Sorte no Azar
10 Felicity/Caitlin/Thea
Notas iniciais
Pov Felicity
Não existe nada melhor do que o sábado. Estiquei minhas pernas no sofá tentando encontrar uma posição confortável. Coloquei em um filme romântico qualquer e apoiei a bacia de pipoca em meu colo.
Uma chuva gostosa caia lá fora me fazendo ter a certeza que era o dia certo da preguiça. Vi Caitlin entrar disparada no apartamento, pude escutar o barulho alto de seu vômito e meu estômago revirou.
Frustrada, joguei minhas pernas para fora do sofá e me encaminhei lentamente até ela que estava agachada à privada, os cabelos caindo por seu rosto. Enrolei seus cabelos em uma das minhas mãos e com a outra acariciei suas costas.
– Essa criança não quer deixar nada parado no meu estômago. — ela se ergueu branca feito papel e se apoiou em mim lavando seu rosto e boca. A puxei até a sala e coloquei sua cabeça em meu colo.
– Nós vamos a festa da Laurel. — Thea anunciou entrando no apartamento cheia de sacolas. Revirei meus olhos me perguntando se ela lembrava de que Laurel me odiava.
– Laurel odeia a Felicity. — Cait verbalizou meus pensamentos e eu sorri da sincronia, Thea nem precisava da minha confirmação.
– Thea..
– Por favor gente eu preciso das minhas melhores amigas, lá vai ser chato. Tommy vai passar a noite inteira ao lado da Laurel e o Ollie, acho que ele não vai então por favor, vamos. — falou. Mordisquei meus lábios com a menção do nome dele.
Oliver e eu não nos falávamos desde o incidente com Connor em meu escritório e estava sendo mais difícil do que eu pensei ficar tão distante dele assim.
Constantemente eu me lembrava do seu toque em minha pele, os lábios habilidosos sob os meus a forma de como meu corpo reagia ao dele, de como sua voz rouca me arrepiava por completo. Apesar de tudo eu me sentia bem ao lado dele. Oliver estava a um ponto de me deixar louca.
– Felicity? Você não vai se arrumar? — Thea perguntou, focalizei seu rosto sorridente, ela me praticamente esfregava uma das sacolas em meu rosto.
– Por que está receosa? Não é por causa da Laurel.. - era por causa do seu irmão e dos sentimentos conflitantes que ele despertava em mim.
– Nada Thea.. Vou tomar banho. — sussurrei sorrindo amarelo me levando do sofá.
A certeza sempre foi minha companheira. A dúvida, mistérios sempre me levavam à loucura, porque eu gostava de coisas exatas. E Oliver Queen não era uma certeza, não era algo exato em minha vida. Mas eu simplesmente não conseguia o tirar da minha cabeça.
– Não se apaixona Felicity.. Não se apaixona. — murmurei comigo mesma me observando no espelho. O medo da decepção estampado no meu rosto.
– Você não pode se decepcionar por algo que não existe Felicity. — me estapeie mentalmente me obrigando a parar de pensar assim. Corri até o chuveiro afim que ele retirasse tudo aquilo de dentro de mim.
Fiz uma maquiagem simples quando terminei o banho, estiquei na cama o vestido que Thea tinha me oferecido e me encantei com toda simplicidade dele.
Deslizei ele por meu corpo e sorri o vendo se ajustar perfeitamente em meu corpo. O tecido vermelho em contraste com minha pele branca, optei por deixar meus cabelos soltos.
– Felicity, você está mais estranha do que o normal. Tudo isso é por causa do Ollie? — eu podia sentir as palavras por trás daquela pergunta, era quase como se ela gritasse nós fizemos um trato! Ele é meu irmão, não se envolva com ele!
Eu podia ter contado a verdade. Contar o quanto ele mexia comigo, o quanto eu estava confusa em relação a ele. Mas tudo que eu fiz foi mentir, senti minha garganta travar porque eu estava fazendo o que ela fez comigo. Eu estava mentindo para minha amiga.
– Eu só não queria vir Thea, Laurel me odeia e pelo visto essa festa é algo grande. — senti os olhares queimando minha pele, Caitlin me encarava atenta. Seu olhar repleto de reprovação. Talvez ela soubesse que eu estava mentindo e estava me julgando por aquilo.
Procurei me ocupar com os tamborilar de meus dedos para que não voltasse a encarar Caitlin e seu olhar julgador. Não sabia se suspirava aliviada ou aterrorizada quando chegamos à festa.
