Sorte no Azar
16 Especial
Notas iniciais
Barry
— Não sei se ainda quero ir para Central. — Caitlin resmungou limpando o suor que escorria por sua testa. Escutei Felicity soltar um rugido estranho a encarando mortalmente enquanto colocava mais uma das muitas caixas no chão. Engoli o riso e mentalmente me perguntei o que seria de mim se meu caminho não tivesse cruzado com o de Caitlin Snow.
Foi como se uma luz em minha cabeça tivesse acendido em minha mente no momento em que a vi. Nunca fui de acreditar em amor à primeira vista mas depois que a conheci eu acreditava cegamente, agora que tinha encontrado Caitlin planejava não deixá-la, nem mesmo Central City nos separaria não poderia perder aquela que era meu mundo.
— Não quero deixar vocês. Deixar Thea ela ainda está bastante frágil, que espécie de amiga seria eu se me mudasse logo agora? Não irei, está resolvido.
— Cait, é uma oportunidade incrível e eu não vou deixar você perdê-la, eu estou bem. Juro. — encarei a morena que passava com uma caixa em mãos, aparentemente ela me parecia bem mas como alguém que tinha perdido alguém familiar sabia que sua dor ia perpetuar por um longo tempo.
— Preciso ir trabalhar, mas continuem com o trabalho pesado. — Felicity soltou uma risadinha quando as garotas as xingaram.
— Se conseguir tirar Ollie do escritório eu agradeceria Lis.
— Vou tentar, speddy.— franzi o cenho confuso com a piada interna delas, Caitlin apenas revirou os olhos voltando a guardar suas coisas na caixa.
— Palhaça. — a morena gritou erguendo os dois dedos do meio e eu ri da interação delas. Ouvimos uma batida suave na porta, e ao ver quem estava por trás dela fez Thea abrir um sorriso enorme, um sorriso que eu só via na presença daquele rapaz.
— Sua intenção é me fazer engordar por acaso? — questionou abrindo a caixa de chocolates e dividindo com Cait que disse que não se negava chocolate para uma grávida.
— Nunca. — ele deu um beijo na testa dela e abraçou minha namorada brevemente começando uma conversa animada com as duas. Parei por um instante observando a luz emanar de Caitlin, ela com a mão posicionada em seu tronco acariciando a protuberância barriga. Eu sempre tinha observado meus pais, se amando mesmo com muito tempo de casados e eles foram felizes até que minha mãe foi assassinada e meu pai foi preso culpado por aquele incidente que eu sabia que ele não tinha cometido. Mas me lembro de querer um amor tão arrebatador quanto o deles, e com Caitlin Snow eu finalmente tinha aquele sentimento arrebatador.
A notícia de que ela iria embora para a cidade vizinha não tinha me abalado tanto porque eu mesmo estava de mudança. Uma coincidência feliz, meu pai adotivo Joe West afirmou e quase me obrigou a voltar para Central, eu sabia que ele estaria mais calmo se eu continuasse lá, embaixo de suas asas e por algum tempo eu apenas ignorei seus pedidos mas após uma tentativa de prisão mal sucedida o que resultou em um tiro e uma cirurgia me fez ficar alarmado e querer voltar para minha cidade natal.
E foi quando eu recebi a notícia de que ela também iria para Central. O que me chateou por alguns meros minutos foi a decisão que tomou sem antes consultar todos, ela apenas aceitou.
— Seus pensamentos estão muito altos projeto de polícia, está atrapalhando a conversa. — Thea resmungou limpando as mãos na camiseta e recebeu um tapa de Caitlin em troca.
— Não chama meu namorado assim Merlyn. — ela apenas revirou os olhos negando o pedido/ordem da minha namorada. Minha namorada, eu tinha tanto orgulho de falar isso, tanto prazer em dizer que ela finalmente era minha. Depois de Íris, pensei que não amaria ninguém, costumava pensar que ela seria minha esposa um dia e que seríamos felizes o bastante por toda uma vida, mas depois de Cait eu vi que toda uma vida eu estive iludido por um amor. Confundi nossa amizade e ter Caitlin para abrir meus olhos foi como se enxergasse o mundo de forma diferente. Mais colorido.
— Barry, amor acorda. — os dedos de Cait me chacoalharam brevemente, olhei ao redor ao ver que Thea e Roy desapareceram da sala.
— Cait, eu preciso conversar com você.
— Oh Deus! Você vai terminar comigo, Barry eu juro que não fiz nada. Eu sabia que esse dia chegaria.. — a encarei assustado com sua linha de raciocínio.
