sabia se daria certo. Afinal, a alça de uma bolsa jamais fora feita pra isso.
– Tem certeza, Angie? Essa coisa não parece muito resistente. — German estava inseguro.
– Bom, estou aberta a sugestões. — a mulher, por sua vez, estava irritada. German balançou a cabeça.
– Tudo bem. Quando estiver pronta...
Angie respirou fundo, agarrando a bolsa. — Pode puxar.
E então ele obedeceu. No começo, puxou com cuidado, com medo da alça arrebentar e de Angie cair. Mas daquele jeito não daria certo. Portanto logo puxou a alça com toda a força que podia, enquanto a mulher do outro lado ia subindo com a ajuda dele e o impulso que seus pés davam no muro.
– Vai arrebentar, Angie! — o homem comprimiu os lábios, preocupado. Sentia a alça não resistindo mais ao peso.
– Estou quase lá, só mais um pouquinho! — ela deu um grito abafado, estava com dificuldade de subir mais.
– Rápido, a alça não vai aguentar por muito temp.. — German mal terminou a frase, a alça arrebentou. E como havia muita pressão em cima dela, Angeles deveria ter caído com tudo no chão. E ela teria caído. Mas no mesmo instante se segurou no topo do muro. Ficou pendurada nele.
– Uou — sussurrou, assustada. Suas mãos doíam sustentando o peso dela pendurado. Se ficasse mais tempo, não aguentaria e cairia. Não ousou olhar para baixo. Apenas segurou o que restou de sua bolsa com os dentes e fez força com os braços.
– Meu Deus, você está bem?! — o homem do outro lado se desesperou. Angie murmurou um "uhum", pois era a única coisa que conseguia dizer com sua bolsa entre os dentes. Ergueu, então, uma perna e apoiou-a no topo do muro. Assim, com mais um pouquinho de força e esforço, Angeles conseguiu se sentar em cima do muro de pedra, sã e salva.
– Consegui — respirou ofegante, tirando a bolsa da boca. Jogou-a para German, que a olhava de lá de baixo, do outro lado.
– Pula, eu pego você! — o homem deixou o objeto vermelho da mulher de lado, e estendeu os braços. A loira olhou ao redor.
– Espera. Olha só! — exclamou, vendo todo o labirinto por cima. Como estava em cima do muro, tinha a visão de tudo. — German, podemos sair daqui!
– Você consegue ver a saída?! — o homem abriu um sorriso esperançoso.
– Sim! É pra lá — a mulher apontou para a diagonal de sua direita. — Eu consigo ver o caminho todo! — sorriu, tendo uma ideia. Pegou o celular do bolso da calça e então bateu uma foto do labirinto por cima. — Vamos conseguir.
Então, pulou para o lado de German. Ele segurou-a com dificuldade, e os dois caíram no chão. Sorte que este era de terra, o que amolecia a queda.
– Outch, sai de cima! — o homem murmurou, empurrando Angeles. Ela riu divertida, abraçando-o.
– Não. Obrigada. Sério. — deu-lhe um selinho demorado. Estava deitada por cima dele no chão.
– O que a gente não faz pra quem é especial, hein? — ele disse rindo. A loira sorriu sem graça, saiu de cima dele e sentou-se. Pegou o celular e analisou a foto tirada. — O que vai fazer com isso? — German sentou-se também, ao lado dela.
– Podemos usar a foto para ver o caminho da saída. Igual aqueles jogos de labirinto que jogávamos na infância, que tinha nas revistas, onde tínhamos que riscar o caminho certo do início a saída.
– Eu adorava jogar isso. — German riu, pegando o celular das mãos dela e analisando a foto.
– Abre o aplicativo do editor. Tem uma configuração que dá pra desenhar na foto, então você pode riscar o caminho igual nas revistinhas. — Angie sorria. Continuavam perdidos, mas com ele ao seu lado era como se tudo fosse uma grande diversão.
