Notas iniciais
Yoooooooh! :3 Primeiro cap! >.< Neste, não acontece muita coisa ainda! É apenas uma introdução á história! Espero que gostem! :3 AYE!!

Sinto muito, por ser tão teimosa
Sinto muito, por ser estúpida e um bebê chorão
Sinto muito, mas eu...
Ainda gosto de você mais do que ninguém

Acordo com um barulho inconfundível vindo do quarto ao lado. Era a voz escandalosa de um Clemont furioso discutindo com Bonnie e suas risadas frenéticas. Reviro os olhos, impaciente. Depois de uma viagem desgastante como a que fiz ontem, o que mais queria era dormir até não poder mais, mas sempre tem que ter alguém para me impedir. Meu corpo parece querer poupar a si mesmo de ir até lá verificar o que acontecia, não me dando a mínima disposição para levantar-me. A cama macia parece ficar ainda mais tentadora de manhã, me causando uma preguiça sem tamanho. Envolvo-me novamente no edredom cor-de-rosa, pondo o travesseiro sobre minha cabeça e resmungando coisas para mim mesma.

- Droga, Clemont! – Resmungo, quase sussurrando, com minha voz abafada abaixo do travesseiro. – Você tinha que fazer suas 'Clemontisses' logo de manhã?

Ouço risadas entretidas acima de mim, fazendo-me sentar na cama de supetão, arregalando os olhos. Acabo batendo a cabeça com força no beliche de cima, arrancando-me um pequeno grunhido de dor.

- Serena! – Ouço sua inconfundível voz animada chamar meu nome. Os fios negros um pouco desarrumados surgem do beliche de cima, exibindo uma face preocupada, mas ainda com feições de riso em seguida. – Se machucou?

- N-Não, eu acho. – Afago minha própria cabeça, na tentativa inútil de fazer a dor passar. Ele ri baixo, descendo de sua cama em um pulo e sentando na minha, pondo minhas pernas descobertas sobre seu colo. Não consigo evitar corar um pouco.

- Bom dia! — Diz, sorrindo. A janela do quarto exibia uma luz matinal que parecia perfurar meus olhos. – Praguejando de manhã cedo?

- Bom dia, Ketchum. E eu não estava praguejando! Estava reclamando mentalmente com o Clemont. – Respondo, cruzando os braços. – Havia me esquecido completamente que estava dividindo o quarto com você.

Ele ri discretamente. Retiro o edredom de cima de mim, jogando em um canto qualquer do quarto, espreguiçando-me em seguida.

- Você vai poder reclamar pessoalmente com o Clemont assim que arrumar sua cama, mocinha! – Fala sarcasticamente, olhando-me nos olhos. Faço um biquinho mimado, arrancando-lhe uma risada. – E seria bom você se arrumar também.

Ele aponta para meus cabelos. Ergo uma sobrancelha, levantando-me e indo até o espelho na penteadeira do canto do quarto. Céus, parece até que levei um choque! Estavam completamente desarrumados! Achei que cortando-os eu iria me livrar deste problema, mas aparentemente eu estava enganada. Ele ri de minha reação.

- Dá pra parar de rir de minha cara? Não é como se seus cabelos fossem super arrumados! – Reclamo, voltando-me em sua direção com o cenho franzido.

- Desculpa, Sê. – Levanta-se de minha cama, ajeitando um casaco vermelho por cima das roupas azuis e brancas que sempre usa e pegando seu fiel boné na cabeceira da cama. Caminha em direção á porta, abrindo-a e pisando para fora. – Vou chamar Clemont e Bonnie para tomar café da manhã. Quando terminar de se arrumar, estaremos no andar de baixo.

