Sorte no Azar
7 Thea Merlyn
Notas iniciais
Eu sempre tive um sonho de amar e ser amada profundamente, mas depois de um tempo eu pude perceber que amor não era para mim.
Minha primeira decepção amorosa ao meus 10 anos, um carinha da escola muito bonito falava comigo constantemente no intervalo das aulas, e eu me apaixonei por ele, e no dia em que disse em voz alta que gostava dele ele me jogou um balde de água fria dizendo que gostava da minha melhor amiga.
A segunda vez que me decepcionei não foi amor romanticamente, foi minha mãe! Ela de todas as decepções foi a maior.
A terceira foi no ensino médio, mas ele não servia para mim e mesmo assim eu me apaixonei e acabei sendo presa por ter vandalizado uma loja em prol dele, o que acabou com o romance quando ele tentou me roubar. A quarta e por ultima, foi na faculdade onde meu namorado me traiu.
Felicity e Caitlin não sabem, mas a história não é bem verdadeira. Sim, meu namorado Jason, me traiu mais não foi exatamente com uma garota, e aquilo era muito embaraçoso para dizer em voz alta.
Fiz careta brevemente esquecendo daquilo. Um braço estava por minha cintura, ergui a cabeça e vi seu rosto. Muito mais bonito sob a claridade solar.
– Que raios de pensamentos são esses Thea? — briguei comigo mesma não me entendendo.
– Você fala sozinha agora Thea? — gritei baixo me assustando com a voz rouca dele. Por consequência acabei caindo de cima de seu corpo. Meu corpo se arrepiou ao entrar em contato com o chão frio.
– Eu só estava pensando alto Roy. — me ergui do chão, seus olhos acompanharam meus movimentos interessado. Claro que estaria interessado, eu estava nua em sua frente. Sua mão agarrou minha cintura me puxando para mais perto.
– Não Roy, eu estou com fome.. — afastei sua mão de meu corpo e ele resmungou alto voltando a posicionar suas mãos na lateral de meu corpo que se arrepiou com seu contato. Seu rosto se afogou no vale de meus seios, gemi baixinho me deixando ser levada até seu colo, apoiei meus joelhos em cada lado de sua cintura senti seus dedos apertarem minha pele, fechei meus olhos me ocupando à respirar pela boca enquanto ele se dedicava a beijar meu pescoço.
– Abra seus olhos. — pediu, atendi seu pedido e arfei vendo a intensidade em seus olhos me remexi em seu colo e lindamente um sorriso malicioso tomou posse de seus lábios, mas seu rosto despencou de feliz ao frustrado.
– O que houve? — perguntei baixinho, suas mãos se enrolaram em meu cabelo me puxando para mais perto.
– Não tenho proteção.
– Sou limpa e tomo anticoncepcional. — respondi rápido querendo fundir nossos corpos.
– Também sou limpo. — a rapidez com que ele me respondeu me fez sorrir, com certa urgência seus lábios se uniu aos meus, meus seios roçando seu peitoral me arrepiou, o sentir sem nenhuma barreira me fez gritar. Era tudo muito intenso, tudo muito novo para mim.
Nós não estávamos mais só fazendo sexo. Tinha muita coisa envolvida. Muita coisa que eu não queria sentir.
Aproveitei o máximo do corpo dele contra o meu, aproveitei mais de seus beijos, me lambuzei com seus gemidos em meu ouvido e, gravei em minha mente a forma abusada e maliciosa que ele sussurrava meu nome.
– Você está bem? — perguntou quando terminamos, tínhamos voltado à mesma posição de quando acordamos, respirei fundo engolindo minhas lágrimas.
Ergui meu rosto memorizando seus traços belos e sorri lhe dando um selinho.
– Lembrei que tenho que tomar café com minha mãe. — inventei uma desculpa e me levantei pegando minhas roupas e pertences. Seu braço me impediu de sair, o rosto preocupado. Talvez ele tivesse sentindo o mesmo que eu senti, ou eu sou apenas uma idiota que via coisas onde não tinha.
– Você está me escondendo algo..
– Isso é cobrança? Lembre-se Roy isso não é um namoro para eu lhe dar satisfação da minha vida. — coloquei meu tom mais ríspido explícito. Ele soltou meu braço soltando uma risada de escárnio.
– Faça o que quiser Thea. — disse se erguendo e me deixando sozinha ali na sala. Sem querer minha mão bateu no abajur o derrubando, e Roy apareceu novamente parecendo bravo.
