Sonhos Quebrados.

34 34- Desespero.


Notas iniciais
Sem mais delongas... Boa Leitura.

35-

“O corpo do menino pendeu molemente sobre os braços do seqüestrador que após fazer um selo com uma das mãos acabou desaparecendo em uma nuvem de fumaça.”

_ Quer que eu embrulhe para presente senhor Uzumaki?- A atendente perguntou sorridente.

_ Não, não vai ser preciso, muito obrigado.

Naruto pegou o presente feliz da vida. Mal podia esperar para ver a reação do filho quando visse. Tentou controlar a emoção e pulou euforicamente para fora da loja de olhos fechados, esperando que um para de bracinhos viessem enlaçara sua perna, afinal prometera que não iria demorar e fora exatamente o que fizera.

_ Tcharam!Olha o que eu comprei para o meu pirralho preferido!

Nada. Nenhum gritinho, ou braços em volta das pernas.

Naruto abriu os olhos, confuso e deixou o sorriso murchar enquanto o embrulho caia de suas mãos. Koji não estava lá fora.

Sentiu um desespero crescer fortemente no peito, e o mundo ao seu redor pareceu estar fora da realidade. Como se um buraco se abrisse sob seus pés ele sentiu como se a realidade estivesse sendo sugada para dentro dele.

Como era possível? Tinha certeza de tê-lo deixado ali minutos antes.

Tentou se acalmar, talvez ele estivesse por perto, olhando alguma vitrine ou atrás de algum animal, se fosse isso não estaria muito longe. Andou apressadamente procurando, sentindo a cada passo que dava uma ânsia nervosa fazer seu estômago dar uma volta de 360º.

Passou a mão pelos cabelos nervosamente puxando os fios com certa violência. Ainda era muito cedo para se desesperar, tinha que procurar mais, porém a respiração já estava fora do normal devido ao coração que batia acelerado pela adrenalina. Antes que se desse conta, os passos ganharam velocidade até se tornarem uma corrida frenética e desesperada e os gritos ecoavam alto pelas ruas, fazendo as pessoas olharem assustadas para ele. Deu três voltas no quarteirão e nada de encontrá-lo.

_ KOJI!CADÊ VOCÊ!- O grito saia esganado pelo temor.

Deixou o desespero tomar conta do corpo fazendo seus joelhos dobrar de encontro ao chão, puxando o cabelo aflito sem querer acreditar na realidade. Seu rosto estava vermelho de apreensão e o sangue corria a uma velocidade inimaginável, fazendo o copo tremer em pequenos e perceptíveis espasmos. Como poderia tê-lo perdido? Como iria contar a Hinata que havia deixado o filho deles desaparecer por falta de atenção? Não deveria tê-lo deixado sozinho do lado de fora da loja.

As imagens do filho aflito momentos antes do seu desaparecimento vieram como um estímulo para aumentar o seu calvário.

“_Mas e não quero ficar sozinho aqui, eu tenho medo!

_ Medo de que?

_ Das pessoas! E se alguém me roubar?”

Deu um forte soco na cabeça imaginando como poderia ser tão Baka, era como se ele estivesse prevendo o que estava para acontecer. No momento achara tão bobo o medo do filho de ficar sozinho, mas agora sentia a sanidade esvair pelos dedos como se fosse um punhado de areia. No fim das contas ele estava certo. Sentiu vontade de sumir, desaparecer, acordar e perceber que tudo não passara de um sonho e que logo depois poderia visitar Hinata e encontraria o filho correndo feliz para lhe abraçar e dar as boas vindas. Mas ele não estava sonhando.

Caído no chão envolto em memórias perturbadoras Naruto não conseguia reagir, estava paralisado pelo medo e angustia que o impediam de colocar os pensamentos em ordem para elaborar um plano. As imagens de Koji se confundiam em sua mente embaralhando o seu raciocínio e o impedindo de pensar com clareza.

“_ Eu amo você tio Naruto!- disse com os olhos ainda fechados e um sorriso bem aberto. — Um dia você ainda vai ser o meu pai. — completou sonhador.”

Naruto sentiu os olhos inflamarem de lágrimas e caírem pesadas. Havia perdido o seu menino, o filho que descobrira há pouco tempo e que já havia aprendido a amar. Chorava descontroladamente enquanto batia a cabeça na parede próxima como se a dor física pudesse aliviar a que partia o seu coração em mil pedaços.