Ele sai e fecha a porta atrás de si. O quarto parece tão vazio e sem cor com sua saída... Afinal, eu gosto muito dele, e todos sabem disso... Menos ele mesmo. Gosto mais do que ninguém. Apesar de termos algumas desavenças bobas de vez em quando, ele é uma das pessoas mais importantes para mim. Eu só gostaria que ele soubesse o quanto o admiro. Já pensei em falar isso para ele várias vezes, mas nunca tive coragem. Com estes pensamentos em mente, viro-me novamente em direção á penteadeira, olhando meu reflexo no espelho. Os cabelos curtos haviam me deixado ainda mais parecida com uma garotinha inocente e dependente, uma imagem que eu não gostava de mim mesma. Entretanto, sinto-me bem com a inovação que fiz. Um vento gelado sopra pela janela, esvoaçando as cortinas de seda brancas e fazendo-me tremer. Abraço a mim mesma, lutando contra o frio e contra o vento que tentava erguer a parte de cima de minha camisola cor de rosa. A vista curta que eu tinha pela janela permitia que fosse vista uma imensidão acinzentada nos céus, mostrando-me que o frio apenas se intensificaria de agora em diante. Baseada nisso, visto uma calça jeans skinning, juntamente com minha camisa laranja com a estampa do rosto de um Fennekin, acima de uma blusa preta de manga longa. Calço também minhas clássicas botas, pondo um gorro vermelho sobre os cabelos assim que termino de pentea-los.

Sorrio para a eu do reflexo, fazendo um sinal de paz nas duas mãos. Considero isso um tipo de desejo de boa sorte autossuficiente. Corro em direção á porta, sem nem arrumar a cama. Eu queria ver o que Ash acharia de meu novo visual, um pouco mais solto e menos ‘garotinha mimada’. Fecho a porta atrás de mim, logo voltando a ouvir os gritos escandalosos de Clemont, mas agora com duas risadas em conjunto.

- É SÉRIO, BONNIE! ONDE VOCÊ COLOCOU MINHAS ROUPAS? – Discretamente olho através da porta escancarada do quarto dos dois. Lá dentro, o loiro seminu gritava com a irmã, que ria descontroladamente deitada na cama, juntamente com Ash.

- Procure melhor, seu bobo! – Diz, provocando o garoto, que rosna impacientemente.

- Posso entrar? – Dou duas batidas no portal de madeira da porta, chamando a atenção de todos. – Ou será que não é um bom momento?

- Entra aí, Sê! – Ash faz sinal para que eu entrasse. Clemont, entretanto, arregala os olhos e imediatamente puxa um dos muitos cobertores brancos em sua cama na tentativa inútil de cobrir seu corpo vestido apenas de uma samba canção com estampas de engrenagens.

- S-Serena!! Será que pode esperar até minha ‘querida e amada irmãzinha’ me dizer onde escondeu minhas roupas? – Clemont tenta inutilmente me convencer. Eu simplesmente sorrio superiormente e caminho até a cama de Bonnie, sentando-me ao lado de Ash, que ri da cara de tacho do loiro. Ele solta um longo grunhido impaciente e meio tristonho, como se fosse chorar.

- Se quiser te empresto um de meus vestidos, Clemont! – Digo, fazendo a garotinha e o nativo de Pallet rirem.

- Isso tudo é muito desnecessário! – Ele reclama, abaixando-se e olhando debaixo da própria cama, procurando por suas roupas.

- Foi engraçado, mas é melhor irmos logo! – Ash diz, passando o dedo indicador abaixo do nariz. – Onde estão as roupas dele, Bonnie?

- Não sei! – Ela diz sarcasticamente, cruzando os braços com o nariz empinado. Eu rio de sua pose.

- Nós temos que ir logo, vai ser um dia cheio! Quero apresentar toda a região de Kanto para vocês, e só temos uma semana. – Ash apela, levantando-se e levando as mãos á cintura, olhando para Bonnie com certo questionamento.

- Mas é sério, eu não sei... Esqueci completamente. – Desta vez, ela pareceu muito mais séria. Eu, Ash e Clemont ficamos em choque momentaneamente, sendo que o do loiro parece durar mais tempo e ser mais intenso. Este leva as mãos á cabeça, praguejando contra a irmã, que apenas ri de sua reação.

- Calma, Clem! – Ash chama-o pelo apelido que o mesmo tanto despreza, fazendo-o corar, não tenho certeza se de vergonha ou raiva. – Eu te empresto minhas roupas, ok? Mesmo ficando folgadas em você... Muito folgadas... Vai ser até bom pra você com o frio que está fazendo! Garotas, por que não vão descendo logo para tomar café? Eu vou procurar alguma roupa que não fique bizarra no Clemont.