– Vocês vieram. — um Tommy bastante animado nos cumprimentou, de longe vi Laurel me fuzilar com o olhar. Um pouco de diversão!
Tommy passou seus braços por minha cintura e eu sorri quando ele me ergueu do chão.
– Laurel não está gostando disso Tommy. — sussurrei em seu ouvido, imediatamente seus olhos se voltaram para a promotora que estava com os braços cruzados com cara que quem provou e não gostou.
– Só uma dica. Diga para ela esquecer o que houve, já faz anos. — resmunguei alto o suficiente para que ele, já um pouco distante ouvisse.
Meus olhos vagaram todo o salão a procura de algo interessante. Engasguei com minha própria saliva quando vi Oliver.
Não só ele.
Virei meu rosto não querendo observar ele se esfregando na loira ao seu lado, mas pude ver as mãos dele apoiadas em seu quadril. Um fogo estranho crescendo em meu peito me assustou. Aquilo era ciúme?
– Sua mãe nunca te ensinou que é feio encarar? Eu já sei o que está acontecendo com você.. Você, Felicity Smoak está gostando dele. — acusou, pisquei assustada tanto pelo seu tom discriminatório quanto por sua linha de raciocínio. Engoli o seco negando firmemente.
– Não Cait, você está enganada. Ele é só muito bom de cama. Quando digo bom, é porque ele é realmente muito bom.
– Ele é irmão da Thea Felicity, se resolva com ele antes que seja tarde demais, antes que ele quebre seu coração. — continuou, desviei meu olhar do dela e suspirei aliviada ao ver que Thea se posicionava ao meu lado alheia a nossa conversa tensa.
Franzi a sobrancelha quando Thea se apoiou em um homem já de idade.
– Gente, esse é Robert Queen, meu pai. — apresentou, Caitlin se antecipou e lhe estirou a mão em comprimento. Fiz o mesmo. Ele era simpático, e galanteador.
– Vem dançar filha. — ele a puxou até o meio da pista, pude ver Thea gargalhar quando o pai fez um movimento engraçado, que não foi notado por quase ninguém ali.
E então eu o vi caminhar em minha direção, virei meu rosto incapaz de lhe encarar. O aperto de Caitlin me impediu de fugir.
– Se resolva com ele logo. — murmurou, respirei fundo encarando a muralha de músculos à minha frente.
– Dança comigo. — ele pediu, mordi meus lábios com a intensidade que ele me encarava. Senti um pequeno empurrão em minhas costas e repreendi Caitlin com o olhar. Aceitei a mão de Oliver e ele me levou até o meio da pista.
Minha respiração acelerando conforme ele passava uma mão por minha cintura me puxando contra seu corpo.
– Você está tensa. — constatou, respirei fundo tentando me acalmar. Seus dedos se entrelaçaram aos meus sem que eu percebesse, uma pequena e quase imperceptível corrente elétrica passou por meu corpo me arrepiando. Enterrei meu rosto em seu pescoço respirando seu perfume profundamente, nossos corpos balançando no ritmo lento da música.
– Me desculpa pela forma como te tratei na frente do Connor. -murmurou depois de alguns minutos em silêncio. Ergui meu rosto para observá-lo. Seu rosto estava tão próximo que eu poderia beijá-lo sem me preocupar com nada.
– Não é a mim que você tem que pedir desculpas.
– Eu sei.. Connor me desculpou, eu só.. Felicity aquele garoto é tudo para mim e então ele saiu da minha vista e eu fui no inferno e voltei quando não o encontrei. — soltei sua mão e envolvi meus braços em seu pescoço e ele rodou os seus em minha cintura me apertando ainda mais contra si.
– Você é um pai e tanto. — sussurrei, ele me apertou em seus braços ele soltou uma risada rouca que me fez arrepiar. Mas então ele parou de se movimentar, o encarei confusa e então percebi o motivo da sua pausa.
A música tinha parado e eu nem tinha percebido. Oliver tentou me segurar perto dele, mas consegui me desfazer de seu aperto. Mesmo sob seu olhar confuso.
Ele não era algo exato. Ele não é para você.
Fugi para perto de Caitlin que passou seu braço pelo meu. Observamos Tommy ajoelhado no meio do salão segurando um belo de um anel e Laurel chorando do outro.
