Sorte no Azar
13 Thea Merlyn
Notas iniciais
Tentei controlar as batidas frenéticas do meu coração enquanto eu olhava para os lados procurando o mínimo possível sinal de perigo. Minhas mãos tremiam enquanto eu olhava inutilmente ao me redor, tentando encontrar Roy. Então eu senti o impacto contra meu corpo.
– Perdeu Queen. — ele gritou erguendo os braços em vitória. Bufei retirando a máscara que protegia meu rosto.
– Quem inventou essa brincadeira estúpida? — resmunguei deixando meu corpo cair na palha fofa que estava no chão.
– Você disse que queria fazer algo diferente. — ele disse jogando sua máscara longe.
– Pensei que paintball seria legal me enganei pelo visto. — voltei a resmungar.
– Você só está dizendo isso porque perdeu. Pela segunda vez. — estirei a língua em sua direção ele riu da minha atitude deixando seu corpo cair sob o meu. Suspirei hipnotizada por seus olhos.
– Você devia ter me deixado ganhar Harper. — sussurrei sentindo seus beijos em meu pescoço, meu corpo inteiro se arrepiando com o toque de seus lábios em minha jugular.
– Não sabia que era tão competitiva. — mordeu o lóbulo da minha orelha e um gemido baixo escapou por meus lábios.
– Eu sou, muito competitiva, não aceito perder nunca. Por isso Harper, levanta essa bunda que eu quero revanche. — o empurrei para longe de mim e me ergui rápido pegando minhas coisas e fugindo dele.
Minha tentativa de revanche foi frustrada porque ele não me deixou ganhar. Em nenhuma das 5 vezes que ficamos correndo de um lado para o outro.
– Você é uma péssima perdedora Queen. — fez questão de jogar em minha cara, revirei os olhos ajeitando minha roupa. Eu estava me negando a falar com ele, que por implicância beliscou minhas costelas.
– Cala a boca por favor, e vamos logo porque estou com fome. — murmurei mal humorada obtendo sua gargalhada em resposta. Que bom que ele se diverte às minhas custas.
– Se vai te consolar, você é a perdedora mais linda que existe. — bajulou, tentei não rir com o bico extravagante que ele fez. Foi quase como uma missão impossível. Seu rosto se aproximou do meu, mas ele não fez nada, semicerrei meus olhos e sorri com sua provocação. Seus olhos de meninos estavam brilhando tanto que podia iluminar um local totalmente escuro. Minhas mãos voaram em seu rosto e ele suspirou com meu carinho fechando os olhos.
– Você precisa me alimentar Roy. — murmurei nos tirando da bolha ao lembrar que eu não tinha comido nada, ele revirou os olhos com a quebra do clima.
– E você quer comer o que minha dama?
– Posso ter você como prato principal? — perguntei me aproximando o suficiente para um leve roçar de lábios.
–Algo substancial Thea, mas ficarei feliz em ter você como o meu prato principal mais tarde. — sussurrou mordendo meu lábio inferior.
– Tudo bem nobre cavalheiro, me surpreenda com sua comida substancial. — continuei sua brincadeira, seu corpo se curvou em reverencia para logo depois me oferecer seu braço. Estávamos indo tão bem que eu tinha medo de que tudo acabasse de uma hora para outra. Eu já tinha me decepcionado bastante por acreditar cegamente em algo e eu tinha receio de estar assim tão á vontade com Roy, porque o medo de sofrer outra decepção era grande. Mesmo acreditando que Roy nunca fosse capaz de me magoar.
Apoiei minha cabeça em seu ombro enquanto caminhávamos, seus dedos brincavam com os meus. Um silencio gostoso se instaurou entre nós, apenas o som das nossas respirações eram audíveis. Ele não podia ouvir mais meu coração estava consideravelmente acelerado. E a culpa era dele.
– Thea Merlyn Queen.
–Ela é uma Queen — me afastei bruscamente de Roy como se tivesse levado um choque. Um dos grandes. O ano tinha tantos dias, e eu tinha que encontrar meus pais logo no dia de hoje. E os dois juntos.
– O que vocês estão fazendo aqui? — questionei com a voz tremula. Movi meus dedos até minha boca roendo minhas unhas em claro sinal de nervosismo. Um habito ridículo que tentei largar, mas toda vez que uma situação assim acontecia minha primeira intuição era colocar os dedos na boca..
– Na verdade, não quero saber. Já estávamos de saída. — interrompi antes que eles falassem algo, e puxei Roy que tinha petrificado no lugar, seus dedos se encontraram em meu abraço em um aperto leve.
– Você disse que estava com fome Thea. — ele retrucou me mantendo perto de si. Talvez ele não se importasse com o tamanho que era constrangedor aquela situação.
O safado estava se divertindo.