– Vê senão quebra minha casa inteira. — resmungou e entrou novamente. Engoli o seco saindo dali. As lágrimas querendo invadir meu rosto a qualquer custo, mas eu me neguei a deixá-las caírem. Eu não era fraca.
– Sua estúpida. — chutei uma pedrinha enquanto caminhava pelo Glades. Meu apartamento não estava longe dali, então preferi ir caminhando, talvez minha mente se clareasse e visse o motivo de ter concordado em ser amiga colorida dele.
Meus pensamentos estavam uma bagunça só. Roy era alguém importante para mim, talvez eu tivesse perdido uma amizade. Um suspiro sôfrego saiu por meus lábios ao perceber aquilo, meu coração se apertou com tal possibilidade.
Fechei meus olhos brevemente respirando fundo e ouvi uma voz muito conhecida. Conheci Ollie de longe, seu corpo estava tencionado demonstrando o quanto ele estava irritado.
– Você não sabia que o Glades é um bairro muito perigoso? — o assustei cutucando os lados de sua cintura. Oliver desligou o celular rapidamente e eu estranhei.
– Se você sabe que é perigoso porque está andando sozinha pelas ruas? — retrucou tentando esconder sua irritação.
– Meu apartamento fica aqui perto.. E eu precisava pensar um pouco. Por que está tão irritado? — questionei o olhando atentamente. Seus olhos fugiram dos meus em resposta e eu bufei. Era hora de tirar tudo a limpo.
– Negócios em Central City Thea, nada com o que deva se preocupar. — disse rápido. Talvez aquilo não fosse mentira, mas aquela ligação o fez ficar muito irritado então era algo mais sério que apenas "negócios em Central City".
– Porque está mentindo para mim Ollie? Não faz nem um mês que voltou e já veio com um rede mentiras. — acusei.
– Thea por favor, eu não quero te envolver nisso, quando eu tiver tudo em minhas mãos você vai saber. — acariciou as têmporas e fechou os olhos com o movimento. Minha curiosidade cada vez mais atiçada.
– É algo muito sério? — ele apenas assentiu, seus olhos estavam tão agoniados que eu resolvi não questionar nada. Não nesse momento.
– Você deve estar com fome, vamos ao big belly, estou morrendo para ir lá. — murmurei, seu olhar suavizou com a mudança de assunto. Ele passou o braço por meu ombros e beijou o topo da minha cabeça sussurrando um obrigando.
– Você cheira a sexo. E esse ninho que você chama de cabelo não engana ninguém. — parei instantaneamente cheirando minhas roupas e tentei ajeitar meus cabelos, Oliver gargalhou apoiando as mãos no joelho ainda rindo, semicerrei meus olhos ao perceber sua brincadeira.
– Imbecil. — soquei seu ombro e ri junto voltando a caminhar. De longe podia ver a fachada do Big Belly, em protesto meu estômago rugiu alto em antecipação me deixando constrangida enquanto Ollie só sorria.
– Espera, você está me dizendo que o papai está tendo um caso com Isabel Rochev? Onde ele está com a cabeça para ter um caso com aquela mulher russa? Será que ele nunca ouviu dizer que russo é sinônimo de confusão? — explodi apoiando minhas mãos na mesa encarando Oliver assustada. As poucas pessoas que estavam ali nos encaram de forma estranha, apenas revirei os olhos.
– Também não sei o que deu na cabeça dele, mas aquela mulher não é de Deus, ela está fazendo minha vida na QC infernal. — reclamou, mas assim que uma garçonete ficou a nossa frente ele direcionou um enorme sorriso malicioso para ela, que fez questão de estufar o peito para o deleite do safado, ela anotou nossos pedidos e com certeza o número dela na nota.
– Acho que precisamos conversar com ele.
– Vai ser inútil. Mas você pode tentar. — disse, não pude mais prestar atenção em suas palavras porque estava ocupada demais vendo Roy abrir a porta do big belly. Ergui o cardápio escondendo meu rosto ali.
– Merda. — resmunguei baixo, Oliver abaixou o cardápio me olhando estranho.
– Speddy, o que houve?
– Precisamos sair daqui. — exigi. Ele apenas assentiu se erguendo, imitei seu gesto querendo me tornar invisível ali.
– Thea, eu queria pedir.. — Roy me abordou quando já estava na porta de saída, seu olhar repleto de culpa que mudou rapidamente quando ele viu Oliver ao meu lado, fechei meus olhos sentindo o clima tenso.