– Laurel Dinah Lance, você quer se casar comigo? — escutei seu pedido enquanto eu caminhava até o banheiro carregando Cait junto.
– Me conta tudo. O que houve? Oliver Queen te disse algo? Vocês pareciam até um casal na pista de dança. — me encheu de perguntas, neguei achando fofo toda sua preocupação. Retoquei meu batom e voltei a arrastá-la sem respostas.
– Vou procurar algo para comer já que você está me deixando sem respostas. — ela apertou o passo em direção a mesa repleta de comida.
Me posicionei ao lado de Thea evitando olhar para o lado onde Oliver estava. Essa noite só piorava a cada minuto. Cutuquei suas costelas apontando discretamente para Ronnie que entrava com uma outra mulher ali.
Pude ver seus olhos brilhando quando ele avistou Cait comendo distraidamente, ele se movimentou em direção a ela deixando sua acompanhante para trás, e em questão de segundos eu já estava à sua frente o impedindo de chegar até minha amiga.
– Pensei ter dito para ficar longe dela. — ameacei chegando mais perto dele que me deu dois passos para trás.
– Eu preciso conversar com a Caitlin, e você não é exatamente minha esposa. — soltei uma risada cheio de sarcasmo. Eu queria esbofetear ele ali e agora.
– Você perdeu o direito de se aproximar da Caitlin no momento que a traiu Ronnie, não só por ter traído ela, mas por levar sua amante para o apartamento de vocês.
– Olha, eu sei que o que eu fiz não foi legal..
– Eufemismo do ano. — o cortei, seu olhar me fuzilou o que fez meu sorriso aumentar.
– Felicity saia da frente para que eu possa conversar com Caitlin. Se não sair por bem vai sair por mal. — ameaçou, sustentei meu olhar ao seu não me intimidando com sua postura mal fingida de homem.
– Soube que Cooper está na cidade.
– Você é um imbecil de marca maior. Nem mesmo Cooper chega aos seus pés. — sem nem dar tempo dele pensar minha mão parou em seu rosto. O barulho foi tão alto que todo mundo ao nosso redor parou o que estava fazendo e agora nos observava.
– Você tá maluca? — gritou com a mão no rosto, soltei uma risada histérica.
– Você não viu nenhuma loucura ainda amigo. — a voz de Thea se sobressaiu, arregalei meus olhos desviando do sapato que ela tinha jogado.
Acertou bem na cabeça dele.
– Boa mira. — bati nossas mãos e ela riu. Minhas mãos estavam coçando para dar mais alguns tapas naquele rosto. Talvez deformá-lo um pouco, mas antes que eu pudesse fazer algo, senti braços fortes me puxarem. Eu conheceria aqueles braços de olhos vendados.
– Oliver Queen me solte ou quem vai apanhar é você. — se eu estava indignada? Claro que sim, Oliver em resposta apertou seus braços a minha volta.
– Só na cama querida. — senti meu corpo tremer com seu aperto e minha garganta travar impossibilitada de falar algo.
– Me solta. — resmunguei, ele me livrou de seu aperto e sua mão desceu até a minha entrelaçando nossos dedos. Olhei para frente tentando controlar as batidas frenéticas do meu coração por causa daquele gesto.
– Gente, não é hora para isso. — vi o olhar de Thea se fixar em nossas mãos unidas e quis me soltar de Oliver mas ele em resposta apertou mais minha mão.
Esse homem ia me deixar louca. A qualquer momento.
Pov Caitlin
Eu tinha a plena certeza de que minha vida era composta apenas por azar. Observei Ronnie estupefato com a mão no rosto.
– Preciso conversar com você Caitlin, amor.. Eu quero outra chance, fazer nosso casamento acontecer. — disparou dando um passo em minha direção, em puro reflexo dei outro para trás não o deixando chegar perto.
– Você acha que é só aparecer na minha frente que eu vou querer você de volta Ronnie? — segurei as lágrimas que queriam descer, todas as pessoas prestando atenção na gente.
– Sim, achei isso. Preciso do seu perdão Caitlin. Eu ainda te amo. — não posso dizer que fiquei balançando, porque eu fiquei. A quem eu queria enganar, eu ainda amava esse cafajeste.
– Ninguém aqui é padre para te dar perdão não idiota. — para minha surpresa quem disse isso foi Felicity, esperaria de Thea não dela.
– Cara, vai embora você não é bem vindo aqui. — Oliver disse, ele estava segurando a mão de Felicity e ambos se mantinham ao meu lado formando uma muralha.