– Você não vai nos apresentar seu amigo? — Malcom perguntou depois de depositar em beijo em minha testa. Com um pai daqueles não preciso de inimigo.
– Esse é Roy Harper. — sussurrei intimidada. Malcom adotou uma faceta maliciosa enquanto Robert fingia-se de ciumento.
– Seu namorado? – continuou a implicância, dei um soco nas costas de Roy quando ele engasgou com a suposição de Robert. Meus olhos percorrendo todo canto para não ter que responder aquilo. Respirei fundo e encarei meus pais novamente. Agradeci quando meu celular tocou estridente me tirando daquela situação extremamente desconfortável. Me afastei dos três homens, Roy me direcionava um olhar cheio de pânico quando Malcom perguntou algo à ele.
A ligação não era mais do que engano, mas eu preferi me manter longe um pouco apenas fingindo estar recebendo uma ligação. Quando voltei até eles, Roy estava extremamente pálido e seus punhos estavam cerrados, enquanto meus pais tinham um sorriso divertido e podia até mesmo dizer satisfeitos.
– Thea, eu preciso ir. Lembrei que tenho que organizar algumas bebidas na Verdant, à gente se vê por aí. — se despediu e saiu tropeçando em tudo que via. Aquilo seria cômico se não fosse tão trágico.
– O que vocês fizeram? — semicerrei meus olhos na direção deles que deram de ombros.
– Apenas a verdade, que sabemos como esconder um corpo. — minha boca se abriu em total surpresa enquanto meus olhos se arregalavam. Roy não ia querer me ver nunca mais.
– Eu.. Deus vocês são terríveis quando estão juntos. O que vocês estão fazendo juntos mesmo? Isso devia ser crime. -mudei de assunto me sentando em frente eles. Franzi o cenho ao ver seus rostos se fecharem com a mudança. Um pequeno tremor percorreu meu corpo, para eles estarem juntos assim o que quer que tenha acontecido foi grave.
– Sua mãe Thea..
– É sobre isso, eu vou vê-la ainda hoje. Tentar tirá-la de casa.
– Faça isso, Oliver está preocupado por não estar muito presente, ele está muito atarefado com a QC. — Robert disse, mordi meus lábios. O assunto que tratei com Ollie dias atrás me veio à cabeça, será que ele sabia o que se passava na QC? O porquê de Ollie estar tão estressado.
– Tudo bem estou indo para a mansão agora. Aproveito e tomo café por lá. -sussurrei me erguendo e os deixando. Esse mistério que Ollie carregava estava me deixando louca, eles estavam me deixando no escuro e eu estava odiando tudo isso.
Estava claro que Robert sabia o que acontecia na QC, talvez Isabel Rochev estivesse envolvida nisso, ou talvez fosse apenas negócios. Suspirei alto balançando a cabeça, querendo a acreditar que toda aquela preocupação era apenas por causa de sua amante.
A caminho da mansão mandei um sms perguntando se Ollie estava lá, seria mais fácil lidar com Moira Queen se ele estivesse lá. Mas era previsto que ele não estaria, em pleno domingo e ele não estava em casa.
Sentia meu coração batucar em meu peito nervoso, minha mente procurando alguma ideia para tirar minha mãe do quarto. Caminhei resignada pelos corredores ansiosa. Talvez toda a mágoa que sentia dela parecia não existir mais.
Abri a porta devagar a vendo ler um pequeno livro, ela estava tão encolhida na cama que faltava pouco para distinguir quem era quem. Ao me notar sorriu colocando o livro embaixo do travesseiro.
– Querida. — sua voz fraca me chamou atenção, lentamente caminhei até a cama e acariciei seu rosto marcado por algumas lágrimas que tinham secado.
– Mãe, vamos sair desse quarto, por favor. — implorei a observando. A cada minuto ela caia ainda mais em seu poço sem fim.
– Thea, eu preciso que me perdoe filha. Por tudo o que eu te fiz passar com Robert e Mlacom, eu te amo tanto minha menina. — ela caiu em meus braços, meus olhos marejaram no mesmo instante.
– Está tudo bem mamãe. Esta tudo bem, eu já te perdoei a muito tempo. — sussurrei acariciando seus cabelos. Meu coração se quebrando inteiro por essa sua reação.
– Hoje eu decidi que vamos tomar café ao ar livre, Raisa já cuidou de tudo. E mais tarde se estiver disposta podíamos sair, um programa digno de mãe e filha.
– Vou tomar um banho querida. — assenti para o nada já que ela já tinha entrado no banheiro. Eu sentia meus dedos pinicarem e a curiosidade crescer. Sem me conter peguei o livro abaixo do travesseiro e franzi a testa.
Não passava de uma lista de nomes.
Desinteressada coloquei o caderno no mesmo lugar e me ocupei em separar uma roupa para ela. De cabelos molhados, olhos baixo, em um silêncio absoluto passamos a maior parte do dia assim.