Uma mão pousou carinhosamente sobre o seu ombro.

_ Naruto o que houve? Porque está tão transtornado?- a voz da pessoa saiu preocupada.

Ele não conseguiu reunir forças suficientes para responder a rosada que olhava ternamente com os orbes verdes abertos de preocupação. Não conseguia porque as memórias risonhas de Koji destruíam a sua concentração e faziam o desespero crescer ainda mais.

_ Naruto você está me assustando!- Largou a mochila que carregava no chão e se abaixou na altura dele. – Onde está o Koji?

Ouvir o nome dele ser pronunciado fez o seu desespero aumentar ainda mais quando parecia impossível. Ele olhou bem fundo nos olhos dela, denunciando o que se passava em seu coração esmigalhado.

Sakura pode ver estampado em seu rosto e olhos marejados, a certeza de que algo muito grave estava acontecendo.

_ Eu... perdi o Koji!- falou se desesperando e puxando mais os cabelos.

A Kunoichi recebeu a notícia como se houvesse levado um soco.

_ Perdeu.. m..mas como?

_ Eu pedi para que ele esperasse um pouco....fora da loja... e quando saí ele já não estava mais lá!- bateu o punho no chão já bastante machucado. — Eu sou uma droga de pai, e se ele estiver sozinho, ou com medo? Eu não devia ter tirado os olhos dele.

Sakura tentou por os pensamentos em ordem depois de saber do acontecido. Via o amigo bater a mão contra a cabeça, totalmente consternado, jamais o vira em um estado de nervos tão precário, precisava socorrê-lo antes que aquela autoflagelação se tornasse perigosa. Reuniu coragem e o levantou apoiando-o nos ombros com certa dificuldade devido ao peso.

_ Vamos Naruto, temos que procurá-lo, não iremos chegar a lugar nenhum parados aqui. — o tom da sua voz foi mais de ordem do que de conforto.

Ele nada respondeu, em estado de choque e com o olhar perdido e temeroso não lembrava em nada o homem corajoso e risonho que ela conhecia. Em outras ocasiões ele seria, com certeza, o primeiro a procurar e o último a desabar, assim como havia sido com Sasuke.

Mas Sasuke era um amigo, e não seu filho.

Olhou mais uma vez para ele e deu de cara com uma expressão atônita e olhos vidrados, mesmo que ainda estivessem marejados. Estava literalmente um caco. Precisava socorrê-lo como ele tantas vezes havia feito por ela.

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Koji olhava aterrorizado, nunca havia visto tantos homens com os olhos perolados como os dele em um lugar só. As mãozinhas cruelmente amarradas nas costas com um nó impiedoso que marcava o punho debilitavam os seus movimentos, e a boca lacrada por uma grossa faixa negra não permitia que sons mais audíveis que alguns sussurros abafados escapassem.

Foi empurrado por um dos homens para um corredor parcamente iluminado por velas, e a luz do sol que já se deitava no horizonte deixava claro que já estava entardecendo. Os cabelos loiros balançavam ritmicamente de um lado para o outro como se bailassem na sua frente em uma dança que parecia ser infinita e que se tornava mais brusca quando ele era empurrado para que andasse mais depressa.

Havia alguns homens pelo caminho que lhe lançavam olhares de escárnio ou faziam comentários maldosos sobre ele, resolveu abaixar a cabeça e olhar seus pés se movimentarem ritmadamente em uma tentativa de escapara daquela maldade gratuita. Sentiu as lágrimas caírem copiosamente lhe embaralhando a visão enquanto caiam formando uma trilha chorosa pelo corredor.

Estava assustado. Tinha medo daqueles olhares maldosos, das pessoas que estavam ali, todas estranhas para ele. Queria a mãe e Naruto viessem tirá-lo daquele lugar sombrio.

O choro se tornou mais desesperado e acompanhado de soluços, fazia o seu corpo tremer, mas os homens pareciam não se abalar. Pelo contrário, viu alguns lançarem olhares vitoriosos sobre a sua pequena figura cabisbaixa e amedrontada, como se a sua angustia alimentasse a sua alegria. Pareciam mais com monstros do que com homens.

De repente sentiu o homem as suas costas parar e seguir a frente sozinho, ao que parece haviam chegado ao fim do corredor, mas não tinha coragem de levantar a cabeça mais um vez com medo do que poderia ver.

O homem abriu a porta e anunciou com a voz fria, mas que parecia conter alguns traços de orgulho.