Assentimos com a cabeça. Bonnie dispara na frente, enquanto eu caminho lentamente, fechando a porta atrás de mim e deixando eles sozinhos no cômodo. Como o quarto de Clemmy e Bonn é maior, havíamos deixado boa parte de nossa bagagem nele, então Ash poderia achar uma roupa para ele facilmente lá mesmo. Sigo o corredor longo e relativamente estreito de paredes vermelhas, nem tentando seguir o ritmo frenético da garotinha á minha frente, já que a mesma possuía um pique sem igual. Ao chegar ao primeiro degrau da escada, ela olha para trás e me espera alcançar-lhe, com um olhar suspeito.

- Então, você e o Ash... – Ela começa quando a alcanço, com o olhar mais malicioso possível. Assim que ouço o nome do garoto juntamente comigo em uma mesma sentença, minha face é tomada por um calor inigualável. – Como foi dormir pertinho dele?

- Bonnie!! – Digo, quase gritando, completamente vermelha. Começo a descer as escadas rapidamente, tentando fazer esse assunto acabar, mas ela insiste em me seguir. Reviro os olhos.

- Fala sério, Sê! É sua grande chance!

- M-Minha grande chance de que?

Ela me olha de canto, como se fosse óbvio. De fato, é. Qualquer pessoa pode notar meus sentimentos pelo Ash, mas me condicionei a não crer nisso.

- Eu preciso mesmo te responder? – Pergunta, com tom impaciente, quando chegamos ao primeiro andar do hotel. Lá, algumas pessoas estavam sentadas em mesas conversando e comendo, e uma grande mesa retangular havia sido colocada próxima á parede, repleta de frutas, pães, geleias, sucos e todos os tipos de iguarias geralmente consumidas no desjejum matinal. Bonnie lambe os lábios e corre para a mesa, pegando um prato e enchendo-o de tudo que podia, enquanto eu vou até uma mesa de quatro lugares e sento-me. Olho pela grande janela ao lado. Um vasto lago podia ser visto fluindo com correnteza forte devido ao vento. A cidade de Cerulean. Já havia vindo aqui antes, com o Professor Oak, durante o acampamento de verão do qual participei nesta região quando era menor. Foi quando conheci o Ash. Não em Cerulean, mas em Pallet, não muito distante daqui. De fato, a cidade mudara bastante desde que vim aqui pela ultima vez. Eu ainda não a havia explorado a fundo, já que viemos direto para o hotel quando chegamos, afinal, chegamos á cidade quase três horas da manhã. Foi uma viagem longa e cansativa, todos estávamos exaustos, com exceção de Bonnie, que dormia nos braços do irmão desde que saímos de Kalos, por volta de dez horas da noite. Chegou a um ponto que Clemont não aguentava mais carrega-la, e queria usar uma de suas bugigangas que carrega na mochila para fazer o serviço, mas eu e Ash contestamos devido aos riscos, já que suas invenções quase sempre dão em algum erro, como o tal ‘Clembot’ que inventara para substituir seu lugar no ginásio. Quando chegamos ao hotel, o papel se inverteu. Clemmy deitou a irmã na cama e desmaiou no chão, fazendo com que eu e Ash tivéssemos que carrega-lo até o beliche de cima. Não foi uma tarefa fácil, ele é mais pesado do que aquele corpinho de garoto pré-puberdade demonstra, mas até que rendeu umas boas risadas depois. Não consigo evitar expor um sorriso fraco com a lembrança.

- Que cara de sonhadora é essa, Serena? – Tiro o foco do olhar da janela e viro-me para a frente, vendo Ash sentar-se em uma das cadeiras com o Pikachu em seu ombro, enquanto Clem tentava descer as escadas vestindo uma das calças folgadas do Ash e uma camisa de manga longa também muito folgada que o fazia ficar ainda mais estranho. Não consigo evitar rir.

- Você escolheu suas roupas mais folgadas pra emprestar ao Clem? – Sussurro para Ash. Ele aproxima seu rosto do meu para ouvir o que eu dizia, fazendo um calor subir por minhas bochechas com a proximidade impressionante de nossas faces.

