Sorte no Azar
9 Thea/Felicity/Caitlin
Notas iniciais
Pov Thea.
Eu queria poder esquecer meu passado, deixar para lá. Mas devia saber que o passado sempre volta para atormentar, principalmente se seu sobrenome tivesse um Queen no meio.
Observei a mansão Queen, ela me parecia tão mais sombria que o normal, tão abandonada. Senti meu corpo tremer hesitando antes de bater na porta que foi aberta de supetão por Raisa, ela abriu um sorriso grande ao me ver.
– Menina Thea, que saudades. — ela me puxou para um abraço que eu correspondi prontamente. Raisa era mais do que uma empregada, ela me criou como uma segunda mãe.
– Também senti saudades Raisa. Como está tudo por aqui? -perguntei ao ver que ela me puxava para a cozinha reclamando que eu estava magra de mais.
Me sentei na bancada levando uma grande colherada de bolo a boca observando seu olhar satisfatório. Enquanto me observava comer se pôs a falar de como a mansão estava quieta, de como minha mãe estava doente e de seus netos travessos.
Forcei o bolo a descer por minha garganta ao ver minha mãe, parada me olhando. Seus olhos cansados e cheios de olheiras, a magreza era visível mesmo por baixo do hobbie que ela usava.
– Thea, você está em casa. — murmurou com a voz fraca, me equilibrei no chão e esperei ela vim me abraçar. Como sempre fazia quando nos encontramos.
Fechei meus olhos brevemente sentindo suas lágrimas em meu ombro. Eu nunca fui de demonstrar sentimentos, porque sempre que eu demonstrava me ferrava.
– Porque você está chorando? — as palavras saíram rasgando minha garganta ao ver seu choro aumentar constantemente, ela me agarrou mais forte e então de repente me soltou.
– Só estava com saudades da minha menina bonita. — acariciou meu rosto e eu quis chorar por vê-la tão frágil daquele jeito. Nunca me acostumaria aquela faceta dela, Moira Queen sempre foi forte demais para se deixar levar pela depressão.
Mas aconteceu.
– Onde você vai? — perguntei a vendo se afastar de mim. Ela me deu um sorriso curto e forçado e me deu as costas sumindo pelos corredores.
– Ela está mal menina Thea. — Raisa comentou, apenas assenti ainda assustada com tudo aquilo de tinha acabado de acontecer.
– Thea Dearden Queen Merlyn. — a voz zangada de Tommy preencheu meus ouvidos e eu lhe encarei culpada, seus braços me tiraram do chão soltei um grito surpresa com seu ato.
– Tommy não consigo respirar. — resmunguei esperneando para que ele pudesse me soltar.
– Você é uma irresponsável. Como some assim e não liga para avisar se ainda está viva, sabe o quanto fiquei preocupado? — revirei os olhos diante seu drama.
– Tommy, eu falei com você a três dias atrás.
– Isso, três dias. Você sabe o que pode acontecer em três dias? Da próxima vez que fizer isso, eu vou te trancar e nunca mais você vai sair. — continuou o drama. Ele merecia um Oscar com toda aquela interpretação, bufei acenando para Raisa e o puxei pela jaqueta em direção ao meu antigo quarto. Joguei minha cabeça em seu colo implorando por carinho.
– O que houve Thea? — seu drama deu lugar à preocupação. Peguei uma de suas mãos entrelaçando a minha.
− Felicity e eu brigamos. Minha mãe está pior do que eu pensava..
– Você e Felicity brigaram? Felicity Smoak? Dessa Felicity que estamos falando? — me interrompeu elevando a voz, concordei com a cabeça me perguntando se existia outra Felicity Smoak. Ele se ocupou em acariciar meus cabelos.
– Ela descobriu que eu sou uma Queen e ficou muito brava.
– Por você ser uma Queen? — questionou.
– Você sabe quem é a Felicity certo? Ela ficou brava Tommy porque eu escondi isso, ela ficou chateada porque eu menti para ela. -esclareci, um suspiro saiu de seus lábios e ele me parecia tão sério.
– Se for por esse motivo, Felicity tem razão de estar brava, vocês sempre foram unha e carne e então essa bomba cai no colo dela. Mas você sempre pode ir atrás dela e pedir desculpas. — eu ainda me impressionava o quanto Tommy podia ser inteligente.
– Obrigada Tommy. Mas não sei se consigo fazer isso sozinha. Você me acompanha? — perguntei baixo temendo ouvir sua negação, mas ele apenas assentiu.