_ Hiashi sama, trouxemos o menino. – a voz saiu satisfeita como se tivesse acabado de capturar algum animal selvagem.

Hiashi sentiu o corpo tremer com uma expectativa macabra ao ouvir a notícia.

_ Ótimo, tragam-no aqui. — sua voz soou mais fria do que o habitual.

Koji foi empurrado novamente, e ainda receoso e se debulhando em lágrimas entrou a passos lentos e pesados. Hiashi observava atentamente o menino, não agradando de ver o seu tamanho e a tremedeira que se apossava do seu corpo enquanto ele chorava.

Não esperava muito de Hinata, afinal de contas ela sempre fora fraca e incompetente, porque o filho seria diferente.

Aproximou-se do menino que sentia cada passo cadenciado como se fosse o último, e abaixando até a sua altura pegou em seu queixo sem nenhum carinho para que ele levantasse o rosto. O que viu o deixou pasmo e acabou por destruir as suas barreiras. Os olhos perolados brilhavam temerosos devido às lágrimas e pareceram se arregalar ainda mais de medo, quando o fitou. Imediatamente se sentiu invadido por lembranças que queria manter escondidas pelo resto da vida, mas que pareceram aflorar naturalmente e contra a sua vontade, ao ver o rosto marejado de Koji, automaticamente lembrando de Hinata quando pequena. Sempre fraca e medrosa, mas ao invés de lhe causar asco a imagem lhe causou espanto, sentiu o coração balançar e seu aperto fraquejar diante da imagem da criança chorosa a sua frente.

Seu neto.

Sim, não havia o que negar, apesar de não querer admitir aquela criança era seu neto, e como tal possuía o Byakugan, mas a cor dos olhos não era prova de que um dia pudesse controlar o doujutsu, afinal de contas ele era o primeiro mestiço dos Hyuuga do qual já tivera notícia, e não sabia no que isso podia influenciar.

Koji estava com medo do lugar e dos homens que o fitavam desgostosamente enquanto ele era “guiado”. Mas a imagem daquele homem grande, de cabelos longos e olhar frio, lhe causou desespero e no mesmo instante sentiu mais lágrimas de temor tomarem conta dos seus olhos. Era sem sombra de duvida o mais terrível de todos os presentes, e o ódio com o qual o fitava era quase palpável.

Hiashi lançou as recordações de lado, sentindo que se deixasse subjugar por elas iria acabar sendo arrastado para o mar de arrependimento que o assolara nos últimos dias. Não devia ter piedade daquela criança, ela era o motivo da sua desgraça iminente e do clã ter perdido as duas candidatas a sucessoras que ele havia gerado. Observou com mais calma e notou, para seu alívio que apesar de ter os olhos perolados como um autêntico Hyuuga, o menino parecia possuir mais traços do pai do que da sua família, prova disso eram as marcas que existiam em suas bochechas, o olhar vivo e aberto que tinha e os cabelos de uma irritante coloração loira.

Conseguiu reorganizar os pensamentos e sentiu uma onda de ódio varrer as suas lembranças e temores sem piedade.

_ Então esse é o motivo da Hinata ter deixado esse clã. — disse um tom seco e enfadado. –Ela deixou uma vida honrada e um futuro promissor por causa disso?- apertou com mais força o queixo do menino.

Koji apenas tremia sem saber o porquê daquele homem amedrontador conhecer a sua mãe, mas o seu maior temor era ter que encarar forçado, a frieza e raiva que os olhos dele transmitiam.

_ Sempre em busca de coisas insignificantes, se sujeitando aos mais diversos escândalos para defender essas mixarias. Mais o que mais me irrita, é o fato de você se parecer tanto com o asno do seu pai.

Koji sentiu a apreensão crescer ainda mais, ele não conhecia o pai, como poderia saber se era parecido com ele? Sentiu o hálito quente do homem tão próximo do rosto, que pensou por um momento que ele fosse se transformar em algum monstro e comê-lo. Mais lágrimas assustadas desceram quentes trilhando o mesmo caminho das primeiras. Sentia medo daquele homem, do toque violento dele, queria que ele sumisse que alguém visse ao seu encontro para ajudá-lo, mas ninguém se disponibilizou. Os homens atrás dele pareciam tão amedrontados quanto ele.

