Sonhos Quebrados.

33 33- Desconhecido.


Notas iniciais
Demorei um pouco mas estou de volta com um capítulo grande para compensar o tempo perdido.

Boa Leitura.

33- Desconhecido.

“Estava rumando para o prédio quando viu algo que lhe chamou muito a atenção. Um menino loiro de cabelos lisos estava atravessando a rua em companhia da mãe, que parecia muito atarefada pela sua maneira rápida de andar, a criança estava praticamente sendo arrastada. Ele reconheceu Hinata pela maneira com a qual mexia no cabelo.”

Tentou ver melhor o rosto do neto, mas eles entraram em uma loja de artigos ninjas tornado impossível o contato visual. Mesmo sob forte curiosidade não se deixou vencer e colocando-a de lado, resolveu continuar com o primeiro plano de falar com Tsunade quando outra idéia lhe veio a mente, mais elaborada e maliciosa.

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Após sair da loja, Hinata rumou com o filho para a casa do pai dele, fora convocada novamente pela Hokage devido aos resultados de alguns exames que Koji havia feito há alguns dias e precisava que alguém ficasse com ele enquanto conversava com Tsunade. Cada novo resultado aumentava a sua apreensão. Faltavam menos de dois meses para a cirurgia e ela estava seguindo a risca a lista preparatória, mas o destino parecia querer impor empecilhos fazendo desandar o tratamento e empurrando para frente a intervenção. Olhou para o seu pequeno que andava despreocupado pulando um pouco enquanto seus cabelos lisos balançavam sentindo um aperto desconfortável no peito. O medo de perdê-lo fazia a Hyuuga congelar de desespero e angustia, e as lágrimas a assombravam de imaginar a solidão, os brinquedos que ficariam, as fotos que serviriam não como um bálsamo reconfortante, mas como uma triste recordação da criança que um dia alegrou a sua vida cheia de frustrações e desgostos. Ele sempre ficaria ao seu lado, mas não queria que ele fosse uma recordação, e sim uma presença nítida e palpável que sempre estaria lá quando ela precisasse de um aconchego, e um ombro amigo. Ele era o único com quem podia contar, desde o momento em que o vira pela primeira vez, sentiu que os seus sacrifícios não haviam sido em vão. Se ele se fosse não teria mais um colo onde repousar a cabeça cansada de preocupações enquanto ganhava um cafuné das mãos pequenas e leves, preocupadas em proporcionar carinho.

Apertou ainda mais a mão dele que parecia encaixar perfeitamente.

Ele era perfeito. Não havia palavra que podia defini-lo melhor.

Mesmo com todos os problemas de saúde.

Mesmo sendo o motivo de a sua vida ter dado uma guinada de 360°. De ter sido espancada pelo pai, escorraçada pelo clã. Abandonada pelo único homem que realmente amou e desejou na vida, não conseguia olhar para ele e culpá-lo. Amava aquela criaturinha mais do que a si mesma, e não deixaria que nada a tirasse dela. Nem mesmo a própria morte. Se preciso fosse iria com ele, o acompanharia até o outro mundo. Mas viver sem ele estava fora dos seus planos. Até porque se não se matasse, ia morrer de tristeza e saudade.

Afastou os pensamentos pessimistas com um balançar suave de cabeça. Ela precisava ser forte, e ajudá-lo a superar as dificuldades, mesmo que sentisse o coração ser esmagado pela dúvida e receio quanto à operação. Precisava se mostrar otimista pelo bem dele.

_ Mamãe, aonde nós vamos?- perguntou curioso ao ver o rosto preocupado dela.

Ela viu aquele rostinho inocente fitá-la angelicalmente. Como ele era doce.

_ Você logo vai descobrir meu amor, e tenho certeza de que irá gostar. — tentou disfarçar mudando o assunto, como se ele pudesse descobrir o que se passava pela sua cabeça.

