Somewhere only we know
1 Simple thing
Notas iniciais

Satsuki se aproximava do parque com os olhos brilhando. Segundo sua mãe, Dai-chan estava lá. Gostava de ir vê-lo no parque. Se conheceram lá, a fazia sentir certa nostalgia, mesmo que tivesse apenas oito anos e o tivesse conhecido aos seis.
Ao chegar, foi logo de cara para a quadra de basquete. Alguns garotos mais velhos já arrumavam suas mochilas para irem embora. Olhou para cada canto da quadra, mas não encontrou nenhum baixinho de cabelo azul e pele morena. Ele não estava jogando? Isso era possível?
"Ele pode ter ficado cansado e foi beber água..." Concluiu. Assim, começou a ir em direção a uma das barraquinhas que tem ao redor para vender lanches. Teria passado reto pelo parquinho se não ouvisse o ranger lento do balanço. Virou a cabeça, apenas para dar uma olhada rápida, e reconheceu aquela cabeleira azul de longe mesmo que estivesse de costas. Deu um largo sorriso e foi andando silenciosamente até o balanço. Teria dado um susto nele se não começasse a ouvir algumas fungadas baixas.
Franziu a testa, então apenas sentou-se no balanço do lado.
— Dai-chan, você está chorando?
O Aomine sobressaltou-se sobre o balanço, derrubando a bola de basquete que estava agarrado no chão. Achando que conseguiria convence-la, apenas limpou o rosto rapidamente e o virou para a outra direção.
— C-Claro que não, Bakatsuki! — Bufou alto com um beicinho irritado. — E não apareça mais assim, eu me assustei!
Satsuki soltou um risinho.
— Você é um bebê chorão, Dai-chan. — Comentou após entender a situação. O viu ficar mais irritado. — Perdeu para os garotos mais velhos, não foi? — O viu assentir um tempinho depois, estando visivelmente chateado.
— Só porque eles eram mais altos! — Defendeu-se em seguida. — E quando eu ficar maior e treinar mais, vou ganhar deles! — Disse determinado, cerrando os punhos com força.
Satsuki percebeu que ele falava aquilo mais para si mesmo, isso a fez soltar um outro risinho. Risinho que chamou a atenção de Daiki e logo virou a cara emburrado.
— DUVIDA?! — Franziu a testa com raiva de sua pouca fé.
— Nah, — Esboçou um pequeno sorriso. — é apenas fofo te ver determinado assim. — As bochechas que antes estavam coradas de raiva agora estavam coradas de vergonha.
— Para de falar besteira... — O azulado virou o rosto de novo para tentar esconder tal rubor, levantando-se do balanço para pegar a bola de basquete que ainda estava no chão. — E eu não sou fofo.
— É sim! — Aomine retrucou um "Não sou, não!" e, com a insistência de Satsuki, ficaram uns dois minutos nessa pequena discussão. — Não é, não!
— Sou sim! — Percebeu o que havia dito assim que notou o sorriso convencido e satisfeito se formar nos lábios da rosada. Apenas bufou alto. — Acho que vou pra casa...
— Eh?! Já?! — Se colocou na frente do mesmo com um olhar pidão. — Mas eu acabei de chegar!
— E ficou me chamando de bebê chorão e de fofo. — Relembrou, conseguindo passar por ela num rápido movimento.
— Pode me ensinar a jogar basquete!
Satsuki se sentiu ofendida ao vê-lo parar de andar só por causa do que disse. Ele só iria brincar com ela se fosse basquete? Via isso como um absurdo. Porém, deixou passar porque também queria ver a graça que ele via em jogar basquete todo santo dia. Talvez fosse realmente divertido.
— 'Tá, eu te ensino. — Satsuki percebeu que ele tentava inutilmente esconder sua animação. — Mas não vou brincar de casinha com você mais tarde porque você quem quis jogar! — Acrescentou apressadamente.
Satsuki rolou os olhos, mas acabou tendo que concordar. Apostaram em seguida uma corrida até a quadra. Aomine acabou ganhando por ser mais rápido, deixando Satsuki irritada sempre que esfregava isso na sua cara. Tiveram outra pequena discussão em que Satsuki acabou ganhando — de novo — usando o argumento de que Daiki treinava e ela não. Isso apenas o deixou mais animado em ensina-lá basquete, porque se a fizesse aprender e gostar, provavelmente ela iria treinar e eles teriam uma corrida justa e talvez até um mano-a-mano algum dia. Aquilo soava tão bem aos seus ouvidos que nem percebeu Satsuki fazendo algumas cestas.
❝Ah, coisa simples, onde você se foi?❞
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