_ Diga qual o seu nome bastardo!- estava furioso. Em situações normais, não se utilizaria de um palavreado tão esdrúxulo, mas a raiva e mágoa que guardava dele falavam mais alto do que a educação e o bom senso.

Koji em meio á lágrimas tentou responder, mas a mordaça em sua boca impedia que o som escapasse livremente. Hiashi então a retirou com certa severidade.

_ Vamos, diga qual o seu nome!- a voz saiu alta e imperativa.

Koji ainda tremendo e com os lados da boca avermelhados pela pressão do pano disse meio hesitante por causa do medo.

_ H-Hy-H-Hyuu-Hyuuga Ko-ji.-

Hiashi sentiu a raiva inflamar ainda mais ao ouvir que ele trazia o sobrenome dele. Ele não era digno de carregar tal honra,.

_ Hyuuga?Quem disse que você é um Hyuuga seu bastardo?!- o cinismo era perceptível.

_ A min-ha mã-e.

Hiashi tornou a segurar em seu queixo, virando o rosto para que ele pudesse perceber a frustração que brilhava em seus olhos.

_A sua mãe não é mais uma Hyuuga, ela deixou de ser assim que abandonou o posto dela no clã para ficar com você. Não passa de uma fraca idiota. — completou com ódio.

Koji não soube o que aconteceu, mas ao ouvi-lo insultar a mãe, sentiu uma raiva anormal crescer em seu coração. Era o orgulho Hyuuga que estava falando mais alto e por um segundo esqueceu o medo que sentia da figura assustadora a sua frente e fechando a expressão em desagrado, encarou o líder Hyuuga com determinação.

_ A minha mãe não é fraca seu velho idiota!- disse com desprezo.

Koji sentiu um leve solavanco e caiu no chão com o tapa de Hiashi.

_ Como ousa me insultar assim moleque? Eu sou o líder do clã Hyuuga e não vou deixar um bastardo falar assim comigo, ponha-se no seu lugar...mestiço!- cuspiu as palavras com asco.

Koji continuou encarando o velho Hyuuga com ódio. Se havia alguém que ele não aceitava que insultassem era a sua mãe que sempre esteve com ele cuidando e zelando pela sua saúde debilitada, mas sabia que a sua idade corporal não acompanhava a mental e por mais que quisesse encher aquele homem ignorante de pancada, não conseguiria. Então ao lembrar-se de Naruto, não pode evitar desejar que ele fizesse isso por ele.

Um desejo muito incomum para uma criança da idade dele. Para falar a verdade, a inteligência dele era incomum.

_ O tio Naruto vai me salvar você vai ver, e eu vou pedir para ele dar uma surra em você. — disse com a mão sobre o rosto golpeado.

Hiashi voltou à atenção para o rosto fechado do garoto e pode ver Hinata depois do reencontro. Aquele olhar vingativo, cheio de orgulho ferido. Típica característica de um Hyuuga. Espantou o pensamento, não podia se seduzir pela possibilidade. Tornou a olhar e dessa vez não teve a mesma impressão.

A expressão assustada escondida atrás de uma máscara de orgulho. Apenas fachada.

Outra coisa lhe chamou atenção. Porque chamava o pai de tio?

_ Tio? Porque o chama de tio? Ah... Agora entendi Hinata não te contou nada não é?- agachou-se para ficar na mesma altura. Iria adorar ver aquele olhar confiante se desmanchar. – Ela não te contou que na verdade Naruto é seu pai.

Sentado no chão ainda sendo observado de perto por Hiashi que possuía um leve sorriso de canto de boca vitorioso, Koji sentiu os olhos arregalarem com a afirmação, estava pasmo, as mãos suavam mais do que o normal, mas não conseguia acreditar nas palavras dele.

_ S-seu men-mentiroso.- respondeu meio hesitante.

_Pergunte a sua mãe então, Será que não consegue perceber que vocês são iguais? Principalmente no jeito único que dão de acabar com a minha paz.

_MENTIROSO! EU NÃO ACREDITO EM VOCÊ! TIO NARUTO ME AMA, SE ELE FOSSE MEU PAI A MINHA MÃE JÁ TERIA ME CONTADO ANTES. ELE JÁ TERIA CONTADO. APOSTO QUE FALA ISSO PORQUE NINGUÉM TE AMA! – Gritou nervoso para Hiashi que teve que se controlar para não esganá-lo.

