Sorte no Azar

8 Felicity/Caitlin


Notas iniciais
Oi amoress. Eu sei que demorei, eu sei. Nenhuma desculpa é o suficiente. Mass enfim, eu queria meio que falar algo importante. Eu desanimei com a fic, nunca fui de estar pedindo comentários nem nada do tipo, mas se uma fic tem um número alto de acompanhamentos e só algumas pessoas comentam, desanima o autor. Porque dá impressão de que não estão gostando. Eu amo quem interage comigo sobre a fic, adoro mesmo então por favor entendam meu lado. Enfim, boa leitura.

Pov Felicity.

Algumas pessoas gostavam de ser surpreendidas. Eu nem tanto.

Observei Thea ainda paralisada no meio da sala o medo gritando em seu olhar. Eu podia sentir os olhares de Oliver queimando em meu corpo, mas eu estava muito ocupada me sentindo traída. Traída por minha melhor amiga.

– Ollie eu.. Você pode ir embora, preciso resolver algumas coisas aqui. — Oliver negou prontamente dando um passo para frente, inconsequente dei outro para trás, suspirei alto mantendo meu olhar em Thea ainda.

– Senhor Queen, se retire.

– Não acho que está com todo esse poder senhorita Smoak. — retrucou, o fuzilei com o olhar, mas toda minha raiva pareceu lhe divertir.

– O inferno que não tenho esse poder. Você vai se retirar daqui nesse exato momento nem que para isso eu precise chutar seu traseiro. — ameacei. Parecendo ter o mínimo de juízo ele se virou para Thea.

– Vá Ollie, depois eu te ligo. — ela murmurou, por fim ele se despediu com um beijo na testa. Eu acharia aquele ato bonito se não estivesse tão magoada. Oliver me olhou brevemente e saiu do apartamento.

– Foi por causa de dinheiro? Você achou que nós íamos te extorquir? — iniciei as acusações assim que ele cruzou a porta, não estava com cabeça para medi minhas palavras.

– Não Felicity, nunca foi por isso. Eu conheço você e Cait e sei que não ligam para isso de dinheiro. — explicou, seus olhos estavam brilhando com lágrimas não derramadas.

– Você só me conhecer bem assim porque eu não minto para minhas amigas. — gritei a assustando. Eu mesma me assustei com o tom ríspido mas era como se eu não tivesse mais controle de meus atos, tudo que queria era entender o porque dela ter feito aquilo.

– Felicity não é assim. Eu só não podia contar.. — sussurrou.

– Não podia? Thea eu te considerava minha melhor amiga e você me esconde algo assim, isso não se faz. — acusei com o dedo riste para ela ver a seriedade do assunto. Eu sempre deixei claro o quanto mentiras me faziam mal, o quanto eu odiava aquilo. Mas mesmo sabendo disso ela o fez.

– Você está fazendo tempestade em copo d'água. — dei um passo para trás abalada com suas palavras. Por aquilo eu definitivamente não esperava.

– Que bom que pensa assim, suas palavras me comoveram tocaram o fundo da minha alma. — sussurrei irônica sentindo meus olhos arderem conforme eu me negava a deixar as lágrimas caírem.

– Eu não queria contar Felicity, eu simplesmente não podia lidar com vocês pisando em ovos em minha presença, eu não queria os seus olhares caridosos, suportei isso por muito tempo e não queria esses olhares vindo de vocês. Não de vocês. — argumentou alterando a voz. Uma risada descontrolada saiu por meu lábios por ela ter chegado a essa linha de raciocínio.

– Isso significa que você não nos conhece bem. Que você não me conhece. — gritei realmente exaltada. Eu me sentia traída, porque minha melhor amiga me escondeu uma parte importante de sua vida.

– Que merda Thea, nos éramos suas amigas. A quem você supostamente devia confiar. — devolvi, sua faceta assustada e frágil me fez voltar à realidade.

– Éramos?

– Não sei, me diga você. — cruzei meus braços sob o peito tentando me fazer de forte. Tentando aparentar que aquilo não me magoou, vi os olhos dela marejarem, mas antes que ela falasse algo, Cait nos interrompeu, ela parecia acabada depois da noite em plantão.

– Clima tenso.. O que houve? Me ignorem, não quero saber tudo que eu quero é minha cama.

– Thea não confia em nós, isso aconteceu. — a interrompi. Thea moveu seu olhar culpado para Cait que ainda estava parada na porta.