– Certo, vamos lá — o homem fez cara de pensativo. Com a ajuda de Angeles, em poucos minutos desenharam o caminho certo para chegar até o final do labirinto. Assim, levantaram-se do chão e seguiram a linha que fizeram, usando a foto como mapa.
Demorou, sim. Mas eles conseguiram. Quando encontraram a saída, a mulher gritou de tanto alívio. Abraçou German, eufórica, enquanto este ria com a animação dela. Estavam salvos.
– Que demais, quero fazer de novo — Angie riu.
– Você é igual uma criança, sabia? — German soltou uma gargalhada, beijando o rosto dela. — Vamos embora daqui, estou traumatizado. — ele pegou-a pela mão e foram andando.
– Ah, foi legal. Fiquei nervosa e com medo, mas se não tivesse emoção não seria tão daora — a loira mordeu os lábios.
– É, pensando por esse lado... — German sorriu. Angie abraçou-o com força e então eles seguiram até a saída da cidade abandonada. Quando chegaram lá, rapidamente chamaram um táxi. Já era horário do almoço, precisavam voltar para o hotel.
XX
Quando chegaram, rindo e falando de qualquer coisa, foram juntos almoçar. Já não tinha mais muitos alunos no restaurante do hotel, pois já era meio tarde. Portanto, comeram tranquilos. Quando acabaram, a loira precisava ir correndo ao quarto para tomar um banho e se arrumar para a entrevista. Estava imunda de terra e suor. E o homem decidiu acompanhá-la até lá.
– Obrigada pelo passeio, Ge — a mulher sorriu, saindo do elevador com ele e andando até a porta do quarto. Buscou a chave em sua bolsa arrebentada.
– Que isso.. E ah, prometo que te comprarei uma bolsa nova — ele riu, acompanhado por ela.
– Já disse que não precisa. Tenho outras em Buenos Aires. — sorriu. O homem balançou a cabeça, encostando sua testa na dela e beijando-a carinhosamente. Ela correspondeu com vontade, enquanto ele a encostou na parede do corredor. Pausaram o beijo para tomar fôlego e logo voltaram, sem se importar se alguém passaria por ali e se depararia com a cena.
Pouco tempo depois dos beijos esquentarem, a loira afastou-o para destrancar o quarto, e assim ambos entraram no ambiente dela beijando-se calorosamente. A coisa logo ficou mais intensa do que todos os beijos que eles já deram em suas vidas. German trancou a porta quando entraram no quarto e pressionou Angeles na parede. Eles voltaram a se beijar enquanto puxavam-se ainda mais para si, se possível. As pausas entre os beijos eram respirações altas e ofegantes. German caminhou com Angeles até a cama e deitou-se com ela delicadamente. Angie mantinha as mãos no pescoço dele e fincava suas unhas lá quando se arrepiava. As mãos de German perambulavam pelo tronco da loira, procurando pela a barra da sua blusa. Eles não hesitavam no que estavam fazendo.
A blusa da mulher foi arrancada fora e jogada no outro canto da cama, enquanto a própria desabotoava a camisa de German. Ele passou a beijar o pescoço dela e desceu para o busto, abaixando levemente uma das alças do sutiã dela, que estava atrapalhando. Angie arfou, enquanto tateava o abdômen agora exposto de seu companheiro. Suas pernas estavam entrelaçadas. Suas respirações estavam ofegantes. Ele estava por cima dela. E mantinham os olhos fechados.
Foi aí que ambos escutaram. Alguém estava batendo na porta do quarto. German e Angie pararam imediatamente com o que estavam fazendo e se sentaram na cama. A loira pegou sua blusa e vestiu-a de qualquer jeito. German começou a tentar abotoar os botões de sua camisa o mais rápido possível.
– Tia? — escutaram Violetta do lado de fora.
– O-oi, meu amor! — a voz da loira estava falha, mas por sorte Violetta não havia notado.
– Pode abrir? — a menina perguntou baixo.