Mas sentiu uma alegria doentia ao perceber que o olhar do menino havia se tornado mais vacilante, havia enfim alcançado o seu intento. Levantou e encarando-o de cima lançou as palavras derradeiras. A verdade que Naruto tanto temia que um dia ele descobrisse.

_ Sabe por que ela não te contou que o seu “querido tio Naruto” é na verdade seu pai?- fez uma pequena pausa agonizante. – Porque ela teria que contar que ele não te queria.

_ O que o senhor q-quer dizer com isso?- voltou a falar como uma criança assustada.

_Simples.... ele te re-jei-tou. Nunca quis você, ou por acaso nunca se perguntou por que você só mora com a sua mãe? É porque ele não queria você!- havia maldade em cada palavra e cada feição retorcida de incredulidade do menino fazia o seu prazer aumentar. Ele queria fazê-lo sofrer, assim como havia sofrido por causa dele.

Koji sentiu as barreiras que ainda estavam de pé se desmancharem ante a revelação dele. Isso explicava o olhar de desagrado que a mãe lançava a ele quando pedia para que Naruto fosse seu “novo” pai. Sentiu raiva por não ser igual às outras crianças felizes, que podem se divertir, sabendo que quando voltarem para casa vão encontrar o pai e a mãe para conversar. Queria não possuir a inteligência que tinha e amaldiçoou esse dom, porque ele lhe dava uma maior compreensão do mundo a sua volta, e Kami sabe como ele seria mais feliz se não conseguisse entender a maioria das palavras que ouve.

Mas as últimas palavras foram as mais difíceis de aceitar. As lembranças dos momentos divertidos que passara com Naruto vinham lhe martirizar. Será que era verdade o que o velho homem dizia? Será que ele fora...rej.. não conseguia nem imaginar a palavra de tão dolorosa que ela era.

Hiashi tinha um brilho estranho no olhar. Uma alegria insana tomou conta dele ao ver o menino pender a cabeça e chorar silenciosamente, sim, ele havia conseguido parte da sua vingança. Era um homem que tinha poder para fazer isso, e como tal não podia permitir que aqueles que foram autores ou co-autores do seu infortúnio vivessem uma vida leve e despreocupada, não, isso iria contra o seu orgulho, a sua dignidade. Lembrou-se de Hinata. Não seria pisado por ninguém, e iria ensinar a filha, a lição mais dolorosa de todas.

_ Levem ele daqui!- ordenou sem apontar para alguém em específico.

_ M-mas para onde?- o homem estava hesitante, Hiashi com certeza era um homem que transmitia medo.

_ Nãos sei. Apenas sumam com essa criança daqui!- e ao olhar para a criança ainda vacilante completou com deboche. — E certifiquem-se de que terá o tratamento digno de “Hyuuga”.

Koji não disse nada quando foi levantado bruscamente pelo homem que havia exitado falar Hiashi, apenas lançou-lhe um último olhar por cima do ombro.

Sem raiva.

Sem orgulho.

Um olhar composto apenas da dor de quem acabara de descobrir que a sua vida havia sido uma farsa. Que o seu nascimento havia gerado tantos problemas. Dor, de saber que fora rejeitado um dia pelo homem que ele tanto sonhou um dia se tornar seu pai de verdade.

Ele não percebeu, pois voltou o olhar para frente muito depressa, mas o seu olhar de alguma maneira atingiu Hiashi, que sentiu as ações se tornarem exitantes por um segundo. Aquele olhar lhe trazia recordações tristes.

Hinata...

Lembrou da filha na hora em que Koji lhe olhou pela última vez. Aqueles olhos tristonhos tão parecidos, tristeza que ele mesmo havia provocado. Será que havia sido duro demais, afinal de contas o menino tinha o que três? No máximo quatro anos? Sentiu outra coisa o acertar. Não havia se dado conta no momento por causa da raiva, mas agora se deu conta de que o garoto conversava como uma criança mais velha.

Foi juntando as peças aos poucos.

Ele possuía o Byakugan.

Era muito inteligente para a sua idade, e conseguia manter uma conversa um pouco mais evoluída.

E possuía o mesmo olhar orgulhoso de um Hyuuga.

Lançou um último olhar para o lugar onde ele estava há segundos atrás e deixou as últimas descobertas vagarem livres em sua mente. Fitou por alguns instantes o local antes de se dar conta de que estava se entregando novamente aos anseios que estavam assolando nos últimos dias. Deu de ombros e saiu da sala, definitivamente precisava de ar fresco, para espantar aquelas imagens que estavam lhe mortificando.