– Podemos passar antes em um lugar? Laurel vem insistindo em tomarmos café juntos. Ela quer conversar com você. — sorriu em falar da namorada. Tommy era um bobo apaixonado.
– Claro.
Antes de sairmos, passei no quarto da minha mãe e a vi dormindo encolhida na enorme cama. Me aproximei o bastante para beijar sua testa e sai antes que ela acordasse.
– Fiquei sabendo da festa no final de semana. Vou levar Felicity e Caitlin, mesmo sob as ordens restritas dá Laurel de não levar a Felicity. — anunciei erguendo minhas pernas apoiando no painel do carro.
– Pode levar. Quero todos presentes nessa festa. — o vi abrir um sorriso enorme e abri a boca para falar algo, minha cabeça rodando.
– Você vai pedir ela em casamento não vai?
– O que? Não Thea. Que ideia louca, Laurel e eu, casados? -murmurou nervoso se embaralhando todo. Gargalhei.
– Você vai.
– Cala a boca por favor. E nada de soltar um pio sobre isso. Com ninguém, jamais. — ameaçou.
Ergui as mãos fingindo medo e ri ainda mais quando ele bufou e disse algo que eu era sua pior irmã.
– Eu sou sua única irmã Tommy. — impliquei dando um tapa em sua cabeça quando chegamos à cafeteira.
Vi Laurel acenar de forma exagerada quando nos viu, abri um sorriso falso e a abracei sem muito gosto. Não é que eu não gostasse dela, é só que Laurel Lance era forçada demais para meu gosto. Mas Tommy gostava dela, então eu estava feliz por ele e somente por ele.
– Thea quanto tempo. — ela disse depois que beijou Tommy. Um beijo que devia ser proibido em ser dado em público.
– Amor não podemos demorar muito. Precisamos passar na QC agora. — Tommy disse, Laurel me encarou e depois o encarou.
– Vão ver Ollie? Faz tempo que eu o vi. — revirei os olhos diante sua voz enjoada.
– Não vamos ver o Oliver e sim a Felicity. — deixei escapar, Tommy colocou as mãos no rosto para logo depois me fuzilar com o olhar, apenas ignorei sua reação, estava focada nas expressões de Laurel, a vi fazer uma careta rápida com a menção de Felicity. Bufei não aguentando mais aquela implicância dela.
– Qual é o seu problema? Felicity nunca fez nada contra você, Tommy era solteiro naquela época. Esta na hora de você esquecer Laurel, isso é criancice e passado. — explodi os deixando sozinhos e perplexos.
– Thea espera. — Tommy agarrou meu braço me obrigando a parar. Minha língua coçando para dizer muitas coisas, mas não queria Tommy com raiva de mim também. Felicity bastava.
– O que? Não vai ficar com sua namorada? — perguntei abusando da acidez.
– Prometi ir com você. Vamos logo. — me puxou em direção ao seu carro e eu sorri brevemente olhando para trás e vi uma Laurel visivelmente irritada ao ser deixada para trás.
Senti meu coração titubear em meu peito ao ver de longe seu costumeiro moletom vermelho. Roy estava com as mãos erguidas e ele parecia assustado, em sua frente tinha um homem.
– Ele está sendo assaltado. — apontei mostrando para Tommy que tentou me puxar para longe, me neguei e comecei a andar na direção deles batendo minha bolsa na cabeça do cara. Roy aproveitou a distração dele o imobilizando que resistiu e socou a barriga dele e fugiu carregando minha bolsa que tinha caído no processo.
– Você está bem? — perguntei observando seu corpo agachado.
– Eu estou bem sua maluca. — falou ofegante.
– Você está sangrando. — me agachei tentando ver o ferimento em sua barriga. O sangue vivo jorrando por sua mão me fez querer vomitar.
– Isso acontece quando alguém é esfaqueado Thea. — retrucou, fiz careta diante seu humor.
– Vamos Roy, vou te levar pra um hospital. — murmurei enquanto ele negava se afastando de mim como o diabo foge da cruz.
– Não me diga que tem medo de hospital. — impliquei sobre seu olhar fuzilante, encolhi meus ombros pedindo desculpas rapidamente.
– Não preciso de você aqui Thea. Vai embora. — me afastei magoada com suas palavras, minha garganta formando um bolo me impedindo de falar algo.
– Vamos deixá-lo no hospital aí vamos à QC. — Tommy se pronunciou.
– Não precisa. Sei ir sozinho. — Roy voltou a falar. Senti os dedos de Tommy envolverem meu braço me impedindo de ferir Roy ainda mais ele por vez apenas me deu as costas.
– Não podemos deixá-lo assim Thea.