– Felicity, do que você está falando? É da Thea Merlyn que...

– Queen. Thea Queen. — a interrompi novamente, ouvimos o baque de sua bolsa contra o chão e pude ter o vislumbre de sua boca aberta em um "o" perfeito.

– Quais outras mentiras você tem nos contado Thea? Porque não aproveita e nos diz logo.

– Foi só isso que escondi Felicity, para de me julgar. Você nunca escondeu nada de ninguém? — retrucou se jogando no sofá, Caitlin ainda estava boquiaberta incrédula.

– Aí que está o problema Thea; eu nunca escondi nada de você ou da Cait porque vocês são minhas amigas. — argumentei saindo dali, a sensação de traição corroendo meu peito, a magoa por suas palavras. Corri até meu quarto colocando uma calça de moletom qualquer e meus tênis de corridas. Precisava extravasar para não ter que cair no choro.

Eu sempre me considerei uma pessoa preparada. Pronta para qualquer coisa, mas então uma coisa dessas acontece e me desestabiliza. A vida nem sempre é flores, ela tem seus momentos de decepções, estava ciente disso desde pequena, mas o que mais magoava na decepção era a pessoa por trás do feito.

Eu confiava em Thea. Por isso me sentia tão magoada, nunca imaginei que tamanha uma decepção assim chegasse a vim dela.

Coloquei meus fones e comecei a correr pelo quarteirão. Ainda era cedo, poucas eram as pessoas que estavam nas ruas. Eu podia sentir meus pulmões queimarem, mas não parei de correr ao contrário, corri o máximo que pude.

Quando voltei para o apartamento nem Thea e nem Cait estavam ali. Era melhor assim.

Corri até meu banheiro a fim de me livrar de todo suor que estava impregnado em minha pele, esfreguei meu corpo com força e em consequência ficou todo avermelhado, tanto pelas esfregadas quanto pela água quente.

Arrumei-me rápido e corri até QC temendo me atrasar novamente. Soltei um suspiro aliviado quando não vi Ray ali. Não estava com cabeça para aturar ninguém.

Pulei assustada quando avistei garotinho debaixo da minha mesa. Ele sorriu ajeitando os óculos no rosto e sorriu sapeca.

– Oi eu sou Connor e estou me escondendo do meu pai. — ele explicou para logo depois colocar o dedo indicador na boca me pedindo para ficar em silencio, abri minha boca incapaz de falar nada tentando me recuperar do susto que aquele garoto me deu.

– Tudo bem..Connor, mas você não pode ficar aí porque eu tenho que trabalhar e eu tenho um chefe novo que é.. — fiz careta para ele que riu e saiu de baixo da mesa, baguncei seus cabelos loiros e escutei seu resmungo em protesto.

– Meu pai também é.. Urgh, ele me proibiu de jogar. Mas quando ele não me proíbe de fazer as coisas ele é legal. — ele murmurou parecendo estar em um mundinho próprio, sorri encantada com sua divagação e vi seu rosto corar.

Ri daquela fofura.

– Quem é seu pai Connor? — perguntei quando ele tratava de limpar a poeira de sua roupa. O garoto espiou pelo corredor e correu se escondendo atrás de mim, assim que abri minha boca para perguntar o que tinha acontecido Oliver entrou em minhas vistas. Ele parecia furioso.

– Connor Hawke Queen, sai daí agora. — senti meu queixo cair em surpresa. O garoto saiu de trás de mim de cabeça baixa com os dedos entrelaçados.

– Me desculpa papai.

Pov Cailtin

Suspirei sozinha no meu quarto temporário. Thea tinha saído do apartamento depois da briga com Felicity, eu entendia ambas as partes. Mas não podia me sentir menos magoada. Em apenas uma semana eu sofria duas decepções. Meu recorde.

Fechei meus olhos tentando dormir. A noite tinha sido cheia, e estando grávida eu podia sentir o cansaço me atingir como uma onda de mar violenta.

Um sorriso bobo surgiu em meus lábios enquanto eu acariciava minha barriga ainda plena.

– Você é meu anjinho bebê.. — sussurrei com a voz embargada, me ergui de supetão levantando minha blusa em frente ao espelho e observei meu tronco. Sorri novamente fazendo movimentos circulatórios ali, eu podia me imaginar com uma barriga grande, mãe de uma linda menina.

Mas a tristeza me atingiu completamente ao perceber que meu bebê não teria um pai presente, porque mesmo que eu contasse para Ronnie sobre minha gravidez eu tinha certeza de que ele não iria querer esse bebê.