Quando chegaram ao apartamento do Uzumaki nem foi preciso bater, porque a entrada estava escancarada para quem quisesse entrar. Hinata sentiu um pedacinho do seu passado pairar naquele ambiente. Fora ali que muitas vezes havia se rendido ao seu amor juvenil, sonhando com um futuro promissor. Se as paredes pudessem falar com certeza dariam as boas vindas a ela. A diferença que era perceptível entre o passado e o presente era que o local estava espantosamente limpo e organizado. Era irônico retornara aquele lugar que havia freqüentado tantas vezes e trazer consigo a criança que havia sido fruto do amor com o Uzumaki.

Koji rumou apressado para o quarto, e viu o loiro deitado no chão com uma das pernas ainda sobre a cama, os braços estendidos e a coberta esparramada sobre algumas partes do seu copo seminu. Hinata olhou divertida aquela cena espalhafatosa em que o ex estava de cueca samba canção laranja totalmente desconjuntado.

Koji se aproximou e pressionando o dedo levemente para ter certeza de que ele dormia profundamente, fez sinal com o dedo sobre a pequena boca para que a mãe não fizesse barulho. Tomou distância, com o rosto concentrado e metade da língua para fora, e pulou em cima da barriga dele, fazendo-o acordar em meio a susto e dor.

_ OHAYO TIO NARUTO!- Gritou feliz enquanto o loiro se contorcia sob ele.

Naruto quase jogou o infeliz que o acordara contra a parede, mas se deteve a tempo ao ver que era seu filho. O menino sorria sapeca para ele mostrando os dentes de leite ainda pequeninos. Perguntava-se se era realmente digno de ter um filho tão bonito e carinhoso.

_ Bom dia Koji- falou sonolento segurando o menino que olhava divertido para ele. – Você pode não ter tamanho, mas pesa quando pula nos outros.

O sorriso de Koji foi substituído por uma careta brava.

_ Eu não sou pequeno, sou apenas diferente. — falou cruzando os bracinhos irritado pelo comentário. Detestava quando falavam do seu tamanho.

Naruto olhou encantado aquele bico estressado, com certeza havia muitos mais traços da família de Hinata nele do que supunha. Aqueles olhos estreitos em sinal de reprovação e nervosismo era uma parte típica da personalidade dos Hyuuga, fora o orgulho, que ele também parecia ter herdado. Pelo visto nenhum descendente parecia estar imune á essa semelhança.

_ Eu quis dizer da sua idade, não do seu tamanho. — tentou arranjar uma desculpa. – Mas me diga o que faz tão cedo na minha casa?

_ Cedo? Já está tarde Tio Naruto, o sol já está bem alto no céu, você que é um dorminhoco.

_ Olha quem fala?- olhou brincalhão para o menino em um tom de falso deboche. – Agora que tal me deixar levantar?

_ Vai ter que se virar, porque daqui eu não saio?- fingiu estar sério.

Naruto olhou divertido pelo orgulho que o menino fazia questão de demonstrar. Apesar de saber que ele estava brincando, não conseguiu evitar de lembrar dos Hyuuga. Pousou as mãos sobre as laterais da barriga dele olhando-o desafiador.

_ Por acaso está me desafiando?

_ Sim! Eu o grande Hyuuga Koji, desafio você a levantar comigo em cima, se tiver coragem. — Seus dedinhos balançavam graciosamente no ar enquanto fazia seu discurso modesto. Naruto se lembrou de si mesmo quando criança, ele também adorava desafiar os outros.

_ Desafio aceito. – Pegou o menino pela cintura e se levantou colocando-o do lado esquerdo do corpo suspenso como um saco de batata, fazendo-o rir histericamente.

Hinata observava a cena com os olhos brilhando. Naqueles momentos em que via os dois brincando e sorrindo como abobalhados, se permitia esquecer toda a dor que passara e as preocupações que ainda estavam por vir. Podia ver nos olhos de Naruto que ele também amava o filho deles, e não podia deixar de se sentir um pouco culpada por esconder de Koji que Naruto era seu pai de verdade, mas não podia negar que também sentia medo de que por algum motivo o filho viesse a sofrer futuramente, afinal ele já havia sido rejeitado uma vez antes mesmo de nascer.