– Tem um posto de saúde aqui perto. Ele consegue chegar até lá. — mordi meus lábios evitando seu olhar. Tommy passou o braço por meus ombros como se me protegesse de algo.
– Quem é ele? — questionou vendo algumas pessoas ajudando Roy de longe.
– Ninguém importante. Agora vamos para a QC logo.
Pov Felicity
Eu não podia acreditar no que meus ouvidos escutaram. Simplesmente não podia acreditar. Eu encarava Oliver, chocada e ele nem se quer me dirigiu o olhar desde que chegou, Connor ainda estava a alguns passos de distância dele, mas Oliver parecia muito bravo.
E ele ficava tão sexy de cara fechada.
– Connor, eu disse para você não sair do meu escritório. — ele brigou com o garoto que caminhou de cabeça baixa até ele.
– Ele só queria se divertir. — murmurei vendo os olhos de Connor marejados.
– Não me diga como criar meu filho Senhorita Smoak. Vamos Connor. — puxou o garoto de maneira bruta sem me conter ergui minha mão puxando Connor para meu lado.
– Estúpido. — deixei escapar. O olhar frio que ele me direcionou não me abalou, ao contrário só me fez sustentar o olhar em desafio. Seu rosto se fechou e seu olhar se voltou ao Connor.
– Tudo bem. — Connor apertou minha mão rapidamente e saiu de cabeça baixa pelo departamento. Provavelmente chorando pela atitude de seu pai.
– Não tenho nenhuma experiência com crianças, mas tenho certeza de que não é assim que se trata uma Senhor Queen. Agora, faça um favor para ambos, saia daqui. — mantive meu olhar no seu esperando qualquer tipo de implicância que veria a seguir mas ele apenas saiu acalçando Connor no elevador.
Deixei meu corpo cair na cadeira e envolvi meu rosto com as mãos. Oliver Queen seria minha perdição. E ele era pai.
Minha mente não conseguia se manter quieta. A confusão tomando conta de todo meu corpo, balancei a cabeça tentando esquecer Oliver definitivamente. Foi tudo carnal, apenas um jogo divertido, que tinha chegado ao fim.
Bufei frustrada ao ver que eu não conseguia desligar minha mente dele. Era como se fossemos imãs. Talvez tenha sido algo mais do que carnal.
– O que eu estou falando? — resmunguei sozinha me estapeando mentalmente com o rumo dos meus pensamentos. Escutei uma batida suave na porta e agradeci a distração.
Vi Thea que entrava hesitante no escritório, os braços envolta do corpo e o sorriso amarelo em seus lábios, pude ver de realce Tommy me lançar um olhar repreensor e fechou a porta. Seu silêncio me mostrava que ela não tinha certeza se era para ter vindo.
– Você nunca corre atrás de ninguém. — murmurei iniciando o diálogo vendo que ela ficaria em silêncio por muito tempo, ela revirou os olhos.
– De quem vale a pena corro uma maratona. Me desculpa Felicity, por tudo, não foi certo mentir para você, admito isso. Mas eu não posso aceitar perder sua amizade. — disse, seus braços caíram ao lado de seu corpo mostrando toda sua derrota. O que ela fez, foi decepcionante, mas era a Thea, minha melhor amiga e eu não podia ficar nesse pé de guerra com ela por conta de um deslize.
– Juro por Deus Thea, que se você mentir para mim de novo eu vou te bater. — disse abrindo meus braços e ela se movimentou rápido pulando em cima de mim.
– Então você e o Ollie? Ainda não acredito que dormiu com ele. — sorriu maliciosa depois que saiu do meu aperto. A imagem do garoto de óculos me veio à cabeça.
– O filho dele, Connor apareceu aqui vamos conversar sobre isso. — desconversei interessada no garotinho. Thea arregalou os olhos e correu para abrir a porta puxando Tommy para dentro que quase deu de cara no chão ao tropeçar nos próprios pés.
– Connor estava aqui? Oliver trouxe Connor para te conhecer? — seu tom saiu tão ansioso que eu achei fofo, Tommy engasgou quando ouviu o nome do menino.
– Na verdade foi algo do acaso, o garotinho, Connor estava se escondendo de Oliver. — sussurrei, Thea sorriu parecendo orgulhosa e socou o ar feliz. O que diabos essa louca anda ensinando para o sobrinho?
– Seu irmão é casado por acaso?
– Não. Connor é o resultado de uma noite do Ollie. A mãe do garoto mora em Central City, e ele é o maior segredo do mundo. — Thea murmurou baixo.