____________

Hinata saiu do prédio Hokage feliz com os últimos resultados. Finalmente, depois de meses o tratamento parecia estar surtindo efeito. Apertou ainda mais os resultados contra o peito. Feliz e mais aliviada. As chances de sucesso haviam aumentado consideravelmente, e já podia planejar um futuro diferente. Iria voltar para Konoha, contar ao filho que Naruto era seu pai de verdade, e quem sabe dar até uma nova chance ao loiro, afinal fora a saúde de Koji, o resto não passavam de preocupações tolas.

Mal podia ver a hora de poder abraçar o seu pequeno e transmitir a alegria que estava sentindo, já podia até sentir o corpo dele contra o seu, o calor e aperto do abraço dele enquanto..... parou ao ver Naruto de cabeça baixa, concentrado e...sozinho andando na rua.

Onde estava Koji?

Sentiu o ar lhe faltar pela expectativa, mas afastou os pensamentos negativos, afinal ele era um bom pai e com certeza o menino deveria estar com algum conhecido, em algum lugar seguro.

Arriscou alguns passos em sua direção, porém por mais que tentasse se manter calma e acreditar no que acabara de pensar, alguma coisa em seu interior dizia que algo não ia bem.

Sentiu o desespero crescer ao ver o olhar do loiro. Os olhos baixos, arroxeados e que pareceram aumentar de tamanho e marejarem quando encontraram os seus não pareciam ser sinal de bonança.

Naruto se sentia a escória do universo, e esse sentimento só aumentou quando viu Hinata no fim da rua. O sorriso nervoso que ela trazia no rosto momentos antes, pareceu se desmanchar quando ele a fitou. Não pode evitar a nova onda de melancolia e tristeza que o abateu ao lembrar que por causa da sua irresponsabilidade iria trazer mais dor á ela.

Quando a viu andando a passos rápidos em sua direção, tentou manter o controle e afastar as lágrimas que queriam descer novamente, precisava ser forte para ampará-la, mas diante da pergunta que ela lhe lançou não tinha certeza de quanto tempo iria conseguira manter aquela fachada de falsa fortaleza.

_ Naruto porque está sozinho, onde está o Koji?

Ele buscou reunir forças para o que precisava contar, mas sentia-se desarmado diante daquele olhar inquisidor.

_ Hinata....acon...o...- ouviu a própria voz morrer antes que pudesse concluir a fala. Já era doloroso lembrar-se do incidente, imagina rememorar e admitir a incompetência como guardião para a mulher que mais amava.

Hinata continuava a fitá-lo assustada. Os olhos dele pareciam avisar que algo não estava bem.

_ Naruto, você está me assustando. Onde está o Koji, porque ele não está com você? –sentia como se o coração fosse pular pela boca a qualquer instante.

Naruto não conseguiu falar, e sentindo a dor esmagar o seu coração novamente não pode se conter e se jogou nos braços da Hyuuga que não pode deixar de se sentir ainda mais irrequieta com a atitude dele.

_ Hinata... o koji...- afundou ainda mais o rosto no ombro dela.- ele....

_ Ele o quê?- sua voz beirava o desespero.

_Sumiu.

Hinata sentiu como se a sua alma tivesse acabado de deixar o seu corpo. Olhou trêmula para o loiro que chorava como uma criança em seu colo, inconformada com as peças que o destino lhe pregava. Simplesmente não podia aceitar o que acabara de ouvir, não queria acreditar que uma simples palavra com cinco míseras letras pudesse trazer a tona tanta dor.

Ainda em estado de choque, afastou Naruto tentando olhar diretamente em seus olhos, na esperança de que tivesse escutado errado.

_ O que você disse?- perguntou meio vacilante rezando para não ouvir novamente aquela palavra.

_ Ele Su..miu.

Hinata se afastou dele lentamente com a mão sobre a boca. Não podia ser verdade. Olhava para o loiro como se estivesse encarando a própria morte, tamanho o seu desespero.

_ Ele...sumiu...mas como?...como? Como você pode deixar isso acontecer? Não, eu não aceito isso.. ele deve estar aqui... – começou a andar desorientada- Koji!KOJI!KOOJIIIII CADÊ VOCÊ.

As pernas dela começaram a se mover por impulso e em poucos segundos estava correndo alucinadamente enquanto chamava pelo filho.