Naruto se aproximou e fazendo um gesto galanteador curvou-se como se fosse cortejá-la, com o menino ainda pendurado no braço se balançando e rindo sem parar.

_ Bom dia Hinata. – deu-lhe um beijo demorado na mão. –O que a traz tão cedo na minha humilde residência?

Hinata deu uma pequena risada abafada e tentou se concentrar no assunto o máximo possível, mas ainda haviam resquícios do riso contido guardados em um meio sorriso de canto de boca. Naruto não pode deixar de se perder naquele gesto que apesar de simples lhe roubou o ar, com certeza a morena estava mais bonita desde que voltara.

_ Vim perguntar se pode ficar com o Koji algumas horas, enquanto eu converso com a Tsunade sama. — perguntou arrancando o loiro dos seus devaneios indecentes. Ele olhou sapeca ainda mantendo a postura galanteadora.

_ Pois considere a proposta aceita, linda dama. — deu outro beijo na mão dela.

Hinata puxou a mão olhando meio risonha e irritada.

_ Quer parar de fazer isso?

_ O que? Ser cortês? Não foi você quem disse que se deve tratar um Hyuuga com educação?

_ Educação sim, bajulação não! Você sabe que eu detesto essas formalidades.

_ Que bom! Isso quer dizer que posso voltar a ser um ogro. — coçou os cabelos enquanto bocejava.

Hinata balançou levemente a cabeça em sinal de desaprovação.

_ Não ensinando coisas erradas ao Koji, você pode ser o que quiser. Ogro, monstro, porco...

_ O que está querendo insinuar com isso? Que eu não sei educar uma criança corretamente?- a voz saiu falsamente ofendida.

_ Isso eu não sei, mas que o Koji anda mais bagunceiro desde que começou a andar com um certo loiro de cabelos desgrenhados isso é verdade. Não quer mais pentear os cabelos, apóia os cotovelos sobre a mesa na hora de comer, sem contar que agora deu para falar de boca cheia e....... quer fazer o favor de segurar esse menino direito?!- ralhou ao ver que ele ainda segurava o menino de lado.

_ Ah gomenassai!- Pegou o menino no colo antes que a Hinata arrancasse seus olhos. Pelo menos era o que ela parecia prometer com o olhar.

Hinata respirou mais uma vez, era impossível conversar com Naruto quando o filho estava perto, ele perecia roubar toda a atenção do loiro.

_ Deixa para lá, eu preciso me encontrar com a Tsunade em vinte minutos. – Disse olhando o relógio. -Então já vou indo.

_ Seja bonzinho e comporte-se, a mamãe não vai demorar a voltar. – afastou os fios que tapavam a sua testa e lhe deu um beijo carinhoso.

_ Ta bom mãe, pode deixar que o tio Naruto vai cuidar direitinho de mim.- abraçou fortemente o pescoço do pai.

_ É disso que eu tenho medo. — revirou os olhos. – Até mais tarde então.

Hinata saiu tranquilamente deixando os dois a sós. Depois de se certificar de que havia saído Naruto jogou o menino na cama.

_ Então moleque, o que nós vamos fazer hoje?- abaixou-se para fitá-lo.

Koji sentou e olhou sério para Naruto falando baixinho como se estivesse contando um segredo.

_ Olha Tio Naruto, que tal aproveitarmos para comprar um presente para a mamãe?

_ Você quer dar um presente para a sua mãe? Mas nem é aniversário dela!- perguntou meio confuso.

_ Eu não! Você! Assim a mamãe vai casar com você e você vai virar meu pai de verdade. — olhou esperançoso. — Então o que achou do meu plano?

Naruto olhou com carinho para o menino que balançava as mãos em sinal de expectativa, era muito emocionante saber que ele desejava que ele fosse seu pai. Durante alguns dias se perguntou qual seria a reação dele, mas agora estava mais despreocupado sabendo que provavelmente aceitaria sem alarde, quem sabe até com satisfação.