– Não, não, não. Agora não. — tampei minha boca com uma mão enquanto a outra acariciava minha barriga. O olhar de Ronnie se fixou em meus movimentos atento, senti meu coração parar quando a compreensão chegou ao seus olhos.
– Você está grávida. — afirmou, minha garganta se fechou e as lágrimas se acumularam em meus olhos. Eu não podia respirar, não conseguia.
– Cait, respira. Você está entrando em pânico. — de longe ouvi a voz de Thea, observei seus olhos desesperados e me obriguei inspirar e expirar, como ela me instruía a fazer.
Eu ainda não podia acreditar na minha maré de azar.
Pov Thea
– Ronnie por favor vai embora. -Felicity pediu acariciando os cabelos de Caitlin que ainda estava em pânico. Ela me parecia tão frágil.
– Ela está grávida de um filho meu, acho que preciso de mais explicações. — se exaltou.
– Você é cego por acaso? Caitlin não está em condições de conversar com ninguém e muito menos com você. Outro dia Ronald. — acariciei minhas têmporas tentando me acalmar. Ronnie encarou Caitlin e sua barriga e saiu tropeçando em tudo.
– Acho que essa festa já deu por hoje. Vamos para casa. -Felicity disse
– Ollie, você pode nos levar para casa? — quis gritar logo depois porque Felicity me deu um beliscão entre as costelas, franzi a testa a observando e bufei.
– Eu as levo. — Oliver concordou encarando Felicity intensamente. Nunca tinha visto ele olhar daquela maneira para nenhuma mulher.
O caminho até nosso apartamento foi silencioso o bastante para ouvir os soluços baixo de Caitlin. E foi constrangedor o suficiente porque a tensão sexual de Felicity e Oliver era palpável. Eu podia pegá-la no ar e esfregar na cara deles.
– Obrigada Ollie. — agarrei o braço de Caitlin e saltamos antecipadas quando ele estacionou. Pude ver como Oliver puxar Felicity discretamente e lhe dizer algo antes de lhe beijar.
Meu queixo caiu e eu me obriguei a continuar a caminhada quando Cait me puxou.
– Felicity está se envolvida demais com seu irmão Thea.
– Eu sei Cait, mas não posso fazer nada. Hoje eu o vi olhar para Felicity de um modo que eu nunca tinha visto antes. Talvez, talvez ele tenha encontrado a pessoa certa. -disse. Minha amiga e meu irmão. A imagem deles juntos na pista de dança tinha me dado à certeza que eles eram um casal notável.
Sorri alegre ao ver uma típica cidadã de Vegas parada a nossa porta. Eu tinha certa inveja da Felicity por ter uma mãe tão legal.
– Donna. — a abracei forte e ela retribuiu eletrizada. Cait a cumprimentou também, mas ela estava tão atordoada que pediu desculpas e entrou no apartamento.
Uma Felicity espantada cambaleava de cabeça baixa até nós. Seu olhar surpreso ao ver Donna ali. Ri da sua cara de desespero.
– Mãe? — eu podia afirmar com todas as letras que eu tinha ficado surda com o grito que Donna Smoak deu. Ela se jogou nos braços de Felicity, ambas cambaleando para trás.
– Meu bebê bonito. — as deixei ter um momento mãe e filha sozinhas e corri até meu quarto. Meus dedos coçando para ligar para Roy, pedir desculpas pela maneira infantil como agi. Eu sentia falta dele. Inconsciente de meus atos, o número já estava discado. Tarde demais para desligar Thea.
– Alô.
– Você estava certo. Odeio ter que admitir, mas estava. -murmurei depois de alguns segundos em silêncio.
– Sobre o que exatamente? Costumo estar certo sobre muitas coisas. — disse divertido, gargalhei baixo colocando o celular no viva voz me ocupando a retirar os sapatos e o vestido.
– Me desculpa Roy. Por tudo.
–Posso te ver amanhã? Não sei se posso dizer isso, mas sinto sua falta.
– Sinto sua falta também Roy. — meu coração se agitou feliz em meu peito. O que ele estava fazendo comigo?
– Amanhã então? — seu tom ansioso me animou.
– Amanhã. — concordei e me despedi dele. Uma chama se instaurando dentro de mim. Eu podia dormir tranquila agora, sabendo que minha vida estava nos eixos novamente.
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