– Speddy, eu já volto. — Oliver murmurou caminhando até o balcão pegando nossos cafés.
– Seu mais novo? Você foi rápida, parabéns por conseguir querem Oliver Queen. — ele abusou do tom acusatório e apontou discretamente com a cabeça para Ollie que mexia no celular alheio ao que acontecia. A exigência explícita em sua voz fez algo revirar dentro de mim.
– Ele é meu irmão Roy. — resolvi falar a verdade logo, eu já tinha escondido aquilo de muita gente, sorri amarelo o vendo se afastar de mim, surpreso.
– Caralho! Eu dormi com Thea Queen? — perguntou, respirei lentamente procurando seus olhos.
– Na verdade é Thea Merlyn, mas Queen também é meu sobrenome.
– Você tinha intenção de me contar isso? — neguei vendo seu olhar se arregalar incrédulo.
– Felicity e sua outra amiga, Caitlin sabem disso? — voltou a perguntar, mordi minha língua processando sua pergunta.
Por muitas vezes eu quis contar que eu era uma Queen, mas não queria lidar com os olhares de pena delas porque elas me tratariam diferente porque eu era um fruto de uma traição, uma bastarda. Me sentia culpada por não contar essa pequena parte da minha vida para elas, mas depois de tanto tempo eu acabei me acostumando à mentir sobre isso.
– Você não pode contar à elas, por favor Roy. Elas já me tratam diferente por ser uma Merlyn, se souberem que eu sou uma Queen posso correr o risco de perder minhas amigas.. — pedi em completo desespero. Eu podia lidar com diferentes tipos de perdas, mas creio que se perdesse a amizade delas eu não me recuperaria.
– Me impressiona você pensar assim. Suas amigas não vão te ignorar por causa de um sobrenome, mas se pensa assim creio que não conhece suas amigas direito. — agindo por impulso, minha não se encontrou com seu rosto em um tapa forte e rápido, me afastei assustada, abri a boca para pronunciar algo mas ele já tinha ido embora. O olhar magoado que ele tinha me lançado antes de sair me feriu.
– Inferno! — eu podia sentir um pequeno vazio crescendo em meu peito. Um vazio estranho.
– Speddy? — Ollie me chamou, balancei a cabeça levemente e o encarei sorrindo forçadamente, Oliver apenas passou os braços por meus ombros e me ofereceu o copo com café.
– Seu namorado? — perguntou, neguei brevemente. Meus pensamentos voltando à Roy e seu olhar magoado.
– Não, apenas um conhecido. — menti sentindo o gosto amargo das palavras. Ollie me apertou contra seu corpo notando minha mentira.
– Eu posso ter ficado 5 anos longe Thea, mas sei quando mente e sei ainda melhor que você irá me dizer quando se sentir a vontade, sem pressão. Mas agora, lembro que você disse que ia me levar até seu apartamento. — pediu.
– Não lembro disso não, mas vamos não fica muito longe daqui, vamos. — o puxei o obrigando a caminhar. Ele reclamou dizendo que seu carro não estava longe, mas faltava apenas um quarteirão para chegarmos a meu apartamento.
– Preciso que me prometa que não vai dar em cima das minhas amigas. — apoiei minhas mãos em seu peitoral o impedindo de entrar no apartamento assim que chegamos, ele me olhou irritadiço e bufou me deixando sem resposta.
– Você só vai entrar se me prometer isso. — procurei seus olhos para que ele visse que eu falava sério. Todo esse receio tinha justificação, Ollie não prestava. E eu sabia que Felicity também não, mas ela se apegava as pessoas de uma forma descomunal, e Oliver só usava as pessoas. E quanto a Cait, creio que ela não queria estar em um relacionamento tão cedo, mais isso não iria o impedir de jogar charme para ela.
– Eu prometo Thea, agora vamos entrar porque eu preciso usar seu banheiro. — bufei abrindo a porta. Praguejei baixo quando vi Felicity passar apenas com uma longa camiseta do MIT pela sala. Ela nos encarou assustada, e paralisou ali no meio da sala. Olhei para Ollie e minha mente rodou com o sorriso malicioso com o qual ele direcionou à Felicity.
– Oh merda! Vocês fizeram sexo! Você dormiu com meu irmão Felicity, não posso acredito nisso. — exclamei sob os consentimentos por parte dele. Encarei Felicity que parecia estar em outro mundo e foi então que eu percebi minha burrada.
– Filha de uma mãe, você é uma Queen.
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