Mesmo assim sorriu maroto para ele, com certeza era muito esperto, e sabia que por mais que desejasse, isso não havia sido adquirido da sua herança genética. Inteligência não parecia ser um forte dos Uzumakis.

_ Você não acha que ainda é muito pequeno para pensar nessas coisas não? Onde foi que aprendeu isso?

_ O Tio Gaara que me contou. Ele disse que deu o Daito de presente para a tia Ino, e ela casou com ele. – Naruto riu ainda mais da inocência dele. Se soubesse que na verdade o pequeno provavelmente era fruto de uma ação impensada. – Então eu pensei que se você desse um bebe de presente para a mamãe ela também vai querer casar com você. Mas aonde será que a gente pode comprar um bebê?

Naruto sentiu o coração dar mais um pulo. Outro filho com a Hinata? Um que ele pudesse ver nascer e crescer? Seria alegria demais para o seu coração tão desgastado. Mas não podia falar isso com Koji, então tentou novamente se concentrar na conversa.

_ Não se compra bebe, se faz um!- disse ainda divertido.

_ Faz? Mas como? Com farinha, trigo e ovos?- levantou as mãozinhas em dúvida.

Naruto arregalou os olhos, ele parecia estar querendo fazer um bolo.

_ Não!E.. quando..... assim..... Quer saber deixa a sua mãe te explicar, ela vai saber melhor do que eu.- completou meio sem graça ao descobrir que não teria coragem de contar ao filho ainda tão pequeno como funcionava a reprodução humana.

_ Tio Naruto. — perguntou ao vê-lo pensativo. – Você já fez um bebê?

O loiro tentou esconder a satisfação para que ele não percebesse. Com certeza havia feito um, e ele era lindo e esperto da maneira como nunca sonhou.

_ Quem sabe?Agora vamos, estamos perdendo um tempo precioso.

Koji levantou da cama e o abraçou pelas pernas. Queria demonstrar o quanto gostava de estar com ele.

_ Eu amo você tio Naruto!- disse com os olhos ainda fechados e um sorriso bem aberto. — Um dia você ainda vai ser o meu pai. — completou sonhador.

Naruto não sabia o que dizer, sentia a emoção do momento se mesclar com a angústia das recordações. Ele havia recusado aquela criança e desejou, mesmo que por um instante que ele morresse e mesmo assim ele o abraçara com ternura e o tratara bem desde o momento em que se conheceram. Toda essa ternura e ingenuidade o faziam se sentir a escória da humanidade. Sentiu um enorme aperto no coração e abaixou para receber nos braços aquele pedaço dele que havia perdido. Desejou mais do que tudo naquele momento tão angustiante poder voltar atrás, e mudar tudo o que havia feito e poder consertar todos os erros e injustiças que havia cometido, mas sabia que isso não era possível. Afundou o rosto nos cabelos lisos, tão cheirosos e macios como os da mãe, e sentindo o conforto e carinho do contato não pode evitar as lágrimas que embaçaram sua visão.

Como ele fora estúpido.

Limpou o rosto antes que o menino percebesse a sua inquietação e o olhou nos olhos perolados com carinho, afastando algumas mechas da franja que caiam em seus olhos.

_ Eu também te amo, desde o momento em que te vi pela primeira vez. E nada me faria mais feliz do que poder passar o resto da minha vida ao seu lado a da sua mãe.

Continuaram no chamego por alguns instantes aproveitando da companhia um do outro.

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Sentado em posição de meditação, Hyuuga Hiashi remoia os últimos acontecimentos que o fizeram perder o controle que tinha sobre as filhas. Não bastasse Hinata ter saído do clã e abandonado o seu futuro como herdeira da chefia, ainda tinha que aturar as insolências da filha menor que parecia ter sido arrastada para o mesmo caminho de desobediência. Não podia aceitar pacificamente a perda das duas, isso seria uma afronta ao sangue de alta classe que corria em suas veias.