— O que? Não claro que não. Cait, eu só queria informar que tenho um apartamento em Central, e só queria te dar uma chave de lá.. Caso você queira.
— Barry, você está me chamando para morar com você?
— Sei que é um grande passo. Enorme na verdade, mas fica na sua escolha, claro que eu quero que você vá, mas se não é sua decisão eu aceito em uma boa mesmo, só não pense que eu quero apressar as coisas eu só.. — fechei os olhos temeroso esperando por sua resposta.
— Sim Barry, adoraria ir morar com você.
Oliver
— Você tem que sair desse escritório Oliver Queen. — escutei o resmungo de Felicity, a encarei brevemente para logo depois voltar a me enfiar nas planilhas. Eu precisava descobrir o que levou a morte de meu pai, eu sabia que não foi apenas um assalto.
Era algo mais e eu sabia disso devido à ameaça em bilhete guardado na gaveta abaixo a sete chaves.
— Vá embora. — neguei ouvindo seu bufo frustrado.
— Por favor Oliver, você precisa banhar e comer. Faz quantos dias que está enfurnado aqui? Cinco?
— Apenas dois Felicity..
— Você vai sair daí, vai tomar banho e iremos à um evento e não adianta negar Oliver, mandarei o endereço por sms. — fiz careta diante sua ordem, mas foi impossível negar. Saiu rebolativa balançando os dedos em plena felicidade. Não tínhamos conversado sobre aquele dia em que ela partiu meu coração e que meu pai morreu. Talvez, ela realmente não quisesse dizer o que disse, eu a entendia. Seu coração foi magoado, e ela estava com receio eu mesmo os tinha-os. Helena fez um estrago em meu coração. E eu só esquecia aquela rachadura quando estava com Felicity, e por isso eu estava disposto a esquecer aquilo. E foi tão reconfortante a sensação gostosa de ouvi-la dizer que me amava há alguns dias atrás foi o impulso que precisava. Nosso relacionamento estava tão calmo que eu estranhava.
Havia algo em Felicity que me fez cair rapidamente e profundamente. Ela era como um vício do qual eu planejava não me livrar, havia coisas que eu adorava nela, o sorriso que aquecia meu coração, a forma como ela tratava as amigas como suas irmãs e principalmente quando ela ficava com raiva. Deus, principalmente quando ela ficava com raiva. Foi naqueles olhos azuis que encontrei uma luz para meu caminho, algo que fizesse com minha mente clareasse em momentos sombrios.
Joguei o paletó por meus ombros e me dirigi até em casa, me arrumando rápido. Felicity não tinha dito que tipo de evento seria então o terno me parecia uma boa escolha para quaisquer que fossem seus planos. O endereço pela mensagem me fazia questionar que tipo de evento era aquele.
Quase gargalhei ao ver apenas mulheres no centro do local indicado. Com roupas de yoga. Foquei o meu olhar sob o corpo de Felicity e estremeci ao ver suas curvas estrategicamente notadas por toda aquela roupa colada, meu corpo instantaneamente entrando em combustão com a visão.
— Não te contei qual era o evento? — ela perguntou escondendo o riso por baixo das mãos me tirando do torpor.
— Oh Deus ainda bem que estou de cueca. — falei entrando na brincadeira retirando o paletó, senti suas mãos escorregarem por meus braços chegando em minhas mãos entrelaçando nossos dedos antes de me puxar para o centro da aula.
— Felicity não consigo fazer isso. — resmunguei a vendo fazer esticar a pernas para os lados enquanto suas mãos estavam espalmadas nas minhas, seu sorriso debochado me fez querer largar tudo jogá-la em meu ombro e nos trancar em um quarto.
— Cuida Oliver, você já está ridículo o suficiente só de cueca parado no meio da aula, faça. — ordenou seriamente. A professora exigiu silêncio em uma carranca absurdamente fechada. Fiz o mesmo que ela, e senti todos os músculos de minhas pernas se contraírem em dor.
— Acho que não sinto mais minhas pernas. — dramatizei assim que saímos da tal aula, Felicity jogou a cabeça para trás e riu.
— Deixa de drama Oliver Queen, e vamos você tem que me alimentar. — resmungou me puxando pelas mãos, meu peito vibrou quando por sua iniciativa seus dedos se enroscaram aos meus. As três palavrinhas que ela tinha me dito brilharam em néon em minha mente.
Eu pensei que fosse apenas um sonho, um desejo profundo da minha cabeça, mas ela continuou sussurrando aquelas palavras até que pegou no sono, o sussurro era baixo como um segredo, nunca ansiei tanto por tais palavras.