Ele nunca quis.

Mas um surto de loucura invadiu meu corpo inteiro e quando dei por mim a ligação já estava realizada.

Alô? — a voz rouca dele me fez querer vomitar, rapidamente desliguei o celular me perguntando qual era meu problema. Eu não contaria para ele sobre o bebê. Aquele bebê era apenas meu.

Era minha decisão.

Eu tinha apoio das minhas amigas, e tenho plena certeza que teria da minha família, depois de todas as reclamações de como eu fui irresponsável por ser mãe tão nova, depois disso, eles me apoiariam tinha certeza.

– Eu vou cuidar muito bem de você. — sussurrei novamente me observando no espelho.

Tomei um banho longo porque o sono tinha me abandonado e dado lugar para a fome. Abri todos os armários fazendo careta porque Felicity e Thea precisavam fazer compras. Só tinha comida enlatada e congelada.

Suspirei sentindo uma preguiça nascer em meu corpo quando percebi que tinha que ir até o mercado comprar algo comestível e bom o suficiente para meu bebê.

Eu podia contar todos os meus passos até ontem chegar ao mercado. O homem do balcão parou de ler o jornal e me observou com rabo do olho. Corri desconfiada até as prateleiras que me interessavam.

– Não sei se isso vai ser bom para você amor, mas entre comer resto de comida ou comida congelada, prefiro comer outra coisa. E você tem que aguentar. — resmunguei sozinha observando as diversas besteiras na minha frente.

Me atrapalhei com a sessão de biscoitos, e ia dar de cara no chão se alguém não tivesse me segurado.

– Barry. — gritei. Afastei-me tampando minha boca devido o grito histérico que tinha saído. Ele me deu um sorriso divertido, com a mão no coração fingindo susto.

– Oi Caitlin..

– Barry, o que você está fazendo aqui? Não que não possa vir aqui, porque é um local público e tal e eu acho que a tagarelice de Felicity pega, talvez seja uma doença contagiosa. — resmunguei nervosa colocando uma mexa dos meus cabelos para trás da orelha. O nervosismo foi embora quando observei seus olhos vermelhos e suas mãos trêmulas. Engoli seco sentindo meu corpo se retrair quando senti uma tontura me atingir.

Respirei fundo me apoiando na prateleira.

– Você está bem? Não me parece bem, você está branca feito papel. — ele massageou meu ombro, eu sentia minhas pernas adormecidas. Fechei os olhos respirando fundo.

– Não me deixa cair. — murmurei, rápido ele passou os braços por minha cintura me mantendo perto dele. Fechei os olhos e inspirei seu perfume.

Lentamente me afastei de seu corpo, suas mãos ainda me segurando, sua respiração pinicando meu rosto, engoli o seco o encarando. Ele me olhava de uma forma tão intensa que eu senti meu corpo todo tremer em antecipação.

– Você não me parece bem também. — retruquei quando voltei a ter algum tipo de raciocínio, respirei fundo tentando esquecer aquele breve momento. Barry brincou com o cordão de seu moletom parecendo tímido.

– Pedi Íris em casamento. — minha respiração foi para o espaço com aquela notícia. Ele me encarou ansioso, esperando uma resposta.

– Felicidades então. — murmurei me sentindo constrangida por ter ficado tanto tempo sem responder.

– Ela terminou comigo. — abri e fechei minha boca rapidamente parecendo um peixe fora d'água, surpresa com aquela bomba.

– Sinto muito Barry.

– Você está sorrindo. — ele abriu um sorriso para mim enquanto eu tentava disfarçar o meu com a mão. Totalmente envergonhada.

– Tudo bem, ela não servia para você até um cego via.

– Não pensei que te encontraria aqui novamente. -desconversou agora olhando para os biscoitos.

– Era o mercado mais próximo, e eu estou com muita preguiça de fazer comida, biscoitos me pareceram uma boa opção, mas nesse momento o pensamento do biscoito na minha boca está me dando náuseas. — resmunguei tampando minha boca para não vomitar em seus pés novamente.

Parecendo lembrar-se do nosso primeiro encontro ele deu dois passos para trás rindo.

– Eu sei cozinhar. — disse animado como um nerd prestes a responder uma questão. Sorri para ele não vendo nenhum mal naquilo.