Sentiu o sangue ferver com mais fúria ao lembrar-se da determinação da filha mais velha. Com certeza havia mudado consideravelmente desde a última vez que a vira. No momento em que a reencontrou pensou ter visto, mesmo que por um breve instante, a antiga Hinata que cedia aos seus caprichos por medo, mas esse pensamento foi dissipado ao ver o olhar decidido que trazia consigo tudo por causa de uma criança.

Uma criança bastarda, que nem ao menos tinha sido abençoada ou registrada pelo próprio pai.

Uma criança fruto de um ato vergonhoso, que tinha a audácia de misturar em suas veias o puro sangue Hyuuga com o sangue daquele maldito moleque raposa.

Sentiu a cólera aumentar ainda mais ao lembrar-se da tarde anterior em que havia visto o menino pelas costas, mesmo sem poder ver o seu rosto podia apostar o que tinha de mais valioso que nem ao menos o Byakugan ele possuía, já que parecia fisicamente com o maldito Uzumaki.

A raiva fez uma das suas sobrancelhas se erguer demonstrando o nervosismo e inquietação que trazia em seu interior. Mas outro sentimento parecia querer lhe roubar a sanidade e lançar dúvidas em seu coração.

O arrependimento.

Balançou a cabeça na esperança de afastar o pensamento, como se ele fosse um inseto incomodo, mas ele sempre voltava mais forte e destemido, pronto para lançar sobre as suas costas a culpa pelos desgostos que estava sofrendo, e apesar de travar uma feroz luta contra esse sentimento, sentia que aos poucos estava se rendendo á ele. O fato de nunca ter incentivado Hinata ou demonstrado a sua afeição poderia ser um dos fatores que a levaram a buscar o amor de outras pessoas tão desesperadamente.

Sim, talvez ele fosse o único culpado.

Mas nunca iria admitir, nem para si mesmo, nem para Hinata ou para qualquer outro, afinal era o chefe do clã mais respeitado da vila e não demonstraria fraqueza. E admitir um erro era um sinal claro de fraqueza.

Seus pensamentos foram cortados quando viu um homem aproximar-se em posição de reverência.

_ Hiashi sama, está tudo pronto. Assim como solicitou — um Hyuuga com o rosto parcialmente coberto e saudando o patriarca avisou com o tom de voz sério.

_ Ótimo. Certifique-se de que ocorrerá tudo bem. Não aceitarei falhas entendido?!- disse autoritário. Essa era a postura que mais gostava de assumir.

_ Hi. – o ninja concordou e sumiu em uma nuvem de fumaça.

Voltou a fixar o olhar na parede mergulhando mais uma vez nos próprios pensamentos. Iria resolver o seu problema de forma rápida e segura.

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Naruto andava orgulhoso com o filho no colo. Ele era leve e carregá-lo nunca fora uma tarefa muito difícil. Sentia que poderia andar milhas e milhas de distância com ele nos braços sem ao menos arfar. Koji por outro lado adorava ser carregado e paparicado pelo loiro. Ele nunca havia tido um contato tão próximo e paternal com outro homem que fosse fora Gaara. Sentiu saudades do ruivo, havia muito tempo que não o via, mas Naruto parecia preencher em parte essa saudade.

Cada vez que olhava para o menino, Naruto ficava mais bobo. Sabia que provavelmente estava se tornado um banana perto dele, mas não conseguia evitar, só de imaginar que havia conseguido fazer algo tão lindo e inteligente seus olhos brilhavam diferente. Queria agradá-lo. Foi então que ao passar por uma loja de brinquedos viu uma das kunais de brinquedo que ele dizia adorar. Pensando em comprar sem que ele visse, para fazer-lhe uma surpresa, o desceu do colo e colocando-o em um dos bancos fora da loja disse:

_ Me espere aqui quietinho- Naruto pediu passando a mão pelos cabelos lisos do filho que não demoraram a ficar bagunçados como os seus.