— Aquele restaurante ali parece bom. — apontei para o letreiro que piscava extravagante, recuou dois passos e eu me neguei a deixa-la fugir. Era hora do troco.
— Não estou adequada para esse tipo de restaurante Oliver.
— Não pensou isso quando me chamou para uma aula de yoga, vamos Smoak mexa essa bunda. — reclamo a puxando comigo a contra gosto que solta os cabelos e pega um moletom tentando disfarçar as roupas.
— Querida, isso não melhorou sua situação. — brinquei recebendo um olhar matador dela encolhendo meus ombros imediatamente enquanto pedia uma mesa para a mulher que sorria largo, mas meu foco estava apenas na loira a minha frente.
No restaurante temos uma conversa leve, sem implicâncias da minha parte e sem ela pisando em ovos.
— Porque não me chama de Ollie como todo mundo? — a pergunta fluiu por meus lábios e eu me peguei ansioso por sua resposta.
— Você quer? Desculpa Oliver, nem que quisesse. Eu tenho uma explicação, é que esse apelido me remete à um playboy que eu sei que não é. Eu te conheço, e sinceramente não gosto desse apelido. — olhei admirado por suas palavras, ninguém nunca se pôs a me dizer isso mas suas palavras eram absurdamente verdadeira.
— Você é incrível. — comentei obtendo um par de bochechas vermelhas, mas seus olhos se fixaram em determinado ponto do restaurante.
— Felicity? — questionei respirando fundo antes de encarar por cima do meu ombro. Eu sabia quem era aquele! Aquele era o bastardo por fazer Felicity tão insegura com relacionamentos, Thea tinha me mostrado uma foto dele.
— Ótimo, seu ex namorado está aqui. — eu não estava acostumado a lidar com o bicho verde que tomava proporções enormes em meu peito, então o Oliver irritante estava ativo.
— Inferno Oliver, eu nem sabia que Cooper estava na cidade. — resmunga se livrando de meu aperto e um frio toma conta de meu corpo com sua súbita distância.
— Felicity Smoak. — o cara estalou os lábios de forma irônica pegando a mão dela bruscamente e a beijando.
— E esse é..
— Não que eu te deva satisfação Cooper, mas esse é Oliver Queen...
— Namorado dela. — comentei por impulso os olhos esbugalhados de Felicity me fez apertar sua mão para que ela concordasse com aquela pequena mentira porque se dependesse de mim aquilo não seria uma mentira. Não depois de hoje.
— Cooper Sheldon, ex namorado dela. — o desgraçado comentou forçando um sorriso. Antes que ele abrisse a boca para falar besteira que eu sabia que seria Felicity o interrompeu.
— Cooper, Oliver e eu estamos de saída agora. Você sabe né, fazer o que casais geralmente fazem quando estão apaixonados, em locais fechados principalmente se for um quarto, na verdade acho que você não deve saber o que é isso a muito tempo. — contive o riso com a careta do cara, mas Felicity se recusava a encara-lo, seus olhos mantidos em mim e o sorriso não vacilava nem por um segundo. Me ergui rápido deixando o dinheiro na comanda e puxei ela comigo.
— Você sabe que não precisa ser mentira. — mordi o lóbulo de sua orelha ouvindo um gemido baixo dela.
— Não foi uma mentira Oliver.
[...]
Senti seus dedos passar meu peitoral me arrepiando no processo, forcei meus olhos a ficarem fechados ansiando por ouvir sua voz suave dizendo que me amava.
— Eu sei que não está dormindo Oliver. — sussurrou voltando seus dedos para meus cabelos, não pude conter a risada que saiu escandalosa por meus lábios.
— Eu confesso que venho fingindo dormir antes de você apenas para ouvi-la sussurrar seus segredos.
— Eu sabia, queria ver por quanto tempo você levaria isso. — comentou dando de ombros, ergui a cabeça incrédulo eu fingia muito bem, era quase um insulto ela falar aquilo.
— Eu amo você Oliver, e não estou pedindo por retorno, eu sei que não é assim que as coisas funcionam então não se sinta pressionado para retribuir, eu não vou ficar magoada prometo. Eu espero que diga, mas apenas quando se sentir da mesma forma, eu vou estar esperando Oliver porque você Mrs.Queen vale a pena esperar. Sempre vai valer.