– Vamos para onde eu estou morando. Você pode cozinhar pra mim. — concordei, ele comprou algumas coisas necessárias para fazer o que lá ele fosse fazer.

No caminho até o apartamento, ele parecia mais leve e brincalhão novamente. Mas eu não conseguia me concentrar em nada, porque eu o mistério de Iris não aceitando o pedido dele estava presente em minha mente. Como ela não aceitou o pedido dele? Barry me parecia uma ótima pessoa, uma que com certeza não merece sofrer.

– Caitlin está me escutando? — pulei da cadeira assustada quando ele ergueu uma espátula em minha direção. Os olhos semicerrados me observando, encolhi meus ombros como uma criança pega no flagra.

– Claro, eu estava escutando sim. Você falava de.. — ergueu uma sobrancelha em desafio, fiz uma careta me rendendo.

– Tudo bem você ganhou Barry Allen. Não sei do que você estava falando. — resmunguei pegando um dos morangos que ele tinha comprado. Barry acompanhou meus movimentos e eu corei sustentando meu olhar.

– Se eu te disser o motivo de Íris terminar comigo você me diz o porquê passou mal? — questionou se sentando em minha frente. Ponderei sua oferta me perguntando se a notícia da minha gravidez afetaria nossa possível amizade.

– Descobri que estou grávida. Sua vez. — falei simplesmente e ri da sua reação. Seus olhos esbugalhados e boca aberta. Ele parecia até o pai do bebê reagindo daquela forma.

– Seu ex, ele sabe? — neguei voltando minha atenção para o morango porque meu estômago estava reclamando de fome. Ou talvez eu só quisesse ignorar seus olhares de repreensão.

– E ele não vai saber presumo. Caitlin, eu sei que o que Ronnie fez foi terrível, você não me contou tudo, mas ele deve ter feito algo terrível. Mas você não pode esconder a paternidade dele, ele tem direito também. — bufei com o seu senso de bondade.

– Eu ainda não sei Barry, Ronnie nunca quis um filho, ele não aceitaria isso assim numa boa agora. Mas vamos parar de falar nisso, o foco aqui é você. — observei a maneira como seus olhos ficaram tristes de repente à maneira de como ele travou uma luta intensa contra as lágrimas. Seus punhos se fecharam e por um breve momento assim como seus olhos.

– Ontem à noite, eu tinha preparado o jantar perfeito para propor a Iris, eu usava terno coisa que eu odeio, mas então quando ela chegou ao apartamento ela estava estranha, agia culpada e insinuava muita coisa. Mas mesmo assim, eu a pedi e ela recusou porque disse que não queria se casar comigo, ela simplesmente pegou suas malas e saiu do nosso apartamento. Eu fiquei decepcionado, claro, mas pensei que fosse algo de momento porque ela estava frustrada por não estar conseguindo um emprego. Mas então hoje de manhã, eu a vi ao lado do parceiro policial de seu pai, muito confortável, o cara passava a mão pelo rosto dela e ela sorriu Caitlin como nunca sorriu para mim antes. — acariciei sua mão passando conforto necessário.

Minha boca se recusava a falar algo confortável para ele, porque eu sabia que a dor não diminuiria com meras palavras, então sem ter o controle das minhas pernas me ergui e o abracei, sua cabeça em minha barriga e as minhas mãos acariciavam sua nuca. Ficamos assim por um longo tempo.

– Eu cresci com Iris, ela foi o meu primeiro amor, minha primeira namorada acho que me perdi no que era real e no que eu inventei.

– Eu sinto muito Barry, mas a dor não vai passar assim de uma hora para outra, eu sei disso. Mas se ela não o aceitou foi porque ela não te merecia. — acariciei seu rosto e ele me deu um leve sorriso.

– Te observando agora, sinto uma vontade imensa de te beijar. -suas bochechas se tornaram um vermelho intenso depois do que disse percebendo que aquilo não era para sair em voz alta. Seu olhar totalmente envergonhado me mostrou isso.

– Barry, eu não posso ser estepe de ninguém. Não sei ser isso.

– Eu sei, e você não merece ser estepe de ninguém, mas você é tão absurdamente linda que essa vontade vem crescendo em mim. Mas eu quero te beijar, não hoje porque não quero que pense que eu só quero me aproveitar de você, longe disso. — se embaralhou com as palavras e eu ri.

– Talvez um dia Barry. Talvez um dia não vamos estar tão quebrados, e nesse dia eu vou aceitar seu beijo.

Notas finais
Até mais.