_Mas por quê? Eu não posso entrar com você não?- fez um biquinho inconformado.

_Porque será uma surpresa, e se você ver vai estragar.

_Mas e não quero ficar sozinho aqui, eu tenho medo!

_ Medo de que?

_ Das pessoas! E se alguém me roubar?

Naruto não pode evitar rir um pouco por causa do medo dele, definitivamente ele era muito parecido com a mãe quando criança, sempre com vergonha ou medo das pessoas.

_ Se algum doido fizer isso, eu vou atrás dele e dou uma surra. Confie em mim, eu nunca vou deixar ninguém roubar você, e também não vou demorar tanto.

Koji pareceu refletir sobre a proposta e depois de um tempo acabou aceitando. Naruto entrou na loja e foi encomendando os brinquedos, tinha muito dinheiro pelas missões que recebia, e quase não conseguia gastar sozinho, poder dar ao filho qualquer coisa que ele desejasse era muito gratificante, nem ao mesmo se importava se iria mal acostumá-lo. Queria fazê-lo feliz.

Koji balançava as perninhas nervosamente, observando as pessoas que passavam por ele lançando olhares, que para ele nesse instante, pareciam um tanto quanto suspeitos. Se umas pessoas desconhecida se engraçasse para os eu lado, não hesitaria em correr para dentro da loja.

Passeava os olhos pela calçada e regiões próximas, voltando a cabeça de vez em quando para trás, fazendo a varredura enquanto sentia o corpo enrijecer pela expectativa. Era um sentimento odioso. Tão odioso quanto às momentos em que tinha que largar a mão da mãe e seguir com pessoas estranhas para a sala cirúrgica.

Deixou o corpo relaxar e um sorriso brotar nos lábios ao ver a mãe se aproximando com um sorriso. Sem perder tempo correu para perto dela e se atirou em seus braços, deixando os seus anseios morrerem. Não havia lugar mais aconchegante e seguro do que o colo da mamãe.

_ Que bom que chegou mãe, eu estava com medo de ficar sozinho.

Hinata nada disse apenas sorriu debilmente para o menino.

_ Vamos, temos que ir para casa. – disse ainda com o sorriso forçado.

Koji estranhou um pouco a atitude dela, mas não deu muita atenção porque às vezes chegava meio área depois de uma reunião com a Hokage. Mas não podia se esquecer de Naruto.

_ Mas não podemos ir sem o tio Naruto mãe, ele está naquela loja.

Hinata voltou a escancarar os dentes, mas algo em seus olhos denunciavam um certo temor e desconforto.

_ Depois ele vem.

_ Mas mãe temos que avisá-lo.

_ Na verdade, nós vamos fazer uma brincadeira favorita dele, chama-se pique se esconde.

_ Mesmo! – sorriu com a idéia de fazer uma traquinagem com o loiro. – Então vamos logo!

Hinata o levou para o beco mais próximo. Era escuro e frio e algumas caixas de lixo empilhadas descuidadamente enfeitavam de forma trágica o local, dando á ele um aspecto repugnante. Koji pareceu nem se preocupar, escondendo o rosto para não ser descoberto olhou para o banco esperando alguma reação do loiro. Abafou um risinho com a mão para que não escapasse alto demais.

Quando Koji tornou a olhar para a mãe, viu para seu espanto e temor que ela estava se transformando em um homem alto de cabelos castanhos e olhos iguais aos dele. Sentiu o terror paralisar o seu corpo e antes que pudesse tomar qualquer atitude, sentiu a mão dele lhe cobrir o rosto com um pano e a visão ficar mais turva a cada respirada que deva sobre o pano do desconhecido.

O corpo do menino pendeu molemente sobre os braços do seqüestrador que após fazer um selo com uma das mãos acabou desaparecendo em uma nuvem de fumaça.

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Notas finais
O que acha que irá acontecer agora?
Qual será a reação do naruto ao perceber que Koji desapareceu?
Como Hinata irá reagir?

Abraços!!!
YueChan.