- Talvez! – Rimos junto com sua maldade, cessando assim que vemos o par de irmãos se aproximando e sentando-se á mesa. Clemont parecia impaciente, enquanto Bonnie já mergulhava em seu prato repleto de todos os tipos de sanduíches, bolos, doces e salgados que haviam na mesa.

- Fala sério, Ash! Não sabia que suas roupas ficavam tão folgadas assim em mim! A cada passo que eu dou, sinto como se essas calças fossem escorrer por minhas pernas! – Clem reclama, cruzando os braços.

- A culpa não é minha se suas pernas são magrelas, cara! Isso aí já é culpa de sua testosterona. Ou falta dela. – Ash responde, roubando um dos croissants do prato Bonnie, que tenta impedi-lo, mas foi em vão. Ele come metade e entrega o resto a Pikachu, que mastiga animadamente. Clem parece se irritar com a afirmação anterior do nativo de Pallet.

- Então, vocês vão tomar café da manhã ou não? – Pergunto, tentando cessar o clima pesado que fora criado por parte dos três.

- Não estou com fome! – Responde o de fios pretos, acariciando a cabeça de seu Pokémon. – Estou muito ansioso para mostrar a cidade para vocês.

- Não está com fome mas roubou meu croissant!! – Protesta Bonnie, mordendo com certa voracidade um pão com geleia de framboesa.

- Até parece que você vai comer tudo isso, Bon! — Diz Clemont á irmã, roubando uma fatia de bolo de chocolate de seu prato. A garota dá um tapa em seu pulso para que se afastasse, mas ele já havia tomado conta da fatia. Ele morde a mesma, rindo da cara de raiva da irmã. A garota enfia na boca de uma só vez todo o resto de comida que havia em seu prato, para que ninguém mais roubasse. Tanto eu quanto Ash e Clem ficamos surpresos e chocados.

- Esfomeada! – Ash diz, puxando sem muita força a orelha da garota, com um sorriso no rosto.

- Esshfomeada nada! Vossheis que me fizeram fazzer isshu! – Reclama, ainda de boca cheia, engolindo com certa dificuldade em seguida.

- Se ficar com dor de barriga mais tarde, não adianta pedir que eu não vou te carregar no caminho! – Clemont avisa, cruzando os braços.

- Bem, agora que acabamos, vamos começar nosso passeio! – Ash se levanta, apoiando as mãos na mesa. Pikachu sobe por seu braço, se acomodando no ombro do rapaz. Nós três assentimos com a cabeça, também nos levantando. Entregamos nossas chaves e cartões de identificação á recepcionista do hotel e saímos pelas portas automáticas. O vento frio sopra novamente, fazendo com que o gorro em formato de Dedenne de Bonnie fosse levado para longe.

- Meu gorro! – A garota grita, antes de sair em disparada em direção ao objeto levado pelo vento. Clemont corre atrás dela, tentando evitar com que tropeçasse e se machucasse. Eu e Ash continuamos parados, apenas observando os dois correndo.

- Eles não têm jeito mesmo, não é? – Pergunto a Ash, que ri discretamente.

- Sim, sim! – Responde, sorrindo. Mantemos um breve contato visual. Tantas coisas se passavam por minha mente. Talvez, essa fosse a chance que o destino estivesse dando. Talvez, se eu tomasse uma iniciativa, ele a aceitaria. Mas... E se ele não sentir o mesmo? E se me rejeitar? Não quero perder a amizade dele...

Meu rosto é tomado por um vermelho intenso e um calor estranho. Ele parece notar, e também ficar um pouco desconfortável.

- Nós deveríamos acompanha-los antes que façam alguma loucura. – Põe a mão em meu ombro, sorrindo de modo sereno. Assinto com a cabeça, extremamente desapontada comigo mesma e minha falta de coragem.

Nossas mãos geralmente se tocando no crepúsculo
Sua sombra era apenas um pouco mais alta do que a minha
Eu costumava andar ao seu lado
Quando voltávamos para casa
Amanhã e depois de amanhã

Notas finais
Yaaaaaaay! :3 Não tenho uma data para continuar ainda, mas provavelmente semana que vem, dependendo do feedback! >.< Colocarei uma capa mais coerência com a história assim que achar uma / fizer uma. AYE!!