– Posso, er... — Angie se levantou da cama e olhou para German, vendo que sua camisa já estava abotoada novamente. Então, andou até a porta, seguida dele, e destrancou. — Oi. — sorriu nervosa. German segurou os ombros dela por trás. Ambos estavam com os lábios vermelhos e cabelos bagunçados, Violetta tinha que ser muito lerda para não notar.
– O que vocês estavam fazendo aí? — a menina estranhou e juntou as sobrancelhas. Angie entreabriu os lábios.
– É... — ela buscava por uma resposta.
– Estávamos assistindo a um filme. — o homem respondeu. Violetta esticou a cabeça para dentro do quarto e viu a TV desligada.
– A TV está desligada — a menina cruzou os braços, encarando-os.
– É que o filme acabou de acabar, aí desligamos — Angie concluiu, ainda meio ofegante. Violetta olhou-a.
– Hummm... sei — a menor respondeu pensativa. — Er, tia, a.. a alça do seu sutiã — Vilu apontou para a alça caída pelo braço da loira. Angeles arregalou os olhos e subiu a alça rapidamente. — E seu cabelo — meio sem graça, tentou ajeitar os fios loiros de sua tia.
– Eu estava deitada, sabe como é... — Angie riu nervosa.
– É, sei sim — a menina encarou-a. Angeles mordeu os lábios e desviou o olhar. — Papai, por que os botões da sua camisa estão abotoados no lugar errado?
– Er.. — German olhou para a sua camisa e respirou fundo. O que ele diria? — Violetta, pare de enrolar, fala o que você veio fazer aqui — sua fala saiu um tanto fria.
– Ei! O quarto também é meu! Sorte a de vocês que eu deixei a chave com a Angie — a menina levantou as sobrancelhas e os dois a sua frente se entreolharam. — Mas tudo bem. Tia, o Pablo disse que precisamos sair mais cedo pra entrevista, tipo, agora. Ele não me explicou por que, mas me mandou vir te buscar.
– Ahm, claro, Vilu, vai indo para o elevador que eu já vou. Só vou... ajeitar o cabelo. — ela sorriu.
– Tá ok — Violetta encarou um pouco os dois antes de sair.
Agora sozinhos, German e Angie se olharam nervosos.
– Não faça nenhum comentário — a loira levantou o dedo.
– Tá certo — ele assentiu.
– Agora ajeita meu sutiã aqui que você soltou tudo — Angeles se virou de costas e colocou seu cabelo pra frente, para que German arrumasse. Depois virou-se novamente para ele. — Bem, eu vou lá.
– Sério que você vai me deixar nesse estado?! — ele sussurrou. A mulher riu alto.
– Toma um banho gelado que resolve — ela riu novamente, beijou-lhe o rosto e saiu do quarto.
Angie caminhou até o elevador, meio desconsertada, e encontrou sua sobrinha esperando-a. A loira sorriu nervosa e entrou.
– Então, er...
– Justo na nossa cama, Angie? — Violetta indagou. — Vocês podiam ter ido para o quarto dele, né!
– Q-quê? — a mulher ficou pasma. Sua sobrinha não era burra, é claro que ela notaria.
– Tudo bem, eu sei que você não vai querer falar disso, então vamos ao que interessa. Eu preciso de ajuda, estou nervosa com a entrevista. — a porta do elevador abriu-se no térreo e a menina saiu puxando sua tia para fora do hotel, enquanto falava e falava. Mas, naquele momento, o coração de Angeles estava agitado demais para que ela conseguisse focar em qualquer coisa que a sobrinha dizia.
XX
– Boa noite! — Angie sentou-se com seu prato de comida na mesa do restaurante do hotel em que estava German, sozinho, jantando. Ela chegara da entrevista, fora tomar um banho e agora havia descido para comer. Tinha mais outra entrevista pela noite.
– Boa noite — ele sorriu. A mulher abriu um sorriso tímido e começou a comer.
– Como está?
– Brochado. Mas tudo ok. — ele bufou e ela soltou uma gargalhada, dando um leve tapa no ombro dele.
– Cala a boca, estamos em lugar público — a loira ria.