– Porque estamos falando do Oliver e do Connor? — Tommy se pronunciou intercalando seus olhares.
– Felicity dormiu com ele.
– Fofocas.
Encarei Thea no mesmo momento, querendo matá-la por não ter mentido. Tommy abriu um enorme sorriso me inspecionando atentamente.
– Nenhuma palavra Thomas Merlyn, nenhuma palavra. O que vocês estão fazendo aqui mesmo? — resmunguei me erguendo e os empurrando do meu cubículo. Eles riram divertidos do meu constrangimento e me deixaram sozinha.
Que belos amigos eu fui encontrar.
Pov Caitlin
A única maneira de consertar um coração partido é o tempo.
Barry e eu não tocamos no assunto do beijo, e eu me sentia bem em não falar disso no momento. Ele estava sentado confortável ao meu lado, vez ou outra sua mão tocava a minha e eu corava fingindo assistir tv.
Eu nem ao menos sabia o que estávamos assistindo. Girei minha cabeça ao ver a porta de abrir, Felicity abriu um sorriso ao nos ver.
– Oi Barry. — Felicity o abraçou rápido.
– Felicity. Sábado, jogos, eu contra você. — ele propôs, vi os olhos da minha amiga brilharem em expectativa. Ela tinha achado alguém tão nerd quanto ela.
– Domingo. E se prepare para perder. — murmurou convencida balançando os cabelos. Acompanhei com os olhos ela sumir pelo corredor e me virei para Barry.
– Você cometeu o pior erro da sua vida. Felicity é muito competitiva, e ela é muito boa. Devo alertar que ela fazia apostas na faculdade por causa desses jogos, e nunca a vi perder. — disse, Barry apenas sorriu despreocupado, encarou o relógio e seu rosto de transformou em de decepção.
– Eu preciso ir. — disse, sem me conter suspirei alto deixando meus ombros caírem em total desapontamento. Em silencio o acompanhei até a porta. Seu corpo se inclinou em minha direção e eu prendi minha respiração esperando, mas seus lábios roçaram minha testa em um beijo quente e demorado.
Seus olhos buscaram os meus, o sorriso brilhando em minha direção enquanto ele caminhava esbarrando em tudo porque insistia em manter seu olhar no meu. Assim que as portas do elevador se fecharam soltei uma longa respiração que nem percebi ter segurado, sorriso crescendo gradativamente ao sentir os fantasmas de seus lábios ainda em minha testa.
– Mundo da lua? Ou no mundo chamado Barry Allen. — pulei assustada ao ver Thea entrar silenciosa no apartamento. Ela se jogou no sofá.
– Você não trabalha mais? — implicou comigo, bufei jogando um travesseiro em seu rosto.
– A qualquer emergência estarei lá. O que aconteceu? Você me parece abatida. — sentei-me no sofá como um índio e a encarei interessada.
– Minha mãe, eu não sou apegada à ela mas a situação dela é bem crítica, tem também meu pai Robert Queen, namorando uma megera e Roy foi esfaqueado me protegendo.
– Roy? Seu amigo da verdant? Ele está bem?. — ela assentiu, parecendo mais abalada do que demonstrava.
– Ele está bem, já está na casa dele e tudo pelo menos eu acho.. Eu só percebi hoje que eu sou definição de problema. — mordi meus lábios evitando chorar ao ver a cara desolada que ela fez.
– Cait não começa a chorar. Porque se você chorar eu vou começar a chorar e isso não vai terminar bem. — pediu já com os olhos marejados. Respirei fundo encarando o teto, tentando me controlar.
– Você é incrível Thea, ninguém pode dizer o contrário. — disse agarrando sua mão, ela sorriu em agradecimento.
– Eu estou com fome, você está? — desconversou batendo em suas próprias pernas e balançou a cabeça. Demonstrar sentimentos nunca foi o forte de Thea. Respondendo sua pergunta meu estômago rugiu alto me deixando constrangida. Ela riu colocando sua mão em minha barriga.
– Acho que temos um pequeno girino com fome aqui. Meu sobrinho e eu estamos com fome. — brincou se erguendo puxando o celular do bolso.
– Não chame meu bebê de girino Thea.
– Japonês ou italiano?
– Nada disso, hoje eu vou fazer o jantar. — Felicity gritou correndo feito uma louca em nossa direção. Encarei Thea temerosa do que viria a seguir.
– Felicity nós queremos comer e não morrer intoxicada. -tampei minha boca disposta a não deixar a gargalhada sair alta, mas foi impossível me segurar ao ver Felicity xingando Thea pelo seu comentário.
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