Ela perdida em seu mundo e eu frustrada por não conseguir manter uma conversa.
– Conheci alguém. — aquela era minha última alternativa. Os olhos dela se ergueram lentamente e um sorriso discreto apareceu em rosto.
– Você está feliz Thea? — foi como um gatilho se despertasse em minha mente e todos os momentos que passei com Roy vieram em minha cabeça, foi impossível não abrir um sorriso. Ela sorriu pegando minha mão, não era preciso eu dizer nada ela sabia.
– Eu vou ter a oportunidade de conhecê-lo? — questionou, apenas assenti, mas por dentro tudo que eu fazia era negar com todas as forças. Roy nem era meu namorado e já tinha conhecido meus pais e agora estava prestes a conhecer minha mãe. Deus, ele nunca mais iria querer algo comigo.
– O que vamos fazer depois daqui?
– Não sei, talvez ajudar Raisa com o almoço e depois filme. Depois disso só improvisamos. — ela respondeu parecendo mais alegre, murmurei um sim contente com sua iniciativa.
Diferente do que eu pensei que seria meu dia se tornou bastante divertido ao lado da minha mãe. Ela estava tão mudada da mulher que me criou mesmo com a doença ela estava se esforçando bastante e eu precisava reconhecer seu esforço. Senti minhas mãos queimarem devido o pote de sorvete em minhas mãos. Girei minha cabeça ao ver movimentação na porta. Ollie entrava com um ar preocupado, mas seus olhos suavizaram quando nos viu. Mamãe assistindo filmes e fora do quarto.
– Cena maravilhosa para terminar o dia. — se jogou ao nosso lado retirando a gravata e apoiando os pés na mesa central, ri quando mamãe deu lhe um tapa na nuca o mandando retirar os pés dali. Aquele gesto era tão atípico.
– Problemas na QC? — mamãe perguntou com um ar muito mais interessado. Podia ver uma pitada de preocupação em sua voz, ela sabia o que acontecia.
– Não considero mais um problema. Comprei as ações de Isabel Rochev. QC é somente da família Queen novamente. — afirmou, meu corpo tremeu um pouco com a menção daquela vaca, minha intuição gritando que ela seria um problema ainda maior do que já era e minha intuição nunca estava errada.
– Eu sempre disse a Robert que aquela mulher era sinônimo de prejuízo e mesmo assim ele insistiu em ter um caso com ela, boa noite meus filhos. — ela se despediu beijando minha testa e depois a de Ollie.
– Aconteceu algo a mais na QC Ollie? — esperei mamãe sair de nossas vistas para perguntar, o observei atentamente aguardando uma resposta.
– Papai terminou o caso dele com Isabel, ela não aceitou muito bem. Mas não quero falar disso porque é a vida dele, preciso falar da Felicity, esse jogo de gato e rato só é bom entre quatro paredes. — ele passou as mãos para trás de sua nuca. Parecia que tinha envelhecido alguns anos em apenas um dia.
– Urgh, credo Oliver. Não quero saber disso, Felicity parecia bem abatida hoje depois que vocês saíram, o que foi que você fez? — perguntei.
– Por que eu tenho que ser o culpado? — ergueu uma sobrancelha em desafio, ri sem humor e ele deu um suspiro alto, apoiei minha cabeça em seu colo recebendo os carinhos em meus cabelos de bom grado.
– Foi minha culpa dessa vez, talvez eu tenha sido um bruto com ela, mas ela me tira do sério. Eu só preciso que ela me desculpe. — sussurrou, seus olhos fechados. Observei um sorriso mínimo nascer em seus lábios ao falar da minha amiga. Meu irmão estava se apaixonando, nunca pensei que viveria o suficiente para ver isso acontecer.
– Seja sincero Ollie, Felicity já sofreu muito e tudo que ela quer é sua sinceridade, experiência própria.
– Você vai dormir aqui? — mudou de assunto, murmurei um sim baixo.
– Mamãe precisa de mim aqui, irei ficar enquanto ela precisar. — respondi dando de ombros.
– Aliais, nunca pensei que veria você apaixonado novamente.
– Quem disse que eu estou apaixonado Speddy. — retrucou se levantando bruscamente gemi em desgosto quando minha cabeça bateu contra o sofá, bufei alto jogando um travesseiro contra seu corpo. Como ele ousava ter audácia para dizer o contrario, era visível que ele estava apaixonado.
– Você agiu dessa mesma forma quando eu descobri que estava apaixonado pela Helena. Só uma dica, Felicity não é ela, tenho certeza que minha amiga não vai te fazer sofrer. — pisquei para ele que apenas me ofereceu um sorriso complacente e beijou minha bochecha logo em seguida.
– Sei que Felicity não é Helena, e é por isso que eu estou cada vez mais apegado à essa ela, preciso consertar as coisas com ela.
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