— Eu amo você também Felicity. — respondi rápido não dando mais deixa dela fugir, precisava que ela soubesse de meus sentimentos mais profundos, o sorriso reluzente que me ofereceu fez com que meu corpo desencadeasse uma série de reações incríveis. Procurei seus lábios e os mantive colados aos meus ouvindo seus eu te amos repetidamente me sentindo pela primeira vez em muito tempo, completamente feliz.
Roy
— Você quer se casar um dia Thea? — pergunto acariciando a pele de sua perna exposta, seus dedos se movem por meus fios de cabelos de olhos fechados.
— Talvez Roy, porque isso é um pedido? — disse em tom brincalhão. Ergui a cabeça constrangido.
— Ambercroimb foi apenas uma brincadeira, respira por favor. — afagou meu rosto, nem percebi que tinha prendido a respiração.
— Por Deus, casar comigo seria tão ruim assim Roy?
— O que? Não claro que não Thea, é só que.. — não soube explicar e por sua cara de tristeza choraminguei sem saber o que fazer ou falar. Mas então seu bico inconformado se transformou em riso e logo depois gargalhadas, sorri encabulado passando minhas mãos por trás do pescoço confuso com sua bipolaridade.
— É uma brincadeira, Roy foi só uma brincadeira. Você está pálido, devia ter gravado isso. — disse jogando-se na cama ainda gargalhando. Joguei-me em cima de seu corpo movendo meus dedos por sua barriga ouvindo seus pedidos ofegantes para que eu parasse, seu pedidos para cessar só me fez intensificar as cócegas.
— Você, senhorita não inventa mais de brincar assim, estamos entendidos? — disse, ela sorriu como menina assentindo. Agradeci mentalmente pelo sorriso presente em seu rosto, temia que com o passar do tempo ela me afastasse mas ela se apoiou e eu a acolhi de braços abertos.
Lembro de como me senti assustei ao finalmente admiti meus sentimentos por aquela menina mulher, o plano inicial era apenas uma amizade com benefícios mas era óbvio que aquilo desenvolveria sentimentos mais profundos eu que foi tolo de pensar que seria incapaz de me apaixonar por Thea.
Mas foi uma missão impossível! A maneira como ela era obsessiva por tudo de uma forma, a maneira minuciosa com que ela tratava seus assuntos, as dobrinhas que se formavam em sua testa quando seu sorriso brilhava em sua face. Eu a amava! Com todas as forças e isso me assustava como o inferno porque se eu a perdesse perderia meu mundo inteiro.
— Thea, você e Roy estão devidamente vestidos? — escutei a voz de Caitlin soar atrás da porta e depois da confirmação de Thea ela apenas colocou a cabeça para dentro.
— Felicity disse que seu irmão está vindo para cá, ela disse algo sobre Cooper também, enfim eles estão vindo. — Thea ergueu a cabeça interessada e sussurrou um ex namorado de Felicity.
— Oliver deve ter ficado uma fera, ia adorar ver ele com ciúmes.
— Acho que o ciúmes não tomou de conta porque no telefone Felicity implorava para Oliver colocar uma roupa.
— Sexo de reconciliação é o melhor. Roy devemos brigar de vez em quando. — estapeou meu peito rindo.
Quando Felicity chegou com o irmão de Thea elas carregaram a loira e a comida que ela trazia para a cozinha, me deixando em uma situação nada legal com o irmão que quase tinha me agredido e Barry que falava ao celular.
— Roy, quero pedir desculpas. — Oliver pronunciou pensei ter escutado errado, tanto que tive que perguntar o porquê das desculpas e ele se dispôs a explicar baixo do dia em quem Thea teve um surto. E ele também.
— Sem problemas cara, vou busca uma cerveja quer? — tentei ao máximo não me deixar intimidar por sua figura, ele apenas sorriu assentindo. De cerveja em mãos, algum esporte passando na tv nos embalamos no assunto em que tínhamos em comum. Blue Jays.
— Cansei desse assunto e desse jogo. — Felicity reclamou se erguendo do sofá e foi impedida por Oliver que a puxou para suas pernas e a beijou.
— Vocês são tão fofos. — Caitlin disse, Barry com o braço envolta de seus ombros enquanto Thea e eu estávamos deitados no chão comigo de travesseiro para ela.
— Uma festa! Isso! Podíamos dar uma festa para Cait, de despedida. Você não podem me impedir de fazer isso Snow. Felicity ergue a bunda daí, vamos temos muita coisa para planejar. — girei meu pescoço para Thea que parecia subitamente animada. Seus olhos brilhando em expectativa. Encarei incerto o resto do grupo que pareciam tão ou mais hesitante do que eu.
Isso ia ser uma loucura e tanto!
Fale com o autor