Correu por quase dez quadras.

Mas nada.

Gritou por quase vinte minutos sem parar.

Mas nada.

Koji parecia ter sumido da face da terra. Pior, havia sumido do calor dos seus braços, para um lugar onde ela não poderia reconfortá-lo. Em meio à frenética corrida, com Naruto atrás pedindo para que ela parasse, acabou tropeçando em uma pedra e caiu de joelhos sem ter forças para continuar.

Estava tudo acabado. Sem o filho não tinha motivos para viver.

Naruto estava mais calmo, sabia que um dos dois precisava se manter sob controle, caso contrário não conseguiriam encontrar o filho. Quando ela finalmente parou e se deixou levar por uma leva de lágrimas inconformadas, ele viu a chance que precisava para tentar acalmá-la. Enlaçando a sua cintura e enterrando a cabeça dela em seu peito ele a abrigou em seu abraço. Sabia que precisava ser mais forte, mas ela chorava doído demais e não tinha certeza de quanto tempo iria conseguir manter-se focado.

Hinata afundou o rosto chorando inconformada a sua sina e sibilou palavras de dor,

_ Eu não me conformo de sempre ter que perder tudo que é importante para mim. — falou amargurada.

Naruto sabia que ela estava falando dele também. Também participara da dor que a vida lhe infligira.

Ficaram abraçados um bom tempo, sentindo o calor um do outro, compartilhando a mesma dor de perda, até Hinata se afastar deixando o Uzumaki meio assustado pela brusquidão do movimento.

_ Como pode deixar isso acontecer? Eu o confiei a você! Como pode deixar o seu filho desaparecer?- perguntava inconformada.

Naruto respirou fundo, aquela realidade doía mais nele do que em qualquer outro.

_ Eu não sei como explicar, ele estava sentado no banco em um instante e no outro...já não estava mais.- sentia como se estivesse sendo crucificado pela segunda vez. Por favor, eu sei que não fui um bom pai, mas...

A Hyuuga o cortou com intenso ódio.

_ Tem razão Naruto, você nunca foi um bom pai, nem um bom namorado. A culpa foi minha de ter confiado algo tão “sagrado” aos seus cuidados. Eu fui uma tola de acreditar que poderia ficar mais tranqüila sabendo que ele estava com você, de acreditar que poderia ter mudado. — as lágrimas embaçavam a sua visão.

_ Hinata, por favor, eu não queria isso, eu... Sei que sou uma droga! Não sei nem cuidar do meu próprio filho por algumas horas, mas, por favor, entenda que eu amo o Koji tanto quanto você, e vou fazer de tudo para encontrá-lo.

Hinata tentou não se comover com as palavras dele ou lágrimas. Só de imaginar que chegaria em casa e não teria o filho por perto, o coração doía antecipadamente.

_ Eu não vou ficar discutindo agora, eu preciso encontrar o meu filho o quanto antes. Depois disso, nós conversaremos direito.

Hinata deu de costas e correu rumo ao prédio Hokage. Iria enviar uma carta a Gaara e pedir a ajuda dele. Mesmo com o coração em cangalhos, faria todos os esforços possíveis para ter o filho nos braços novamente, mesmo ter que agüentar a presença de Naruto mais uma vez.

Notas finais
Preciso de ídeias. Já tenho em mente o que fazer nos próximos capítulos, mas gostaria de saber o que vocês pensam para ver se incremento ou até deixo mais emocionante. ADOREI AS RECOMENDAÇÕES! Agradeço de coração. Declaro que fiquei surpresa com a repercussão da fic, afinal é a minha primeira,e saber que estou agradando os meus leitores me torna a autora mais feliz do mundo. Obrigada pelo carinho e atenção, realmente estou muito feliz de ser a escritora de um público tão...tão... TÃO TUDO!!! Já tenho a ídeia de mais três fics. Duas de humor e mais uma de drama. Por favor, não liguem eu adoro colocar um pouco de drama nas histórias, porque acredito que deixa mais marcante, e sempre gostei de sentir aquele friozinho na espinha. Já tenho uma que está na metade, eu escrevi ela ao mesmo passo que essa,bem antes de pensar em postar, mas penso em colocá-la apenas quando terminar essa, assim não terei problemas de abandonar uma história em prol da outra, o que convenhamos, não é nada agradável para quem acompanha. Fiquem com Deus é até o proximo capítulo! Abraços!!! YueChan!