– Mas é verdade! — German sorriu divertido, balançando a cabeça. — Bem, como foi por lá?
– Foi muito bom. Vilu se saiu muito bem. — Angeles sorriu, comendo. — Ela nasceu pra isso, German.
– Eu imagino — o homem mordeu os lábios. — Estou orgulhoso dela.
– Angie — Pablo apareceu por ali. Os dois que estavam na mesa o polharam — Já estamos nos organizando para ir, fique no saguão esperando, só vou chamar a Ludmila e iremos para a rádio.
– Mas já? — a mulher olhou o relógio em seu pulso e arregalou os olhos. — Bem, parece que eu perdi o tempo no banho — ela riu.
– Não se atrase. Por favor. — Pablo respondeu sério e se retirou. Angeles fez careta.
– Ele está muito chato — bufou.
– Estão todos tensos com tudo o que está acontecendo de novidade com o Studio, Angie. É normal — o homem sorriu carinhoso para a mulher, que agora devorava a comida em seu prato.
– Eu vou indo — ela engoliu tudo muito rápido para não se atrasar. — Pablo realmente anda pegando no meu pé com isso de atraso.
– Vai lá, nos falamos mais tarde — German beijou o queixo da mulher. Angie sorriu carinhosa.
– Até — ela pegou suas coisas e saiu em passos rápidos do restaurante. Chegou no saguão e avistou a sobrinha, sentada em um sofá e mexendo no celular. — OIE — Angeles se jogou ao lado da garota.
– Oi, gata — Violetta mordeu os lábios, sorrindo. — Estou com saudades. — do nada, abraçou a tia.
– Como assim? — a loira gargalhou. — Estamos nos vendo quase o dia inteiro!
– Só nos vendo. Estou com saudades de sair com você. Só nós duas. — a menina sorriu um tanto nostálgica.
– Hum, vamos combinar de sair então. Só eu e você. — Angie beijou a cabeça dela.
– Sei que anda saindo muito com o papai. Só que tenta ficar um pouco comigo nesses dias, ok? Você pode estar apaixonada por ele mas não vou deixar ele roubar meu tempo com você — Vilu riu.
– Eu vou sempre ter um tempo pra você, meu bebêzãoooooo!!! — a loira apertou-a.
Violetta sorriu e beijou a bochecha de sua tia. Ela então sentou-se de lado no colo da mulher. German estava saindo do restaurante e passou pelo saguão. Sorriu vendo-as e aproximou-se cuidadosamente. Se jogou ao lado das duas, o que as assustou.
– Olá — ele sorriu divertido.
– Aooooo já vou logo avisando que ela é minha, cheguei primeiro e você não pode roubar ela de mim — Violetta abraçava Angie, esmagando-a para demonstrar posse. Angie e German riram.
– Pode deixar, vou roubar ela só um pouquinho — ele sorriu bobo e colocou as pernas de Violetta no colo dele, assim ela ficava sentada nos dois. Então German abraçou Angie pelos ombros e eles assim ficaram um tempo, sentindo que finalmente o último pedaço do quebra-cabeça que faltava na família havia se encaixado.
Logo em seguida, Pablo apareceu com Ludmila e Leon. Se aproximaram dos três no sofá e o mais velho se manifestou.
– Vamos, uma van nos espera lá fora — Pablo sorriu. Violetta se levantou do colo dos dois e Angeles se levantou logo depois.
– Tchau, papai — a menina sorriu para German.
– Tchau, Ge — a mais velha fez o mesmo, abraçando a sobrinha e enfim andando com os outros três até a saída do hotel.
German sorriu, olhando-as de longe. Admirava as duas. Se sentia o homem mais feliz do mundo por tê-las consigo. Eram seus tesouros. Pensou em Jade, Esmeralda e Priscilla. Tudo o que ele disse a elas, ele deveria ter dito unicamente a Angie. E prometeu ali, a si mesmo, que ia compensá-la por todas as palavras ditas a pessoas erradas. A cada dia de sua vida, ele ia compensá-la.
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